STF confirma Moraes, Dino e Zanin em julgamento de Bolsonaro

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou nesta quinta-feira (20) que os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin vão participar do julgamento da denúncia sobre a trama golpista, que será realizado na próxima terça-feira (25).

A Corte finalizou o julgamento virtual dos recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos generais Braga Netto e Mário Fernandes para afastar os ministros do julgamento.

O placar contra o impedimento de Moraes e Dino foi de 9 votos a 1. O afastamento de Zanin foi rejeitado por unanimidade (10×0).

O único voto contrário foi proferido pelo ministro André Mendonça. No entendimento do ministro, Moraes não pode continuar na relatoria de denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por ser vítima da suposta de tentativa de assassinato pelo plano golpista.

No caso de Dino, André Mendonça entendeu que o ministro entrou com uma ação contra Bolsonaro antes de chegar ao STF e não pode julgá-lo.

Mendonça se manifestou a favor da continuidade de Cristiano Zanin no julgamento por entender que o fato de o ministro ter atuado como advogado da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quebra a imparcialidade para julgar a causa.

Entenda

No mês passado, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, negou os pedidos da defesa de Jair Bolsonaro para declarar impedidos os ministros Zanin e Dino. Em seguida, os advogados do ex-presidente recorreram da decisão e pediram que o caso fosse analisado pelo plenário.

Os advogados apontaram que Flávio Dino entrou com uma queixa-crime contra Bolsonaro quando ocupou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública nos primeiros meses do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e antes de chegar ao Supremo.

No caso de Zanin, a defesa do ex-presidente diz que, antes de chegar à Corte, o ministro foi advogado da campanha de Lula e entrou com ações contra a chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022.

Da mesma forma, o presidente do STF negou solicitação da defesa de Braga Netto para afastar o relator da denúncia, ministro Alexandre de Moraes, do caso. Para os advogados, o ministro é apontado como uma das vítimas da trama e não pode julgar o caso.

Julgamento

A denúncia contra Bolsonaro, Braga Netto e mais seis acusados do núcleo 1 da trama golpista será julgada no dia 25 deste mês pela Primeira Turma do STF. Se maioria dos ministros aceitar a denúncia, o ex-presidente e os outros acusados viram réus e passam a responder a uma ação penal no STF.

A turma é composta pelo relator, Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Pelo regimento interno da Corte, cabe às duas turmas do tribunal julgar ações penais. Como o relator faz parte da Primeira Turma, a acusação deve ser julgada pelo colegiado.

STF fixa critérios para responsabilização de empresas jornalísticas que divulgarem acusações falsas

Sessão Plenária do STF de 20/3/2025Foto: Antonio Augusto/STF

Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) aperfeiçoou seu entendimento sobre as condições em que empresas jornalísticas estão sujeitas à responsabilização civil, ou seja, ao pagamento de indenização por danos morais, se publicarem entrevista em que o entrevistado atribua falsamente a outra pessoa a prática de um crime (calúnia). Com os ajustes, foram definidos critérios objetivos para a responsabilização e a remoção de conteúdo.

A decisão, nesta quinta-feira (20), foi tomada em recursos (embargos de declaração) apresentados na tese de repercussão geral fixada no Recurso Extraordinário (RE) 1075412 (Tema 995).

Entrevistas ao vivo

Entre outros pontos, ficou definido que, em entrevistas ao vivo, o veículo não pode ser responsabilizado por declarações feitas exclusivamente pelo entrevistado. Mas, para isso, deverá assegurar à pessoa a quem for falsamente atribuída a prática de crime o direito de resposta em iguais condições, espaço e destaque.

Responsabilização por má-fé ou negligência

O colegiado reafirmou o entendimento de que a empresa jornalística só poderá ser responsabilizada civilmente se for comprovada sua má-fé, caracterizada pelo conhecimento prévio da falsidade da declaração ou por evidente negligência na apuração da informação, sem que seja dada a possibilidade de resposta do terceiro ofendido ou, ao menos, de busca do contraditório. Também ficou estabelecido que o veículo poderá ser responsabilizado caso o conteúdo com a acusação falsa não seja removido de plataformas digitais por iniciativa própria ou após notificação da vítima.

