Marília Arraes recebe título de cidadã de Itaquitinga e reforça compromisso com a Mata Norte e o projeto do presidente Lula

A pré-candidata ao Senado, Marília Arraes (PDT), cumpriu agenda, nesta sexta-feira, na Mata Norte de Pernambuco, onde recebeu o título de cidadã de Itaquitinga, homenagem concedida pela Câmara Municipal por iniciativa dos vereadores Aderito Guarda e André da Kombi.

Na mesma solenidade, o pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), também foi agraciado com a honraria. O pré-candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos) e a senadora Teresa Leitão (PT), acompanharam o evento.

A homenagem reforça os laços de Marília com a região, que ocupa papel estratégico no desenvolvimento do estado e com a qual a pedetista tem uma ligação histórica e mantém diálogo permanente com lideranças e com a população.

Ao agradecer a honraria, Marília destacou a importância dos investimentos feitos pelo presidente Lula na Mata Norte para o desenvolvimento da região, citando empreendimentos como a Hemobrás e o polo automotivo da Stellantis, em Goiana, e defendeu a continuidade de obras consideradas estratégicas para a Mata Norte, entre elas o Arco Metropolitano, previsto no Novo PAC.

Anac alerta para risco de trote com óleo de avião após morte de piloto

16/03/2026 - Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Foto: ANAC/Divulgação

O engenheiro e aspirante a piloto Gustavo Henrique Lara teve uma reação alérgica e morreu na tarde desta quinta-feira (16) após um banho de óleo de aviação comemorativo de seu primeiro voo solo no Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa (PR).

O trote, prática comum para marcar a conquista entre jovens pilotos, levou a uma reação alérgica grave. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Ponta Grossa confirmou que atendeu o jovem, de 27 anos, e o levou a um hospital na região, onde faleceu.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) emitiu um alerta de que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, ter contato com a pele, podendo trazer riscos à saúde.

“A Agência reitera a escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução que, na aviação, a segurança vem sempre em primeiro lugar. Por isso, é essencial repensar ritos de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco”, explicou, em nota, a Anac, que acompanha o caso.

As circunstâncias da morte de Gustavo seguem em apuração pela Polícia Civil. Em nota, o CIAC Ponta Grossa afirmou permanecer à disposição das autoridades competentes e disse que prestará apoio aos familiares, dentro de suas possibilidades.

Moraes suspende visitas a Bolsonaro na prisão domiciliar

Brasília (DF), 11/09/2025 - Fachada do condomínio Solar de Brasília, onde mora e cumpre prisão domiciliar o ex-presidente Jair Bolsonaro.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o ex-presidente Jair Bolsonaro de receber visitas pelo prazo de 30 dias. A medida foi tomada após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente.

No mesmo despacho, Moraes também decidiu manter sua decisão anterior que proibiu Flávio de visitar o pai por 90 dias.

O ministro também ampliou as restrições às quais Bolsonaro está sujeito por estar em prisão domiciliar.

A partir de agora, Bolsonaro está proibido de receber visitas com finalidade político-eleitoral até o término das eleições de outubro.

O ex-presidente também não poderá divulgar manifestos político-eleitorais, inclusive por meio de terceiros, por qualquer meio de divulgação.

Ao determinar as medidas, Moraes disse que Bolsonaro descumpriu a determinação que o proibia de pode usar as redes sociais, inclusive por meio de terceiros. O descumprimento ocorreu com a publicação da carta nas redes sociais.

“Patente, portanto, o desrespeito de Jair Bolsonaro à medida cautelar, cuja fiel observância é requisito obrigatório para o cumprimento da prisão domiciliar humanitário”, afirmou.

Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo parecer pela manutenção da prisão domiciliar concedida a Bolsonaro. Em seguida, a defesa solicitou autorização para que o presidente da Argentina, Javier Milei, visite o ex-presidente na prisão domiciliar.

Com a novas restrições determinadas nesta sexta-feira, Milei deve ser impedido de realizar a visita.

Apex prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações

Terminal de Containers no Porto de Santos, lado Guarujá, São Paulo, Brasil! Uma vista aérea de Drone. Foto: Angelo F. Roesler/ Adobe Stock

Após o tarifaço adicional dos Estados Unidos (EUA) contra parte das exportações do Brasil, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano de R$ 130 milhões, a ser lançado em agosto, para diversificar as vendas do Brasil no exterior e reduzir os impactos das tarifas estadunidenses.

Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a ApexBrasil informou que o plano será lançado em parceria com 57 setores econômicos do país, nas mais diversas áreas, que reúnem 2,4 mil empresas exportadoras.

“A expansão para outros mercados a gente já faz. O que a gente vai trabalhar agora é a diversificação. É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional”, explicou, nesta sexta-feira (17), o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, em entrevista coletiva.

O chefe da agência estatal disse que as prioridades são o mercado da União Europeia, até pelo recente acordo com o Mercosul, além dos países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, entre outros, e que apresentam altas taxas de crescimento.

Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os possíveis novos mercados a serem explorados pelas empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço dos EUA.

“São países de alto crescimento e desenvolvimento, eles têm procurado muito o Brasil para parcerias em investimento e estão crescendo a 7% ou 8% [do Produto Interno Bruto, PIB], com população jovem, e que demandam, inclusive, produtos que o Brasil tem”, disse.

Tarifaço de Trump

Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros alegando supostas práticas “desleais” no comércio por parte do Brasil.

O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação, alegando que a medida tem motivação política e que Washington exigia abertura total de mercados sem contrapartida. As novas tarifas valem a partir do dia 22 de julho.

Os produtos afetados pelas tarifas anunciadas na quarta corresponderam, no ano passado, a US$ 7,2 bilhões em exportações aos EUA. O valor total vendido ao país em 2025 somou US$ 38 bilhões, segundo dados da ApexBrasil.

Durante as negociações, a lista dos produtos isentos passou de 615 para 699, aumentando o valor isento das tarifas de US$ 20,6 bilhões para US$ 22,8 bilhões do total exportado, considerando ainda os dados de 2025.

O presidente da instituição para exportações brasileiras afirmou que houve, no primeiro semestre do ano, uma redução de cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações para os EUA, resultado das tarifas aplicadas anteriormente.

“Mas tivemos um aumento de US$ 3,1 bilhões para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia, e US$ 10,5 bilhões para a China, só para citar alguns dos destinos mais importantes”, disse Laudemir Müller.

As negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá também foram apontadas como oportunidades para diversificar o comércio exterior do Brasil, reduzindo a dependência dos estadunidenses.

Imagem de drone mostra o Porto de Santos (SP), 31 de julho de 2025. REUTERS/Jorge Silva
 No primeiro semestre do ano, Brasil registrou redução de cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações para os EUA – Reuters/Jorge Silva/ Proibido reprodução
Diversificação já começou

O presidente da ApexBrasil ressaltou que esse trabalho de diversificação está em andamento desde as primeiras tarifas impostas pelos EUA, ainda em 2025.

“Isso implica dizer que 72% das 2,4 mil empresas que exportam para os EUA, e que são apoiados pela ApexBrasil, já diversificaram o mercado entre junho de 2025 e maio de 2026. Elas acrescentaram, nesse período, pelo menos um novo destino de suas exportações”, disse.

Ainda segundo Müller, há mercados mais fáceis de serem abertos, e outros em que será preciso realizar um trabalho de médio ou longo prazo.

“Tem outros setores que vão demorar um pouco mais e que talvez seja mais complexo. Muitas vezes a gente precisa, inclusive, criar o mercado em outro país. Nós vamos ter que chegar ao mercado chinês, por exemplo, para dizer ‘olha, existe uma rocha brasileira que tem tal característica e ela pode também servir ao seu mercado’”, explicou.

Brasil é procurado pelo mundo

Apesar das dificuldades, o presidente da Apex Brasil avalia que o país tem se destacado no mundo como um país “amigo, um fornecedor estável”.

“Tanto é que nós tivemos US$ 77 bilhões de entrada de investimentos no ano passado. Fomos o quinto maior recebedor de investimentos do mundo. Os países em desenvolvimento tiveram um crescimento de 2% na atração de investimentos, o Brasil teve um crescimento de 22% na atração de investimentos e é o principal destino já dos investimentos chineses”, concluiu.

Da fotografia ao artesanato, Fenearte segue encantando visitantes e prepara programação para o fim de semana

Quem passou pela 26ª Fenearte nesta quinta-feira (16) encontrou uma feira movimentada, marcada por encontros entre tradição, arte e cultura popular. Ao longo do dia, os visitantes percorreram os corredores do Pernambuco Centro de Convenções em busca de peças exclusivas produzidas por artesãos de todo o país, enquanto acompanhavam uma programação que reuniu fotografia, gastronomia, música e debates sobre a identidade cultural nordestina.

