Datafolha, 2º turno: Lula tem 48% contra 45% de Flávio

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (1º) mostra que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL), 45%, em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial.

Os que pretendem votar em branco ou anular somam 6%, enquanto 1% está indeciso. O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo. As informações são do g1.

Na pesquisa anterior, de uma semana atrás, havia empate técnico no cená: Lula (PT) tinha 47%, contra 45% de Flávio Bolsonaro (PL).

O Datafolha ouviu 2.506 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 29 e 1 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR- BR-08039/2026.

Lula x Flávio Bolsonaro

Veja os números da simulação de segundo turno:

  • Lula (PT): 48%;
  • Flávio Bolsonaro (PL): 45%;
  • Branco/nulo: 6%;
  • Indecisos: 1%.

A pesquisa é estimulada, ou seja, os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados.

Lula x Ronaldo Caiado

  • Lula (PT): 48% (eram 46%)
  • Ronaldo Caiado (PSD): 42% (eram 44%)
  • Em branco/nulo/nenhum: 9% (eram 9%)
  • Indecisos: 1% (era 1%)
  • Lula x Romeu Zema
  • Lula (PT): 49% (eram 48%)
  • Romeu Zema (Novo): 40% (eram 39%)
  • Em branco/nulo/nenhum: 9% (eram 11%)
  • Indecisos: 2% (era 1%)

Lula x Renan Santos

  • Lula (PT): 48% (eram 48%)
  • Renan Santos (Missão): 39% (eram 39%)
  • Em branco/nulo/nenhum: 10% (eram 12%)
  • Indecisos: 2% (eram 2%)

Lula x Augusto Cury

  • Lula (PT): 47% (eram 46%)
  • Augusto Cury (Avante): 42% (eram 43%)
  • Em branco/nulo/nenhum: 9% (eram 9%)
  • Indecisos: 2% (era 1%)

Mega-Sena acumula para R$ 82 milhões; confira os números sorteados

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do Concurso 3.065 da Mega-Sena, realizado nesta quinta-feira (1º). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 82 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados são: 08 – 10 – 30 – 38 – 50 – 53

47 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 49.503,22 cada
3.642 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 1.053,03 cada
Apostas
O próximo concurso acontece sábado (3), às 21h. As apostas podem ser feitas até as 20h (horário de Brasília), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.

Caruaru registra oitavo mês consecutivo de aumento na geração de empregos

Caruaru registrou 521 novos empregos formais em agosto de 2026, segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Este é o oitavo mês consecutivo que o município contabiliza o crescimento no número de postos de trabalho. O resultado de agosto representa um aumento de 97% em relação a julho, quando foram registrados 265 novos empregos formais.

Como vem acontecendo ao longo do ano, o setor de serviços apresentou o maior saldo de empregos formais em agosto, com 202 novos postos de trabalho. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o segmento soma 2.794 empregos com carteira assinada, seguido pela construção civil, com 978 novos postos de trabalho no período.

Contribuem para estes números leis municipais como a de Incentivo à Tecnologia e Economia Criativa (Litec) e o Centro Vivo, além de projetos da Prefeitura de Caruaru como o Profissionaliza +, que busca capacitar os interessados para o mercado de trabalho. Assim, a capital do Agreste pernambucano está desde 2023 entre os principais polos empregatícios do estado, com destaque para o primeiro semestre de 2026 que registrou 3.337 novos postos de trabalho, recorde do município para o período desde 2012.

“Esta sequência de bons resultados na geração de empregos mostra o ótimo momento que Caruaru vive. Isto demonstra a força da nossa economia e a confiança da população na capacidade que Caruaru tem para promover oportunidades”, celebrou o prefeito Rodrigo Pinheiro

INSS pagará benefício a mulheres afastadas por violência doméstica

Brasília (DF) 09/05/2025 - Fachada da sede do Instituto Nacional do Seguro Social, INSS Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Mulheres vítimas de violência doméstica que conseguirem, na Justiça, medida protetiva de afastamento do trabalho vão receber benefício pago via Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O parecer que garante o afastamento remunerado, elaborado pela Advocacia-Geral da União (AGU), foi assinado nesta quinta-feira (1º) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência informou que o documento incorpora às regras da administração pública federal decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabeleceu que, quando a Justiça determinar o afastamento da mulher do local de trabalho como medida protetiva, com base na Lei Maria da Penha, a trabalhadora deve continuar recebendo renda durante o período, que pode chegar a seis meses.

