Fagner dos Animais declara apoio a Anderson Luiz para deputado estadual

O secretário de Sustentabilidade e Bem-Estar Animal de Caruaru e vereador licenciado Fagner dos Animais (PDT) declarou, neste sábado (8), apoio à candidatura de Anderson Luiz a deputado estadual. A adesão reforça a articulação política de Anderson em Caruaru e amplia o grupo de lideranças que vêm se somando ao seu projeto para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Fagner, que foi aliado histórico do ex-prefeito Zé Queiroz, passou a se aproximar da gestão do prefeito Rodrigo Pinheiro e tornou-se um admirador da administração municipal, assumindo posteriormente a Secretaria de Sustentabilidade e Bem-Estar Animal. Hoje, segundo sua avaliação, a melhor opção para Caruaru é ampliar o chamado time do avanço, fortalecendo uma articulação política capaz de levar benefícios não apenas para o município, mas para toda a região.

Ao anunciar o apoio, Fagner destacou a importância da união, do diálogo e do trabalho na construção de novos caminhos. “Acredito que o futuro se constrói com união, diálogo e trabalho. Ao lado de Anderson Luiz, seguimos acreditando na força das boas ideias e na construção de novos caminhos”, afirmou.

Anderson Luiz agradeceu o apoio e ressaltou a atuação do secretário e vereador licenciado. “Fagner é uma liderança atuante, com um trabalho importante em defesa da causa animal e das políticas de sustentabilidade e bem-estar. Recebo esse apoio com muita alegria e responsabilidade. É uma parceria que fortalece nossa caminhada e a construção de um projeto cada vez mais conectado com as necessidades de Caruaru e de Pernambuco”, afirmou.

Confira o tempo de TV e rádio dos candidatos ao Governo de Pernambuco

Por Pedro Beija – JC

O candidato ao Governo de Pernambuco pela Frente Popular, João Campos (PSB), deverá ter o maior tempo de propaganda no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão nas eleições de 2026. Cálculo realizado pela reportagem do Jornal do Commercio, com base na metodologia prevista na Lei nº 9.504/1997, indica que o socialista terá 4 minutos e 32 segundos em cada bloco da propaganda eleitoral.

A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), aparece em seguida, com 3 minutos e 51 segundos. Já o candidato da Federação PSOL-Rede, Ivan Moraes (PSOL), deverá contar com cerca de 36 segundos por bloco.

O levantamento considera a composição das coligações registradas em Pernambuco e o número de deputados federais eleitos em 2022 pelas legendas que as integram e que atingiram a cláusula de desempenho prevista na Emenda Constitucional nº 97.

Ao todo, oito candidatos disputam o Governo de Pernambuco. Além de João Campos, Raquel Lyra e Ivan Moraes, também concorrem Professora Camila (UP), Guilherme Fonseca (PSTU), Renan (Missão), Professor Jeremias do Banco (Democrata) e Victor Assis (PCO). As cinco candidaturas, no entanto, não deverão ter tempo nos blocos do horário eleitoral gratuito, já que seus partidos não possuem representação na Câmara dos Deputados apta à distribuição prevista na Lei das Eleições.

Confira abaixo os tempos de TV e Rádio dos candidatos ao Governo de Pernambuco:

Pela metodologia prevista na Lei nº 9.504/1997, o tempo estimado para cada bloco do horário eleitoral gratuito é o seguinte:

  • João Campos (PSB): 4 minutos e 32 segundos
  • Raquel Lyra (PSD): 3 minutos e 51 segundos
  • Ivan Moraes (PSOL): 36 segundos

Entenda o cálculo

A Lei das Eleições estabelece que, nas eleições em que há renovação de dois terços do Senado Federal, caso de 2026, os blocos do horário eleitoral para governador têm duração de nove minutos, tanto no rádio quanto na televisão.

Desse total, 90% do tempo são distribuídos proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos pelas legendas que compõem cada coligação ou federação apta, enquanto os 10% restantes são divididos igualmente entre todas as candidaturas.

Para o cálculo, o JC considerou o número de deputados federais eleitos em 2022 pelas legendas que atingiram a cláusula de desempenho e integram as coligações e federações que disputam o Governo de Pernambuco, conforme os critérios previstos na Lei nº 9.504/1997.

Com isso, a Frente Popular de Pernambuco soma 206 deputados federais; a coligação Pernambuco de Coração reúne 173 deputados; e a Federação PSOL-Rede conta com 15 deputados, totalizando 394 parlamentares considerados na distribuição do tempo.

