Galeria Boi, em Caruaru, recebe a partir deste sábado (07), exposição “Fale conosco – bu – ro – cra – cia”, de Anna Bella Geiger

Pela primeira vez expondo no interior do Nordeste, a artista de relevância internacional, com trabalhos expostos na Espanha, França e Estados Unidos, é referência da arte contemporânea e conceitual brasileira

A partir deste sábado, 07, os admiradores e amantes das artes terão a oportunidade de apreciar a exposição “Fale conosco – bu – ro – cra – cia” (1976), da premiada artista visual carioca Anna Bella Geiger. A exposição estará em cartaz até o dia 07 de dezembro, na Galeria Boi, que fica na 2ª travessa Mestre Vitalino, 9A, no Alto do Moura. A visitação, que é gratuita, pode ser agendada pelo WhatsApp 81 99942-0542 ou pelo Instagram @galeriaboi.

A vernissage de obra única, criada na década de 1970, durante a ditadura militar, faz parte da programação da terceira edição da Bienal do Barro, que ocorre no Armazém da Criatividade, em Caruaru. Cinquenta anos após sua criação, a peça continua com temática atual, segundo a artista. “Continuo considerando a burocracia um dos piores impedimentos para a nossa cultura”, reflete Anna Bella Geiger.

A artista estará em Caruaru para realizar uma performance intitulada “O pão nosso de cada dia”, sábado (07), 16h, no Armazém da Criatividade, como parte da programação da Bienal e, em seguida, às 19h, segue para a Galeria Boi, onde a exposição será aberta oficialmente ao público para visitação. Os colecionadores e admiradores poderão ainda adquirir a peça.

Para o idealizador do Galeria Boi e da Bienal do Barro, Carlos Mélo, visitar esta exposição é uma oportunidade única de beber da fonte. “Receber Anna em nossa casa nos enche de orgulho e mostra a importância que temos para o Brasil no quesito arte. Afinal, estamos falando de alguém com reconhecimento internacional, que se dedica à arte há mais de 70 anos, com uma trajetória longeva e inspiradora”, reconhece Mélo.

Sobre a obra “Fale conosco – bu – ro – cra – cia”

A obra “Fale conosco – bu – ro – cra – cia” (1976), utiliza a repetição e a fragmentação silábica para criticar a opressão institucional e social da ditadura militar brasileira. Por meio de técnicas mecânicas e do desmembramento do termo, a artista transforma as letras em barreiras visuais que simbolizam o labirinto opressor do Estado.

Sobre Anna Bella Geiger

Anna Bella Geiger (Rio de Janeiro, 1933) é uma das artistas visuais mais importantes e pioneiras do Brasil, reconhecida internacionalmente por sua atuação na vanguarda do abstracionismo, arte conceitual e vídeo-arte. Com sete décadas de carreira ativa, suas obras integram acervos de grandes museus globais (como MoMA, Pompidou e Reina Sofía) e, em outubro de 2026, ela foi laureada com o prestigiado Prêmio Velázquez de Artes Plásticas na Espanha. Além de sua produção artística, Geiger possui uma sólida trajetória no ensino da arte, tendo inovado as práticas pedagógicas no MAM-RJ e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), onde influenciou gerações de artistas brasileiros.

Sobre a Galeria Boi

Fundada em 2021, em Caruaru (PE), a 130 km do Recife, a Galeria Boi é uma extensão do projeto artístico Primeira Bienal do Barro do Brasil, idealizada pelo artista e diretor Carlos Mélo, em 2014, e apresentada na mesma cidade. O espaço atua como polo de pesquisa, documentação e exibição de produções artísticas contemporâneas, com foco em práticas conceituais e contra-hegemônicas, especialmente oriundas do Agreste pernambucano e outras localidades nem sempre mapeadas no escopo do circuito de arte dito “oficial”. O espaço tem a perspectiva que alia formação crítica, agenciamento e orientação de seu elenco.

