Fim da escala 6×1: proposta pode aliviar dupla jornada das mulheres

O governo federal defende o debate público com a sociedade – trabalhadores, empregadores, pequenos empreendedores – e com o Congresso Nacional sobre a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil, junto com o fim da escala de seis dias de trabalho a cada um de descanso, a escala 6×1.

A intenção ao revisar o modelo de trabalho e chegar à jornada de cinco dias de trabalho a cada dois de folga (5×2) é dar mais qualidade de vida à população, com aumento do tempo de descanso e lazer dos trabalhadores.

Brasília (DF), 05/03/2026 - A cobradora Denise Ulisses dá entrevista à Agência Brasil sobre o impacto da escala de trabalho 6x1. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Denise Ulisses faz planos para quando trabalhar seguindo a escala 5×2 – Marcelo Camargo/Agência Brasil

A cobradora de ônibus do Distrito Federal, Denise Ulisses, de 46 anos, conhece bem a realidade dura do 6×1. Há 15 anos, ela trabalha seis horas corridas por dia de segunda-feira a sábado e folga somente aos domingos.

Se por um lado, Denise se divide entre o itinerário repetitivo do transporte coletivo, liberação da catraca e conferência do troco aos passageiros, a outra parte da vida dela é ocupada pelas tarefas de casa e o acompanhamento dos dois filhos, atualmente, com 18 e 22 anos. “Quando as crianças eram pequenas, foi bem pesado.”

Denise Ulisses faz planos para quando tiver mais tempo livre, caso a redução da jornada 6×1 passe no Congresso Nacional.

“Eu sairia na sexta-feira à noite para o sítio e só voltaria no domingo à noite. Então, este seria um tempo bom de folga: dois dias.”

Peso da dupla jornada

A pauta do fim da escala 6×1 é considerada prioritária pelo governo federal. Desde 2025, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, explica que carga de trabalho da escala 6×1 recai, principalmente, sobre os ombros das mulheres devido à dupla jornada, ou seja, para aquelas que trabalham para ganhar dinheiro, mas que também são responsáveis pelo trabalho doméstico não remunerado.

O entendimento é confirmado pelos dados de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram as mulheres dedicadas, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas.

A diferença de 9,6 horas semanais evidencia quase o dobro do tempo de dedicação feminina. Quando consideradas somente as mulheres pretas e pardas, o trabalho doméstico não remunerado é 1,6 hora a mais por semana, se comparado ao de mulheres brancas.

Brasília (DF), 06/03/2026 - Entrevista com a secretária nacional de Articulação Institucional do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Sandra Kennedy aponta a redução da escala como um passo para reduzir a jornada de trabalho feminina- Valter Campanato/Agência Brasil

A secretária Nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, explica que a primeira questão a ser enfrentada para reduzir a sobrecarga das mulheres com a dupla jornada é estrutural: a sociedade precisa rever a desigualdade de gênero.

“Na soma entre o trabalho doméstico e o trabalho formal, nós trabalhamos muito mais do que os homens”, destaca Sandra.

Para a representante do Ministério das Mulheres, o fim da jornada máxima 6×1 pode impactar positivamente na divisão de tarefas em casa.

“O cuidado tem que ser compartilhado entre homens e mulheres. Isso não é uma questão só cultural. É também de os homens terem mais tempo em casa para compartilharem o cuidado.”

A secretária entende que as mulheres estão adoecendo mais por serem afetadas pela dupla jornada.

“A gente tem menos tempo para estudar, para se qualificar, tem muito menos tempo para conciliar o trabalho pessoal com o trabalho social. O adoecimento é evidente.”

Tempo e dinheiro

Brasília (DF), 05/03/2026 - A auxiliar de serviços gerais Tiffane Raany dá entrevista à Agência Brasil sobre o impacto da escala de trabalho 6x1. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tiffane Raany sente falta de ter mais tempo para o filho – Marcelo Camargo/Agência Brasil

A jovem Tiffane Raane sente no corpo e no bolso o excesso de trabalho. Contratada como auxiliar de serviços gerais em uma rede de academias do Distrito Federal, ela trabalha das 7h às 18h, com uma hora de almoço, de segunda a sexta-feira, e se somam ao dia a dia o sábado ou o domingo alternadamente a cada semana. No tempo fora do emprego, Tiffane se desdobra nos cuidados com a casa e com o filho de 7 anos.