Um dos momentos mais prestigiados da programação aconteceu nas Conversas Instigantes, no Espaço Janete Costa, localizado no Átrio da Fenearte, com o encontro “Retratos de Vaqueiros”. O diálogo contou com a participação de Geyson Magno (PE), fotógrafo e filósofo, coautor do livro “Encourados”, Maryane Martins (PE), fotógrafa, autora da exposição “Agreste Encourado” e Pablo Pinheiro (RN), fotógrafo, autor do livro “Vaqueiro de Gibão”. O encontro foi mediado pela jornalista e escritora Adriana Victor. A programação gastronômica também atraiu o público à Cozinha Fenearte, com a aula-show “Nascente Doce do Semiárido”, do chef Rogério Ribeiro.

O Palco Pernambuco Meu País enalteceu a cultura popular, dando o tom da programação durante toda a tarde e à noite. Passaram pelo espaço a Agremiação Boi Celestial, Cavalo Marinho Sertão a Fora, Arnaldo do Coco, Banda de Pífanos Zabumba do Mestre Chimba, Islan e Milton Raulino, levando música, dança e tradições que fazem parte da identidade cultural do estado.

Enquanto isso, os estandes permaneceram movimentados durante todo o dia. Cerâmicas, esculturas, rendas, bordados, peças em madeira, fibras naturais, artigos em couro, moda autoral e objetos de decoração despertaram a atenção do público, que aproveitou a oportunidade para adquirir produtos diretamente de artesãs e artesãos vindos de todas as regiões do Brasil.

*Fenearte segue até domingo*

Para quem ainda não visitou a Maior Feira de Artesanato da América Latina, o fim de semana é uma oportunidade de conhecer a diversidade da produção artesanal brasileira. A programação continua nesta sexta-feira (17) com novas edições das Conversas Instigantes, oficinas, aulas-show na Cozinha Fenearte, apresentações culturais e centenas de expositores reunindo o melhor do artesanato nacional.

Nas Conversas Instigantes, o encontro “Os Couros do Futuro do Presente” propõe um olhar sobre as novas possibilidades do couro e da inovação sustentável, com mediação de Jackson Araújo. Participaram do encontro, Fafá Belém (PE), artesã de Petrolândia, que cria peças a partir do couro de tilápia, e Marlu Fonseca (PE, radicado em SP), designer natural de Flores, criador da Leoniê.

As Oficinas Fenearte também seguem oferecendo experiências práticas para todas as idades.

Na Cozinha Fenearte, o público poderá acompanhar três aulas-show. Às 15h30, Anna Corinna apresenta “Licuri do Catimbau”; às 17h, Claudemir Barros comanda “Doce Arte do Sertão”; e, às 18h30, Bruno Manoel, do Preto na Cozinha, encerra a programação gastronômica com “Manta de Sabores”.

No Palco Pernambuco Meu País, a programação começa às 15h com o Maracatu Carneiro da Serra e segue com Boi Estrelinha (16h), A Cocada (17h), Bloco Compositores e Foliões (18h), Orquestra Malassombro (19h) e Flaira Ferro, que encerra a noite às 20h30.

A 26ª Fenearte segue até o próximo domingo (19), no Pernambuco Centro de Convenções, reunindo centenas de expositores de todo o Brasil, oficinas, gastronomia, moda, música e experiências que fazem da maior feira de artesanato da América Latina um dos principais eventos culturais do país.

*Homenagem aos Seleiros*

O tema “Seleiros de Pernambuco: Ofício que Transforma” evidencia o trabalho de artesãs e artesãos que fazem do couro uma matéria-prima capaz de preservar tradições e impulsionar a economia criativa. A edição reverencia mestres como Zé Venceslau, referência do Ciclo do Couro de Exu; Irineu do Mestre, da Fazenda Cacimbinha, em Salgueiro, criador dos “bonéus” (mistura de boné com chapéu) usados por João Gomes; Fafá Belém, pioneira na utilização do couro de tilápia em Petrolândia; além dos seleiros de Cachoeirinha e dos designers e estilistas que consolidam o couro como elemento marcante da moda autoral pernambucana.

