OPINIÃO: Nem sempre a concordância é visível

Por MENELAU JÚNIOR

menelau colunaAs normas gramaticais determinam que o verbo de uma oração deve concordar com o sujeito. Assim, escrevemos que “O filme agradou a todos” e que “Os filmes agradaram a todos”.

Entretanto, existe um caso em que isso não ocorre: quando temos uma silepse. Silepse é a concordância com a ideia, e não com o termo escrito.

Observe a manchete de um importante jornal do estado: “Jogos vorazes é o queridinho da vez”. Ora, observe que a forma verbal “é” e o predicativo “queridinho” não concordam com o sujeito, “Jogos vorazes”. Por que isso ocorre? Porque temos uma silepse!

Na frase em análise, está subentendida a palavra “filme”, e é com ela que se faz a concordância. É como se tivéssemos “O filme Jogos Vorazes é o queridinho da vez”. Nesse caso, temos uma silepse de número, uma vez que o sujeito está no plural e o verbo no singular.

A silepse também pode ser de gênero. Nesse caso, a diferença de concordância se dá entre o masculino e o feminino. Quando alguém diz que gosta de assistir “ao” Zorra, o emprego do artigo “o” na forma “ao” indica que ali está subentendida uma palavrinha: “programa”. Falamos “O Zorra”, e não “A Zorra”, mesmo sendo a palavra “zorra” feminina. Tudo isso por causa da silepse.

E quando alguém diz “Os brasileiros estamos fartos de tanta corrupção”? Bom, agora temos uma silepse de pessoa, uma vez que o sujeito, “Os brasileiros”, está na 3ª pessoa do plural, e a forma “estamos” está na 1ª pessoa. Claro que esse tipo de frase só é possível quando o indivíduo se inclui no que acabou de falar.

Ah, na próxima semana, Os Vingadores 2 chega às lojas de todo o país. Ops, “chega” ou “chegam”? Bom, como estamos nos referindo ao filme “arrasa-quarteirão” de 2015, a forma no singular é bem-vinda. É uma silepse.

Até a próxima semana.

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Menelau Júnior é professor de língua portuguesa. Escreve para o blog todos os sábados. E-mail: menelaujr@uol.com.br

Natural do Rio de Janeiro, é jornalista formado pela Favip. Desde 1990 é repórter do Jornal VANGUARDA, onde atua na editoria de política. Já foi correspondente do Jornal do Commercio, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo e Portal Terra.

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