Artigo: Quando os moradores ensinam a cidade a falar sua própria língua

Existe uma experiência urbana que todos compartilhamos, mas nem sempre percebemos conscientemente: a capacidade de nos orientarmos nos espaços que habitamos. Quando caminhamos por um bairro desconhecido, procuramos sinais que nos indiquem onde estamos e para onde devemos ir. Esses sinais podem ser placas oficiais, monumentos, referências naturais ou mesmo aquela padaria da esquina que todos conhecem. A forma como lemos e interpretamos a cidade determina não apenas nossa mobilidade física, mas também nosso sentimento de pertencimento a ela.
O conceito de legibilidade cidadã surge justamente dessa necessidade humana de compreender e se apropriar do espaço urbano. Diferente dos sistemas tradicionais de sinalização, que costumam ser impostos de cima para baixo por técnicos e administradores públicos, essa abordagem propõe algo revolucionariamente simples: perguntar às pessoas que vivem nos bairros como elas mesmas enxergam e nomeiam seus territórios. Trata-se de reconhecer que os moradores são os verdadeiros especialistas na geografia afetiva de seus lugares, aqueles que conhecem cada atalho, cada ponto de encontro, cada história que transforma ruas anônimas em espaços carregados de significado.
Quando observamos bairros que cresceram rapidamente, especialmente nas periferias das grandes cidades, notamos um fenômeno recorrente: a ausência de identidade visual clara. Conjuntos habitacionais se repetem em padrões idênticos, ruas carecem de nomes que façam sentido para quem as percorre diariamente, e referências importantes para a comunidade permanecem invisíveis para visitantes e até para novos moradores. Essa desorientação não é apenas física, ela representa uma forma de apagamento da memória coletiva e da cultura local.


A proposta de construir sistemas de orientação de maneira participativa inverte essa lógica. Imagine reuniões públicas onde moradores de diferentes gerações se encontram para mapear colaborativamente os pontos importantes de seu bairro. Ali surgem histórias fascinantes: a praça que na verdade todos chamam por outro nome em homenagem a um antigo morador querido, o campo de futebol que virou referência para marcar encontros, a esquina onde funciona o comércio informal que abastece toda a vizinhança. Esses lugares existem no imaginário coletivo, mas frequentemente não aparecem em mapas oficiais nem em aplicativos de navegação.


Ao sistematizar essas informações e transformá-las em sinalização real, algo poderoso acontece. Primeiro, os moradores se veem representados no próprio território, reconhecendo suas histórias materializadas em placas, totens e outros elementos urbanos. Segundo, visitantes e novos habitantes conseguem acessar a cultura local de forma mais orgânica, aprendendo não apenas a se locomover, mas a compreender as camadas de significado que tornam aquele lugar único. Terceiro, estabelece-se um processo contínuo de construção e reconstrução da identidade territorial, porque as cidades são organismos vivos que se transformam constantemente.


Esse processo participativo também revela conflitos e disputas sobre como o espaço deve ser nomeado e compreendido. Diferentes grupos podem ter memórias distintas sobre os mesmos lugares, e o diálogo se torna fundamental. Nesses momentos, a legibilidade cidadã transcende a função prática de orientação e se converte em exercício democrático, onde a comunidade negocia coletivamente sua própria narrativa urbana.


Massificar essa prática significa reconhecer que todo bairro, independentemente de sua localização ou condição socioeconômica, merece ter sua identidade respeitada e comunicada. Significa entender que a cidade justa não é apenas aquela que oferece infraestrutura básica, mas também aquela onde as pessoas podem se reconhecer, se orientar e se sentir verdadeiramente em casa. Quando caminhamos por uma rua e entendemos por que ela se chama assim, quando encontramos facilmente os espaços públicos que a comunidade valoriza, estamos exercendo nosso direito à cidade de forma plena e digna.

