Quando a praça cura: o que a ciência revela sobre os espaços públicos e a saúde mental dos idosos

Por Marcelo Rodrigues

Há algo de profundo e silencioso acontecendo nas praças das cidades brasileiras todas as manhãs. Enquanto o país envelhece em ritmo acelerado, esses espaços — muitas vezes negligenciados pelo poder público — seguem funcionando como verdadeiros territórios de saúde coletiva, especialmente para quem já completou mais de seis décadas de vida. Não é exagero afirmar que, em muitos casos, a praça do bairro faz o que a política pública ainda não conseguiu: oferecer pertencimento, movimento e sentido ao cotidiano de milhões de pessoas idosas.

Os números são reveladores. Desde 1950, o crescimento populacional, a urbanização acelerada e o aumento da expectativa de vida transformaram de forma radical países como o Brasil. Segundo projeções demográficas da Organização das Nações Unidas, o número de brasileiros com 60 anos ou mais deverá superar a população de jovens entre 0 e 14 anos já em 2029. Esse horizonte cada vez mais próximo impõe uma urgência que o urbanismo e as políticas públicas ainda não internalizaram completamente: as cidades precisam ser repensadas à luz do corpo que envelhece.
Nesse contexto, um estudo realizado em Fortaleza lança luz sobre a importância dos espaços públicos para a saúde mental da população idosa. A pesquisa “Longevidade, Acessibilidade Urbana e Conforto Ambiental” acompanhou 236 pessoas idosas em três praças distintas da capital cearense, combinando medições técnicas e quantitativas — como acessibilidade, iluminação, nível de ruído, qualidade do ar e conforto térmico — com entrevistas qualitativas que captaram a experiência subjetiva dos frequentadores. O resultado aponta para uma relação mais complexa do que se poderia imaginar: mesmo diante de falhas concretas de infraestrutura, as praças continuam sendo espaços fundamentais de afeto, espiritualidade, pertencimento e vitalidade.

Os próprios participantes da pesquisa não pouparam críticas objetivas aos espaços: calçadas danificadas, raízes de árvores expostas que criam desníveis perigosos, lixo no chão e iluminação insuficiente foram apontados como falhas recorrentes. Não se trata de detalhes menores. Em uma cidade que envelhece como Fortaleza — com mais de 261 mil pessoas idosas — esses obstáculos físicos representam uma ameaça direta à autonomia e à independência de quem precisa circular com segurança. Cada calçada quebrada é uma queda em potencial; cada desnível não sinalizado é uma barreira invisível que afasta o idoso do espaço público.

Ainda assim, a maioria dos entrevistados relatou sentimentos predominantemente positivos ao frequentar as praças. O convívio social emergiu como o fator central dessas experiências. Caminhar no início da manhã, sentar-se ao fim da tarde, conversar com conhecidos e observar o movimento ao redor foram descritos como práticas que mantêm o corpo ativo e a mente presente. A praça, nesse sentido, não é apenas equipamento urbano — é um elo entre o indivíduo e a cidade, uma extensão da própria casa para quem já se aposentou e encontra no espaço coletivo uma razão para sair.

A ciência corrobora essa percepção. Evidências acumuladas associam a permanência frequente em áreas abertas à redução de sintomas de ansiedade, à melhora na qualidade do sono e ao fortalecimento da memória e da atenção. Em um país marcado por desigualdades profundas no acesso aos serviços de saúde, qualificar e fortalecer o espaço público deixa de ser apenas uma demanda estética ou urbanística para se tornar uma estratégia preventiva concreta — e de baixo custo.

O geógrafo Milton Santos cunhou a expressão “cidadania mutilada” para descrever como a urbanização desigual restringe o acesso real das pessoas aos benefícios da vida urbana. Os dados confirmam essa leitura de forma perturbadora: em São Paulo, a expectativa de vida entre um bairro e outro pode variar até 24 anos. Em Fortaleza, essa variação chega a 21 anos. O desenho da cidade, portanto, não é neutro. Ele molda comportamentos cotidianos, condiciona a saúde mental e determina, na prática, de que forma corpos diferentes — incluindo os que envelhecem — vivenciam e participam da vida urbana.