Os tempos apresentados representam uma estimativa elaborada pelo Jornal do Commercio a partir dos critérios definidos na legislação eleitoral. A distribuição oficial do horário eleitoral gratuito será homologada pela Justiça Eleitoral durante a elaboração do plano de mídia da campanha.

Prefeitos de Afrânio e Bodocó deixam MDB e se filiam ao PSD de Raquel Lyra

Do Blog da Folha

Ontem (7), três lideranças políticas oficializaram a filiação ao Partido Social Democrático (PSD), sigla da governadora Raquel Lyra. Os prefeitos Cloves Ramos, de Afrânio, e Otávio Pedrosa, de Bodocó, além do ex-prefeito de Afrânio Rafael Cavalcanti, deixaram o MDB para integrar o partido. As articulações foram conduzidas pela própria governadora. O MDB, antigo partido dos três políticos, integra a base de apoio do também candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB).

“Nosso time só aumenta, e todos têm o mesmo objetivo, que é continuar levando Pernambuco ao lugar de protagonismo que merecemos. Sou grata a Otávio, Cloves e Rafael, que se juntam ao nosso time e representam um grupo fundamental no Sertão. Vamos continuar dialogando e construindo pontes com as lideranças que verdadeiramente querem o melhor para a nossa população”, destacou a gestora.

Para o prefeito de Bodocó, a renovação do apoio de todo o grupo, que vem desde o segundo turno de 2022, se justifica pelo ritmo de entregas e ações que vão do Litoral ao Sertão do Estado. “Raquel é uma mulher forte e tem uma trajetória inspiradora. Esse apoio se deve muito ao trabalho que ela fez não só por Bodocó, mas por todo o Estado. Nossa população viu muitos sonhos saírem do papel”, afirmou Otávio.

Já o prefeito de Afrânio disse que a população relata as melhorias em diversas áreas, e a condução de seu grupo político vai de encontro a esse sentimento. “Nosso apoio não podia ser outro. Raquel tem uma visão de cuidado por todos os municípios de Pernambuco, e com Afrânio não está sendo diferente. A população traz esse sentimento claro de mudança, de que muita coisa está melhorando em relação à segurança, educação e, principalmente, abastecimento d’água”, ressaltou.

Rafael Cavalcanti, ex-prefeito de Afrânio, por sua vez, avaliou que Raquel tem destravado entregas que eram sonhos para a população do município. “Para muitos, Afrânio é o último município de Pernambuco antes do estado do Piauí. Para nós, é o primeiro, e a governadora tem nos atendido com esse olhar. Conseguimos encaminhar a resolução para um problema de abastecimento na nossa cidade, além de tantas outras mudanças em estradas, assistência e educação”, pontuou.

Urna eletrônica ganha nova interface para tornar votação mais acessível e intuitiva

Urna eletrônica Eleições 2026

Símbolo da democracia, as urnas eletrônicas passam a contar com algumas mudanças para as Eleições Gerais de 2026 que vão facilitar o uso pelo eleitor. A Justiça Eleitoral buscou identificar as principais dificuldades encontradas pela população na hora de votar e fez as devidas adaptações nos equipamentos, tudo para aprimorar a experiência do eleitor em um dos momentos mais importantes da vida cidadã.

Uma das modificações levou em consideração a dificuldade enfrentada nas últimas eleições por pessoas com deficiência visual, como o assistente administrativo Silvio Trindade. Na hora de exercer o direito ao voto, ele precisou se aproximar da tela da urna eletrônica e, em alguns momentos, recorrer a uma lupa para conseguir ler as informações exibidas durante a votação. Com novos tipos e tamanhos de letra, adaptados nas urnas, a situação foi corrigida.

Além da nova fonte tipográfica voltada à legibilidade, as urnas passam a contar também com telas de votação renovadas e uma barra de progresso, que permitirá ao eleitor acompanhar, em tempo real, o andamento da votação. Também foi ampliado o uso de intérpretes de Libras em diferentes etapas da interação com a urna eletrônica.

Ao testar a nova interface, que será utilizada nas Eleições 2026, a percepção de Silvio Trindade foi diferente. “As letras estão mais definidas, a fonte ficou melhor e a barra de progresso ajuda bastante a acompanhar a votação. Dessa forma, eu acredito que nem preciso usar a lupa”, relata.