“O entendimento do STF abrange as seguradas do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e também prevê proteção de natureza assistencial para as mulheres sem vínculo previdenciário”, informou a pasta.

Entenda
A Lei Maria da Penha permite, como medida protetiva, que o juiz afaste a mulher do trabalho por até seis meses, mantendo o vínculo de emprego. A lei, porém, não especificava quem pagaria o salário nesse período.

“A incerteza sobre o recebimento da remuneração fazia com que muitas mulheres tivessem que optar entre a segurança e o próprio sustento”, destacou a Secom.

O STF julgou a questão em junho deste ano e estabeleceu que o empregador é responsável pelos 15 primeiros dias de afastamento e o INSS, pelo restante. Nos casos sem relação de emprego, como contribuintes individuais, facultativas e seguradas especiais, o INSS paga o benefício integralmente.

Conforme a legislação, a mulher afastada não precisa cumprir período de carência para receber o benefício. Também não há desconto de contribuição previdenciária sobre o valor recebido, e o período é computado como tempo de contribuição para a aposentadoria.

Para mulheres que não são seguradas da Previdência, o STF estabeleceu que o pagamento tem natureza assistencial. Nesse caso, o pagamento será pago pelo estado, pelo Distrito Federal ou pelo município indicado pelo juiz.

Orientação administrativa
A Secom destacou que, embora tenha estabelecido linhas gerais para o afastamento remunerado, a decisão do STF legalmente obrigava apenas juízes e tribunais.

“Isso poderia levar ao cenário em que, na falta de uma orientação administrativa estabelecida pelo Poder Executivo, cada mulher poderia ter que entrar com nova ação judicial para receber os valores. É esta lacuna que o parecer vinculante vem preencher.”

O documento da AGU assinado hoje assimila a decisão do STF à administração pública federal, tornando obrigatória a concessão do afastamento remunerado quando este for determinado judicialmente como medida protetiva às vítimas de violência doméstica.

“Na prática, basta que o juiz emita a decisão da medida protetiva para que o INSS realize o pagamento, sem nova perícia ou análise do direito, verificando apenas se a mulher é segurada”, reforçou a Secom.

Atendimento prioritário e sigiloso
Após a publicação do parecer, o Ministério da Previdência Social e o INSS terão até 15 dias para regulamentar o pagamento, com garantia de atendimento prioritário e sigiloso a vítimas de violência, inclusive via Meu INSS.

Ainda de acordo com a Secom, o INSS cobrará do agressor, por meio de ação regressiva, os valores pagos à vítima. A cobrança será feita por meio de ação judicial apresentada pela Procuradoria-Geral Federal (PGF), órgão da AGU responsável por representar as autarquias e fundações federais.

Entra em vigor tarifa zero para instrumentos musicais importados

Brasília (DF), 18/09/2026 - Reality show musical Duelo de Guitarras, da TV Brasil, apresenta perfil da capixaba Gabi Terra e Mosca. Foto: Tv Brasil

Entrou em vigor nesta quinta-feira (1º) a redução a zero do imposto de importação para microfones, grupos de instrumentos musicais e máquinas de costura de uso doméstico. A medida elimina tarifas que chegavam a 18% para instrumentos e a 20% para máquinas de costura.

A mudança está prevista na Resolução 926/2026 do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex), que incorporou ao ordenamento jurídico brasileiro decisões do Grupo Mercado Comum do Mercosul.

Beneficiados
No setor musical, a tarifa de importação, que era de 18%, passa a zero para instrumentos de corda (acústicos) e de sopro.

Entre os produtos contemplados estão:

violinos, violas e violoncelos;
contrabaixos, violões, harpas e cavaquinhos;
trompetes, trombones, tubas e trompas;
bombardinos, gaitas e clarinetes;
acordeons e flautas;
microfones e outros itens enquadrados na medida.
A redução vale para os produtos e códigos tarifários especificados na resolução da Camex.

Máquinas de costura
Para as máquinas de costura classificadas como de uso doméstico, o imposto, que era de 20%, também foi zerado.

