Entidades da indústria e do comércio recorrem ao STF contra fim da 6×1

Brasília (DF), 11/10/2024 - Edifício sede da CNI. Foto: CNI/Divulgação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ingressaram nesta quarta-feira (4) com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o fim da escala de trabalho 6×1.

Na ação, a CNI alega que a Emenda Constitucional 141 de 2026, promulgada no mês passado pelo Congresso Nacional, fere a segurança jurídica, a livre iniciativa econômica e a autonomia coletiva trabalhista.

A confederação também sustenta que o fim da escala vai impactar nos acordos trabalhistas ainda vigentes e acordados entre empresas e trabalhadores.

“As convenções e acordos coletivos de trabalho vigentes devem manter plenos efeitos até o término regular de seus prazos de vigência ou até que sobrevenha nova pactuação coletiva autônoma”, afirma a CNI.

Sobre os impactos financeiros, a CNI afirmou que a redução da jornada de trabalho, somada com a ampliação do repouso semanal sem redução de salário, vai aumentar o custo do trabalho formal da indústria em 11,1%, percentual equivalente a R$ 88 bilhões.

A confederação citou que diversos setores da indústria funcionam de forma ininterrupta e sempre dependeram de negociações coletivas para definição do regime de folgas. “A viabilidade dessas plantas fabris sempre dependeu tanto da negociação coletiva de regimes compensatórios com ciclos plurimensais ou anuais quanto da previsão legal de regimes diferenciados de trabalho e repouso cumulativo”, completou a entidade.

Já a CNC informou que pretende adiar o início da redução das horas de trabalho para outubro de 2027. A nova jornada deve entra em vigor em 15 de dezembro deste ano.

Fim da escala 6×1
Em uma decisão histórica, o Senado Federal aprovou no mês passado o fim da escala 6×1 de trabalho. Com isso, o trabalhador passa a ter dois dias por semana de descanso remunerado, em jornada máxima de 5×2, sem redução salarial. Além disso, a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais terá uma regra de transição de 14 meses.

A medida foi aprovada, na ocasião, com votos da base governista e da oposição. O texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados.

O fim da escala foi celebrado por entidades representativas dos trabalhadores. Para a categoria, a nova jornada permitirá ao trabalhador ter maior contato com a família e poder se dedicar a outras atividades e estudo.

Uma pesquisa realizada em fevereiro deste ano pela Nexus mostrou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, informou que o decreto que regulamentará o fim da escala deve sair na próxima segunda-feira (9). O texto estabelecerá diretrizes para a organização das jornadas e garantir pelo menos oito folgas por mês aos trabalhadores. Segundo Marinho, o decreto terá como objetivo coordenar a adoção das diferentes escalas de trabalho nos setores econômicos, sem comprometer os direitos dos empregados nem o funcionamento das empresas.

Últimos dias: Edital do Governo para Carnaval e São João de Pernambuco 2027 encerra na próxima terça(10)

Artistas, grupos e demais fazedores de cultura têm até a próxima terça-feira (10) para participar da convocatória, que reúne os dois ciclos festivos e oferece recursos de acessibilidade, como audiodescrição, alto contraste e Libras

Faltam poucos dias para o encerramento das inscrições do Edital Caju – Convocatória dos Ciclos Carnavalesco e Junino de Pernambuco 2027. Artistas, grupos, bandas, trios, coletivos, companhias e outras formações artísticas com vínculo com Pernambuco têm até a próxima terça-feira (10 de novembro) para apresentar propostas e concorrer a oportunidades nas programações de Carnaval e São João realizadas ou apoiadas pelo Governo do Estado em 2027. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente pela plataforma digital Mapa Cultural de Pernambuco (www.mapacultural.pe.gov.br/oportunidade).

Realizada pela Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), a convocatória reúne, em um único chamamento, os dois maiores ciclos festivos do Estado. A iniciativa busca ampliar as oportunidades de circulação da produção cultural pernambucana e contemplar a diversidade de artistas e manifestações presentes nas diferentes regiões do território.

Uma das novidades desta edição é o formato de apresentação do edital, desenvolvido para facilitar o acesso às informações e a compreensão das regras e etapas da seleção. O documento conta com estrutura interativa e recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição, alto contraste e tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras), contribuindo para reduzir barreiras de acesso à informação e ampliar as condições de participação dos fazedores de cultura.

“A convocatória dos ciclos carnavalesco e junino é uma das principais portas de entrada para que artistas e grupos de diferentes territórios de Pernambuco possam participar das programações realizadas e apoiadas pelo Estado. Para 2027, buscamos fortalecer esse processo, ampliar a diversidade das propostas e facilitar o acesso dos fazedores de cultura às informações e às etapas da seleção”, afirma Ana Paula Jardim, secretária de Cultura de Pernambuco em exercício.

O planejamento antecipado das festividades, favorecido pela unificação dos ciclos, também contribui para a organização das programações e para a circulação da produção artística estadual. As apresentações poderão acontecer nos municípios das 14 Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco, contemplando manifestações tradicionais e diferentes expressões da música e da dança.

