ARTIGO: Como treinar os profissionais que constroem a reputação da empresa

Por Arley Ribeiro

Trabalhar numa multinacional, muitas vezes, dependendo do cargo, é necessário viajar pelo Brasil e mundo afora visitando clientes e outras filiais da empresa que representamos.

Em certa ocasião, visitei clientes em Salvador. Ao entrar num importante distribuidor, parei na portaria para me identificar e não consegui ver o segurança, pois ele estava atrás de um vidro escurecido. Ele me perguntou pelo sistema de som se eu tinha cadastro e pediu meu número de RG. Alguns segundos depois de eu responder, ele abriu a porta, saiu da guarita sorrindo com um crachá na mão e disse: “Seja bem vindo, Sr. Arley! Eu vi no sistema que o senhor só veio aqui no ano passado, venha mais vezes nos visitar”. Agradeci e segui para a recepção.

Ao chegar, me identifiquei para a recepcionista e ela me pediu para sentar “um minutinho”. Coloquei minha mochila na cadeira e segui para tomar um café. Ela logo se levantou, me pediu para esperar e disse que iria buscar um café “fresquinho, direto da cozinha”.

Ao ser atendido pelo responsável pelo setor de compras, fiz algumas observações a respeito da simpatia com que fui atendido pelos seus funcionários da portaria e recepção. “Ok, obrigado”, ele respondeu, “mas eles são terceirizados, não são nossos funcionários de fato, apesar de passarem pelo mesmo treinamento que todos aqui”.

Isto me fez pensar um pouco. Muitas empresas investem em treinamento pesado, principalmente para as equipes de vendas, pois estas estão em contato com os clientes e precisam “passar uma boa imagem”. Mas a verdade é que a imagem da empresa é construída pela recepcionista, pela faxineira, pelo presidente, pelo guarda-noturno, pelo motorista que faz a entrega, enfim, por todos que trabalham ou prestam serviço para a companhia.

Tratando-se de reputação, todos são igualmente importantes. Mas, a grande pergunta é: como fazer com que 100% das pessoas ligadas à companhia consigam transmitir uma imagem positiva do lugar em que trabalham? Treinamento é a ferramenta que deve ser utilizada, mas existe um ingrediente que o torna eficaz.

Lembro do meu primeiro dia de trabalho em uma importante multinacional, quando eu aguardava numa sala com funcionários recém-contratados de todos os níveis. Estávamos esperando o Vice-Presidente chegar para falar conosco. Quando ele chegou, estava acompanhado de uma senhora da limpeza.

Meio sem jeito, ela disse que trabalhava na empresa há mais de 25 anos, que tinha criado filhos e netos trabalhando lá, que todos eram bons com ela, mas que cobravam muito para que todas as áreas estivessem muito limpas. E ela se esforçava muito para deixar tudo brilhando não pela cobrança, mas pelo fato dela gostar muito de trabalhar ali.

Assim que ela saiu, o Vice-Presidente iniciou sua fala dizendo: “Não creio que eu tenha muita coisa a falar depois desse depoimento, tenho…?” Não, realmente não tinha…

As empresas só podem treinar seus funcionários para divulgar uma imagem positiva se conseguirem transmitir uma mensagem não só para suas mentes, mas também para seus corações. Os funcionários precisam, de acordo com cada função, conhecer seu trabalho, as normas internas, os produtos da empresa, dominar os equipamentos de produção e receberem treinamento sobre as vantagens de seus produtos. A construção da reputação da empresa não vem só disso, mas também do fato de colocar sentimento em tudo o que é feito, e por parte de todos os funcionários.

Para que este objetivo seja compreendido e multiplicado por todos, é necessário depositar sempre sentimentos em todos os treinamentos que são efetuados. Depoimentos de funcionários antigos, de pessoas que superaram barreiras para continuar trabalhando lá, ou mesmo de experiências vividas dentro da companhia, são fundamentais em todo em qualquer treinamento. Um ser humano em geral é facilmente motivado por outro!