Responsabilização apenas em situações concretas

O julgamento dos recursos, apresentados pelo Diário de Pernambuco, que é parte no processo, e pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), admitida como terceira interessada, começou em agosto de 2024. Naquela sessão, o relator, ministro Edson Fachin, votou para que a tese fosse ajustada para deixar claro que a responsabilização ocorre em situações concretas, e a análise foi suspensa por pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Antes de ler a nova redação da tese, nesta quinta-feira, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, observou que ela foi elaborada em consenso, com a participação dos 11 ministros. O ministro Flávio Dino elogiou a disponibilidade do relator para ouvir as sugestões apresentadas pelos demais ministros ao longo do julgamento, o que possibilitou a construção coletiva do enunciado.

Tese

A tese fixada foi a seguinte:

1 – Na hipótese de publicação de entrevista, por quaisquer meios, em que o entrevistado imputa falsamente prática de crime a terceiro, a empresa jornalística somente poderá ser responsabilizada civilmente se comprovada sua má-fé caracterizada:

(I) Pelo dolo demonstrado em razão do conhecimento prévio da falsidade da declaração, ou

(II) Culpa grave decorrente da evidente negligência na apuração da veracidade do fato e na sua divulgação ao público sem resposta do terceiro ofendido ou, ao menos, de busca do contraditório pelo veículo.

2 – Na hipótese de entrevistas realizadas e transmitidas ao vivo, fica excluída a responsabilidade do veículo por ato exclusivamente de terceiro, quando este falsamente imputa a outrem a prática de um crime, devendo ser assegurado pelo veículo o exercício do direito de resposta em iguais condições, espaço e destaque, sob pena de responsabilidade, nos termos dos incisos V e X do artigo 5º da Constituição Federal.

3 – Constatada a falsidade referida nos itens acima, deve haver remoção de ofício ou por notificação da vítima, quando a imputação permanecer disponível em plataformas digitais sob pena de responsabilidade.

Senado aprova isenção de visto a turistas dos EUA, Austrália e Canadá

Movimentação no  Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek, durante paralisação dos aeronautas

O Senado decidiu sustar o decreto do Executivo, de maio de 2023, que determina a exigência do visto para cidadãos da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos e do Japão a partir do dia 10 de abril.

O plenário da casa aprovou, ontem (19), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 206/23 revogando o ato do Executivo que exigia os vistos. A matéria agora vai para tramitação na Câmara dos Deputados.

Na prática, o texto aprovado pelos parlamentares derruba a exigência de cobrança do visto de cidadãos daqueles países. A emissão digital do visto custa US$ 80,90 (R$ 458,30 em real).

A exigência do visto foi retomada pelo Executivo, sob o argumento de reciprocidade e igualdade de tratamento, já que esses países continuaram a cobrar visto dos brasileiros.

O relator da matéria, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu a suspensão do decreto com o argumento de que o uso da reciprocidade não deve ser unilateral, nem é um impositivo pela Lei de Migração (Lei 13.445, de 2017).

“O uso da reciprocidade como critério é apenas uma possibilidade, a qual entendemos que deve ser afastada caso outra se mostre mais adequada e oportuna”, argumentou.

O senador disse ainda que a retomada da exigência de visto poderia representar uma perda significativa de aproximadamente 190 mil turistas, se comparados com a entrada de turistas americanos em 2024.

Dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), mostram que no ano passado, o país recebeu 825.077 turistas dos EUA e do Canadá.

“O retorno da exigência de visto reduzirá o fluxo de turistas oriundos dessas nações, reduzindo a conveniência de viajar”, continuou.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), se manifestou pela manutenção da exigência do visto. O senador argumentou que o Japão acabou retirando a exigência de visto para os brasileiros, o que permitiu ao governo implementar a reciprocidade nesse caso.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse que o projeto para sustar a decisão do Executivo extrapola a atribuição constitucional do Legislativo. Segundo o senador, o Executivo tem o direito político de assumir esse tipo de decisão sobre visto.