“Eu pago R$ 350 por mês a uma cuidadora para ficar com meu filho no tempo em que está fora da escola. Ele sente mais falta por eu não conseguir ajudá-lo todos os dias nas atividades escolares. Eu chego tarde do trabalho. Estou cansada e ele também.”

Com a rotina, Tiffane Raane tem adiado o desejo de retomar a faculdade de educação física para tentar alcançar uma melhor remuneração. O curso foi trancado no quarto semestre.

Articulação de mulheres

Na quinta-feira (5), a Articulação Nacional de 8 de Março – apoiada por mais de 300 organizações de movimentos sociais do Brasil em defesa dos direitos das mulheres – entregou ao Ministério das Mulheres o Manifesto Nacional do 8 de Março Unificado 2026: Pela vida das mulheres: contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1. (foto em destaque)

O documento explica o que motiva a luta.

“Esse modelo rouba o tempo, adoece corpos e aprofunda desigualdades. Defender o fim da escala 6×1 é defender o direito de viver com dignidade, enfrentando a lógica neoliberal que transforma a vida em mercadoria.”

O manifesto foi elaborado a partir das decisões da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em 2025, na capital federal.

Aprovação popular

Uma pesquisa de opinião da Nexus (janeiro/fevereiro de 2026) revela que cerca de 84% dos brasileiros defendem ao menos dois dias de descanso semanal. O levantamento aponta ainda que 73% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6×1, desde que os salários sejam mantidos.

A opinião de Jeisiane Magalhães Faria reforça as estatísticas. Há cinco anos, ela é balconista de uma farmácia no Plano Piloto, em Brasília, e trabalha na escala 6×1. Jeisinane relembra que já perdeu a conta de quantos eventos familiares não esteve presente devido ao emprego.

A balconista faz graduação em farmácia e gostaria de ter mais tempo para se dedicar aos estudos e a outros aspectos de sua vida.

O descanso, para Jeisiane, longe de ser uma perda de tempo, pode gerar um impacto positivo também no rendimento laboral. “Você pode trabalhar melhor, porque tem dias que realmente é cansativo devido, por exemplo, ao transtorno de passar muito tempo no ônibus lotado para vir trabalhar.”

Embate econômico

Apesar do apoio popular, setores da indústria e do comércio contestam a ideia e projetam consequências negativas em caso de aprovação do fim da jornada 6×1.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a medida pode aumentar o custo empresarial em até R$ 267 bilhões ao ano, com empregados formais na economia, o equivalente a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos. E vai além, “caso as horas não sejam repostas, a redução do limite semanal [de horas trabalhadas] resultará em queda da atividade econômica”, diz a CNI.

Outro estudo apresentado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) explica os efeitos da redução da jornada de trabalho podem impactar na preservação de 631 mil empregos formais e na competitividade.

Segundo a entidade, a diminuição do limite constitucional atual (44 horas semanais) para 40 horas de trabalho, com o fim da escala 6×1, pode elevar o preço dos produtos consumidos pela população em até 13%. Outra conclusão do estudo é que a mudança na legislação resultará na elevação de custos na ordem de R$ 122,4 bilhões por ano, no comércio. A CNC defende que as possíveis alterações sejam feitas a partir de negociação coletiva.

Bem-estar social

A secretária do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, contesta os posicionamentos dos empregadores e destaca que, ao longo da história, as trabalhadoras e os trabalhadores sempre enfrentaram esse tipo de argumento quando querem melhorar as vidas.

“Imagine quando tínhamos as cargas horárias de 12, 14, 16 horas. Obviamente que quem representa os interesses do capital no Congresso usa uma narrativa que é uma falácia, quando associa a melhor qualidade de vida do trabalhador ao aumento do desemprego.”

O estudo O Brasil está pronto para trabalhar menos: a PEC da redução da jornada e o fim da escala 6×1, do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp) , respalda o entendimento da secretária.

A pesquisa projeta um cenário distinto dos dimensionados pela CNC e pela CNI. Com base na PNAD Contínua do IBGE, caso o fim da escala 6 x 1 seja aprovado no Congresso Nacional, pelo menos 37% dos trabalhadores brasileiros serão afetados beneficamente.

A pesquisadora do Cesit/Unicamp, a economista Marilane Teixeira, estima que a mudança pode gerar 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade no país.

Tramitação no Legislativo

Atualmente a questão está em debate na Câmara dos Deputados. Em fevereiro deste ano, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, o tema deve seguir para uma comissão especial. Motta considera viável a votação da proposta em maio pelo plenário da Câmara.

