OPINIÃO: Nem sempre a concordância é visível

Por MENELAU JÚNIOR

menelau colunaAs normas gramaticais determinam que o verbo de uma oração deve concordar com o sujeito. Assim, escrevemos que “O filme agradou a todos” e que “Os filmes agradaram a todos”.

Entretanto, existe um caso em que isso não ocorre: quando temos uma silepse. Silepse é a concordância com a ideia, e não com o termo escrito.

Observe a manchete de um importante jornal do estado: “Jogos vorazes é o queridinho da vez”. Ora, observe que a forma verbal “é” e o predicativo “queridinho” não concordam com o sujeito, “Jogos vorazes”. Por que isso ocorre? Porque temos uma silepse!

Na frase em análise, está subentendida a palavra “filme”, e é com ela que se faz a concordância. É como se tivéssemos “O filme Jogos Vorazes é o queridinho da vez”. Nesse caso, temos uma silepse de número, uma vez que o sujeito está no plural e o verbo no singular.

A silepse também pode ser de gênero. Nesse caso, a diferença de concordância se dá entre o masculino e o feminino. Quando alguém diz que gosta de assistir “ao” Zorra, o emprego do artigo “o” na forma “ao” indica que ali está subentendida uma palavrinha: “programa”. Falamos “O Zorra”, e não “A Zorra”, mesmo sendo a palavra “zorra” feminina. Tudo isso por causa da silepse.

E quando alguém diz “Os brasileiros estamos fartos de tanta corrupção”? Bom, agora temos uma silepse de pessoa, uma vez que o sujeito, “Os brasileiros”, está na 3ª pessoa do plural, e a forma “estamos” está na 1ª pessoa. Claro que esse tipo de frase só é possível quando o indivíduo se inclui no que acabou de falar.

Ah, na próxima semana, Os Vingadores 2 chega às lojas de todo o país. Ops, “chega” ou “chegam”? Bom, como estamos nos referindo ao filme “arrasa-quarteirão” de 2015, a forma no singular é bem-vinda. É uma silepse.

Até a próxima semana.

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Menelau Júnior é professor de língua portuguesa. Escreve para o blog todos os sábados. E-mail: menelaujr@uol.com.br

OPINIÃO: Caruaru e seus “estrondos”

Por MENELAU JÚNIOR

No último dia 25 de julho, Caruaru “balançou” com tremores de terra. Não foi a primeira vez. Em 1960, o Jornal VANGUARDA já trazia em sua primeira página: “Quatro explosões nesta cidade fizeram a terra tremer”. O texto, que não dava como certos os abalos sísmicos, relatava os efeitos da “explosão”.

abalos

Mas foi nos anos de 1963 e 1964 que se propagou a lenda de que o Morro Bom Jesus seria um vulcão adormecido – e os tremores, claro, seriam o aviso de que ele logo acordaria. Desde aquela época, a cidade tem sentido pequenos abalos em virtude de uma falha geológica que começa no Atlântico e passa pela região. Na década de 90, os tremores se tornaram mais comuns e com maior intensidade. Em 2007, tivemos o último grande abalo, com 3.9 na escala Richter. O do dia 25 foi de 3,3.

O povo, que não costuma usar a expressão “abalo sísmico”, acabou batizando os tremores de ESTRONDOS. A origem da palavra “estrondo” é curiosa: vem de “extonitrus”, que em latim significa “grande barulho”. O vocábulo é formado por ex-, “fora”, mais o elemento “tonitrus”, que significa “trovão”.

Ou seja, “estrondo” seria o trovão que vem de fora e que faz um grande barulho.

Ah, o nome usado pelos especialistas, ABALO SÍSMICO, tem origem grega. SISMO vem do grego “seíein” e significa “mover, deslocar, mexer”. Por isso virou sinônimo de “terremoto”.

Até a próxima semana.

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OPINIÃO: Dilma, pede pra sair!