A redução já vinha sendo aplicada de forma provisória e limitada a determinadas cotas. Com a nova medida, o benefício passa a ser definitivo e sem limite de quantidade.

Apesar da classificação como produtos de uso doméstico, essas máquinas também são utilizadas por pequenas empresas ligadas à cadeia da indústria têxtil.

Dados do ComexStat, sistema de estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mostram os estados que mais importaram máquinas de costura e instrumentos musicais em 2025.

No caso das máquinas, os maiores volumes foram registrados em:

São Paulo;
Santa Catarina;
Alagoas;
Amazonas;
Pernambuco.
Entre os instrumentos musicais, os principais estados importadores foram:

São Paulo;
Santa Catarina;
Minas Gerais;
Paraná;
Espírito Santo;
Goiás;
Rio Grande do Sul;
Rondônia.
Embora a Resolução 926/2026 tenha sido editada no fim de junho, a redução das tarifas passa a valer a partir desta quinta-feira, de forma definitiva.

Fachin defende democracia e livre escolha dos eleitores

Sessão plenária do STF. Na foto o presidente Edson Fachin.

Foto: Gustavo Moreno/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu nesta quinta-feira (1°) o respeito ao voto dos eleitores e a paz nas eleições do próximo domingo (4).

Em nota à imprensa, Fachin reafirmou compromisso com a democracia e a liberdade de escolha dos eleitores “em ambiente de paz”.

“O voto é a expressão máxima da cidadania e a garantia de que a vontade popular define o futuro do Brasil”, afirmou.

O presidente também defendeu o trabalho da Justiça Eleitoral e disse que a democracia deve ser fortalecida por todos.

“Convocamos os mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores a exercer o direito ao voto com serenidade, consciência e confiança nas instituições”, completou.

Interferência
Mais cedo, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar a suposta atuação do governo dos Estados Unidos para interferir nas eleições brasileiras e deslegitimar o STF.

De acordo com reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian nesta quarta-feira (30), o governo dos EUA destinou US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões) para promover campanha contra o Supremo.

Eleições 2026: saiba o que pode e o que não pode no dia da votação

Eleitores votam no 1º turno em seção eleitoral no Colégio Maria Raythe, na Tijuca, zona norte da cidade.

Com a proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, cerca de 158,7 milhões de eleitores brasileiros vão às urnas para escolher deputados federais, estaduais (ou distritais), senadores, governadores e o presidente da República.

Para garantir um processo eleitoral tranquilo e dentro das regras, confira abaixo as principais orientações sobre o que é permitido e o que é proibido na hora de votar.

Posso levar uma “colinha” em papel para a cabine de votação?
Sim. O eleitor pode levar um papel com os nomes e números de seus candidatos de preferência para consultar no momento do voto, evitando esquecimentos e o uso do celular.

É permitido entrar com o celular na cabine de votação?
Não. O uso de celular, máquinas fotográficas, filmadoras ou qualquer tipo de equipamento que permita registrar o voto é estritamente proibido dentro da cabine. Caso esteja portando algum desses aparelhos, o eleitor deve deixá-lo com os mesários antes de votar. A regra visa proteger o sigilo do voto e evitar coações ou a compra de votos por meio de comprovação em foto ou vídeo.

Posso usar camisetas, adesivos ou bandeiras de candidatos no dia da eleição?
Sim, desde que seja uma manifestação individual e silenciosa. O uso de broches, adesivos, camisetas e bandeiras políticas é permitido. O que não pode é haver aglomerações, manifestações coletivas ruidosas, abordagem a outros eleitores ou qualquer tentativa de aliciamento (boca de urna).

Qual é a ordem de votação na urna eletrônica?
No primeiro turno, o eleitor fará seis escolhas na urna eletrônica, na seguinte sequência:

Deputado federal (4 dígitos)
Deputado estadual ou distrital (5 dígitos)
Senador — primeira vaga (3 dígitos)
Senador — segunda vaga (3 dígitos)
Governador (2 dígitos)
Presidente da República (2 dígitos)
Trabalho no dia da eleição. Tenho direito de sair para votar?
Sim. A legislação garante a todo cidadão o direito de se ausentar do trabalho pelo tempo estritamente necessário para exercer o voto, sem sofrer nenhum desconto no salário.