Marcelo Rodrigues, é advogado especialista em direito ambiental e urbanístico, consultor técnico em sustentabilidade da Prefeitura Municipal de Caruaru, ex-Secretário de Meio Ambiente do Recife.

Pernambuco alcança marca histórica de 1,5 mil quilômetros de estradas recuperadas

O Governo de Pernambuco atingiu a marca histórica de 1,5 mil quilômetros de rodovias recuperadas em todas as regiões do Estado. Ao todo, foram investidos R$ 4,6 bilhões nestas vias, por meio do PE na Estrada, o maior programa de recuperação rodoviária da história de Pernambuco. A Região Metropolitana do Recife (RMR) concentra o maior volume de recursos, com o aporte de mais de R$ 1,5 bilhão, seguida pelo Agreste, com R$ 1,2 bilhão, pelas Matas Norte e Sul, que somam quase R$ 1 bilhão, e pelos Sertões, com cerca de R$ 900 milhões investidos.

“O programa PE na Estrada está em ritmo acelerado. Estamos conectando regiões, fortalecendo a economia, impulsionando o turismo e garantindo mais segurança e dignidade para quem vive e trabalha no nosso Estado. Esse é um avanço que mostra que Pernambuco voltou a investir em infraestrutura de forma estruturante e responsável. Em todas as regiões do Estado, há obras finalizadas”, afirmou a governadora Raquel Lyra.

Entre as obras que integram o quantitativo já entregues estão intervenções em diferentes regiões do Estado, como a APE-009, entre Nossa Senhora do Ó e Muro Alto, em Ipojuca, na RMR; e a APE-062, em Aliança, na Mata Norte. Também foram concluídas a PE-045, entre Escada e Vitória de Santo Antão, na Mata Sul; a PE-149, entre Agrestina e Lajedo, no Agreste; a PE-270, entre Arcoverde e Itaíba; a PE-633, em Petrolina; e a PE-499, entre Terra Nova e Cabrobó, estas últimas no Sertão do Estado.

“Temos avançado na recuperação de estradas de ponta a ponta de Pernambuco. Essa é uma marca histórica, mas que não vamos parar, a meta segue com obras importantes como o Arco Metropolitano”, disse o secretário de Mobilidade de Infraestrutura, André Teixeira Filho.

Além das estradas já entregues, o Governo de Pernambuco mantém um conjunto robusto de obras em andamento, com ritmo acelerado de execução. Entre elas estão o Arco Metropolitano Viário, no trecho do Cabo de Santo Agostinho, com investimento previsto de R$ 632 milhões; a PE-027 (Estrada de Aldeia), com previsão de R$ 92 milhões, ambas na Região Metropolitana do Recife; a BR-104, entre o distrito de Pão de Açúcar, em Taquaritinga do Norte, e Vertentes, com R$ 141 milhões, no Agreste; a PE-060, entre Cabo de Santo Agostinho e São José da Coroa Grande, com R$ 80 milhões; e a PE-630, entre o distrito de Barra de São Pedro, em Ouricuri, e Trindade, com investimento de R$ 27 milhões.

Segundo o diretor-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), André Fonseca, o resultado reflete a retomada da capacidade do Estado em executar grandes obras de infraestrutura. “Alcançar essa marca é fruto de um trabalho contínuo de engenharia, fiscalização e gestão. O DER atua hoje com um amplo conjunto de obras em diferentes fases, garantindo mais segurança viária, melhor mobilidade e eficiência para quem utiliza a malha rodoviária diariamente”, enfatizou.

Lançado em outubro de 2024, o programa PE na Estrada é a maior iniciativa de infraestrutura rodoviária da história de Pernambuco, com um investimento total de R$ 5,1 bilhões na recuperação de diversas rodovias.

