Conselho do MPF decide se abre investigação contra Gonet

09/12/2025 - Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, no julgamentos da Ação Penal 2693 - Núcleo 2. Foto: Gustavo Moreno/STF

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) vai ser reunir nesta sexta-feira (25) para decidir se o procurador-geral da República, Paulo Gonet, será investigado pelas citações ao nome dele nas conversas encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A análise do caso está prevista para começar às 10h e será transmitida pelo canal do MPF no Youtube.

Gonet é o presidente do CSMPF, mas a sessão será comandada pelo vice-presidente, Nicolau Dino. Após a abertura dos trabalhos, Dino passará a palavra ao subprocurador Francisco Sanseverino, relator do caso. Em seguida, será aberta a votação, e mais oito conselheiros poderão votar.

Se houver maioria pela abertura da investigação, um subprocurador será designado para relatar a investigação contra Gonet por crime comum. O caso também poderá ser arquivado se a maioria dos membros rejeitar a abertura da apuração.

Conversas
Gonet foi citado em conversas encontradas pela PF no celular de Vorcaro, que está preso e teve seu aparelho apreendido.

As mensagens vieram à tona após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo da parte da investigação que também cita mensagens do ex-banqueiro a um celular atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com a PF, Vorcaro intensificou o envio de mensagens para o número atribuído a Moraes nos dias anteriores à prisão, que ocorreu em 17 de novembro do ano passado.

No dia 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações da PF, que ainda estavam em tramitação na primeira instância da Justiça Federal em Brasília, e citou os nomes do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

Na mensagem, o ex-banqueiro escreveu: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, afirmou.

Apesar da citação, não há indícios de que Gonet e Andrei tenham interferido nas investigações.

Foto
Na semana passada, o jornal O Globo publicou foto na qual Gonet aparece fumando charuto com Vorcaro e outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro, durante evento jurídico promovido pelo Master em abril de 2024, em Londres.

Anulação
Após o surgimento das conversas, Gonet pediu ao STF a anulação do relatório da PF que encontrou as citações.

Gonet disse que André Mendonça investigou Moraes ilegalmente, ao determinar o aprofundamento da investigação sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.

No entendimento do procurador, o aprofundamento da apuração só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte.

A anulação estava prevista para ser analisada na última quarta-feira (23), mas a sessão foi desmarcada.

Defesa
Após o surgimento das conversas, Gonet negou proximidade com Vorcaro e disse que sua interação com ele ocorreu de forma “brevíssima e banal”.

Durigan: financiadora do Dark Horse recebeu verba do crime organizado

Brasília – DF – 17/06/2026 – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante audiência pública conjunta promovida pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e de Finanças e Tributação da Câmara. Foto Lula Marques/Agência Brasil.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira (24) que Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos, recebeu dinheiro do crime organizado. A Entre tem participação no financiamento de Dark Horse, filme que conta a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro e que teve recursos do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A ação de hoje, terceira fase da Operação Carbono Oculto, foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal.

“Estamos falando da administradora de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, de um mesmo bolso”, afirmou o ministro em entrevista em Brasília.

Para Durigan, o dinheiro recebido pela Entre foi utilizado para lavar dinheiro, para corromper.

Estamos falando de um mesmo fundo, de onde dinheiro de diferentes lugares foi parar, seja do Master, seja do crime organizado, seja de figuras que já estão com delação premiada no Ministério Público de São Paulo ou no Ministério Público Federal”.

Antônio Carlos Freixo Junior fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República para as investigações do escândalo do Banco Master.

Flávio usou jatinho ligado a Vorcaro em viagem em 2025, diz revista

São Paulo - 25/07/2026 - Convenção do PL oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência em evento no Pacaembu. Foto:  Maura Martins/TV Brasil.

Reportagem publicada nesta quarta-feira (23) pela revista Piauí revelou que o candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, viajou em janeiro de 2025 em um jato executivo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado nas fraudes relacionadas ao Banco Master. O voo ocorreu entre Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, e Brasília.

