Carteira do Professor: Presidente Lula sanciona lei que institui Carteira Nacional de Docente no Brasil (CNDB)

Brasília (DF), 11/09/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de sanção do PL n. 41/2025, que autoriza a criação da Carteira Nacional Docente – CND. Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O novo documento de identidade funcional, emitido pelo Ministério da Educação (MEC), dará aos professores da rede pública e privada descontos em eventos culturais, como cinema, teatro e shows.

Com a sanção, a CNDB deve começar a ser emitida no mês que vem, a partir do dia 15 de outubro, Dia Nacional do Professor.

“Muitas vezes, o professor chegava pra mim e dizia: ‘ministro, às vezes, quando eu vou ao cinema, e que tenho que provar que sou professor, para garantir a meia-entrada, tenho que levar o meu contracheque impresso na mão’, ou o holerite, como algumas pessoas conhecem. Portanto, a carteira nacional docente brasileira vai ser uma forma de reconhecer”, destacou o ministro da Educação, Camilo Santana, durante evento de sanção do projeto de lei, no Palácio do Planalto.

Santana é o autor da proposta legislativa que cria a nova carteira profissional. A medida tramitou no Congresso Nacional ao longo dos últimos meses e foi aprovada em agosto pela Câmara dos Deputados.

“Por que o advogado pode ter a carteira, por que o médico pode ter a carteira, por que o engenheiro pode ter a carteira e o professor não pode ter uma carteira bonita para reconhecer o papel desse profissional? Portanto, a partir de hoje, com essa sanção, vamos garantir que todo o professor, que tenha vínculo com alguma instituição, seja do ensino fundamental, ensino médio, da universidade ou instituto federal, ele vai ter a garantia dessa carteira nacional docente, por lei”, acrescentou o ministro.

O ministro também informou que cada profissional com a Carteira Nacional de Docente no Brasil terá acesso a um cartão de crédito vinculado à Caixa Econômica Federal ou ao Banco do Brasil, sem pagamento de anuidade, e descontos de 15% em hotéis, por meio de um convênio com a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH).

Emissão da carteira

A Carteira Nacional de Docente no Brasil é um documento de identificação destinado, exclusivamente, aos professores da educação pública e privada nas esferas federal, estadual e municipal.

Para a emissão da carteira, a partir de outubro, o professor deve preencher seu cadastro no site do Programa Mais Professores para o Brasil. Os interessados podem usar a conta da plataforma Gov.br com CPF e senha cadastrados.

Bolsonaro e aliados deverão pagar R$ 30 milhões pela depredação no 8/1

Manifestantes fazem ato contra governo no dia 8 de janeiro 2023
Joédson Alves/Agencia Brasil
© Joédson Alves/Agencia Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (11) condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus pela trama golpista ao pagamento solidário de R$ 30 milhões pelos danos causados pela depredação das sedes dos Três Poderes durante os atos golpistas de 8 de janeiro.

Com a decisão, Bolsonaro e os demais condenados deverão ajudar a pagar os prejuízos provocados com o vandalismo ocorrido no edifício-sede do Supremo, Congresso e o Palácio do Planalto.

O pagamento deverá ser efetivado após o fim de todos os recursos contra a condenação.

A indenização é uma das consequências da condenação dos acusados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Por 4 votos a 1, a Primeira Turma condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, sob acusação de liderar uma trama para permanecer no poder após as eleições de 2022. É a primeira vez na história do país que um ex-presidente é punido por esse crime.