É claro que a empresa precisa ter uma cultura vencedora e sua comunicação corporativa deve estar ajustada com seus objetivos e produtos. A ética é fator fundamental no dia-a-dia, mas tudo isso é mais rapidamente conseguido por funcionários que gostam do lugar onde trabalham.

O mais interessante é que a empresa não precisa ser perfeita, pois mesmo as mais amadas do mundo pelos funcionários não são, isso não existe. Entretanto, seus erros são entendidos e corrigidos pelos que trabalham lá, e a reputação positiva não é abalada por percalços naturais que qualquer organização enfrenta naturalmente!

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OPINIÃO: Ser jovem é, cada dia mais, um ato revolucionário!

Por JOSÉ FRANCISCO RODRIGUES NETO*

A luta juvenil tem sido cada vez mais árdua nos últimos tempos. A tentativa de subtrair os avanços adquiridos tem se tornado algo cotidiano e, com isso, nós, jovens, devemos nos fortalecer como tais, de maneira ainda mais intensa.

Tentam, a todo custo, diminuir a identidade que tantos e tantas jovens conseguiram durante anos de lutas por causa de fundamentalismos individuais.

Primeiro, viramos apenas força de trabalho. Colocar o jovem e a jovem em um subemprego é uma maneira de contemplar as Políticas Públicas de Juventude, uma vez que todos e todas têm as mesmas chances e oportunidades, logo, todo mundo pode ser bem-sucedido na vida. Mas, todo/a jovem é igual? Um ser de fácil molde que é só dar uma receita que ele seguirá à risca e o sucesso é garantido? Meritocracia é ótima… para quem usufrui dela.

Depois, todos nós viramos insanos e insanas em querer mudar isso. Arrisco-me a dizer que porcentagens altas de jovens ouviram respostas negativas e tiveram sonhos cortados pela raiz quando disseram aos pais e mães que queriam ser artistas, cantores e cantoras, dançarinos e dançarinas, artesãos e artesãs e, como resposta, tiveram sonoros “Vai arrumar algo que preste pra fazer!” ou “Isso lá dá dinheiro!” emendados em “Por que tu não inventa de estudar medicina que nem o filho de fulano?”. E assim potenciais construtores e construtoras de cultura em nosso país se iam e o Brasil se empobrecia.

Mais recentemente, nos tornamos marginais. Na verdade, marginalizaram tantos e tantas que certos representantes querem colocar para debaixo do tapete por não fazerem parte de sua “crença”. Preferem investir em presídios a escolas. Preferem achar que muitos são potenciais bandidos do que acreditar em potenciais cidadãos e cidadãs com condições de contribuir com seu lugar. Preferem tratar a violência como causa, não como consequência. Apesar de eles e elas dizerem que todos e todas poderão ser punidos e punidas com isso, sabemos aonde essa política de repressão chegará: pobre e que mora em periferia e, em sua maioria, preto. Não falo em discurso comum, mas em fatos.

Diante disso, dessas tomadas à força das conquistas de acesso à cultura, ao trabalho digno, à participação cidadã e tantos outros direitos, digo que ser jovem e ir de encontro a todo esse discurso de desconstrução é, sim, um ato revolucionário!
Certa vez, ouvi de um senhor que não deveríamos repercutir essa imagem de que a juventude é “coitadinha” por exigir demais direitos e que o mundo se “virou” muito bem antes disso.

Acho que ele não entendeu que o mundo avançou e muda dia a dia. Os sujeitos que antes eram invisibilizados, agora estão colocando a cara pra luta.

Os negros, que só eram considerados favelados, agora retomam seu lugar que, historicamente, foi usurpado. Gays, lésbicas, transexuais e bissexuais, que eram motivo de chacotas, agora estão na luta para uma sociedade mais justa. Os jovens e as jovens que são egressos e egressas de medidas socioeducativas, e que são tratados como detentores de pena perpétua pelo que fizeram, agora mostram que são dignos de estar nessa construção social. Os jovens e as jovens de religião de matriz africana se sentem orgulhosos e orgulhosas de sua identidade.

