Sete municípios do país elegeram novos prefeito e vice neste domingo (25)

Neste domingo (25), juntamente com o 2º turno das Eleições Gerais 2026, eleitoras e eleitores dos municípios de Goiatins (TO), Itaguaí (RJ), Narandiba (SP), Martinópolis (SP), Macedônia (SP), Santana do Itararé (PR) e Arroio do Sal (RS) foram às urnas para eleger novos ocupantes dos cargos de prefeito e vice-prefeito em eleições suplementares.

A realização das eleições foi determinada pela Justiça Eleitoral em razão da perda de mandatos dos referidos cargos majoritários, por motivos como indeferimento do registro de candidatura ou cassação do mandato por abuso de poder político e econômico.

Goiatins (TO) 

O candidato Max Luz (Solidariedade) foi eleito prefeito de Goiatins (TO), com 3.863 votos (52,85%), tendo como vice Dominguim do Peixe (MDB). Dida Filgueiras (Podemos) recebeu 3.446 votos (47,15%).

Ao todo, foram registrados 7.703 votos válidos, 35 em branco (0,45%) e 359 nulos (4,66%).

O município tem 8.811 eleitoras e eleitores aptos a votar. Desse total, 7.703 compareceram às urnas, enquanto 1.108 não votaram.

Itaguaí (RJ) 

O candidato Haroldinho Jesus (PDT) venceu a eleição para a Prefeitura de Itaguaí (RJ), com 58.054 votos (77,47%). Seu vice é Fabinho Taciano (Progressistas).

Em segundo lugar, ficou Kelaine Goulart (Novo), que recebeu 14.260 votos (19,03%). No entanto, a candidatura dela está sub judice, ou seja, aguarda análise da Justiça Eleitoral para que sua situação seja definida.

Na terceira colocação, ficou Luciano Mota (PT), com 2.243 votos (2,99%). Marcelo Cunha (Democrata) terminou em quarto lugar, com 380 votos (0,51%).

Itaguaí tem 100.347 eleitores aptos a votar. Desse total, 79.472 (79,20%) compareceram às urnas e a abstenção foi de 20.875 eleitores (20,80%). Entre os votos registrados, 1.749 foram em branco (2,20%) e 2.786 foram nulos (3,51%).

Narandiba (SP) 

O candidato Claudião Damacena (União) recebeu o maior número de votos na eleição suplementar para a Prefeitura de Narandiba (SP), com 2.135 votos (56,90%), enquanto Pedrinho (PRD) recebeu 1.617 votos (43,10%).

A definição do resultado, no entanto, depende de análise da Justiça Eleitoral, uma vez que a candidatura de Claudião Damacena está sub judice.

A cidade de Narandiba tem 4.457 eleitoras e eleitores aptos a votar. Ao todo, 3.934 compareceram às urnas, enquanto 523 não votaram, o que corresponde a uma abstenção de aproximadamente 11,73%. Do total de votos registrados, 3.934 foram válidos, 49 foram em branco (1,25%) e 133 foram nulos (3,38%).

Martinópolis (SP) 

O candidato Beto Leite (União) venceu a eleição suplementar para a Prefeitura de Martinópolis, no interior de São Paulo, com 8.247 votos (59,09%). Sua vice é Fernanda Crepaldi (União).

Em segundo lugar, ficou Marquinhos Xavier (PSDB), que recebeu 4.166 votos (29,85%). Gabriel Valões (MDB) terminou na terceira colocação, com 1.544 votos (11,06%).

O município tem um total de 18.052 eleitoras e eleitores aptos a votar. Desse total, 14.683 (81,34%) compareceram às urnas. A abstenção foi de 3.369 eleitores (18,66%). Foram registrados, ainda, 270 votos em branco (1,87%) e 456 votos nulos (3,11%).

Macedônia (SP) 

O candidato Vado (PSD) venceu a eleição suplementar para a Prefeitura de Macedônia, no interior de São Paulo, com 1.835 votos (57,54%), tendo como vice Pedro Antônio (PSD). Já o candidato Adilson Helena recebeu 1.354 votos (42,46%).

Ao todo, 3.353 eleitores compareceram às urnas, o que representa 81,58% do eleitorado apto a votar, ou 4.110 pessoas. A abstenção foi de 757 eleitores (18,42%).

