Coluna de quinta: Caruaru precisa fazer um museu para o cantor Azulão

Por Hérlon Cavalcanti

Quem nunca ouviu essa música, CARUARU DO PASSADO “Caruaru do meu Bom Jesus do Monte, pra quem vive tão distante por força do destino, ai Caruaru do meu tempo de menino” quem nunca cantarolou essa música na voz do nosso Francisco Bezerra de Lima (o Azulão).

Nosso pequeno grande artista Azulão, é sem dúvidas nossa maior referência musical de todos os tempos em Caruaru. Sua história de vida foi construída por muitos sacrifícios e sonhos. Ele nasceu no dia 25 junho de 1942 no Brejo da Taquara.  Nascido em uma família simples, desde criança em suas brincadeiras, o pequeno Chiquinho, gostava de cantar imitando Luiz Gonzaga. Seu amor pela cultura nordestina só aumentava.

O tempo foi passando, o menino virou rapaz. Caruaru na década de 1560 a grande sensação era os programas de auditório da rádio difusora de Caruaru. Por lá, tantos bons programas eram apresentados reunindo as famílias e toda a sociedade. Em uma certa manhã surge a figura de um rapazinho vendedor de picolé todo trajada de azul querendo se apresentar, foi então que o radialista Arlindo Silva em tom bem auto gritou: “Chama esse Azulão pra vim cantar”? Pronto, dali começou sua carreira de sucesso, o pequeno Chiquinho virou Azulão de Caruaru.

Depois o Maestro Camarão que criou a primeira banda de forró do Brasil Banda do Camarão, chama Azulão pra fazer parte do conjunto. Foi um sucesso sua participação. Azulão passou um período mais por ter luz própria começou a seguir sua carreira solo. Surgiram muitos bons compositores que a toda hora lhe entregava verdadeiras perolas que se transformaram imortalizadas em sua voz músicas como: Dona Tereza, Mané Gostoso, Caçote, Caruaru do passado, Trupê de cavalo, afogando a minha dor, nega buliçosa, eu não socorro não, a Rua Preta entre tantas outras.

Esses grandes sucessos levaram o nosso azulão aos grandes palcos do cenário cultural. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro conheceram a força desse grande guerreiro que a todo ano batia recordes de vendagens de discos, sendo aplaudido e reconhecido por Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Genival Lacerda, Jacson do Pandeiro, Jacinto Silva, Ary Lobo, Walmir Silva etc.

O grande Mestre Azulão se tornou uma figura querida, folclórica em nossa cidade, se tornou nossa maior referência cultural.

Sua história merece ser preservada e repassada para as novas gerações. Azulão precisa de um espaço digno, um lugar sagrado, um museu de alta qualidade para mostrar suas histórias. Quem sabe um dia o poder público possa enxergar isso. Tem que fazer por azulão em vida, depois que morre, vira nome de rua, Avenida, praça sei lá o quê mais. Isso é importante sim, mais não suficiente. Preservar e valorizar nossa cultura e seus artistas é tarefa de todos.

Natural do Rio de Janeiro, é jornalista formado pela Favip. Desde 1990 é repórter do Jornal VANGUARDA, onde atua na editoria de política. Já foi correspondente do Jornal do Commercio, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo e Portal Terra.

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