Bem, se estar junto com os e as jovens que a elite tentou invisibilizar ao longo de centenas de anos é ser coitadinho, muito prazer, aqui está mais um!

Encerro com a frase do grande professor Boaventura de Sousa Santos: “Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza”.

*José Francisco Rodrigues Neto é gerente de Juventude da Prefeitura de Caruaru

ARTIGO: “Saúde e Segurança pedem socorro em Pernambuco”

Por Doriel Barros

Pernambuco tem vivenciando situações extremamente graves, especialmente no interior, nas áreas de saúde e segurança, que precisam, urgentemente, da atenção das autoridades estaduais. A crise vivenciada pelo País não pode ser utilizada como argumento para que se reduzam os serviços essenciais à população.

Milhares de famílias vêm sofrendo com a falta de medicamentos e com a redução de serviços básicos e especializados, a exemplo do atendimento nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). No interior do estado, as pessoas têm enfrentado várias dificuldades ao procurar as unidades de saúde. Há um aumento no número de casos de dengue e dos registros de Chikungunya. Os relatos de lideranças e gestores locais apontam para a ausência de uma politica de prevenção e controle.

Outro problema que tem se expressado com cada vez mais força é o da insegurança, principalmente nas comunidades rurais, onde vários casos de roubos e assaltos têm assustado a nossa gente, que se sente impotente diante da violência.

Há um sucateamento das delegacias de polícia que, além de terem um efetivo policial insuficiente, ainda contam com profissionais insatisfeitos com os salários e condições de trabalho. Para completar, há uma ausência de dados sobre a violência no campo, o que dificulta que as políticas cheguem aos locais que realmente precisam. Afinal, como saber quem está sendo morto e que tipo de violência é mais comum se não há informações.

Esse conjunto de descasos tem provocado mudanças nos hábitos das comunidades rurais e até mesmo estimulado o êxodo, especialmente das pessoas idosas, que têm buscado, nas áreas urbanas, mais segurança. O que é um grande engano.

Diante de tudo isso, é preciso uma ação urgente do Governo do Estado. Não é possível que um estado que recebeu investimentos enormes, com um grande número de empresas instaladas e produzindo, e que tem uma das maiores arrecadações de impostos do País, não tenha recursos e, principalmente, não priorize as áreas que mais afetam a população.

O País não pode parar em momentos de desafios. Pernambuco precisa fazer, na prática, o dever de casa, já que esse tem sido o mote do governador, para que os problemas causados pela crise mundial tenham seus impactos reduzidos, com politicas de apoio e proteção à população que mais precisa dos serviços e da atuação firme do Estado.

 

 

O dinheiro na urna

Por JÂNIO DE FREITAS
Da Folha de S. Paulo

É um enfrentamento educativo. As agressões verbais que o ministro Gilmar Mendes tem dirigido à OAB, com auge no julgamento das doações empresarias nas eleições, chamam atenção para mais do que o resultado que veio limitar a pessoas as contribuições financeiras para campanhas.

Na história decorrida desde o golpe de 1964, o crédito democrático e republicano da OAB é muitas vezes superior ao do Supremo Tribunal Federal. A OAB foi uma entidade à frente da luta cívica contra a ditadura e seus crimes. O STF foi uma instituição a serviço da ditadura, com raríssimos e momentâneos gestos –pessoais– de grandeza moral e jurídica.

Gilmar Mendes acusou a OAB de se pôr a serviço do PT, com a ação contra as doações eleitorais de empresas para assim asfixiar a alternância no poder presidencial. Acione ou não Gilmar Mendes, como considera, a OAB já foi, em nota, ao ponto essencial: a ação da advocacia que representa “não será sequer tisnada pela ação de um magistrado que não se fez digno de seu ofício”.