Por MENELAU JÚNIOR

Amanhã, dia 16, o povo brasileiro volta às ruas. Não é para dar “golpe”, como alegam os petistas. Mas é para pedir a Dilma Rousseff um favor imenso a ela e ao país: – Sai, Dilma!

Está claro que o PT montou no governo uma máquina de desvio de verbas. Aliás, segundo o Supremo Tribunal Federal, o PT montou mesmo uma “organização criminosa”. Foi o mensalão, agora é o “Petrolão”. A cada dia, são mais estarrecedoras as revelações do Ministério Público e da Polícia Federal. Há menos de 15 dias, o “Dirceu, guerreiro do povo brasileiro” foi preso pela terceira vez – já pode pedir música no Fantástico! Entre outros crimes, teria recebido 39 milhões de “consultoria”. Tudo para enriquecimento próprio. O PT calou-se, não deu uma palavra. Vamos esperar se os militantes vão fazer uma nova vaquinha para pagar a multa que deve vir por aí para o Dirceu… Segundo o procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, o esquema da propina era tão ousado que Dirceu continuou a recebê-la mesmo quando estava preso.

No programa de TV do dia 6, Lula, cinicamente, teve coragem de dizer que “nosso pior momento ainda é melhor do que o melhor momento deles”. Dilma, coitada, apareceu para dizer que “estamos em uma travessia” e que “sabe suportar pressões”. Achando pouco, o programa ainda sugeria que, se Dilma caísse, haveria uma “ditadura”. Como era de se esperar, o discurso petista só gerou um “megapanelaço” Brasil afora. Teve mais: o partido da presidente mais impopular da história (a popularidade de Dilma é pior que a de Collor às vésperas do impeachment, segundo o Datafolha) ainda ironizou o panelaço. O auge, claro, foi a aparição de Lula. O ex-presidente, que só aparece em público diante de plateias compradas com dinheiro das estatais, aguça o repúdio da maioria dos brasileiros informados. Aos “inocentes”, resta dizer que tudo é um movimento da “imprensa golpista” que quer impedir que Lula volte em 2018. Ou ainda que “o PSDB rouba também”.

Ah, por falar em imprensa, a Polícia Federal revelou também que uma das mais importantes fontes de informação dos petistas, o site Brasil 247, recebeu dinheiro sujo da Petrobras. Segundo despacho do juiz Sérgio Moro, o lobista Milton Pascowitch, em sua delação premiada, afirmou que repassou 180 mil reais à Editora 247 Ltda., a pedido de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Ou seja, o PT pega propina e usa para pagar a “jornalistas” que elogiam o partido e atacam Veja, Época, IstoÉ, Globo, Folha de São Paulo ou qualquer órgão que revele os desmandos do governo.

Por isso, querida Dilma, peça para sair. É um bem à senhora e ao país. O ex-presidente Fernando Henrique já disse que a senhora é uma “pessoa honrada” e que acredita que Vossa Excelência “não está diretamente envolvida” no escândalo da Petrobras. Mas a senhora está sozinha. Foi abandonada até pelo seu partido, cujos deputados votam sistematicamente contra seus projetos.

Ano passado, quando os brasileiros foram às ruas contra seu governo e seu partido, tivemos a maior manifestação pública da história do país. Ao que tudo indica, amanhã será maior ainda, Dilma. A senhora não precisa passar por esse calvário. Nós, muito menos.

O Brasil cansou do petismo, da corrupção, do cinismo, da roubalheira. Peça para sair, querida Dilma.

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OPINIÃO: Até onde os pais fazem a diferença?

Por MENELAU JÚNIOR

Os números do Censo Escolar 2011 revelaram, entre outras coisas, que escolas particulares que custam menos de R$ 500 são menos equipadas que escolas públicas. Ou seja, têm menos laboratórios, salas de informática e aparelhos multimídia. Do ponto de vista estrutural, as particulares só ganham das públicas nas quadras cobertas. Por que, então, os resultados do Enem dessas escolas públicas normalmente são inferiores aos das particulares? A resposta está nos pais e nos professores. Menos nestes, mais naqueles.

