OPINIÃO — Dúvidas Dissipadas

O decreto do governo em cortar R$ 10,7 bilhões do orçamento de 2015 (veja bem: 2015) dissipa todas as dúvidas que a gente tinha em relação a recuperação da economia. O corte atinge o peito dos fornecedores que, por conseguinte, terão dificuldades em quitar suas obrigações junto aos seus fornecedores e seus funcionários. Ampliando o círculo a gente vai chegar num ponto que não gostaríamos, de forma, alguma admitir: aumento do desemprego!

Com a nítida redução do PIB (é bom que o ano acabe logo para o PIB não cair mais!), um contingente de desempregados beirando os 9,5 milhões de pessoas, a inflação admitida pelo Banco Central em 9,99% ao ano e o dólar na casa dos R$ 3,90, devemos nos preparar para um ano novo sofrível. Lamentavelmente, o governo insiste em errar quando escolhe onde cortar porque pega na veia de quem não tem culpa e esquece a enorme economia que teria com a redução dos cargos comissionados. Em adição, o governo perdeu o timming do ajuste fiscal. Simplesmente ele não avança para dar aos investidores o real sentido de credibilidade e atrair capital externo.

O fato mais degradante é que “suas excelências” estão preocupadas com o próprio umbigo. O PT apoia Cunha para ele não abrir o processo de impeachment de Dilma e Cunha não faz isso na tentativa de garantir-se como presidente da câmara. Enquanto isso, por baixo da ponte se desloca um lamaçal mais podre do que atingiu a cidade de Mariana, em Minas Gerais, e que se arrastra par o mar no Espírito Santo. Ninguém está preocupado, ou pelo menos não demonstra isso, com a situação do povo. Ao longo do tempo tivemos uma migração de pessoas de classe social mais baixa, para outras mais altas e agora teremos que assistir ao êxodo do retrocesso, com um agravante: as pessoas estão voltando mais endividadas e com emprego ameaçado.

Queríamos iniciar dezembro com notícias mais propícias a este clima de confraternização que nos envolve a cada Natal. Mais o véu de incerteza que nos cobre faz a gente emitir risos acanhados; queríamos falar de como usar coerentemente o 13º salário, mas o que dizer para as pessoas interioranas que trabalham em prefeituras de municípios que dependem, integralmente, do fundo de participação do município ou das transferências sociais, que estão ameaçadas de receberem o 13º, por conta da lei, mas não salário de dezembro?

O melhor mesmo é a gente esquecer Papai Noel e pedir a Papai do Céu que nos ajude a vencer os obstáculos. Acreditar que há minoria preocupada cuja voz e embargada pelos gritos dos errantes e torcer para que o bem vença, sempre e sempre, o mal.

OPINIÃO — O novo papel das CPIs

Por  Antônio Augusto de Queiroz

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs), que foram a melhor vitrine para muitos parlamentares, possuem duas dimensões: uma inquisitória e até policialesca, que valoriza o espetáculo, e outra instrumental, que identifica os problemas e propõe soluções. Na primeira dimensão, a CPI perdeu protagonismo para outros órgãos de Estado, mas na segunda seu papel continua imprescindível, especialmente na propositura de mudanças nos marcos regulatórios destinadas a eliminar as brechas ou falhas que originaram a investigação.

De fato, o papel de investigação inquisitorial, com o propósito de indiciamento de pessoas, com praticamente as mesmas prerrogativas antes reservadas apenas a CPIs, foi estendido quase em sua plenitude a órgãos de fiscalização e controle na última década – como Ministério Público da União (MPU), Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria Geral da União (CGU), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Polícia Federal (PF), poder Judiciário etc.

Houve mudança de paradigma no combate à corrupção com as leis de transparência, conflito de interesses, acesso à informação, combate à lavagem de dinheiro, responsabilização da pessoa jurídica e delação premiada, entre outras que reduziram a cultura do segredo, como o voto aberto em praticamente todas as deliberações do Congresso.

Nessa nova realidade, os órgãos e instâncias de fiscalização e controle foram empoderados, ganharam autonomia e meios e instrumentos de atuação, passando da condição de instituições de governo para a de instituições de Estado, com seus agentes dotados de independência funcional para o cumprimento pleno das competências atribuídas a eles por lei e pela Constituição. O que é louvável!

