Eleitor deve se antecipar na consulta a local de votação, alerta TSE

Brasília (DF) 03/09/2024- Aplicativo e-Título com função onde votar.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A menos de oito dias para o primeiro turno das eleições, o eleitor deve lembrar de conferir o local de votação, uma vez que sua seção pode ter mudado de endereço desde o último pleito, alerta o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No caso dos eleitores de primeira viagem, é preciso descobrir onde fica a zona e a seção eleitorais que constam em seu título.

Para os mais antigos, o mais comum é que o endereço de votação permaneça o mesmo por sucessivas eleições. Ainda assim, a Justiça Eleitoral alerta que mesmo poucas alterações podem afetar milhares de eleitores, dado o universo de 158,7 milhões de cidadãos aptos a votar.

Somente no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, as mudanças afetam ao menos 670 mil eleitores, com alteração em 277 locais de votação, 72 dos quais foram modificados por motivos de segurança.

A Justiça Eleitoral de ao menos 10 estados e do Distrito Federal anunciaram alterações em endereços das seções eleitorais.

Os 27 tribunais regionais eleitorais costumam manter em seus portais uma lista completa das mudanças. O eleitor deve acessar o seu TRE local e verificar avisos sobre o tema.

Além disso, o TSE liberou desde 1º de setembro a consulta ao endereço do local de votação diretamente no aplicativo do e-Título, disponível para aparelhos com sistema operacional Android e iOS. A informação pode ser acessada de duas formas:

Pelo aplicativo e-Título:

Na tela inicial do aplicativo, clique em “onde votar”.

Pelo Portal do TSE:

Acesse a área “Serviços Eleitorais” e selecione “Onde votar”.

Informe o número do CPF ou do título de eleitor, a data de nascimento e o nome da mãe.

O eleitorado brasileiro está distribuído em 5.571 municípios, além de 186 cidades no exterior. A votação ocorrerá em 517.206 seções eleitorais, organizadas em 2.641 zonas eleitorais.

Dino derruba decisão de Mendonça e libera post sobre Nossa Senhora

Brasília (DF), 25/02/2026 – Ministro  Flávio Dino no plenário da primeira turma durante segundo dia do julgamento no STF dos mandantes do assassinato da ex-vereadora, Marielle Franco.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido do humorista Antonio Tabet para restaurar uma postagem no X sobre Nossa Senhora Aparecida, que havia sido removida por decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O humorista veiculou uma foto de imagem religiosa com a legenda: “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.

“A mensagem não trazia o nome de Flávio Bolsonaro ou de qualquer familiar”, ponderou Dino.

Flávio Bolsonaro acionou a Justiça Eleitoral com a alegação de que o fato era “inverídico” e trazia “discurso de ódio e imputação de crime”. O pedido obteve decisão liminar no TSE para a retirada da postagem e de conteúdos semelhantes sob pena de multa diária de R$ 30 mil.

Durante a semana, surgiram informações de que grupos evangélicos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro defendiam a destituição de Nossa Senhora Aparecida de “Padroeira do Brasil”. O candidato do PL nega.

“Não há ilicitude”
A defesa de Tabet alegou que a ordem de Mendonça promovia “censura”. Dino ponderou que a remoção do conteúdo dependeria de presumir como verdade que “família miliciana” estaria relacionada ao candidato Flávio Bolsonaro. Para o ministro, a ação de Mendonça foi “destituída de motivação e proporcionalidade”.

A decisão, segundo Dino, abrange também outras postagens que foram excluídas sob o mesmo fundamento que excluiu a do humorista Antonio Tabet. O candidato à Presidência pediu a remoção de mais de 1,5 mil publicações sobre o tema nas redes sociais.

“Concluo que é impossível enxergar na postagem do peticionário (Tabet) o grau de certeza de ilicitude para – sem a adequada instrução processual – extrair duríssimas consequências contra a liberdade de expressão e, em última análise, contra a própria liberdade religiosa (…)”

Para Dino, a cassação da decisão no TSE preserva a liberdade de expressão e a liberdade religiosa dos que defendem a manutenção da lei que transformou Nossa Senhora Aparecida em “Padroeira do Brasil”.

“Carga depreciativa”
Ao aceitar o pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e excluir a postagem de Tabet, o ministro André Mendonça, que é vice-presidente do TSE, afirmou que havia no conteúdo publicado “expressões de elevada carga crítica e depreciativa”.