As praças sempre ocuparam lugar central na vida das cidades. Desde a Antiguidade, foram concebidas como espaços de encontro, de circulação e de convivência. Nas cidades brasileiras contemporâneas, esse papel persiste, mas enfrenta o descaso de gestões que ainda não compreenderam o envelhecimento populacional como prioridade de planejamento urbano. Investir na manutenção, acessibilidade e qualidade ambiental das praças não é gasto supérfluo: é uma das formas mais eficazes — e mais humanas — de cuidar da saúde de quem construiu este país.

Marcelo Rodrigues, é advogado especialista em direito ambiental e urbanístico, consultor técnico em sustentabilidade da Prefeitura Municipal de Caruaru, ex-Secretário de Meio Ambiente do Recife.

Delegado da PF é filmado furtando supermercado em shopping no Recife

Um delegado da Polícia Federal lotado em Pernambuco foi flagrado furtando um item avaliado em R$ 300 em um supermercado no shopping RioMar, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. A ação, na última quarta-feira (8), foi registrada pelas câmeras de segurança do estabelecimento.

No vídeo, o suspeito, identificado como Erick Ferreira Blatt, de 50 anos, aparece em frente a uma prateleira, pegando um item pequeno e colocando em um carrinho de compras. Em seguida, ele se dirige a uma mesa na área da padaria, onde senta e, após alguns instantes, coloca o produto no bolso da bermuda. As informações são do Diário de Pernambuco.

Depois, vai ao caixa, paga por outras mercadorias e deixa o supermercado. Na saída, é abordado por seguranças, que o conduzem de volta ao estabelecimento. As imagens seguintes mostram ele retirando o produto do bolso e entregando a um segurança, que o revista. Segundo a TV Globo, o delegado tentou furtar um vidro de carpaccio de trufa.

Quem é o delegado

Blatt é delegado da PF desde 2006. Em 2020, quando atuava no Rio, ele isentou o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma investigação da PF que apurava se o parlamentar tinha cometido lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral em declarações de bens à Justiça Eleitoral. Na época, o colunista Guilherme Amado publicou que os dois se conheciam há cerca de sete anos.

Investigação

Em nota, a Polícia Civil disse que Erick Blatt foi conduzido à Delegacia de Boa Viagem para prestar esclarecimentos. O caso está sendo investigado como “furto em estabelecimento comercial”.

A Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco informou que foi instaurado “procedimento de natureza disciplinar com vistas a rigorosa apuração pela Corregedoria Regional”.

O Diario não localizou a defesa do delegado. O espaço está aberto.

A armadilha que Lula pode ter criado para si mesmo na eleição

Por Bernardo Mello Franco
Do jornal O Globo

Rumo à sétima campanha presidencial, Lula deixou escapar uma preocupação com os debates de TV. “Eu não sei quantos candidatos vai ter do lado de lá”, comentou, na quarta-feira. O petista disse que preferia participar de encontros “sem tanta regra”. “Quem sabe não precisa ser todo mundo junto, quem sabe faz uma mistureba?”, sugeriu, em entrevista ao ICL Notícias.

Pela lei eleitoral, outros três pré-candidatos têm lugar garantido nos debates: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Eles são filiados a partidos que elegeram ao menos cinco congressistas em 2022. As emissoras também podem convidar representantes de legendas nanicas que pontuarem bem nas pesquisas. Em tese, poderá ser o caso de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

Com três, quatro ou cinco rivais, o petista caminha para ficar isolado no ringue televisivo. Todos os oponentes estarão “do lado de lá”, e tendem a se revezar em ataques ao presidente que busca a reeleição.

Lula não terá a quem culpar. Foi ele quem definiu a estratégia de barrar outras candidaturas na esquerda e na centro-esquerda. Partidos como PDT e PSOL, que têm tradição de lançar presidenciáveis, foram convencidos a apoiá-lo desde o primeiro turno. O PSB se manteve na chapa em troca da permanência de Geraldo Alckmin como vice.