Vieira disse ainda que a matéria deveria ter passado antes Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que faz o controle de constitucionalidade dos projetos.

“Isso é negativo. Esse é claramente um PDL que não atende aos requisitos da Constituição”, afirmou o senador.

Anderson Correia assume a presidência do PP Animal em Pernambuco

A forte atuação do vereador Anderson Correia (PP) na luta pelos direitos dos animais o tornou referência além das fronteiras de Caruaru. Esse reconhecimento veio na tarde desta quinta-feira (20), em Brasília, quando o parlamentar caruaruense assumiu a presidência do PP Animal em Pernambuco, com a chancela dos deputados Eduardo e Lula da Fonte, líderes do Progressistas no Estado.

Com grande expertise no combate aos maus-tratos, com diversos resgates, casos com prisões decretadas, além de ser um grande precursor na elaboração de políticas públicas animalistas para a Capital do Agreste, Anderson se destaca por conduzir bem as diligências diariamente como advogado animalista, em um mandato marcado pela forte atuação não só em Caruaru, mas também em diversas cidades pernambucanas. Todas essas qualificações voltadas para a bandeira animalista fizeram dele um dos principais nomes da causa animal no Brasil, o consolidando como grande nome do PP nesta pauta.

“É um grande privilégio poder presidir o PP Animal em Pernambuco, um movimento que atua de forma enérgica e eficaz em prol do crescimento da pauta animalista, bem como elabora políticas públicas voltadas para os animais, além de buscar emanar esforços para prover recursos para aplicação dessas políticas nos municípios. Externo minha gratidão aos meus líderes Eduardo e Lula da Fonte pela confiança depositada em mim, sabendo que não mediremos esforços para tornar o PP Animal cada vez mais forte e atuante em nosso estado”, destacou Anderson.

Secretaria da Primeira Infância promove primeiro encontro do projeto “Cuidar de quem Cuida”

A Prefeitura Municipal de Caruaru, por meio da Secretaria Executiva da Primeira Infância, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e a Autarquia de Mobilidade de Caruaru, realizou, nesta quinta-feira (20), o primeiro encontro do projeto “Cuidar de quem Cuida”. O evento tem como principal objetivo promover uma roda de conversa com pais de crianças atípicas de 0 a 6 anos, acompanhadas pelo AME Infantojuvenil e pelo Núcleo TEA. O tema abordado foi “Extensão do Site Terapêutico no Ciclo Familiar”.

“Foi um momento muito especial, onde os pais puderam trazer as suas experiências, as suas amostras e, assim, podemos ver o contato deles e o cuidado com as crianças. Esse espaço é muito importante e o projeto enriquecedor onde podemos partilhar mais a nossa experiência do dia a dia com os pais”, destacou Diana da Silva Rodrigues, neuropsicóloga e pedagoga da alma infantil juvenil.

O projeto prevê encontros mensais ao longo do ano, proporcionando um espaço de acolhimento e troca de experiências para os cuidadores. Além das discussões conduzidas por profissionais especializados, a iniciativa contará com atividades educativas organizadas pela Gerência de Educação no Trânsito. Os arte-educadores desenvolverão brincadeiras e dinâmicas voltadas para a conscientização sobre a mobilidade urbana, promovendo desde cedo uma cultura de respeito e segurança no trânsito.

A criação das rodas de conversa visa fortalecer as famílias de crianças atípicas, oferecendo informações e suporte emocional para lidar com os desafios do diagnóstico. O ambiente é um espaço seguro e acolhedor, permitindo que os participantes compartilhem vivências, esclareçam dúvidas e adquiram conhecimentos que possam contribuir para o desenvolvimento dos seus filhos. A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura de Caruaru em promover políticas públicas voltadas para a inclusão e o bem-estar das famílias.