De acordo com as informações fornecidas pela defesa de Flávio Bolsonaro ao TSE, a publicação havia superado 195 mil visualizações, 2 mil compartilhamentos e 11 mil curtidas em poucas horas.

Segundo Mendonça, a mensagem ultrapassava o campo da opinião política e veiculava fato “objetivamente falso, informação fabricada ou grave descontextualização, aptos a interferir na livre formação da vontade do eleitor”.

Mendonça considerou, na análise preliminar, que os elementos apresentados no processo indicam que essa informação “não encontra suporte na realidade fática”.

Liberdade de expressão
A defesa de Antonio Tabet repudiou a decisão liminar de André Mendonça. “A ordem judicial de exclusão atinge uma manifestação que em momento algum citou o nome do candidato Flávio Bolsonaro”, afirmou o humorista.

Os advogados do humorista apontaram que a liberdade de expressão e a crítica política, por mais ácidas ou incômodas que sejam, constituem elementos protegidos do debate democrático.

MP das Bets: veja o que muda e saiba datas para devolução de valores

Brasília - DF - 09/07/2026 - Governo notifica 37 fintechs por movimentarem dinheiro de bets ilegais. Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Sob o argumento de problema de saúde pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (25) medida provisória (MP) que determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das chamadas bets no Brasil. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e também as autorizações concedidas por estados e pelo Distrito Federal.

A medida não atinge outras modalidades de loteria com autorização prevista em lei.

O que muda?

Com a publicação da MP, as empresas que operavam legalmente no país deixam de poder oferecer apostas ou fazer publicidade da atividade.

A medida estabelece ainda um calendário para o encerramento das plataformas e a devolução dos valores que permanecerem nas contas dos apostadores.

•    25 de setembro: publicação da MP e início da proibição de novos aportes;

•    5 de outubro, às 23h59: termina o prazo para retirada voluntária dos valores;

•    6 de outubro: sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar;

•    7 e 8 de outubro: empresas deverão informar aos bancos os saldos remanescentes, discriminados por CPF;

•    9 a 14 de outubro: instituições financeiras deverão devolver os valores aos apostadores;

•    A partir de 14 de outubro: em caso de impedimento para a devolução, a Caixa Econômica Federal receberá os recursos e fará o pagamento aos apostadores.

E a publicidade?

As empresas também terão de retirar anúncios e materiais de patrocínio.

O prazo para a retirada voluntária termina em 5 de outubro e inclui publicidade veiculada em meios físicos e em peças de publicidade no exterior.

A partir da publicação da MP, não poderão ser feitas novas ações de divulgação das bets.

Haverá indenização?

Segundo o governo, a extinção das autorizações ocorre por motivo de interesse público.

Por isso, a MP estabelece que as empresas não terão direito a indenização por:

•    lucros cessantes;

•    investimentos realizados;

•    expectativa de continuidade da atividade;

•    devolução, total ou parcial, dos valores pagos pelas outorgas.

Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa. Cada uma custou R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas no processo de concessão.

E quem descumprir?

A MP prevê sanções administrativas para pessoas físicas e jurídicas que desrespeitarem as novas regras.

As punições podem incluir:

•    advertência;

•    multas de até R$ 2 bilhões;

•    suspensão parcial das atividades;

•    suspensão total das atividades, no caso de empresas.

Projeto prevê prisão

Além da medida provisória, o governo enviará ao Congresso projeto de lei para criar crimes específicos relacionados às apostas de quota fixa.

A proposta estabelece cinco condutas que poderão ser consideradas crimes e precisará ser analisada e aprovada pelo Congresso para entrar em vigor.

Entre as condutas previstas estão:

•    Explorar apostas de quota fixa: pena de 4 a 6 anos de reclusão;

•    Divulgar apostas ou captar apostadores: 2 a 4 anos e multa;

•    Usar dados pessoais para captar apostadores: 2 a 4 anos e multa, com possibilidade de aumento da pena em situações específicas;

•    Facilitar financeiramente a exploração: 2 a 4 anos e multa;

•    Fornecer aplicação de internet para apostas: 2 a 4 anos e multa, com agravantes em determinadas situações.

O projeto também prevê agravamento quando houver uso de dados de saúde, histórico de apostas ou informações de crianças e adolescentes, além de situações em que mecanismos de verificação de idade ou localização sejam burlados.