Do total de votos registrados, 3.189 foram válidos. Também foram contabilizados 44 votos em branco (1,31%) e 120 votos nulos (3,58%).

Santana do Itararé (PR) 

O candidato Zé Izac (PT) venceu a eleição em Santana do Itararé, no Paraná, com 2.043 votos (54,32%). Seu vice é Joaquim do Venerando (Progressistas). Brunão Mota (PSD) recebeu 1.718 votos (45,68%) e terminou em segundo.

Dos 4.660 eleitores aptos a votar no município, 3.957 (84,91%) compareceram às urnas, enquanto 703 não votaram. Do total de votos registrados, 3.761 (95,05%) foram válidos. Também foram contabilizados 107 votos em branco (2,70%) e 89 votos nulos (2,25%).

Arroio do Sal (RS) 

Felipe Valim (MDB) foi eleito prefeito de Arroio do Sal, no Rio Grande do Sul, com 4.592 votos (62,96%). Seu vice é Alemão do Mercado (PSDB). O candidato Valdir Cenci (PP) obteve 2.701 votos (37,04%) e ficou em segundo.

O município registrou o comparecimento de 7.688 eleitoras e eleitores, de um total de 9.496 aptos a votar. Foram contabilizadas 1.808 abstenções (19,04%). Na apuração, os votos válidos somaram 7.293 (94,86%), outros 154 votos foram em branco (2%) e 241 nulos (3,13%).

Eleições suplementares

São realizadas eleições suplementares quando há decisão da Justiça Eleitoral que resulta no indeferimento do registro de candidatura, na cassação do registro ou diploma ou na perda do mandato do candidato mais votado no pleito majoritário.

Nunes Maques diz que decisão de Zanin dificultou processo eleitoral

Brasília -DF- 25/10/2026 – Ministro Kassio Nunes Marques, Presidente do Senado, Davi Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta durante coletiva a imprensa. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, disse neste domingo (25) que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin que ampliou em duas horas o período de votação gerou “dificuldades para o processo eleitoral”.

Durante coletiva de imprensa para apresentar um balanço do segundo turno das eleições, Kassio disse que a decisão foi recebida por ele após as 17h, horário oficial da votação.

Segundo o presidente, nunca houve decisão anterior sobre ampliação do horário de votação.

“A decisão proferida após o horário de encerramento da votação gerou dificuldades no processo eleitoral. Assim que recebi o pedido de prorrogação do horário da votação, por volta das 15h30, busquei informações técnicas, apesar de não haver normativo que autorizasse qualquer prorrogação”, afirmou.

Kassio também garantiu que as denúncias sobre restrição de transporte coletivo serão apuradas pela Justiça Eleitoral.

“A eventual insuficiência de transporte sempre será apurada e enfrentada pela Justiça Eleitoral, instituição a quem nossa Constituição atribuiu a competência exclusiva de gerir o processo eleitoral”, completou.

Votação
O dia de votação foi marcado por denúncias da campanha do presidente da República reeleito Luiz Inácio Lula da Silva sobre a restrição no transporte de eleitores de municípios dos estados do Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco , Roraima e Bahia.

Após o registro dos casos, a campanha de Lula recorreu ao TSE para solicitar a ampliação da votação até as 19h

Diante a inércia do presidente do TSE, que não decidiu a questão, o PT foi ao Supremo, e o ministro Cristiano Zanin determinou a ampliação do horário.

Imprensa internacional destaca vitória histórica de Lula

Capa do NY Times sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: NYTimes/Reprodução

A vitória histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato, estampou a página digital de alguns dos principais jornais do planeta.

Na página do jornal americano The New York Times na internet, a manchete no fim da noite destacava a vitória do Lula e a rejeição do filho de seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conteve um movimento de direita liderado por Flávio Bolsonaro, cujo pai foi condenado por tentativa de golpe após a eleição de 2022”, diz o periódico.

O britânico The Guardian destacou a virada inédita de Lula, que perdeu o primeiro turno e conquistou o quarto mandato presidencial, além da derrota política da extrema direita bolsonarista.

O jornal El País, com sede na Espanha, enfatizou a virada de Lula, citando a diferença de 4 milhões de votos de vantagem do presidente à frente de Flávio, e pontuando que o petista se consolida como uma resistência a Trump.

Na mesma linha, a agência de notícias Associated Press (AP) enfatiza a vitória de Lula como um revés para Trump e para a expansão da influência norte-americana sobre a América Latina, além de destacar o quarto mandato presidencial.