Ao fim de um ano e cinco meses em que reteve a continuação do julgamento, Gilmar Mendes apresentou por mais de quatro horas o que chamou de seu voto, mas não foi. Foi uma diatribe política, partidária, repleta de inverdades deliberadas que um ministro do Supremo não tem o direito de cometer.

Sem perceber sequer o próprio grotesco de recorrer a inverdades óbvias a título de argumentos, Gilmar Mendes é uma lembrança, que não deixa de ser útil, daquele Supremo que integrou o dispositivo ditatorial.

Os milhões empresariais nas campanhas foram extintos por oito votos a três. O de Celso de Mello e, este surpreendente, o de Teori Zavascki usaram como argumento, digamos, central, a inexistência de proibição expressa na Constituição para as doações de empresas. Mas a questão do financiamento eleitoral não estava posta com os aspectos atuais, quando elaborada a Constituição, antes mesmo da primeira eleição presidencial direta pós-ditadura. A mesma ausência na Constituição deu-se com a pesquisa de células-tronco, que o STF liberou contra a resistência religiosa.

Outro argumento comum aos dois votos respeitáveis: a proibição de contribuições empresariais não atenuará a corrupção, porque será adotado o caixa dois com novas formas de captação. Ora, ora, o caixa dois tem a idade das eleições brasileiras. E nunca foi interrompido.

A corrupção com doações empresariais até o agigantou. Quando um candidato mal sai da eleição e compra uma nova casa, alguém no STF acredita que foi mesmo com empréstimo familiar? Seja em São Paulo, na Bahia, em Pernambuco, tudo é Brasil e é caixa dois. De eleição como de corrupção, que o mecanismo é o mesmo.

Outra semelhança contraposta ao argumento dos dois ministros: assim como o fim das doações empresariais não poderá extinguir a corrupção eleitoral, a proibição do porte de arma não tem efeito absoluto. E, no entanto, foi adotada e é mantida, porque tem o efeito possível na sociedade imperfeita.

Não só as doações vão mudar. O PSDB está em campanha de filiação. Outros precisarão fazê-la, porque o movimento dos filiados será crucial para a coleta de doações pessoais. Com maior filiação, a vida dos partidos muda. E a mudança terá reflexos desde as direções até a conduta dos partidos no Congresso. Nada de imediato, mas vem aí uma saudável mudança em não muitos anos. Apesar de Gilmar Mendes, Eduardo Cunha e outros insatisfeitos com a retirada do poder econômico.

A DESCIDA

A hipótese de legalizar casas de jogo para o governo arrecadar mais já é, por si só, uma indignidade repugnante.

OPINIÃO: As lições do príncipe

Por MENELAU JÚNIOR

Recentemente, uma nova abordagem de O Pequeno Príncipe chegou aos cinemas. Publicado em 1943, o livro, do escritor e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, ganhou pejorativamente o título de “livro de miss”, numa referência ao fato de ter sido, durante muito tempo, o preferido pelas candidatas a concursos de beleza. Quase um paradoxo: O Pequeno Príncipe é um manual de busca da beleza interior.

Ao longo da obra, Exupéry usa metáforas para falar sobre amor e responsabilidade: “é no deserto que encontramos a verdade”. O Príncipe não representa a infância em que nada faz sentido, mas a que precisa de explicação por meio de perguntas. Na infância criada por Exupéry, tudo tem sentido, mas é preciso buscar.

Imagino que as crianças, que estão ainda com o prazer de ler (por que será que elas perdem depois?), devem conhecer O Pequeno Príncipe. E seria maravilhoso que ele lhes fosse apresentado pelos pais. Sim, os pais deveriam ler a obra para seus filhos. Ler e explicar. Nas páginas supostamente escritas para as crianças, estão lições que os adultos esqueceram. Uma das mais belas, talvez, seja a de que cada pessoa é única no mundo – e por isso especial. É preciso ensinar a nossas crianças que “só se vê bem com o coração, porque o essencial é invisível aos olhos”.