Como será a fiscalização?

O governo afirma que pretende intensificar o combate ao mercado ilegal após o encerramento das plataformas autorizadas.

Os ministérios da Fazenda e da Justiça deverão atuar no bloqueio de sites irregulares. Entre as medidas previstas estão:

•    bloqueio de domínios;

•    remoção de aplicativos;

•    restrição dos meios de pagamento;

•    bloqueio de contas utilizadas ilegalmente;

•    rastreamento de recursos movimentados pelas plataformas.

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda atualmente usa mecanismos de monitoramento do mercado ilegal.

A MP também cria um Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil.

Por que o governo decidiu?

O governo apresenta a saúde pública e os impactos financeiros das apostas como algumas das principais justificativas para a medida.

Segundo os dados divulgados pelo Executivo, o transtorno relacionado ao jogo pode estar associado a problemas como ansiedade, depressão, alterações no sono e no humor, conflitos familiares e prejuízos financeiros.

O governo também cita o crescimento da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionada a problemas com apostas.

Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, segundo os dados apresentados pelo governo. Até 2028, se nada fosse feito, a demanda cresceria outros 104%.

O governo citou um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde que estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos. Desse total, R$ 30,6 bilhões (quase 79%) estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.

E os apostadores?

A principal orientação neste momento é observar o calendário estabelecido pela MP.

Quem possui valores nas plataformas terá até 5 de outubro, às 23h59, para pedir voluntariamente a retirada.

Depois desse prazo, começa o processo de identificação e devolução dos saldos remanescentes pelas instituições financeiras.

O governo também mantém uma plataforma de autoexclusão para restringir o acesso às casas de apostas autorizadas, ferramenta criada antes da decisão de encerrar o mercado.

O que acontece agora?

A MP produz efeitos imediatos a partir da publicação, mas o processo legislativo continua no Congresso Nacional. O Parlamento tem até 120 dias para votar o texto.

Paralelamente, o projeto que cria os cinco crimes relacionados às bets ainda dependerá de análise dos deputados e senadores.

Saiba como as bets adoeceram e endividaram os brasileiros

Rio de Janeiro (RJ), 15/07/2026 – Prefeitura do Rio proíbe publicidade de Bets em espaços externos da cidade, propaganda é removida na Pedra do Sal, na região central da cidade. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“Um grande alívio.” Foi assim que Kaio*, de 42 anos, definiu o sentimento ao ouvir a notícia, na última sexta (25), de que as operações das empresas de apostas on-line, as bets, foram proibidas no Brasil. Ele diz que tenta recomeçar a vida depois de perder o carro, a casa e o emprego por causa das dívidas de jogo.

Hoje, Kaio mora sozinho em um dormitório em uma cidade do interior de Goiás. No local, ele se abriga, todas as noites, no chão. Temendo pela segurança, em função de dívidas contraídas com agiotas, preferiu se afastar e ficar longe da família. Ele reconhece que, nos últimos seis anos, o vício em jogos fez a sua vida virar pelo avesso.

Por isso, resolveu procurar ajuda em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde começou, neste ano, a participar de grupos terapêuticos e consultas médicas. Ele toma três remédios por dia.

Desde o início dos alertas sobre o empobrecimento da população e o aumento do vício das bets, a Agência Brasil tem produzido reportagens sobre o tema. Veja aqui todas as matérias publicadas.

Aprovada em 2018
A Medida Provisória 1394 que proibiu as bets no país, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), revogou o que estava previsto no capítulo 5 da Lei 13.756, de dezembro de 2018, aprovada no último mês do governo de Michel Temer.

Apesar de terem sido aprovadas em 2018, as bets só foram regulamentadas em dezembro de 2023. Ou seja, as plataformas de apostas funcionavam, mas praticamente sem nem tipo de regra por pelo menos cinco anos.

Foi apenas com a regulamentação que surgiram regras como a necessidade de avisos de desestímulo ao jogo e de advertência sobre seus malefícios que deveriam ser veiculadas pelos agentes operadores.

Vulnerabilidades
A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno do controle de impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que pessoas em vulnerabilidade representam o grupo mais suscetível ao vício em jogos e foram afetadas por desinformação e publicidade enganosa por todos os lados.

