Alíquota do ICMS sobre compras internacionais sobe de 17% para 20%

A alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado no recebimento de compras internacionais subirá de 17% para 20% a partir desta terça-feira (1º), em dez estados.

O aumento foi aprovado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em dezembro do ano passado. Cada estado ficou de decidir se aprova, ou não, o aumento.

A alíquota será aumentada nos estados do Acre, de Alagoas, da Bahia, do Ceará, de Minas Gerais, da Paraíba, do Piauí, do Rio Grande do Norte, de Roraima e de Sergipe. Na prática, a medida deve impactar compras feitas em sites internacionais.

Ao decidir pelo aumento, o Comsefaz argumentou que a nova alíquota também busca alinhar o tratamento tributário aplicado às importações ao praticado para os bens comercializados no mercado interno, “criando condições mais equilibradas para a produção e o comércio local”.

De acordo com o comitê, a decisão levou em conta as alíquotas modais já praticadas pelos estados.

“O objetivo é garantir a isonomia competitiva entre produtos importados e nacionais, promovendo o consumo de bens produzidos no Brasil. Com isso, os estados pretendem estimular o fortalecimento do setor produtivo interno e ampliar a geração de empregos, em um contexto de concorrência crescente com plataformas de comércio eletrônico transfronteiriço”, disse o comitê.

Juiz suspende norma que autoriza farmacêuticos a prescreverem remédios

Remédios,pílulas

A Justiça Federal em Brasília decidiu nesta segunda-feira (31) suspender a resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) que autorizou farmacêuticos a prescreverem medicamentos. A decisão foi motivada por uma ação movida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Na decisão, o juiz federal Alaôr Piacini afirmou que a resolução do CFF que autorizou a medida invade as atividades privativas dos médicos.

“O balcão de farmácia não é local para se firmar um diagnóstico nosológico de uma doença, porque o farmacêutico não tem competência técnica, profissional e legal para tal procedimento”, afirmou o magistrado.

O juiz também acrescentou que somente os médicos têm competência legal e técnica para fazer diagnósticos e receitar tratamento terapêutico.

Para fundamentar a decisão, o magistrado citou a Lei 12.842, de 2013, conhecida como Lei do Ato Médico.

“Verifica-se da referida lei que somente o médico tem competência legal e formação profissional para diagnosticar e, na sequência, indicar o tratamento terapêutico para a doença, após a realização do diagnóstico nosológico, processo pelo qual se determina a natureza de uma doença, mediante o estudo de sua origem, evolução, sinais e sintomas manifestos”, afirmou.

Alaôr Piacini também ressaltou casos de diagnóstico inadequado divulgados pela imprensa.

“É fato incontroverso que a imprensa noticia, quase diariamente, mortes e deformações estéticas, com repercussão para a vida toda da pessoa, em tratamentos realizados por profissionais da área da saúde que não são médicos e passam a realizar procedimentos sem a formação técnica adequada”, completou.

De acordo com a Resolução 5/2025 do CFF, o farmacêutico está autorizado a prescrever medicamentos, incluindo os de venda sob prescrição, renovar prescrições e prescrever medicamentos em atendimento à pessoa sob risco de morte iminente.

Para o Conselho Federal de Medicina, os farmacêuticos não têm atribuição legal e preparação técnica para definir tratamentos.

Dólar fecha a R$ 5,70 e cai 3,57% em março

Dólar

Em um dia misto no mercado financeiro, o dólar despencou e a bolsa de valores também caiu. Em meio à cautela com a entrada em vigor do tarifaço do governo de Donald Trump, a moeda norte-americana caiu mais de 3% no mês. Apesar da queda desta segunda-feira (31), a bolsa subiu cerca de 6% e teve o melhor desempenho mensal desde agosto do ano passado.

O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,706, com queda de R$ 0,054 (-0,94%). A cotação chegou a abrir em alta, mas passou a cair após a abertura dos mercados norte-americanos. Na mínima do dia, por volta das 15h30, aproximou-se de R$ 5,69.

A moeda norte-americana está no valor mais baixo desde o último dia 20, quando tinha fechado em R$ 5,67. A divisa caiu 3,57% em março e acumula baixa de 7,67% em 2025.