O governo federal tem pressa. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, já afirmou que o Executivo poderá enviar um projeto de lei com urgência para o Congresso Nacional, para unificar as diversas propostas que já tramitam no parlamento, caso as discussões que tratam do tema não caminhem na “velocidade desejada”.

Mobilização e política

Uma petição pública online  criada em setembro de 2023 pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e endereçada ao Congresso Nacional, ganhou repercussão nacional ao pedir um modelo mais flexível de trabalho.

O texto sugere a reavaliação das práticas de trabalho que afetam a saúde e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “Trabalhadores saudáveis e satisfeitos são mais produtivos e contribuem para o desenvolvimento sustentável do país”, diz o documento. O abaixo-assinado conta com quase 3 milhões de assinaturas.

Filho de Ali Khamenei é o novo Líder Supremo do Irã

Bandeira do Irã com gráfico de ações e um modelo miniatura de bomba de petróleo em ilustração
09/10/2023
REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

A assembleia dos Especialistas (ou dos Peritos) do Irã definiu que o novo líder supremo do país é o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, morto em um ataque dos Estados Unidos, no final de fevereiro.

A informação de que o novo líder havia sido escolhido havia sido adiantada por um dos representantes da assembleia, Mohsen Heidari Alekasir, no início deste domingo (8). “A opção mais adequada, aprovada pela maioria da Assembleia de Especialistas, foi escolhida”. O nome, no entanto, não havia sido revelado.

Seyyed Mojtaba Khamenei é o segundo filho de Ali Khamenei e tem 56 anos. A escolha indica uma decisão da Assembleia de manter a linha já adotada pelo antecessor.

Mojtaba acumulou poder sob o comando de seu pai como uma figura sênior próxima às forças de segurança e ao vasto império de negócios que elas controlam. Ele se opôs aos reformadores que buscam se envolver com o Ocidente, que tenta restringir o programa nuclear do Irã.

Líder supremo

No cargo de líder supremo há 36 anos, Ali Khamenei estava no topo da estrutura de Poder da República Islâmica do Irã que, além do Executivo, do Parlamento e do Judiciário, conta com o Conselho dos Guardiões, formado por seis indicados do próprio Aiatolá Khamenei e seis indicados pelo Parlamento.

Outro órgão político típico da República Islâmica é a Assembleia dos Especialistas, ou dos Peritos, formada por 88 religiosos eleitos pelo voto popular. Essa assembleia é responsável por eleger o aiatolá que será o líder supremo do Irã. Apesar de o cargo ser vitalício, a Assembleia dos Especialistas pode destituí-lo.

Israel promete assassinar escolhido

Na última quarta-feira (4), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o próximo líder Supremo do Irã será assassinado.

“Será um alvo inequívoco para eliminação. Não importa qual seja o nome dele ou onde ele se esconda”, disse em uma rede social.

Estima-se que a guerra de Israel e dos EUA contra o Irã já tenha custado a vida de, pelo menos, 1.332 civis, segundo autoridade iraniana. Entre as vítimas dos ataques, esteve uma escola de meninas, onde 168 crianças foram mortas, expondo os horrores que o conflito pode produzir.

Policiais penais e militares prendem dois homens por violência contra a mulher neste domingo (08)

A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), por meio da atuação dos policiais penais do Centro de Monitoramento Eletrônico de pessoas (Cemep), realizou, na tarde deste domingo (08/03), a prisão em flagrante de dois homens relacionada à violência contra a mulher. Nenhum dos envolvidos era monitorado eletronicamente em razão de violência doméstica.

Um dos casos ocorreu no município de Paulista, no condomínio onde reside a vítima. De acordo com o Cemep, J.C.L.S.N estava monitorado com tornozeleira eletrônica e cumpria prisão domiciliar, com autorização judicial para sair apenas para estudar.

A outra prisão em flagrante foi realizada no bairro de Jardim Brasil, em Olinda. Na ocasião, B.S.D descumpriu decisão judicial de medida protetiva – sem monitoramento eletrônico – ao se dirigir à residência da ex-companheira. Ele cumpria medida cautelar diversa da prisão.  