A experiência de Silvio ajuda a ilustrar o objetivo das mudanças implementadas pela Justiça Eleitoral para o próximo pleito: tornar a votação mais acessível, intuitiva e fácil de acompanhar por todas as pessoas.

Nova fonte facilita leitura

Uma das mudanças mais perceptíveis está nos textos exibidos pela urna eletrônica. A Justiça Eleitoral passou a utilizar a fonte Atkinson Hyperlegible, desenvolvida pelo Braille Institute, organização especializada em acessibilidade para pessoas com deficiência visual.

O desenho das letras privilegia contraste, espaçamento e definição dos caracteres, características que favorecem a leitura e ajudam a explicar a percepção positiva observada durante os testes com usuários.

Barra de progresso orienta eleitor durante o voto

A inclusão de uma barra fixa na parte superior da tela da urna eletrônica serve como um indicador visual das etapas da votação, mostrando ao eleitor quais cargos já receberam voto e quais ainda serão apresentados.

Segundo o chefe da Seção de Voto Informatizado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rodrigo Coimbra, a ferramenta torna o processo mais intuitivo, especialmente em eleições com vários cargos em disputa. “A barra de progresso funciona como um guia visual. Ela permite que o eleitor saiba exatamente em que etapa da votação está e quais cargos ainda faltam ser apresentados”, explica.

Soluções inspiradas em propostas da USP

Parte das mudanças implementadas na nova interface teve origem em propostas elaboradas por estudantes da Universidade de São Paulo (USP) em um concurso voltado ao aperfeiçoamento da acessibilidade e da experiência de uso da urna eletrônica. As sugestões apresentadas serviram de base para estudos conduzidos pela Justiça Eleitoral e contribuíram para o desenvolvimento de algumas das melhorias que estreiam nas Eleições 2026.

Segundo a professora Lucia Vilela Leite Filgueiras, da Escola Politécnica da USP, recursos voltados à legibilidade, à organização visual das informações e à orientação do eleitor durante a votação tendem a beneficiar todo o eleitorado. “Recursos como maior legibilidade, melhor organização visual das informações e mecanismos mais claros de acompanhamento do processo de votação contribuem para uma experiência mais simples e compreensível para qualquer pessoa”, afirma.

Os benefícios, destaca a pesquisadora, são especialmente relevantes para grupos que podem encontrar mais dificuldades durante a votação, como pessoas idosas, pessoas com baixa visão e eleitores com menor familiaridade com tecnologias digitais.

Mais recursos de acessibilidade

Para as Eleições 2026, também foram ampliados os recursos de acessibilidade já presentes na urna eletrônica. Além de informar o cargo em votação, os intérpretes de Libras passam a indicar situações como voto em branco, voto nulo e voto de legenda.

As novidades reforçam o compromisso da Justiça Eleitoral com a acessibilidade e o aperfeiçoamento contínuo da experiência de votação.

STF determina que PF apure possíveis crimes na execução de ‘Emendas Pix’

Anexo do edifício-sede do STFFoto: Andressa Anholete/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) verifique se há indícios de crimes a partir de irregularidades identificadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na execução de transferências especiais, conhecidas como “Emendas Pix”, entre 2020 e 2024. A decisão foi tomada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, que acompanha as medidas destinadas a aperfeiçoar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares.

Auditoria do TCU  

No relatório encaminhado ao STF em 31 de julho, o TCU analisou 100 transferências destinadas a 74 entes federados, que somaram R$ 198,1 milhões. As auditorias identificaram problemas de transparência e rastreabilidade, irregularidades financeiras, falhas em licitações e na execução física e contratual. Entre as ocorrências estão despesas sem documentação fiscal adequada ou incompatíveis com a finalidade da transferência e fraude. O relatório apontou prejuízos de R$ 26,36 milhões relacionados à movimentação em contas não específicas, de R$ 14,95 milhões decorrentes de irregularidades financeiras e de R$ 14,1 milhões por falhas na execução física e contratual.

Persistência de problemas 

Segundo o ministro, os dados mostram a persistência de problemas incompatíveis com as exigências constitucionais de transparência e rastreabilidade, apesar de medidas já determinadas pelo STF, como a apresentação de planos de trabalho com objetos definidos e o uso de conta específica para cada emenda.

Dino também determinou providências para corrigir falhas no portal Transferegov.br, que permite, entre outros problemas, o registro de informações genéricas nos planos de trabalho, alterações irrestritas de objetos, valores e metas e a manutenção de saldos bancários desatualizados. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos terá dez dias úteis para informar as providências adotadas ou necessárias para corrigir essas deficiências.

A decisão estabelece ainda que estados, Distrito Federal e municípios deverão adotar, a partir das leis orçamentárias de 2027, mecanismos objetivos para identificar as emendas parlamentares, com uso obrigatório da codificação contábil padronizada pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Outras providências 

O ministro determinou também que o Executivo, a Câmara e o Senado prestem informações sobre a rastreabilidade das emendas de comissão. A Advocacia-Geral da União (AGU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério da Saúde receberam outras determinações relacionadas ao acompanhamento, à fiscalização e à aplicação dos recursos de emendas parlamentares. Todos os prazos fixados são de dez dias úteis.

Leia a íntegra da decisão.

20 anos da Lei Maria da Penha: decisões do STF ampliaram a proteção às mulheres

Montagem com cinco rostos de mulheres de diferentes tons de pele e traços, parcialmente sobrepostos por faixas verticais translúcidas. Um contorno verde destaca a região central da imagemArte Lei Maria da Penha

Há duas décadas, a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) transformou a forma como o Brasil enfrenta a violência doméstica e familiar contra a mulher. Ao reconhecer essa violência como uma violação de direitos humanos e exigir uma resposta mais efetiva do Estado, a norma inspirou a criação de políticas públicas e modificou a atuação do sistema de Justiça.

Sancionada em 7 de agosto de 2006, a legislação segue como um dos principais instrumentos de enfrentamento da violência de gênero, com o respaldo de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que consolidaram a constitucionalidade da lei, ampliaram sua efetividade e reforçaram o dever do Estado de prevenir e combater esse tipo de violência.

Quem é Maria da Penha

A lei recebeu esse nome em homenagem à farmacêutica e bioquímica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, cuja trajetória se tornou símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil. Ela sobreviveu a duas tentativas de homicídio cometidas por seu então marido. A primeira, em 1983, ocorreu quando ele atirou em suas costas enquanto ela dormia, deixando-a paraplégica. Semanas depois, ele tentou eletrocutá-la durante o banho.

Apesar da gravidade dos fatos, o processo criminal se arrastou por anos sem uma resposta efetiva do Estado. Diante da demora do sistema de justiça brasileiro, Maria da Penha levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando a responsabilidade do Estado brasileiro pela negligência, demora e falta de efetividade na punição do agressor.

Em 2001, a CIDH responsabilizou o país por negligência, omissão e tolerância diante da violência doméstica e recomendou ao Brasil a adoção de medidas estruturais para proteção às mulheres.

As recomendações da CIDH, somadas à mobilização da sociedade civil, foram decisivas para a edição da Lei 11.340/2006, que passou a estabelecer mecanismos específicos de proteção às mulheres e a fortalecer a responsabilidade do Estado no enfrentamento desse tipo de violência.

Desde então, Maria da Penha passou a atuar como ativista na defesa dos direitos das mulheres, participando de campanhas, palestras e iniciativas de conscientização.

O que diz a lei

A Lei Maria da Penha cria mecanismos específicos para coibir e prevenir a violência doméstica contra a mulher e estabelece medidas especiais de proteção, assistência e punição, tomando como base o gênero da vítima. Nela, são descritas as formas de violência (física, psicológica, sexual, patrimonial e moral) e previstas desde medidas protetivas de urgência, como o afastamento do agressor da convivência doméstica, até a prisão preventiva e o aumento da pena para casos de agressão.

A norma ainda prevê a criação de Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a construção de casas-abrigo para mulheres e dependentes menores, a inclusão das vítimas em programas sociais e outros benefícios relacionados a questões de trabalho nas esferas pública e privada.

A lei é constitucional

Ao longo dos anos, o STF foi provocado a se pronunciar sobre diversos pontos da Lei Maria da Penha. A primeira ação sobre o tema a chegar à Corte tinha o objetivo de que a norma fosse aplicada de modo uniforme em todo o país, pois havia decisões judiciais que negavam vigência a alguns dispositivos ou os consideravam inconstitucionais.

Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 19, a Presidência da República, representada pela Advocacia-Geral da União (AGU), pedia a declaração da constitucionalidade dos artigos 1º, 33 e 41 da Lei Maria da Penha. O artigo 1º expõe os objetivos e os fundamentos da lei. O artigo 33 prevê que, enquanto não fossem estruturados os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, as varas criminais deveriam acumular as competências cível e criminal para julgar esse tipo de causa. Já o artigo 41 afasta desses casos a incidência das regras dos Juizados Especiais, que julgam delitos de menor potencial ofensivo.

Em 9 de fevereiro de 2012, por unanimidade, a Corte consolidou a constitucionalidade da norma e deu segurança jurídica para sua aplicação uniforme em todo o país, de maneira a vedar diferenças na sua interpretação. No julgamento, a ministra Rosa Weber (aposentada) enfatizou que a Lei Maria da Penha “inaugurou uma nova fase de ações afirmativas em favor da mulher na sociedade brasileira”. Nas palavras do relator da ação, ministro Marco Aurélio (aposentado), a lei “retirou da invisibilidade e do silêncio a vítima de hostilidades ocorridas na privacidade do lar e representou um movimento legislativo claro no sentido de assegurar às mulheres agredidas o acesso efetivo à reparação, à proteção e à justiça”.  Saiba mais.

Interesse público

Na mesma data, o Plenário também concluiu o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4424 e reconheceu a possibilidade de o Ministério Público (MP) dar início à ação penal sem necessidade de autorização expressa da vítima. O entendimento foi o de que exigir a representação da vítima acabava enfraquecendo a proteção dada pela Constituição às mulheres em situação de violência doméstica.

A decisão é importante para evitar que pressões, ameaças ou dependência econômica levem a vítima a desistir de entrar na Justiça. Consolidou-se, portanto, a compreensão da violência doméstica como uma questão de interesse público, e não apenas restrita à vontade da vítima ou ao ambiente doméstico.

Medidas protetivas

Em 2022, o STF reforçou a lógica de atuação preventiva da Lei Maria da Penha e o entendimento de que a efetividade das medidas protetivas exige respostas rápidas do Estado. No julgamento da ADI 6138, a Corte validou uma alteração promovida na norma para permitir que, em casos excepcionais, a polícia afaste o suposto agressor do domicílio ou do lugar de convivência quando for verificado risco à vida ou à integridade da mulher, mesmo sem autorização judicial prévia. Saiba mais.

Intenção da vítima

Em mais uma decisão voltada à proteção das mulheres, o STF definiu que o juiz não pode convocar, por iniciativa própria, uma audiência para que a vítima confirme se deseja desistir de processar o agressor em casos de violência doméstica em que a continuidade da ação depende de sua manifestação (ADI 7267).

Pela Lei Maria da Penha, nos crimes de lesão corporal leve e lesão corporal culposa (sem intenção), a vítima só pode desistir da representação em uma audiência perante o juiz, marcada especificamente para esse fim. O problema é que alguns magistrados passaram a convocar essa audiência mesmo quando a mulher nunca havia demonstrado intenção de desistir do processo.

Ao julgar o caso, o Supremo entendeu que essa prática contraria o objetivo da lei. Segundo a Corte, a audiência só pode ser realizada se a própria vítima pedir para retirar a representação. Obrigar a mulher a comparecer a esse ato, sem que ela tenha manifestado esse desejo, pode constrangê-la e enfraquecer a proteção garantida pela Lei Maria da Penha. Leia aqui.

Evolução da proteção

Em 2025, a jurisprudência evolui mais um passo em matéria de proteção às mulheres e às pessoas em situação de vulnerabilidade nas relações familiares, ao estender o alcance da proteção da Lei Maria da Penha às relações de casais homoafetivos do sexo masculino ou que envolvam travestis e mulheres transexuais (MI 7452).

O entendimento do Tribunal é de que a proteção conferida pela lei não pode ficar restrita ao sexo biológico da vítima, uma vez que a norma nasceu para combater relações de violência marcadas por vulnerabilidade e opressão no ambiente doméstico. Leia aqui.

Atuação do sistema de Justiça 

Em três recentes casos, o STF ressaltou que a proteção da dignidade, da igualdade e dos direitos das mulheres passa por uma atuação do sistema de Justiça livre de estereótipos de gênero e comprometida com a efetiva proteção das vítimas.

No primeiro deles (ADPF 779), em 2023, a Corte proibiu o uso da tese de “legítima defesa da honra” em crimes de feminicídio. Durante décadas, a tese foi utilizada no Brasil para relativizar a violência contra mulheres, amparada em uma lógica patriarcal que associava a honra masculina ao controle do comportamento feminino, tornando socialmente justificáveis o homicídio ou a agressão. Em 2023, essa tolerância foi rompida quando o Supremo a declarou incompatível com a Constituição.

Em 2024, o STF julgou inconstitucional a prática de questionar a vida sexual ou o modo de vida da vítima na apuração e no julgamento de crimes de violência contra mulheres (ADPF 1107). Caso isso ocorra, o processo deve ser anulado. O entendimento é o de que perguntas desse tipo perpetuam a discriminação e a violência de gênero, além de revitimizar a mulher, especialmente nos casos de violência sexual. Leia aqui.

Mais recentemente, ao julgar recurso em um processo conhecido como “Caso Mari Ferrer” (ARE 1541125), o Tribunal decidiu que provas produzidas em processos e julgamentos de crimes sexuais em que há violações de direitos fundamentais da vítima, especialmente em relação à dignidade e à honra, são nulas. Saiba mais.

Alcance da lei

Os avanços promovidos pela Lei Maria da Penha e pela evolução da jurisprudência do STF fortaleceram a proteção às mulheres, mas não esgotaram o debate. Diante das diferentes formas de violência de gênero, o Supremo voltou a discutir o alcance dessa proteção.

Em maio, a Corte iniciou o julgamento de um recurso (ARE 1537713) que decidirá se as medidas protetivas da lei podem ser estendidas a casos que ocorram fora do contexto doméstico, familiar ou de relação íntima de afeto. Leia aqui.

Agosto terá dois eclipses; saiba como assistir aos fenômenos

Rio de Janeiro - Luneta telescópica exposta na mostra Observatório Nacional – 190 anos: uma viagem no tempo e no espaço, no Museu Histórico Nacional (Fernando Frazão/Agência Brasil)

O mês de agosto traz dois fenômenos astronômicos que podem ser vistos a olho nu de diversas partes do mundo. Um eclipse solar total no hemisfério norte, e um eclipse lunar quase completo para alguns países das Américas, Europa e África, entre eles, o Brasil.

O eclipse lunar está previsto para a madrugada do dia 28 de agosto, com início às 23h30 (horário de Brasília) do dia 27 e com auge previsto para 1h do dia 28. Será possível avistar o fenômeno de todos os estados do país, e a previsão é de que até 95% da lua fique avermelhada.

Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional, explica que o plano de órbita da Lua em volta da Terra é inclinado a 5 graus, e o eclipse acontece quando esses dois corpos celestes se alinham diretamente com o Sol.

“Na Lua cheia você tem, nessa ordem, o Sol, a Terra e a Lua. E aí, o Sol batendo na Terra forma essa sombra no espaço, e quando a Lua entra nessa sombra, é que acontece o eclipse”, explicou.

Já o eclipse solar, previsto para o dia 12, poderá ser observado na sua totalidade por países como Espanha, Portugal, Rússia, Islândia e Groenlândia. E parcialmente em outras áreas do hemisfério norte, e também no norte do continente africano.

“Já aqui você tem Sol, Lua e Terra, e a sombra da Lua vai fazer um caminho pela Terra. Só quem está neste caminho é que vê o eclipse do Sol. Esse caminho é um caminho de 300 quilômetros de largura”, disse.

Como observar
Para assistir ao eclipse lunar que vai passar pelo Brasil não é preciso nenhum tipo de óculos ou técnica especial. Basta escolher um lugar aberto, com uma visão limpa para a lua e de preferência com pouca interferência de luz artificial.

Já para o eclipse solar, só é possível fazer a observação com óculos especiais certificados com a norma ISO 12312-2, ou máscaras com vidro de soldador número 14. Olhar diretamente sem proteção traz riscos sérios à visão e pode causar cegueira.

Eclipse solar
O eclipse solar total é resultado de uma coincidência cósmica, já que embora o Sol seja cerca de 400 vezes maior que a Lua, também está 400 vezes mais distante, o que faz com que o Sol e a Lua pareçam ter praticamente o mesmo tamanho.

Um eclipse solar acontece sempre na Lua Nova, bloqueando pelo menos parte da luz e criando a projeção de uma sombra. A pesquisadora do Observatório Nacional conta que, diferentemente do eclipse lunar, que fica visível para todos na metade da Terra onde é noite, o solar tem uma distância mais reduzida.

Fora do ponto que ele abrange, mesmo sendo total, ele se torna um eclipse anular, o que significa que a Lua não cobre o Sol por completo criando um anel de luz em volta.