STF fixa penas de 16 a 27 anos para condenados por tentativa de golpe de Estado

Foto em formato paisagem da estatua da Justiça e ao fundo o prédio do Supremo Tribunal FederalGustavo Moreno/ Supremo Tribunal Federal

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na noite  desta quinta-feira (11) o julgamento da Ação Penal (AP) 2668 com a fixação das penas para os oito réus condenados pela tentativa de golpe de Estado. Eles integram o Núcleo 1 da tentativa de golpe, conforme a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Além das penas privativas de liberdade (prisão), também foram estabelecidas multas para sete dos réus. Todos também foram condenados a pagar, de forma solidária, uma indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. O valor foi imposto a todos os condenados por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Ao propor as penas, o relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, disse que a sanção deveria ser aplicada na medida necessária para evitar futuras tentativas de golpe. “A reprovação e a prevenção a partir da dosimetria da pena devem ser feitas para desencorajar a tentativa de obstruir a manutenção da normalidade democrática no país e afastar a ideia de que é fácil a quebra do Estado de Direito para poder se perpetuar no poder, independentemente da vontade popular e do respeito a eleições livres e periódicas”, afirmou.

O resultado das penas foi o seguinte:

Mauro Cid (réu-colaborador), tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro 

Dois anos de reclusão em regime aberto; restituição de seus bens e valores; extensão de benefícios da colaboração para pai, esposa e filha maior; e ações da Polícia Federal para garantir segurança do colaborador e familiares. A pena foi estabelecida em seu acordo de colaboração premiada.

Jair Bolsonaro, ex-presidente da República  

27 anos e três meses de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado e 124 dias-multa (cada dia-multa no valor de dois salários mínimos à época dos fatos).

Walter Braga Netto, general da reserva, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa

26 anos de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado e 100 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário mínimo à época dos fatos).

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF 

24 anos de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado e 100 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário mínimo à época dos fatos).

Almir Garnier, almirante e ex-comandante da Marinha 

24 anos de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado e 100 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário mínimo à época dos fatos).

Augusto Heleno, general da reserva e ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) 

21 anos de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado e 84 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário mínimo à época dos fatos).

Paulo Sérgio Nogueira, general da reserva e ex-ministro da Defesa 

19 anos de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado e 84 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário mínimo à época dos fatos).

Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) 

16 anos, um mês e 15 dias de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado e 50 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário mínimo à época dos fatos).

A pena de Mauro Cid foi fixada por unanimidade. As demais foram determinadas por maioria de quatro votos. O ministro Luiz Fux propôs uma pena menor para Braga Netto e deixou de votar na dosimetria quanto aos demais, pois havia votado pela absolvição.

Crimes 

Com exceção de Ramagem, os demais sete réus foram condenados pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. No caso de Alexandre Ramagem, a parte relativa a fatos ocorridos após sua diplomação como deputado federal, em dezembro de 2022 (dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado), está suspensa até o término do mandato.

Outras punições 

Por quatro votos, a Turma decidiu pela perda do mandato de deputado federal de Alexandre Ramagem e pela inelegibilidade de todos os réus por oito anos após o cumprimento da pena. Nos dois pontos, o ministro Luiz Fux deixou de votar.

Em relação a Alexandre Ramagem e Anderson Torres, a Turma determinou a perda do cargo de delegado de Polícia Federal. Fux também deixou de votar quanto a este quesito.

Para Jair Bolsonaro, Augusto Heleno, Paulo Sérgio e Almir Garnier, a Turma determinou, por unanimidade, que o Superior Tribunal Militar (STM) seja oficiado para analisar a Declaração de Indignidade para o Oficialato, que pode levar à perda de posto e patente militar. Este ponto não atinge Mauro Cid, já que ele teve uma pena inferior a dois anos. A comunicação deverá ser feita após o encerramento da ação e o esgotamento de todos os recursos (trânsito em julgado).

AP 2668: presidente do STF destaca missão histórica do Tribunal na conclusão do julgamento

Ministro Luís Roberto Barroso na sessão da 1ª TurmaFoto: Antonio Augusto/STF

Ao final do julgamento da Ação Penal (AP) 2668, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete ex-integrantes de seu governo por tentativa de golpe de Estado, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que o Tribunal cumpriu uma missão importante e histórica de julgar, com base em evidências, autoridades civis e militares. “Ninguém sai hoje daqui feliz, mas devemos cumprir com coragem e serenidade as missões que a vida nos dá. Acredito que estejamos encerrando os ciclos do atraso na história brasileira, marcados pelo golpismo e pela quebra da legalidade constitucional”, disse.