O alemão Der Spiegel também estampou em sua versão digital a escolha do povo brasileiro pela continuidade de Lula, aos 80 anos, na presidência brasileira.

Na Argentina, o Clarín destacou que Lula deu a volta na eleição, superando Flávio Bolsonaro por mais de três pontos percentuais.

A rede árabe Al Jazeera, do Qatar, noticiou que o presidente Lula superou por pequena margem seu rival, o senador Flávio Bolsonaro, e conquistou um quarto mandato inédito, citando o órgão eleitoral oficial do Brasil.

Nas redes sociais, líderes latino-americanos saúdam Lula pela vitória

São Paulo (SP), 25/10/2026 - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa após vitória nas eleições 2026, no hotel Intercontinental. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Momentos após a confirmação oficial da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais do Brasil, líderes de países vizinhos foram às redes sociais cumprimentar o presidente reeleito.

Um deles foi o presidente do Uruguai, Yamandu Orsi, que disse ter se comunicado com Lula para felicitá-lo. “Eu o cumprimentei pelo triunfo e pela festa democrática que representa o processo eleitoral”, afirmou.

“Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil. Felicidades presidente Lula”, escreveu a presidente do México, Claudia Sheinbaum.

Outro líder que se manifestou foi o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz. “Bolívia e Brasil somos países vizinhos e irmãos, unidos por uma história e desafios comuns. Seguiremos trabalhando juntos para fortalecer nossa relação e gerar mais oportunidades para nossas nações”, escreveu o mandatário.

O presidente do Panamá, José Raul Mulino, também foi às redes sociais saudar Lula. “Felicito o povo brasileiro por esta jornada democrática e especialmente ao presidente Lula por sua vitória. Seguiremos trabalhando juntos por nossos países”, postou.

Na mesma linha, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi outro que saudou Lula e o povo brasileiro pela jornada democrática.

Flávio não reconhece vitória de Lula e tentará anulação do pleito

Brasília (DF), 25/10/2026 - O candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), fala com jornalistas após ser derrotado no segundo turno das eleições pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, anunciou na noite deste domingo (25) que não vai reconhecer o resultado das urnas, apesar da diferença de mais de 4,4 milhões de votos a favor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A justificativa seria a prorrogação do horário de votação eleitoral, decidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que atendeu um pedido de ambas as candidaturas, incluindo a da campanha de Flávio.

“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. A gente não está aqui para brincadeira. Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo. Mais uma vez, pelos amigos do Lula do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Flávio em comunicado à imprensa ao lado de aliados, na frente de seu QG de campanha, em Brasília.

Para ele, os acontecimentos do segundo turno foram inaceitáveis.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal. Foi algo, inclusive, inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada, a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17h01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral [TSE], atropelando a justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e diferentes estados. Eu nunca vou saber se num estado onde as urnas não foram reabertas quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu”, disse o candidato.

Sem fazer menção aos mais de 59 milhões de votos recebidos, Flávio Bolsonaro saiu sem responder às perguntas.

Zanin tomou a decisão sobre a prorrogação do horário de votação, até às 19h, em caráter de urgência, considerando graves os relatos de dificuldades no transporte de eleitores, especialmente em cidades da Bahia e na cidade de São Paulo.

A determinação, anunciada próximo das 17h, horário previsto para o encerramento da votação, inicialmente estabeleceu a extensão do prazo em todas as seções eleitorais.

Após informações do TSE de que diversas urnas já haviam sido fechadas, o ministro esclareceu que a prorrogação deveria ser aplicada somente às seções que ainda estavam abertas.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais a manterem essas seções em funcionamento até as 19h. Os votos registrados nas urnas já encerradas seriam computados normalmente.

Lula agradece votos e diz que teve de vencer intromissão vinda de fora

São Paulo (SP), 25/10/2026 - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa após vitória nas eleições 2026, no hotel Intercontinental. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Em primeiro discurso após a vitória nas eleições presidenciais deste domingo (25), o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito com mais de 64 milhões de votos, agradeceu ao povo brasileiro pela generosidade e afirmou que teve que vencer a interferência das plataformas digitais vinda do exterior. Lula disse que terá que regulá-las em seu novo mandato.

“É uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual crime na vida real”, disse.

“Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande, ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, acrescentou.