Em busca de votos do centro, presidente ainda ensaiou oferecer a vaga ao MDB, mas esbarrou num manifesto de 17 diretórios estaduais contra a aliança. Terá que se contentar com apoios regionais no Norte e no Nordeste. O mesmo vale para o PSD: a sigla lançou Caiado, mas autorizou as seções locais a se dividirem entre Lula e Flávio.

O “todos contra um” nos debates não será a única consequência da estratégia escolhida pelo presidente. Ao bloquear o surgimento de adversários no campo progressista, Lula pode ter criado uma armadilha para si mesmo no segundo turno.

No cenário de hoje, todos os rivais tendem a pedir votos para o primogênito de Bolsonaro. Lula teria dificuldade para repetir o efeito frente ampla de 2022, quando recebeu apoio declarado de Simone Tebet e envergonhado de Ciro Gomes.

Desta vez, o presidente deve encontrar pouco espaço para ampliar a votação num segundo turno. Como escreveu no Globo o pesquisador Mauricio Moura, isso o obrigará a fazer o possível para liquidar a fatura em 4 de outubro. Seria um feito inédito: nas cinco vezes em que levou a Presidência, o PT jamais conseguiu vencer no primeiro turno.

O ocaso do Tucanistão

Pela primeira vez, o PSDB admite não lançar candidato ao governo de São Paulo. O partido venceu sete eleições consecutivas no estado entre 1994 e 2018. Nos últimos anos, foi devorado pelo bolsonarismo e viu prefeitos e deputados migrarem em massa para o PSD, de Gilberto Kassab.

Sem nomes competitivos para o Palácio dos Bandeirantes, os tucanos agora negociam apoiar Kim Kataguiri, o deputado tiktoker do MBL.

O que diria Mario Covas?

Em meio a tensão com o União Progressista, prefeito de Toritama, “construção de pontes” com Raquel Lyra

Em meio às tensões recentes envolvendo o União Progressistas, mas precisamente a ala do PP, e a governadora Raquel Lyra (PSD), o prefeito de Toritama, Serginho Colin, adotou um tom conciliador e defendeu a construção de unidade política em torno da governadora Raquel Lyra. Durante agenda no Agreste o gestor minimizou os ruídos na relação e afirmou que o momento exige consenso para “construir pontes” e não ampliar divergências.

Aliado tanto da governadora quanto do deputado federal Eduardo da Fonte, Serginho se colocou como um articulador dentro desse cenário, destacando que sua posição é de diálogo entre as forças políticas. Segundo ele, a formação da federação entre PP e União Brasil impõe uma nova dinâmica, que passa necessariamente pela conversa e pelo alinhamento estratégico visando a continuidade do projeto estadual.

O prefeito reforçou que o partido teve papel decisivo desde o início da gestão de Raquel, especialmente na Assembleia Legislativa, contribuindo para a aprovação de matérias importantes e sustentando politicamente o governo. Nesse contexto, defendeu que a prioridade deve ser a manutenção da aliança e o fortalecimento de um projeto conjunto para Pernambuco.

Ao projetar o cenário eleitoral, Serginho foi enfático ao apostar na reeleição da governadora, destacando os investimentos em infraestrutura e ações voltadas ao desenvolvimento do Estado, com ênfase no Polo de Confecções do Agreste.

Em relação ao avanço da federação, o gestor comemorou os resultados da janela partidária, afirmando que o grupo saiu fortalecido, com expectativa de ampliar significativamente suas bancadas tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara dos Deputados. Ele também reforçou o projeto de candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado, defendendo uma renovação na Casa com foco em pautas municipalistas e na área da saúde.

Apesar das movimentações recentes e especulações sobre possíveis rupturas, o discurso de Serginho Colin sinaliza uma tentativa de distensionar o ambiente político e manter o grupo governista coeso para as eleições que se aproximam.

Violência sexual aumenta riscos cardiovasculares em mulheres

Rio de Janeiro - Grupo faz passeata pelas ruas da Lapa em defesa dos direitos das mulheres e contra a violência (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

As meninas e mulheres vítimas de violência sexual não sofrem apenas os danos físicos e psicológicos imediatos. Esses eventos podem aumentar em 74% a chance de que elas desenvolvam problemas cardíacos, de acordo com um estudo baseado em dados oficiais brasileiros.

