OPINIÃO: Ser jovem é, cada dia mais, um ato revolucionário!

Por JOSÉ FRANCISCO RODRIGUES NETO*

A luta juvenil tem sido cada vez mais árdua nos últimos tempos. A tentativa de subtrair os avanços adquiridos tem se tornado algo cotidiano e, com isso, nós, jovens, devemos nos fortalecer como tais, de maneira ainda mais intensa.

Tentam, a todo custo, diminuir a identidade que tantos e tantas jovens conseguiram durante anos de lutas por causa de fundamentalismos individuais.

Primeiro, viramos apenas força de trabalho. Colocar o jovem e a jovem em um subemprego é uma maneira de contemplar as Políticas Públicas de Juventude, uma vez que todos e todas têm as mesmas chances e oportunidades, logo, todo mundo pode ser bem-sucedido na vida. Mas, todo/a jovem é igual? Um ser de fácil molde que é só dar uma receita que ele seguirá à risca e o sucesso é garantido? Meritocracia é ótima… para quem usufrui dela.

Depois, todos nós viramos insanos e insanas em querer mudar isso. Arrisco-me a dizer que porcentagens altas de jovens ouviram respostas negativas e tiveram sonhos cortados pela raiz quando disseram aos pais e mães que queriam ser artistas, cantores e cantoras, dançarinos e dançarinas, artesãos e artesãs e, como resposta, tiveram sonoros “Vai arrumar algo que preste pra fazer!” ou “Isso lá dá dinheiro!” emendados em “Por que tu não inventa de estudar medicina que nem o filho de fulano?”. E assim potenciais construtores e construtoras de cultura em nosso país se iam e o Brasil se empobrecia.

Mais recentemente, nos tornamos marginais. Na verdade, marginalizaram tantos e tantas que certos representantes querem colocar para debaixo do tapete por não fazerem parte de sua “crença”. Preferem investir em presídios a escolas. Preferem achar que muitos são potenciais bandidos do que acreditar em potenciais cidadãos e cidadãs com condições de contribuir com seu lugar. Preferem tratar a violência como causa, não como consequência. Apesar de eles e elas dizerem que todos e todas poderão ser punidos e punidas com isso, sabemos aonde essa política de repressão chegará: pobre e que mora em periferia e, em sua maioria, preto. Não falo em discurso comum, mas em fatos.

Diante disso, dessas tomadas à força das conquistas de acesso à cultura, ao trabalho digno, à participação cidadã e tantos outros direitos, digo que ser jovem e ir de encontro a todo esse discurso de desconstrução é, sim, um ato revolucionário!
Certa vez, ouvi de um senhor que não deveríamos repercutir essa imagem de que a juventude é “coitadinha” por exigir demais direitos e que o mundo se “virou” muito bem antes disso.

Acho que ele não entendeu que o mundo avançou e muda dia a dia. Os sujeitos que antes eram invisibilizados, agora estão colocando a cara pra luta.

Os negros, que só eram considerados favelados, agora retomam seu lugar que, historicamente, foi usurpado. Gays, lésbicas, transexuais e bissexuais, que eram motivo de chacotas, agora estão na luta para uma sociedade mais justa. Os jovens e as jovens que são egressos e egressas de medidas socioeducativas, e que são tratados como detentores de pena perpétua pelo que fizeram, agora mostram que são dignos de estar nessa construção social. Os jovens e as jovens de religião de matriz africana se sentem orgulhosos e orgulhosas de sua identidade.

Bem, se estar junto com os e as jovens que a elite tentou invisibilizar ao longo de centenas de anos é ser coitadinho, muito prazer, aqui está mais um!

Encerro com a frase do grande professor Boaventura de Sousa Santos: “Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza”.

*José Francisco Rodrigues Neto é gerente de Juventude da Prefeitura de Caruaru

Natural do Rio de Janeiro, é jornalista formado pela Favip. Desde 1990 é repórter do Jornal VANGUARDA, onde atua na editoria de política. Já foi correspondente do Jornal do Commercio, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo e Portal Terra.

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