Eclipse lunar
O eclipse lunar só acontece durante a Lua Cheia, e pode vir de três formas diferentes: total, parcial e penumbral. Quando a luz do Sol bate na Terra, cria dois tipos de sombras, a umbra (sombra mais escura) e a penumbra (uma sombra mais branda).

“Quando vai acontecer o eclipse da Lua, às vezes pode ser que ela entre só nessa penumbra. A gente não vê diferença alguma”, conta.

No eclipse total, a Lua passa pela penumbra, segue até passar completamente pela umbra, e então retorna para a penumbra.

“Esse eclipse agora do dia 27, ele é um eclipse parcial. A Lua não vai entrar totalmente na umbra, ela quase vai entrar. Vai funcionar como se fosse um eclipse total porque ela vai começar a ficar vermelha, e essa vermelhidão é o reflexo da luz do Sol batendo na atmosfera da Terra”, finalizou.

O Observatório Nacional vai transmitir ambos os eclipses de maneira gratuita através do seu canal no YouTube.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Tâmara Freire

Pai de Lionel Messi morre aos 68 anos na Argentina

O pai de Lionel Messi, Jorge Horácio, morreu neste sábado (8/8), aos 68 anos. Foto Instagram/leomessi

O empresário Jorge Horacio Messi morreu aos 68 anos de idade em Rosário, na Argentina. Ele é pai de Lionel Messi, jogador da seleção argentina e do Inter Miami CF. A causa da morte ainda não foi confirmada.

O jogador ainda não se manifestou publicamente sobre a perda do pai. O clube em que Lionel Messi iniciou a carreira, o Newell’s Old Boys, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmbebol), a Associações de Futebol Argentino (AFA) e outras organizações prestaram homenagens nas redes sociais.

O Newell’s Old Boys manifestou “dor profunda e pesar” pela morte de Jorge, “reconhecido como torcedor” do clube, empresário e pai do capitão da seleção argentina. A mensagem diz ainda que ele foi o “pilar” que sustentou com “visão, rigor e afeto a carreira do melhor jogador de todos os tempos ao lado da esposa, Celia Cuccittini”.

Outros clubes argentinos como River Plate, Club Atletico Tigre, Club Atletico Huracan e Rosário Central, também fizeram homenagens.

A Conmebol disse lamentar profundamente o falecimento e está “acompanhando com respeito e afeto a Lionel, sua família, amigos e seres queridos neste momento de dor profunda”.

A AFA, representada pelo presidente Claudio Tapa, “lamentou com tristeza” o fato. Disse estar ao lado “de toda a família neste duro momento”, desejou força e enviou “um abraço mais sentido, caloroso e afetuoso”.

A Real Federação Espanhola de Futebol apreentou “condolências” em seu perfil oficial e desejou “carinho e afeto para Lionel e para entes queridos nestes momentos dor profunda”.

O escritório argentino do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) destacou Jorge como benfeitor e lamentou a perda de Lionel, embaixador da instituição, descrito como “pessoa comprometida com os direitos das meninas e meninos”.

Desmatamento na Amazônia cai 36,87% no último ano

Humaitá (AM), 28/10/2025 - BR-319: ramais e estradas clandestinas avançam sobre áreas protegidas e facilitam desmatamento e mineração. Foto: Orlando K Junior/Divulgação

O desmatamento na Amazônia teve queda de 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026. Foram 2.874,38 km² de área sob alerta. É o menor valor desde 2016, quando iniciou a série histórica. Na medição do período anterior, a área sob alerta na região foi de 4.495 km².

O tamanho da área sob alerta é 55,6% inferior à média dos últimos dez ciclos, ou seja, de 2015/2016 a 2025/2026.

Os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) foram apresentados na tarde desta sexta-feira (7) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, São Paulo.

A divulgação dos dados coincide com o aniversário de 65 anos do instituto, completados no dia 3.

O Deter também analisou áreas de desmatamento no bioma Cerrado, apontando redução de 7,8%, com 5.119,46 km² de área identificados entre agosto de 2025 e julho deste ano. Diferente da Amazônia, nas áreas de Cerrado registradas, a maior parte é de propriedade privada.

O Deter utiliza imagens de satélite para identificar alterações na cobertura vegetal em grandes áreas. Os alertas emitidos pelo sistema permitem que os órgãos ambientais atuem com maior rapidez diante de indícios de desmatamento.