A pesquisa foi publicada na revista Cadernos de Saúde Pública e traz também uma análise por doenças de forma individualizada. Mulheres que sofreram violência sexual apresentaram maiores níveis de infarto do miocárdio e arritmias, em comparação com mulheres que não sofreram. Já nos casos de angina e insuficiência cardíaca não houve discrepâncias significativas.

O pesquisador do programa de pós-graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará, Eduardo Paixão, explica que as conclusões foram obtidas aplicando ferramentas estatísticas aos dados da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019.

A Pesquisa Nacional de Saúde é o principal levantamento oficial sobre a saúde da população brasileira, feito a partir de mais de 70 mil entrevistas que são representativas da população brasileira. Entre os diversos assuntos, investigou tanto a ocorrência de violência sexual, quanto de doenças cardíacas, o que possibilitou o cruzamento dessas duas variáveis.

Como diversas questões podem influenciar a ocorrência de doenças cardiovasculares, a equipe de pesquisa também usou ferramentas estatísticas para bloquear a interferência da idade, cor da pele, orientação sexual, escolaridade e região de habitação. Assim, foi possível ter certeza de que o aumento observado foi provocado pela violência sofrida.

Impactos
Eduardo Paixão diz que, na maioria das vezes, as pessoas pensam apenas na saúde mental, quando querem investigar os efeitos da violência sexual, mas o trauma pode repercutir em outras áreas.

“A gente sempre pensa em explicações biológicas para as doenças, mas a saúde humana perpassa por muitas interações sociais que impactam o nosso bem-estar. Estudo em outros países já vinham mostrando uma associação muito forte, especialmente quando essa violência ocorre na infância e adolescência, às vezes com repercussões ao longo da vida”, explica Paixão.

A hipótese do grupo de pesquisa é que a violência aumente o risco cardiovascular por uma combinação de fatores biológicos e comportamentais, a começar pelos quadros de ansiedade e depressão, comuns em vítimas, e que têm relação com males cardíacos. Esse estresse também causa efeitos fisiológicos.

“Ele aumenta a inflamação do nosso organismo, com a ativação de toxinas que podem acelerar esse processo de doença cardiovascular. Experiências traumáticas também podem alterar a pressão arterial e a frequência cardíaca”, explica o pesquisador.

Paixão também relata que quem vivencia experiências de violência, sejam de forma isolada ou repetitiva, pode ter maior chance de desenvolver atos danosos para a saúde, como tabagismo, alcoolismo, uso de entorpecentes, alimentação inadequada, sedentarismo, que também aumenta os. riscos cardiovasculares.

O pesquisador ressalta que a violência sexual, em si, se revela um problema de saúde pública no Brasil. À PNS, por exemplo, 8,61% das mulheres relataram ter sofrido ao menos alguma violência do tipo ao longo da vida, contra 2,1% dos homens.

Mas esse tipo de violência ainda é bastante subnotificada, especialmente entre homens, porque nem todas as pessoas reconhecem o que sofreram ou se sentem confortáveis para admitir, ele ressalva. Essa é a principal razão para a pesquisa não ter identificado aumento na ocorrência de doenças cardiovasculares também em homens vítimas, na opinião do pesquisador.

Para ele, o grande benefício da pesquisa é apontar um fator que merece a atenção tanto de quem trabalha com vítimas de violência, quanto dos profissionais que atendem pessoas com doenças cardiovasculares.

“E essas são as doenças com a maior carga global. São muitas internações e gastos com procedimentos. Talvez, se a gente conseguir intervir em fatores de vida modificáveis, a gente consiga diminuir essa incidência”, conclui o pesquisador.

Com dois gols de Pedro, Flamengo vence Fluminense pelo Brasileirão

Dois clássicos encerraram, neste domingo (12), a 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. No Maracanã, o Flamengo superou o Fluminense por 2 a 1, em noite inspirada dos atacantes Samuel Lino e Pedro, que construíram os gols do Rubro-Negro no Rio de Janeiro.