É absolutamente natural que quando instituições permanentes com poder de investigação assumem atribuições antes reservadas a órgãos ou instituições de caráter ou com missões temporárias, como é o caso de comissões parlamentares de inquérito, os temas, que antes só frequentavam o noticiário no período de funcionamento da comissão, passem a figurar de forma permanente na mídia, criando a sensação de que houve aumento da prática de irregularidade ou de desvio de conduta.

Além disso, o fato de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter passado a conceder habeas corpus permitindo que os convocados ou convidados pudessem ficar calados durante o depoimento também retirou, em grande parte, o apelo que os parlamentares tinham para promover a luta política nesses espaços. É por isso, em grande medida, que se passou a dizer que muitas CPIs terminaram em pizza, seja porque não prenderam, nem expuseram muitos depoentes, seja porque indiciaram menos pessoas.

Registre-se, ainda, em benefício dessa narrativa, que as investigações conduzidas por servidores de carreira, sem vinculação ou motivação de ordem político-partidária, feitas nos estritos limites legais, e sem vazamentos seletivos, tendem a ser mais efetivas, mais isentas e, portanto, mais confiáveis do que outras com viés de disputa política ou de acerto de contas, como costuma acontecer nas CPIs.

É nesse contexto que se deve ler o novo papel das CPIs, que num passado recente ganhavam destaque por sua dimensão de espetacularizar sessões, com certa fúria persecutória e até achaque a convidados ou convocados, e que agora precisam se credenciar pela capacidade de descobrir as brechas que permitiram desvios de conduta e pela propositura de soluções legais capazes de evitar que essas práticas se repitam no futuro. Nesse particular, seu papel será bem mais nobre, porque se prestará menos à mera luta política e policialesca e se concentrará em aperfeiçoar o ordenamento jurídico.

OPINIÃO — Pressão do endividamento leva Petrobras a alienar mais ativos

Por Reginaldo Gonçalves

A situação da Petrobras está cada vez mais complexa. A operação Lava Jato identifica a cada momento uma nova situação de desvio de recursos, fazendo com que os investidores desconfiem que novos problemas poderão surgir – o que vai desvalorizar ainda mais os ativos.

A pressão no caixa da empresa, provocado pelo crescimento do endividamento e o seu encarecimento em novas captações, está dificultando ainda mais os novos investimentos a serem efetuados para manter a perspectiva de faturamento e a manutenção da exploração dos campos existentes.

A busca de alternativas para postergar os empréstimos existentes e os novos financiamentos estão cada vez mais difíceis e caros. A perda de credibilidade está dificultando o crédito mais barato, já que o risco é significativo.

A Petrobras poderia recorrer a uma chamada de capital em bolsa, mas a desvalorização da empresa desestimula o lançamento das ações, assim como a perspectiva de captar novos investidores.

Os investimentos em novos campos estão sendo reavaliados – principalmente os relacionados ao pré-sal. Os recursos para a exploração são significativos e os custos estão maiores do que adquirir o petróleo no mercado externo. O preço atingiu ontem a faixa de US$ 44,52.

Em virtude do desestímulo aos investimentos em novos campos e a gestão de negócios somente em sua área de competência, algumas alternativas foram disponibilizadas para que houvesse a redução do empréstimo. Um exemplo é a venda de ativos: investimentos na BR Distribuidora, Termelétrica, parte da TAG (transportadora de gás), campos de petróleo no exterior, entre outros.

Mas o avanço é pequeno, já que existe uma preocupação significativa com relação ao negócio e as implicações futuras, como aconteceu com a Lava Jato. Essa situação está dificultando os negócios e a crise internacional desestimula o interesse de investidores, fazendo com que o preço seja inferior ao valor do negócio.

Para estimular a entrada de caixa houve a decisão da empresa de vender campos que já estão produzindo o petróleo – o Campo de Baúna e Golfinho.

A preocupação dos investidores na operação é com relação ao processo que poderá levar a empresa à descontinuidade dos seus negócios. As vendas de ativos acabam gerando momentaneamente recursos no caixa, a exemplo da venda da Gaspetro (49%) que rendeu US$ 1,9 bilhão, mas que reduzirá os lucros futuros a serem recebidos como dividendos e com isso pressionando ainda mais o resultado da investidora. Não resta dúvida que essa pressão continuará e novas iniciativas de aumento do combustível poderão acontecer para auxiliar o fluxo de caixa da empresa. Mas, isso provocará uma pressão maior sobre a inflação que já atingiu dois dígitos.