Diferentemente do câmbio, o mercado de ações teve um dia mais turbulento. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 130.259 pontos, com queda de 1,25%. A queda desta segunda foi parcialmente motivada pela realização de lucros, quando investidores vendem papéis para embolsarem ganhos recentes. O indicador subiu 6,08% em março e acumula alta de 8,29% em 2025.

Fatores internos e externos influenciaram o mercado financeiro nesta segunda-feira. No Brasil, a formação da taxa Ptax, câmbio médio no último dia útil do mês que corrige a parcela da dívida do governo em dólar, reforçou a queda do dólar, à medida que muitos estrangeiros reduziram as apostas contra o real nas últimas semanas. Isso fez o real descolar-se de outras moedas emergentes, que se depreciaram hoje.

No cenário internacional, investidores avaliam que o Brasil será menos afetado que outros países com a imposição de tarifas recíprocas pelo governo de Donald Trump. A partir de quarta-feira (2), os Estados Unidos taxarão as importações com a mesma tarifa que os países cobram sobre os produtos deles. No mesmo dia, entrará em vigor a tarifa de 25% sobre a importação de automóveis nos Estados Unidos.

Polícia aponta triplo homicídio em caso de indígenas carbonizadas

Um triplo homicídio brutal é apontado como a causa da morte de três indígenas, que tiveram os corpos carbonizados em uma casa da aldeia Bororó, na área de retomada indígena Avaeté Mirim, na região rural de Dourados, no Mato Grosso do Sul, segundo o Setor de Investigações Gerais da Polícia Civil no município.

O crime ocorreu no início da madrugada desta segunda-feira (31).

Segundo a polícia, as vítimas são: Fabiana Benites Amarilha, de 36 anos, uma idosa, inicialmente identificada como Liria Isnarede Batista, e uma criança de apenas um ano de idade.

A autora dos crimes seria uma mulher, de 29 anos. De acordo com a polícia, ela teria invadido o imóvel, desferido um “golpe contundente” contra a idosa, utilizando um pedaço de concreto. Em seguida, asfixiou o bebê. A terceira vítima, Fabiana, dormia no quarto enquanto a autora incendiou a casa utilizando um líquido inflamável.

Ao fugir do local, a autora teria sofrido queimaduras, o que levou os investigadores a desvendarem seu envolvimento.

“Durante a apuração, a Polícia Civil conseguiu identificar uma mulher com sinais evidentes de queimaduras recentes, compatíveis com o lapso temporal em que o crime teria ocorrido. As lesões foram analisadas pela perícia médico legista e reforçaram os indícios de sua participação no evento criminoso”, informou a corporação, em nota.

Testemunhas que presenciaram os fatos também teriam corroborado a versão apresentada pela polícia.

A aldeia onde o crime ocorreu está situada em uma área reivindicada por povos originários, mas que sofre por conflitos históricos com proprietários rurais pela posse das terras.

Ainda não há indicação de que o crime esteja relacionado a essa disputa.

Os corpos das três vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Dourados, que fica a cerca de 230 quilômetros (km) de Campo Grande.

Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) diz repudiar “todo e qualquer ato de violência contra os povos indígenas e acompanha o caso dos indígenas carbonizados na retomada Avaeté em Dourados (MS), por meio do seu Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (DEMED)”. Uma equipe da pasta foi enviada ao local para auxiliar no caso.

O MPI também informou ter acionado o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Polícia Federal no Mato Grosso do Sul “para solicitar a investigação do crime em regime de urgência, pelas constantes ameaças, violações territoriais e atos de violência sofridos pelos Guarani e Kaiowá”.

Governadora Raquel Lyra destaca avanços na infraestrutura de Pernambuco durante evento da Fiepe

A governadora Raquel Lyra participou, nesta segunda-feira (31), do lançamento do Fórum Permanente da Infraestrutura de Pernambuco, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe). O evento, que reuniu representantes do setor produtivo e autoridades, teve como foco a discussão das prioridades e dos avanços nas obras de infraestrutura do Estado, com destaque para a Ferrovia Transnordestina. Durante a solenidade, a gestora assinou um manifesto em defesa do ramal Salgueiro-Suape da Transnordestina e enfatizou que o projeto de duplicação da BR-232 entre os municípios de São Caetano, no Agreste, e Serra Talhada, no Sertão, já está em fase de licitação e destacou que o Arco Metropolitano terá sua obra iniciada nos próximos meses.