Segundo ela, as pessoas foram atacadas por anúncios que induziam a uma falsa ideia de que o jogo serviria como uma complementação de renda. “São pessoas que querem retornos rápidos induzidas a acreditar que podem ter isso com as bets. Isso se tornou realmente muito perigoso.”

Perdas bilionárias
Apenas no ano passado, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets (diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio). Isso equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, de outubro de 2024 a março de 2026.

As perdas equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias e consideram as transferências feitas por Pix para as casas de apostas. No mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix.

Os dados foram divulgados no Boletim Fiscal dos Estados, divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).

Regras não seguidas
A lei que regulamentava as bets determinava, por exemplo, que as empresas bloqueassem o acesso de usuários identificados como compulsivos. Mas, segundo o advogado Júlio Leone, isso nunca ocorreu. Ao contrário, as empresas mandavam inúmeros bônus e anúncios aos jogadores, “É aí que ela perde todo o capital”, disse o advogado à Agência Brasil em agosto.

Kaio* reforça que era exatamente isso o que ocorria. “O celular não parava de trazer mensagens.”

Pessoas de todas as idades passaram a ser vítimas das violações cometidas pelas plataformas, inclusive, adolescentes.

Um em cada cinco alunos (20,4%) dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio disse, no último ano, já ter feito apostas online. O levantamento foi feito a pedido da Frente Parlamentar Mista da Educação pela Equidade.info (iniciativa que produz dados para pesquisas). O estudo ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o país.

Um dos dados de maior impacto mostrava que as apostas começavam aos 11 anos de idade. Pelo menos 9,5% dos estudantes nessa faixa etária disseram já ter feito apostas.

A psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que o jovem é mais vulnerável a apelos desse tipo porque o cérebro dele ainda está em construção.

Os especialistas explicam que o núcleo ligado à sensação de prazer e à dopamina funciona em ritmo acelerado, as regiões que controlam os impulsos e avaliam riscos só terminam de amadurecer aos 20 e poucos anos.

“O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do aparato para frear o impulso da aposta seguinte”, diz.

Riscos de suicídio
Os profissionais de saúde constataram que apostadores de todas as faixas etárias apresentaram sinais de desesperança, sensação de estar sem saída, afastamento das pessoas, aumento do uso de álcool ou mudanças importantes de comportamento.

Segundo a psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno de controle de impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo, falas relacionadas à morte ou a não querer mais viver devem ser motivo de atenção e procura de ajuda.

“A ideação suicida deve ser tratada de forma mais aberta tanto no consultório quanto nos grupos terapêuticos. Com manejo adequado, podemos reduzir o risco e tentar ajudar os pacientes”, afirma a psiquiatra.

Ainda de acordo com a especialista, os pacientes mostravam-se extremamente ansiosos em virtude dos prejuízos caudados pelos jogos. “Há quem tenha pensamentos de morte e, no caso, os mais graves já com a ideação suicida em virtude dos prejuízos financeiros que têm”, explica.

Ajuda necessária
O neurocirurgião Orlando Maia afirma que pessoas com essa dependência têm a sensação de que a aposta faz parte do dia a dia, já que buscam um mecanismo de recompensa. Ele explica que, muitas vezes, as pessoas não reconhecem o problema por si mesmas. “Precisam de pessoas da família ou de amigos que possam ajudar”.

A psicóloga Claudia Feres, que atua em um Centro de Apoio Psicossocial (Caps) no Distrito Federal, recomenda que pacientes dependentes e suas famílias procurem ajuda profissional. “Eu trabalho em Caps. Chegam para nós pessoas que tiveram pensamentos e fizeram, por exemplo, tentativa de autoextermínio. É um pedido de socorro desesperado, como se falasse que precisa se ausentar da vida naquele momento”.

Um dos problemas, segundo os especialistas, é que as apostas online estavam facilmente acessíveis e disponíveis praticamente 24 horas por dia.

“É um cassino dentro do seu bolso”, afirmou Luiz Carlos*, 71 anos, integrante do Jogadores Anônimos. ”Graças a Deus eu não jogo hoje, porque, se eu jogasse, estava perdido. Na minha época, a gente tinha que sair de casa para jogar. Hoje não precisa mais”, afirmou em entrevista à Rádio Nacional, dias antes de o governo proibir as plataformas de bets por problema de saúde pública.

Em agosto, com o aumento dos problemas de saúde ligados ao vício em jogos, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o número de teleatendimentos mensais a pessoas que enfrentam problemas relacionados a apostas online.