Barroso destacou que o julgamento foi público, transparente, com respeito ao devido processo legal e baseado em provas diversas, como vídeos, textos, mensagens e confissões. Disse, ainda, estar convencido de que eventuais incompreensões com o resultado irão se transformar em reconhecimento no futuro. “As compreensões contrárias fazem parte da vida, mas só o desconhecimento profundo dos fatos ou uma motivação descolada da realidade encontrarão neste julgamento algum tipo de perseguição política”.

Para o ministro, a mensagem mais importante do julgamento é que, na vida democrática, antes da ideologia, das escolhas legítimas e das diferentes visões de mundo, tem de existir o compromisso com as regras do jogo, com as instituições e com os resultados eleitorais.

O presidente afirmou desejar que o julgamento represente uma virada de página da história brasileira e que seja possível reconstruir relações, pacificar o país e trabalhar por uma agenda comum, “verdadeiramente patriótica, com as divergências naturais da democracia, mas sem intolerância, extremismo ou incivilidade. Que possamos iniciar uma era de boa fé, boa vontade, justiça e prosperidade para todos”.

Barroso cumprimentou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelo trabalho meticuloso e criterioso, o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, pela condução dos trabalhos, que classificou como impecável, e o relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, pelo trabalho hercúleo na preparação do julgamento, que considera paradigmático, “um divisor de águas na história do Brasil”.

STF condena os oito réus do Núcleo 1 da ação por tentativa de golpe de Estado

Sessão da Primeira Turma do STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os oito réus que integram o Núcleo 1 da tentativa de golpe de Estado. Na tarde desta quinta-feira, o colegiado concluiu a apresentação dos votos da Ação Penal (AP) 2668. A sessão de julgamento prossegue com a discussão da chamada dosimetria, em que são definidas as penas a serem aplicadas a cada réu.

A AP 2668 tem como réus os oito integrantes do Núcleo 1 da tentativa de golpe, ou “Núcleo Crucial”, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR): o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF; o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro (réu-colaborador); o ex-presidente da República Jair Bolsonaro; o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.

Sete réus foram condenados pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. No caso de Alexandre Ramagem, a parte relativa a fatos ocorridos após sua diplomação, em dezembro de 2022, como deputado federal (dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado) está suspensa até o término do mandato.

O placar que definiu a condenação do Núcleo 1 foi de quatro a um.  A ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin, presidente da Turma, foram os dois últimos a votar. Eles acompanharam o relator, ministro Alexandre de Moraes, e o ministro Flávio Dino, que proferiram votos na última terça (9). A única divergência foi do ministro Luiz Fux, que votou na quarta (10) pela condenação de dois réus em apenas um dos crimes pelos quais respondiam e pela absolvição dos demais.

Confira o resumo dos votos apresentados hoje:

Ministra Cármen Lúcia

Segundo a ministra, desde 2021, cultivou-se no país “um terreno social e político para semear o grão maligno da antidemocracia”, a fim de romper um ciclo democrático de quase quatro décadas no Brasil. Esse conjunto de acontecimentos, no sentido de insuflar a população, culminou nos atos de 8 de janeiro. “O 8 de janeiro de 2023 não foi um acontecimento banal depois de um almoço de domingo, quando as pessoas saíram a passear”, disse.

Na avaliação da ministra, a PGR provou a existência de uma organização criminosa, liderada pelo então presidente Jair Bolsonaro, que implementou um plano progressivo e sistemático de ataque às instituições, a fim de prejudicar a alternância de poder e minar o livre exercício dos Poderes constitucionais, especialmente do Judiciário. Para isso, se utilizou de uma milícia digital que propagou ataques ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas.

Ainda de acordo com a ministra, a acusação comprovou um conjunto de práticas pensadas e executadas para uma radicalização social e política, com a finalidade de fabricar uma crise que daria condições para o golpe. “A tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito e a tentativa de golpe de Estado deixam patente que se trata de crime tentado, porque se fosse exaurido não estaríamos aqui a julgar”, afirmou.