O Flamengo igualou os 20 pontos do Fluminense e fica à frente por ter melhor saldo de gols, na vice-liderança. O Rubro-Negro tem um jogo a menos que o rival. O Tricolor está na quarta posição, atrás também do São Paulo.

Aos seis minutos, Fábio afastou a bola da área do Fluminense, mas a sobra ficou com o atacante Samuel Lino, que ajeitou para Pedro, de muito longe, chutar antes de o goleiro tricolor retornar ao gol, abrindo o marcador. A dupla rubro-negra funcionou novamente aos seis do segundo tempo, com Samuel Lino cruzando da esquerda e Pedro completando, de peito, para as redes.

O Fluminense descontou aos 30 minutos, com o atacante Jefferson Savarino aproveitando o erro do lateral Alex Sandro no recuo de bola para o goleiro Agustín Rossi. Nos acréscimos, o meia Jorge Carrascal foi expulso por falta em cima do lateral Guga e o Tricolor pressionou em busca do empate, mas sem sucesso.

Em São Paulo, na Neo Química Arena, Corinthians e Palmeiras empataram sem gols. O Timão, com 11 pontos, segue na 16ª posição, a última antes da zona de rebaixamento, que envolve os quatro times de pior pontuação no campeonato. O Verdão, com 26 pontos, lidera o Brasileirão com folga.

Em um primeiro tempo de poucas emoções e muita discussão na capital paulista, o destaque foi a expulsão de André, aos 34 minutos. O volante direcionou as mãos à parte genital após sofrer falta do meia Andreas Pereira. Chamado para analisar o gesto no vídeo, o árbitro Flávio Rodrigues de Souza entendeu que o mesmo foi obsceno e deu cartão vermelho ao jogador corintiano.

O clima quente do clássico não arrefeceu na etapa final. O Corinthians ficou com dois a menos em campo aos 23 minutos, com a expulsão do lateral Matheuzinho por agressão a Flaco López. Seis minutos depois, o também atacante Yuri Alberto teve, sozinho, a chance de abrir o placar para o Timão, mas chutou em cima do goleiro Carlos Miguel.

Com superioridade numérica, o Palmeiras se lançou ao ataque em busca da vitória fora de casa, mas esbarrou na marcação alvinegra.

Raposa e Furacão vencem

Em duelo simultâneo aos dois clássicos, o Cruzeiro derrotou o Red Bull Bragantino por 2 a 1, de virada, no Mineirão, em Belo Horizonte. O atacante Neyser Villareal e o meia Christian garantiram os três pontos à Raposa. O lateral Andres Hurtado abriu o marcador para o Massa Bruta.

Com dez pontos, os mineiros permanecem na zona de rebaixamento, na 17ª posição, mas se aproximaram do Corinthians. O time do interior paulista, com 14 pontos, ocupa o nono lugar.

Mais cedo, Botafogo e Coritiba empataram em 2 a 2 no Estádio Nilton Santos. O Glorioso chegou aos mesmos 13 pontos de outros quatro clubes, mas os supera por ter mais vitórias. O time carioca é o 11º. O Coxa, com 16 pontos, está em sétimo.

Os visitantes saíram na frente aos 32 minutos do primeiro tempo, com Breno Lopes. O Alvinegro tomou a dianteira na segunda etapa. Aos nove, o volante Danilo empatou e Arthur Cabral virou o placar aos 31. Dois minutos depois, o também atacante Joaquín Lavega deixou tudo igual novamente no Rio de Janeiro.

Já o Athletico-PR bateu a Chapecoense por 2 a 0 na Arena da Baixada, em Curitiba. Os atacantes colombianos Stiven Mendoza e Kevin Viveros marcaram para o Furacão, que foi a 19 pontos, em sexto lugar. O Verdão do Oeste, com oito pontos, segue na zona de rebaixamento, em 19º.

Santos iguala dupla Grenal

Três partidas movimentaram a noite do último sábado (11). No Beira-Rio, em Porto Alegre, o clássico entre Internacional e Grêmio terminou zerado. Ambos os times somam 13 pontos, com o Tricolor à frente, em 12º, pelo saldo de gols. O Colorado aparece em 14º lugar.