“Já tratei diversas vezes com o governo federal sobre a retomada da Transnordestina, que é fundamental para a economia do nosso Estado. Ainda sobre infraestrutura, estamos fazendo nossa parte e vamos abrir, no próximo dia 11 de abril, os envelopes com as propostas do Arco Metropolitano, obra tão sonhada há mais de 20 anos. Com isso, a expectativa é ter a obra em execução nos próximos meses. Também fechamos o quarto trimestre de 2024 com um crescimento de 6,2%, mais do que o dobro do PIB nacional”, destacou a governadora Raquel Lyra, que elencou diversas obras estruturantes realizadas pela gestão estadual.

O presidente da Fiepe, Bruno Veloso, enfatizou que o fórum tem o objetivo de promover o monitoramento e a discussão técnica sobre as obras estruturantes executadas no território pernambucano. “Precisamos criar um ambiente de negócios para que as indústrias venham e se instalem em Pernambuco, tornando o Estado um grande local para se fazer investimentos. Para isso, sempre temos um diálogo muito franco e aberto com todos os entes públicos, com a governadora Raquel Lyra e todos os prefeitos”, pontuou.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti, ressaltou a importância da mobilização em torno da conclusão da Transnordestina. “É um projeto que trará ainda mais desenvolvimento para o nosso Estado e é crucial garantir que os recursos federais sejam alocados e que o processo de uma nova concessão da ferrovia até o Porto de Suape seja efetivamente realizado”, disse.

“A conclusão da Transnordestina, juntamente com as outras obras estratégicas em andamento no Estado, resultará na redução dos custos logísticos em quase 40%, o que nos fortalecerá ainda mais. Pernambuco e o Nordeste brasileiro, sem dúvida, são regiões com o maior potencial do Brasil”, defendeu o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

A adequação dos projetos para a retomada das obras foi licitada pela Infra S.A., ligada ao Ministério dos Transportes, no primeiro semestre de 2023, que está entregando as adequações por trecho. O Governo de Pernambuco acompanha as propostas de adequação junto ao governo federal.

“Contratamos uma empresa para retomar os estudos de todos os trechos que completam a Transnordestina. Os primeiros trechos entregues foram do lote 7 ao 9, que serão licitados ainda este ano. Esperamos iniciar essas obras ainda em 2025. Os demais lotes também serão entregues, e nossa expectativa é licitá-los todos no próximo ano. A previsão de conclusão da obra é para o final de 2029”, explicou o diretor-presidente da Infra S.A, Jorge Bastos.

M

Thera Blue lança clipe de novo single ‘Pessoa Bonita’

O cantor caruaruense Thera Blue acaba de lançar seu novo single: ‘Pessoa Bonita’. Gravado no Parque Municipal Severino Montenegro, o videoclipe já está disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=YAaR3judzUs. Com composição de Thera em parceria com Carmen Farias, a canção conta com arranjos e guitarras de Olegário Lucena.

“Essa letra foi escrita pela minha parceira de canções, Carmen Farias, pra uma pessoa em especial. Quando ela me enviou, automaticamente a música nasceu. E o final da letra ‘bordada no âmago desse coração de passagem’ me deu a inspiração pra escrever a ideia do clipe”, explicou o artista.

O videoclipe traz uma interação poética entre o artista, a natureza e um coração, símbolo do aspecto romântico da composição. Com versos que exploram a poesia e as metáforas, a música é uma verdadeira declaração de amor, com versos como: “Que pessoa bonita, dessas que consagram ineditismo”.