Lula, que completará 81 anos na próxima terça-feira (27), foi reeleito para o quarto mandato. Ele já presidiu o país de 2003 a 2010 e de 2023 a 2026. Lula destacou que é o único presidente sem diploma que conseguiu ser eleito quatro vezes.

O resultado marca um momento histórico para a política brasileira e evidencia uma conquista após intensa mobilização coletiva. “Eu queria agradecer ao povo brasileiro a generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E, neste segundo turno, agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para rua para defender a democracia, quero agradecer às pessoas idosas.”

“Eu vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas pelos seus netos para ir votar, pessoas impossibilitadas de se locomover, pessoas com câncer e com outros tipos de doença, e as pessoas foram votar porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar a democracia do país”, acrescentou Lula.

Novo governo
O presidente disse que as eleições de 2026 trouxeram muitas lições. Ele agradeceu ao deputado federal André Janones, que coordenou uma campanha nas redes sociais de apoio à reeleição e disse que o novo governo será marcado pela participação popular em nas decisões.

“Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões. E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, mencionou.

“Não vou ficar permitido ser interpretado por jornalista com má fé. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço”, acrescentou. Lula fez um discurso por volta das 22h20 em um auditório do hotel InterContinental, na capital paulista. Logo em seguida, Lula deixou o local e seguiu para a avenida Paulista, onde ocorre uma grande comemoração de seus apoiadores.

Apoio
Estavam presentes na coletiva o vice-presidente Geraldo Alckmin; o deputado federal reeleito André Janones, que impulsionou a campanha de Lula neste segundo turno; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o ministro de Desenvolvimento Social, Wellington Dias; a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República; a deputada federal Sâmia Bonfim.

Além disso, o deputado estadual Eduardo Suplicy; o ex-ministro da Fazenda e candidato derrotado para o governo de São Paulo, Fernando Haddad; o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; o senador Camilo Santana; ex-ministra do Meio Ambiente, a deputada federal Marina Silva; a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet; o ex-prefeito de Recife, João Campos, candidato derrotado ao governo de Pernambuco e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, coordenador de comunicação da campanha de Lula.

Após o resultado do primeiro turno das eleições de 2026, milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades de todas as regiões do país em defesa da democracia, da Constituição Federal e dos direitos adquiridos após o fim da ditadura militar no país. Os direitos humanos são, inclusive, uma área que, historicamente, diferenciam de maneira significativa os dois candidatos que disputaram o segundo turno das eleições presidenciais.

Enquanto Lula ascendeu politicamente no fim dos anos 1970, fazendo o enfrentamento à ditadura militar e às graves violações de direitos humanos do regime, Flávio Bolsonaro é herdeiro político do pai, Jair Bolsonaro, um notório defensor da ditadura e admirador do coronel Carlos Brilhante Ustra, apontado pela Comissão Nacional da Verdade como responsável por diversos crimes no período ditatorial, incluindo torturas e mortes.

Economia
Nas propostas econômicas, o presidente reeleito aposta na continuidade do modelo atual, com investimentos públicos, programas sociais e valorização da renda. Lula pretende manter e aperfeiçoar programas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, além de preservar políticas de combate à fome.

Lula pretende manter o arcabouço fiscal, mecanismo que estabelece limites para o crescimento das despesas públicas. Na área tributária, ele defende maior progressividade, com participação proporcionalmente maior das rendas mais altas no financiamento do Estado.

Ele defende a valorização real do salário mínimo e também prioriza a manutenção de direitos trabalhistas e a ampliação da proteção social. A política econômica também prevê investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável.

Educação
Para Lula, a educação constitui o principal instrumento de transformação e mobilidade social. Entre as propostas estão a construção de creches e pré-escolas, ampliação de medidas de formação docente e valorização dos professores, além de aumentar o número de matrículas em tempo integral e aprimorar programas como o Pé-de-Meia.

Além disso, o presidente reeleito destaca medidas de apoio à formação docente e para elevar o interesse de estudantes de licenciaturas pela profissão, a exemplo do Pé-de-Meia Licenciatura. Por meio do reforço do programa Bolsa Mais Professores, Lula também quer atrair e manter docentes em redes públicas de educação básica e áreas do conhecimento com carência de profissionais.

“Vamos mudar o jeito de governar este país”, diz Lula

São Paulo (SP), 25/10/2026 - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa após vitória nas eleições 2026, no hotel Intercontinental. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

No primeiro discurso após a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que mudará o jeito de governar o Brasil.