Serviço:
Exposição “Fale conosco – bu – ro – cra – cia”
Quando: de 07 de novembro (19h) a 07 de dezembro
Endereço: 2ª travessa Mestre Vitalino, 9ª – Alto do Moura
Horário de funcionamento: mediante agendamento
Contatos para agendamento: WhatsApp 81 99942-0542 ou @galeriaboi

Caruaru: Avenida João Soares de Lira recebe novo asfalto e obra entra na reta final

Uma importante via de acesso aos bairros Jardim Panorama, Baraúnas e Residencial Nova York está requalificada após receber obras de drenagem, pavimentação e recapeamento asfáltico em Caruaru. Na Avenida João Soares de Lira, os serviços foram concluídos com a execução da terraplanagem, imprimação e aplicação do novo asfalto.

A terraplanagem prepara e regulariza o terreno para receber a pavimentação, enquanto a imprimação consiste na aplicação de um material ligante sobre a base, contribuindo para a durabilidade do pavimento. A via também teve trechos de drenagem, proporcionando assim o escoamento das águas da chuva e evitando alagamentos.

As intervenções contemplam o trecho que começa na entrada da Rua Pedro Guarda e segue até o acesso à Rua Campo de Brito. Nos próximos dias serão feitos os últimos ajustes, incluindo a sinalização horizontal e vertical, com isso a avenida terá melhores condições de tráfego, mais segurança e conforto para motoristas e demais pessoas que utilizam a via diariamente.

Na Câmara, gestão Rodrigo Pinheiro é reconhecida pela valorização dos artistas locais

Pedro Augusto/Blog Capital

A oposição da Câmara de Vereadores de Caruaru sofreu derrota na sessão ordinária desta quinta-feira (5), tendo requerimentos elaborados por Gil Bobinho (PSB) não aprovados durante votação realizada no segundo expediente. Hoje, na condição de independente, Edilson do MST também teve pedidos não consentidos pela maioria da Casa.

Com placares mínimos de votos favoráveis ante votos, na sua maioria, contrários, as solicitações do socialista e do petista, sendo elas: os pagamentos dos cachês dos artistas locais no São João 2027, em até 72 horas e em até 30 dias; além da revogação e elaboração de novo edital para os festejos e a realização de audiência pública junto à classe artística de Caruaru, se dissolveram antes mesmo de chegarem a ser encaminhadas ao Executivo para apreciação.

A exploração intensa por parte dos vereadores de pautas culturais nos expedientes das sessões da Câmara de Caruaru, desta semana, se deu em grande parte devido às publicações de informes por parte da Fundação de Cultura de Caruaru sobre o edital do São João de Caruaru de 2027.

Em segunda publicação ocorrida, o prefeito Rodrigo Pinheiro atualizou os editais de seleção de artistas e propostas culturais para os próximos festejos, determinando o prazo máximo para pagamento dos cachês, que será de até 60 dias após o encerramento do ciclo junino, prazo necessário para que os patrocinadores cumpram com suas respectivas cotas. A alteração contempla as duas categorias: Música e Demais Linguagens Artístico-Culturais.

Apesar da garantia firmada por parte do Executivo em relação ao cumprimento do prazo de até 60 e não mais de até 90 dias, conforme informação publicada anteriormente, a oposição da Câmara, encabeçada por Gil Bobinho e Erick Lessa, fez da pauta, segundo vereadores da situação, mais um trampolim para criar uma celeuma no ambiente legislativo.

“Rodrigo Pinheiro já se posicionou e determinou a manutenção do pagamento dos cachês em até 60 dias. Mesmo com a decisão do prefeito, a oposição insiste em criar uma celeuma desnecessária, distorcendo informações e tentando tumultuar uma discussão que precisa de diálogo e responsabilidade com os artistas de Caruaru”, pontuou o vereador Wagner do Santa Rosa.