Foto 1 – Janaina Pepeu/Secom
Fotos 2 e 3 – Yacy Ribeiro/Secom
Fotos 4 e 5 – Hesíodo Góes/Secom
Foto 6 – Miva Filho/Secom
Foto 7 – Ed Machado/Governo de Pernambuco

Juntos pela Segurança: governadora Raquel Lyra comanda aula inaugural de 189 alunos do curso de oficiais da Polícia Militar

Dos 7 mil novos profissionais aprovados, 3.183 já reforçam a segurança nas ruas em todo o Estado

A governadora Raquel Lyra comandou, nesta segunda-feira (19), a aula inaugural da terceira turma do Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE). Com duração de 12 meses com carga horária total de 1.886 horas-aula, participam do curso de oficiais 189 alunos, sendo 155 homens e 34 mulheres que, já reforçarão o efetivo, assumindo o posto de 2º tenente, em dezembro deste ano. Com esta iniciativa, o Governo do Estado dá mais um passo em direção à recomposição das forças de segurança pública, ampliando a capacidade de resposta na defesa da população.

“Hoje demos início ao curso de formação da terceira turma de oficiais do nosso concurso público. São 189 novos oficiais da polícia militar que, daqui a alguns meses, vão poder ser empossados e assumir a liderança da segurança pública de Pernambuco. A gente tem feito um investimento na segurança pública através do Juntos pela Segurança de R$ 2,3 bilhões, e fazia muito tempo que não se tinha um investimento desta natureza”, afirmou a governadora Raquel Lyra.

Esta é a última turma com aprovados nos concursos de 2023 para forças de segurança do Estado. Até o segundo semestre deste ano, Pernambuco terá sete mil novos profissionais de segurança, dos quais 2.299 soldados da PM já estão nas ruas, tornando a rotina da população mais segura. Ao todo, a segurança de Pernambuco já ganhou o reforço de 3.183 servidores.

O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, destacou o momento de segurança que o Estado vive. “Tivemos hoje a aula inaugural da última turma do Curso de Formação para Oficiais, fechando aquele compromisso de sete mil novos servidores na segurança pública de Pernambuco. Essa turma irá se formar até dezembro. Tudo isso somado a um investimento maciço, com armamento e com equipamento de proteção individual, nunca feito antes”, explicou o titular da pasta.

Por meio da Secretaria de Defesa Social (SDS), o Governo do Estado já renovou 100% da frota locada pela pasta, além de ampliar em 24,09%, saindo de 2.420 para 3.003 novas viaturas. Já foram distribuídos mais de 18 mil novos coletes de proteção individual, além de mais de 24 mil pistolas. Apenas em novembro do ano passado, a gestão estadual entregou R$ 73 milhões em armas, viaturas e helicóptero.

Para o comandante-geral da PMPE, coronel Ivanildo Torres, a corporação ganha liderança qualificada para atuar nas ruas. “Esses alunos fazem parte de um pacote de três turmas do Curso de Formação de Oficiais, e assim, estamos formando os líderes dos próximos 35 anos, que comandarão a tropa no terreno”, disse o coronel.

A aluna do curso de oficiais, Taynã Ramalho, é policial da corporação há oito anos. “Ascender no cargo de oficial é uma realização pessoal, sobretudo de saber que posso contribuir com a sociedade, fazer parte de uma corporação que eu me orgulho muito. Eu espero estar pronta para gerir a minha tropa de forma eficiente para prestar um bom serviço à sociedade”, finalizou.

Já John Félix dos Santos, de 27 anos, contou do seu ingresso no curso de oficiais. “A partir do momento que eu ingressei como soldado, isso se tornou um objetivo a ser alcançado. Eu e os demais, temos a missão de liderar e fazer com que a segurança pública seja ainda mais efetiva”, concluiu.

Estiveram presentes na agenda o delegado-geral da Polícia Civil, Felipe Monteiro; o comandante-geral em exercício do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, Iremberg Barros; e a gerente-geral em exercício da Polícia Científica, Fernanda Porto.