Com 100% das urnas apuradas, Lula registrou mais de 64,2 milhões de votos, o que corresponde a 51,79% dos votos válidos.

Ele prometeu investimentos em economia digital, em educação, na preservação do meio ambiente, na modernização do Sistema Único de Saúde (SUS) e cobrou a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança.

“Essa eleição me ensinou muitas lições. Quero dizer que vamos mudar o jeito de governar este país. Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. Quero dizer que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, declarou o presidente em São Paulo.

Logo após agradecer ao deputado André Janones (Rede-MG) pelo trabalho de articulação nas redes sociais no segundo turno das eleições, Lula disse que passará a se comunicar mais diretamente com o povo.

“Daqui para a frente, vou conversar com o povo brasileiro muitas vezes por dia direto. Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalista com má-fé. Vou dizer o que penso, o que faço”, acrescentou Lula.

Datacenters
O presidente reeleito disse que pretende tornar a economia digital um dos eixos do novo governo. Prometeu aproveitar o potencial de energia renovável para atrair datacenters (centro de dados) para o Brasil. Também prometeu a criação de uma inteligência artificial brasileira.

“Temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tenha mais capacidade de energia renovável para trazer os datacenters necessários para acumular dados no Brasil. E essa gente vai ter que deixar uma parte dos datacenters para as informações brasileiras”, declarou.

Educação e IA
Em seu quarto mandato, Lula prometeu investir em educação, com a universalização da escola integral até o ensino médio. O presidente reeleito prometeu reforçar o programa Pé-de-Meia para o ensino médio e expandir o programa para os universitários.

Lula prometeu reforçar o ensino de ciências exatas para que o Brasil conquiste a soberania na inteligência artificial.

“Queremos ensinar mais matemática, mais engenharia porque não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa e americana. Quero criar uma [inteligência artificial] brasileira”, declarou.

Big techs
O presidente reeleito também disse que, após as interferências das grandes empresas de tecnologia nas eleições brasileiras, trabalhará pela regulamentação das big techs.

“Vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime da vida real”, declarou.

“Não podemos ter empresas monstruosas e grandes ganhando bilhões, não pagando nenhum imposto neste país, tentando direcionar o resultado eleitoral deste país”, acrescentou.

Saúde
Em relação à saúde, Lula disse que uma das principais motivações na campanha foi evitar a privatização do SUS. O presidente reeleito prometeu investir na modernização do sistema, com melhoria no tratamento do câncer nos hospitais públicos.

“Vamos continuar fazendo a revolução do SUS. Estou convencido que o Brasil será o país com o maior percentual de tratamento de câncer do mundo”, afirmou.

Lula destacou os investimentos na construção do hospital inteligente em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), financiado pelo Banco do Brics, e prometeu a criação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) inteligentes.

“Vamos ter 15 UTIs inteligentes neste país para não permitir que as pessoas não morram por falta de tratamento por tempo”, destacou.

Segurança
Sem citar a votação da PEC da Segurança Pública, em tramitação no Senado, Lula defendeu a federalização do tema. Segundo ele, muitos dos problemas atuais decorrem do fato de que a Constituição de 1988 transferiu toda a responsabilidade sobre a segurança para os estados.

“Agora está provado que os estados não dão conta. Vamos entrar para devolver às mulheres, aos homens e aos trabalhadores a tranquilidade e a paz [de] que eles precisam. Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão”, concluiu Lula.

Em virada histórica, Lula derrota Flávio e chega ao quarto mandato como presidente do Brasil

Em uma eleição acirrada marcada por uma virada inédita, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) presidente da República e conquistou seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto.

A confirmação da vitória de Lula foi feita pelo sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 21h08, quando 97% das urnas já tinham sido apuradas. Àquela altura, Lula tinha 51,74% e Flávio tinha 48,26%. As informação é do g1.

Às vésperas de completar 81 anos, o que ocorrerá na próxima terça-feira (27), o petista se tornou, ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL), o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto popular.

A quarta vitória ocorre mais de duas décadas depois de chegar ao poder pela primeira vez, em 2002.

A virada histórica se deu após uma forte mobilização da campanha do petista, nas ruas e nas redes sociais.