Quem tem prioridade e direito a acompanhante na seção eleitoral?
Pessoas com mais de 80 anos têm preferência sobre todos os demais eleitores, independentemente da ordem de chegada. Já pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida têm o direito de entrar na cabine acompanhadas por uma pessoa de sua livre escolha para auxiliá-las no momento de votar.

Qual documento poso apresentar para votar?
É necessário apresentar à mesa receptora um documento oficial com foto.

São aceitos como documento de identificação, inclusive em formato digital:

e-Título
carteira de identidade
identidade social
passaporte
carteira de categoria profissional reconhecida por lei
certificado de reservista
carteira de trabalho física
Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Os documentos oficiais com foto podem ser utilizados mesmo que estejam vencidos, desde que permitam a identificação do eleitor.

Lives e cancelamento de debate marcam quinta-feira dos candidatos

A agenda dos presidenciáveis nesta quinta-feira (1º) incluiu lives, entrevista em podcast e atos de campanha.

Veja como foi o dia dos candidatos:
Ronaldo Caiado (PSD)
Estava prevista a participação do candidato Ronaldo Caiado no debate da Rede Globo. O debate foi cancelado pela emissora de televisão.

Rui Costa Pimenta (PCO)
O candidato Rui Costa Pimenta não teve agenda pública de campanha.

Samara Martins (UP)
A candidata Samara Martins não teve agenda pública de campanha.

Wilson Grassi
O candidato Wilson Grassi participou de reunião com representante da Missão de Observação Eleitoral (MOE) da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Augusto Cury (Avante)
Estava prevista a participação do candidato Augusto Cury no debate da Rede Globo. O debate foi cancelado pela emissora de televisão.

Clariana Barão (DC)
A candidata Clariana Barão participou de agenda online com a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Edmilson Costa (PCB)
O candidato Edmilson Costa não teve agenda pública de campanha.

Flávio Bolsonaro (PL)
O candidato Flávio Bolsonaro desistiu de participar de debate na Rede Globo e fez uma transmissão ao vivo em seu perfil no Instagram na qual criticou a interferência da Justiça Eleitoral no debate previsto para hoje. “É um fato marcante negativo. Foi cancelado um debate presidencial por censura. Isso deixou de ser Justiça e passou a ser perseguição”, disse.

Hertz Dias (PSTU)
O candidato Hertz Dias reuniu-se com Chavoso, youtuber e professor da Universidade de São Paulo (USP), fez panfletagem no centro de Guarulhos e visitou a Unifesp, na região metropolitana de São Paulo.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O candidato participou de entrevista no canal do YouTube Flow Podcast, no Palácio da Alvorada. Na entrevista, ele afirmou que a verba da exploração da Margem Equatorial, caso se confirme a existência de uma grande quantidade de petróleo na região, deverá ser usada para investimento na educação.

“Esse dinheiro eu quero usar para formar essa molecada. Esse país vai ter que dar um banho em chinês e americano. Cansei de ser um país em desenvolvimento. Queremos ser um país desenvolvido”.

Lula defendeu mais uma vez uma reforma no Judiciário, mudando a forma de indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Tem que ter mandato [no STF]. Quero criar um conselho para escolher o ministro, não pode ser o presidente [da República]. É melhor criar um conselho da sociedade civil para indicar uma pessoa e essa pessoa passa a ser da responsabilidade da própria sociedade, e não do presidente da República”.

Renan Santos (Missão)
O candidato Renan Santos participou de ato em Niterói (RJ). No início da noite, decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a participação do candidato no debate promovido pela Rede Globo. No entanto, a emissora anunciou o cancelamento do debate.

Romeu Zema (Novo)
Estava prevista a participação do candidato Romeu Zema no debate na Rede Globo. A emissora cancelou o debate.

A ordem de apresentação da cobertura da agenda dos candidatos a presidente segue rodízio diário em ordem alfabética.

Evangélicos são alvo de disputa, mas rejeitam uso eleitoral de igrejas

São Paulo (SP) 30/05/2024 - 32ª edição da Marcha para  Jesus na avenida Tiradentes. O tema deste ano é “Dupla Honra”, uma referência ao texto bíblico de Isaías 61:7.

Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

“O voto deveria ser do cidadão e não da religião”, afirma o pastor Lucas Oliveira, 30 anos, que atua em uma igreja batista de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A frase do pregador evangélico, em conversa com a Agência Brasil, sintetiza uma das principais contradições reveladas pela pesquisa nacional Religião e Vida Pública no Brasil, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser), em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria, divulgada na semana passada.

Embora evangélicos e cristãos em geral, incluindo católicos, estejam no centro da disputa política nas eleições de 2026, como também estiveram em pleitos anteriores, a maioria rejeita que igrejas sejam transformadas em espaços de campanha ou que lideranças religiosas indiquem em quem os fiéis devem votar. Segundo a pesquisa, 83% dos entrevistados são contrários à indicação de voto por pastores e padres, enquanto 82% rejeitam a discussão política durante cultos e missas e 90% são contra campanhas eleitorais dentro dos espaços religiosos.

Isso, porém, não significa que a religião esteja afastada da política. Para a pesquisadora Lívia Reis, do Iser, a influência, atualmente, ocorre menos pela transferência direta de votos e mais pela formação de valores, identidades e pertencimentos. “É mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos”, aponta.

Segundo a pesquisadora, a politização dos templos, que se tornou comum nas eleições legislativas desde os anos 1990 e se intensificou nas eleições presidenciais a partir de 2018, gerou fortes divisões nas comunidades. Os fiéis passaram a entender que podem formar sua opinião política sem uma influência direta por parte das lideranças.

“A presença forte de lideranças no debate eleitoral não contradiz esse dado. Ela mostra que essas lideranças atuam para além do templo: na mídia, nas redes, no Parlamento. Além disso, a indicação de voto não é uniforme. Ela se concentra em algumas denominações, como a Universal, a Quadrangular e as assembleias de Deus. O que a pesquisa mostra é a distância entre o protagonismo público de certas lideranças e o que a base dos fiéis considera legítimo dentro do espaço religioso”, analisa.

Pastor Lucas Oliveira. Foto: Lucas Oliveira/Arquivo Pessoal
Pastor Lucas Oliveira – Foto: Lucas Oliveira/Arquivo Pessoal

O pastor Lucas vem observando esse fenômeno nos últimos anos, e fala do trauma sofrido nas comunidades religiosas por causa do impacto do discurso eleitoral e da divisão interna que isso causou.

“Conheço pastor que lá em 2018 estava fervorosamente apoiando candidaturas, mas que hoje não quer nem tocar nesse assunto, quer esquecer que um dia fez campanha política. Porque com isso ele perdeu um número expressivo [de fiéis] da igreja. E o número não volta. Eu recebi muita gente. Nesse período, eu dialoguei com muita gente que estava machucada. Então, a igreja hoje, quando o assunto é política, se tornou um lugar de pessoas machucadas”, relata.

O pastor Moisés Blanco, 46 anos, da Igreja Batista Peregrina, em Natal, identifica uma reação dentro do campo evangélico à politização dos espaços religiosos. Ele participa da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que reúne religiosos de todo o país contrários e preocupados com uso político dos templos.

Pastor Moisés Blanco. Foto: Pastor Moisés Blanco/Arquivo Pessoal
Pastor Moisés Blanco – Foto: Pastor Moisés Blanco/Arquivo Pessoal

“Essa consciência faz parte da gênese da maioria dos protestantes, da maioria dos evangélicos”, afirma. Blanco relaciona essa preocupação à tradição protestante de defesa da liberdade de consciência, posteriormente desenvolvida por correntes que passaram a defender de forma explícita a separação entre Igreja e Estado.

“Era a luta contra o absolutismo, contra justamente essa unificação de Estado e rei e uma religião que era reflexo do próprio Estado”, afirma Blanco ao se referir ao legado histórico do protestantismo, e que agora é negado por segmentos evangélicos que tentam, segundo ele, impor uma agenda religiosa sobre o ambiente público.

Radiografia cristã

A pesquisa Iser/Quaest foi realizada por meio de 15 mil entrevistas presenciais em 412 municípios brasileiros, em janeiro e fevereiro deste ano, incluindo todas as 27 capitais. Com margem de erro de 1%, constitui a mais abrangente e detalhada radiografia sobre como a fé e as mudanças no pertencimento religioso se entrelaçam com valores morais e a política na sociedade brasileira contemporânea.