De acordo com a matéria, a viagem de Flávio foi feita em família, com a mulher Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas do casal. Entre os passageiros estava o advogado e empresário Willer Tomaz, que é amigo do presidenciável. Willer é investigado no esquema de desvios bilionários do INSS.

Após a divulgação da reportagem, Flávio Bolsonaro comentou o caso em uma publicação nas redes sociais, em tom de ironia.

“Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu.

O jato citado pela revista é um Legacy 650 operado pela empresa Prime You, que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios. De acordo com a reportagem, trata-se da mesma aeronave utilizada posteriormente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

A revista piauí relata ainda que a viagem ocorreu durante negociações para o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, após retornar ao Brasil, Flávio Bolsonaro teria cobrado interlocutores para acelerar a liberação dos recursos prometidos ao projeto.

CNJ faz operação em gabinete de desembargador ligado a Nunes Marques

desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. Foto: TRF/Divulgação

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizou nesta quarta-feira (24) uma operação no gabinete do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, sediado em Brasília.

O magistrado passou a ser alvo de investigação do CNJ após ser citado em conversas encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

As buscas foram determinadas pelo corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, e cumpridas pela Polícia Federal (PF).

A operação ocorreu um dia após o CNJ determinar o cancelamento de precatórios de usinas do setor sucroalcooleiro que negociaram os créditos com o Banco Master. Os títulos são avaliados em R$ 4,7 bilhões.

A medida foi motivada por uma ação da Advocacia-Geral da União (AGU) para cancelar decisões do TRF1 que determinaram o depósito do valor de 16 precatórios em uma conta judicial, sem o trânsito em julgado dos processos que reconheceram a dívida da União.

O caso dos precatórios bilionários do Master veio à tona após uma reportagem do Portal Metrópoles revelar a existência de um contrato de R$ 427 milhões entre o Master e escritório da advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos. O valor seria pago em caso de sucesso nas causas referentes ao setor sucroalcooleiro.

O acesso da PF ao celular de Vorcaro também revelou que assessores do ex-banqueiro citaram que a advogada e o desembargador seriam da ‘Turma do KN”, em referência ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Defesas
Em nota, Newton Ramos disse que continua no cargo e afirmou que considera “natural e regular” o procedimento de correição do CNJ.

Ontem (23), o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos, que tem Camila Ramos como sócia, declarou que tem contrato formal com o Master para atuar nos processos que envolvem precatórios, mas não recebeu qualquer pagamento “a título de pró-labore ou de êxito”.

Nunes Marques declarou que nunca trocou mensagens com Vorcaro nem autorizou ninguém a falar em seu nome.

Flávio e a sombra dos milicianos

Editorial do ESTADÃO

Este jornal informou na primeira página de sua edição de ontem que, em 2023, uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou pessoalmente com o miliciano Robson Calixto, vulgo “Peixe”, o repasse de quase R$ 200 mil provenientes de emenda parlamentar em troca de vantagens indevidas.

A negociata já seria escandalosa se Flávio não fosse candidato à Presidência da República e se o tal “Peixe” fosse um sicário qualquer, desses com os quais a população do Rio de Janeiro, lamentavelmente, acostumou-se a conviver. Ocorre que Flávio não só é candidato, como tem boas chances de ser eleito. E “Peixe”, definitivamente, não é um ilustre desconhecido do sistema de Justiça.

Em fevereiro deste ano, por unanimidade, “Peixe” foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão em regime fechado por ter participado do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. O indigitado era uma espécie de “faz-tudo” para os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, mandantes do crime, e elo da dupla com a milícia da zona oeste da capital fluminense de onde saiu o facínora Ronnie Lessa, autor dos disparos. Todos cumprem pena presos.