Com o anúncio de proibição das bets, na sexta-feira (25), o Ministério da Saúde anunciou que aumentará os esforços para contatar apostadores contumazes, oferecendo acompanhamento e tratamento nos casos necessários. Segundo o ministro Alexandre Padilha, haverá políticas de busca ativa, a partir de dados compartilhados pelos ministérios da Fazenda e da Segurança e pela Receita Federal.

Saiba como baixar o e-Título para votar

e-Título, aplicativo móvel

Os eleitores poderão utilizar o e-Título, a via digital do título de eleitor, para se identificar perante os mesários e votar nas eleições de 2026 – o primeiro turno ocorrerá no próximo dia 4 de outubro. No entanto, para votar apresentando somente o e-Título, disponível nas plataformas iOS ou Android, é preciso que o aplicativo contenha a foto do eleitor.

Para baixar o e-Título, é necessário acessar a AppStore ou Google Play Store e fazer o download gratuito. É importante verificar se o app aparece como “e-Título – Justiça Eleitoral Brasileira”.

Com o aplicativo aberto é preciso preencher os dados: nome completo, data de nascimento, CPF ou Título de Eleitor, e nome dos pais. Após isso, o eleitor deverá responder às perguntas de segurança exibidas na tela e criar uma senha.

Os dados informados devem ser exatamente iguais aos do último atendimento na Justiça Eleitoral. Se houver divergência, o aplicativo não validará o documento. O e-Titulo poderá ainda solicitar o reconhecimento facial, feito por meio da câmera do aparelho celular.

>> Eleições 2026: saiba em quantos candidatos votar e a ordem de votação <<

Além do e-Título (com foto), o eleitor poderá se identificar perante os mesários com documentos oficiais com foto, como carteira de identidade, Identidade social (para pessoas trans e travestis); passaporte ou outro documento de valor legal equivalente, carteira de categoria profissional reconhecida por lei, certificado de reservista, carteira de trabalho e carteira nacional de habilitação.

Os documentos oficiais são válidos para votar mesmo fora da validade.

Quase 1 milhão de brasileiros no exterior poderão votar nas eleições

Brasília (DF), 25/09/2026 - Urna eleitoral sendo preparada para envio ao exterior. Foto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

Quase 1 milhão de brasileiros com domicílio eleitoral no exterior estão aptos a votar nas eleições de 2026. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 918.876 eleitores em 134 países, o equivalente a pouco mais de 0,5% dos cerca de 158,7 milhões totais do país.

Os brasileiros que vivem fora do país votam apenas para os cargos de presidente e vice-presidente da República. 

Seções eleitorais

O número de brasileiros aptos a votar fora do país vem crescendo ano a ano. De 2010 a 2026, o aumento registrado foi de 358%.

Em 2010, eram cerca de 210 mil eleitores habilitados, contingente que subiu para 354 mil em 2014. Em 2018 eram 500 mil eleitores registrados fora do país e, em 2022, quase 700 mil.

 

Brasília (DF), 25/09/2026 - Eleições 2026. Eleitores no exterior. Foto: Arte/Agência Brasil
Eleições 2026: eleitores no exterior. – Arte/Agência Brasil

A jornalista Victoria Duarte, de 30 anos, está entre esses eleitores. Estudante de mestrado na University of Niagara Falls, ela mora em Ontário, no Canadá, desde agosto de 2025. Esta será a primeira vez que ela participará de uma eleição brasileira no exterior.

“Queria votar, mesmo morando fora, porque sei da importância dessas eleições para o futuro do meu país. Fiz todo o processo necessário para isso”, disse ela à Agência Brasil.

Para votar, Victoria e outros amigos brasileiros terão de se deslocar até Toronto, onde fica a seção eleitoral mais próxima.

Segundo o TSE, serão instaladas seções eleitorais em 186 cidades do exterior. Elas funcionarão principalmente em consulados e embaixadas brasileiras, mas também poderão ser instaladas em escolas, hotéis e outros espaços.

O número de brasileiros aptos a votar fora do país vem crescendo nos últimos anos. Em 2014, havia cerca de 354 mil eleitores habilitados. Em 2022, esse contingente chegou a quase 700 mil.

A experiência de morar fora reforçou o vínculo de Victoria com o Brasil. “Fiquei mais patriota e orgulhosa do próprio país”, afirmou. “Quem mora fora sabe disso porque compara.”