Na Vila Belmiro, o Santos fez valer o fator casa e derrotou o Atlético-MG por 1 a 0, gol do atacante Moises. O Peixe chegou aos mesmos 13 pontos da dupla Grenal, mas fica atrás dos gaúchos, em 15º lugar, pelo saldo. O Galo, com 14 pontos, está na parte intermediária da classificação, na oitava posição.

Por fim, o Bahia, fora de casa, venceu o Mirassol por 2 a 1, no Maião. O zagueiro David Duarte, contra, deixou os anfitriões na frente, mas o lateral Luciano Juba, de pênalti, e o atacante Mateo Sanabria decretaram a virada do Esquadrão de Aço, quinto com 20 pontos. O Leão Caipira, lanterna com seis pontos, saiu de campo revoltado com a arbitragem.

Cartórios de todo o Brasil fazem mutirão de registro civil esta semana

São Paulo (SP), 13/05/2025 - 3ª Semana Nacional de Registro Civil - Registre-se!, em São Paulo. A iniciativa, liderada pelo Conselho Nacional de Justiça, tem como objetivo facilitar o acesso à cidadania para pessoas em situação de vulnerabilidade. As ações acontecem na Praça da Sé. A organização fornece alimentação para o público no local e a expectativa é que sejam distribuídas mais de 2000 marmitas.
Foto: Cadu Pinotti/Agência Brasil

Cartórios de todos os estados do Brasil e do Distrito Federal começam nesta segunda-feira (13) uma mobilização para ampliar o acesso a documentações básicas, principalmente para a população mais vulnerável. Coordenada pela Corregedoria Nacional de Justiça, a campanha Registre-se vai reunir diversas instituições, que irão variar conforme o estado.

A 4ª Semana Nacional do Registro Civil, que vai até o dia 17 de abril, pretende diminuir o sub-registro de nascimentos no país. Além de documentos básicos, como certidão de nascimento e RG, em alguns locais poderá ser emitido o título de eleitor.

Também serão disponibilizados atendimentos assistenciais, orientações jurídicas, serviços de saúde e ações em unidades prisionais.

Cidade de SP

Na capital paulista, o mutirão será realizado pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen/SP), em parceria com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e Pop Rua Jud Sampa, além de diversos órgãos públicos.

Durante o mutirão, serão oferecidos serviços como emissão de segunda via de certidões de nascimento e casamento, fundamentais para a obtenção de outros documentos, como a Carteira de Identidade Nacional (CIN), título de eleitor e carteira de trabalho.

Além da documentação civil, a população mais vulnerável terá acesso a serviços de orientação jurídica, atendimentos de saúde, inclusão em programas sociais e suporte assistencial. Os atendimentos vão ocorrer na Praça da Sé, das 10h às 16h, com distribuição de senha no local.

“O Registro Civil é a base da cidadania. Ao garantir o acesso à documentação básica, possibilitamos que milhares de pessoas deixem a invisibilidade e passem a acessar direitos essenciais, políticas públicas e serviços fundamentais”, disse, em nota, Leonardo Munari de Lima, presidente da Arpen/SP.

Para participar do mutirão, a pessoa deve levar qualquer registro anterior que contenha os seus dados básicos, como RG antigo ou cópia de certidões.

Indígenas relatam que desmatamento impacta produção de cocares

Brasília (DF), 07/04/2026 - Ontxa Mehinako fala sobre artesanato indígena no Acampamento Terra Livre 2026. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Com um cocar ancestral na cabeça, feito com penas de maritaca e de arara, o artesão Tapurumã Pataxó, de 32 anos, aproveitou o Acampamento Terra Livre, que se encerrou neste sábado (11), em Brasília (DF), para alertar que o cenário dos territórios indígenas tem sido de menos aves no céu. Com menos pássaros, a produção artesanal de cocares é impactada. 

A mudança de cenário tem relação com desmatamento, queimadas e agrotóxicos implementados por grileiros e invasores não-indígenas, segundo reclamam as lideranças indígenas.

Tapurumã recorda que aprendeu a produzir o cocar na infância com os avós.