É extremamente preocupante, para dizer o mínimo, que um candidato à Presidência da República tenha mantido vínculo tão próximo com um criminoso de sangue até pouco tempo atrás. Para piorar, confrontado com um fato dessa gravidade, Flávio se limitou a dar uma resposta protocolar, afirmando, por meio de nota, que “a emenda foi destinada dentro da legislação vigente” e que a responsabilidade pela prestação de contas é de quem recebe os recursos, não do parlamentar. Sobre o fato mais escabroso – a proximidade entre o senador e um miliciano condenado –, Flávio não deu uma satisfação sequer aos eleitores.

Talvez seja mesmo difícil para o candidato tratar do tema com mais objetividade. Afinal, faz mais de duas décadas que, por onde quer que ande, Flávio Bolsonaro está sempre acompanhado pela sombra dos milicianos do Rio de Janeiro com os quais se relaciona, abertamente, desde o seu primeiro mandato como deputado estadual, iniciado em 2003. A ligação entre Flávio e “Peixe”, por mais problemática que seja, não é um desvio pontual.

Recorde-se que, em 2007, Flávio subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para legitimar as milícias como um “novo tipo de policiamento”. Na ocasião, o então deputado estadual reduziu os crimes praticados por milicianos – não raro policiais e bombeiros corruptos – a “casos isolados”.

Em outro discurso, Flávio chegou a dizer que “não se importaria” em pagar mensalidades de “R$ 30 ou R$ 40” às milícias para “ter mais segurança”. Ele sabia do que falava. Além de condecorar dezenas de milicianos, pouco tempo depois, Flávio empregara em seu gabinete na Alerj familiares de um dos mais temidos matadores do País, Adriano da Nóbrega, capo da milícia Escritório do Crime, baseada em Rio das Pedras.

Adriano seria morto durante troca de tiros com a polícia em 2020, escondido sob nome falso no interior da Bahia. Mas o grupo criminoso que ergueu em Rio das Pedras, envolvido no assassinato de Marielle Franco, sobreviveu a ele – e agora volta às páginas do jornal pela negociação do tal “Peixe” e a assessora de Flávio Bolsonaro.

Estamos a poucos dias da eleição que definirá o futuro presidente do Brasil. Por óbvio, não é questão menor ter entre os postulantes à chefia de Estado e de governo um candidato cuja biografia política está indelevelmente marcada por vínculos estreitos e reiterados – e jamais devidamente explicados – com membros de organizações criminosas responsáveis por execuções sumárias, extorsões, exploração ilegal do comércio e controle social, na base do terror, sobre larguíssimas porções do território do Rio de Janeiro.

Cada eleitor tem a liberdade assegurada pela Constituição para dar seu voto a qualquer candidato regularmente registrado na Justiça Eleitoral. Mas que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República.

‘Meu eleitor é aquele que ora para alienígena e bebe detergente’, diz candidato bolsonarista ao Senado em áudio vazado

Áudios vazados de uma conversa entre o deputado federal José Medeiros (PL-MT) e o prefeito de Diamantino Francisco Mendes (União) viralizaram nas redes sociais ao mostrarem o bolsonarista ironizando os próprios eleitores. Nas redes sociais, Medeiros, que é candidato ao Senado no Mato Grosso, comentou o assunto e não desmentiu o conteúdo das gravações.

“O meu eleitor é aquele eleitor que ora para alienígena e bebe detergente”, diz Medeiros na mensagem que teria sido encaminhada a Mendes, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. As informações são do jornal O GLOBO.

Obtido pela imprensa local, o áudio viralizou nas redes e fez com que o deputado estadual Gilberto Cattani (MT) também se manifestasse, com outra ironia. “Ô Medeiros, agora não, meu irmão. Você passou de todos os limites (…) Como que você me fala que bebemos detergente? Você fala que bebemos detergente e não fala que é o Ypê? Você acha que vamos beber qualquer detergente?”

Medeiros respondeu Cattani com um comentário na publicação do Instagram. “Fui policial a vida toda, DETER GENTE foi o que mais fiz!”, escreveu o candidato ao Senado. Em um story, ele deixou outra mensagem em resposta ao vídeo: “Esse é o problema. O momento que eu falava a marca cortaram, assim como cortaram quando eu disse Havaianas não!”.