Os países com o maior número de eleitores brasileiros são os Estados Unidos (265,4 mil), Portugal (134,7 mil), Japão (88,3 mil), Canadá (46,4 mil) e Alemanha (41,5 mil).

 

Brasília (DF), 25/09/2026 - Eleições 2026. Eleitores no exterior. Foto: Arte/Agência Brasil
 Arte/Agência Brasil

Perfil

Segundo o TSE, as mulheres representam 57% dos eleitores registrados fora do Brasil, enquanto os homens correspondem a 43%. Quanto ao estado civil, os solteiros são maioria, com 52% do total. Os casados representam 42%; os divorciados, 6%; e os viúvos, 1%.

O cadastro eleitoral registra ainda 6.614 pessoas com deficiência, número equivalente a 0,72% desse eleitorado.

Com relação à escolaridade, 38% dos eleitores residentes no exterior têm ensino superior completo, o maior percentual entre os níveis de instrução registrados. Os que concluíram o ensino médio representam 29%, enquanto aqueles com ensino superior incompleto correspondem a 13%.

Os eleitores com ensino médio incompleto somam 10%, seguidos pelos que têm ensino fundamental completo (5%), ensino fundamental incompleto (3%) e pelos que apenas sabem ler e escrever (1%).

Quanto à faixa etária, o maior grupo é formado por eleitores de 40 a 44 anos. Em seguida aparecem as faixas de 45 a 49 anos e de 35 a 39 anos.

Os dados detalhados sobre o eleitorado residente no exterior estão disponíveis no portal do TSE.

Polarização

Victoria diz que a polarização política brasileira também é percebida entre os brasileiros que vivem no exterior.

“Em geral, as pessoas que vêm ao Canadá têm melhores condições financeiras e, por isso, tendem a ser mais conservadoras. Mas há também muitos jovens por aqui que, em geral, são mais progressistas e costumam votar na esquerda”, avaliou.

Justificativa

Eleitores que estiverem no exterior no dia da votação e não comparecerem às urnas poderão justificar a ausência em uma das mesas receptoras de votos instaladas fora do país ou por meio do aplicativo e-Título.

“Não haverá mesas exclusivas para justificativa. O procedimento presencial poderá ser realizado apenas nas mesas que funcionarem com urna eletrônica”, informou o TSE.

Caruaru chega a 100% de modernização da iluminação pública com mais de 55 mil intervenções pela Prefeitura

Mais espaços públicos de Caruaru passam a contar com iluminação adequada para ampliar o uso pela população durante a noite. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Serviços Públicos (Sesp), entregou novos reforços na iluminação da Praça do Riachão, do Campo da Gorda e da estrada de Jacaré de Gonçalves Ferreira, levando melhorias para diferentes regiões do município.

Na Praça do Riachão, próxima à Ponte Irmã Jerônima, foram instalados 3 postes e 7 luminárias. Já no Campo da Gorda, no bairro Pinheirópolis, a intervenção contou com 8 postes e 14 refletores. Com a nova iluminação, o espaço, tradicionalmente utilizado para as partidas de futebol, também poderá ser aproveitado no período noturno.

Quem acompanha de perto o futebol amador em Caruaru, o influenciador digital Gustavo, comemorou a novidade. “Olha que coisa linda ficou o Campo da Gorda. Agora dá para ver tudo, ficou muito bom. O futebol amador agradece e o pessoal já está por ali aproveitando”, destacou.

Na zona rural, a estrada de Jacaré de Gonçalves Ferreira, no 3º Distrito, recebeu 21 postes, 17 luminárias e extensão de rede. A intervenção amplia a iluminação em um trecho utilizado diariamente pelos moradores da região, contribuindo para uma circulação mais segura durante a noite.

Além disso, Caruaru está 100% modernizada na iluminação pública, somando, entre julho de 2022 e setembro de 2026, mais de 5.246 intervenções na zona rural e 50.525 na zona urbana. O trabalho inclui implantação e substituição de pontos de iluminação, extensão de rede, manutenções e outras melhorias realizadas em todo o município.