Para a presidente da Fundarpe, Renata Borba, a convocatória valoriza a diversidade cultural pernambucana e os profissionais responsáveis pela realização dos festejos. “O Carnaval e o São João são ciclos fundamentais da identidade cultural pernambucana, que atravessam gerações e mantêm vivas as tradições e a diversidade do nosso Estado. O Edital Caju reafirma o compromisso do Governo de Pernambuco com essa riqueza cultural e com os artistas, grupos e profissionais que fazem essas festas acontecerem. A convocatória unificada também contribui para organizar esse processo e fortalecer a presença da nossa cultura nos diferentes municípios e territórios”, destaca.

Diversidade de expressões culturais

O Edital Caju contempla 12 categorias artísticas, distribuídas igualmente entre os ciclos carnavalesco e junino, garantindo espaço para diferentes linguagens, tradições e repertórios que marcam a cultura pernambucana.

Para o Carnaval, são seis categorias: culturas populares de tradição carnavalesca; culturas populares diversas; orquestras; dança da tradição carnavalesca; música de difusão de repertório carnavalesco; e outros gêneros musicais. Entre as manifestações contempladas estão afoxé, maracatu, caboclinho, frevo, ciranda, coco, clubes carnavalescos, troças, blocos afro, escolas de samba e grupos de passistas.

No São João, também são seis categorias: culturas populares de tradição junina; culturas populares diversas; música de difusão de repertório junino; trios pé-de-serra; quadrilha junina e dança da tradição junina; e outros gêneros musicais. Estão incluídas manifestações como aboio, bandas de pífanos, coco, ciranda, xaxado, cantoria de repente, quadrilhas e diferentes vertentes das matrizes do forró.

A convocatória também articula cultura e turismo ao reconhecer o protagonismo dos artistas e grupos populares na construção da identidade dos festejos e na atração de visitantes para Pernambuco.

“Essa chamada representa o que o Governo de Pernambuco acredita ser o melhor caminho para o nosso turismo, valorizar os fazedores de cultura e reconhecer que a nossa gente são os principais ativos turísticos que temos. Quem vem para o Carnaval e para o São João de Pernambuco não vem só pela festa, vem pela autenticidade de quem faz essa festa acontecer. Investir nisso é investir no que nos diferencia de qualquer outro destino do país”, afirma Eduardo Loyo, presidente da Empetur.

O edital estabelece reservas mínimas de contratação, aplicadas separadamente aos ciclos carnavalesco e junino, com percentuais de 20% para pessoas negras; 3% para pessoas com deficiência; 3% para integrantes de comunidades tradicionais, como quilombolas, indígenas, de terreiro, ciganas e ribeirinhas; 3% para pessoas não cisgênero; e 3% para mulheres cis.

A medida busca ampliar a representatividade nas programações culturais e garantir oportunidades para diferentes grupos e segmentos da sociedade.

Podem participar artistas individuais, grupos, bandas, trios, coletivos, companhias e outras formações artísticas com vínculo com Pernambuco e pelo menos seis meses de atuação artística e cultural comprovada.

Para se inscrever, o proponente precisa ter cadastro como Agente Individual no Mapa Cultural de Pernambuco, preencher o formulário da convocatória e anexar a documentação exigida. O edital completo, com as orientações e os critérios da seleção, está disponível na plataforma.

Encerradas as inscrições, a análise documental será realizada de 11 a 19 de novembro. O resultado preliminar está previsto para 25 de novembro, com prazo para apresentação de recursos até 1º de dezembro. A análise artística ocorrerá de 14 a 18 de dezembro, e o resultado final deverá ser publicado em 23 de dezembro de 2026.

SERVIÇO:
Edital Caju – Convocatória dos Ciclos Carnavalesco e Junino de Pernambuco 2027
Inscrições gratuitas: até 10 de novembro de 2026 (terça-feira)
Onde se inscrever: www.mapacultural.pe.gov.br/oportunidade
Quem pode participar: artistas individuais, grupos, bandas, trios, coletivos e companhias com vínculo com Pernambuco e pelo menos seis meses de atuação artística e cultural comprovada.

Carnaval: programações de janeiro a março de 2027
São João: programações de maio a julho de 2027
Recursos de acessibilidade do edital: formato interativo, audiodescrição, alto contraste e Libras.

Pé-de-Meia Universitário deve começar em 2027 para aluno do CadÚnico

 

Brasília - 25/04/2023 ICC Norte da UNB. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro da Educação (MEC), Leonardo Barchini, disse, nesta quarta-feira (4), que o Pé-de-Meia Universitário tem a implementação prevista para 2027. A nova etapa do programa será focada na permanência de estudantes do ensino superior cadastrados no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) e na conclusão de curso de graduação nas universidades públicas.

A confirmação ocorreu no programa Bom Dia, Ministro, produzido pelo Canal Gov, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), desta quarta-feira (4) .

A ampliação do programa de incentivo aos estudantes universitários de baixa renda foi prometida pelo presidente Lula durante a campanha eleitoral de reeleição.

De acordo com o ministro da Educação, a expansão chega para atender a mudança no perfil acadêmico dos estudantes das universidades federais nos últimos 20 anos. Se antes, dois terços vinham da rede privada, atualmente, dois terços são estudantes de escolas públicas.