A base familiar faz toda a diferença quando queremos analisar os resultados dos bons alunos. Eles normalmente têm pais que leem, que investem em atividades educacionais, que frequentam cinemas, teatros e livrarias. Em outras palavras, é o ambiente em que o aluno vive o elemento mais importante quando se compararam resultados. Há exceções, claro, mas estamos aqui falando de estudos sérios e números gerais: estudantes cujos pais são letrados têm resultados mais expressivos. O próprio Enem já observou a diferença e agora divulga o resultado das escolas considerando o nível socioeconômico dos alunos. A constatação, quando se cruzaram os resultados, foi esperada: alunos de classes sociais mais elevadas têm resultados muito melhores que os alunos pobres. Ou seja, a escola, ainda que muito boa, dificilmente vencerá esse obstáculo: a vida do aluno – e a de seus pais – fazem muita diferença nos resultados escolares.

Mas existe outro fator importante: a presença dos professores. Nas escolas particulares, o número de faltosos é bem menor – e cada professor costuma lecionar a disciplina em que se formou. Nas públicas, para “fechar” carga horária, o professor de História ensina Geografia; o de Matemática, Física ou Química. Não bastasse isso, o acompanhamento dos professores é maior, uma vez que as escolas particulares vivem de resultados. Sem contar as intermináveis greves! Todos sabemos como são feitas as “compensações” de aulas…

Segundo cálculos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o Brasil teria de investir três vezes mais o valor anual gasto com cada aluno para ter um padrão mínimo – atenção, MÍNIMO!!! – de qualidade. Em vez disso, a reforma econômica do governo já cortou alguns bilhões da verba dedicada à Educação. Em vez disso, criam-se mecanismos para forjar números e aprovar alunos. Na “pátria educadora” de Dilma, ela “não coloca meta, deixa a meta aberta. Mas, quando atingir a meta, vai dobrar a meta”.

A desonestidade intelectual do petismo é um caso que nem mesmo educação de qualidade resolve.

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OPINIÃO: O consumo de álcool por adolescentes

Por MENELAU JÚNIOR

Cerveja é coisa do passado. Cachaça, vodca, uísque e outras bebidas perigosas tornaram-se a preferência de adolescentes – inclusive dos que têm menos de 18 anos. Exaltado pela sociedade como sinônimo de alegria, o álcool é responsável direto por casos de abandono escolar, acidentes de trânsito e até crimes mais graves. Enfrentar esse desafio exige ações da família, da sociedade e do próprio Estado.

É no âmbito familiar que muitos adolescentes aprendem a consumir bebidas alcoólicas. E sabendo que os jovens entendem mais através de exemplos do que de discursos, é até compreensível que tantos deles comecem a beber tão cedo. Dentro de casa, seus pais bebem e, muitas vezes, chegam a oferecer a bebida. Quando não, são os amigos da escola que iniciam este jovem nos rituais de bebedeira. Com esses exemplos e sem orientação, logo passam a consumir álcool habitualmente. As propagandas também contribuem para isso: a bebida é sempre associada a jovens saudáveis, bonitos e alegres. Beber virou quase uma imposição social para os adolescentes.

Aliás, esse comportamento social de aceitação e estímulo é, sem dúvida alguma, um dos maiores responsáveis pelo aumento do consumo de bebidas alcoólicas – inclusive entre as mulheres. Há pesquisas que mostram que elas já bebem tanto quanto os homens. Hoje, quase ninguém vai para a “balada” para ficar sóbrio. E o exagero na bebida quase sempre leva ao uso de outras drogas – e este, a problemas mais sérios, como queda no rendimento escolar, acidentes de trânsito e, em casos mais graves, assassinatos.