A acessibilidade permanece como uma das prioridades do evento. Pessoas com deficiência visual, pessoas neurodivergentes e pessoas surdas ou ensurdecidas contarão com visitas guiadas com acessibilidade comunicacional.

Para facilitar o acesso do público, a feira contará novamente com traslados gratuitos saindo dos shoppings Recife, RioMar, Plaza, Tacaruna e Patteo. Nesta edição, o desembarque no Centro de Convenções será realizado em um novo terminal de passageiros, oferecendo ainda mais conforto e acessibilidade aos visitantes.

*26ª Fenearte – Feira Nacional de Negócios do Artesanato*
*Quando:* 08 a 19 de julho de 2026
*Onde:* Pernambuco Centro de Convenções (Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n – Salgadinho, Olinda)
*Horários:*
Segunda a sexta-feira — 14h às 22h
Sábado e domingo — 10h às 22h
*Ingressos:*
Segunda a quinta-feira — R$ 12 (entrada inteira) e R$ 6 (meia-entrada)
Sexta-feira a domingo — R$ 16 (entrada inteira) e R$ 8 (meia-entrada)

À venda pelo site *www.evenyx.com/26a-fenearte* e nas unidades das *lojas do Artesanato de Pernambuco* no Edifício Palazzo Itália (Bairro do Recife) e nos shoppings Recife e Tacaruna.

Também são pontos de venda as unidades da *Casa do Pará* (Boa Viagem, Casa Forte, Caxangá, Espinheiro, Imbiribeira, Olinda, Piedade, Pina, além de Porto de Galinhas e João Pessoa), da *Trois Barbearia* (Boa Viagem, Parnamirim, shoppings Recife e RioMar, além de Caruaru) e da *Crosby* (Piedade e nos shoppings Costa Dourada, Guararapes, Patteo e Recife), além do quiosque *Parcele Aqui* (no Vitória Park Shopping (Vitória de Santo Antão).

 

Com apoio do Governo do Estado, tradicional Festa de Nossa Senhora do Carmo 2026 encerra com Missa no Recife

Festividade contou com reforço na segurança, com mais de 600 profissionais envolvidos

Após dez dias de programação, a tradicional Festa de Nossa Senhora do Carmo 2026, padroeira do Recife, terminou, nesta quinta-feira (16), com a celebração da Missa Campal realizada no Pátio do Carmo, Centro da capital. A festa é um importante momento de fé, devoção e esperança para os fiéis pernambucanos, além de fortalecer a economia local e o turismo religioso no Estado. Para garantia da segurança, a Secretaria de Defesa Social (SDS) executou esquema de operação especial para o evento com atuação de 613 profissionais das forças de segurança e órgãos vinculados. A governadora Raquel Lyra acompanhou a celebração.

O planejamento integrou equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Grupamento Tático Aéreo (GTA), que atuaram de forma coordenada para garantir a proteção de fiéis, turistas e demais participantes das celebrações. A Festa contou também com equipe especializada em drones, ampliando o monitoramento das áreas de maior circulação de pessoas durante as missas, novenas e a clássica procissão, realizadas no Pátio do Carmo e no entorno da Basílica.

A gerente de Articulação e Segurança de Grandes Eventos da SDS, tenente-coronel BM Rafaela Reny, destacou a importância do planejamento integrado. “Sabemos da importância que a Festa de Nossa Senhora do Carmo tem para os pernambucanos. Por isso, realizamos um planejamento antecipado e integrado para que cada pessoa possa exercer sua fé participando das celebrações com segurança e tranquilidade”, afirmou.

A 330ª Festa de Nossa Senhora do Carmo, teve como tema: “Revestidos de Cristo, a exemplo da Virgem do Carmo, nossa Mãe, trazemos sobre nós o Escapulário, sinal de consagração”. A Missa Solene Campal foi ministrada pelo presidente da regional Nordeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Francisco Sales.

O Bispo destacou a importância da festa para a identidade de Pernambuco. “O povo do Recife e de Pernambuco escolheu Nossa Senhora do Carmo como mãe da nossa terra. Todo ano, com essa praça cheia, esse sentimento é reafirmado”, destacou.

Fotos: Hesíodo Góes/Secom

Dólar encosta em R$ 5,10 com tarifaço e tensão global

Dólar

Os mercados financeiros encerraram a quinta-feira (16) em clima de cautela. O dólar voltou a subir e fechou próximo de R$ 5,10, refletindo o fortalecimento da moeda estadunidense no exterior e os efeitos da confirmação de tarifas dos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras.

A bolsa brasileira acompanhou o movimento de aversão ao risco e recuou mais de 1%, enquanto o petróleo fechou em queda, apesar da escalada das tensões no Oriente Médio.

Principais números do mercado nesta quinta (16)
Dólar: R$ 5,098 (+0,40%);
Bolsa: 173.825,27 pontos (- 1,24%);
Petróleo tipo Brent US$ 84,23 (-0,85%);
Petróleo WTI: US$ 78,95 (-0,82%).
Dólar
A valorização do dólar foi impulsionada principalmente pelo cenário externo. O dólar comercial encerrou esta quinta-feira vendido a R$ 5,098, com alta de R$ 0,021 (+0,4%).

Na máxima do dia, por volta das 14h15, chegou a R$ 5,11, mas desacelerou nas horas finais de negociação. Apesar da alta desta quinta, a divisa cai 7,12% em 2026.

Dados da economia estadunidense mostraram um mercado de trabalho resiliente e consumo ainda aquecido, fortalecendo a expectativa de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos e favorecendo a moeda americana frente às divisas de países emergentes.

Os pedidos semanais de auxílio-desemprego somaram 208 mil, abaixo da expectativa de 217 mil. As vendas no varejo cresceram 0,2% em junho, conforme o esperado.

No mercado doméstico, investidores também repercutiram a confirmação da tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Apesar de a lista de exceções ter sido mais ampla que a prevista, a medida aumentou a cautela em relação aos efeitos sobre alguns segmentos da economia e sobre o fluxo cambial.

Bolsa
A bolsa brasileira acompanhou o movimento negativo observado em Wall Street e ampliou as perdas registradas na sessão anterior. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 173.825,27 pontos, com queda de 1,24%.

Com perda acumulada de 2,27% na semana, o Ibovespa sobe 7,88% no ano.

Além da piora do ambiente internacional, pesaram sobre o mercado as incertezas em torno dos impactos do tarifaço americano e da eventual resposta do governo brasileiro por meio da Lei da Reciprocidade.

As ações de maior peso do índice contribuíram para a queda do Ibovespa. Os papéis da Petrobras, os mais negociados na bolsa brasileira, recuaram acompanhando o petróleo. Ações de mineradoras também fecharam em baixa diante da desvalorização do minério de ferro.

Petróleo
Mesmo com o aumento das tensões no Oriente Médio, os preços internacionais do petróleo terminaram o dia em queda, após operarem com forte volatilidade.

Referência nas negociações internacionais, o petróleo do tipo Brent fechou o dia aos US$ 84,23, com recuo de 0,85%. O barril WTI, do Texas, encerrou aos US$ 78,95, com queda de 0,82%.

O mercado acompanhou novas ameaças dos houthis, no Iêmen, contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita e a possibilidade de interrupções nas rotas marítimas do Mar Vermelho e do Estreito de Ormuz, consideradas estratégicas para o transporte global do produto.

Apesar do recuo nesta sessão, investidores continuam monitorando o risco de novas interrupções na oferta mundial de petróleo, cenário que mantém um prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços da commodity.

Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA

Plantação de Café  na  Embrapa Cerrado

Itens de aviação civil, petróleo, carne bovina e café, que juntos responderam por um terço da pauta de exportações do Brasil para os Estados Unidos, no primeiro semestre deste ano, não estão sujeitos ao tarifaço imposto por aquele país aos produtos brasileiros.

Nesta quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos provenientes do Brasil. Também estão isentos da cobrança extra produtos como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja.

Por outro lado, alguns setores não conseguiram se livrar da taxação, como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.

As isenções foram estabelecidas pelos Estados Unidos para aqueles produtos brasileiros que não são produzidos internamente por lá em quantidade suficiente ou a preços razoáveis, evitando assim escassez de determinados produtos no mercado consumidor e perturbações na economia daquele país.

Tarifaço
As tarifas de 25% foram anunciadas nesta quarta-feira (15) e devem entrar em vigor no próximo dia 22, depois de uma investigação do USTR.

O USTR justificou suas taxas dizendo que certas práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Já o governo brasileiro repudiou as novas tarifas, disse que não reconhece a legitimidade da investigação do USTR e acrescentou que não há justificativa para essas medidas.