No quarto mandato, Lula terá grandes desafios, como lidar com uma forte oposição no Congresso Nacional e equilibrar as contas públicas após ampliar benefícios durante campanha eleitoral e prometer reforçar programas sociais.

Um dos fundadores do PT, Lula foi eleito presidente em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao Planalto em 2023, após vencer Jair Bolsonaro, pai de Flávio, nas eleições de 2022.

Sua trajetória também foi marcada por três derrotas presidenciais, condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), 580 dias de prisão e o retorno à disputa eleitoral.

A nova vitória consolida Lula como o principal personagem da política brasileira no século 21. E garante ao petista mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto.

Depois de ficar atrás de Flávio no primeiro turno, 47% a 45% dos votos válidos, o petista protagonizou uma virada histórica na segunda etapa da disputa eleitoral.

Votação no exterior: Lula vence em 37 países e Flávio Bolsonaro em 12 até agora

Do g1

Parcial

Lula – 71.458 votos
Flávio – 56.031 votos

Quase 1 milhão de brasileiros que vivem no exterior estão aptos no segundo turno das eleições presidenciais. A votação é realizada em 186 cidades em mais de cem países.

Até as 15h03 no horário de Brasília, Lula havia vencido em 37 países ou territórios, enquanto Flávio Bolsonaro havia vencido em 12 países, segundo boletins de urna divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o momento.

Apoiadores de Lula (PT) se reúnem para votar em seção eleitoral de Lisboa, capital de Portugal, no dia 25 de outubro de 2026 — Foto: Filipe Amorim/AFP
Apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) se reúnem para votar em seção eleitoral de Lisboa, em Portugal, no dia 25 de outubro de 2026 — Foto: Filipe Amorim/AFP

Ao longo deste domingo (25), o g1 realiza um levantamento de boletins de urna de diferentes partes do mundo para antecipar os números da apuração no exterior. O resultado consolidado, no entanto, só será divulgado pelo TSE após as 17h (horário de Brasília), quando a votação termina no Brasil.

Oceania e Ásia:

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Salvador: Procon atualiza para 544 total de ônibus parados em garagens

O Procon da Bahia atualizou para 544 o total de ônibus de transporte público parados em cinco garagens de Salvador, após denúncias de eleitores sobre o bloqueio da saída dos veículos. A informação foi confirmada pela Secretaria de Comunicação Social do governo do estado.

Em nota, a secretaria detalhou que, das cinco garagens onde foram localizados veículos parados, duas estão localizadas na Barros Reis e três, no Subúrbio.

“Na garagem da OT Trans, os fiscais encontraram 55 veículos parados no pátio, mas aptos a operar, em descumprimento à legislação eleitoral, que determina o uso de toda a frota para garantir o transporte durante o período eleitoral. A empresa foi fiscalizada, e o órgão adotará as medidas administrativas cabíveis”, informou a secretaria.

Ainda de acordo com o comunicado, na garagem da empresa OT Trans G3, no bairro Campinas de Pirajá, foram localizados 118 veículos no pátio. Na Integra Plataforma Barros Reis (G7), há 55 veículos parados. Na Integra Plataforma Suburbana, são 142. Na OT Trans, na estrada Velha de Campinas de Pirajá, há 174 carros no pátio.

“A fiscalização segue em outras garagens da capital”, concluiu a secretaria.

Restabelecimento da frota
Diante do cenário, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento imediato da frota integral do transporte público de Salvador, operando com frequência equivalente à de dias úteis e mantida a gratuidade integral aos passageiros.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Maurício Kertzman Szporer, determinou ainda, à Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), que prenda o secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza.

Tropas disponíveis
Após a decisão, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), disse, em seu perfil na rede social X, ter colocado a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública à disposição para identificar policiais com habilitação categoria D, aptos a dirigir os ônibus, caso necessário.

Restabelecimento
Já a prefeitura de Salvador informou, em nota, ter determinado que todos os ônibus fossem liberados das garagens, ainda que estivessem com adesivação considerada como propaganda irregular, facilitando a locomoção de eleitores neste domingo.

Entenda
Desde a manhã deste domingo, eleitores relatam dificuldades para chegar aos locais de votação em Salvador e se queixam sobre demora e problemas na circulação de ônibus durante o segundo turno das eleições.

De acordo com o governo baiano, fiscais encontraram ônibus aptos para operação que permaneciam nas garagens durante a vistoria realizada no dia da votação.