No Recife, governadora Raquel Lyra entrega requalificação das UTIs Neonatais 1 e 2 do Hospital Barão de Lucena

A unidade conta com 20 leitos voltados ao atendimento de recém-nascidos prematuros ou que necessitam de monitoramento intensivo

A governadora Raquel Lyra entregou, nesta segunda-feira (19), a requalificação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Neonatais 1 e 2 do Hospital Barão de Lucena (HBL), no Recife. O espaço, que conta com 20 leitos, recebeu investimento de R$ 9,2 milhões do contrato de manutenção do Governo de Pernambuco e fortalece a assistência aos recém-nascidos em situação de risco em uma das principais maternidades públicas do Estado, que completou 68 anos de atividade.

“É uma alegria poder entregar as novas UTIs Neonatais do Hospital Barão de Lucena, que atende os pacientes mais críticos de todo o Estado. Estamos investindo em reformas, manutenção e compra de equipamentos em todos os 27 hospitais da nossa rede pública, e cada vez que inauguramos uma etapa, é uma nova vida que trazemos para cá. São mais de R$ 40 milhões de investimentos já garantidos e em execução aqui no Barão de Lucena e isso vai fazer com que tenhamos um novo padrão de qualidade do atendimento na saúde pública em Pernambuco”, afirmou a governadora Raquel Lyra.

As unidades são voltadas ao atendimento de recém-nascidos prematuros, com baixo peso ao nascer ou que necessitam de monitoramento intensivo. Segundo a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, a requalificação traz como novidade uma unidade de isolamento, utilizada para tratamento de doenças como meningite.

“Estamos entregando esses espaços absolutamente requalificados, com toda a estrutura de revestimento, estrutura elétrica, hidráulica e com muito mais conforto para os profissionais e mais segurança para as crianças. Além de um adicional de ter muito mais conforto para as mães também com poltronas”, explicou a titular da pasta.

A requalificação incluiu intervenções no sistema hidrossanitário e estrutural, além da melhoria da iluminação, climatização, instalação de piso vinílico, novo revestimento cerâmico e manutenção do forro, proporcionando mais conforto e segurança para pacientes e profissionais.

Para o diretor-geral do HBL, Rodrigo Guido, as melhorias impactam diretamente na qualidade da assistência da unidade. “Somos referência para o Estado em oncologia, pediatria, neonatologia, obstetrícia e em casos de alto risco. Trabalho aqui há 10 anos e, somente nestes últimos quatro anos, foi que vi mudanças dentro da unidade. Hoje temos um plano gestor de manutenção, reforma e aumento de área hospitalar. Tudo programado, em conjunto e escutando os médicos”, afirmou o diretor.

Administrado pelo Governo de Pernambuco desde 1992, o Hospital Barão de Lucena funciona como hospital geral e maternidade, sendo referência em Pediatria, Obstetrícia de Alto Risco, Oncologia, Clínica Médica e Terapia Renal Substitutiva, além de cirurgias de alta complexidade. A unidade também oferece emergência pediátrica e obstétrica, atendimento ambulatorial e serviços de apoio às mães de crianças internadas em UTI.

Também estiveram presentes na entrega a secretária da Mulher, Juliana Gouveia; além da vereadora do Recife, Flávia de Nadegi.

Fotos: Yacy Ribeiro/Secom

Caixa começa a pagar Bolsa Família de janeiro

A Caixa Econômica Federal começa a pagar a parcela de janeiro do Bolsa Família. Recebem nesta segunda-feira (19) os beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 1. Ao todo cerca de 18,8 milhões de famílias receberão o benefício neste mês.

Os beneficiários de nove estados receberão o crédito nesta segunda, independentemente do número final do NIS. O pagamento unificado beneficia localidades em situação de emergência ou em estado de calamidade pública nos seguintes estados: Amazonas, Bahia, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.