Entre os principais dados, o levantamento mostra que o segmento evangélico é heterogêneo e corresponde hoje a 29% da população brasileira. No interior desse grande grupo social, sete em cada dez são pentecostais (70%), mas há parcelas relevantes de protestantes (17%) e os chamados evangélicos sem igreja (10%).

A denominação Assembleia de Deus segue sendo a maior do país, concentrando 32% dos fiéis evangélicos, seguida por 28% dos fiéis que declaram pertencer a milhares de outras denominações pequenas e médias. Já evangélicos sem igreja e batistas aparecem com 10% cada. Congregação Cristã, Igreja Universal e Igreja do Evangelho Quadrangular representam respectivamente 7%, 5% e 4% dos evangélicos, de acordo com a pesquisa Iser/Quaest.

Já o catolicismo representa 50% da população, mas a pesquisa distingue praticantes (31%) de não praticantes (19%). Os católicos praticantes apresentam níveis de engajamento semanal e hábitos de oração comparáveis aos dos evangélicos. Além disso, a pesquisa também mostra a adaptação das práticas católicas ao consumo de entretenimento religioso e às novas tecnologias.

Ambiente digital da fé

Se por um lado a pesquisa apontou que o fiel rejeita a politização do templo, a religião e os valores a ela associados continuam presentes nas redes, nos grupos e nas relações de confiança fora da igreja, mas influenciando o comportamento político dos cristãos no ambiente digital.

Entre os dados coletados, por exemplo, 66% dos entrevistados afirmaram utilizar o WhatsApp como espaço de articulação de comunidades e grupos religiosos online.

“As redes sociais e o WhatsApp permitem que a religião esteja na política sem passar pelo púlpito. A mensagem política chega pelo grupo da igreja, pelo influenciador religioso ou pelo vídeo compartilhado pela família, sem a formalidade de uma indicação no culto. Assim, a mediação religiosa se desloca do templo para um ambiente digital mais difuso, mas igualmente ancorado em relações de confiança”, afirma a pesquisadora Lívia Reis.

No segmento católico, de acordo com o levantamento, há forte concentração em lideranças clericais de grande alcance, como Frei Gilson e outros padres que atuam nas mídias. No campo evangélico, a liderança digital aparece pulverizada em uma ampla lista de nomes, com Bispo Deive Leonardo à frente, junto com influenciadores e figuras do campo político que também são vistos como religiosos. No campo político, os evangélicos declaram se informar sobre política mais pelo WhatsApp, enquanto os católicos recorrem mais à televisão.

A religião também transborda para o consumo cultural: 73% dizem ter a Bíblia ou seus versículos como fonte de ensinamentos para a vida e 67% consomem música gospel. Um percentual de 59% diz consumir filmes e séries religiosas. Esse tipo de conteúdo alcança inclusive pessoas de outras religiões não cristãs e sem religião.

Como a religião determina o voto

Se a religião não determina automaticamente o voto, ela participa de sua construção por meio de valores, identidades e redes de pertencimento, mostra a pesquisa Iser/Quaest. Apesar de evitar ou até rejeitar uma orientação eleitoral pronta de sua liderança, o fiel elabora sua posição a partir de repertórios religiosos que se combinam a experiências de classe, raça, gênero, território, escolaridade e outros fatores.

Entre católicos brancos, por exemplo, há equilíbrio de preferências, enquanto entre católicos negros (pretos e pardos) a vantagem de candidatos de esquerda é mais expressiva, indica o levantamento. Entre evangélicos com ensino fundamental incompleto, o apoio às candidaturas de esquerda se aproxima das candidaturas de direita.

Pesquisadora Lívia Reis, do Instituto de Estudos da Religião (Iser). Foto: Cristian Maciel/Divulgação
Pesquisadora Lívia Reis, do Instituto de Estudos da Religião (Iser) –  Foto: Cristian Maciel/Divulgação

“A pesquisa mostra onde a religião faz diferença nas opiniões. Ela pesa em temas morais, como a aceitação da diversidade sexual, a ideia de que o Estado deveria defender valores cristãos e o ensino religioso cristão nas escolas públicas. Mas pesa pouco em políticas públicas. Vacinação, educação sexual como prevenção ao abuso, rejeição ao homeschooling e apoio a políticas sociais têm alta concordância em todos os grupos religiosos”, explica Lívia Reis.