Estação Mulher será realizado com serviços gratuitos e shows no próximo sábado (22)

No próximo sábado (22), será realizada a sétima edição do Estação Mulher, um evento realizado pela Prefeitura de Caruaru, por meio da Secretaria da Mulher (SEMU), em comemoração ao mês da mulher. A programação começa às 8h e vai até às 21h, na Estação Ferroviária.

Durante o evento, as secretarias municipais e os parceiros do evento vão oferecer uma série de serviços gratuitos e também promover diversas atividades voltadas para o público feminino. Serão ofertados serviços de saúde e qualidade de vida, microcrédito, qualificação e diversos outros. No local também será realizada a Feira da Mulher Empreendedora.

A noite será dedicada às apresentações culturais, com o Grupo de Samba Dendê Delas e a primeira banda de forró totalmente feminina criada em Caruaru, As Fulô.

Confira a programação completa:

8h – Aulão do Projeto Qualidade de Vida com o professor Marcos Mercury

9h – Grupo de Dança do Centro Integrado de Direitos Humanos (CIDH) com o Professor Alex

10h – Palestra de em Alusão ao Dia Internacional da Eliminação Discriminação racial com Pai Ivo de Xambá – MUBAC/Fundarpe.

11h – Povos de Terreiros – APTC.

13h – Grupo de Capoeira do Centro Integrado de Direitos Humanos (CIDH)

14h – Seduc Marcatu Crianças

15h – Oficina sobre Maquiagem

15h30 – Oficina sobre Canva

16h – Oficina sobre Autoconhecimento.

16h30 – Sanfona para Elas

17h30 – Aulão com a professora Flor

18h – Grupo de Samba Dendê Delas.

19h – Banda as Fulô

Orçamento de 2025 é aprovado pelo Congresso Nacional

Brasília (DF), 20/03/2025  - Sessão do congresso que votou o orçamento de 2025. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Senadores e deputados federais aprovaram, em votação simbólica, na tarde desta quinta-feira (20), o relatório final do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2025. O texto já havia passado, mais cedo, pela Comissão Mista do Orçamento (CMO).

A aprovação do Orçamento encerra um impasse que durou cerca de três meses, já que a medida deveria ter sido aprovada no fim do ano passado, mas foi postergada em meio a crise sobre a liberação de emendas parlamentares e a votação do pacote fiscal que havia dominado a agenda legislativa em dezembro.

Agora, o texto da Lei Orçamentária Anual segue para sanção presidencial. A norma prevê superávit primário de R$ 15 bilhões nas contas públicas para este ano. Além disso, estão previstos R$ 50,4 bilhões para emendas parlamentares.

Esse resultado, se confirmado, cumpre a regra de meta fiscal primária zero, conforme determina o arcabouço fiscal em vigor que limita as despesas da União. Os gastos primários são aqueles que excluem o valor gasto com a dívida pública.

Ao todo, o substitutivo do relator prevê R$ 5,8 trilhões em despesas para 2025, sendo R$ 1,6 trilhão apenas para o refinanciamento da dívida pública, com pagamento de juros e amortizações. Já a Seguridade Social deve custar R$ 1,8 trilhão, segundo o relatório.

Outros 2,2 trilhões são para o chamado orçamento fiscal, usado para financiar todos os poderes da República, o que abrange os três poderes, seus fundos, órgãos, autarquias, inclusive as fundações mantidas pelo Poder Público. Do total dos R$ 5,8 trilhões previstos no relatório, R$ 166 bilhões são para investimentos, como compra de equipamentos e obras.

Com relação aos programas do governo, houve diminuição de recursos para o Bolsa Família, para R$ 160 bilhões (R$ 9 bilhões a menos que em 2024) e aumento para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que terá R$ 60 bilhões disponíveis (R$ 13,1 bilhões a mais.

Também foram assegurados recursos para programas como o Vale-Gás (R$ 3,6 bilhões) e Farmácia Popular (R$ 4,2 bilhões).

