Poluição visual na mira da prefeitura de Caruaru

Wagner Gil

Há cerca de dois meses a Prefeitura de Caruaru vem intensificando o combate à poluição visual que ocorre em praticamente toda a cidade e de todas as formas. Placas e cavaletes em calçadas, mercadorias à venda no passeio público, além de propagandas em postes e árvores, estão sendo alvo da URB, na Capital do Agreste. VANGUARDA ouviu corretores, comerciantes, o departamento responsável da PMC, bem como representantes do Creci (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis) e da Câmara Setorial de Corretores, órgão ligado à Acic (Associação Comercial e Industrial de Caruaru).

Em Caruaru a poluição visual atinge a maioria dos setores da economia, principalmente o de imóveis. No bairro Maurício de Nassau, por exemplo, em quase todos os prédios que têm apartamentos para vender ou alugar, existem placas em postes de iluminação. Em alguns locais, até as árvores são usadas como apoio à propaganda institucional de algumas empresas.

A proibição a esse tipo de prática ilegal cabe à prefeitura, mas, apesar dos esforços, pouca coisa é feita. Atualmente a URB tem oito fiscais para esta finalidade e ainda fiscalizar construções irregulares, tornando quase impossível o combate total à poluição na cidade.

Há cerca de seis anos o Ministério Público chegou a realizar uma série de reuniões com promotores de eventos e outros segmentos para evitar a grande quantidade de pixações e lambe-lambe em áreas como viadutos e postes, tomando como base a Lei Municipal da Poluição Visual (6.938-81). Na época também houve uma grande retirada de placas irregulares nas calçadas e postes. Alguns anos depois, todo esse trabalho foi jogado fora. Esse problema de placas em locais públicos existe no Centro e na periferia.

Para o corretor de imóveis Jaime Anselmo (Anselmo Imóveis), atualmente alguns corretores e imobiliárias usam o expediente de divulgar suas ofertas em postes devido à proibição nos prédios que estão com os apartamentos para vender ou alugar. “Você pode observar que onde tem um quadro para anunciar os apartamentos desocupados, os postes praticamente não são utilizados. Isso mostra que o disciplinamento é fundamental para evitar a poluição”, disse.

Já Aurino Dutra, da AD Imóveis, afirmou que utiliza como principal meio de divulgação de suas ofertas os jornais, as redes sociais e o site da própria empresa, mas admitiu que, em alguns casos, usa postes. “Meu foco geralmente são os sites e as redes sociais, mas alguns proprietários exigem que seja colocada uma placa em frente ao prédio onde tem a oferta. Geralmente quando não se pode colocar na fachada do prédio é porque a decisão é do condomínio.”

No Bairro Maurício de Nassau, poucos prédios disponibilizam um quadro de ofertas onde podem ser anunciados os apartamentos que estão disponíveis para compra ou aluguel. Um deles é o Manhathan, que fica localizado na Rua Visconde de Inhaúma. Nele, na parte de trás, há um espaço para esses anúncios.

Outro problema grave é a utilização de árvores sem uma fiscalização contundente. Em alguns casos, como na Rua Belmiro Pereira, uma delas estava com quase dez placas de pelo menos cinco imobiliárias. Outra, segurava seis. É uma via com grande fluxo de veículos e, mesmo assim, a ‘fiscalização não vê’.
AUDIÊNCIA PÚBLICA

O chefe da fiscalização da URB, Júnior Tenório, explicou que o combate à poluição visual em Caruaru cresceu e ganhou prioridade nos últimos dois meses, quando foram retirados mais de 80 outdoors no perímetro urbano e também nas rodovias que cortam a cidade. “Retiramos 44 placas irregulares nas BR 232 e 104, com o apoio da PRF. Na cidade, retiramos outras 45 e o trabalho continua”, disse Tenório.

Ele disse ainda que tem recebido o apoio da promotora Gilka Miranda. “Vamos fazer um trabalho diferenciado de conscientização e diálogo. Além disso, vamos realizar uma audiência pública, com os corretores, empresários de imobiliárias e o MP. A ideia é dar um prazo para a retirada das placas em postes e depois a aplicação de multa.”

Júnior Tenório lembrou ainda que cursinhos populares, profissionais liberais e cartomantes também colam cartazes em postes de iluminação. “Isso ocorreu, inclusive, na Agamenon Magalhães, que foi requalificada. Houve advertência e o pessoal teve que retirar o material. Em caso de reincidência, haverá aplicação de multa”, finalizou

Natural do Rio de Janeiro, é jornalista formado pela Favip. Desde 1990 é repórter do Jornal VANGUARDA, onde atua na editoria de política. Já foi correspondente do Jornal do Commercio, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo e Portal Terra.

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