Dos 54% que se declaram conservadores, 75% apoiam o Bolsa Família e 66% são a favor da taxação dos mais ricos. Como a pesquisa não mede diretamente o que define o voto de cada pessoa, não dá para cravar que as pautas morais são prioritárias.

Outros números revelados na pesquisa também desafiam a associação automática entre identidade evangélica e posições conservadoras em determinados temas morais. Entre os evangélicos, 79% apoiam a educação sexual nas escolas, 80% são favoráveis ao uso de métodos contraceptivos e cerca de 90% rejeitam o homeschooling. Na questão do aborto, a divisão é ainda mais evidente: 47% são favoráveis à punição e 45%, contrários, com diferenças que variam não apenas segundo a religião, mas também de acordo com renda e escolaridade.

“Dizem que eu sou muito progressista para o espaço que entendem como conservador e muito conservador para um espaço progressista. Mas eu me identifico hoje como um cristão”, aponta o pastor Lucas, de Nova Iguaçu. “Essa diferença entre conservador e progressista se trata de duas faces da mesma moeda”, acrescenta.

Para Lívia Reis, os dados sugerem que as pautas morais funcionam como marcadores de identidade e de pertencimento, mobilizando mais o debate público, mas que elas convivem com posições bem menos polarizadas sobre temas concretos da vida social.

Um episódio recente envolvendo Nossa Senhora Aparecida mostrou como esse debate pode ganhar força fora dos espaços religiosos. O caso veio à tona após surgirem, na semana passada, informações segundo as quais grupos evangélicos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro defendiam a destituição de Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil. O candidato do PL nega.

Flávio Bolsonaro então acionou a Justiça Eleitoral com a alegação de que o fato era “inverídico” e trazia “discurso de ódio e imputação de crime”. Ele obteve uma liminar favorável do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou centenas de remoções de conteúdos na internet.

No entanto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a decisão de Mendonça para liberar a postagem do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida. Mas, nessa terça-feira (29), uma terceira decisão, desta vez do ministro Luiz Fux, restabeleceu a suspensão das postagens sobre o caso.

Nesta quarta-feira (30), o TSE começou a julgar se mantém a decisão do ministro André Mendonça que ordenou a retirada de postagens sobre Nossa Senhora Aparecida. Até o momento, somente o próprio Mendonça votou no julgamento, no sentido de manter a decisão pela derrubada das publicações. A sessão virtual está marcada para durar até as 23h59 desta quarta.

Fagner dos Animais destaca Sala Verde como novo espaço de educação ambiental em Caruaru

A Prefeitura de Caruaru inaugurou, nesta quarta-feira (30), a Sala Verde, um novo espaço voltado à educação ambiental no Parque Natural Municipal Professor João Vasconcelos Sobrinho, em Serra dos Cavalos. A iniciativa busca aproximar a comunidade da natureza e fortalecer as ações de conscientização e preservação desenvolvidas no parque.

A estrutura integra o Programa Salas Verdes, do Ministério do Meio Ambiente, e foi viabilizada com recursos do CONDICA. Foram investidos mais de R$ 90 mil em materiais e equipamentos para preparar o espaço, que poderá receber escolas, estudantes, professores, famílias e comunidades.

Durante a inauguração, o secretário de Sustentabilidade e Bem-Estar Animal, Fagner dos Animais, ressaltou que a Sala Verde representa mais uma ferramenta para transformar o contato com a natureza em conhecimento e consciência ambiental. “A gente quer que as pessoas conheçam o nosso patrimônio natural, entendam a importância de preservá-lo e percebam que também fazem parte desse cuidado. A Sala Verde nasce para ser esse ponto de encontro entre educação, natureza e comunidade”, destacou Fagner.

Com 359 hectares, o Parque Natural Municipal Professor João Vasconcelos Sobrinho é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral e passa a contar com o novo espaço como apoio às atividades permanentes de educação ambiental.