O projeto conta com apoio financeiro da Fundação de Cultura de Caruaru, a partir da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). A gravação da música foi realizada no Studio DiFagner e o videoclipe conta com direção de Thera Blue, cinegrafia de César Caos, co-direção e edição Anderson Chino, produção executiva de Kelly Moura, assistência de produção e de direção de Caru, still e making of de Maria Kilô Ferrera, maquiagem de Amanda Freire, produção do coração de Ponto e Poesia, caracterização de Rizonir Silva, design gráfico de 8DaniMelo e Bianca Carvalho (Estúdio Giracoco), assessoria de imprensa de Stephanie Sá (Borogodó Conteúdo Criativo) e interpretação de Libras de Ivison Santos.

SISMUC realiza assembleia com servidores associados de Caruaru

O Sindicato dos Servidores Municipais de Caruaru e região Agreste (Sismuc) realiza, nesta terça-feira (01/04), uma Assembleia Geral Extraordinária com os servidores associados de diversas categorias, bem como: lactaristas, motoristas, auxiliares, merendeiras, assistentes sociais, dentre outros.

Em pauta: informes gerais, repassar a pauta da reunião com a secretaria de administração e deliberação para 2025. O presidente da instituição, Eduardo Mendonça, convoca a todos. “É importante que os associados compareçam para acompanhar as tratativas do sindicato junto ao poder executivo e para votar as deliberações desse ano”, conclui.

A primeira convocação será às 7h30, com 2/3 dos associados e a segunda uma hora depois com 1/3. A terceira e última convocação 30 minutos depois, às 9h.O encontro acontecerá, na sede do SISMUC – na Rua Padre Félix Barreto, n° 50.

Inclusão feminina no mercado tech é tema de evento gratuito no Recife

Estão abertas as inscrições para o Código M, evento realizado pela Laboratória (@laboratoria_br) em parceria com o Google.Org. O encontro conta com 250 vagas voltadas para mulheres com interesse na área de tecnologia e acontece no Cais do Sertão, no dia 16 de abril, das 8h30h às 13h. A programação inclui palestras sobre inovação e tecnologia, além de momentos de conexão entre as participantes. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site www.codigom.la/br.

Não é necessário ter experiência prévia para participar do Código M, basta ter interesse no ramo tech, realizar a inscrição e comparecer ao evento. Logo após o cadastro, as participantes receberão as informações necessárias, incluindo o cronograma e as orientações de acesso.

Na primeira edição na capital pernambucana, realizada em 2024, mais de 200 mulheres participaram do evento, que teve palestras inspiracionais, painel com especialistas e networking, além de brindes e certificado de participação. Em sua segunda edição na cidade, o evento traz ainda mais conteúdo para contribuir com a formação das mulheres. 

“Voltar para Recife depois de um evento tão lindo em 2024 é incrível. Com o Código M, buscamos apresentar o setor tech para essas mulheres que desejam começar a trajetória profissional, mas não sabem como dar o primeiro passo. Queremos derrubar as barreiras e incentivar a descoberta do potencial de cada uma”, afirma a cofundadora da Laboratória no Brasil, Regina Acher.

Fundada em 2014, no Peru, a Laboratória já formou mais de 4 mil mulheres no Brasil e em outros dez países da América Latina em diversos cursos. Mais informações podem ser conferidas no site oficial da Laboratória: www.laboratoria.la/pt

Entrega das prestações de contas ao TCE vai até a esta segunda-feira (31)

As prestações de contas referentes ao exercício de 2024 devem ser entregues ao Tribunal de Contas do Estado até o dia de hoje, segunda-feira ,31 de março. A exceção da data é para as empresas públicas e as sociedades de economia mista, que têm até 15 de maio para fazer a remessa dos documentos ao TCE-PE.

O envio da prestação de contas é obrigatório para gestores de órgãos públicos municipais, estaduais, bem como do Ministério Público e Poderes Judiciário e Legislativo. 

A documentação deve detalhar o planejamento e a execução dos recursos públicos, incluindo investimentos, dívidas, licitações, contratações, gestão de pessoal e de bens patrimoniais. As contas são analisadas e julgadas pelos conselheiros relatores de cada unidade gestora.

Para a entrega, que deve ser feita pelo sistema e-TCEPE, os responsáveis devem estar devidamente credenciados e com cadastro atualizado. 

Na segunda-feira (31), a Central de atendimento estará disponível, até às 22h, pelo telefone 0800 281 7717 para quaisquer esclarecimentos.

