ARTIGO — Classificação de risco

Por Maurício Assuero

O Brasil foi rebaixado pela agencia internacional de risco Standard&Poor´s (S&P) para a faixa BB-. Para entendermos este conjunto de letrinhas vamos primeiro dizer que o sinal de menos depois do B significa que a próxima classificação poderá ser pior. Segundo que as letrinhas podem aparecer na forma AAA ou Aaa, dependendo da agência, mas seu significado é claramente conhecido. Uma avaliação AAA significa a maior das qualidades de crédito; significa que os investidores podem ficar, relativamente, tranquilo para investir naquele país ou empresa. Quando a classificação é AA, uma situação de alta qualidade e somente A uma situação de qualidade. Os sinais de + ou -, como já disse, indicam que a próxima avaliação pode ser melhor ou pior.

O Brasil tem caído desde o governo Dilma. Agora obtivemos um BB- e ao invés de haver um esforço para mudar o quadro, os deputados e senadores com interesse na cadeira de Temer, criticam duramente o ministro da fazenda. Como se fosse ele que aprovasse as medidas necessárias para mudar a cara do país. Dificilmente, votarei em Meirelles, mas se estamos com uma sinalização positiva na economia e, e equipe, tem um crédito muito grande nisso.

O Brasil caiu e pode continuar caindo porque a condução política está errada. Tem o cara errado, no lugar errado, fazendo tudo errado. Pessoas que pensam em sua salvação e não medem esforços para atingir seus objetivos, por mais escusos que eles sejam. Nitidamente, o mercado não se convence de que a reforma da previdência seja aprovada e se não for feito algo nesse direção não há como controlar as contas públicas, ou melhor, há formas sim, mas o governo não tem capacidade nem coragem de fazer.

Temos a menor taxa de juros já vista na era pós-Real e não conseguimos alavancar o investimento. Temos uma taxa de inflação abaixo da meta fixada e não temos como reverter isso como benefício para a economia. O governo não sabe o que fazer depois que controla a inflação, mas a gente sabe o que vai acontecer: o consumo aumenta, a inflação vai aumentar e o governo vai aumentar a taxa de juros para controlar o consumo. Tem sido assim de governo a governo.

O rebaixamento é ruim e é fruto da insegurança do governo e não do esforço de Meirelles cuja autonomia é limitada a aprovação de Temer. Estão aí os exemplos grotescos da falta de capacidade de Temer: manter a indicação de Cristiane Brasil apenas para não se indispor com Roberto Jefferson. Ele pensa que o mundo não vê isso.

Pedro Augusto é jornalista e repórter do Jornal VANGUARDA.

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