Ministro Cristiano Zanin

O ministro Cristiano Zanin rejeitou todas as preliminares apresentadas pelas defesas. Reafirmou a competência do STF e da Primeira Turma para julgar o caso, destacou que os advogados tiveram acesso às provas e concluiu não haver vícios na colaboração premiada que deu origem às investigações.

Segundo o ministro, a Procuradoria-Geral da República descreveu de forma satisfatória a existência de uma organização criminosa armada, estruturada hierarquicamente, com divisão de tarefas e voltada a um projeto de poder que tinha como objetivo manter Jair Bolsonaro no comando do país, mediante a prática de atos ilícitos. “A responsabilização adequada e nos termos da lei dos agentes que buscam a ruptura institucional é elemento fundamental para a pacificação social e a consolidação do Estado Democrático de Direito”, afirmou Zanin.

O ministro destacou ainda que o chamado Núcleo 1 recorria a táticas de intimidação contra autoridades da República, disfarçadas de críticas à sua atuação, mas sustentadas em informações sabidamente falsas. Mencionou também a iminência de recorrer às Forças Armadas para impor sua vontade. “Trata-se de um expediente ameaçador voltado a constranger o livre exercício dos Poderes constituídos”, observou.

Governadora Raquel Lyra autoriza contratação de profissionais de saúde para o Complexo Hospitalar da UPE

A governadora Raquel Lyra autorizou a contratação de 24 profissionais de saúde para reforçar os quadros do Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) e do Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco Prof. Luiz Tavares (Procape), que fazem parte do Complexo Hospitalar da Universidade de Pernambuco (UPE). As admissões serão realizadas através de uma seleção pública simplificada. Serão seis terapeutas ocupacionais, seis médicos diaristas e 12 médicos plantonistas. O decreto será publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (12).

“O fortalecimento da UPE é uma prioridade do nosso governo, que tem realizado reformas nos prédios da universidade, lançamos no primeiro semestre um concurso para professores efetivos, além de outros investimentos que dão melhores condições de trabalho aos servidores e de aprendizagem aos estudantes, agora estamos reforçando o quadro do complexo hospitalar. Vamos aumentar a capacidade de atendimento à população, diminuindo a espera e proporcionando mais dignidade ao nosso povo”, afirmou a governadora Raquel Lyra.

A seleção será organizada pela UPE junto com a Secretaria de Administração (SAD) e seguirá a Lei Estadual nº 14.547/2011, que permite contratações temporárias em situações de interesse público. Os contratos terão duração de até 24 meses, podendo ser renovados pelo mesmo período, até o limite de seis anos.

Foto: Yacy Ribeiro/Secom

Internas da Colônia Penal do Recife participam de curso profissionalizante

A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), por meio da Colônia Penal Feminina do Recife (CPFR) realiza, até o dia 23 de outubro, o Curso de Corte, Costura e Sublimação para internas da unidade prisional. A iniciativa resulta de uma parceria da SEAP, por meio do Programa Novos Passos, com a Teleport Educacional.

O curso conta com a participação de 25 internas, que estão aprendendo técnicas de corte e costura de camisas, além de sublimação em diferentes materiais, como canecas, garrafas e camisas. A ação visa oferecer capacitação profissional, promovendo oportunidades de trabalho e geração de renda, tanto dentro quanto fora do sistema prisional.

As participantes recebem certificado de conclusão e têm direito à remição de pena. “É uma ação importante porque leva à pessoa em privação de liberdade a oportunidade de aprender uma profissão, que poderá ser exercida dentro e fora da unidade prisional”, destacou o gerente-geral de Ressocialização da SEAP, Augusto Sales.

Policiais penais do Cemep prendem suspeita de agredir filho menor por descumprimento de medida judicial

Policiais penais do Centro de Monitoramento Eletrônico de Pessoas (Cemep), da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), prenderam, nesta quinta-feira (11.09), no bairro do Pina, uma mulher monitorada por tornozeleira eletrônica por descumprimento de decisão judicial. Ela é suspeita de agredir o próprio filho de cinco anos de idade.