O Estado, claro, regulamenta leis que tentam coibir esse consumo entre os menores. Regulamenta, mas não fiscaliza. Em casas de shows e festas populares, é fácil encontrar até pré-adolescentes consumindo bebidas alcoólicas sem serem importunados. Sem punição eficaz, essa prática se tornou comum – até porque muitas vezes é um maior que compra a bebida para o menor.

Enfrentar o consumo de álcool por adolescentes é, portanto, desafiador. As famílias não têm como proibir, mas podem orientar – principalmente pelo exemplo. Está comprovado: lares desestruturados favorecem o uso de bebidas por adolescentes. As escolas podem, também, ajudar a sociedade nessa luta: aulas de química, biologia e sociologia, por exemplo, podem abordar o tema de forma conjunta, mostrando os perigos e efeitos dessas drogas lícitas no corpo do jovem e no meio social. E o Estado pode ser mais eficiente com seus órgãos fiscalizadores, punindo com rigor aqueles que “fecham os olhos” à idade de quem compra bebida alcoólica. Jovens que bebem menos contribuem mais para o bem-estar social.

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OPINIÃO: Crases no comércio

Por MENELAU JÚNIOR

Hoje quero conversar com vocês sobre algumas frases que encontramos no comércio. Em muitas delas, o acento grave (mais conhecido como “crase”) aparece usado de forma equivocada. Vamos entender por quê.

Primeiramente, é preciso saber que o acento grave indica a ocorrência de crase (palavra grega que significa “fusão”). No caso, é a presença de “a” + “a” que exige o uso do acento. Mas, nos estabelecimentos comerciais, isso não costuma ser respeitado.

“Comece à pagar à partir de setembro”. Eis aí um dos casos mais comuns: “crase” antes de verbos (no caso, “pagar” e “partir”). Ora, se compreendemos que não se usa o artigo “a” antes de verbos, não é possível ocorrer crase nessa situação. Portanto, senhores lojistas, nada de colocar o acento grave antes de um verbo, certo?

Outro caso comum é na expressão “à prazo”. O problema agora é que “prazo” é palavra masculina. Por isso, diante dela não pode existir o artigo “a”, apenas a preposição “a”. E se não existem os dois “AA”, não existe crase!!!

Mais uma expressão que traz uso indevido do acento é “de segunda à sexta” ou “de segunda à sábado”. No segundo caso, é fácil saber por quê: “sábado” é palavra masculina – e diante de palavras masculinas normalmente não usamos o acento. Já no primeiro, é preciso entender uma relação de paralelismo: como não existe artigo diante de “segunda” (DE segunda), também não existe diante de sexta (que, nesse caso, é tomada de forma genérica, é qualquer sexta-feira). Por isso, mais uma vez não temos “crase”.

Para terminar, já observou com muita gente, após um aviso, assina como “À Direção”? Não sei quem inventou essa crase aí…

O assunto, claro, precisaria de bem mais linhas para ser explicado de forma clara. O importante, contudo, é que todos tenham cuidado ao empregar esse acento. Honestamente, é melhor errar pela ausência do que pelo excesso. Na dúvida, não use o acento grave. A probabilidade de ele não ser usado é muito maior.

Até a próxima semana.

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ARTIGO: ‘ExibiSELFIEonismo’

Por MENELAU JÚNIOR

É normal alguém tirar repetidas selfies (aquelas fotos do próprio rosto) e postá-las sistematicamente (estou falando do exagero, não de postagens eventuais) nas redes sociais? Para responder a essa pergunta, é preciso refletir um pouco sobre o fenômeno das “fotos de si mesmo”.

É claro que os celulares e as redes sociais catapultaram o desejo intrínseco ao ser humano de se expor. Mas não se pode omitir a verdade: se você tem um amigo que todo santo dia posta selfies (muitas vezes várias), ele está precisando urgentemente de atenção e de autoestima.