O TCE já recebeu 202 (21%) prestações de contas das 953 esperadas, segundo dados coletados na manhã desta quinta-feira (27).

O prazo final de envio dos documentos não será prorrogado. 

Organizações Sociais de Saúde (OSSs): As Organizações Sociais de Saúde (OSSs) também devem prestar contas até o dia 31 de março, mas neste caso, a entrega deve ser feita por meio do Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Veja como fazer.

Se houver dúvidas com o sistema SEI, entrar em contato com o e-mail sei_usuarioexterno@tcepe.tc.br.

O envio de dados falsos, a omissão de informações e o descumprimento dos prazos previstos podem resultar em multas aos responsáveis.

Conheça as resoluções que tratam da lista de documentos necessários para as prestações de contas:

Resolução TC n° 269/2024 – Prefeitos

Resolução TC n° 270/2024 – Mesas Diretoras das Câmaras e gestores de Administração Direta ou Indireta Municipal

Resolução TC n° 268/2024 – Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Ministério Público, Defensoria Pública e órgãos da Administração Direta ou Indireta Estadual.

Resolução TC nº 154/2021 – Organizações Sociais de Saúde

Estudo mostra que teleconsulta é eficaz no acompanhamento médico

Funcionária de saúde usa sistema de atendimento remoto para consultas de saúde no Distrito Federal.

Uma consulta médica sem sair de casa, usando apenas o celular ou outro dispositivo eletrônico conectado à internet. Impulsionada pela pandemia, a teleconsulta ganhou espaço e passou a ser vista como uma forma de expandir o acesso e oferecer acompanhamento a pacientes das redes públicas e privadas de saúde. Mas a modalidade é mesmo confiável e eficaz?

Estudos em todo o mundo buscam responder a essa pergunta, assim como investigar em que situações deve ou não ser usada. Uma dessas pesquisas investiga a teleconsulta para pacientes com diabetes tipo 2 no sistema público de saúde brasileiro. O trabalho foi conduzido pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, como parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) e foi publicado na revista científica The Lancet.

O estudo compara o acompanhamento de pacientes com diabetes tipo 2 por teleconsultas com endocrinologistas com o mesmo tipo de acompanhamento feito presencialmente por esses profissionais. A conclusão é que as teleconsultas se mostraram tão eficazes quanto os encontros presencias.

“É importante ter um estudo que mostre que realmente está comprovado que a teleconsulta é segura. Dá um embasamento para outros profissionais, para médicos que vão fazer a consulta, para gestores de saúde”, diz uma das autoras do estudo, Daniela Rodrigues.

A gerente de pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Rosa Lucchetta, complementa que o estudo não mostra que a teleconsuta é melhor do que a presencial, mas apenas que é também segura.

Brasília (DF), 27/03/2025 - Estudo mostra que teleconsulta é eficaz no acompanhamento médico. Rosa Lucchetta. Foto: Elias Gomes/Divulgação
 Gerente de pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Rosa Lucchetta. Elias Gomes/Divulgação

“A pesquisa teve o objetivo de mostrar que a teleconsulta é tão boa quanto a consulta presencial. A gente não está substituindo [a presencial] por um método mais acessível em que a população pode perder em benefícios de saúde, em segurança do seu tratamento. A gente, em hipótese alguma, está falando que teleconsulta é melhor do que o presencial”, reforça.

Por meio do Proadi-SUS, hospitais sem fins lucrativos de referência direcionam recursos que seriam pagos em impostos para apoiar e aprimorar o SUS por meio de projetos de capacitação de recursos humanos, pesquisa, avaliação e incorporação de tecnologias, gestão e assistência especializada demandados pelo Ministério da Saúde. Hoje, o programa reúne seis hospitais: Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, HCor, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio-Libanês..

Diabetes e teleconsulta

O estudo acompanhou 278 pacientes, majoritariamente mulheres (60%), com idades entre 54 e 68 anos. Todos são pacientes do SUS em Joinville (SC). A cidade foi escolhida por possuir uma estrutura de telemedicina no serviço público.

Já a escolha por pesquisar pacientes com diabetes tipo 2, o chamado diabetes mellitus, se deu por conta do número de pessoas que convivem com a doença e pelas consequências, tanto para os pacientes quanto para o sistema de saúde, que a falta de acompanhamento adequado pode gerar.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença no Brasil, o que representa 6,9% da população nacional. Rodrigues explica que a doença exige um acompanhamento constante, algo em que a teleconsulta pode ajudar. Além disso, caso não seja feito o acompanhamento com os cuidados adequados, a doença pode levar a complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos. Em casos mais graves, o diabetes pode levar à morte.

“O diabetes é uma doença que, além de aumentar a chance de as pessoas morrerem se não for controlado, tem também um elevado índice de morbidade, ou seja, de gerar complicações. Isso impacta não só na qualidade de vida da pessoa, como também sobrecarrega os sistemas de saúde, público e privado. Então essa foi a condição sensível para ser estudada”, diz Rodrigues.

Puderam participar do estudo pacientes que já estavam em tratamento no SUS. Eles foram distribuídos em dois grupos: um deles teve consultas presenciais, e o outro, teleconsultas. Ambos os grupos tiveram as mesmas quantidades de consultas e foram tratados apenas com medicamentos e exames disponíveis na rede pública. Ao final do estudo, mostrou-se que o acompanhamento remoto com médico especialista foi igualmente eficaz.

O estudo é um dos poucos no mundo, segundo as pesquisadoras, que se trata de um ensaio clínico randomizado, ou seja, os pacientes foram distribuídos nos grupos de forma aleatória, o que confere maior segurança aos resultados.

“Você tem, na medicina, um procedimento que a gente coloca como o padrão ouro. Indiscutivelmente, é a consulta presencial”, diz Rodrigues. “Eu penso na teleconsulta como uma maneira de aumentar o acesso. Se a gente imaginar uma população ribeirinha que precisa de uma avaliação do endocrinologista, ela não vai mais precisar se deslocar três, quatro horas, em um barco, para ter acesso”, defende

A pesquisadora acrescenta que não apenas as populações isoladas são beneficiadas, mas também aqueles que vivem em grandes cidades, que enfrentam congestionamentos e falta de transporte público eficiente, por exemplo.

Telessaúde

No Brasil, o SUS foi pioneiro na implementação da chamada telessaúde, em 2006, com a criação do Programa Telessaúde Brasil Redes. Trata-se de uma das principais estratégias do Programa SUS Digital.

Com a pandemia, o uso de tecnologias passou a ser mais difundido. Em 2022, o Conselho Federal de Medicina (CFM), publicou resolução que define e regulamenta a telemedicina, como forma de serviços médicos mediados por tecnologias de comunicação. “A telemedicina, hoje, é um instrumento de muita importância, dá um acesso a um grupo enorme de pessoas”, diz foi o 1º vice-presidente do CFM, Emmanuel Fortes.

Fortes também defende que a telemedicina não deve substituir totalmente os atendimentos presenciais, mas complementá-los. “Tem algumas coisas que a mensuração feita à distância não consegue alcançar, como a cor real do paciente e o odor que o paciente exala. Isso tudo tem importância”, diz e ressalta: “Uma emergência tem que ser atendida nos estabelecimentos assistenciais, nos hospitais”.

Ainda segundo Fortes, a telemedicina não deve substituir a alocação de médicos em áreas remotas. “A gente recomenda que a contratação de médicos dê preferência para esses locais mais distantes e remotos”, defende.

Brasília (DF), 27/03/2025 - Estudo mostra que teleconsulta é eficaz no acompanhamento médico. Emmanuel Fortes. Foto: CFM/Divulgação

1º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Emmanuel Fortes. CFM/Divulgação
Integração

As teleconsultas não são ofertadas de maneira isolada dentro do SUS, fazem parte de uma rede de atendimento, tanto mediada por tecnologia quanto presencial, que envolve as secretariais estaduais e municipais de saúde, além de universidades, que prestam suporte. Segundo a pesquisadora e professora titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Ilara Hämmerli, que é Integrante do Grupo temático de Informações em Saúde e População da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o serviço não deve ser ofertado isoladamente.

