ARTIGO —- A queda dos preços

Por Maurício Assuero

Nos meses de janeiro, fevereiro e março passados tivemos inflação mensal de 1,27%, 0,96% e 0,43%, respectivamente. Isso representa uma inflação acumulada no trimestre de 2,68% que projetada para o ano chegaria a11,17%. Repetindo um exercício que fizemos em fevereiro: para que a inflação chegue a 7,5% ao ano, ao longo dos meses restantes de 2016 deveremos ter inflação negativa de 0,23% ao mês (deflação). Muito embora haja tendência de queda na inflação é muito pouco provável atingirmos o objetivo, apesar de termos registrado uma variação percentual negativa de 55% entre a inflação de fevereiro e a de março.

O lado cruel da história é que a redução da inflação está baseada no aumento do desemprego e na alta taxa de juros da economia. A queda dos preços pode ocorrer na velocidade desejada pelo governo, ou seja, de forma rápida, mas isso só acontece quando o produtor/comerciante se defronta com os custos obrigatórios e promove uma “queima de estoque” vendendo produtos com descontos expressivos. Na prática isso implica em reduzir a margem de lucro que, em alguns casos, é expressiva. Noutra ponta está a constatação de que os produtos que estão sendo ofertados hoje nas lojas foram adquiridos no passado e os preços sugeridos atendiam os custos daquela época, portanto, para o vendedor fica complicado reduzir preços na velocidade ideal. Considerando a variação da inflação de fevereiro para março, fazendo uma simples projeção, em julho a inflação seria nula e em agosto seria negativa. Ou seja, a gente iria precisar de 5 meses para a economia apresentar deflação, ou dito de outra forma: queda de preços só no segundo semestre!

O problema crucial é saber quem sobreviverá até lá. Até lá a política econômica tende a se depreciar graças, também, ao problema político. Dilma negocia emendas que totalizam R$ 58 bilhões para evitar o impeachment. Temer, mesmo que não seja tão explicito, também negocia cargos para que o Congresso aprove o impeachment e ele assuma a presidência. Em qualquer uma das situações, o governo vai agravar o déficit público e isso não vai trazer nenhum benefício para a economia. Portanto, enquanto “vossas excelências” estiverem interessadas nos seus próprios interesses, a inflação vai ser levada para baixo a custa do sacrifício da sociedade, da penalização do individuo que tem escola, plano de saúde, moradia, alimentação, etc.. para se responsabilizar. O país caminha, a passos largos, para um caos social que nós não sabemos a quantidade nem o perfil das vítimas que surgirão. Só sabemos que, como no caso da chicungunha, ninguém está imune.

 

Pedro Augusto é jornalista e repórter do Jornal VANGUARDA.

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