O valor mínimo corresponde a R$ 600. Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a famílias com gestantes e filhos de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a famílias com crianças de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Além do benefício integral, cerca de 2 milhões de famílias estão na regra de proteção em novembro. Em vigor desde junho de 2023, essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo.

Desde junho do ano passado, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. No entanto, quem entrou na regra até maio de 2025 continua a receber metade do benefício por dois anos.

Desde 2024, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Auxílio Gás

Neste mês, não haverá o pagamento do Auxílio Gás, que beneficia famílias cadastradas no CadÚnico. Como o benefício só é pago a cada dois meses, o pagamento voltará em fevereiro.

Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

 

Calendário do Bolsa Família de 2026
Arte EBC

Juros altos travam crédito para 80% das indústrias, revela pesquisa

Os trabalhadores da montadora Fiat Chrysler Automobiles constroem um modelo Argo 2020, em meio à disseminação da doença por coronavírus (COVID-19), na fábrica de montagem em Betim

De cada dez empresas industriais, oito enfrentaram dificuldades para obter crédito. Elas apontam os juros elevados como o principal obstáculo ao financiamento no país. O dado faz parte de pesquisa divulgada nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

Segundo a Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025, 80% dos empresários que tiveram problemas para acessar crédito de curto ou médio prazo (até 5 anos) citaram os juros altos como o maior entrave. Em seguida aparecem a exigência de garantias reais, como imóveis ou máquinas (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%).

O cenário se repete no crédito de longo prazo, acima de 5 anos. Nesse caso, 71% dos industriais atribuíram as dificuldades aos juros elevados, enquanto 31% mencionaram a exigência de garantias e 17% a ausência de linhas compatíveis com seus projetos de investimento.

“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito. Com a Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o financiamento fica mais caro e desestimula investimentos em expansão e inovação”, explica Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.

Selic alta reduziu a busca por crédito

54% das empresas não buscaram crédito de longo prazo nos seis meses anteriores à pesquisa

49% não procuraram crédito de curto ou médio prazo no mesmo período

apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo

no crédito de longo prazo, o percentual caiu para 17%

Dificuldade maior no crédito de longo prazo

Quase um terço das empresas que tentaram crédito de longo prazo não teve sucesso

Cerca de 20% das que buscaram crédito de curto ou médio prazo também não conseguiram

Crédito de curto ou médio prazo

Médias: 26% não obtiveram crédito

Pequenas: 21%

Grandes: 16%

Crédito de longo prazo

Médias empresas: 43% não obtiveram crédito

Pequenas empresas: 37%

Grandes empresas: 27%

Condições de crédito pioraram

35% das empresas avaliaram que as condições de crédito de curto ou médio prazo pioraram

33% fizeram a mesma avaliação para o crédito de longo prazo

Para 47%, as condições permaneceram semelhantes

Apenas 14% relataram melhora no curto ou médio prazo

No longo prazo, o índice cai para 12%

Baixa adesão ao risco sacado

Apenas 13% das indústrias contrataram operações de risco sacado nos últimos 12 meses

Outros 5% pretendiam contratar

54% não contrataram nem pretendiam contratar

29% não souberam ou preferiram não responder

O risco sacado é uma modalidade de antecipação de recebíveis em que o fornecedor recebe o pagamento antecipado de uma instituição financeira, enquanto o comprador assume o compromisso de quitar o valor na data acordada.

A Sondagem Especial ouviu 1.789 empresas industriais de 1º a 12 de agosto do ano passado. Desse total, 713 são de pequeno porte, 637 de médio porte e 439 de grande porte.

SUS vai vacinar profissionais de saúde contra dengue em fevereiro

Botucatu (SP), 18/01/2026 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, iniciou a vacinação contra a dengue com a primeira vacina 100% nacional, de dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Foto: Walterson Rosa/MS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou neste domingo (18) que cerca de 1,1 milhão de profissionais que atuam na atenção primária à saúde de todo o país poderão ser imunizados, a partir de 9 de fevereiro, com a vacina Butantan-DV, com tecnologia 100% nacional, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante contra a arbovirose é o primeiro de dose única do mundo.

