O Carnaval de Aliança – O Carnaval das Tradições consolida o município de Aliança, na Mata Norte de Pernambuco, como um dos territórios mais representativos da cultura popular do Estado. A cerca de 70 quilômetros do Recife, a cidade se transforma em um grande espaço de vivência cultural, onde o maracatu, os cortejos, a música e os encontros comunitários expressam um patrimônio vivo, construído e preservado no cotidiano da população.

Realizado pela Prefeitura Municipal de Aliança, com produção da Afonso Oliveira Produções e da Roda Produções, e patrocínio do Governo de Pernambuco, do Banco do Nordeste e do Governo Federal, o Carnaval se destaca por valorizar as tradições locais e os saberes ancestrais que atravessam gerações.

Um dos pontos altos da programação foi ontem, domingo de Carnaval (15). Moradores e visitantes participaram da visita às sedes dos maracatus no Sítio Chã de Camará e Upatininga, onde acontece a tradicional chegada dos grupos que se preparam para os cortejos. Ali, os brincantes se concentram para só voltar para casa na Quarta-Feira de Cinzas, depois de várias apresentações pelas cidades pernambucanas.
O momento funciona como um ritual coletivo de fé, pertencimento e afirmação cultural, em que o maracatu é parte estruturante da vida comunitária e da memória das famílias.
A partir das 16h, o Pátio da Cultura se transformou no tradicional Encontro dos Maracatus, reunindo a Orquestra Zezé Correia e o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, dois importantes patrimônios culturais do município. Além desses dois grandes grupos que representam a cultura local, vinte e dois grupos de maracatus rurais se apresentaram. Um espetáculo de cores, ritmos e ancestralidade, reafirmando o papel do maracatu como símbolo identitário da região.
O Encontro dos Maracatus também teve seu momento áureo com a apresentação de Maciel Salu. Filho do grande Mestre Salustiano, filho de Aliança, e que morreu em 2008. De lá pra cá, Maciel Salú ainda não tinha voltado aos palcos da cidade natal de seu pai, e contou que foi uma emoção muito grande ver a continuidade dos maracatus deixada também por Mestre Salustiano. O show de Maciel foi uma forma de ampliar o diálogo entre tradição e contemporaneidade, evidenciando a força da música de raiz pernambucana.
Mais do que um evento festivo, o Carnaval de Aliança se afirma como um espaço de salvaguarda, celebração e renovação da cultura popular, fortalecendo vínculos comunitários e reafirmando a identidade cultural da Mata Norte pernambucana. E tem mais carnaval nesta segunda e terça-feira de carnaval.
PROGRAMAÇÃO:
Segunda-feira – 16/02
10:00 – Bloco do Povo com André Marreta
12:00 – Cintia Barros
19:00 – Bloco O Sambaço
22:00 – Os Talhas
00:00 – Andrielly
Terça-feira – 17/02
10:00 – Encontro dos Maracatus na sede da Associação dos Maracatus de Pernambuco
17:00 – MC Tróia
19:00 – Thayk
21:00 – Carina Lins
ENCONTRO DOS MARACATUS
O Encontro dos Maracatus do Carnaval de Aliança é dedicado ao Maracatu Rural, também conhecido como Maracatu de Baque Solto, uma das expressões mais emblemáticas da cultura popular da Zona da Mata Norte de Pernambuco. Diferente do maracatu-nação (baque virado), o baque solto tem forte ligação com o universo canavieiro, com as comunidades rurais e com as brincadeiras tradicionais do interior.
O encontro é realizado pela Associação dos Maracatus de Baque Solto de Pernambuco, entidade que articula, representa e fortalece os grupos dessa tradição em todo o estado. A iniciativa garante organização, preservação dos rituais e valorização dos mestres e brincantes.
No palco e nas ruas, o público presencia a força dos caboclos de lança, com suas golas bordadas, lanças ornamentadas e uma estética que é ao mesmo tempo guerreira, sagrada e espetacular. O ritmo é marcado por trombone, caixa, bombo, mineiro e a poesia dos mestres, que improvisam versos cheios de crítica social, humor e sabedoria popular.
O Encontro dos Maracatus de Baque Solto não é apenas uma apresentação artística — é um ato de resistência cultural. Ele celebra a memória dos trabalhadores da cana, a religiosidade popular, a ancestralidade afro-indígena e o orgulho das comunidades da Mata Norte. Em Aliança, território histórico dessa tradição, o momento ganha dimensão simbólica: é o maracatu voltando às suas raízes, ocupando o espaço público como identidade viva.
Esse encontro reafirma o Carnaval de Aliança como território das tradições, onde o espetáculo nasce da comunidade e a cultura não é encenada — é vivida. gonguês e a tradição que remonta às festividades populares.
Este momento é considerado de grande impacto emocional, pois expressa identidade, pertencimento e resistência cultural, sendo um dos pontos altos do Carnaval fora do eixo metropolitano.
A participação em Aliança celebra a força das tradições locais e a continuidade desses saberes por meio dos grupos que mantêm viva essa prática de geração em geração.
MACIEL SALU
Maciel Salu é um artista pernambucano de grande destaque na cena da cultura popular, herdeiro da tradição do Mestre Salustiano, uma das figuras mais reverenciadas da música e cultura de Pernambuco.
Salu se notabiliza por unir em sua obra elementos de maracatu, coco, ciranda e outras linguagens populares, mantendo viva a cultura tradicional enquanto dialoga com o contemporâneo.
Seu trabalho é caracterizado por forte expressão rítmica, arranjos que valorizam a ancestralidade musical e performances que envolvem o público em uma experiência de celebração comunitária.
A trajetória de Maciel reflete a riqueza cultural da Zona da Mata, destacando o papel da música como ferramenta de resistência e preservação identitária. No Carnaval de Aliança, sua apresentação representa um encontro entre tradição e festa, mostrando como a cultura popular segue pulsante nas ruas e no coração das comunidades.