A menção a alienígenas é uma referência aos vídeos nos quais apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apareciam apontando celulares para o céu nas manifestações posteriores à derrota nas urnas em 2022. Já a citação sobre “beber detergente” diz respeito aos vídeos nos quais bolsonaristas apareceram defendendo o uso dos produtos da marca Ypê, cuja produção foi suspensa por determinação da Anvisa em maio. A lembrança relativa às Havaianas, por sua vez, rememora um comercial no qual a atriz Fernanda Torres dizia aos espectadores desejar que eles não começassem o ano com o “pé direito”, mas “com os dois pés”. A peça de publicidade foi alvo de críticas de bolsonaristas.

Esse foi o segundo áudio vazado envolvendo Medeiros. Na segunda-feira, outra mensagem, também enviada a Francisco Mendes e obtida pelo site Metrópoles, citava o STF. Nela, o bolsonarista afirmava não atacar o tribunal e diz nunca ter mencionado o nome de Gilmar Mendes. Ele também assegura não atacar ministros da Corte — com exceção de Alexandre de Moraes.

“Eu não ataco o STF, viu, Chico? Meu marketing tinha feito um negócio… falei: ‘Quero que corte tudo’. Eu não leio um texto para gravação que tenha qualquer coisa mencionando o STF”, diz Medeiros que, em outro trecho, acrescenta: “Se vocês pedirem para esculhambar Alexandre de Moraes, pode me ligar até no meio da noite, que eu faço. Mas não me peça para falar de outros”.

Após esse primeiro vazamento, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu Medeiros nas redes sociais. Segundo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Medeiros é “o único candidato conservador do MT”. “Sua atuação contra os abusos do STF é exemplar. Ele apenas disse o óbvio, criticar ministro não é ataque”, acrescentou.

Flávio Bolsonaro viajou em jato de Vorcaro

REVISTA PIAUÍ

O senador Flávio Bolsonaro voou em uma aeronave de Daniel Vorcaro em janeiro de 2025 ao regressar da Flórida para Brasília após uma viagem em família. É o mesmo jato executivo de alto padrão, de prefixo PP-NLR, que transportou o ministro do STF Alexandre de Moraes em agosto do mesmo ano, conforme revelou o jornal O Globo.

A Piauí apurou que a empresa Prime You, que tinha então Vorcaro como um dos sócios, já era dona de um terço das cotas da aeronave na data do voo. A aquisição foi realizada no fim de 2024.

Osenador Flávio Bolsonaro voou em uma aeronave de Daniel Vorcaro em janeiro de 2025 ao regressar da Flórida para Brasília após uma viagem em família. É o mesmo jato executivo de alto padrão, de prefixo PP-NLR, que transportou o ministro do STF Alexandre de Moraes em agosto do mesmo ano, conforme revelou o jornal O Globo.

A Piauí apurou que a empresa Prime You, que tinha então Vorcaro como um dos sócios, já era dona de um terço das cotas da aeronave na data do voo. A aquisição foi realizada no fim de 2024.

A viagem de Flávio, candidato à Presidência pelo PL, foi feita em família: com a mulher, a cirurgiã-dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas do casal. Entre os passageiros estava ainda o amigo Willer Tomaz, o advogado e empresário que já foi preso no escândalo da JBS (do qual acabou absolvido) e é investigado no esquema de desvios bilionários do INSS. Tomaz confirmou à Piauí que era dono de uma das três cotas do avião.

Além de detentora de outra dessas cotas, a Prime You também era operadora do jato, por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços, que integra seu portfólio. Segundo informações da própria empresa, a Prime You teve Vorcaro como sócio de 2021 até setembro de 2025.

Um relatório da Polícia Federal mostra que cada uma das cotas de 33,33% valia 5,5 milhões de dólares em maio de 2025. Nessa época, a empresa negociava a transferência da participação para o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, que acabou não se concretizando.