“São aqueles profissionais que atuam nas unidades básicas de saúde, que visitam as famílias, são os primeiros profissionais a receber quem tem sinal e sintoma de dengue”, anunciou o ministro da Saúde.

“Os primeiros cuidados são feitos pelos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, profissionais e equipes multifuncionais que estão cadastrados nas unidades básicas de saúde”, complementou.

O ministro explicou que a vacinação deste público será possível com a chegada de mais doses da Butantan-DV. O Instituto Butantan deve produzir e entregar até 31 de janeiro cerca de 1,1 milhão de doses adicionais desta vacina nacional contra a dengue, para garantir a imunização dos profissionais que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os anticorpos da Butantan-DV oferecem proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Os estudos clínicos indicam eficácia global de 74% da vacina brasileira, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização pela doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Produção de mais doses

O governo federal quer ampliar gradualmente a vacinação em dose única para todo o país, para pessoas de 15 a 59 anos, o que depende da disponibilidade de novas unidades da vacina Butantan-DV, que foram encomendadas no mês passado pelo Ministério da Saúde.

Para acelerar a fabricação em larga escala do imunizante, o ministro divulgou que o Instituto Butantan firmou uma parceria de transferência de tecnologia à empresa WuXi Vaccines, da China.

Com a parceria, a expectativa do Ministério da Saúde é que a produção chinesa da vacina com tecnologia brasileira seja ampliada em até 30 vezes.

“Eles [diretores da WuXi Vaccines] se comprometeram com um cronograma de produção e de entrega. Nossa expectativa é de termos, neste ano ainda, em torno de 25 a 30 milhões de doses [da vacina Butantan-DV]”, estimou o ministro da Saúde.

O titular da pasta prevê que à medida que cheguem as novas doses importadas, o próximo passo do governo brasileiro será realizar a vacinação nacional do público de 15 a 59 anos, começando pela população mais velha (59 anos) e avançando até o público mais jovem (15 anos).

“Na medida que a gente começa a ter uma grande produção, isso vai entrar no calendário oficial [de vacinação] de forma permanente”, projeta o ministro.

Para acompanhar a produção das doses da vacina desenvolvida pelo Butantã, em março deste ano, técnicos do Ministério da Saúde devem viajar à China. “A gente quer ver essas doses de vacinas o mais rápido possível aqui do Brasil”.

Alexandre Padilha explicou também que o Instituto Butantan já tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fazer a avaliação da vacina Butantan-DV no público com mais de 60 anos e já começou o recrutamento de voluntários deste público.

“Nós estamos otimistas que também seja uma vacina segura para quem tem mais de 60 anos de idade, o que vai ser muito importante para o combate à dengue”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Botucatu (SP), 18/01/2026 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, iniciou a vacinação contra a dengue com a primeira vacina 100% nacional, de dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Foto: Walterson Rosa/MS

Vacina contra a dengue de dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Foto: Walterson Rosa/MS

A declaração foi dada pelo ministro em Botucatu (SP), no início da campanha de vacinação em massa da população de 15 a 59 anos deste município. A iniciativa piloto ocorre também nas cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), desde o último sábado (17). O objetivo é avaliar o impacto da imunização com o novo imunizante.

“Não tenho dúvida nenhuma que essa vacina 100% do Butantan pode ser uma grande arma internacional para combater a dengue em outros países no mundo”, disse Alexandre Padilha.

QDenga em todo o país

Para o público de 10 a 14 anos, o SUS oferece gratuitamente o imunizante internacional QDenga, com esquema vacinal de duas doses.

O Ministério da Saúde afirma que o Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público de saúde.