As duas ocorrências contaram com a atuação dos policiais penais, em conjunto com policiais militares, e os dois homens foram encaminhados à Delegacia da Mulher

Sindicato de Bares e Restaurantes reforça combate ao assédio nos estabelecimentos do Recife

No Dia Internacional da Mulher, instituição lança uma lista de procedimentos que devem ser seguidos pelos restaurantes para garantir segurança das clientes

No mês do Dia Internacional da Mulher, o Sindicato dos Bares e Restaurantes de Pernambuco alerta funcionários e donos de estabelecimentos para a prevenção e ao combate ao assédio em bares e restaurantes do Estado.

A iniciativa busca fortalecer a cultura do respeito e transformar os estabelecimentos em ambientes cada vez mais seguros para mulheres. O objetivo é padronizar procedimentos internos e reforçar a responsabilidade social do setor. Para o sindicato, garantir que esses ambientes sejam seguros é uma medida que fortalece não apenas a imagem dos estabelecimentos, mas a própria cultura de respeito na sociedade.

“O bar é um espaço de convivência, alegria e encontro. Não pode ser espaço de constrangimento. O setor está atento e quer ser parte da solução, oferecendo segurança e respeito às mulheres”, afirma o presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Pernambuco (SHRBS-PE), Nerteval Santos.

As ações têm inicio neste domingo, dia 8, com a visita presencial em dois estabelecimentos: a Pizzaria Atlântico e o bar e restaurante Tradi, ambos localizados no bairro das Graças, zona norte do Recife. Nos próximo dias, representantes da instituição farão duas visitas semanais nos estabelecimentos o até mesmo realização de reuniões remotas. O objetivo é mentalizar os proprietários de que é importante manter esse cuidado com a segurança durante todo o ano.

O Sindicato vem atuando intensamente no trabalho de proteção às mulheres, tendo apoiado o Ministério Público de Pernambuco na divulgação e implantação do Protocolo Violeta, Lei Municipal de 2023. A ação consistiu na averiguação se a equipe do estabelecimento foi treinada para identificar situações de violência, assédio ou importunação sexual.

O presidente Neterval Santos também lembra que outra campanha importante foi a do Não é Não, encampada pelo Sindicato e que visa o respeito às mulheres. “Além dessas ações, estamos sempre orientando os estabelecimentos a reforçarem a importância da denúncia por meio dos canais oficiais, como a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180”, disse.

Edson Vieira anuncia R$ 500 mil para a saúde de Sairé durante agenda no município

O deputado estadual Edson Vieira esteve neste sábado (07) em Sairé, no Agreste pernambucano, onde participou da entrega de novos investimentos para a saúde do município. Na ocasião, foram inauguradas a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Vale Verde e uma nova van que passa a reforçar o atendimento à população.

O evento, liderado pelo prefeito Gildo Dias, contou com as presenças do deputado federal Renildo Calheiros, além de vereadores, secretários municipais e moradores da cidade, que acompanharam de perto a entrega dos equipamentos e os anúncios realizados durante a agenda.

“Quero parabenizar o prefeito Gildo Dias pela entrega da UBS do Vale Verde e também da nova van, que vai reforçar o atendimento à população. São investimentos importantes que mostram o compromisso com a saúde do povo de Sairé. Aproveitamos esse momento para anunciar mais uma conquista fruto do nosso trabalho e da nossa articulação: R$ 500 mil para fortalecer ainda mais a saúde do município. Seguimos fazendo política com parceria, responsabilidade e ações que melhoram a vida das pessoas”, destacou Edson Vieira.

O prefeito Gildo Dias comemorou a parceria e ressaltou a importância do apoio do deputado para o município.

“A parceria com o deputado Edson Vieira tem sido muito importante para Sairé. Esses recursos chegam para fortalecer a saúde e garantir mais estrutura e mais atendimento para a nossa população. Ficamos felizes em contar com esse apoio”, afirmou o prefeito.

Violência Contra a Mulher: O Alerta que o 8 de Março Precisa Reforçar

Por Daniele Medeiros

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 08 de março, não pode ser apenas uma data de homenagens simbólicas. Celebrar as conquistas das mulheres é importante, mas é igualmente necessário reconhecer que ainda existe um longo caminho a percorrer para garantir segurança, igualdade e dignidade. A data precisa se materializar em ações que realmente protejam e reconheçam o valor da mulher na sociedade. O 08 de março precisa mobilizar a sociedade e as instituições especialmente no combate à violência doméstica e familiar. Infelizmente, a violência contra as mulheres no Brasil continua sendo uma realidade dramática e persistente.