O jornal O Globo foi o veículo que revelou na semana passada que a Polícia Federal encontrou, durante as investigações sobre as fraudes no INSS, registros de que Flávio e Tomaz viajaram juntos de Fort Lauderdale para Brasília em 19 de janeiro de 2025, véspera da posse de Donald Trump. Reportagem de Patrik Camporez informou que o grupo viajou numa aeronave operada pela Prime You.

A Piauí identificou que esse avião é o Legacy 650 de prefixo PP-NLR, ao cruzar registros históricos de tráfego aéreo, uma planilha de movimentos aeroportuários e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro – parte desses dados estava disponível na CPI do Crime Organizado. Os registros históricos de tráfego aéreo no site ADBS-Exchange mostram que, em 19 de janeiro de 2025, o PP-NLR decolou do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, atravessou o Caribe e o Norte da América do Sul e pousou em Brasília. Uma planilha de movimentos aeroportuários confirma que o PP-NLR chegou a Brasília vindo de Fort Lauderdale naquele dia. Data, origem e destino coincidem com o voo de Flávio e Tomaz identificado pela PF e revelado pelo Globo.

O senador Flávio Bolsonaro voou em uma aeronave de Daniel Vorcaro em janeiro de 2025 ao regressar da Flórida para Brasília após uma viagem em família. É o mesmo jato executivo de alto padrão, de prefixo PP-NLR, que transportou o ministro do STF Alexandre de Moraes em agosto do mesmo ano, conforme revelou o jornal O Globo.

A Piauí apurou que a empresa Prime You, que tinha então Vorcaro como um dos sócios, já era dona de um terço das cotas da aeronave na data do voo. A aquisição foi realizada no fim de 2024.

A viagem de Flávio, candidato à Presidência pelo PL, foi feita em família: com a mulher, a cirurgiã-dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas do casal. Entre os passageiros estava ainda o amigo Willer Tomaz, o advogado e empresário que já foi preso no escândalo da JBS (do qual acabou absolvido) e é investigado no esquema de desvios bilionários do INSS. Tomaz confirmou à Piauí que era dono de uma das três cotas do avião.

Além de detentora de outra dessas cotas, a Prime You também era operadora do jato, por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços, que integra seu portfólio. Segundo informações da própria empresa, a Prime You teve Vorcaro como sócio de 2021 até setembro de 2025.

Um relatório da Polícia Federal mostra que cada uma das cotas de 33,33% valia 5,5 milhões de dólares em maio de 2025. Nessa época, a empresa negociava a transferência da participação para o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, que acabou não se concretizando.

O jornal O Globo foi o veículo que revelou na semana passada que a Polícia Federal encontrou, durante as investigações sobre as fraudes no INSS, registros de que Flávio e Tomaz viajaram juntos de Fort Lauderdale para Brasília em 19 de janeiro de 2025, véspera da posse de Donald Trump. Reportagem de Patrik Camporez informou que o grupo viajou numa aeronave operada pela Prime You.

A Piauí identificou que esse avião é o Legacy 650 de prefixo PP-NLR, ao cruzar registros históricos de tráfego aéreo, uma planilha de movimentos aeroportuários e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro – parte desses dados estava disponível na CPI do Crime Organizado. Os registros históricos de tráfego aéreo no site ADBS-Exchange mostram que, em 19 de janeiro de 2025, o PP-NLR decolou do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, atravessou o Caribe e o Norte da América do Sul e pousou em Brasília. Uma planilha de movimentos aeroportuários confirma que o PP-NLR chegou a Brasília vindo de Fort Lauderdale naquele dia. Data, origem e destino coincidem com o voo de Flávio e Tomaz identificado pela PF e revelado pelo Globo.