Para o ministro, a garantia de acesso ao ensino superior público, agora, exige o acompanhamento de políticas de permanência nos cursos.

“Como esse perfil de estudante mudou, precisamos dar outro tipo de assistência para que esse estudante permaneça. Porque acessar é uma das etapas que esse estudante vence, mas permanecer é uma outra batalha igualmente difícil.”

Após quatro anos de análises, o MEC está na fase final do desenho do Pé-de-Meia Universitário. O ministro confirmou que o programa terá a seguinte estrutura financeira prevista, a partir de 2027:

bolsa: R$ 700 por mês, concedida durante 10 meses ao longo do ano letivo;
poupança mensal: R$ 250 por mês, durante 10 meses, retidos em poupança;
resgate final: o universitário poderá sacar R$ 10 mil (mais correção inflacionária) ao concluir, em quatro anos, a graduação, para iniciar a vida profissional.
“A contrapartida também vai ser permanecer na universidade, concluir o curso de uma forma integral, no tempo certo, para que a gente possa de fato transformar ainda mais esse país”, explica Leonardo Barchini.

Universalização do Pé-de-Meia
Durante o programa, o ministro anunciou também que, a partir de 2027, o programa Pé-de-Meia na versão escolar será ampliado para todos os estudantes do ensino médio público brasileiro.

“Já iniciamos todos os estudos necessários para saber como implementar isso. Esperamos concluí-lo em 30 dias e [o Pé-de-Meia] será implementado a partir do de março do ano que vem, quando começam as aulas da rede pública”, estima o ministro.

Atualmente, têm direito ao benefício os alunos matriculados no ensino médio público que integram famílias inscritas no CadÚnico.

Barchini explica que a universalização do Pé-de-Meia irá corrigir injustiças.

“Em uma sala de aula, às vezes, 20 estudantes recebem [o Pé-de-Meia], quatro a cinco não recebem. Isso gerava uma competição adversa nesses estudantes e uma situação de iniquidade. Por determinação do presidente, nós estamos estudando as formas de implementação, mas esse benefício será universalizado”, garantiu.

O ministro da Educação ainda detalhou os avanços obtidos pelo Pé-de-Meia, chamado de poupança do ensino médio, entre eles que diminuiu o abandono escolar no ensino médio público brasileiro em 61%, entre 2022 e 2025. A reprovação caiu 62%, no mesmo período e a distorção idade-série, que é o atraso escolar, caiu 28%.

Pé-de-Meia escolar
O programa de incentivo financeiro-educacional na versão escolar foi criado em 2024 para combater a evasão escolar e garantir que mais jovens permaneçam na escola básica e concluam o ensino médio.

O Pé-de-Meia do ensino médio pode pagar até R$ 9,2 mil, no total, para cada beneficiário que cumprir todos os critérios de frequência e conclusão dos anos eletivos desta etapa escolar.

Ao todo, o programa recebeu investimentos federais de R$ 24 bilhões para beneficiar, entre 2024 e 2026, cerca de 7,4 milhões de estudantes de baixa renda do ensino médio público.

MEC Enem reúne recursos gratuitos para a reta final de preparação

Brasília (DF), 10/10/2025 – Aplicativo MEC Enem apresenta questões e simulados do exame
Ferramenta lançada pelo MEC visa apoiar estudantes na preparação para o Enem, com simulados de questões alternativas, correção automatizada de redação, materiais de reforço e assistente virtual
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O ministro da Educação (MEC), Leonardo Barchini, incentivou nesta quarta-feira (4) os candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026 a usarem o aplicativo gratuito MEC Enem nesta reta final de preparação. As provas serão aplicadas nos próximos domingos, dias 8 e 15 de novembro.

“Baixe o MEC Enem para ter os simulados. Você consegue fazer uma redação, e o texto é corrigido por uma inteligência artificial que vai te dizer os caminhos onde você tem que melhorar”, diz Barchini.

O ministro lembra que, antes do MEC Enem, o mercado dispunha de vários aplicativos pagos, mas que o governo federal democratizou o acesso a este tipo de ferramenta. “Nós desenvolvemos dentro do Ministério da Educação um aplicativo fantástico e gratuito.”

Barchini concedeu entrevista nesta quarta-feira (4) ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pelo Canal Gov, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O ministro abordou a implantação do Pé-de-Meia Universitário em 2027, para estudantes do ensino superior cadastrados no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico).​​

Brasília (DF) 04/11/2026 O Programa Bom dia, Ministro, recebe o ministro da Educação Leonardo Barchin  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O programa Bom dia, Ministro, recebe o ministro da Educação, Leonardo Barchin Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

MEC Enem

A ferramenta gratuita reúne simulados, milhares de exercícios, aulas de reforço, prática de redação, mais de 300 videoaulas e trilhas de estudo conforme o nível de complexidade desejado.

Os conteúdos são organizados de acordo com a matriz de referência do Enem, descrita no Edital de 2026, e o app também inclui um assistente virtual para tirar dúvidas sobre qualquer matéria da prova.

O aplicativo informa notas, emite certificados e ajuda o candidato a acompanhar o próprio desempenho e evolução.

Na prática, o aplicativo permite ao candidato desenvolver as seguintes atividades, dias antes do Enem.