OPINIÃO — Desastre Ecológico

Por Maurício Assuero

Não tem como deixar de comentar, e lamentar, o estrago ecológico provocado pelo rompimento da barragem em Mariana – MG que lançou no Rio Doce dejetos industriais cujo vetor – um lamaçal imenso – se arrasta até o mar e já atingiu a cidade de Colatina – ES, distante 550 Km do problema. A imagem das pessoas, em Colatina, recebendo 2 litros de água mineral é de partir qualquer coração. De modo igual, o lamento das pessoas que dependem da pesca, do rio, causa uma dor infinda. Como se pode sobreviver com 2 litros de água? E quem tem filhos pequenos? Como se faz para cozinhar, não apenas em casa, mas nos restaurantes também? No meio de tudo isso, a constatação do prefeito de Mariana que “sem exploração dos minérios, Mariana desaparece”. Já desapareceu, a bem da verdade, tragada pela lama do progresso, pela necessidade do lucro. Definitivamente isso é o que chamamos de mal necessário.

A Samarco se prontificou a arcar com R$ 1 bilhão para ressarcimento das perdas. É pouco para as suprir tantas necessidades porque os efeitos dos danos não se observaram apenas em Mariana, mas se espalharam ao logo do rio e já chegaram noutro estado, avançaram sobre o mar. Nós não estamos falando apenas dos pescadores, dos agricultores, da pecuária que depende das águas, estamos falando das atividades que dependem de água potável! Falamos acima: como ficam os restaurantes, por exemplo?

O debate em torno de uma economia sustentável com respeito ao meio ambiente é antigo. Em vários pontos do país, algumas empresas tiveram que adequar seu sistema de produção por conta da agressão ao meio ambiente. Em Santo Amaro da Purificação (terra de Caetano Veloso) uma empresa produtora de baterias automotivas fechou as portas por conta do chumbo lançado na atmosfera (provocava saturnismo). No passado, tive que inviabilizar um projeto de produção de mel, com mercado certo de venda para a Itália, porque a cerca de 400 metros desse empreendimento funcionava uma empresa de baterias automotivas (cerca de R$ 500 mil jogados pelo ralo).

Não se pode ter um sistema de produção, com nítido risco de impacto ao meio ambiente sem que haja um rigoroso acompanhamento por parte da empresa produtora e das autoridades. Por exemplo: Caruaru é um centro de polo têxtil. Baseado nisso temos um sistema competente de tratamento dos efluentes? Provavelmente, o dano causado pelo despejo desses efluentes não causem o mesmo dano dos minérios, mas nós estamos certos disso ou só achamos que é assim?

Opinião: A crise econômica

Por  Tiê Felix

É evidente que chegou-se a um ponto chave da história do Brasil contemporâneo. Embora toda o crescimento econômico da era Lula e toda a ilusão de uma suposta distribuição de renda, vê-se hoje que os comandantes do país são realmente incapazes de gerar uma verdadeira mudança social no Brasil. Mesmo com mudanças significativas o Brasil teve de pagar volumes de dinheiro em função da manutenção de privilégios dos mais diversos.

A busca violenta por enriquecimento fácil fez com que mesmo com um certo nível de políticas públicas por trás dos panos atividades danosas estavam minando a economia e por consequência a política. Os dados afirmam que 3 bilhões foram assaltados aos cofres públicos e que 2,5 % do PIB perdeu-se em pagamentos escusos somente no Petrolão.Não se conta nesta subtração os subsídios que o governo fez – que é justo – de forma indiscriminada, o que parece evidenciar a tradicional falta de planejamento.

Quem mais sofre com a situação que ai está são os  que estão em situação de risco social – a maioria no Brasil. Mesmo o bolsa família hoje não é mais do que um paliativo frente aos preços dos produtos básicos, da energia e do custo de vida que só vem aumentando. Os mais pobres novamente serão esquecidos numa boa oportunidade que o país tem para resolver suas pendencias sociais históricas.