Neste domingo (18), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha anunciou a ampliação para todo o país da aplicação da vacina japonesa para esta mesma faixa etária. A expansão ocorre a partir da aquisição de mais estoques da farmacêutica japonesa Takeda.

“A gente comprou 9 milhões de doses, para 2026; mais 9 milhões de doses, para 2027. Ao todo 18 milhões [de doses]. O que permite que a gente possa distribuí-la em todos os municípios brasileiros.”

Aprovada em 2023 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a QDenga foi inicialmente disponibilizada em 2024 às crianças e adolescentes de 2,1 mil municípios considerados prioritários pelo governo do Brasil.

Com o aumento dos estoques, a vacinação da QDenga será feita em unidades básicas de saúde (UBS) do SUS dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros, exclusivamente ao público de 10 a 14 anos.

O ministro contabiliza que foram distribuídos e aplicados no Brasil, em 2024 e 2025, cerca de 10 milhões de doses da QDenga para o público infanto-juvenil.

Morre Raul Jungmann, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração

O diretor do IBRAM, Raul Jungmann, discursa durante celebração dos 46 anos do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram),

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) informou neste domingo (18) o falecimento de Raul Jungmann, diretor-presidente da entidade. A morte ocorreu em Brasília, após um longo tratamento contra o câncer de pâncreas.

Atendendo a um desejo do próprio Jungmann, o velório será realizado em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos.

Pernambucano, Raul Jungmann participou por mais de cinco décadas da vida pública brasileira. Ao longo de sua trajetória, exerceu mandatos como vereador e deputado federal.

Também liderou quatro ministérios nos governos Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer: Política Fundiária, Desenvolvimento Agrário, Defesa e Segurança Pública.

Em 2022, assumiu a presidência do IBRAM, onde buscou uma agenda de transformação do setor mineral, com foco na defesa de uma mineração mais comprometido com a sustentabilidade.

Em nota, a presidente do Conselho Diretor do IBRAM, Ana Sanches, afirmou que Raul Jungmann foi um “homem público de estatura singular, defensor da democracia e comprometido com o interesse público”.

Segundo ela, Jungmann conduziu o instituto em um período decisivo, fortalecendo a entidade e beneficiando o setor mineral, em um ciclo marcado pelo diálogo, pela visão estratégica e pela integridade.

Ano Novo, nova campanha de cadastramento biométrico do TRE-PE

Tribunal realizará, em janeiro, terceiro mutirão para coleta de biometria e emissão do primeiro ...

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) realizará, nos dias 29, 30 e 31 de janeiro o terceiro mutirão para coleta biométrica e emissão do primeiro título de eleitor, dando continuidade às ações da campanha Atualize. Os postos e os cartórios eleitorais permanecerão abertos em horário estendido, das 8h às 16h, inclusive no sábado. A iniciativa repete o modelo adotado nos dois primeiros mutirões, que resultaram em 32.885 atendimentos em apenas seis dias.

Nos mutirões realizados, foram registrados, em média, 5.540 atendimentos por dia. No primeiro mutirão, ocorrido entre os dias 8 e 11 de novembro, foram atendidos 19.517 eleitoras e eleitores. Já o segundo, realizado entre 4 e 6 de dezembro, contabilizou 13.368 atendimentos.

O TRE-PE abrirá um agendamento específico para os dias de mutirão. Porém, o eleitorado do estado não precisa aguardar. Durante o mês de janeiro, o atendimento no horário padrão do Tribunal está aberto, e pode ser acessado na aba do Autoatendimento Eleitoral no site. Antes de agendar, o Tribunal recomenda que o eleitor verifique se já possui biometria coletada, acessando aqui.

Os agendamentos para atendimento, válidos para todos os dias até 6 de maio de 2026, estão disponíveis no site do TRE-PE. Dúvidas podem ser esclarecidas por meio da atendente virtual Júlia ou pelo Disque Eleitor: (81) 3194-9400.

