ARTIGO — Uma grande dúvida

Maurício Assuero

Aproxima-se o final do ano e, confesso, não sei se torço para esticarmos 2017 ou se desejo 2018 antecipadamente. Esticar 2017 tem relação com a necessidade de aproveitarmos melhor esse momento de mudança econômica. Se fosse possível, então a gente teria uma noção melhor do que pode nos envolver no próximo ano ou, dito de outra forma, perdemos tanto tempo ao longo do processo de impeachment, das denúncias contra Temer, etc. que os sinais desejados de recuperação econômica chegaram tardiamente. Mas, então deve ficar a sensação de que teremos uma continuidade em janeiro. Não será bem assim.

A incerteza política ainda é grande gargalo para a retomada do crescimento econômico. O mercado sabe em quem não confiar, mas não tem um candidato definido para apoiar claramente. Os movimentos de Meirelles até podem satisfazer, mas Meirelles não é Temer. A questão é que este ano entrou para história do país de um modo bem semelhante a década de 1980. Se esta década era chamada “década perdida”, não custa chamar 2017 de “ano perdido”. Não fizemos nada a não ser cair e caímos até onde se permitia cair. Lembro que uma reconstrução demora muito mais tempo para se efetivar do que a destruição e ao longo do tempo, da metade do primeiro governo Dilma para cá, o Brasil sofreu amargamente os efeitos da ação incompetente. Colocar, novamente, este país nos eixos demandará um tempo precioso. Respaldam-se as esperanças na aprovação da reforma previdenciária. Isso dará uma falsa noção ao governo de que ele conseguiu.

Em termos locais, o ano também foi de dificuldade fazendo Pernambuco patinar e atingir um patamar perigoso em relação ao comprometimento da receita corrente líquida. Semana passada o governo anunciouinvestimentos de R$ 279 milhões distribuídos em 36 projetos via PRODEPE que gerariam mais de mil empregos diretos. Um grande laboratório farmacêutico tem projeto de instalação com previsão de inicio das atividades em dezembro/18, gerando 500 empregos diretos e mais de 3 mil indiretos. Importante que isso aconteça porque nós estamos com a corda no pescoço.

Cabe lembrar que temos três eventos importantes em 2018: começaremos o ano coma decisão sobre a condenação de Lula que, caso aconteça, afetará o quadro sucessório; teremos a Copa do Mundo que poderá fazermos diminuir a produção, considerando que teremos um ano de feriados; finalmente, teremos eleição presidencial. Independente disso, que 2018 seja diferente e que nossos sonhos se concretizem em realizações.

Pedro Augusto é jornalista e repórter do Jornal VANGUARDA.

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