Incumbe agora àqueles que recebem seus parcos salários e vivem à mercê das variações do mercado conterem-se do consumismo. É difícil já que de longa data o Brasil acreditou-se rico e de um ano para o outro as mentiras de um governo corrupto fez com que a mesa virasse drasticamente. A ética do brasileiro deve se adequar às novas condições econômicas impostas.

Não é para se ter esperanças, já que a quem nos governa pouco interessa distribuição e desconcentração de riqueza.

Sobre o montante do petróleo vide aqui

http://folhapolitica.jusbrasil.com.br/noticias/139140725/desvios-do-petrolao-seriam-equivalentes-a-33-mensaloes

Tiê Felix é professor

OPINIÃO: Redução de custos: ação de ordem no varejo

Por Paulo Ferezin 

Em um cenário econômico estagnado, com expectativas de relevante alta na inflação e declínio nas vendas, as empresas varejistas sentem o reflexo em todas as etapas do negócio, principalmente em suas linhas de resultados e rentabilidade. Isso porque o consumidor necessitou apertar os cintos desde o início da retração econômica. As empresas estão enfrentando dificuldades em proporções cada vez maiores para conseguir aumentar as vendas e sustentar suas margens, diante de uma competição cada vez maior.

Tal conjuntura, e outras condições de concorrência mercadológica, leva muitas organizações do setor a uma reestruturação que, no entanto, não foca apenas na retomada comercial, mas em outros três pilares: na otimização do modelo de negócio (produtividade); na consolidação da marca por meio da renovação das lojas e posicionamento das marcas; e no direcionamento do investimento em expansão para áreas operacionais de maior crescimento de mercado.

É na redução de custos, porém, que a gestão tem dedicado maior atenção, garantindo que esse seja o melhor caminho e o papel principal para garantir a rentabilidade e sustentabilidade. Para que isso se torne viável é importante adotar uma estratégia linear, assertiva e diferenciada para cada empresa, considerando seu porte, administração, clientes e outros desafios individuais e particulares.

Com foco na otimização operacional – em especial no que diz respeito à relação Produtividade x Lucro – estar atento ao termômetro que indica os sinais do comércio e do mercado é considerada a maneira mais eficiente para encontrar reduções sustentáveis em termos de custos. Dessa forma, o caminho a ser adotado é “fazer mais por menos”, mas sem perder de vista a proposta de valor e serviços da marca, para não alterar o posicionamento.

Em todo caso, fique claro que, antes de qualquer decisão ou modificação na rotina institucional visando redução de custos, uma análise sobre a condição do negócio a ser reestruturado é imprescindível, visto que essas modificações devem prever todos os possíveis impactos sobre a empresa, pois, do contrário é improvável que mudanças realmente efetivas aconteçam.

Apesar de, como já citado, ser necessário traçar um plano para cada empresa, existem algumas ações universais para aprimorar o trabalho no setor varejista com o objetivo de reduzir custos, dentre elas destacam-se a revisão de processos e controles, a otimização da força de trabalho, a integração e captura de sinergias entre vendas, pós-vendas e demais áreas da empresa, assim como uma maior interação e colaboração entre o varejista e seus fornecedores e parceiros.

Em suma, espera-se que a partir de uma cuidadosa avaliação dos processos administrativos e operacionais seja possível restabelecer uma positiva posição no mercado de varejo. Considerando a atual conjuntura, os empresários precisarão adotar uma nova postura com todas suas interfaces, além de estarem preparados para as possíveis surpresas no mercado para atingirem seu objetivo e, então, retomarem as vendas, reaquecerem o comércio e alcançarem resultados sustentáveis.

Artigo: Empresa familiar: a difícil hora de passar o bastão

Por Amauri Nóbrega

Existe o ciclo natural da vida, ou seja, você nasce, cresce, reproduz e morre, correto? Seria muito mais simples se todos aceitassem esse processo natural da vida que acontece com 100% das pessoas, mas isso muitas vezes não é a realidade, principalmente quando o assunto é sucessão numa empresa familiar.

Tenho acompanhado diversos casos de fundadores de negócios familiares que acreditam ser eternos. Por que eles acreditam nisso?  Bom, a resposta mais frequente é que não tem ninguém “preparado” para fazer igual ou melhor do que eles. A maioria tem dentro de si que a empresa é fruto de sua genialidade e que nunca aparecerá alguém à altura para ocupar o posto. Assim, acabam se prendendo ao trono, deixando o tempo passar e perdendo a chance de aproveitar o que construíram.

É fato que a mudança gera medo, mas empurrar com a “barriga” esse processo que deveria ser natural só ajuda a complicar a situação. Conhecemos diversos casos de grandes negócios que deixaram de existir por brigas e disputas após a morte do fundador.

Então, qual o momento certo para passar o bastão? Em minha opinião, não existe uma “receita de bolo”, um momento adequado. O processo de sucessão tem que acontecer naturalmente ao longo do desenvolvimento do negócio familiar, os herdeiros devem ser inseridos naturalmente na organização e passarem pelo processo de evolução e desenvolvimento da mesma forma que qualquer outro colaborador comum.

Caso, depois de todo o processo, for constatado que não existe nenhum herdeiro com competência, habilidades e, o mais importante, motivação para assumir o negócio familiar, é o momento de prepará-lo para ser proprietário e buscar no mercado um executivo não familiar.

* Amauri Nóbrega é consultor executivo, palestrante, coach, escritor, conselheiro e especialista em estratégia e finanças. Site:www.amaurinobrega.com.br

OPINIÃO: “Assim não vai”

Por MAURÍCIO ASSUERO

Cada vez mais me convenço de que não vamos sair da crise tão cedo. Minha desconfiança vem do conjunto da obra feita por governo e congresso. Que o governo errou, todos nós sabemos e também sabemos que este erro não deve ser apenas imputado ao governo atual. Lula erro muito quando disse que a crise para o Brasil era só uma “marolinha”. Incentivou o povo a gastar na tentativa de dinamizar o consumo, levou as famílias para um nível de endividamento alto e agora critica a política de isenção de impostos. É engraçado porque toda a política monetária implantada no seu governo era baseada no IPI.

Por outro lado, surge o PSDB, notadamente na figura do seu presidente Aécio Neves, defender com unhas e dentes o impeachment de Dilma, no entanto, seu partido até o momento não fez qualquer menção contra o presidente da câmara, Eduardo Cunha, que segundo depoimentos de um dos delatores, recebeu US$ 5 milhões como propina. Não acho coerente aceitar essa postura e me coloco diametralmente oposto a este tipo de conduta. Se quer moralizar não aja com dois pesos e duas medidas.

Dilma erra e muito, mas minha do meu ponto de vista há uma cortina de fumaça que a envolve. Quando no início do seu primeiro governo ela demitiu os ministros que estavam envolvidos em desvios, sua popularidade foi maior do que a de Lula no início do seu governo. Foi fácil demitir porque estas pessoas não pertenciam ao seu partido. Agora há denúncia contra dois ministros do PT, um deles, ocupa uma sala ao lado da sala da presidência. Poderia ser demitido porque desagrada todo mundo, mas não será porque é um dos únicos que continua fiel a Dilma. Ela não vai botar ali uma pessoa indicada por Lula porque ela sabe o que isso significa.

A única maneira de Dilma sair da crise é afastando os corruptos que se aproveitam de sua pouca habilidade política para fazer fortuna. O engraçado é que os partidos que se posicionam contra a corrupção não apoiam as medidas econômicas porque não conseguiram ocupar os cargos de segundo/terceiro escalão. Fica claro que se estes cargos forem definidos o cargo passa a ter apoio e tudo mais se resolve.

O maior risco que a economia corre chama-se Joaquim Levy. Até o momento ele tem se mostrado uma pessoa séria e se sair do governo será muito difícil colocar alguém coma mesma visão. Levy é criticado por mudar de opinião, fato que é interpretado como insegurança, mas a verdade é outra. Ele queria 1,16% do PIB como superávit e para isso precisaria de cortes, no entanto, como demitir os partidários, por exemplo? Isso que deveria fazer é Dilma.

 

OPINIÃO: Impostos ou Cortes nos Gastos?