Fundo Partidário: 19 partidos receberam mais de R$ 1 bilhão em 2025

Fundo partidário - 24.07.2025

Em 2025, o Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, mais conhecido como Fundo Partidário, distribuiu R$ 1.126.071.496,13 a diretórios nacionais de 19 legendas do país. Também foi repassada aos partidos a quantia de R$ 102.572.513,68 em multas eleitorais arrecadadas no ano passado. O Fundo Partidário representa uma das principais fontes de recursos públicos para a manutenção das agremiações políticas.

As cinco siglas que obtiveram os maiores repasses em 2025 foram:

  • Partido Liberal (PL) – R$ 192.154.880,51 (dotação orçamentária) e R$ 16.490.214,20 (multas);
  • Partido dos Trabalhadores (PT) – R$ 140.467.359,38 (dotação orçamentária) e R$ 12.385.725,59 (multas);
  • União Brasil (União) – R$ 107.132.974,30 (dotação orçamentária) e R$ 9.770.581,07 (multas);
  • Republicanos – R$ 87.704.125,46 (dotação orçamentária) e R$ 7.492.158,80 (multas); e
  • Partido Social Democrático (PSD) – R$ 84.183.150,69 (dotação orçamentária) e R$ 7.167.516,69 (multas).

Já as legendas que menos receberam do Fundo em 2025 foram:

  • Partido Verde (PV) – R$ 11.810.471,56 (dotação orçamentária) e R$ 1.064.957,71 (multas);
  • Rede Sustentabilidade (Rede) – R$ 12.106.608,60 (dotação orçamentária) e R$ 1.065.035,66 (multas); e
  • Cidadania – R$ 14.939.832,96 (dotação orçamentária) e R$ 1.657.153,44 (multas).

A forma de distribuição desses valores entre os diretórios municipais, estaduais e nacional é definida no estatuto de cada partido. Na página sobre o Fundo Partidário no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é possível verificar a distribuição mensal para cada sigla.

Duodécimos 

Em 2025, tiveram direito aos duodécimos as seguintes agremiações políticas: Avante, Cidadania, Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Liberal (PL), Podemos (Pode), Progressistas (PP), Partido Renovação Democrática (PRD), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Social Democrático (PSD), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Verde (PV), Rede Sustentabilidade (Rede), Republicanos, Solidariedade e União Brasil (União).

Outras dez legendas com estatutos registrados no TSE não receberam recursos do Fundo Partidário por não terem atingido a cláusula de desempenho prevista na Constituição Federal de 1988 (CF/88): Agir, Democrata Cristã (DC), Mobilização Nacional (Mobiliza), Partido Novo (Novo), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido da Causa Operária (PCO), O Democrata, Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e Unidade Popular (UP).

O Fundo Partidário  

Criado em 1965 pela Lei nº 4.740 e previsto na Lei nº 9.096/1995 (Lei dos Partidos Políticos), o Fundo é composto de dotações orçamentárias da União, arrecadação com multas, aplicação de penalidades e doações, entre outras fontes financeiras.

Os recursos são repassados mensalmente às siglas, em forma de duodécimos (divisão de um valor em doze partes iguais, que correspondem a cada mês do ano), para o custeio de despesas cotidianas das agremiações, como pagamento de salários de funcionários, contas de água e luz, passagens aéreas e aluguéis, por exemplo.

Divisão entre as legendas  

De acordo com a legislação em vigor, a divisão do Fundo Partidário entre as siglas é feita da seguinte forma: 95% do total do Fundo é distribuído aos partidos na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. O restante (5%) é repartido igualmente entre todas as legendas que atendam aos requisitos constitucionais de acesso aos recursos.

Segundo o parágrafo 3º do artigo 17 da CF/88, somente terão direito a recursos do Fundo os partidos políticos que alternativamente:

  • obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 2% dos votos válidos em cada uma delas; ou
  • tiverem elegido pelo menos 15 deputados federais, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação.