As estradas que Pernambuco merecia há décadas finalmente estão saindo do papel

Por Marcelo Rodrigues

Quem percorre as rodovias pernambucanas hoje testemunha uma transformação sem precedentes. Enquanto gerações inteiras conviveram com buracos, pistas esburacadas e a sensação de abandono ao pegar a estrada, o cenário atual revela números que impressionam qualquer motorista: mais de 1.300 quilômetros de rodovias recuperados, investimentos da ordem de 5,1 bilhões de reais e 77 obras tocando simultaneamente pelo interior do Estado. Para quem está acostumado com promessas vazias, esses dados soam quase irreais.

A comparação com o período anterior a 2023 expõe décadas de descaso sistemático. Enquanto o asfalto se desfazia e motoristas arriscavam suas vidas em trechos perigosos, as gestões passadas tratavam a infraestrutura rodoviária como mero detalhe. Bastava sair da capital para encontrar rodovias intransitáveis, obras eternas que nunca saíam da placa inaugural e um sentimento generalizado de que Pernambuco estava condenado ao atraso viário. Os agrestes central, setentrional e meridional, que concentram boa parte da economia estadual, amargavam estradas que mais pareciam trilhas de terra batida do que vias de um Estado que se pretendia desenvolvido.

O programa PE na Estrada representa uma ruptura clara com esse passado medíocre. Apenas no Agreste Central, dezesseis obras somam investimentos superiores a 654 milhões de reais, com oito delas já concluídas. A PE-095, que liga Limoeiro a Caruaru, recebeu 71,44 milhões em restauração de 80 quilômetros de pista. A PE-145, que atravessa a região entre Cachoeira Seca e Brejo da Madre de Deus, teve 43,45 quilômetros recuperados com investimento de 54,5 milhões. São números concretos, obras palpáveis que qualquer cidadão pode verificar ao volante.

Mas o salto mais impressionante acontece em projetos estruturantes. A duplicação da BR-232, com extensão de 6,8 quilômetros entre o Viaduto da CEASA e o Viaduto de Tapacurá, recebeu aporte de 194,3 milhões. Já o projeto entre São Caetano e Belo Jardim, com 32 quilômetros, movimenta 320 milhões em processo de licitação. São intervenções que reorganizam completamente a logística estadual, reduzem acidentes e criam condições reais para o desenvolvimento econômico. A PE-060, no litoral sul, com quase 86 quilômetros de extensão até São José da Coroa Grande, receberá investimento de 80,3 milhões e previsão de entrega no primeiro semestre de 2026.

O contraste com as gestões anteriores não poderia ser mais gritante. Durante anos, Pernambuco assistiu a obras superfaturadas, contratos suspeitos e rodovias que permaneciam no mesmo estado deplorável após reformas anunciadas com pompa. O dinheiro público evaporava sem deixar rastro de asfalto decente. A população do interior conhecia bem essa rotina: inaugurações eleitoreiras, placas reluzentes e, meses depois, os mesmos buracos de sempre. Era um ciclo vicioso de propaganda e abandono que corroía a credibilidade do poder público.

A atual administração estadual demonstra que é possível fazer diferente. Com transparência nos contratos, fiscalização rigorosa e cronogramas cumpridos, as obras avançam de forma consistente. A duplicação da PE-095, por exemplo, não é apenas alargamento de pista. O projeto inclui nova geometria viária, implantação de vias laterais, corredores de ônibus e avaliação criteriosa sobre viadutos. É planejamento técnico substituindo o improviso que marcou décadas passadas.

Os números falam por si: mais de dois mil quilômetros de rodovias ainda aguardam recuperação, mas o ritmo atual indica que esse passivo será enfrentado. Recursos já investidos nas estradas dos agrestes ultrapassam 929,5 milhões, beneficiando diretamente dezenas de municípios que há muito esperavam por atenção básica. Obras em execução como a APE-104, PE-149 e BR-104 somam investimentos de 158,6 milhões, com previsões realistas de conclusão para 2025.

Pernambuco finalmente entendeu que rodovias decentes não são luxo, mas condição básica para qualquer projeto de futuro. Agricultura, turismo, indústria e comércio dependem fundamentalmente de estradas que funcionem. Durante tempo demais, o Estado pagou o preço do descaso com isolamento, acidentes e oportunidades perdidas. Hoje, quem viaja pelas rodovias estaduais percebe que algo mudou de verdade. Não são apenas palavras, são quilômetros de asfalto novo, pontes seguras e a certeza de que é possível chegar ao destino sem transformar cada viagem numa aventura perigosa. Pernambuco merecia isso há muito tempo.

Marcelo Rodrigues, é advogado e professor.