Raquel é recebida por multidão no Centro do Recife em sábado histórico

A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), foi recebida por uma multidão que encheu as ruas do Recife, da Rua da Aurora até a Praça do Arsenal, no Centro da capital pernambucana, em um ato histórico neste sábado (26). Na caminhada, que demonstrou a força do movimento popular pela continuidade da sua gestão, Raquel ressaltou a diferença entre um governo que transforma de verdade a vida das mulheres e outro que se preocupa com o engajamento nas redes sociais. Antes do início do ato com a governadora, carreatas partiram de mais de 10 bairros do Recife até a concentração na Aurora.

“Nunca um governo cuidou tanto de mulheres quanto o nosso. Nunca um governo colocou tanto dinheiro para poder fazer política pública de verdade. A gente podia somente dar um abraço e chamar o like no Instagram pra ver se tinha mais curtida. A gente escolheu o caminho da porta estreita para fazer a transformação. E é por isso que Pernambuco hoje se une aqui, mais uma vez, na beira do Rio Capibaribe”, discursou a candidata à reeleição.

Ainda no grande ato de campanha, Raquel garantiu a criação do Pernambuco Meu País Periferia, fortalecendo ainda mais a cultura do Estado. “Agora vai ter Pernambuco Meu País na periferia de Pernambuco, homenageando as culturas de periferia do nosso estado. Festival que ganhou Pernambuco inteiro. Saiu de Itamaracá foi para São José (da Coroa Grande), foi parar em Buíque, Triunfo, Caruaru, Pesqueira e agora está aqui com pé assentado no Recife. Salve o Brega e a cultura de periferia! Viva Pernambuco! Pernambuco Meu País na área”, disse Raquel, acompanhada da vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause (PSD), e dos candidatos ao Senado e deputados federais, Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP).

Na caminhada, que contou com a participação de vários grupos culturais, como de Maracatu, de passistas de Frevo, do movimento Brega, de bonecos gigantes de Olinda, a governadora destacou o investimento histórico da sua gestão na cultura e esse grande encontro de lideranças de segmentos da área. “A gente fez muito pela cultura. Foi R$ 1 bilhão de investimentos. Investimentos que podiam ter sido feito antes, mas não fizeram. Mainha está aqui e fez. O Ginásio Pernambucano está em obras. O Cinema São Luiz virou palco do Oscar. A gente está fazendo o Liceu de Artes e Ofícios”, afirmou a candidata da Coligação Pernambuco de Coração.

Raquel ressaltou também o que será feito nos próximos quatro anos, a exemplo da urbanização completa do bairro de São José, do Programa Palafita Zero, a climatização total da frota de ônibus da Região Metropolitana do Recife (RMR) e do embutimento da fiação elétrica de Olinda. “Eu vim para ficar porque não estou sozinha”, pontuou a governadora.

Rodrigo Carvalheira é condenado a mais de 22 anos de prisão no segundo caso de estupro de vulnerável

Do g1

O empresário Rodrigo Dib Carvalheira foi condenado a 22 anos e 4 meses de prisão por estupro de vulnerável em um dos três casos pelos quais responde. Além da pena, que deve ser cumprida inicialmente em regime fechado, a decisão de primeira instância determinou o pagamento de uma indenização no valor de R$ 100 mil por danos morais à vítima e das custas processuais. A defesa pode recorrer.

Esta é a segunda sentença contra o acusado desde que as denúncias vieram à tona, em 2024. Em novembro do ano passado, ele foi condenado a 12 anos de reclusão em outro caso. Ainda há mais um processo criminal tramitando na Justiça. As vítimas relataram ter dormido e acordado com sinais de abuso sexual após receberem um comprimido do réu.

Em abril de 2024, o empresário foi preso acusado de estupro e violência contra mulheres e solto quatro dias depois. Foi preso novamente em junho daquele ano, passando mais cinco meses na prisão. Desde então, ele responde aos processos em liberdade. O g1 tenta contato com a defesa de Rodrigo Carvalheira.

A nova decisão, à qual o g1 teve acesso, foi proferida na quinta-feira (24) pela juíza Ana Maria da Silva, da 17ª Vara Criminal do Recife. Segundo os autos, a vítima contou que sofreu dois abusos.

O primeiro, conforme a denúncia, aconteceu em novembro de 2018, durante uma viagem a Fernando de Noronha. De acordo com o relato, os dois se hospedaram na mesma pousada e, após passarem uma tarde ingerindo bebidas alcóolicas, o acusado insistiu para que eles retornassem à hospedaria e ofereceu à jovem um comprimido de um remédio tranquilizante.