“Os fazendeiros estão acabando não só com o nosso território, mas com o Brasil todo”, lamentou o artista que vive na Aldeia Barra Velha, em Porto Seguro (BA).

Brasília (DF), 10/04/2026 - O indígena, Tapurumã Pataxó, no Acampamento Terra Livre - ATL 2026. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Tapurumã Pataxó aprendeu a produzir cocares com os avós – Valter Campanato/Agência Brasil

“Somos o primeiro povo que teve contato com os portugueses. E somos desmatados desde 1500”. Ele recorda que, na infância, via muito mais araras do que hoje, por exemplo. Tapurumã diz que a comunidade conta com projetos ambientais para reinserir as aves no ecossistema.

O artista explica que os artesãos fazem os cocares a partir das penas que caem dos animais. “Há muitos animais da minha infância que já desapareceram porque tem muita queimada criminosa”.

“Falta de consciência”

Outra artesã pataxó, Ahnã, de 45 anos, que vive na Aldeia Velha, também em Porto Seguro (BA), diz que está sendo preciso recorrer até ao zoológico para buscar penas de animais.

“É uma tristeza muito grande você ver que os animais que eram livres estão hoje em uma área fechada por causa do desmatamento e da falta de consciência ambiental do ser humano”.

No dia a dia, ela sente falta do gavião real, da arara e até do papagaio. “Papagaio também está ficando bem escasso e a gente precisa promover mais ações de consciência ambiental.”.

Brasília (DF), 10/04/2026 - A indígena, Hanã Pataxó, no Acampamento Terra Livre - ATL 2026. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
  Ahnã Pataxó relata que tem que recorrer ao zoológico para recolher penas – Valter Campanato/Agência Brasil

Mudanças climáticas

O impacto ambiental é também sentido pelo artesão Keno Fulni-ô, de 40 anos, que vive na aldeia próxima à cidade de Águas Belas (PE). “Onde a gente mora, temos a presença do gavião, do caracará, da garça e do anu”.

As mudanças climáticas têm feito as aves se comportarem de outras formas, segundo explica.

A artesã Ahnã Pataxó ressalta que em encontros, como o que ocorreu no Acampamento Terra Livre, os artesãos aproveitam para fazerem as trocas de materiais (as penas), em vista de que há aves típicas de cada habitat. Algumas mais e outras menos resilientes aos impactos ambientais.

Brasília (DF), 10/04/2026 - O indígena, Keno Fulni-o, no Acampamento Terra Livre - ATL 2026. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Keno Fulni-o relata que as mudanças climáticas alteraram o comportamento das aves,- Valter Campanato/Agência Brasil

Símbolos

O artista Tapurumã Pataxó explica que o cocar simboliza a identidade e a proteção do povo.

“O cocar tem o sentido de nossa resistência. É o que nos protege e nos dá força pra lutar pelos nossos direitos, pela educação e pela demarcação do nosso território”.

Até pelo que significa, o artista pataxó entende que os não-indígenas que adquirem o cocar devem ter respeito e guardar num quadro, emoldurar e colocar em casa para protegê-la.

“Um não indígena comprar para ficar usando como se fosse um indígena não é legal”.

Da mesma forma, Keno Fulni-ô pede que os não-indígenas tenham muito respeito pela simbologia do cocar. “Esperamos que uma pessoa não coloque um cocar na cabeça e vá beber, por exemplo. Ir para carnaval. Não é o que o nosso povo espera”.

Ahnã Pataxó explica que o cocar consiste em um símbolo de aliança.

“Quando nós vamos fazer nossos casamentos tradicionais, a gente não troca uma aliança de metal. A gente troca o cocar”. Inclusive, a costura por trás do objeto artístico, há costura das penas. “É como se a gente estivesse unindo todo o nosso povo”, compara.

Pena a pena

Foi a união do povo Fulni-ô que fez o jovem Aalôa, de 21 anos, que vive também em aldeia na cidade de Águas Belas aprender a fazer o cocar quando tinha 14 anos. Os amigos que o rodeavam no Acampamento Terra Livre disseram para a equipe da Agência Brasil que a habilidade do rapaz na produção da arte chama atenção de todos.