“Eu reconheço a disposição do prefeito Rodrigo Pinheiro em dialogar com a classe artística e buscar uma solução para a questão dos cachês dos artistas que participaram dos eventos juninos de Caruaru. Nas conversas que tive com ele, percebi sua preocupação em resolver essa situação. O que precisamos é abrir o diálogo, reunir a classe artística e a gestão municipal para encontrar o melhor caminho”, comentou o vereador Lula Tôrres.

Apoios
Se na sessão da última terça-feira (3), o ambiente de apoio se encontrava favorável para a oposição, nesta quinta, o que se viu foram demonstrações semelhantes de apoio por parte de artistas locais ao Governo Municipal no que se refere à execução e ao cumprimento do edital anual junino. Antes de a sessão ser iniciada, artistas apoiadores e oposicionistas à Prefeitura chegaram a discutir de forma vergonhosa nas galerias.

Renomado em todo o país por sua carreira voltada para a música nordestina, o maestro Mozart Vieira foi um dos artistas a elogiar a gestão Rodrigo Pinheiro na condução das demandas voltadas para a cultura local.

“Tenho 48 anos de profissão e sei o quanto os artistas já sofreram, trabalhando sem receber ou esperando meses pelo pagamento. Por isso, me sinto muito orgulhoso de ver a valorização da nossa classe. Quero agradecer ao prefeito Rodrigo Pinheiro e à Fundação de Cultura pelos avanços na profissionalização, pela manutenção dos editais e pelo anúncio de aumento nos pagamentos”.

“Ainda temos muito a conquistar, mas precisamos reconhecer a evolução. O prefeito Rodrigo tem tido transparência com o edital do São João, vem pagando os cachês antes mesmo das datas estabelecidas no mesmo, tudo alinhado com os prazos estabelecidos com os patrocinadores do evento. Não quero que as novas gerações passem pelo que eu passei. A cultura avança com diálogo, respeito e valorização dos seus trabalhadores”, finalizou Mozart.

”Pernambuco está pronto para ser líder da nova economia do Nordeste e destino de novos negócios ”, destaca Raquel Lyra durante encontro com investidores em São Paulo

Durante participação no Painel de Governadores Eleitos, que encerrou, nesta quinta-feira (5), a 12ª edição do Brazil GRI Infra & Energy 2026, realizada em São Paulo, a governadora Raquel Lyra reafirmou que Pernambuco está pronto e vai continuar sendo destino de novos negócios e parcerias. Ao longo do debate, que contou com a presença do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, a chefe do Executivo estadual destacou investimentos, obras estruturadoras e o compromisso de Pernambuco em ser líder da nova economia do Nordeste.

“O meu objetivo e o de todo o time do Governo de Pernambuco é atrair negócios que movimentem a economia, gerem empregos e encontrem em Pernambuco um ambiente seguro para investir. Estamos trabalhamos para fazer o Estado avançar e já voltamos a apresentar um crescimento superior ao do Nordeste e do Brasil”, acrescentou a governadora.

Durante o painel, Raquel Lyra também destacou a ampliação da capacidade de investimento de Pernambuco, que passou de cerca de 2% a 3% da Receita Corrente Líquida, no início de 2023, para uma previsão de 13% ao final de 2026. Segundo a governadora, o Estado deverá ultrapassar R$ 20 bilhões em investimentos públicos em infraestrutura ao longo dos quatro anos, além de R$ 42 bilhões em investimentos privados executados ou em execução.

Na área de infraestrutura, a chefe do Executivo estadual ressaltou os investimentos de R$ 7 bilhões na malha rodoviária estadual e destacou projetos como o Arco Metropolitano e a retomada das obras da Ferrovia Transnordestina. Também mencionou a concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, que prevê R$ 23 bilhões em investimentos, e a previsão de R$ 9 bilhões da Neoenergia para os próximos anos.

