Não é questão de vingança, mas sim de justiça!

Filho da vítima e da mandante do crime, Remo Oliveira cobra por mais agilidade da Justiça

Filho da vítima e da mandante do crime, Remo Oliveira cobra por mais agilidade da Justiça

Pedro Augusto

Apesar de ter ocorrido há quase 20 anos, o episódio da morte do advogado e empresário Mário Celso de Oliveira ainda não teve o seu desfecho final. Os envolvidos no assassinato deste caruaruense, que tinha 50 anos quando teve a sua trajetória interrompida em plena porta de casa, em meados de setembro de 1999, até que foram condenados pela Justiça, mas dos três que se encontram vivos, dois ainda permanecem em liberdade, já que recorreram das suas sentenças, e outro está foragido. Apontados pelo Ministério Público como participantes neste crime, que acabou tendo repercussão nacional na época, a mãe de santo Maria Aparecida de Menezes e o taxista Ednaldo Cavalcanti da Silva correspondem aos condenados que continuam gozando das suas rotinas normais.

Já a ex-defensora pública Maria Paula Cavalcanti Siqueira Campos de Oliveira, que era a esposa da vítima e foi considerada culpada pela acusação de mandante do crime, acabou não sendo mais vista tão logo foi condenada a cumprir 28 anos e seis meses de prisão, mais precisamente no dia 3 de novembro de 2016. Passado todo este tempo, ou seja, quase duas décadas depois da morte de Mário Celso, o sentimento da família dele, como se poderia dizer, ainda não é totalmente de satisfação. Em entrevista na manhã da última quarta-feira (9), na sede do VANGUARDA, o filho da vítima e ao mesmo tempo da mandante, Remo de Oliveira, de 30 anos, que chegou a presenciar, na época, a dinâmica do homicídio, descreveu as sensações de impunidade que ainda vêm colecionando devido a não reclusão dos envolvidos.

“Em relação à morte do meu pai, em partes, a justiça foi feita, porque o taxista Ednaldo, por exemplo, continua trabalhando normalmente em uma praça do centro de Caruaru mesmo tendo sido condenado a mais de 25 anos de prisão também no último mês de novembro. Isso aconteceu porque a sua defesa recorreu da decisão. No que se refere à mãe de santo Maria Aparecida, ela foi condenada, em 2013, a mais de 24 anos de detenção, porém continua em liberdade, já que aguarda, até onde sei, ao julgamento de seu recurso de defesa. Já a minha mãe Maria Paula sumiu tão logo foi decretada a sua condenação. Ou seja, se por um lado foi bom a realização dos julgamentos, por outro ainda permanecem as sensações de impotência e de impunidade, já que eles ainda não foram presos”, comentou.

Se durante todo este tempo, Remo cansou de ver Ednaldo trabalhando rotineiramente como taxista, em relação a sua mãe, as informações são bastante restritas. “Nestes últimos meses, o único boato que chegou até a minha casa a respeito do paradeiro da Maria Paula seria de que ela estaria na Bahia. Porém, essa suspeita não foi confirmada. Acredito que ela sabia que seria condenada, porque tão logo saiu a sua sentença não foi mais encontrada. Sem falar que a sua defesa sempre encontrava uma desculpa, até a sessão do último mês de novembro, para que o seu julgamento não fosse realizado. Já tive muita raiva e tristeza em relação a ela, mas hoje só consigo sentir indiferença. Pelo menos para mim, ela ficou no passado, porém desejo a sua prisão.”

Formado em Direito e, atualmente, estudando para concursos, Remo de Oliveira luta agora para dar uma celeridade maior ao caso. “Esse crime preencheu a minha vida toda e não só eu como todo mundo sabe, que foi ela quem mandou assassinar o meu pai. Às vezes me acordo com os estalos da dinâmica do homicídio, as imagens e as sensações ruins invadem os meus pensamentos, somadas ao agravante de que grande parte dos envolvidos continua em liberdade. Se formos depender da Justiça brasileira para estancarmos as feridas que permanecem abertas, a situação fica ainda mais complicada, porque provas foram o que não faltaram a respeito do caso da morte do meu pai, mas, mesmo assim, os envolvidos não se encontram presos. Como advogado pretendo encontrar uma forma legal para provocar uma agilidade maior às suas detenções, porque elas necessitam ser cumpridas.”

O primogênito de Mário Celso ainda fez um apelo para quem possa repassar informações que levem à prisão da sua mãe. “Quem tiver alguma informação ou notícia sobre o paradeiro dela não deixe de repassá-las às autoridades. Também nunca é demais ressaltar que os demais envolvidos continuam soltos. A Maria Paula possui o mandando de prisão preventiva em aberto e torcemos para que ele seja cumprido o mais rápido possível. Não é questão de vingança, mas sim de justiça!”, finalizou Remo.

Um cartaz contendo a foto da ex-defensora pública, que ainda se encontra foragida, chegou a ser circular na imprensa e nas redes sociais durante a época da decretação da sua prisão. Entretanto, mesmo com a ênfase de repasse de recompensa e a garantia de anonimato, até hoje o Disque-Denúncia Agreste só registrou uma informação sobre o suposto paradeiro dela. A suspeita acabou não sendo confirmada pela polícia. Denúncias podem ser repassadas pelo telefone: 3719-4545 (DD Agreste).

A reportagem VANGUARDA tentou entrar em contato com os advogados de todos os condenados pelo crime, porém não obteve êxito. De qualquer modo, o periódico encontra-se à disposição, caso eles queiram se manifestar após a publicação desta matéria. Dos quatro participantes, apenas o executor dos três disparos que mataram Mario Celso, José Aélson dos Santos, já se encontra morto. Condenado a 19 anos prisão, em meados de abril de 2004, ele foi assassinado após cumprir um terço da pena, já em regime de liberdade condicional.

Como foi a morte

Mário Celso foi morto, por volta das 18h10 do dia 15 de setembro de 1999, na residência do casal, na Rua Anselmo de Lira, no Bairro Maurício de Nassau, quando retornava do trabalho acompanhado da esposa e do filho mais velho, até então com 12 anos. Ao tentar estacionar seu Fiat Uno na garagem, a vítima foi surpreendida por José Aélson, que disparou três tiros, atingindo-o no maxilar, na nuca e no peito. A vítima morreu na hora. No momento dos disparos, Maria Paula – que havia descido, aberto o portão do jardim e deixado o filho mais velho dentro de casa – estava voltando para abrir o portão da garagem.

Para o delegado Romano Costa, que investigou na época o caso, o crime teria sido motivado por questões financeiras, pois a vítima estava negociando a desapropriação de um terreno de 30 hectares na área do distrito industrial, avaliado entre R$ 350 mil e R$ 400 mil, além de vir tratando da partilha dos bens deixados pelo pai, o que renderia R$ 700 mil, de acordo com os familiares. Pelo serviço, as pessoas envolvidas receberam R$ 5 mil, sendo R$ 2 mil antes do crime. Maria Aparecida de Menezes teria arquitetado o homicídio juntamente com Maria Paula, enquanto Ednaldo Cavalcanti da Silva teria sido responsável por ser o contratante do José Aélson.

Pedro Augusto é jornalista e repórter do Jornal VANGUARDA.

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