“A gente sabe que o médico isolado no seu consultório, seja ele presencial ou mediado pela internet, sozinho, ele ajuda naquele momento, mas ele não dá conta da complexidade os processos de saúde e doença”, diz. Isso porque os atendimentos exigem, muitas vezes, exames e encaminhamentos para atendimentos presenciais, e é necessário que a rede esteja estruturada para essa oferta.

Brasília (DF), 27/03/2025 - Estudo mostra que teleconsulta é eficaz no acompanhamento médico. Ilara Hämmerli. Foto: Virgínia Damas/Ensp
Professora titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Ilara Hämmerli. Virgínia Damas/Ensp

“A gente tem que garantir, para um projeto de fato cidadão, um processo de fato que respeite a saúde, que cuide da população brasileira, a integralidade da atenção. Ou seja, começa na atenção básica, mas, assim que [o paciente] precisar de um exame ou de alguma coisa, ele tem para onde ser encaminhado. E se ele precisar de uma internação ou de alguma coisa mais complexa, ele tenha garantido o acesso a esse hospital. Esse é o grande desafio, no momento, a integração dos processos de telessaúde no SUS como um todo, garantir essa integralidade da atenção à saúde”, explica.

A viabilidade da telessaúde passa ainda por garantir acesso a tecnologias a toda a população brasileira e também capacitar as pessoas para que saibam usar esses dispositivos de forma eficiente. Dados do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), mostram que apenas 22% dos brasileiros com mais de 10 anos de idade têm condições satisfatórias de conectividade.

Passa ainda, segundo Hämmerli, por garantir a segurança dos dados dos pacientes e mesmo a segurança nacional, evitando que informações importantes de saúde, exames e diagnósticos sejam compartilhados em aplicativos de grandes empresas de tecnologia, as chamadas Big Techs.

“É uma estratégia de Estado preciosa, mas que a gente precisa entender todas as salvaguardas e tudo que envolve a complexidade desse processo. Não dá para a gente achar que telemedicina ou telessaúde ou saúde digital é apenas botar a infraestrutura de uma operadora de internet, ter um médico ou um profissional de saúde fazendo o atendimento mediado pela tecnologia. Isso é importante, é necessário, mas não é suficiente para dar conta dos desafios complexos que hoje a atenção à saúde requer”, afirma Hämmerli.

Médicos realizam atendimento remoto a pacientes que usam sistema público de saúde.
Médicos realizam atendimento remoto a pacientes que usam sistema público de saúde. – Davidyson Damasceno/IGESDF

Ministério da Saúde

De acordo como Ministério da Saúde, a Rede Brasileira de Telessaúde conta com 27 núcleos, chegando a todos os estados brasileiros. Entre 2023 e 2024 foram realizados aproximadamente 4,6 milhões de teleatendimentos, como teleconsultas, telediagnósticos, emissão de laudos à distância e teleconsultorias entre profissionais. 

Os serviços de telessaúde cresceram significativamente desde a pandemia de Covid-19. Na Atenção Especializada à Saúde, o número de consultas aumentou, de 2022 para 2024, 99,8%, saindo de 679.265 para 1.138.828 atendimentos. O número de atendimentos em 2024 superou até mesmo os de 2021 (1.080.318), ano de pandemia.

A pasta tem como meta implantar dois Núcleos de Telessaúde por estado até 2026. Além disso, pretende ampliar o número de Pontos de Telessaúde nos diversos serviços de saúde e em regiões de vazio assistencial; fortalecer a integração entre os serviços remotos e presenciais; e expandir o uso da telessaúde para todas as regiões e perfis populacionais, especialmente os mais vulneráveis.

Segundo o Ministério, a telessaúde “é uma estratégia essencial para ampliar o acesso às ações e serviços de saúde e reduzir desigualdades regionais, levando atendimento e orientação especializada a locais de difícil acesso. Ela complementa o atendimento presencial, ampliando a capacidade resolutiva da rede, sem substituí-la”, diz a pasta em nota.

Ao todo, o Ministério da Saúde destinou, em 2024, R$ 464 milhões para a transformação digital do SUS, incluindo a expansão da telessaúde, com adesão de 100% dos estados e municípios ao Programa SUS Digital.