O livro é, em essência, um diálogo entre o príncipe, que veio do planeta B-612, e um aviador. E essa é a grande verdade da história: só aprendemos através do diálogo, da arte de saber ouvir e falar. Do contato com o outro. E de compreendermos também o valor dos silêncios.

Antes de voltar a seu planeta, o menino de cabelos dourados aprende lições como responsabilidade (cuidar de sua flor, porque é sua), solidariedade e amizade (“tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”). Se nossas crianças realmente aprendessem a cuidar de si, dos outros e do mundo, talvez os adultos não fossem tão simplórios. Se aprendêssemos as lições contidas nesse grande livro, provavelmente os campos de trigo fariam sentido para nós. Mesmo que fôssemos raposas.

Até a próxima semana.

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Menelau Júnior é professor de língua portuguesa. Escreve para o blog todos os sábados. E-mail: menelaujr@uol.com.br

ARTIGO: Adicional de 10% na multa do FGTS pode ser recuperado

Por Gilberto de Jesus

O valor adicional de 10% sobre os depósitos de FGTS cobrados junto com a multa de rescisão de 40%, que elevaram o custo para 50% já pode ser evitado, mediante autorização judicial. Melhor ainda, além de evitado, reduzindo os custos trabalhistas da empresa, todos os valores pagos a título desta multa nos últimos cinco anos pode ser recuperado, em valores atualizados.

Em 2001, a Lei Complementar 110, que instituiu esta multa, foi aprovada para que esses 10% pagassem os “rombos” causados pelos planos VERÃO e COLLOR 1, ou seja, os Expurgos Inflacionários e as diferenças nos depósitos de FGTS que a Caixa Econômica Federal “esqueceu” de creditar para o trabalhador.

Pois bem, de acordo com o que foi publicado nos orçamentos públicos, desde 2005 a Caixa Econômica Federal já tinha os recursos para pagar essa conta e, em 2007, terminaram de pagar todos os acordos para repor essa perda ao trabalhador.

Mas, mesmo a lei já tendo atingido sua função, eles continuam cobrando dos contribuintes esses valores, que há muito tempo são indevidos. Já existem bons e numerosos posicionamentos do Poder Judiciário autorizando as empresas a não recolher esse adicional de “multa” aos cofres públicos.

Como este caminho já foi trilhado com sucesso pelos contribuintes, as empresas podem solicitar aos advogados, especialistas em Direito Tributário, que formalizem esse pedido judicial. Essa ação serve para exercer o direito de cada empresário de pagar somente o correto e de ter os valores já pagos nos últimos cinco anos ressarcido.

OPINIÃO: Para onde foram estas palavras?

Por MENELAU JÚNIOR

Palavras são como gente: nascem, divertem-se, envelhecem e morrem. Às vezes, ressuscitam, transmutam-se, evoluem. Quando pensamos que desapareceram, surgem na boca de alguém que já viveu um pouquinho. E recebem o nome de arcaísmos.

Você sabe que alguém “já passou dos trinta” quando esse alguém chama a pessoa amada de “amoreco”. Se não tiver o amor correspondido, fica logo “amuado”, porque não quer uma “amizade colorida”.

E esse apaixonado – ou “gamado” – decide comprar um cartão e vai ao “armarinho” onde se vende de tudo. Acaba “atarantado” diante das opções de cartões. Alguns, muito belos; outros, “chinfrins”. Compra um. Embora saiba que a “coqueluche” do momento seja deixar mensagens explícitas no facebook, o indivíduo prefere os cartõezinhos. Pensa na amada, bela com cabelos soltos ou usando “coque” preso com “laquê”. Sem “delonga”, paga ao dono do “armarinho” e solicita um “carro de praça”. Está decidido a ir à casa de seu “amoreco” declarar-se.

Ele, que sempre fora “acabrunhado”, estava “encafifado” com a possibilidade de não ser correspondido. Ela, com seus vinte e sete, já se dizia “encalhada”. Mas estava decidido: não iria mais “encher linguiça”, ficar com muito “falatório”. Iria chegar e dizer: “Não vivo mais sem você”.