O Brasil informou ainda que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC [Organização Mundial do Comércio]”.

Setor cafeeiro isento
Entidades representativas do setor cafeeiro, entre elas, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), celebraram o fato do café brasileiro ter ficado de fora desta tarifação. Elas destacam o trabalho feito em defesa do setor desde do primeiro tarifaço, em 2025, e mais recentemente em 6 e 7 de julho, nas audiências públicas do USTR.

Em comunicado conjunto,elas manifestaram que o “trabalho conjunto com a National Coffee Association (NCA), tendo fundamental apoio dos importadores dos EUA, resultou em duas vitórias ao café brasileiro: i) a manutenção dos cafés previamente sugeridos na lista de exceção no âmbito da investigação da Seção 301 do USTR; e ii) a ampliação da lista, que incluiu o café solúvel não aromatizado entre os produtos isentos ao tarifaço”.

“Entendemos que essa decisão protege as exportações brasileiras de café – na ordem de US$ 2,0 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano aos EUA, maior consumidor e importador mundial – e reforça a força do Brasil como maior produtor e exportador global, estabelecido como parceiro insubstituível aos norte-americanos”, destacam ainda as entidades, na nota.

Abic, Abics e Cecafé ponderam, entretanto, o fato de existir ainda uma segunda “investigação do USTR na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, a qual pode trazer uma nova possibilidade de tarifas ao café brasileiro, da ordem de 12,5%”.

Diante disso, elas concluem que seguirão “em permanente trabalho de representação da sustentabilidade, da qualidade e da competitividade dos cafés do Brasil em todo o mundo, de maneira que os interesses de todos os atores da cadeia produtiva sejam defendidos e contemplados”.

 

Entenda a Lei de Reciprocidade, que o Brasil pode adotar contra os EUA

Brasília - 22.05.2023 - Foto da Fachada do Palácio do Planalto em Brasília. Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

A decisão do governo dos Estados Unidos, divulgada nesta quarta-feira (15), de impor tarifas de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil, trouxe uma reação imediata do governo brasileiro. Em resposta, o Palácio do Planalto afirmou que a Lei de Reciprocidade brasileira será acionada “imediatamente”.

A lei, sancionada em 11 de abril de 2025, foi motivada também por decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Já naquela ocasião, Trump escalou em uma guerra comercial contra diversos países, inclusive o Brasil, e anunciou sobretaxas de importação.

A Lei nº 15.122 estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte negativamente a competitividade econômica do Brasil.

Ou seja, se um país com o qual o Brasil tem relação comercial adota uma medida que o prejudique nessa relação, o governo pode adotar uma série de contramedidas. Dentre elas, impor tributos ou taxas, acabar com isenções ou redução de valores de tarifas de importação, ou restringir importações de bens ou serviços.

Essas contramedidas devem ser, na medida do possível, aplicadas na mesma proporção do prejuízo econômico causado por outro país ou bloco econômico ao Brasil.

Soberania
A Lei da Reciprocidade destaca que cabe a suspensão de concessões comerciais, entre outras medidas, a países ou blocos de países que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.

Assim, a lei se aplica a um país que ameace aplicar ou aplique medidas comerciais na tentativa de interferir em atos específicos ou práticas no Brasil.

A legislação também abre espaço ao diálogo e entendimento para que medidas retaliatórias não sejam tomadas obrigatoriamente. Em seu Artigo 4º, determina que a diplomacia entre em ação para reduzir ou anular a necessidade das contramedidas previstas.

Meio ambiente
A Lei de Reciprocidade também inclui países que tomem medidas unilaterais com base em requisitos ambientais mais onerosos do que os padrões de proteção ambiental adotados no país.

Nesse caso, o Brasil deve considerar, além das normas ambientais adotadas internamente, como o Código Florestal, de 2012, as metas estabelecidas na Política Nacional do Clima, de 2009, e os compromissos assumidos no Acordo de Paris, de 2015.

Se um país aplicar medidas comerciais unilaterais alegando descumprimento de normas ambientais não contempladas por esses institutos, e que sejam mais dispendiosas ao Brasil, está prevista a aplicação de contramedidas.