A proprietária formal do PP-NLR era a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., sociedade que concentrava a propriedade compartilhada do jatinho, dividida em três participações da seguinte forma: a de Willer Tomaz, por meio da Alcazar Holdings (empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual ele é o único sócio); a de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS; e a terceira, que já pertenceu ao empresário Gabriel Szlezynger Lacerda, da petroquímica Unigel, e foi vendida à Prime de Daniel Vorcaro “no fim de 2024”.

A informação foi confirmada para a Piauí por Lacerda. Ele acrescentou que não conhecia Daniel Vorcaro e que toda a negociação foi feita com a Prime.

A Fraction 024 também mantinha uma relação financeira direta com o Banco Master. Em uma comunicação ao Coaf, o Bradesco registrou que, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, a empresa transferiu 7,6 milhões de reais ao banco de Vorcaro, em 36 operações. No mesmo período, fez outros 6,5 milhões de reais em pagamentos à Prime Aviation.

Além de Vorcaro, a Prime You tinha como sócio Maurício Quadrado, dono da Planner, uma grande corretora paulistana que também é alvo da Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Coincidentemente, através do fundo Sharks FIP Multiestratégia, administrado pela Trustee, Quadrado era um dos cotistas de um outro bem do qual Tomaz tinha cotas: uma mansão em Angra dos Reis na qual Flávio comemorou o aniversário da filha em fevereiro de 2026.

Na passagem pela Flórida, Flávio e Willer estiveram no Hard Rock Hotel & Casino, onde, segundo a coluna de Lauro Jardim, do Globo, passaram a noite de 18 para 19 de janeiro, antes de retornarem ao Brasil. “Lá, Willer retirou 236 mil dólares em dinheiro vivo”, escreveu o colunista. Ao comentar a notícia, Willer Tomaz afirmou que ficou hospedado no hotel por oito dias, mas negou a jogatina. Essa foi uma dentre várias viagens que Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz fizeram juntos, que incluíram ainda um safári na África do Sul dois meses depois, em março de 2025. Além disso, a proximidade entre Flávio e Willer se estende aos imóveis do advogado. Em agosto, como revelou a Piauí, Flávio Bolsonaro usou durante a campanha em São Paulo um apartamento que a empresa de Tomaz havia comprado em fevereiro passado de Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro, com deságio de 2 milhões de reais.

Procurado pela Piauí, Tomaz enviou uma nota por meio de sua assessoria de imprensa na qual confirma que detinha um terço das cotas da sociedade proprietária do avião por meio de uma empresa de sua titularidade. Afirmou que a Prime You cuidava da gestão do jatinho e de sua escala de utilização. Disse ainda que apenas em abril de 2026 é que descobriu que Daniel Vorcaro “teria igualmente adquirido cota da aeronave” e que, ao tomar conhecimento disso, “denunciou o contrato, encontrando-se, desde então, em litígio” com a Prime You. “Willer Tomaz não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio — de qualquer natureza.”

A nota também diz que o advogado oferecia “carona” a amigos quando havia assentos disponíveis, “sem qualquer custo, contrapartida ou benefício de parte a parte”. Ele não respondeu se Flávio e sua família foram seus convidados naquele voo.

O senador Flávio Bolsonaro e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam aos pedidos de entrevista e às questões enviadas pela reportagem à sua assessoria de imprensa.

Após a divulgação do vídeo de Moraes e Viviane desembarcando do PP-NLR, Flávio atacou o ministro nas redes sociais: “Alexandre de Moraes é o principal responsável por Lula voltar à cena do crime. Ele sentou na cadeira, aparelhou o Estado inteiro e a sua máfia, implodiu a democracia sob o falso pretexto de protegê-la.”

A viagem à Flórida ocorreu em meio à aproximação entre Flávio e Vorcaro para financiar Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O cronograma do financiamento de 24 milhões de dólares previa o pagamento de 2 milhões em 20 de janeiro de 2025 e outros 2 milhões cinco dias depois.