As selfies viraram a publicidade de si mesmo – mesmo quando não há motivo para a publicidade. É a tentativa desesperada de mostrar aos outros o que não somos, o que pode ser verificado pela quantidade de selfies que muita gente faz até decidir qual vai postar. É o narcisismo do século XXI em sua mais genuína forma.

Nesses tempos em que cultuamos a imagem pela imagem – pra que conteúdo? – , as selfies são o apelo à aprovação. Quando postamos essas fotos, estamos aguardando a quantidade de curtidas e de comentários – e nada mais. E caso essas curtidas e comentários não atendam às nossas expectativas, tiramos outras.

É na adolescência que a necessidade de aprovação ganha importância quase que vital. E as selfies são a forma atual que os adolescentes encontraram para perceber se são ou não aprovados por seus pares. Para os muito belos – o que nem de longe é meu caso – , as selfies servem de mecanismo quase automático de elogios de toda ordem. E quem não gosta de elogios? Já para os “normais”, as selfies são apenas um artifício de enganar a si mesmo, de conseguir migalhas dos que gostam de nós muito mais pelo que somos do que pelo que aparentamos.

Como se não bastasse tudo isso, as selfies também nos deixam escravos da aprovação nas redes sociais, fazendo-nos perder instantes únicos para poder registrá-los depois. Entregamos nossa intimidade, suplicamos aprovação, revelamos o que não somos. No mundo real, as pessoas nos amam quando convivem conosco e são capazes de enxergar muito mais que nosso exibicionismo. Qualquer aprovação ou admiração que não venha disso dura tanto quando o breve tempo entre postar uma selfie e já tirar outra…

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ARTIGO: A semana dos estrondos

Por MENELAU JÚNIOR

Esta semana, Caruaru  “balançou” com tremores de terra. Não foi a primeira vez. Em 1960, o Jornal Vanguarda já trazia em sua primeira página: “Quatro explosões nesta cidade fizeram a terra tremer”. O texto, que não dava como certos os  abalos sísmicos, relatava os efeitos da “explosão”

Mas foi nos anos de 1963 e 1964 que se propagou a lenda de que o Morro Bom Jesus seria um vulcão adormecido – e os tremores, claro, seriam o aviso de que ele logo acordaria. Desde aquela época, a cidade tem sentido pequenos abalos em virtude de uma falha geológica que começa no Atlântico e passa pela região. Na década de 90, os tremores se tornaram mais comuns e com maior intensidade. Em 2007, tivemos o último grande abalo, com 3.9 na escala Ritcher.

O povo, que não costuma usar a expressão “abalo sísmico”,  acabou batizando os tremores de ESTRONDOS. A origem da palavra “estrondo” é curiosa: vem de “extonitrus”, que em latim significa “grande barulho”. O vocábulo é formado por ex-, “fora”, mais o elemento “tonitrus”, que significa “trovão”.

Ou seja, “estrondo” seria o trovão que vem de fora e que faz um grande barulho.

Ah, o nome usado pelos especialistas, ABALO SÍSMICO, tem origem grega. SISMO vem do grego “seíein” e significa “mover, deslocar, mexer”. Por isso virou sinônimo de “terremoto”.

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ARTIGO: Frase mal feita vira caso de polícia

Por MENELAU JÚNIOR

Esta semana, transcrevo com poucas adaptações uma notícia publicada no Portal UOL. O caso é, no mínimo, curioso.

Aconteceu este mês, na Paraíba. A Eletro Shopping de Guarabira colocou em um cartaz: “Oferta imperdível. Chip Vivo. R$ 1 com aparelho”. Ao ler, o professor Aurélio Damião, 38, considerou a proposta irrecusável.

Com R$ 4 no bolso, ele entrou na loja e pediu chips – com os quatro aparelhos celulares correspondentes. Ele havia registrado a oferta com uma foto antes de ir ao trabalho e decidiu fazer a compra no final do expediente.

“Passei na loja e pedi: me veja quatro aparelhos de R$ 1 da promoção”, contou Damião.

O atendente da loja “explicou” o anúncio. Na verdade, disseram, o redator queria dizer que os chips da operadora em questão sairiam por R$ 1 no caso da compra de qualquer celular adquirido pelo preço normal de tabela.

A confusão começou. O professor acionou a polícia, que levou todo mundo para o 4º DP (Distrito Policial). Isso aconteceu no dia 15 de janeiro.

Na delegacia, as partes chegaram a um acordo. Damião recebeu a doação de um vale de R$ 100 para aquisição de um aparelho. Com chip. “Caso não chegassem a um acordo, teria de se usar a Justiça e as partes resolveram se entender logo”, disse um agente do 4º DP.

Damião voltou à loja e escolheu um aparelho com dois chips mais câmera. A nota fiscal veio no valor de R$ 98,70. O caixa da loja tentou devolver o troco de R$ 1,30, relata o cliente. “Deixei de caixinha”, conta.

“Fiz isso para que eles aprendam a escrever de forma correta e nos respeitem como consumidor”, afirmou o professor que leciona história, filosofia e sociologia.

(UOL, com adaptações)

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OPINIÃO: A tática da pancadaria verbal

Por Menelau Júnior

As cartas estão lançadas. Mais uma vez, PT e PSDB disputam o mais alto cargo do executivo nacional. O resultado do primeiro turno, inesperado para quem apostava as fichas em Marina Silva, traz de volta um embate que ocorre há mais de duas décadas no país.

No primeiro turno, o que se viu foram reviravoltas espetaculares em menos de dois meses de campanha. Marina, logo após a morte de Eduardo Campos, despontou como favorita e chegou a desbancar Dilma em algumas pesquisas. Entretanto, o discurso da candidata do PSB, meio inseguro em alguns momentos, foi “desconstruído” pela máquina de ataque petista. Nunca na história desse país se viu uma campanha tão terrorista e mentirosa contra um candidato. Cada palavra de Marina passou a ser surrupiada pela tropa do PT, que agora volta sua agenda difamatória contra Aécio Neves.

Pernambuco e Caruaru responderam à altura ao jogo baixo. O PT foi praticamente banido do estado. Não fez um deputado federal, perdeu estaduais e levou uma surra de Paulo Câmara, uma vez que os petistas apoiavam Armando Monteiro. Pernambuco foi o único estado do Nordeste que não deu o maior número de votos a Dilma. Caruaru seguiu o modelo.

É óbvio que a morte de Eduardo Campos contribuiu para uma comoção eleitoral, mas é vigarice ideológica alegar que Paulo venceu apenas por causa disso. Enquanto Armando se preocupou em atacar, atacar e atacar, desqualificando a todo instante o “novato”, Paulo navegava na onda dos que, gratos a Eduardo e mais preocupados com propostas que com ataques, não viam necessidade de mudança. O PT, que já perdera de forma humilhante a prefeitura do Recife, levou uma surra eleitoral do governador e do senador Fernando Bezerra, uma vez que o petista João Paulo, candidato ao senado, também ficou de fora. Em outras palavras, Lula aqui em Pernambuco não tem essa “bola cheia” que muitos achavam.

O PSB de Paulo já declarou apoio ao candidato Aécio Neves, que já aparece à frente de Dilma em algumas pesquisas. Com 10 minutos cada um no guia eleitoral, o jogo fica mais disputado e Dilma perde seu grande trunfo: tempo para atacar, inflar números e contar algumas mentirinhas. Marina não tinha nem tempo para se defender. Aécio terá o mesmo tempo da candidata petista. Qual será a retórica do segundo turno? Quem herdará os votos de Marina? Só no dia 26 teremos resposta à segunda pergunta. Quanto à primeira, parece que pouca coisa mudou. A tática petista de atacar por meio de militantes e blogueiros está a todo vapor. Resta saber se o povo quer baixarias ou propostas para o Brasil.

Menelau Júnior é professor de português