No táxi de volta para a pousada, o réu teria tentado beijar a vítima à força. Quando chegaram ao quarto, a mulher disse que “apagou” e se lembra de ter acordado no dia seguinte com o empresário sobre o corpo dela.

O segundo abuso foi registrado em março de 2019, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Conforme a denúncia, a vítima foi à casa de uma amiga depois de uma festa e, enquanto ela dormia, o acusado entrou no quarto e tentou fazer sexo com ela.

Durante o processo, os advogados de Rodrigo Carvalheira alegaram que houve cerceamento da defesa e pediram a nulidade do interrogatório do réu durante o processo. O pedido foi negado pela juíza.

No documento, a magistrada afirmou que o conjunto de provas orais e documentais, como o boletim de ocorrência e depoimentos de testemunhas, sustenta a materialidade do crime, mesmo sem laudo pericial.

“A leitura cronológica do acervo revela, portanto, dado de máxima relevância epistêmica: a narrativa da ofendida encontra ancoragem em elementos produzidos em 2018 e 2019, muito antes da instauração da persecução penal e, consequentemente, antes de eventual exposição decorrente do processo, de contexto litigioso ou de contato entre supostas vítimas. Não se está, pois, diante de narrativa construída exclusivamente de forma retrospectiva, anos após os acontecimentos, mas de um relato que encontra pontos de confirmação em manifestações e comportamentos registrados contemporaneamente ou em período próximo aos fatos”, escreveu a juíza na decisão.

Rodrigo Carvalheira e cronologia do caso

  • Empresário de 37 anos faz parte de uma tradicional família pernambucana, com empreendimentos nas áreas de gastronomia, produção de eventos e imóveis;
  • Rodrigo Carvalheira já foi secretário de Turismo de São José da Coroa Grande, no Litoral Sul de Pernambuco;
  • Também já ocupou o cargo de presidente do diretório estadual do antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB);
  • Carvalheira foi alvo de cinco denúncias feitas por mulheres do círculo de amizade dele. Um caso prescreveu e outro ainda não teve andamento ou denúncia formal;
  • Preso preventivamente em 11 de abril de 2024, ficou sete dias detido no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife;
  • Foi solto, com uso de tornozeleira eletrônica, em 17 de abril de 2024;
  • Carvalheira voltou a ser preso em 6 de junho, a pedido do Ministério Público de Pernambuco, por causa de um telefonema que fez, em dezembro de 2023, para o tio de uma suposta vítima. O MPPE considerou que o empresário estaria interferindo nas investigações;
  • Foi solto novamente em 26 de novembro de 2024, após cinco meses detido, e passou a responder em liberdade.
  • Em novembro do ano passado, Carvalheira foi condenado a 12 anos de reclusão no julgamento do primeiro caso.
  • Na última quinta-feira (24), foi condenado a mais de 24 anos de prisão no segundo caso, além do pagamento uma indenização no valor de R$ 100 mil por danos morais.

Exposição “A Cidade que nos Vê” abre em Caruaru e promove roda de diálogo neste domingo (27)

Mostra reúne dez personagens e propõe reflexão sobre invisibilização e reconhecimento

A exposição fotográfica “A Cidade que nos Vê” abriu as portas no Museu da Fábrica de Caroá, no Espaço Cultural Tancredo Neves, em Caruaru, na sexta (25). Idealizado e projetado por Bela Araujo, o projeto reúne fotografias de dez personagens ligados a diferentes profissões, como pedreiro, coveiro, porteiro, agricultor, costureira e motorista de aplicativo.

Assinadas pelo fotógrafo Breno César, as imagens propõem um olhar sobre pessoas que fazem parte do cotidiano, mas que muitas vezes são percebidas apenas pela função que exercem. A exposição parte da ideia de que esses sujeitos não são invisíveis, mas invisibilizados.

Como parte da programação, neste domingo (27), às 15h, será realizada uma Roda de Diálogo, no espaço da exposição, com mediação da Mestra Elaine Rocha. A atividade amplia a reflexão proposta pelas fotografias e promove uma conversa sobre arte, trabalho, sociedade e reconhecimento.

A exposição também conta com Libras e audiodescrição e terá como contrapartida social uma palestra educativa para estudantes da rede pública de ensino.

O projeto foi selecionado e realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura e do Governo Federal, em parceria com a Fundação de Cultura de Caruaru e a Prefeitura de Caruaru.