  • revisar conteúdos;
  • testar em simulados as quatro áreas de conhecimento do Enem (linguagens, ciências humanas, matemática e ciências da natureza);
  • resolver questões reais de provas de edições anteriores do exame, com tempo cronometrado, como se fosse no dia da prova;
  • treinar a redação de textos;
  • montar plano de estudos conforme o próprio ritmo;
  • reforçar conteúdos de questões que errou nos simulados ou que ainda geram dúvidas.

Treino de redação

Na seção específica de redação, o estudante pode exercitar a escrita de texto dissertativo-argumentativo em prosa.

O internauta receberá um tema baseado em propostas de edições anteriores. O MEC garante que os temas são diversos e atuais. A proposta temática virá acompanhada de textos motivadores, como ocorre na aplicação real do Enem.

Os interessados devem escrever o texto à mão, como se fosse na hora da prova.

A pasta explica que o procedimento a seguir é fotografar a folha onde foi redigida a redação. Na próxima etapa, a plataforma fará a transcrição automática e permitirá que o estudante confira e edite o texto.

Em seguida, o sistema do MEC envia a produção do candidato para correção.

A inteligência artificial do aplicativo corrige o texto, devolve um gabarito com sugestões e, por fim, apresenta a pontuação estimada em até 60 segundos, “menor tempo de correção do mercado”, diz o MEC.

Como acessar o app

O MEC Enem pode ser usado por todos os candidatos, incluindo os que concluíram o ensino médio, participantes de cursinhos populares e estudantes do ensino médio público beneficiários do programa Pé-de-Meia do MEC.

Para fazer uso, basta baixar o aplicativo em dispositivos móveis (smartphones e tablets) ou acessar o site MEC Enem, com login e senha da conta do portal Gov.br.

>> MEC Enem para Android

>> MEC Enem para iPhone

O MEC Enem já tem 1,1 milhão de estudantes cadastrados. Até outubro, o MEC contabilizou que mais de 31 milhões de questões respondidas e mais de 1,2 milhão simulados realizados dentro da plataforma.

Guerra, economia, IA e casos de corrupção derrotam Trump nos EUA

Candidato democrata ao Senado dos EUA e representante estadual do Texas, James Talarico, cumprimenta sua parceira, Brianna Menard, após sua vitória nas eleições de meio de mandato nos EUA, durante um comício na noite da eleição, em Austin, Texas, EUA, em 3 de novembro de 2026
REUTERS/Mike Segar

O aumento do custo de vida nos Estados Unidos (EUA), a guerra contra o Irã e os escândalos de corrupção envolvendo a administração de Donald Trump explicam a derrota histórica na eleição de meio de mandato que tirou a maioria dos republicanos tanto na Câmara, quanto no Senado.

Os republicanos ainda foram derrotados em estados historicamente vermelhos, que é a cor do partido de Trump, como no Texas, na Carolina do Sul, no Kansas, em Ohio e em Iowa.

No caso do Texas, fazia 38 anos que um democrata não se elegia pelo estado.

Pesquisas de opinião têm apontado que o resultado é uma rejeição à política de Trump na Casa Branca, que se envolveu pessoalmente na campanha nas últimas semanas. A emissora NBC News escutou eleitores na boca da urna que culpam Trump pela piora em indicadores econômicos.

“Mais da metade (65%) afirma que as políticas de Trump pioraram a economia; 62% disseram que ele é responsável pelos altos preços”, escreveu a emissora estadunidense.

Preocupações com as políticas sobre Inteligência Artificial (IA), em que Trump defende que não haja regulação, também foram apontadas pelos norte-americanos como motivo para decidir o voto.

“As preocupações com a IA também estavam entre os principais assuntos dos eleitores: 57% disseram que a IA fará mais mal do que bem à sociedade. Uma grande maioria, 76%, disse ser contra a construção de data centers em suas comunidades”, diz a pesquisa.

A guerra contra o Irã foi outro fator que levou os eleitores a rejeitar a política de Trump e dar a maior vitória aos democratas em décadas. “Sessenta e três por cento disseram que os EUA tomaram a decisão errada ao entrar com uma ação militar contra o Irã”, diz o levantamento.

A maioria dos eleitores (57%) disse ainda que suas políticas contra a imigração “foram longe demais”, e a corrupção foi outro fator “crucial” na decisão dos eleitores.

A professora de relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou à Agência Brasil que as pessoas votaram em Trump esperando uma resposta a questões internas dos EUA, que não foram cumpridas.

“As pessoas tinham esperança de que Trump adotasse políticas mais voltadas para dentro dos EUA, voltadas para questões materiais da população que está cada vez mais estagnada financeiramente”, afirmou.

Camila acrescentou que as pessoas têm que trabalhar em dois ou três empregos para chegar ao fim do mês, em um país onde a saúde é totalmente privatizada e requer altos gastos.

Corrupção

O professor de história da Universidade de Brown, nos EUA, James N. Green, destacou à Agência Brasil que o resultado é muito pior para os republicanos do que todos esperavam. “É o começo e o fim do poder do Donald Trump”, disse.

Brasília (DF), 03/07/2025 - Presidente do Conselho Diretivo do Washington Brazil Office (WBO), o professor de história James Green.
Foto: James Green/ Wikipédia
Professor da Universidade de Brown, James N. Green, diz que resultado “è o começo e o fim do poder de  Donald Trump” – Foto James Green/ Wikipédia

Para o especialista, a corrupção, que não estava entre as principais preocupações dos eleitores, ganhou importância nos últimos meses e durante a campanha.

“Isso devido à maneira como a família do Trump está, de maneira muito descarada, roubando ou utilizando sua influência e seus poderes, para fazer muito dinheiro. Isso está causando uma grande insatisfação entre pessoas que, no passado, tinham votado nele”, disse.

O presidente dos EUA tem sido acusado de favorecer os negócios da família, incluindo suspeitas de manipulação no mercado de ações da bolsa, por meio de acesso a informações privilegiadas para especulação financeira.

O The New York Times ganhou o prêmio Pulitzer de 2026, um dos mais importantes prêmios jornalísticos do mundo, revelando “os conflitos de interesse e o enriquecimento ilícito desenfreados que assolam o governo Trump”.

Outra reportagem, do The Washington Post, revelou que 15 empresas dos filhos de Trump arrecadaram US$ 3,2 bilhões em contratos federais, a maioria depois que o republicano assumiu a Casa Branca pela segunda vez.

O professor James N. Green comentou que, enquanto isso, Trump passava muito tempo falando sobre as reformas da Casa Branca. “As pessoas ficam revoltadas com isso porque o presidente está meio fora da realidade, meio perdido”, disse.

Na avaliação do professor de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Borba Casella, os abusos cometidos por Trump na Casa Branca, incluindo a guerra contra o Irã, foram decisivos para a derrota republicana.

Brasília (DF), 04/11/2026  - professor de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP).
Foto: Paulo Borba Casella/Arquivo Pessoal
Professor de direito internacional da USP, Paulo Borba Casella, atribui derrota de Trump a abusos cometidos durante gestão – Foto Paulo Borba Casella/Arquivo Pessoal

“É essa combinação de desmandos políticos e de má gestão na economia que pode contribuir para explicar a derrota. E também o desgaste da imagem do presidente Trump e da sua administração com todos os erros que tem cometido”.

Economia

A economia durante o governo do democrata Joe Biden (2020-2024) foi apontada como um dos fatores que levou à vitória de Trump em 2024. Dessa vez, o aumento no custo de vida dos estadunidenses parece ter se voltado contra o republicano.

A política de tarifas contra importações encareceu diversos produtos dentro dos EUA. Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, após o ataque de Trump contra o país persa, contribuiu para elevar os preços da gasolina e do diesel, com impacto em toda a economia.

“Eu que sou da classe média, e vivo bem, fiquei surpreendido como aumentaram os preços. As pessoas estão culpando o Trump por causa da política de tarifa e por causa da guerra no Irã”, explicou o professor James Green.

Freio à extrema-direita

O professor Paulo Borba Casella, da USP, disse ainda à Agência Brasil que a derrota dos republicanos é um recado para os governos de extrema-direita no mundo que têm políticas hostis contra minorias, contra liberdades e direitos fundamentais.

“Esse resultado sinaliza um arrefecimento dessa onda de regimes à direita que tem aparecido, como ocorreu em vários países da América Latina. Além do contraponto feito com o resultado da eleição no Brasil, a eleição nos EUA pode significar uma mudança nessa maré de direita autoritária, conservadora e reacionária”, concluiu.

Fundação de Cultura promove intercâmbio artístico entre Caruaru e Ouro Preto com exposição no Museu do Barro

A parceria cultural entre Caruaru e Ouro Preto (MG) segue promovendo o intercâmbio entre artistas e diferentes expressões da arte brasileira. Desta vez, o Museu do Barro de Caruaru recebe a exposição “Memórias Gravadas – Xilogravuras e Estamparias”, da artista mineira Ana Fátima Carvalho. A abertura será nesta quarta-feira (5), às 15h, com entrada gratuita.

A mostra reúne trabalhos produzidos em xilogravura e estamparia, técnicas utilizadas pela artista para construir um universo marcado pelas representações do feminino. As obras retratam mulheres em diferentes contextos e dimensões da vida, passando por figuras mitológicas e personagens do cotidiano, em composições que exploram temas como liberdade, identidade, memória e relações humanas.

A exposição é uma realização da Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), em parceria com a Prefeitura de Caruaru e o Museu do Barro, e dá continuidade às ações de intercâmbio cultural entre os dois municípios. A iniciativa também integra a programação de homenagens a Luiz Gonzaga, reconhecendo a importância do artista para a música e a cultura nordestina.

Após a abertura, a exposição poderá ser visitada de terça-feira a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos, das 9h às 13h, no Museu do Barro, localizado no Pátio de Eventos, em Caruaru.

Progressistas e minorias renovam democratas em vitória sobre Trump

Democrat Keisha Lance Bottoms celebrates winning Georgia's race for governor and becoming the first Black woman elected governor of a US state, during an election night rally for the US midterm elections in Atlanta, Georgia, US, November 3, 2026. REUTERS/Taylor Edgerton

A vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as Midterms, foi marcada por lideranças jovens, de minorias étnicas ou religiosas e com discurso progressista.

Esse retrato renova a imagem que saiu desgastada da derrota para Donald Trump em 2024, quando o partido estava fortemente associado às elites econômicas e era criticado por um suposto abandono das pautas dos trabalhadores norte-americanos.

Em entrevista à Agência Brasil, o doutor em ciência política Juliano Machado Pires atribuiu a avaliação ruim que o Partido Democrata tinha, em 2024, à decepção com o governo de Barack Obama (2009-2017).

“A população tinha muitas expectativas com o governo Obama. Com a crise dos bancos, em 2008, Obama salvou os bancos, mas não salvou a hipoteca da população. Uma parcela das pessoas se sentiu traída e ficou com a sensação de que os dois partidos davam no mesmo na hora de proteger os direitos econômicos das pessoas”, explicou.

A professora de relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destacou que o pleito de 2026 elegeu um número expressivo de democratas que são de fora da “elite” da legenda.

“São indivíduos que têm uma agenda muito mais progressista, em alguns casos até socialista, enfatizando melhores condições de vida para a classe trabalhadora, saúde universal e gratuita para todos”, comentou à Agência Brasil.

O resultado fez o Partido Democrata eleger senadores e deputados em estados e distritos onde perdeu sucessivas eleições nos últimos anos, como o Texas. Com isso, tanto o Senado quanto a Câmara passaram a ser majoritariamente ocupados pela oposição à Donald Trump, do Partido Republicano.

Pioneiros

Entre os nomes de destaque, estão a primeira mulher negra da história dos EUA a ser eleita governadora, Keisha Lance Bottoms, pelo estado Georgia; a primeira governadora indígena, Deb Haaland, pelo Novo México; e o primeiro senador abertamente homossexual, Chris Papas, eleito por New Hampshire.

 

U.S. Interior Secretary Deb Haaland speaks during the final day of the Democratic National Convention at the United Center in Chicago on Sept. 23, 2024.
Deb Haaland se tornou a primeira mulher indígena a ser eleita governadora nos Estados Unidos Foto: Reuters/Jasper Colt/Proibida reprodução

Em seu discurso, a governadora eleita pela Georgia dedicou a vitória às pessoas que não têm acesso a serviços de saúde e de educação, devido ao alto custo de vida nos EUA.

“Esta vitória é para o cuidador que não tem condições de arcar com despesas de saúde e precisa que a Georgia finalmente amplie o Medicare [principal programa público de saúde dos EUA]”, disse Keisha Bottoms.

O professor de história da Universidade de Brown, dos EUA, James N. Green, explicou à Agência Brasil que, nos EUA, os dirigentes partidários locais têm bastante flexibilidade para definir a política do estado, o que contribuiu para essa renovação.

“A diversidade do Partido Democrata deu essa flexibilidade de candidatos diversos, que podiam atrair uma base da população, combinada com uma política horrível do governo de Trump, que incentivou muitas pessoas a romper com ele e apoiar os democratas”, avaliou.

Evangélico progressista

Outro nome de destaque foi o vencedor ao Senado pelo Texas, James Talarico, que derrotou os republicanos pela primeira vez em quase 40 anos no estado.

Essa também foi a primeira vez que o Texas elegeu uma governadora latina, Gina Hinojosa, após décadas de hegemonia do partido Republicano.

Com 37 anos, James Talarico articula um discurso religioso com a defesa dos mais necessitados e da justiça social. Ele é filho de pastor e seminarista presbiteriano.

“O presidente dos EUA disse que eu insultei Jesus. Sabe o que insulta Jesus? Deixar os pobres sem assistência social enquanto corta impostos de bilionários. Sabe o que insulta Jesus? Deportar o estrangeiro e separar mães de seus bebês”, disse.

 

Democratic US Senate candidate and Texas State Representative James Talarico speaks after his victory in the US midterm elections during an Election Night rally, in Austin, Texas, US, November 3, 2026. REUTERS/Mike Segar
James Talarico discursa após vitória na candidatura ao Senado pelo Texas. Foto: Reuters/Mike Segar/Proibida reprodução

O jovem político se referia à política anti-imigração de Trump, acusada de separar famílias, e à aprovação do projeto que tirou US$ 1 trilhão da saúde enquanto cortou impostos para os mais ricos.

O texano foi um duro crítico da plataforma política da extrema-direita republicana, que ataca minorias como transexuais, imigrantes e mulçumanos dentro dos EUA.

“A única minoria que está destruindo os Estados Unidos é a dos bilionários. Muitas das divisões neste estado e neste país são fabricadas por bilionários que querem que lutemos uns contra os outros, em vez de lutarmos contra eles”, disse Talarico em um evento de campanha.

A professora Camila Vidal, da UFSC, destaca que Talarico resgata uma tradição que teria sido abandonada pelo Partido Democrata, pelo menos, desde o governo de Bill Clinton (1993-2001).

“Vinda de um estado como o Texas, é bastante emblemático. Talarico traz de volta a religião e o cristianismo para o âmbito do trabalhador local, falando com essa classe empobrecida e gigantesca hoje em dia nos EUA. É uma grande surpresa”, comentou.