Ele costurava um cocar com penas de papagaio e esperava terminar a arte em menos de 30 minutos. Ele pendurava o cordão e costurava uma a uma, depois de limpar e tingir.

“Eu me sinto muito bem em fazer. Acaba com estresse, me relaxa. Somos a voz do nosso povo e uma só família”

Brasília (DF), 10/04/2026 - O indígena, Aaloa Fulni-o, no Acampamento Terra Livre - ATL 2026. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Aaloa Fulni-o se destaca pela habilidade com que produz um cocar- Valter Campanato/Agência Brasil

Justiça mantém condenação da União e de SP por tortura na ditadura

São Paulo (SP)-29/03/2026. Caminhada Silenciosa em memória das vítimas da ditadura militar. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

A quarta turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF) confirmou, por unanimidade, a sentença que condenou a União e o estado de São Paulo a indenizarem uma estudante universitária que sofreu perseguições políticas durante o regime militar.

O nome da vítima não foi divulgado. A indenização foi fixada em R$ 300 mil, valor que deve ser dividido entre o estado e a União.

Para os magistrados, a responsabilidade objetiva do Estado ficou comprovada por documentos oficiais e depoimentos de testemunhas que demonstraram que agentes do Estado praticaram tortura e prisões ilegais.

“O dano moral comprovado foi resultado da conduta dos policiais do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), na época servidores públicos do Estado de São Paulo, e do próprio regime militar que propiciou o cometimento de toda a série de arbitrariedades, privações, segregações e violências físicas e morais contra a autora”, escreveu o juiz federal Paulo Alberto Sarno, relator do acórdão.

Conforme o processo, a universitária vivia em uma residência para estudantes da Universidade de São Paulo (USP). Entre 1968 e 1971, ela foi presa e torturada, recebendo choques elétricos e até uma injeção de éter no pé.

“São evidentes os danos morais sofridos pela apelada, consubstanciados na dor experimentada em razão do cerceamento de sua liberdade em condições de violência extrema, da perseguição policial, do afastamento compulsório de seu lar, de sua pátria, de seus familiares e de seus amigos e da perda de seu emprego por motivos políticos e ideológicos”, afirmou o relator.

Débora Almeida acompanha obras da Maternidade de Garanhuns e ressalta eficiência e qualidade da construção

Na manhã deste sábado (11), a deputada estadual e líder do PSD na Alepe, Débora Almeida, realizou visita às obras da futura Maternidade de Garanhuns. Com previsão de entrega da primeira etapa ainda em 2026, a unidade está sendo estruturada para oferecer um atendimento moderno, humanizado e de alto padrão. O projeto integra um investimento de cerca de R$ 58,2 milhões, fruto da parceria entre o Governo de Pernambuco e o Governo Federal.

Aliada da governadora Raquel Lyra, a parlamentar destacou que o equipamento contará com mais de 10 mil metros quadrados de área construída e aproximadamente 150 leitos, ampliando significativamente a capacidade de atendimento materno-infantil na região.

Com caráter também fiscalizador, a visita reforçou, segundo Débora, o ritmo acelerado e a qualidade das obras executadas pelo Governo do Estado. Acompanhada por sua equipe e técnicos da construtora responsável, que também atua na construção do Hospital Regional Mestre Dominguinhos — atualmente em fase de terraplanagem —, a deputada percorreu as instalações já erguidas e destacou o padrão dos materiais utilizados.

Após a agenda, em entrevista ao programa Leitura Ampla, da Rádio FM Sete Colinas, a parlamentar demonstrou entusiasmo: “Estou muito feliz. A governadora Raquel Lyra está concretizando ações que por muito tempo ficaram apenas no discurso. Hoje, vemos um governo que entrega resultados em todas as regiões. Garanhuns será contemplada com equipamentos fundamentais para o Agreste, garantindo mais segurança e acolhimento para milhares de pernambucanos.”

De acordo com o Governo do Estado, a maternidade contará com serviços especializados, incluindo Centro de Parto Normal, ambulatórios para gestação de alto risco, UTIs obstétrica e neonatal, Unidades de Cuidados Intermediários (UCINco e UCINca), além de banco de leite.