Coluna: As palavras e a festa da democracia

Por Menelau Júnior

No próximo domingo, milhões de brasileiros vão às urnas exercer o papel de cidadão. É a “festa da democracia”. Uma festa mesmo! Todos se divertem, todos se enganam e ninguém pensa no dia de amanhã. Numa festa, cada um só quer saber do seu copo.

Nessa “festa”, mais de 80% dos convidados não têm Ensino Superior. Sou capaz de garantir que, nessa “festa”, mais de 90% dos convidados não sabem o que é “peculato”. Não sabem o que é “lobby”. Não sabem o que é “tráfico de influência”. Não sabem o que é “nepotismo”. Ou seja, é a festa da democracia, mas também é a da ignorância! Vivam os brasileiros!!

Pouquíssimos convidados da festa pagam para entrar. E olha que pagam caro! Há um “leão” que exige quantias exorbitantes! Os que pagam têm de garantir a assistência aos que não pagam! Os que pagam não se conformam com determinados crimes, não aceitam que seus dados sejam roubados e depois vendidos. Os que pagam pela festa sustentam a farra dos milhões que não pagam, mas que recebem mesada pelo voto. Isso é que é “festa”.

O dicionário Houaiss define “peculato” como “crime que consiste na subtração ou desvio, por abuso de confiança, de dinheiro público ou de coisa móvel apreciável, para proveito próprio ou alheio, por funcionário público que os administra ou guarda”. O mesmo dicionário diz que “lobby” é “atividade de pressão de um grupo organizado (de interesse, de propaganda etc.) sobre políticos e poderes públicos, que visa exercer sobre estes qualquer influência ao seu alcance, mas sem buscar o controle formal do governo”. O site Wikipédia define “tráfico de influência” como ato que “consiste em solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem (“como se fosse um investimento”), a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função”. Já “nepotismo” é definido como “favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos”. Alguém se candidata a explicar tudo isso?

Segundo o resultado do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), 80% dos alunos que terminam o Ensino Médio não conseguem entender um texto mais complexo. Em outras palavras, juntam frases, mas não compreendem um texto. E assim são os brasileiros. Portanto, há um crime maior do que a prática do “peculato”, do “lobby”, do “tráfico de influência” e do “nepotismo”.

O maior crime é passar horas e horas discutindo isso na imprensa. Mostrando isso no “Hilário” Eleitoral Gratuito. Ora, somos ignorantes! A eleição é uma grande festa, em que todos devem estar felizes e alegres para escolher seus representantes. Para que saber o que significam certas palavras? Para que se chocar com crimes dessa natureza? Na festa da democracia, o copo de cada um é o que interessa. Quem não bebe – como eu –  e se recusa a ficar embriagado não acha a menor graça.

Menelau Júnior é professor de português

Natural do Rio de Janeiro, é jornalista formado pela Favip. Desde 1990 é repórter do Jornal VANGUARDA, onde atua na editoria de política. Já foi correspondente do Jornal do Commercio, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo e Portal Terra.

One thought on “Coluna: As palavras e a festa da democracia

  1. Ailton Lucena diz:

    Quem disse que o que faz uma pessoa inteligente é um curso superior? Conheço várias pessoas que provam o contrário.

    Não menospreze as pessoas que pensam diferente do senhor Professor. Melhor, vá morar na Argentina, lugar que o senhor tanto referência, lá é melhor que o Brasil. Lá pobre não deve andar de avião ou ir a shopping. Faça isso!

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