Primeiro muçulmano

Também chamou atenção a eleição do primeiro mulçumano para o Senado dos EUA, Abdul El-Sayed, pelo estado de Michigan, que fez campanha criticando os gastos do país com ajuda militar a Israel.

 

Michigan Democratic Senate candidate Abdul El-Sayed takes the stage to speak after winning his election during the Michigan Democratic Party Election Night Party held in The Department at Hudson’s in downtown Detroit on Wednesday, November 4, 2026.
Abdul El-Sayed venceu a disputa pela vaga no Senado do estado de Michigan. Foto: Reuters/Ryan Garza/Proibida reprodução

No discurso da vitória, El-Sayed criticou o lobby sionista que teria gastado milhões de dólares para derrotá-lo em Michigan.

“Tentam rotular você como alguém cheio de ódio se você acredita que crianças palestinas deveriam poder crescer na terra de seus antepassados sem serem assassinadas com o dinheiro dos nossos impostos”, afirmou o senador eleito.

No dia da eleição, Trump anunciou a suspensão da ajuda militar para Israel de US$ 4 bilhões, o que, para alguns analistas, foi visto como uma tentativa de reverter a tendência de votos em candidaturas que criticam o financiamento de Israel pelos EUA.

Decreto do fim da escala 6×1 será publicado na próxima segunda-feira (09)

Brasília – DF – 06/05/2026 – Ministro Luiz Marinho participa de audiência na Comissão da Câmara sobre Fim da Escala 6x1. Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

O decreto que regulamentará o fim da escala de trabalho 6×1 deve sair na próxima segunda-feira (09),  afirmou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. O texto estabelecerá diretrizes para a organização das jornadas e garantir pelo menos oito folgas por mês aos trabalhadores.

Segundo Marinho, o decreto será discutido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (05) e deverá orientar a implementação das novas regras por meio de negociações coletivas.

A regulamentação também deverá permitir flexibilidade na organização das escalas, desde que sejam respeitados os direitos previstos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extinguiu o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso.

Decreto
Segundo Marinho, o decreto terá como objetivo coordenar a adoção das diferentes escalas de trabalho nos setores econômicos, sem comprometer os direitos dos empregados nem o funcionamento das empresas.

“Soltaremos o decreto regulamentador para trazer o processo coordenado para a implantação das várias escalas que cada setor pretende implantar, sempre respeitando o comando da PEC”, afirmou o ministro.

A publicação, inicialmente prevista para esta semana, foi adiada após Lula não conseguir realizar o despacho sobre o tema. A expectativa do Ministério do Trabalho é concluir a regulamentação na próxima segunda-feira.

Folgas e negociação
A proposta prevê que os trabalhadores tenham, no mínimo, oito folgas em um período de 30 dias. A distribuição dos descansos poderá variar conforme as características de cada atividade, desde que respeitadas as condições estabelecidas pela PEC e pelos acordos coletivos.

Marinho explicou que a flexibilização poderá permitir diferentes combinações de jornadas semanais, conforme as necessidades de cada setor.

“Não tem lista de flexibilidade. A PEC determina dois descansos semanais. A flexibilidade concedida é que essas duas folgas estejam consolidadas dentro do mês”, declarou.

O ministro destacou que os acordos coletivos terão papel central na organização das escalas. A prioridade, segundo ele, será a negociação entre empresas e representantes dos trabalhadores, com possibilidade de convenções nacionais que facilitem a adesão dos diferentes estados.

A regulamentação também deverá contemplar setores que funcionam continuamente, como atividades de saúde, transporte, segurança e limpeza urbana.

Redução da jornada
A proposta de mudança na jornada de trabalho prevê a redução gradual da carga horária semanal, atualmente de 44 horas, para 40 horas.

De acordo com as informações divulgadas pelo governo, a implementação deverá ocorrer a partir de 15 de dezembro, respeitando as condições estabelecidas na regulamentação.

O Congresso Nacional promulgou, em 16 de outubro, a PEC que extingue a escala 6×1 e estabelece uma jornada de cinco dias de trabalho para dois de descanso.

Marinho afirmou que o objetivo do governo é garantir a proteção dos trabalhadores durante a transição, sem prejudicar a atividade econômica.

Críticas ao mercado
Durante a entrevista coletiva em que apresentou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o ministro também criticou a reação do mercado financeiro às discussões sobre propostas alternativas para a política econômica.

A manifestação ocorreu após questionamentos sobre as ideias do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que defende mudanças na condução das políticas fiscal e monetária.

Marinho afirmou que o presidente Lula deve ter liberdade para ouvir diferentes contribuições, mesmo quando elas divergem das posições defendidas por agentes financeiros. “O que eu acho um absurdo é que qualquer tentativa de discussão que não esteja no quadradinho do chamado mercado da Faria Lima há uma grita contra”, declarou.

O ministro também criticou a resistência do mercado à discussão de alternativas para a taxa básica de juros e defendeu que diferentes propostas sejam avaliadas pelo governo. “É um absurdo o comportamento do tal mercado, da tal da bolsa. Isso tudo para levar a um nervosismo. Não pode escutar as pessoas? É um tremendo de um comportamento inadequado”, afirmou.