Setores atingidos por tarifaço dos EUA terão novo plano de socorro

Brasília (DF), 14/07/2026 - Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, fala durante declaração à imprensa a respeito do recente anúncio do USTR de imposição de tarifas contra produtos brasileiros, na sala de coletivas do Palácio Itamaraty. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) que retomará o programa de apoio aos setores empresariais atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA). Ontem, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou uma tarifa adicional de 25% em parte dos produtos brasileiros alegando supostas práticas “desleais” no comércio por parte do Brasil.

O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação. As novas tarifas passam a valer a partir do dia 22 de julho.

“O governo, a partir de agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores por essa injusta, indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta”, afirmou o ministro Márcio Elias Rosa, titular da pasta Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), durante coletiva de imprensa, em Brasília, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outros ministros, incluindo Dario Durigan, da Fazenda.

Segundo Rosa, os exportadores mais atingidos desta vez são os setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis e mobiliários, produtos cerâmicos, calçados e  açúcar. Eles deverão contar com linha de crédito para capital de giro, investimentos e com apoio para escoamento de produtos a outros clientes e países.

Estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, apontam um total de 2,4 mil empresas nacionais diretamente atingidas pelo tarifaço, que respondem, juntas por cerca de 18% das exportações brasileiras com destino aos EUA, o que corresponde a transações estimadas de US$ 7,4 bilhões, na comparação com números de 2024.

Prejuízo

No ano passado, esses mesmos setores já haviam reduzido para US$ 5,5 bilhões o volume total de exportações aos norte-americanos. Mais da metade da pauta de exportações do Brasil aos EUA, como carnes, café, óleos e itens de aviação, foi poupada da taxação por decisão norte-americana desta vez.

A participação dos EUA nas exportações brasileiras, que era de 12,1%, até o ano passado, caiu para 9,4% em 2026, e o governo continuará a fomentar uma política de diversificação de mercados para esses produtos, afirmou Márcio Elias Rosa.

Brasília (DF), 14/07/2026 - Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, fala durante declaração à imprensa a respeito do recente anúncio do USTR de imposição de tarifas contra produtos brasileiros, na sala de coletivas do Palácio Itamaraty. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Geraldo Alckmin disse que o governo estuda formas de aplicar a Lei de Reciprocidade – Valter Campanato/Agência Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin, ex-ministro do MDIC e um dos negociadores brasileiros com os EUA, afirmou que, a partir de agora, o governo vai estudar formas de aplicar a Lei da Reciprocidade.

Aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional, a norma estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte negativamente a competitividade econômica do Brasil.

“Nós temos uma lei, a lei da reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la”, disse Alckmin, que chamou o novo tarifaço de “injusto” e “descabido”.

Interferência externa

O ministro da Fazenda classificou a decisão dos EUA com uma interferência externa indevida.

“É inadmissível, do ponto de vista do governo, ter essa interferência externa, seja ela política, econômica, seja ela uma forma qualquer para afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros”, disse Dario Durigan.

Segundo o ministro, todas as alegações dos EUA são falsas e não se sustentam em dados concretos.

De acordo com Durigan, o tarifaço não afetará a estabilidade macroeconômica do país e as medidas de socorro que serão tomadas pelo governo deverão ser linhas de crédito em montantes inferiores aos do ano passado, já que a lista de exceções ao tarifaço está maior desta vez.

Pix

Entre os pontos questionados pelos norte-americanos, nas diversas rodadas de negociação desde o ano passado, está o Pix, o sistema brasileiro de transferências e pagamentos eletrônicos, criado pelo Banco Central (BC).

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi enfático ao dizer que o Pix não se sustenta como motivo para o tarifaço, e que empresas norte-americanas de cartão de crédito, que estão entre as principais do mercado, não foram diretamente afetadas.

“Seria mais ou menos como tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, prejudicou a receita de quem tem caminhão pipa. Por mais estapafúrdio que possa parecer esse argumento, nem ele se comprovou verdade. Analisando o que aconteceu efetivamente, a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%. Quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos”.

A investigação iniciada há um ano pelo USTR concluiu que certas práticas brasileiras são descabidas e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Entre as medidas citadas pelo governo norte-americano estão “práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.

Em outras das alegações por parte do governo dos EUA contra o Brasil, estariam o aumento do desmatamento e o comércio ilegal de madeira.

Os dois dados foram classificados de falsos e sem fundamento técnico pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Ele lembrou, por exemplo, que a redução do desmatamento na Amazônia foi de 50% nos últimos três anos.