ARTIGO — Governo TEMERário

Por Maurício Assuero

Enquanto Dilma se segura em todas as tábuas de salvação disponíveis, Temer arquiteta um governo a ser implantado a partir do próximo mês quando o senado se pronunciar sobre o processo de impeachment. Sem contar a enorme rejeição que ele tem, tanto entre os favoráveis como entre os contrários ao impeachment, Temer vai precisar vencer obstáculos que estão além de suas forças. Tudo indica que ele terá maioria no Congresso, afinal foram 367 votos dados a ele por partidos de todas as tendências. Mas, isso é pouco. Temer precisa de dinheiro para fazer a economia decolar e governo só consegue dinheiro através do aumento da arrecadação. Então, por mais que Temer anuncie que não pretende aumentar a carga tributária, deve-se ficar de sobreaviso porque não há como manter o sistema funcionando com um déficit, até agora, de R$ 120 bilhões. A economia não tende a crescer apenas com a troca do presidente.

A atividade econômica em queda significa que a arrecadação do governo cai junto. O nível da dívida pública mostra que qualquer tentativa na direção de aumentar esse endividamento tem o mesmo impacto de brincar de “roleta russa”, isto é, chegará um momento no qual a bala estará na agulha. O ponto de partida deve ser a redução da máquina pública, ou seja, redução dos ministérios edos cargos comissionados sem a devida substituição por seus partidários, isto é, não adianta tirar os simpatizantes ao PT e colocar os simpatizantes ao PMDB ou seus apoiadores. Ao cortar na carne, Temer irá produzir um nível de insatisfação tão grande que vai impactar diretamente na sua gestão.

Ao longo dos últimos 13 anos, os movimentos sociais ganharam espaço de tal forma que parecia uma simbiose. O governo patrocinou diárias e viagens para integrantes desses movimentos em diversas situações e agora, acostumados com esse tratamento, esse pessoal vai estranhar bastante o governo Temer e o novo presidente terá que ser muito convincente para transformar raiva em nirvana.

No meio de tudo isso, cabe lembrar que o pior já está em pleno andamento: a alta probabilidade de afastamento da presidente Dilma faz com que contratos sejam firmados à velocidade da luz, muito embora o governo não tenha um centavo sequer para honrá-los. Isso não importa, importa mesmo é constar, na pior das hipóteses, como restos a pagar! Isso será desatroso porque se Temer partir para anulação ou questionamento jurídico desses débitos, então abrirá uma frente de insatisfação com a classe empresarial, favorecendo a união de patrões e empregados contra seu governo. O desenho que surge é que ele não terá um pingo de paz. Tudo indica que teremos um governo TEMERário.

Pedro Augusto é jornalista e repórter do Jornal VANGUARDA.

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