Queda dos juros

Por Maurício Assuero

A última reunião do COPOM levou a taxa de juros básica para 6,75% ao ano, a menor já vista desde a implantação do Plano Real. Minha passou a sensação de que isso teve muito mais cunho político do que econômico. No meu entender, alguém está querendo dizer que “no meu governo, baixamos a taxa de juros para o menor patamar dos últimos 24 anos”. No governo Lula a taxa chegou em 7,25% ao ano e depois a economia não suportou esse estágio, atualmente não vejo argumentos econômicos que justifiquem novas reduções.

Seguramente a redução da taxa de juros é um dos requisitos para que a economia volte a crescer porque favorece a retomada do investimento. O problema é que a redução da taxa de juros não se reflete imediatamente no sistema econômico. Enquanto, por um lado, temos movimentação positiva no financiamento de veículos, por outro temos, ainda, o incômodo de taxas elevadas como o caso do crédito rotativo via cheque especial ou cartão de crédito.

É muito bom a indústria automobilística retomar seus financiamentos porque isso tem impacto na cadeia produtiva que envolve o setor, mas quando a gente fala do cartão de crédito, a gente está falando daquele consumidor que não tem renda suficiente para adquirir um carro, mas vai ao supermercado fazer compras com o cartão de crédito. Então, para esse grupo de pessoas, ter uma taxa menor no crédito rotativo é muito mais fundamental do que ter uma linha de crédito disponível para comprar um carro zero.

Desde o ano passado que as regras no cartão de crédito mudaram. Agora, se você amortiza sua fatura, o valor não pago, acrescido dos juros sobre este saldo devedor, deverá ser pago na fatura do mês seguinte e isso obriga o consumidor a ter cuidado ou até mesmo reduzir suas compras para não comprometer sua renda no mês seguinte. Então, o uso do cartão acaba sendo maior naquele contingente de consumidores que pagam a fatura integralmente a cada mês.

Vivemos, essencialmente, uma enorme contradição. A inflação controlada (por algum tempo), a taxa de juros baixa e a economia sem decolar. No final do ano passado houve uma pequena animação com o crescimento dos últimos dois trimestres do ano, mas isso não foi suficiente para reduzir a taxa de desemprego e até o momento o governo não tem demonstrado interesse em resolver esta questão, tomando como exemplo a escolha da deputada Cristiane Brasil, sem qualquer critério técnico que justificasse. Omais degradante é que a ministra foi escolhida por ser filha do dono do partido que dita as cartas no ministério e não porque tivesse alguma contribuição efetiva a dar.

Pedro Augusto é jornalista e repórter do Jornal VANGUARDA.

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