Marinho acrescentou que os juros elevados representam um obstáculo para o Estado, as empresas e a sociedade. “O que é inaceitável é continuar no patamar de juros que nós pagamos, isso é ruim para o Estado brasileiro, ruim para as empresas e a sociedade no geral”, concluiu.

Dólar cai a R$ 5,45 após eleições nos EUA e antes do Copom

Notas de dólar
 9 de abril de 2025. REUTERS/Willy Kurniawan

O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (4), acompanhando o enfraquecimento da moeda estadunidense no exterior após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A bolsa avançou mais de 1%, recuperou os 167 mil pontos e interrompeu uma sequência de seis baixas consecutivas.

Os investidores também acompanharam a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic. O mercado fechou antes do anúncio da manutenção dos juros básicos da economia em 13,75% ao ano.

Principais números:
Dólar à vista: R$ 5,451 (-0,64%);
Ibovespa: 167.563,47 pontos (+1,23%);
Dólar global (índice DXY): 101,520 pontos (-0,2%);
Petróleo Brent: US$ 94,62 por barril (-8,67%).
Câmbio
A moeda estadunidense encerrou o dia em baixa frente ao real, depois de três pregões consecutivos de alta. O movimento foi influenciado pelo resultado das eleições legislativas nos Estados Unidos, em que os democratas conquistaram maioria no Senado e na Câmara dos Deputados.

O resultado reduziu a percepção de risco de mudanças bruscas na política econômica estadunidense e contribuiu para o enfraquecimento do dólar globalmente. A queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos também favoreceu moedas de países emergentes.

No Brasil, contudo, os ganhos do real foram limitados pela cautela dos investidores diante das incertezas fiscais e da expectativa sobre a condução da política econômica no próximo governo. A decisão do Copom sobre a taxa básica de juros também esteve no radar.

O dólar chegou a R$ 5,498 na máxima da sessão, por volta das 13h30, mas se firmou em terreno negativo ao longo da tarde.

Ibovespa interrompe perdas
O Ibovespa subiu 1,23%, aos 167.563,47 pontos, após seis pregões consecutivos de queda. Na máxima do dia, pouco antes das 14h, o índice chegou a 167.986,37 pontos.

O desempenho acompanhou o ambiente mais favorável aos ativos de risco no exterior, impulsionado pela vitória dos democratas nos Estados Unidos. A melhora no cenário global favoreceu ações de bancos, da Vale e de outras empresas sensíveis aos juros.

Na contramão, os papéis da Petrobras, os mais negociados na bolsa, recuaram significativamente, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional. O Brent para janeiro caiu 8,67%, a US$ 94,62 por barril.

O pregão brasileiro terminou antes da divulgação da decisão do Copom, que era aguardada pelos investidores. A expectativa de parte do mercado era pela manutenção da Taxa Selic em 13,75% ao ano.

* com informações da Reuters

Setor produtivo critica manutenção da Selic em 13,75% ao ano

Operário trabalha em fábrica de tubos metálicos, em São Paulo, Brasil

A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central foi alvo de críticas do setor produtivo. Entidades da indústria e do comércio apontam prejuízos à atividade econômica, ao crédito, aos investimentos e ao orçamento público. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também criticou a decisão.

CNI cobra redução
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão como equivocada e excessivamente conservadora. Para a entidade, a manutenção dos juros elevados encarece o crédito, prejudica empresas e famílias e desacelera a economia.

O presidente da confederação, Ricardo Alban, defendeu a retomada dos cortes na próxima reunião do Copom, prevista para dezembro.

“É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade dos preços”, afirmou.

A entidade também destacou o aumento do endividamento das famílias e a pressão sobre os custos de financiamento das empresas.

Apas aponta impacto
O economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, afirmou que os juros elevados prejudicam comércio, serviços e indústria, além de limitar o consumo e os investimentos.

“Está na hora de o Banco Central adotar uma política monetária que tanto controle a inflação quanto não prejudique o ritmo de atividade econômica”, declarou.

Queiroz acrescentou que a taxa de juros é um impedimento ao crescimento econômico e citou a expectativa de expansão inferior a 2% neste ano.

Centrais criticam decisão
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) criticaram a manutenção da Selic. Para a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidente da CUT, Juvandia Moreira, a política monetária amplia o endividamento e compromete recursos públicos.

“Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segurança”, afirmou.

A Força Sindical, por sua vez, classificou a decisão como “irracional, nefasta e desastrosa”. O presidente da entidade, Miguel Torres, afirmou que os juros altos restringem o crédito, a produção e a geração de empregos.

Lindbergh acusa mercado
O deputado federal Lindbergh Farias atribuiu a manutenção dos juros à pressão do mercado financeiro após a eleição presidencial.

“É inadmissível que, depois da derrota de seu candidato, a Faria Lima passe a torcer contra o Brasil e use os juros como instrumento de pressão sobre o governo eleito”, afirmou o parlamentar em postagem nas redes sociais.

Para o deputado, a decisão do Copom encarece o crédito e sufoca a produção. Lindbergh também cobrou explicações do Banco Central sobre a interrupção do ciclo de cortes e defendeu investimentos em indústria, ciência e infraestrutura.