Ao descer do táxi, conferiu se estava perfumado. Verificou o “fecho éclair” para não passar vergonha. Ajeitou o terno “engomado”. A rua estava “fervilhando” de gente. Mas nada importava. Os meses de “flerte” tinham servido para preparar o terreno. Ora elogiando a moça, ora fazendo “fiu-fiu”, ele já dera todos os motivos para ela saber de suas intenções.

No táxi, escrevera algumas palavras “mimosas”, ainda que com letra de “garrancho”. Não importava. Tudo se justificava diante de um homem “gamado”.

Tocou a campainha.

Uma “lambisgoia” atendeu, acompanhada de um rapaz “efeminado” que logo “desmunhecou”.

– A Juçara está? – perguntou com voz trêmula.

– Ela se mudou semana passada, “bofe”. Eu sirvo? – perguntou o rapaz.

O jovem “bateu as botas” ali mesmo.

Até a próxima semana.

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Menelau Júnior é professor de língua portuguesa. Escreve para o blog todos os sábados. E-mail: menelaujr@uol.com.br

OPINIÃO: Quadro do Fantástico deixa de usar mesóclise

Por MENELAU JÚNIOR

ilustracao menelauO quadro “Você só tem uma chance”, exibido pelo Fantástico, tratou no último domingo do ataque de cachorros. A resposta para escapar do ataque era “FINGIRIA-SE DE MORTO”. Detalhe: a forma “fingiria-se” não é usada na norma culta.

Não se deve colocar o pronome oblíquo depois de verbo no futuro: essa é uma das regras básicas quando o assunto é colocação pronominal. Ou seja, a ênclise é errada com um verbo nesse tempo. Nesses casos, recomenda-se a mesóclise, forma que deixou de ser usada no Brasil há pelo menos 50 anos.

Sim, a forma “fingir-se-ia” de morto seria a adequada à norma culta. A questão é que ninguém a emprega. O Fantástico poderia ter escrito “Se fingiria de morto”, mas essa também é forma rejeitada pela norma culta, ainda que muito comum no Brasil. Em textos formais, não se deve começar um período com um pronome oblíquo.

Enfim, a forma “fingiria-se” serve para comprovar que a mesóclise (colocação do pronome “no meio” do verbo) já não é mais usada. Nem pelos meios jornalísticos, que normalmente adotam a norma padrão. Construções do tipo “Encontrar-te-ei”, “convidá-lo-emos” e “adorar-te-ei” já não são vistas no português falado (e escrito!) do Brasil faz muito tempo.

Então, o que dizer da arte que apareceu no quadro do Fantástico? Bom, é até compreensível que os editores tenham rejeitado a forma “fingir-se-ia”, certamente por achá-la estranha à maioria dos telespectadores. Optar por uma construção menos formal (“se fingiria”) seria uma opção. Mas escolher “Fingiria-se”, além de contrariar a norma culta, sequer encontra respaldo na língua usada no Brasil.

Até a próxima semana.

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OPINIÃO: ‘Sou inocente…’

Por MAURÍCIO ASSUERO*

O que mais se ouve nas entrevistas feitas dos envolvidos nos escândalos (escolha qualquer um) é a frase “sou inocente, não há provas contra mim”. Quem usa desse bordão esquece, deliberadamente, que o fato de não ter provas não significa, nem significará nunca, presunção de inocência. Não ter provas pode ser fruto de um trabalho bem feito. Ser inocente é não cometer qualquer crime, qualquer ação à margem da lei. A falta de provas pode, realmente, livrar um acusado da cadeia, basta ver no caso do mensalão onde alguns foram condenados por formação de quadrilha e, devido aos embargos infringentes, foram inocentados porque as provas eram insuficientes, mas isso não dá a nenhum deles o direito de proclamar inocência. Foi uma interpretação da corte sobre o que, de fato, seria uma quadrilha e, por conta dessa interpretação, alguns tiveram suas penas reduzidas.
O fato mais lamentoso desse imbróglio todo é que o Congresso, na sua maioria, esqueceu o povo e, no afã de tomar medidas que prejudicam o governo, acaba prejudicando o povo. É, no mínimo, incoerente líderes de partidos criticarem os desmandos da Petrobras, o governo do PT etc. e fazerem conchavos para manter o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, no exercício do seu poder. Sob esta ótica, se ele pode, Dilma também pode, porque roubalheira não é uma questão relativa, ou seja, é bobagem dizer que fulano é mais ladrão do que sicrano. Tanto faz roubar R$ 1 como R$ 1 milhão.

O fato é que ninguém demonstra mais preocupação em salvar empregos. O programa de manutenção do emprego, até o momento, não disse a que veio. Baixar taxa de juros dos bancos públicos (Caixa e Banco do Brasil) para empresas que se comprometam a não demitir é fumaça para os olhos da população. No caso do Banco do Brasil, a instituição possui ações no mercado financeiro e os acionistas querem lucros, que não virão com essa política medíocre. Os juros altos existem por conta da necessidade de combater a inflação. Então, resolvendo a inflação, fica mais simples trabalhar com taxas de juros que atendam a expectativa do mercado. Isso não vai funcionar por decreto ou pela vontade absoluta do governo.

O governo fez a sua opção por políticas sociais (eleitoreiras), ao invés de implantar políticas favoráveis ao crescimento econômico. Incentivando a economia, haveria recursos para apoiar o social, agora não tem como mexer no social sob pena de causar um estrago ainda maior. Por essa razão, fornecedores de produtos e serviços do governo estão sem dinheiro para arcar com suas obrigações. A maioria deles é, de fato, inocente.

*Maurício Assuero é economista e professor da UFPE.

OPINIÃO: Nem sempre a concordância é visível

Por MENELAU JÚNIOR

menelau colunaAs normas gramaticais determinam que o verbo de uma oração deve concordar com o sujeito. Assim, escrevemos que “O filme agradou a todos” e que “Os filmes agradaram a todos”.

Entretanto, existe um caso em que isso não ocorre: quando temos uma silepse. Silepse é a concordância com a ideia, e não com o termo escrito.

Observe a manchete de um importante jornal do estado: “Jogos vorazes é o queridinho da vez”. Ora, observe que a forma verbal “é” e o predicativo “queridinho” não concordam com o sujeito, “Jogos vorazes”. Por que isso ocorre? Porque temos uma silepse!

Na frase em análise, está subentendida a palavra “filme”, e é com ela que se faz a concordância. É como se tivéssemos “O filme Jogos Vorazes é o queridinho da vez”. Nesse caso, temos uma silepse de número, uma vez que o sujeito está no plural e o verbo no singular.

A silepse também pode ser de gênero. Nesse caso, a diferença de concordância se dá entre o masculino e o feminino. Quando alguém diz que gosta de assistir “ao” Zorra, o emprego do artigo “o” na forma “ao” indica que ali está subentendida uma palavrinha: “programa”. Falamos “O Zorra”, e não “A Zorra”, mesmo sendo a palavra “zorra” feminina. Tudo isso por causa da silepse.

E quando alguém diz “Os brasileiros estamos fartos de tanta corrupção”? Bom, agora temos uma silepse de pessoa, uma vez que o sujeito, “Os brasileiros”, está na 3ª pessoa do plural, e a forma “estamos” está na 1ª pessoa. Claro que esse tipo de frase só é possível quando o indivíduo se inclui no que acabou de falar.

Ah, na próxima semana, Os Vingadores 2 chega às lojas de todo o país. Ops, “chega” ou “chegam”? Bom, como estamos nos referindo ao filme “arrasa-quarteirão” de 2015, a forma no singular é bem-vinda. É uma silepse.

Até a próxima semana.

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