Muito cuidado com as pesquisas

Por Maurício Rands
As pesquisas eleitorais representam uma fotografia do momento. Podem ter caráter científico se bem usados os métodos de estratificação das amostras e de tratamento estatístico dos dados. Mas isso não as isenta dos riscos do manejo interessado. Os incentivos vão desde axiomas antidemocráticos como os famigerados “em política o feio é perder” ou “os fins justificam os meios”, chegando à pura e simples corrupção. Alguns não se importam com as manipulações, acreditando ingenuamente que a pesquisa relevante é apenas a do eleitor nas urnas. Não percebem que as pesquisas, ainda que falseadas, afetam a decisão do eleitor que geralmente é infenso a votar no candidato sem chances.

​Nesses descaminhos, as pesquisas podem falhar voluntária ou involuntariamente. Tome-se o caso das últimas pesquisas para governador em Pernambuco. A do Datafolha apresentou dados em descompasso com o de outros institutos que vinham apontando empate técnico entre a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos. Especialistas apontam que alguns institutos, mesmo gozando de reputação nacional estabelecida, cometem lapsos metodológicos. Sobretudo quando a eleição ainda está distante. À medida em que a data do pleito se avizinha, vão fazendo os ajustes na metodologia e na amostra. No caso da Datafolha, em alguns estados ela terceiriza as equipes de entrevistadores. E no início concentra as amostras de entrevistados nas capitais e regiões metropolitanas, visto que entrevistas em locais mais remotos têm maiores custos. No caso de Pernambuco, isso pode justificar a diferença para as demais pesquisas que vinham apontando empate entre os principais concorrentes ao governo.

​Outro tópico que justifica a cautela com as pesquisas é o fato de que, até o momento, os eleitores que não escolheram seus candidatos ainda são muito numerosos. Assim como é elevado o percentual dos que admitem mudar de voto. Como lembrou Renato Meirelles em O Globo de 16.4.26, nada menos do que 62% dos entrevistados na última pesquisa Quaest não souberam dizer em quem votariam para presidente quando inicialmente indagados sem o estímulo do disco com as alternativas. Isso significa 96 milhões que não externam espontaneamente uma preferência. Trata-se de dado relevante porque a urna eletrônica funciona como o voto espontâneo. O eleitor, quando chega na cabine, não se depara com um disco com os candidatos. Outro fator que recomenda cautela com os resultados das pesquisas atuais é o fato de que 43% dos entrevistados admitem mudar de voto. Ou seja, 67 milhões que declaram voto em algum candidato, mas admitem mudar. Acrescente-se a frequente discrepância entre os votos espontâneos e os votos na estimulada. Na última Datafolha para Pernambuco, João Campos apresentou uma dianteira de 12%. Mas na espontânea, Raquel Lyra apresentou índices superiores (28 % a 26%).

​Ainda um outro dado recomenda cautela nas apostas sobre quem será vitorioso em Pernambuco. Historicamente, é raro um governante com mais de 60% de aprovação na pré-campanha perder uma tentativa de reeleição. No Brasil, o índice de aprovação acima de 50% funciona quase como um “porto seguro”, embora erros graves ou crises possam afetar essa tendência. Mesmo com índices menores de aprovação, alguns incumbentes ainda assim são competitivos. Foi o caso de Jair Bolsonaro, que em 2022 tornou-se o primeiro presidente a perder a reeleição. Embora seus índices de “ótimo/bom” oscilassem entre 25% e 35%, ele perdeu para Lula por pequena diferença. Isso também sugere que a força de quem está sentado na cadeira continua relevante.

Especialistas em marketing político afirmam que governantes com 60% de aprovação só perdem a reeleição se ocorrer uma unificação total da oposição em torno de um único nome; ou quando o incumbente é tragado em um escândalo ético pessoal intransponível; ou ainda, quando a rejeição individual (o “não voto de jeito nenhum”) for maior que 30% mesmo com o governo bem avaliado. Nenhuma dessas exceções aplica-se à candidatura da governadora Raquel Lyra. As pesquisas têm convergido ao apontar um índice de aprovação do seu governo acima de 60%. Isso pode lhe conferir uma vantagem com tendência a se consolidar à medida que as ações do seu governo forem ainda mais conhecidas. No caso do presidente Lula, a maioria das pesquisas aponta empate técnico com Flávio Bolsonaro. Mas a maior polarização no plano nacional é um fator importante. Embora ele tenha aprovação menor que 50% e tenha elevados índices de rejeição, o debate sobre as realizações de seu governo pode contar em uma eleição que segue sendo um clássico imprevisível.
Maurício Rands, advogado formado pela FDR da UFPE, professor de Direito Constitucional da Unicap, PhD pela Universidade Oxford

TSE e Google reforçam ação digital para regularização do título de eleitor a 13 dias do prazo final

TSE e Google fazem ação digital sobre regularização do título de eleitor

A 13 dias do encerramento do prazo para regularização do título de eleitor, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google reforçaram, nesta quinta-feira (23), a ação conjunta para ampliar o acesso de eleitoras e eleitores aos serviços da Justiça Eleitoral. O prazo final para alistamento, transferência de domicílio e atualização cadastral termina em 6 de maio. A partir do dia 7, o cadastro eleitoral será fechado para a organização das Eleições 2026.

Como parte da iniciativa, a página inicial da Busca Google no Brasil exibe nesta quinta um link direto para o Autoatendimento Eleitoral, facilitando o acesso aos serviços on-line e ampliando a visibilidade das ferramentas disponíveis.