Diariamente nos deparamos com inúmeras notícias de mulheres sendo vitimadas pela violência. Há avanços legislativos e institucionais é verdade, contudo, são avanços tímidos, diante de milhares de brasileiras que ainda vivem sob risco de violência dentro de suas próprias casas — justamente no espaço que deveria ser de proteção. A análise do Lesfem aponta que, entre os quase 7 mil casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, predomina o crime no âmbito íntimo (75%), sendo que, a maioria das mulheres foi morta ou agredida na própria casa (38%) ou na residência do casal (21%) (https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/numero-de-vitimas-de-feminicidio-supera-em-38-registros-oficiais).

O feminicídio é a face mais extrema dessa violência — inúmeras mulheres sendo mortas em razão de seu gênero. Mas um dado recente revela algo ainda mais preocupante. A pesquisa Retratos do feminicídio no Brasil revela que no contexto de 1.127 feminicídios registrados em 2021-2025, 148 mulheres (13,1%) foram mortas mesmo tendo uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) vigente. Esse dado revela a necessidade urgente de aprimoramento no monitoramento das medidas protetivas de urgência. É importante afirmar que a MPU tem sido um mecanismo que salva vidas sim, inclusive uma pesquisa de 2023 em Mato Grosso revelou que 80% das vítimas de feminicídio não tinham medida protetiva concedida pelo Judiciário. (DPEMT – Pesquisa revela que 60% das vítimas de feminicídio tinham relatado violência prévia para família e amigos)
O fato é que o Brasil ainda enfrenta uma cultura marcada por desigualdades de gênero, fundamentadas na prática do machismo e misoginia.

Nesse contexto, reconhecer o 08 de março significa fortalecer políticas públicas, ampliar redes de apoio, facilitar o acesso à justiça e divulgar instrumentos de proteção. Significa, sobretudo, garantir que mais mulheres saibam que a denúncia é um passo possível e que a medida protetiva pode representar a diferença entre viver e morrer.
O sincero desejo do dia de hoje, é que nenhuma mulher precise morrer mais para que a sociedade reconheça o valor da sua vida.

Daniele Medeiros é docente do UniFavip Wyden advogada, Mestra e doutoranda em Direito pela Unicap, especialista em Direitos Humanos pela UFPE, presidenta da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Caruaru.

Violência Contra a Mulher: O Alerta que o 8 de Março Precisa Reforçar

Por Daniele Medeiros

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 08 de março, não pode ser apenas uma data de homenagens simbólicas. Celebrar as conquistas das mulheres é importante, mas é igualmente necessário reconhecer que ainda existe um longo caminho a percorrer para garantir segurança, igualdade e dignidade. A data precisa se materializar em ações que realmente protejam e reconheçam o valor da mulher na sociedade. O 08 de março precisa mobilizar a sociedade e as instituições especialmente no combate à violência doméstica e familiar. Infelizmente, a violência contra as mulheres no Brasil continua sendo uma realidade dramática e persistente.

Diariamente nos deparamos com inúmeras notícias de mulheres sendo vitimadas pela violência. Há avanços legislativos e institucionais é verdade, contudo, são avanços tímidos, diante de milhares de brasileiras que ainda vivem sob risco de violência dentro de suas próprias casas — justamente no espaço que deveria ser de proteção. A análise do Lesfem aponta que, entre os quase 7 mil casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, predomina o crime no âmbito íntimo (75%), sendo que, a maioria das mulheres foi morta ou agredida na própria casa (38%) ou na residência do casal (21%) (https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/numero-de-vitimas-de-feminicidio-supera-em-38-registros-oficiais).

O feminicídio é a face mais extrema dessa violência — inúmeras mulheres sendo mortas em razão de seu gênero. Mas um dado recente revela algo ainda mais preocupante. A pesquisa Retratos do feminicídio no Brasil revela que no contexto de 1.127 feminicídios registrados em 2021-2025, 148 mulheres (13,1%) foram mortas mesmo tendo uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) vigente. Esse dado revela a necessidade urgente de aprimoramento no monitoramento das medidas protetivas de urgência. É importante afirmar que a MPU tem sido um mecanismo que salva vidas sim, inclusive uma pesquisa de 2023 em Mato Grosso revelou que 80% das vítimas de feminicídio não tinham medida protetiva concedida pelo Judiciário. (DPEMT – Pesquisa revela que 60% das vítimas de feminicídio tinham relatado violência prévia para família e amigos)
O fato é que o Brasil ainda enfrenta uma cultura marcada por desigualdades de gênero, fundamentadas na prática do machismo e misoginia.