Os policiais penais do Cemep identificaram o descumprimento da decisão judicial por meio do sistema de monitoramento, que fica na sede da SEAP, em que detectou a presença da suspeita na zona de exclusão, próxima à residência da vítima. A equipe se deslocou até o local, no bairro do Pina, efetuou a prisão e a conduziu à Central de Plantões da Capital (Ceplanc) para providências cabíveis.

Maéve lança videoclipe Tocando no Raidin e anuncia trilogia audiovisual

A cantora, flautista, atriz e produtora cultural Maéve lançou, no último dia 28, o videoclipe da canção Tocando no Raidin, primeiro de uma trilogia que será apresentada ao público ainda este ano. O trabalho audiovisual reforça a identidade artística da cantora, que vem se consolidando como uma das vozes potentes da música pernambucana contemporânea.

Gravado em uma vendinha histórica de Belo Jardim — espaço que mistura bar e memória afetiva — o clipe resgata a estética e a atmosfera do agreste. “Quis trazer a cara do nosso lugar, um dos ambientes que contam a nossa história. Estou muito feliz com esse passo dado. Foi um roteiro feito com muito carinho e muito amor. E a música fala disso também, né? Sobre amor. Amor que chega e que a porta está sempre aberta”, afirma Maéve.

A trilogia será composta por dois clipes realizados pela PNAB do município de Belo Jardim (Tocando no Raidin e Miudinho) e um terceiro, Volúpia, produzido de forma independente, em parceria direta com sua equipe. Juntas, as obras reafirmam a proposta de Maéve de entrelaçar música, corpo e palavra em narrativas visuais de forte conexão com suas raízes.

Em 2025, a artista lançou o álbum Volúpia, descrito por ela como um manifesto sonoro de identidade, desejo e liberdade. O disco mistura ritmos periféricos, experimentações poéticas e memórias afetivas, mergulhando nas vivências das mulheres negras do Agreste. “Cada faixa é atravessada por amor, resistência e sensualidade. Volúpia é o que pulsa quando a gente se permite sentir, dizer e existir por inteiro”, define a cantora.

No mesmo ano, o videoclipe da faixa Sai da Minha Frente foi indicado ao Prêmio da Música de Pernambuco, na categoria Carnaval. Maéve também integrou a programação de grandes eventos, como a Festa das Marocas e o Festival Pernambuco Meu País, onde apresentou o show completo de Volúpia no polo País da Música, em Buíque, no dia 1º de agosto.

Sobre a artista

Nascida em Jaboatão dos Guararapes e com trajetória consolidada no Agreste, especialmente em Belo Jardim, Maéve é cantora, flautista, atriz, educadora musical e produtora cultural. Seu trabalho cruza música, política, ancestralidade e afeto, destacando-se como uma das vozes expressivas da cena pernambucana.

Para acessar mais conteúdos e novidades, siga Maéve no Instagram @negratinta_

Uma nova ordem global?

Por Maurício Rands

A ordem global surgida depois da 2a guerra foi hegemonizada pelos EUA. Inclusive na economia e nas finanças, onde o sistema de Bretton Woods foi construído sob a dominância do dólar. Embora o poder americano tenha se imposto desproporcionalmente, reconheciam-se instituições e objetivos multilaterais, como  ONU, OMC, OMS, UNCTAD, FMI e outras. Agora presenciamos mudanças profundas advindas do poder concentrado das grandes plataformas digitais, do aumento da concentração de renda e da estagnação do crescimento nos países desenvolvidos. Surgiu com força umpopulismo autoritário que captura ressentimentos dos que foram deixados para trás. Em toda parte ascenderam movimentos comideologias supremacistas raciais, ultraconservadoras e ultranacionalistas. A velha ordem vai dando sinais de esgotamento. Alguns são eloquentes.

A relação entre EUA e Índia nos últimos 20 anos foi vista por republicanos e democratas como estratégica para que a China não assumisse um domínio incontrastável na região.Como Donald Trump e Narendra Modi chegaram ao poder na onda do populismo autoritário de direita, pensava-se que as relações se reforçariam. Mas o americano ficou reessentido porque a Índia não endossou a sua indicação ao Prêmio Nobel da Paz feita pelo Paquistão depois do fim das escaramuças entre os dois países. E aí impôs um tarifaço de 50% em cima da Índia.

Os europeus, com a guerra da Ucrânia dentro do seu continente, perceberam que tinham de se defender por si próprios quando os EUA reduziram o financiamento da OTAN. A Alemanha reconheceu que o cenário é outro. Vai atingir a meta da OTAN de gastar 3,5% do seu PIB em defesa até 2029.

O massacre imposto por Israel aos palestinos está sendo bancado pelos EUA, que anualmente fornecem US$ 3,8 bilhõespara os gastos militares de Israel. A reação da maioria das potências ocidentais não passou de meros gestos simbólicos. Adotados tardiamente, quando os crimes de guerra do governo de Netanyahu já mataram mais de 60 mil civis, destruíram a infraestratura do território, usaram a fome como arma de guerra, assassinaram jornalistas, funcionários internacionais, além de médicos e paramédicos que assiscaram suas vidas para oferecer ajuda humanitária a crianças e demais civis massacrados. Como bem demonstrou o escritor Pankaj Mishra em seu livro After Gaza (Penguin, 2025), que está impactando os formadores de opinião europeus e americanos. Seu alerta é de que o Sionismo soube construir uma narrativa de que seriam antisemitas todos os que não concordassem com os horrores praticados pelo atual governo sionista de Israel. E que tudo seria permitido para que “nunca mais” voltassem a ocorrer os crimes do holocausto de que foi vítima o povo judeu.

Pankaj vai além ao fazer um alerta para a perda da imagem e do softpower do Ocidente em face da leniência com o Sionismo de Israel. Mostra que bilhões de pessoas têm visto as cenas transmitidas em tempo real pelas vítimas em Gaza. Algo diferente de outros massacres como os cometidos por Hitler, Stalin e Mao. Ele mostra que parte da opinião pública ocidental está indignada. Como os jovens em algumas das melhores universidades ocidentais, como Harvard, Columbia e Oxford, que arriscam suas carreiras acadêmicas e profissionais ao denunciarem a complacência das potências ocidentais diante do massacre dos palestinos. E que ampliaram o brado “Nunca mais!”, que todos nós brandimos em solidariedade às vítimas do holocausto, para “Nunca mais, em lugar nenhum!”.Pankaj registra o desapontamento dos povos dos países que recentemente se libertaram dos colonialismos europeu e americano. Assim como de povos da Ásia, África e Américas. Isso não é pouco desgaste para o Ocidente.

Não surpreendeu, portanto, a cena da semana passada, em que os líderes da China, Índia, Rússia e outros países reuniram-se no que foi interpretado como um passo na construção de uma nova arquitetura geopolítica mundial. Todos estão repensando estrategicamente a ordem global. Desta feita sem a supremacia dos EUA. Que deixaram de ser vistos como parceiros confiáveis. Inclusive com a criação de um novo banco mundial de desenvolvimento para financiar infraestrutura e comércio, com mecanismos alternativos ao dólar. E apontando para uma nova arquitetura financeira global que desta vez não está sendo construída em Washignton. Essa mudança de expectativas em relação aos americanos está na base da associação de potências como China, Rússia e Índia, que até há pouco cultuavam diferenças entre si. Como lembra Gideon Rachman (Financial Times, 6.9.2025), a resposta óbvia dos EUA seria fortalecer os laços com os aliados ocidentais. Ao invés de fortalecer sua rede de aliados e de atrair outros países ainda não alinhados, Trump ataca-os com tarifas protecionistas. Ou com ameaças à soberania dos seus territórios (Dinamarca, Canadá) ou de suas instituições internas (Brasil).

Maurício Rands, advogado formado pela FDR da UFPE, professor de Direito Constitucional da Unicap, PhD pela Universidade Oxford