O governo fez um acordo com o relator do Orçamento, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA) para a inclusão do programa Pé-de-Meia, do Ministério da Educação (MEC) na lei orçamentária.

Pelo acordo, o Poder Executivo se comprometeu a enviar novo projeto com verbas para financiar o programa que paga uma mesada de R$ 200 a mais de 3,9 milhões de estudantes de baixa renda no ensino médio, para que se mantenham na escola.

Em Brasília, Júnior Letal deve conquistar campo de grama sintetica para bairro Agamenon

A quarta-feira (19), foi um dia histórico para o esporte e para a comunidade do Bairro Agamenon Magalhães, em Caruaru.

O vereador Júnior Letal, (PP) incansável na luta por melhorias para Caruaru, entregou diretamente ao ministro dos Esportes, André Fufuca, o projeto do tão sonhado campo sintético do bairro.

Ao lado do deputado federal Lula da Fonte, que também abraçou essa causa, Júnior Letal demonstrou, mais uma vez, que está onde o povo precisa, buscando recursos e parcerias para transformar a realidade dos caruaruenses.

Com a força da comunidade e a certeza de que o esporte é um agente transformador, esse projeto não é apenas sobre um campo de futebol. É sobre oportunidades, inclusão e esperança. É sobre oferecer às crianças, adolescentes e adultos do Cidade Alta um espaço digno para crescerem, sonharem e conquistarem um futuro melhor.

O compromisso do vereador Júnior Letal é real e inabalável. “com o apoio do ministro André Fufuca, que sempre demonstrou sensibilidade às demandas populares, bem como o deputado federal Lula da Fonte, temos confiança de que essa conquista se tornará realidade muito em breve”, comentou Letal

Sete em cada dez representantes do mercado financeiro acreditam que Bolsonaro será preso, aponta Genial/Quaest

A primeira rodada deste ano da pesquisa “O que pensa o mercado financeiro”, da Genial/Quaest, mostra que sete em cada dez (68%) representantes do setor acreditam que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será preso. Para 16% dos entrevistados o ex-mandatário não vai para a cadeia — mesmo percentual dos que afirmaram não saber responder.

Na pesquisa anterior, de dezembro, 55% diziam acreditar que Bolsonaro será preso. Já 45% afirmaram acreditar que ele não irá para a cadeia. Em março do ano passado, o percentual de entrevistados que não acreditava na prisão do ex-presidente era superior ao dos que entendiam que ela iria ocorrer (53% x 47%). As informações são do Jornal O Globo.

O ex-presidente foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), em fevereiro, por participação em uma trama golpista para mantê-lo no poder após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.

De acordo com a acusação, Bolsonaro cometeu os crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do estado democrático de direito, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Visão sobre Lula
A pesquisa também constatou que continua em queda a expectativa de candidatura de Lula à reeleição. Se em março do ano passado 86% acreditavam nessa possibilidade, em dezembro eram 70%, e nesta rodada, 60%.

Há um ano, 53% dos entrevistados apontavam o petista como favorito na disputa presidencial em 2026, contra 47% que acreditavam em derrota. Na rodada mais recente, 66% acreditam que o presidente sairia derrotado, enquanto 27% apostam na reeleição.

Caso Lula não seja candidato no pleito, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), é apontado por 57% do mercado financeiro como o provável candidato da esquerda.

Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o candidato com mais chance de vencer a esquerda nas próximas eleições na opinião de 93% dos entrevistados. Em segundo lugar vem o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que anunciou o licenciamento do mandato na terça-feira, com 3%.

A pesquisa foi feita entre os dias 12 e 17 de março, por meio de entrevistas on-line e com aplicação de questionários estruturados. Foram ouvidos 106 gestores, economista, analistas e tomadores de decisão de fundos de investimentos sediados em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Não, caros bolsonaristas, não estamos numa ditadura

Por Fabiano Lana
Do Estadão

Tem quase virado um consenso social que representantes do poder Judiciário exacerbam de suas atribuições ao agir como militantes políticos e ouvidores gerais da nação, além de atuarem como juízes. Conta com consentimento crescente a tese de que o tal inquérito das fake news, comandado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, virou uma espécie de autorização eterna para prática da censura e do arbítrio.