Entre os estados amazônicos, os maiores volumes de alertas de desmatamento foram registrados no Pará (987,27 km²), Mato Grosso (834,41 km²), Amazonas (433,9 km²), Roraima (272,6 km²), Acre (153,8 km²) e Rondônia (114,3 km²).

Em relação ao ciclo anterior, o Pará apresentou redução de 25,5%; o Mato Grosso, de 49%; o Amazonas, de 46,7%; o Acre, de 35,3%; e Rondônia, de 41,2%. Em Roraima, os alertas registraram aumento de 32,5%.

Desmatamento
O ano de 2025 registrou queda de 20,1% no desmatamento em todo o Brasil, em comparação com 2024.

A redução no desmatamento ocorreu em todos os biomas do país. No recorte por biomas, a queda mais expressiva no desmatamento ocorreu no Pantanal. Em 2025, foi 65,4% menor do que no ano anterior. Em seguida, o Pampa, com uma redução de 41,7%.

Na Caatinga, o desmatamento caiu 34,3%. Na Amazônia a queda foi de 15,8% e no Cerrado, a redução foi de 11,5%.

Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), desenvolvido pelo Inpe.

O Prodes faz o cálculo consolidado da taxa anual de desmatamento, funcionando como a referência oficial para medir a evolução da perda de vegetação ao longo do tempo.

A apresentação dos dados foi comentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente no evento. Em sua fala, ele lembrou que o governo dos Estados Unidos usou o desmatamento no Brasil como justificativa para impor tarifas extras aos produtos brasileiros exportados aos EUA.

Lula disse, então, que queria tirar uma foto no evento, tendo como pano de fundo os dados de queda do desmatamento para “mandar para o Trump”.

“Eu vim fazer do aniversário de 65 anos do Inpe a minha bandeira de defesa contra os tarifaços dos Estados Unidos contra o Brasil. Agora, em cada correspondência que a gente mandar para os Estados Unidos, a gente manda os dados do Inpe”, afirmou.

Lula afirmou também que “ninguém, nem os Estados Unidos, levam a questão climática a sério como leva o Brasil”.

Repercussão
Em nota, o Observatório do Clima comemorou os números do Deter.

“Os números apresentados hoje são históricos, fruto de políticas sérias de proteção ambiental, e provam que é plenamente possível cumprir o compromisso assumido pelo país de zerar e reverter o desmatamento até 2030”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo da entidade.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) também considera os números significativos para buscar a meta de zerar o desmatamento na região.

“Os dados do Deter indicam uma consolidação da redução do desmatamento na Amazônia, o que é muito positivo. Temos a menor taxa do Prodes desde que começou a ser medida”, disse Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam.

“Isso mostra a possibilidade de o país realmente continuar seguindo uma trajetória para alcançar o desmatamento zero. Prova que é possível reduzir o desmatamento na Amazônia, mesmo com todas as adversidades como as mudanças climáticas e o El Niño”, avalia a diretora do Ipam.

Agência Nacional de Proteção de Dados investiga plataforma Discord

Brasília (DF), 27/01/2025 - Crianças com perfil aberto em redes sociais. Ian Fernandes de Alencar. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) instaurou, nesta sexta-feira (7), processo de fiscalização contra a plataforma Discord para apurar indícios de falha na proteção a crianças e adolescentes.

Conforme despacho que instaurou o procedimento, a investigação é motivada pelas notícias de um caso de automutilação e suicídio de uma adolescente de 13 anos, em 22 de julho. O episódio foi transmitido ao vivo pela plataforma.

O processo vai analisar se o Discord descumpriu deveres previsto no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), em especial se a plataforma falhou em adotar medidas para prevenir e mitigar o risco de exposição de menores a conteúdos sobre automutilação e suicídio.

Outros pontos de atenção são a falta de mecanismos para verificação de idade e falha na remoção de conteúdos irregulares e comunicação às autoridades, obrigações previstas no ECA Digital.

“O Discord terá cinco dias úteis para apresentar informações sobre mecanismos existentes para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes”, informou a ANPD, em nota. A agência alertou que legislação prevê multa de até R$ 50 milhões pelas violações investigadas.

Também na sexta-feira (7), integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) se reuniram com representantes da Discord para tratar de falhas intensificadas na verificação de idade e proteção de crianças e adolescentes que utilizam a plataforma.

Mais cedo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, disse que o órgão deverá mover uma ação pedindo a retirada da plataforma do ar.

O caso do suicídio induzido da jovem de 13 anos é investigado no âmbito da Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e realizada com o apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP).