Artigo: Em tempos de crise, fortaleça a resiliência para manter seu emprego

Por Bibianna Teodori

Desenvolver a resiliência é fundamental para enfrentar os desafios pessoais e também os profissionais. No mundo corporativo, principalmente em tempos de crise como o que estamos enfrentando, a pressão por resultados é enorme. Por isso, quanto mais resiliente for o profissional, maior será sua vantagem competitiva e maior será sua capacidade de lidar com essas adversidades.

Hoje, nas organizações, a resiliência é uma característica cada vez mais valorizada e observada já nos processos seletivos. Algumas empresas aplicam testes a seus candidatos, como dinâmicas de grupo, nas quais o perfil é mensurado.

A resiliência no meio profissional é fundamental para: atuar com competência mesmo sob pressão, responder rapidamente às crises, demonstrar criatividade, encontrar soluções mesmo com poucos recursos, além de manter a integridade e a alta performance em situações difíceis. Algumas pessoas são mais resilientes, outras menos, mas todas têm algum grau de resiliência e podem aprender a elevá-lo.

Essa característica também pode ser encontrada nas corporações. As empresas resilientes possuem missão, visão e valores sólidos, compartilhados por todos os funcionários. Por isso, são capazes de seguir adiante mesmo em momentos difíceis. Elas avaliam riscos e oportunidades de modo ético e realista, e ainda respondem de modo rápido e eficaz a imprevistos, crises e fatalidades.

Companhias resilientes podem treinar seus funcionários para que se tornem também resilientes, visto que a característica envolve mentalidades, comportamentos e ações que podem ser aprendidas e desenvolvidas. Através de um processo de coaching, as emoções de sua equipe são trabalhadas. Neste processo, o ponto-chave é a percepção que, embora determinadas emoções possam ser ativadas por fatores externos, o modo de lidar com elas e de expressá-las é responsabilidade de cada um.

A maneira de lidar com as emoções pode contribuir para aumentar ou para diminuir seu nível de resiliência. Assim, o coaching funciona para todos os que realmente se comprometem e assumem a responsabilidade de agir.

Uma tática bem comum nas empresas é o feedback. No entanto, ele requer uma boa aplicação para surtir os resultados esperados. Durante o feedback é importante que o gestor tenha em mente que precisa encorajar, focar no aprendizado, criar confiança, cooperação, visar a solução dos problemas e o aprimoramento de habilidades de sua equipe.

Por fim, pessoas resilientes apresentam basicamente três pontos fundamentais: a aceitação da realidade, com otimismo, porém sempre com os pés no chão; vivem em congruência com os valores e propósitos da vida; e uma grande capacidade de improvisar. Veja algumas dicas para alcançar o comportamento e pensamento resiliente:

– Foque no futuro. Olhe para frente e não se prenda ao passado;
– Mantenha-se motivado. É importante lutar por seus sonhos e objetivos;
– Invista em relacionamentos, eles são uma grande fonte de apoio e de encorajamento;
– Fique atento as suas necessidades, cuide da mente, do corpo e da sua saúde;
– Não permita que emoções negativas o controlem;
– Evite colocar defeito nas coisas.

Bibianna Teodori é Executive e Master Coach, idealizadora e fundadora da Positive Transformation Coaching. Autora do livro “Coaching para pais e mães – Saiba como fazer a diferença no desenvolvimento de seus filhos” e coautora de “Coaching na Prática – Como o Coaching pode contribuir em todas as áreas da sua vida”. www.bibiannateodoricoach.com.br

Artigo: Contar histórias inspiradoras, habilidade essencial no exercício da liderança

Por Amauri Nóbrega

Em tempos de mercado extremamente competitivo, os gestores e líderes têm papel fundamental para garantir a sobrevivência das organizações. Uma das estratégias para tal é o posicionamento de uma liderança autêntica, que gere identificação e motivação em sua equipe. Mas como conseguir isso? Acredito que um líder precisa saber contar histórias, tem que ser genuíno, com raízes fortes, ou seja, ter uma história motivadora para conseguir manter o seu time inspirado e focado em atingir o objetivo desenhado.

Saber contar histórias inspiradoras, que façam todos abraçarem uma causa, é uma habilidade essencial para quem ocupa um cargo de liderança ou deseja assumir esta posição. Um exercício que sugiro é colocar sua própria história no papel, ação que fará com que se aprimore a capacidade de contar uma história. Será uma excelente oportunidade de refletir sobre as diversas passagens e decisões da sua vida.

“Sem base, não existe construção.”

Contando sua própria história, será possível analisar suas raízes, onde estão seus valores e crenças. A história da sua vida é a base da sua liderança, logo, se não existe base, não existe construção. Notem que não existe uma árvore sem raiz, e, se existisse, ela não ficaria em pé por muito tempo.

Assim, proponho ao líder uma análise de toda a sua trajetória pessoal e profissional, listando as experiências que o fizeram chegar ao posto de liderança e como ele fez isso. Essa estruturação da história pessoal e profissional será de grande importância para diferenciar aqueles líderes que chegaram à posição por questão de poder e os que fizeram por mérito. Há os líderes que cresceram a partir do poder, que tiraram vantagens das pessoas menos poderosas para crescer ou que usaram as pessoas boas como trampolim. Este tipo de liderança não tem uma vida longa, além disso, uma pessoa que ocupa tal cargo sem contar com uma história, pode ocasionar até o declínio da empresa que o contratou.

Passível de imprevisibilidade como qualquer outra esfera da vida, os negócios são atingidos por diversas forças e o líder precisa perceber as mudanças para traçar uma nova rota. É nesse momento que ele deverá ser autêntico em seu discurso com o time para conseguir atingi-lo com o coração e fazer com que a equipe continue engajada, mesmo com os novos desafios e pressões, para seguir em frente rumo ao novo objetivo.

Amauri Nóbrega é consultor executivo, palestrante, coach, escritor, conselheiro e especialista em estratégia e finanças. Site: www.amaurinobrega.com.br

Artigo: Como escolher o regime tributário de sua empresa para economizar tributos

Por Gilberto de Jesus da Rocha Bento Jr

Ao abrir uma empresa e no decorrer de sua existência e possível escolher entre os regimes tributários SIMPLES, PRESUMIDO e REAL.

A empresa optante pelo SIMPLES tem uma forma de recolhimento simplificado que agrega os tributos em uma guia DAS (documento de arrecadamento simplificada), facilitando ao empresário recolher quase todos os tributos em uma única guia, mas a contabilidade precisa fazer uma série de declarações aos órgãos públicos e fiscais para manter a regularidade de empresa. É a opção mais indicada para iniciantes e empresas com faturamento mensal de até R$ 50.000,00, mesmo tendo um limite de faturamento mensal permitido de até R$ 300.000,00.

A empresa optante pelo LUCRO PRESUMIDO implica em um nível de organização e complexidade maior e com apurações específicas para vários tipos de impostos e tributos. Essa forma de regime tributário é obrigatória para quem fatura mais de R$ 300.000,00 por mês e é preciso analisar utilizar esta opção a partir de R$ 50.000,00 por mês.

Já, a empresa optante pelo LUCRO REAL compreende a forma mais completa de contabilidade, mais trabalhosa e mais cara, com grandes vantagens por permite o abatimento de tributos pagos na aquisição de matérias primas e serviços. Quando a contabilidade e planejamento tributário são bem feitos, esse regime auxilia muito no controle da empresa e na redução dos custos fiscais. Essa forma de tributação é obrigatória para empresas com faturamento maior de R$ 2.000.000,00 por ano, ou com atividades de instituições financeiras ou equiparadas, como bancos, empresas de financiamento, valores mobiliários, corretoras, arrendamento mercantil, factorings e etc., empresas que têm ganhos de capital ou rendimentos vindos do exterior.

Para cada tipo de empresa o ideal é preparar um planejamento tributário e calcular, de forma projetada, quanto irá recolher de impostos. O recomendado é que os empresários sempre contem com o auxílio de contabilistas e advogados tributaristas com experiência para essa consultoria.

O importante, para a pessoa jurídica, é fazer uma escolha do regime tributário de acordo com o volume de faturamento ou com o seu numero de funcionários, porque isso impacta diretamente na questão da carga tributária.

Uma vez que essa opção é anual, os empresários avaliar antes do final do ano, para que façam então essa escolha do regime tributário logo no começo do ano subsequente ou no momento da abertura do negócio.

Outro fator imprescindível, é a análise e o planejamento de situações para a avaliação da necessidade de duas empresas com regimes tributários diferentes, por exemplo, empresas com muitos funcionários podem se beneficiar do SIMPLES por força da isenção da parte de INSS da empresa que é 20% sobre o valor da folha de pagamento. Ou migrar de lucro presumido para lucro real, onde o custo contábil compensa a  economia tributária e as muitas ferramentas de controle e gestão do negócio.

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Opinião: “Quando não é queda… é coice!”

Por Maurício Assuero

A expressão acima é usada quando atravessamos um período de dificuldades, de qualquer ordem. É usada para mostrar que tudo está saindo errado. É o que acontece agora na cenário da economia brasileira: ou cai ou apanha.

Na semana passada, fomos avisados – formalmente – pelo Banco Central de que a estimativa de inflação para 2105 era 9% ao ano. A meta para 2016/2017 seria 4,5% com uma margem 1,5% e o que mais me chamou a atenção nos inúmeros noticiários foi a forma como isso foi dito: “o Banco Central aceita uma inflação de 6% ao ano em 2017.” Eu deixei o termo em negrito para dar uma oportunidade do leitor não deixar despercebido. Seria muito bom se a inflação fosse um produto venal e alguém batesse às portas do Banco Central anunciando o preço. Não é assim. O Banco Central não pode aceitar uma inflação… ele tem que trabalhar, e muito, para a inflação não destrua moeda, emprego, renda, crescimento econômico e tudo mais.

O que se tem, de fato, é a constatação de que o período de recuperação da economia pode ser um pouco mais curto ou pode ser mais demorado. O primeiro caminho trilha pelo aumento, de forma simples e direta, dos impostos. O equilíbrio das contas, a manutenção do ajuste fiscal, etc. serviriam como um instrumento de correção de rumos, mas não se pode apenas definir dessa forma, ou seja, é preciso que haja outras políticas associadas. Por exemplo, o governo não pode ficar pensando apenas em salvar os programas sociais – eleitoreiros – em detrimento a políticas voltadas para a sustentabilidade da economia e isso só vai ocorrer através da recuperação dos empregos, do aumento do índice de confiança do consumidor e do empresário, etc..

Estamos no fim do primeiro semestre e não temos nem perspectiva do quão será ruim o segundo. Então, se isso for a queda, o coice vem com as tenebrosas revelações da Operação Lava Jato. Agora, o dinheiro desviado da Petrobras entrou na campanha política dos presidentes Lula e Dilma. Temos um governo com o mais baixo nível de popularidade da história do país (comparando-se ao governo Collor de Mello em 1992), que é apático para estancar a crise. O Brasil, não está no fundo do poço, ainda, porque ele continua caindo. O pior em tudo isso é que as pessoas que comandam não estão percebendo que isso pode desaguar numa situação social complicada, com consequências drásticas, inimagináveis.

O que devemos fazer? A impressão é que quanto mais pessimistas formos, mais estaremos contribuindo para intensificação da crise e não bem isso. Estamos pessimistas porque vimos nossos sonhos se transformarem em fumaça, tanto quanto estamos vendo nossos empregos sumirem. Isso é motivo para preocupação? Claro que é! Não há perspectiva de aumento de emprego para este ano e o início de 2016 deve trazer mais desemprego. Quanto ao fundo do poço, a gente espera para saber se o governo fica no ajuste fiscal ou se vai aumentar os impostos.

Artigo: “Horas extras e outros direitos trabalhistas dos bancários e equiparados”

Por Gilberto de Jesus, advogado

Para além daqueles que trabalham em bancos conforme estabelecido nos artigos 17 e 18 da Lei 4.595/64, são também bancários aqueles que trabalham em factorings, corretoras de seguro e de câmbio, representações de crédito, assessorias financeiras, empresas que atuam no mercado financeiro e bolsa de valores, consórcios, empresas de informática e processamento de dados que prestam serviços a instituições financeiras, empresas terceirizadas que prestam serviços a estes tipos de empresas equiparadas a instituições financeiras, empresas que façam parte de grupo econômico em que exista instituição financeira.

A legislação específica que rege a profissão determina que seja cumprida a carga horária de 30 horas semanais distribuídas nos dias úteis durante seis horas contínuas

Além disso, também dispõe que a duração normal do trabalho estabelecida deve ficar compreendida entre 7 e 22 horas, assegurando-se ao empregado, no horário diário, um intervalo de 15 minutos para alimentação.

Se o trabalhador é considerado bancário, segundo a jornada diária estará reduzida, obrigatoriamente, a seis horas. Ultrapassado esse limite, deverá haver o pagamento de horas extras (7ª e 8ª horas).

É importante saber que sobre as horas extras refletem em férias, 13º, FGTS, PLR e outras verbas, alcançando valores significativos ao bancário. Logo, há grande prejuízo quando esses não as recebem. Eis a sua importância.

Para a Justiça do Trabalho considera-se a realidade dos fatos e os direitos trabalhistas. Em razão disso, muitos bancários e funcionários de empresas equiparadas podem recorrer à Justiça do Trabalho, para que seja “desconfigurado” o cargo de confiança uma vez que não há de fato cargo de confiança para bancários e equiparados, a fim de que lhe sejam pagas todas as horas extras – as que ultrapassaram o limite de 6 horas diárias.

Há certa complexidade em definir o que é, exatamente, o cargo de confiança. Tanto é verdade, que até mesmo os juízes e mestres têm divergência quanto ao tema. Certo é, que, em diversos casos, a Justiça do Trabalho reconhece a inexistência do cargo de confiança, condenando os empregadores bancários no pagamento das horas extras trabalhadas, durante todo o contrato de trabalho (retroativas).

É necessário analisar o poder de mando e gestão do trabalhador, para saber se há cargo de confiança.Na Justiça do Trabalho há exemplos de casos em que o cargo era considerado de confiança, mas a analisar a situação a Justiça afastou a hipótese culminando com a condenação do banco ou da empresa equiparada ao pagamento das horas extras, que excederam o limite de 6 horas diárias.

Em vários casos fica clara a inexistência de poderes administrativos e de gestão do empregado, assim como a falta de subordinados e que muitas vezes a função desenvolvida pelo funcionário é comandada diretamente por um superior.

O nome ou tipo de cargo não o torna “cargo de confiança” e tampouco muda a realidade, a lei assegura direitos sempre em função da verdade dos fatos.

Artigo:O que esperar?

Por Tiê Felix

Kant dizia que uma das questões fundamentais do homem é a resposta a seguinte questão: o que posso esperar?

É uma questão utópica e escatológica, remete ao futuro.

Pergunto então: o que podemos esperar?

Do Brasil? Nada!

A verdade seja dita: o Brasil é um país desumano. Um sujeito qualquer que ainda há de nascer, se por acaso vier a nascer nas terras tropicais do hemisfério Sul da América, verá realmente muita miséria e muita desgraça nesse país de faz de conta.

O Brasil não é lindo coisa nenhuma. Mesmo sua natureza é depredada continuamente pelo mau uso e pela ignorância dos poderes e do próprio povo. Os animais nem sequer são reparados, inclusive em sua beleza ou encanto. O brasileiro é incapaz de perceber tais coisas. Nem mesmo o clima, a alternância das estações do ano por aqui representam pouca coisa. Sabe-se que é calor desde sempre e que pouco há de diferença entre as estações de ano…

Mas temos de arranjar uma forma de elogiar, se for possível.

A politica é ainda mais ridícula, e a culpada de tudo. O Brasil é um belo exemplo do que não se fazer, de como não fazer qualquer coisa em qualquer aspecto do mundo social e privado. O melhor aprendizado que o Brasil tem a dar ao mundo é o mau exemplo, ou melhor dizendo, sua incapacidade de fazer coisas fáceis. Não há método nenhum no Brasil e todo método é imitação.

Não há como seguir exemplos estrangeiros e não há exemplos para o Brasil. Mesmo um exemplo dá errado se trazido ao Brasil.

O Brasil é o filho burro de sua época. Nasceu numa época idealista, uma época que todo o discurso histórico exalta. Renascimento,Reforma,ciência,grandes navegações:o que sobra para o Brasil?A incapacidade de fazer parte dessa história. Os séculos XV e XVI foram demasiados, para o Brasil não havia lugar dentre tantas ocasiões interessantes.

O Brasil é filho dos jesuítas, dos guerreiros de Deus. O que nos resta dos jesuítas? O catolicismo pós-catolicismo, ou seja, uma religião duas vezes falsa e por isso claramente empurrada dogmaticamente. O Brasil é positivista:acredita na ciência mesmo sem produzi-la. É o país dos bacharéis: tem mais lábia que ação e a oratória é o que define a verdade e não a veracidade mesma. O brasileiro gosta mesmo é da mentira: ela é mais realista num lugar em que tudo é mentira, até mesmo aquela promessa eterna de desenvolvimento que nunca aconteceu e nunca acontecerá pela cronicidade da nossa situação.

Quem quiser coisa mais conveniente que busque em si mesmo suas garantias.

Tiê Felix é professor

Artigo: SINIAV mostra indícios que deverá ser postergado

Por Ricardo Simões

O Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (SINIAV) promete monitorar a frota veicular circulante no Brasil, através de um chip de identificação por radiofrequência. O dispositivo deve conter informações sobre o veículo – número serial do chip, placa, chassi, código RENAVAM e também dados privados, para veículos de empresas. A implantação do sistema foi proposta na resolução do Contran 212, de 13 de novembro de 2006, e tem data de conclusão em 30 de junho.

O funcionamento é simples, o chip, deve ficar posicionado no para-brisa e é semelhante aos dispositivos de cobrança automática utilizados nos pedágios, envia informações por radiofrequência para antenas instaladas ao longo das vias que direcionarão as informações para as centrais de processamento, onde será verificada a situação do veículo rastreado.

Depois de implementado, o sistema deve trazer inúmeras vantagens para a gestão de trânsito. Entre elas, o perfil de deslocamento de veículos em uma determinada região, informações sobre a regularidade de taxas e impostos, cobrança de pedágio por quilômetro percorrido ou mesmo a fiscalização através do cálculo de velocidade média entre pontos.

O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) delegou a instalação do SINIAV aos Detrans de cada estado, responsáveis pelas informações de licenciamento dos veículos. As resoluções do Contran 412/2012 (que revogou a resolução nº 212/06) e433/2013 definem os procedimentos do sistema. Existem iniciativas e projetos pilotos em andamento no país, mas as infraestruturas, tanto por parte de cada estado quanto ao que compete ao Denatran, ainda carecem de preparativos para serem introduzidas na rotina dos motoristas.

Os Detrans precisam de orientações mais detalhadas em relação aos procedimentos de instalação e também sentem insegurança quanto ao padrão do sistema. A maior preocupação é o fato de não terem orçamento específico para o SINIAV, já que a resolução 412 do Contran não determina quem irá arcar com os custos de instalação e demais equipamentos.

De acordo com o Denatran, o sistema central, que reunirá os dados vindos de todos os estados, já está pronto para operar, o que falta é a integração dos Detrans ao sistema. O prazo está próximo, se os Detrans não têm orçamento e ainda não estruturaram uma rede de dados capaz de dialogar com o sistema central, tudo leva a crer que o prazo será novamente postergado.

OPINIÃO: “Cortes no Orçamento”

Por Maurício Assuero

Depois de muita espera o governo divulgou, na sexta 22.05, o tamanho do corte imposto ao nosso combalido orçamento: R$ 69,9 bilhões! Quase que Levy ia embora do governo porque ele queria mais e nem apareceu para anunciar as medidas junto com Nelson Barbosa (Ministro do Planejamento). Levy queria mais e, no fundo, ele tem razão porque sua vontade seria resolver a questão de uma vez por todas e não precisar, num segundo momento, justificar a necessidade de novos cortes. Foi complicado convencê-lo a permanecer, mas a equipe continua.

Nós já tivemos oportunidade de dizer, neste espaço, que o corte é necessário (embora o momento de ter sido proposto está defasado de uns quatro anos), agora mais uma vez o governo passa o recibo de infantilidade porque cortou valores de ações fundamentais para o crescimento econômico. O ministério da saúde perdeu R$ 11,9 bilhões e visto dessa forma o governo prefere o trabalhador doente, fora do sistema produtivo, entregue ao sistema de saúde, gerando mais despesas. Neste ano a quantidade de casos de dengue, zika, e outras mazelas cresceu mais do que o PIB ao longo dos 12 anos de governo petista.

Retirar R$ 9,32 bilhões da educação, atingido programas como o Ciência sem Fronteira (lembre que este programa foi criado para incrementar o desenvolvimento tecnológico do país), ou mesmo ser obrigado a alterar as condições do FIES por absoluta falta de planejamento, é simplesmente idiotice. Cabe lembrar que as medidas contingenciais afetam diretamente os trabalhadores (abono salarial só será pago com 90 dias de trabalho e não mais 30; o seguro desemprego só terá acesso aquele que tiver mais de doze meses de trabalho com carteira assinada, etc.) e não há uma linha sequer em relação aos programas sociais, famigerados programas sociais, que simplesmente agem como um cordão umbilical gerando uma dependência infinita dos beneficiários perante o governo e que se transforma em votos. Esse é o X da questão: os partidos não estão interessados em equilibrar as contas. Estão interessados em se manter no poder.

Vamos mais uma vez falar do Programa Bolsa Família. Não há dúvida de que ele foi importante para melhorar o índice de miséria do país. Agora, comemorar o aumento de pessoas beneficiadas com o programa é burrice! A gente tem que comemorar é a quantidade de pessoas que saem do programa e se saem o fazem porque encontraram um trabalho digno, um trabalho que resgate a cidadania. Note que os beneficiados do programa não geram um centavo sequer para o PIB, para a previdência porque se trabalham estão na informalidade. Enquanto isso, um trabalhador de carteira assinada tem seu emprego ameaçado pela situação econômica que o governo gerou. A política está errada porque está retirando recursos do sistema produtivo e aí fala-se do aumento da produtividade como a saída para o crescimento econômico. Pode até ser, no entanto, hoje é uma questão de sobrevivência: se uma empresa tem 100 empregados demite 10 para se enquadrar num nível de custos adequado. Agora o fato é que os 90 que ficaram precisam trabalhar pelos 100. Aumento de produtivo assim é sobrevivência.

Consumidor acredita em mais inflação e desemprego, diz pesquisa da CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou ontem (27) que o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) de maio ficou praticamente estável em relação a abril, com 98,7 pontos. O resultado mantém o índice no menor valor desde junho de 2001, informou a confederação.

Na pesquisa, o indicador de expectativa de inflação aumentou 3,1% e o de expectativa de desemprego subiu 2,7% na comparação com abril. Conforme a metodologia utilizada, informou a CNI, a alta dos dois indicadores mostra que subiu o número de pessoas que espera a queda da inflação e do desemprego nos próximos seis meses.

A pesquisa mostra ainda que a população tem uma avaliação mais negativa da situação financeira, e pretende reduzir as compras de maior valor. O indicador de situação financeira caiu 1% e o de compras de maior valor recuou 4,4% em relação a abril.

Feita em parceria com o Ibope Inteligência, esta edição do Inec ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios, entre os dias 14 e 18 deste mês.

Artigo: A crise atual

 Por Tiê Felix

Um dos projetos da modernidade, resultante das revoluções burguesas é a educação universal. Há quem pense que há uma predisposição natural ao homem em aprender e desenvolver aptidões. Quem pensa assim desconhece que naturalmente ninguém quer se dispor a realizar alguma atividade se não tiver um retorno mínimo, inclusive financeiro.

Ninguém, nem mesmo as crianças, se disporão a aprender seja lá o que for se não houver o mínimo de disciplina e imposição: a educação só é possível se é imposta. Os estudiosos da pedagogia não fazem pesquisas tentando entender o problema da educação no Brasil não somente como um problema de método e didática, mas também de ordem social e, sobretudo, individual. A educação pressupõe responsabilização, já que o aprendizado é condicionado por aquele que aprende principalmente. Como chamar atenção dos alunos quando eles não conseguem ver um horizonte para além da alegria de terminar a penúria dos seus estudos? Como provar que vale a pena estudar onde só vemos ignorância, como no Brasil? Onde foi que a educação deu provas de valor em nosso país?

Numa sociedade desigual e injusta não faz sentido estudar. Numa sociedade em que os interesses mesquinhos e das indicações políticas predominam, de que adianta estudar se não tiver um pistolão que lhe encaixe em uma posição de conforto social? Nosso problema é que não há uma percepção clara da fraqueza que cerca as posições tomadas pelos agentes públicos. Quando há uma grande gama de pessoas que apenas estão ali ocupando aquele espaço por ordem política pouco há que se fazer na prática. Sabem todos os indicados que somente ocupam aquele espaço provisoriamente e que não pode fazer muita coisa já que o seu candidato daqui há alguns anos vai sair do poder. Enfim, não há durabilidade nas ações; longo prazo nem pensar, tudo é provisório.

Uma sociedade que não calcula suas possibilidades e que não se planeja não realiza nada, vive no marasmo do atraso. O Brasil é assim em todas as partes. Pela falta de organização daqueles que governam pouco se pode fazer no que diz respeito as grandes questões de longo prazo. Toda a desesperança política que ronda a opinião coletiva não é mais do que a falta de percepção do que está sendo feito agora com o fim de amenizar os problemas do futuro.

A crise que atinge nosso país atualmente não foi prevista e nem sequer foi vista. Não pensem que durante as campanhas políticas o Partido dos Trabalhadores estava mentindo quando as pioras subsequentes. Eles nem sequer sabiam disso, não tinham domínio sob aquilo que faziam, assim como agora também não tem. Tampouco outros grupos políticos hoje fariam diferente. Nosso problema é de outra ordem, é da ordem da honestidade e realismo que nos falta em todas as esferas. A hipocrisia do faz-de-conta-que-faz mantém a aparência de funcionamento numa sociedade que tudo está falido, da educação à política.

O que vemos hoje é o reajuste dos lucros desmesurados que devem ser ressarcidos as classes que dominam. Quem paga a conta são os despossuídos, os que nada tem e nada terão porque não tem governo para eles.

Tiê Felix é professor