Tornou-se tema legítimo de discussão que as penas para os baderneiros/vândalos/golpistas do 8/1 foram exageradas e até mesmo cruéis. Mas daí dizer que o Brasil caminha a passos largos para uma ditadura ou que já vivemos num regime de exceção é uma ideia falsa, mal-intencionada, e lançada ao ar por gente que não aprecia a democracia e, sim, buscou o golpe de Estado.

Mas o caminho escolhido por Bolsonaro e turma para se livrar da prisão e incendiar sua base parece ser esse mesmo – pregar contra a institucionalidade. Banalizar o termo “ditadura” por meio da inversão de sinais. O pessoal que ainda apoia o regime de 1964 até 1985, essa sim uma tirania real, quer dizer que o despotismo ocorre agora, em 2025, aos nossos olhos.

Esse pode ser o sentido maior do anúncio do deputado Eduardo Bolsonaro – o mesmo que disse basta “um soldado e um cabo” para fechar o STF – de se “exilar” em Orlando, nos Estados Unidos. Quem sabe com isso também sensibilizar os políticos trumpistas a fazer alguma coisa contra Moraes ou mesmo contra o Brasil.

Impor tarifas para pressionar que Jair Bolsonaro seja absolvido? Cancelar o cartão Visa de Moraes? Segue enigmática a estratégia do filho 03 do ex-presidente. Como os extremos se tocam nas ideias e atitudes, não custa lembrar que o então deputado Jean Wyllys, do PSOL, foi viver na Europa em protesto contra a “ditadura” de Bolsonaro.

O caminho do bolsonarismo também passa por tentar inocentar a priori o pessoal de 8/1. Num reducionismo rudimentar, todos foram transformados em “velhinhas com Bíblia na mão” manipulados pela esquerda. Ora, houve gente manipulada, gente iludida, gente em delírio psiquiátrico naquele movimento.

Mas era uma turma que não só exigia uma intervenção militar contra o resultado de uma eleição como, de fato, depredou simultaneamente as sedes dos Três Poderes brasileiros, num movimento sem paralelo na história das democracias constituídas. Inocentá-los soa tão absurdo como conceder a eles penas que estão próximas à prisão perpétua.

O tão esquecido (nesses momentos de crise) Aristóteles dizia que a virtude é o ponto de equilíbrio entre dois extremos, ou seja, o “justo meio”. No Brasil, parece que quase todos resolveram pensar e agir fora da curva, longe dessa justiça possível. Caso alguém de uma ideologia contrária cometa um crime, exige-se e se comemora o anúncio de uma pena brutal. Por outro lado, se eu tenho simpatia política por aquele pessoal que praticou o delito, não quero pena nenhuma. Até mesmo sentimentos como vingança ou misericórdia se subordinam à ideologia política. Mas é como se disséssemos, “ele é bandido, mas é o nosso bandido”.

Nesse sentido, o fracasso da manifestação convocada por Bolsonaro no último domingo pode ser uma boa notícia para o País. E não foi porque “carioca acorda tarde”, conforme a justificativa de pastor Silas Malafaia. Talvez tenha a ver com uma certa exaustão de quem vive de apresentar pautas radicais, destrutivas e divisivas para a sociedade. A conferir.

Nessa tensão, a democracia sobrevive, mesmo com disfuncionalidades e abusos de tanta gente poderosa. Longe de ser perfeita. Mas uma evidência bastante clara de que vivemos num regime democrático é que podemos ainda utilizar as redes sociais, as conversas, os grupos de WhatsApp, para defender a tese de que “estamos numa ditadura!” Apenas democracias permitem ser confrontadas nesse nível cotidiano. Experimente fazer isso nos regimes de força e verá o que acontece.