Por Maurício Assuero

Na semana passada veio à tona o interesse do governo em reeditar a CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira e no início dessa semana já se divulgou que a ideia estava descartada. Como se sabe, o orçamento do governo para 2016 tem um rombo de R$ 30,5 bilhões (lembre-se que em 2015 o governo já não tem como cumprir seus compromissos e você vai entender que 2016 tende a ser tão difícil quanto 2015) e ao encaminhar para o congresso este orçamento o governo está colocando no colo do congresso este “bebê chorão”. Vamos mais longe: se melhorar a relação do congresso com o governo, a CPMF passa tranquilamente.

Muito se fala, e se fala mal, da CPMF, mas não se pode deixar de dizer que, dentre todos os tributos, este é o mais eficiente e mais simples de ser operado. A maior queixa contra ele, não é por ele onerar toda a cadeia produtiva, como alguns defendem; o problema é que não tem como sonegar, porque todos nós precisamos pagar contas, todos nós precisamos dispor de algum dinheiro na carteira (mesmo que seja para entregar ao assaltante para poupar nossas vidas). A necessidade de se colocar a CPMF é fruto da falta de uma reforma tributária, porque com boa vontade poderia se analisar impostos que poderiam sair de cena em função da CPMF.

O governo tem dois caminhos para cobrir o déficit: aumentar impostos ou cortar gastos. Ambas opções tem vantagens e desvantagens, mas nesse momento, o corte dos gastos seria uma opção mais adequada. O problema é que o governo não tem coragem de cortar na carne, por exemplo, reduzindo a quantidade de cargos comissionados em todos os níveis. O governo tem cerca de 22 mil cargos comissionados cuja indicação é puramente política. Agora, fala em reduzir 10 ministérios e nós devemos perguntar se esta redução implica na recondução das pessoas para outros setores ou estas pessoas realmente serão demitidas?

Tome como base a SUDENE que agora tem um novo superintendente. A SUDENE dispõe de 101 cargos comissionados e quem ocupará tais cargos tem (peço desculpas pelo julgamento de valor) muito pouco a contribuir com o desenvolvimento da instituição e do nordeste. Se quiser fazer um trabalho sério fará, mas para isso é preciso ter coragem de enfrentar o partido e a presidente Dilma não tem. A ideia de reduzir ministérios, por exemplo, data de 2012 e o PT (Lula) foi contra em nome da governabilidade. A carga tributária no Brasil, em 2013, chegou a 35,92% do PIBe como, mesmo com a retratação do produto, o imposto continua, vamos ter uma boa elevação neste percentual. Então que Dilma tenha coragem de guerrilheira e corte gastos não prioritários.

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Opinião: A crueza brasileira

Por Tiê Felix

Tempos cruéis são estes que vivemos. Nem sequer mais falamos de uma suposta pobreza, essa foi vencida pelas “políticas públicas”. Nem sequer mais percebemos o nível de pobreza que chegamos em nosso país, sobretudo pela falta de respeito a lá classe média que se espalha por todos os lados. Estamos conservadores em um tempo que necessita de brusquidão.

Os intelectuais supostamente de esquerda estão entrincheirados em seus pensamentos equivocados e apaixonados. Defendem o partido que salvou o Brasil e depois o lançou novamente na estaca zero. Tenho pena quando vejo tantos ótimos estudiosos, pessoas de reconhecida competência se trocando por valores pífios em nome do governo que está ai.São meros reprodutores de uma ladainha ideológica já por demais cansada de tanto ser repetida. Acho que tais professores, intelectuais e jornalistas deveria procurar somente se opor ao injusto. Somente a verdadeira oposição, que é àquilo que se manifesta de forma injusta, é justa. Mas não, se limitam a trocar recadinhos pela internet, discussões acaloradas sem nenhuma importância, somente para manifestar sua suposta autoridade.

Muitas pessoas hoje não admitem a opinião contraditória simplesmente porque numa pátria analfabeta desacreditam do raciocínio dos outros. É por isso que o analfabetismo permite o autoritarismo, já que ele permite que uns se sobreponham aos outros em termos de desprezo pelo que se pensa. A suposta esquerda de hoje dá graças a Deus pela existência de gente pobre, porque se tais pessoas não existissem jamais teriam no que debater.

A grande maioria dos nossos intelectuais de esquerda hoje estão ocupando espaços de importância em termos de status e contradizem com isso suas posições. Quantos professores univesitários, defensores ferrenhos do partidão não recebem seus 20 mil por mês?

A injustiça começa daí.

Tiê Felix é professor