No dia seguinte ao desembarque em Brasília, o senador escreveu a Thiago Miranda, intermediário das negociações com o banqueiro, pedindo que desse “um gás na resposta do jurídico do investidor”. Como a Piauí revelou na reportagem Em cartaz, a caixa-preta, Miranda levou a cobrança a Vorcaro: “Cara, hoje é a data-limite daquele primeiro aporte do filme. Preciso acelerar.”

O dinheiro não saiu naquele dia. Vorcaro passou a pressionar seu cunhado Fabiano Zettel, encarregado de viabilizar os repasses. Em 28 de janeiro, insistiu na prioridade do financiamento. Três dias depois, voltou a cobrar. Zettel alegava dificuldades para liberar a operação. A primeira parcela só foi transferida em 13 de fevereiro, 24 dias depois da data prevista. O comprovante, enviado por Zettel a Vorcaro no dia seguinte, registra uma remessa de 2 milhões de dólares da Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos.

Conforme a Piauí mostrou, Eduardo Bolsonaro passou a viver nos Estados Unidos em fevereiro de 2025, mesmo mês em que o fundo Havengate recebeu a primeira parcela do financiamento de Vorcaro, de 2 milhões de dólares. Em 20 de março, formalizou sua licença da Câmara. Quatro dias depois, o fundo recebeu a segunda e a terceira parcelas, que somavam cerca de 3,7 milhões de dólares.

A Polícia Federal investiga o caminho desse dinheiro. Os recursos saíam da Entre Investimentos e Participações, empresa de Antonio Freixo Junior, conhecido como Mineiro, e eram enviados ao Havengate, no Texas. Só depois seguiriam para a produtora de Dark Horse. Uma das questões sob investigação é se todo o dinheiro foi destinado ao filme ou se parte permaneceu no fundo ou beneficiou Eduardo.

As mensagens mostram que Eduardo participava das discussões sobre como fazer os recursos chegarem aos Estados Unidos. Em uma conversa encaminhada por Thiago Miranda a Vorcaro em 21 de março, o então deputado defendeu que o dinheiro já estivesse em território americano. “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo”, escreveu.

Eduardo demonstrou preocupação com a capacidade da empresa brasileira de fazer as remessas. Se ela não tivesse “aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo”, advertiu, seria necessário enviar o dinheiro aos poucos, num processo que poderia levar cerca de seis meses. Propôs então: “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”

Também pediu notícias de uma reunião e colocou Altieris Santana, sócio de Paulo Calixto, administrador do Havengate, à disposição para ajudar: “Inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja.”

Em acordo de colaboração premiada recentemente homologado, Antonio Freixo, o Mineiro, confirmou os pagamentos ao fundo Havengate de 12,3 milhões de dólares. Além disso, relatou às autoridades que fez saques e entregou malas de dinheiro a pedido de Vorcaro. Ainda não se sabe quem recebeu os valores em espécie nem se essas entregas tinham relação com o financiamento solicitado por Flávio Bolsonaro.

Abaixo, a íntegra da “nota de esclarecimento” enviada pela assessoria de imprensa de Willer Tomaz:

“O advogado Willer Tomaz detinha, por meio de empresa de sua titularidade, 1/3 das cotas da sociedade proprietária da aeronave mencionada — participação administrada pela Prime You, responsável pela gestão e pela escala de utilização do bem. Como é usual nesse tipo de estrutura, os voos por ele contratados eram de uso privado e não remunerado. Quando havia assentos disponíveis e amigos com destino coincidente, oferecia carona — gesto de cordialidade, sem qualquer custo, contrapartida ou benefício de parte a parte. Ao tomar conhecimento, em abril de 2026, de que Daniel Vorcaro teria igualmente adquirido cota da aeronave, Willer Tomaz denunciou o contrato, encontrando-se, desde então, em litígio com a Prime You. Willer Tomaz não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio — de qualquer natureza.”