Nesse contexto, reconhecer o 08 de março significa fortalecer políticas públicas, ampliar redes de apoio, facilitar o acesso à justiça e divulgar instrumentos de proteção. Significa, sobretudo, garantir que mais mulheres saibam que a denúncia é um passo possível e que a medida protetiva pode representar a diferença entre viver e morrer.
O sincero desejo do dia de hoje, é que nenhuma mulher precise morrer mais para que a sociedade reconheça o valor da sua vida.

Daniele Medeiros é docente do UniFavip Wyden advogada, Mestra e doutoranda em Direito pela Unicap, especialista em Direitos Humanos pela UFPE, presidenta da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Caruaru.

Mercado Cultural Casa Rosa celebrou mulheres com programação especial na Data Magna de Pernambuco


Feriado estadual teve shows de forró, Feira da Mulher Empreendedora e atividades culturais no espaço

O feriado da Data Magna de Pernambuco, celebrado na última sexta-feira (6), foi marcado por uma programação especial no Mercado Cultural Casa Rosa, que recebeu atividades com forte presença feminina. No palco, o público acompanhou os shows de Edilene Lira e Dayse Rosa, que comandaram a tarde com repertório de forró.

A data também contou com a participação da Feira da Mulher Empreendedora, que teve a comercialização de acessórios, bolos e doces produzidos por mulheres. Outra atração que movimentou o espaço foi o Flash Day, com tatuagens a preços acessíveis realizadas pelo estúdio Utopia Tattoos.

A visitante Thaís Silva veio com um grupo de amigas e destacou a experiência de conhecer o local. “É a minha primeira vez na Casa Rosa, eu sou de Olinda e costumo vir para Caruaru mais no São João. Fui muito bem acolhida aqui, estou adorando a programação só de mulheres e pretendo voltar mais vezes”, afirmou.

A programação segue durante o final de semana. No sábado (7), a partir das 13h, sobem ao palco Henrique Ferraz e, na sequência, Barthô e Banda. Já no domingo (8), também a partir das 13h, as apresentações ficam por conta de Jonata Chaves e Guilherme Topado.

No Dia da Mulher, Palácio do Campo das Princesas recebe projeção para divulgar Copa do Mundo Feminina da FIFA

Iniciativa promove o futebol feminino em Pernambuco, que receberá jogos da Copa em 2027

Neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, o Palácio do Campo das Princesas ganha uma cara nova do para promover a Copa do Mundo Feminina da FIFA. Na iniciativa, a sede do Executivo estadual recebe a projeção da identidade visual do evento, que ocorre em junho de 2027, com jogos realizados na Arena de Pernambuco.

“No Dia Internacional da Mulher, nós emprestamos a fachada do Palácio do Campo das Princesas, esse prédio histórico, que conta parte da história de Pernambuco, para divulgar o futebol feminino. Teremos a alegria de receber os jogos na Arena de Pernambuco, onde queremos ver as jogadoras brilharem, com muita representatividade para todas nós, pernambucanas”, destacou a governadora Raquel Lyra.

O emblema combina as letras “W” (que significa “women” e “world”) e “M” (que está no início das mesmas duas palavras em português, “mulheres” e “mundo”). A forma de diamante formada entre as duas letras empilhadas é uma homenagem à bandeira brasileira. A tipografia oficial remete ao grafismo produzido através do movimento dos pincéis, em referência à tradição brasileira de pintar as ruas para torcer pelas seleções nacionais. E Brasil está escrito com S, respeitando a grafia do português, em vez do Z utilizado na grafia em inglês.

A secretária de Esportes de Pernambuco, Ivete Lacerda, destacou a importância de dar visibilidade ao futebol feminino. “Em uma data tão simbólica como o Dia Internacional da Mulher, estamos convidando a população a assistir, torcer e se envolver com o esporte praticado por mulheres”, pontuou.

“Receber jogos da Copa do Mundo Feminina em Pernambuco é motivo de grande orgulho. A Arena de Pernambuco está preparada para sediar um evento dessa dimensão e contribuir para dar ainda mais visibilidade ao futebol feminino. Especialmente neste dia, a ação também reforça a importância de incentivar e valorizar o protagonismo das mulheres no esporte”, reforçou Michele Collins, diretora-presidente da Arena Pernambuco.