A governadora também abordou oportunidades de novos negócios ligadas à ampliação da refinaria em Pernambuco e ao fortalecimento da indústria naval, com potencial de geração de empregos nos setores de petróleo e gás. Raquel Lyra destacou ainda novos projetos de mobilidade, concessões rodoviárias e a consulta pública para a construção de barragens destinadas à captação e distribuição de água.

O encontro reuniu representantes do poder público, investidores e lideranças empresariais para discutir oportunidades de investimentos, concessões e parcerias público-privadas nos setores de infraestrutura e energia. “Nosso objetivo é discutir as prioridades para os próximos anos e apresentar recomendações e propostas que contribuam para a atração de investimentos aos estados, a melhoria dos serviços públicos e a aplicação mais eficiente dos recursos, por meio de parcerias com a iniciativa privada”, destacou Moisés Cona, sócio e Managing Director de Infraestrutura, Energia e Agronegócio do GRI Institute.

Escala 6×1: STF marca audiência de conciliação para debater implementação da mudança

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para a próxima terça-feira (10) uma audiência de conciliação para discutir a implementação da Emenda Constitucional 141/2026, que extinguiu a escala 6×1 e estabeleceu jornada de até 40 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado.

Segundo o ministro, a redução da jornada e a ampliação do repouso semanal não estão em discussão. A audiência tratará exclusivamente de aspectos relacionados à implementação das novas regras, que podem ser objeto de negociação coletiva. A audiência será na próxima terça-feira (10), às 14h, na Sala de Sessões da Primeira Turma do STF.

A audiência foi convocada no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8041, proposta pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O ministro intimou representantes das confederações sindicais empresariais de âmbito nacional (representantes das categorias econômicas) e das centrais sindicais (entidades de representação geral dos trabalhadores), a Advocacia-Geral da União (AGU) e as advocacias do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, além da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Impactos da mudança

A emenda prevê prazo de 60 dias para a primeira etapa da redução da jornada, de 44 para 42 horas semanais, com duas folgas por semana. O limite de 40 horas semanais deverá entrar em vigor em um ano. Na avaliação de Dino, o texto distribuiu os impactos da mudança em etapas e reservou seu efeito mais expressivo para 12 meses depois da primeira etapa. Nesse contexto, a seu ver, o prazo de dois meses não parece, em análise inicial, inviável.

Ele observou, porém, que a própria emenda mantém a exigência de negociação coletiva para ajustar a jornada diária ao novo limite semanal de 42 horas. Por isso, considera necessário buscar uma solução consensual, com a participação dos órgãos responsáveis pela norma e dos setores afetados.

Dino ressaltou ainda que a declaração de inconstitucionalidade de uma emenda constitucional é uma medida excepcional, cabível apenas quando há violação dos limites impostos ao poder de reforma da Constituição. Não cabe ao Supremo, disse, substituir as escolhas do Legislativo por outras que considere mais adequadas ou convenientes, mas verificar se a emenda respeita os limites constitucionais.

Mais uma ação

As regras de transição da emenda também são questionadas na ADI 8042, proposta pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Operação contra fraudes faz 34 prisões em dez estados e no DF

Policiais civis prenderam nesta quinta-feira (5) 34 pessoas suspeitas de participar de uma organização criminosa investigada por fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. A ação foi coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul e deflagrada em dez estados e no Distrito Federal, com o nome de “Operação Fortuna Reversa”.

Entre os 34 presos, 32 foram por mandados de prisão preventiva, um por flagrante e um por prisão cível. Foram apreendidos cinco veículos, sendo dois automóveis e três motocicletas, telefones celulares, um notebook e 201 gramas de substância com aparência de crack.

Os mandados foram cumpridos simultaneamente em diversas partes do país, com apoio das polícias civis de Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pará, Paraná e Maranhão.

A investigação, conduzida pela Delegacia de Polícia de Itaara, no Rio Grande do Sul, teve início após uma fraude que causou prejuízo superior a R$ 1,2 milhão a uma casa lotérica do município. A operação foi coordenada pela delegada Carla Dolores Castro de Almeida, titular da delegacia gaúcha.

“As medidas cumpridas nesta etapa permitirão o aprofundamento das investigações, a responsabilização dos envolvidos e o desenvolvimento das próximas fases da operação, fortalecendo o combate ao crime organizado em todo o país”, esclareceu a delegada.

Ocultação de valores
Os investigadores identificaram uma estrutura criminosa com atuação em diferentes estados brasileiros e responsável pela movimentação e ocultação dos valores obtidos ilegalmente.

Ao todo, 41 pessoas são suspeitas de integrar o esquema, que utilizava uma complexa rede de movimentações financeiras para pulverizar os recursos ilícitos, dificultando o rastreamento do dinheiro e a identificação dos beneficiários.

Em razão da abrangência nacional da investigação e da necessidade de cumprimento sincronizado das medidas judiciais, a operação contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O órgão foi responsável pela articulação institucional entre as polícias civis envolvidas, garantindo a integração operacional necessária para a execução simultânea das diligências e conferindo maior efetividade às ações.

Ministério da Saúde vai comprar até 20 mil doses da vacina contra mpox

Teste positivo para Mpox 
20, 2024. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

O Ministério da Saúde vai adquirir até 20 mil doses da vacina contra a mpox para reforçar o estoque do imunizante no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a pasta, a compra tem caráter preventivo e estratégico.

A mpox é uma doença viral zoonótica anteriormente conhecida como varíola dos macacos. Os sintomas costumam durar de duas a quatro semanas e incluem erupções cutâneas, febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e fraqueza.

As erupções na pele começam como manchas, viram bolhas e formam crostas, frequentemente no rosto, mãos, pés, boca e região genital.

Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos apresenta evolução leve a moderada.

Cenário epidemiológico

Em 2026, o Brasil confirmou 665 casos de mpox, número 94% inferior ao registrado em 2022, quando houve mais de 10 mil ocorrências.

Mesmo com essa redução, o número de casos mantém a necessidade de vigilância e de disponibilidade de imunizantes para atender às demandas identificadas nos estados.

A estratégia nacional de vacinação prioriza pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³, grupo com maior risco de desenvolver formas graves da doença.

A orientação é que essas pessoas procurem os centros de referência onde já realizam acompanhamento para cadastro e posterior agendamento da vacinação.

Também podem receber doses remanescentes pessoas vivendo com HIV/aids com CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras de mpox.

O esquema vacinal é de duas doses, com intervalo de 28 dias.

Transmissão
O vírus causador da doença pode ser transmitido principalmente por contato direto com:

Lesões ou erupções na pele de pessoa infectada;
Secreções corporais (pus, sangue das lesões, saliva);
Objetos contaminados (roupas, toalhas, lençóis, utensílios).
Também é possível contrair a mpox por meio do contato próximo e prolongado com secreções respiratórias de uma pessoa infectada.

Vigilância
O monitoramento epidemiológico é realizado em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde.

As medidas incluem identificação e notificação de casos suspeitos, investigação epidemiológica, diagnóstico laboratorial, isolamento das pessoas infectadas e identificação e orientação de contatos.

Pessoas com sintomas compatíveis com mpox, como lesões ou erupções na pele, devem procurar um serviço de saúde para avaliação.

Durante o atendimento, os profissionais investigam possíveis exposições, orientam sobre os cuidados necessários e, quando indicado, realizam a coleta de amostras para diagnóstico laboratorial.

Quem teve contato próximo com pessoas com suspeita ou confirmação da doença também deve procurar um serviço de saúde para avaliação do risco de exposição.

É recomendada vacinação pós-exposição preferencialmente nos primeiros quatro dias após o contato, mas a aplicação também pode ser realizada em até 14 dias. Nesse intervalo, a efetividade para evitar a infecção é menor, mas a imunização pode contribuir para reduzir o risco de evolução para formas graves.

Itamaraty: diplomatas indígenas e quilombolas tomam posse pela 1º vez

Brasília (DF), 04/11/2026 - Cerimônia no Palácio Itamaraty marcou a posse dos novos integrantes quilombolas e indígenas da carreira diplomática brasileira. Foto: André Guajajara/MPI

Os indígenas Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Terena, do povo Terena, tomaram posse nesta quarta-feira (4), no Palácio Itamaraty, em Brasília, como diplomatas. É a primeira vez na história brasileira que representantes de povos originários entram para o curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores.

Antes de servir, Marcelo e Idjahure vão integrar a turma que se inicia em 2026 e termina em 2028. O curso tem cerca de 60 alunos aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). Do total, quase metade dos ingressos são de grupos subrepresentados na diplomacia brasileira, com 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência e uma quilombola, além dos dois indígenas.

O grupo também tem maior participação proporcional feminina da história, com 45% de mulheres.

O concurso que selecionou os novos alunos do Instituto Rio Branco contou com ações afirmativas como uma política estabelecida no Estatuto da Igualdade Racial (2010) e uma reivindicação de anos dos movimentos de defesa dos direitos humanos.

Nesta quinta-feira (5), no evento de posse dos novos diplomatas, a ministra interina das Relações exteriores, Maria Laura da Rocha, destacou a necessidade de o corpo diplomático brasileiro refletir a diversidade do próprio povo.

“Em tempos de ameaças à democracia e aos direitos duramente reconhecidos na Constituição de 1988, celebrar a entrada dos primeiros diplomatas indígenas e quilombolas brasileiros nessa instituição bicentenária é um ato de resistência”, afirmou Laura da Rocha.

“Ao fazer isso, o Itamaraty reafirma com convicção o papel que esses grupos sociais têm e devem ter na definição da posição do Brasil no mundo”, declarou..

A ministra citou medidas do ministério para promover essa diversidade, como o aumento do Programa de Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, que passou a apoiar, além de pessoas negras, mulheres de baixa renda, indígenas e pessoas com deficiência.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, disse que posse é a materialização do conceito de “Aldear o Estado”, a partir da inserção de lideranças indígenas em espaços técnicos capazes de influenciar decisões dentro e fora do país.

Olhando para trás, ele lembrou que indígenas que chegam hoje ao Itamaraty, há poucos séculos, sequer eram considerados seres humanos.

“É um momento altamente simbólico. Não é apenas um ganho individual ou coletivo, é um ganho de toda a nação e do Estado brasileiro”, disse Terena.

Convidado de honra da cerimônia, intelectual e escritor indígena, trajando a farda da Academia Brasileira de Letras (ABL), o escritor e imortal Ailton Krenak também celebrou o momento e destacou que a presença das famílias e das crianças indígenas na solenidade rompe com a frieza institucional.

“Que mesmo diante das quase impossibilidades, eles sejam capazes de exercitar o verbo esperançar e produzir mundos ricos de sentido”, declarou.

Trajetória
Os dois jovens indígenas que ingressam na carreira diplomática têm destacada trajetória acadêmica e profissional. Marcelo Kariri, natural de Campina Grande (PB) é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), tem MBA em Digital Business pela USP/Esalq. Atuou entre 2021 e 2025 como Engenheiro de Suporte a Produtos e é autor de livro infanto-juvenil.

“Havia uma tradição permeando onde minha família morava de que pessoas como nós enlouqueceriam se estudassem e deveriam ficar apenas nos trabalhos braçais”, contou na cerimônia. “Minha mãe viu na educação uma porta para a vida”.

Idjahure Achkar Terena é doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É também bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

“Estrar no Itamaraty é ter consciência de toda essa história pretérita de exclusão e tutela, batalhando por um futuro ancestral e por um novo presente onde a nossa diversidade étnica finalmente integre o Estado”, avaliou. Idjahure é filho do artista Macsuara Kadiwéu, o primeiro ator indígena do cinema brasileiro.

De uma população de 203 milhões de pessoas, o Brasil tem 1,2 milhão de indígenas distribuídos em 391 etnias falantes de 295 linguas distintas, além de 114 grupos isolados ou de recente contato. Já a população negra do país totaliza 92,1 milhões de pessoas, dos quais 45,3% são pardos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022.

Derrota de Trump coloca em xeque relação histórica dos EUA com Israel

U.S. Vice President JD Vance delivers remarks at the Wilshire Federal Building in Los Angeles, California, U.S., June 20, 2025. Reuters/Daniel Cole/Proibida reprodução

A derrota histórica dos republicanos na eleição de meio de mandato do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, colocou em xeque a sólida relação entre o país norte-americano e Israel, que vem sendo alvo de críticas internas nos últimos anos.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que a relação do país com Israel foi um dos quatro principais motivos apontados por consultor de confiança que fizeram o partido Republicano perder as maiorias na Câmara e no Senado para os Democratas.

No dia da eleição, o presidente Trump anunciou, para surpresa dos aliados em Israel, o fim da ajuda militar ao país estimada em US$ 3,8 bilhões, ao ano, prevista anteriormente para continuar até 2028.

O professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Bruno Huberman avalia que a decisão de Trump de suspender o repasse é resultado de uma mudança nas relações bilaterais entre Washington e Tel Aviv.

São Paulo (SP), 26/06/2025 - O professor de relações internacionais Bruno Huberman é entrevistado por Leandro Demori no programa Dando a Real com Demori na TV Brasil. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Bruno Huberman avalia que a decisão de Trump de suspender repasse é resultado de mudança nas relações bilaterais entre Washington e Tel Aviv – Rovena Rosa/Agência Brasil

“Essa ajuda militar foi muito criticada. Os EUA fornecem ajudar militar para Israel desde o governo de John Kennedy (1961-1963). No primeiro governo Trump (2016-2020), essa ajuda se expandiu de forma muito agressiva”, contou o coordenador do Observatório de Conflitos do Oriente Médio.

A organização não governamental Conselho de Relações Exteriores, sediada nos EUA, afirma que Israel é “há muito tempo, o principal beneficiário da ajuda externa dos EUA, incluindo assistência militar”.

A instituição calcula que, desde a fundação de Israel, em 1947, o país recebeu dos EUA mais de US$ 300 bilhões até 2025. Desse total, US$ 224 bilhões são de assistência militar, mais que o dobro que o segundo colocado, Afeganistão, com US$ 113 bilhões.

O pesquisador do Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais (GECI) da PUC-SP Bruno Huberman destacou que presidente democrata Joe Biden (2020-2024) manteve o nível de ajuda no contexto da guerra na Faixa de Gaza, classificada por especialistas como um genocídio. Esse apoio motivou uma onda de manifestações contrárias em universidades dos EUA em 2024.

“É uma ajuda sem qualquer contrapartida de Israel. O fato de Israel usar esses recursos para comprar armas fabricadas pelas corporações americanas foi muito criticado pela esquerda do Partido Democrata durante a eleição, embora, no poder, os democratas não fizeram nada muito diferente”, destacou Huberman.

Israel em pauta

As eleições nos EUA foram marcadas pela vitória do primeiro mulçumano para o Senado dos EUA, Abdul El-Sayed, pelo estado de Michigan, que fez campanha criticando os gastos do país com ajuda militar a Israel.

“Tentam rotular você como alguém cheio de ódio se você acredita que crianças palestinas deveriam poder crescer na terra de seus antepassados sem serem assassinadas com o dinheiro dos nossos impostos”, afirmou o senador eleito.

O professor da PUC de Minas Danny Zahreddine, especialista em conflitos no Oriente Médio, avalia que o anúncio de Trump de suspender a ajuda militar à Israel foi uma tentativa de impedir a vitória de El-Sayed para o Senado pelo Michigan.

“A relação dos EUA com Israel traz hoje para o público americano um desconforto. Historicamente, o imaginário do mundo americano sempre foi muito favorável a essa relação. Isso começou a se desgastar com o genocídio em Gaza. Essa mudança começa em Gaza”, explicou.

Custo político

O diretor-executivo da Brazil Office Alliance, organização que conecta pesquisadores brasileiros que atuam nos EUA, Paulo Abraão argumentou à Agência Brasil que a Casa Branca reconheceu o custo político da aliança com Israel.

“Eu não diria que isso significa necessariamente o enfraquecimento da aliança estratégica entre os dois países, mas sim uma mudança relevante nas condições políticas de sua sustentação”, comentou.

Belo Horizonte (MG), 27/03/2026 - Danny Zahreddine, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC Minas. Foto: Agência Pública/Divulgação

Danny Zahreddine aponta que o apoio à Israel deixou de ser um consenso bipartidário nos EUA – Agência Pública/Divulgação

Para o analista, o apoio à Israel deixou de ser um consenso bipartidário nos EUA, de democratas e republicanos, e passou a produzir divisões eleitorais, geracionais e ideológicas.

“Acho que o mais interessante é que a eleição demonstrou que a política externa americana no Oriente Médio também pode ser cobrada nas urnas”, concluiu.

Ainda durante a eleição dessa terça, a cidade de Providence, em Rhode Island, aprovou, com cerca de 75% dos votos, uma medida que força a cidade a acabar com os investimentos em “países estrangeiros que conduzem limpeza étnica, apartheid, ocupação militar ilegal ou genocídio”.

Apesar de não citar Israel, a iniciativa foi apresentada pela Coalizão Providence Pela Palestina, contando com apoio do prefeito democrata local, David Morales.

Israel 

Em resposta ao comentário do vice-presidente DJ Vance, dos EUA, o presidente de Israel, Isaac Herzog, reconheceu que existe um sentimento anti-Israel nos EUA.

“Esses são sentimentos que estão no ar em nosso grande amigo e aliado”, acrescentando que Israel sempre “se esforçou ao máximo para ser bipartidário”, buscando apoio tanto dos democratas, quanto dos republicanos, informou o jornal The Times of Israel.

O representante do país do Oriente Médio na ONU, Danny Danon, rejeitou a análise de Vance que responsabilizou as relações com Israel pela derrota nas eleições de meio de mandato. 

“É muito fácil culpar Israel por tudo, mas não é esse o caso”, disse, acrescentando que é preciso “prestar atenção” às vozes críticas à Israel dentro dos EUA. O comentário do diplomata foi em entrevista a emissora i24News.

Fachin pede parecer da PGR sobre pedido de liberdade para Vorcaro

Palácio do Supremo Tribunal Federal na Praça dos Três poderes em Brasília

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pediu nesta quinta-feira (5) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido de soltura protocolado pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Após receber o parecer da PGR, Fachin vai decidir se Vorcaro poderá ser solto. Não há prazo para decisão.

O ex-banqueiro foi preso em março deste ano e está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.

Na semana passada, a Polícia Federal (PF) indiciou Vorcaro e mais 14 investigados pelas fraudes financeiras no Banco Regional de Brasília (BRB).

De acordo com relatório de indiciamentos, o ex-banqueiro teve “participação pessoal, reiterada e diretiva” nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master que causam prejuízos ao BRB.

Após a conclusão parcial das investigações, a defesa do ex-banqueiro criticou o indiciamento promovido pela PF e disse que a corporação se “limita a repetir a mesma narrativa” e não conseguiu avançar nas investigações.

“O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno (empresa de fachada) não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo”, afirmou a defesa.