TRE-PE abre credenciamento de imprensa para a cobertura das Eleições 2026 na sede do Tribunal

Credenciamento Imprensa Eleições 2026

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) informa aos veículos de imprensa que está aberto o credenciamento para os profissionais que farão a cobertura das Eleições 2026 na sede do órgão, na Av. Agamenon Magalhães, 1160.

O cadastro deve ser feito exclusivamente por meio eletrônico, com o preenchimento do formulário abaixo. O prazo para envio é até 2 de outubro (sexta-feira) às 18h, sendo o credenciamento válido apenas para o 1º turno das Eleições, em 4 de outubro. Os profissionais receberão pulseiras de identificação na portaria da sede, não havendo necessidade de comparecimento prévio.

Clique aqui para acessar o formulário

“Cola de papel é sinônimo de votação rápida”, diz presidente do TSE

Fotografias da Sessão Plenária TSE - 22.09.2026

A menos de duas semanas do 1º turno das Eleições Gerais de 2026, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, orientou o eleitorado brasileiro a preparar a cola eleitoral com antecedência e levar o lembrete no dia 4 de outubro para facilitar a votação.

“A cola eleitoral ajuda as eleitoras e os eleitores a se lembrarem de suas escolhas, tornando o processo mais simples e ágil. A cola de papel é sinônimo de votação rápida e de menos tempo na fila”, afirmou.

A declaração do ministro foi feita na abertura da sessão plenária do TSE, nesta terça-feira (22). O presidente da Corte também reforçou que o uso de equipamentos eletrônicos, como celulares, é proibido dentro da cabine de votação.

Ações de orientação

O presidente do Tribunal destacou que as ações realizadas pelo TSE, em parceria com tribunais regionais eleitorais (TREs), têm resultado em mutirões presenciais em praças e locais de grande circulação em várias capitais do país. A iniciativa é voltada para orientar o eleitorado, aproximar a população da urna e combater a desinformação.

Em Alagoas, uma ação promovida com o TRE-AL no último domingo (20) deu atenção especial ao público idoso. “Na orla de Maceió, cerca de 300 eleitoras e eleitores puderam praticar o passo a passo da votação”, relatou o ministro, que também agradeceu ao TRE da Bahia por ação semelhante realizada no centro de Salvador, no sábado (19).

No Rio de Janeiro, o TRE-RJ transformou temporariamente a Estação Cinelândia, no metrô, em Estação Democracia. Segundo o ministro, iniciativas como essas, no coração das cidades, aproximam cada vez mais a Justiça Eleitoral das cidadãs e dos cidadãos.

Eleições de outubro

Por fim, Kassio Nunes Marques convidou a população a acompanhar as projeções da contagem regressiva para o pleito e rememorou o marco visual que enfeita a sede da Corte Eleitoral, em Brasília: “Convido todas e todos a visitarem as cúpulas projetadas por Oscar Niemeyer, localizadas no térreo do nosso edifício”, disse.

Com quase 160 milhões de eleitores aptos a votar, o país se prepara para ir às urnas no próximo dia 4 de outubro, data marcada para o 1º turno. Se houver 2º turno para os cargos do Poder Executivo, a votação ocorrerá no dia 25 de outubro.

Prefeitura de Caruaru promove Pet Day com serviços gratuitos para cães e gatos nesta sexta-feira (25)

A Prefeitura de Caruaru, por meio da Secretaria de Sustentabilidade e Bem-Estar Animal (SSB), realiza, nesta sexta-feira (25), das 9h às 13h, mais uma edição do Pet Day. Desta vez, a programação acontece na UBS do bairro Cidade Jardim, com atendimentos e cuidados gratuitos para cães e gatos da comunidade.

Entre os serviços oferecidos estão castração para animais previamente cadastrados, consultas veterinárias e entrega de brindes. A iniciativa busca ampliar o acesso aos cuidados com a saúde animal, além de estimular a adoção responsável e a guarda consciente.

O Pet Day reforça as políticas públicas do município voltadas à proteção animal, aproximando os atendimentos da população e contribuindo para mais qualidade de vida para cães, gatos e seus tutores.