Ao clicar no link, as usuárias e os usuários são direcionados à plataforma oficial do TSE, na qual é possível solicitar o primeiro título, transferir o domicílio eleitoral e atualizar ou corrigir dados cadastrais de forma digital.

Calendário
Confira os principais marcos do calendário do cadastro eleitoral em 2026:

6 de maio: último dia para tirar ou transferir o título

7 de maio: fechamento do cadastro eleitoral

4 de outubro: 1º turno das eleições

25 de outubro: 2º turno (onde houver)

3 de novembro: reabertura do cadastro eleitoral

Como regularizar
O TSE recomenda que eleitoras e eleitores consultem a situação eleitoral pelo aplicativo e-Título ou pelas páginas oficiais da Justiça Eleitoral na internet. Eventuais multas por ausência em eleições anteriores podem ser pagas por Pix ou cartão de crédito diretamente no site do TSE, o que agiliza a regularização.

Prejuízo dos Correios chega a R$ 8,5 bilhões em 2025

Brasília (DF), 23/04/2026 - Presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, fala durante entrevista sobre resultados dos 100 dias do plano de reestruturação da empresa. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Os Correios registraram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025. O valor é mais de três vezes superior ao verificado em 2024, quando a estatal anunciou prejuízo e R$ 2,6 bilhões.

De acordo com a empresa, o resultado é influenciado, majoritariamente, pelo provisionamento de obrigações judiciais e o aumento de custos operacionais.

A maior parte desse valor advém de processos judiciais, que custaram aos Correios R$ 6,4 bilhões no ano passado (55,12% acima de 2024). O passivo na Justiça é formado especialmente por demandas trabalhistas, como os pagamentos reivindicados pelos empregados para receberem adicionais de periculosidade e adicionais pela atividade de distribuição e coleta externa.

No ano passado, a receita bruta dos Correios, não considerados os pagamentos que a empresa deveria fazer, foi de R$ 17,3 bilhões (11,35% abaixo de 2024). O balanço da empresa será publicado no Diário Oficial da União.

Diante do acúmulo de prejuízos, a empresa buscou credores e recebeu um aporte que totalizou R$ 12 bilhões em empréstimos de bancos públicos e privados.

Ciclo vicioso
Desde o último trimestre de 2022, os Correios apresentam resultados parciais negativos. No total, a empresa acumula 14 trimestres de ônus.

“É um ciclo vicioso. A dificuldade de caixa gera dificuldade de pagamento ao fornecedor, isso afeta a operação. Ao afetar a operação, a gente macula a capacidade de aumentar o volume [de trabalho] ou de gerar novos contratos”, explicou o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, em entrevista coletiva na sede da empresa em Brasília.

Segundo ele, a estatal também não consegue compensar imediatamente a baixa nas receitas com cortes de gastos.

“A estrutura de custo é muito rígida, e está ancorada em despesas de custos fixos. Quando há uma queda de receita, não se consegue diminuir a despesa no mesmo momento para poder fazer esse equacionamento”, explicou.

Desmaterialização da carta
O balanço negativo ocorre em anos de mudança estrutural no campo de atividade dos Correios, quando as empresas de comércio eletrônico expandem sua atividade logística – não mais dependendo dos Correios.

O fenômeno concorrencial ocorre após a estatal perder nicho do mercado de postagem com as mudanças das formas de comunicação, o que Rondon chama de “desmaterialização” da carta.

Economista por formação, o presidente assumiu o cargo em setembro do ano passado, com mandato até agosto de 2027, com objetivo de reestruturar a estatal.

Entre medidas saneadoras, a empresa abriu dois planos de demissão voluntária (PDV). Na edição deste ano, 3.181 aderiram ao desligamento. O volume de adesões foi menor que o obtido no PDV 2024/2025, 3.756 empregados, mas o ingresso no plano só foi possível em prazo menor – entre fevereiro e abril deste ano.
A perspectiva inicial da estatal era fazer 10 mil desligamentos. Outros processos de demissão voluntária poderão ser abertos no futuro.

Privatização fora de pauta
Os Correios adotaram medidas para diminuir custos com as operações de recebimento, distribuição e entrega; renegociaram dívidas com fornecedores e estenderam prazos de pagamento. Também começaram a reduzir gastos com a ocupação de imóveis e com a manutenção de agências.

Emmanoel Rondon acredita que a empresa apresente resultados econômicos positivos a partir de 2027 e que, conforme a reestruturação, possa captar mais recursos entre financiadores.

Ele não considera a possibilidade de privatização, como defendem correntes de economistas pró-mercado.

“Esse assunto não está na pauta aqui. Estamos apresentando os resultados. Privatização ou não é uma decisão do controlador [o governo federal]. O que que a gente quer? Aqui estamos trabalhando em um plano de gestão de recuperação, para que a empresa permaneça íntegra, viável, que preste um bom serviço, dê resultado positivo”, afirmou.

STF determina atualização anual do valor do mínimo existencial

Palácio do Supremo Tribunal Federal na Praça dos Três poderes em Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (23) determinar a atualização anual do valor do chamado mínimo existencial para evitar o superendividamento da população.

O mínimo existencial foi definido pela Lei 14.181 de 2021, conhecida como Lei do Superendividamento, para fixar que uma parte da renda do consumidor não pode ser comprometida com o pagamento de dívidas. A restrição deve ser observada por bancos e empresas que concedem empréstimo pessoal.

Pela decisão da Corte, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá propor estudos para verificar a viabilidade de atualização anual do valor do mínimo.

Os ministros também entenderam que os empréstimos obtidos por meio de crédito consignado também estarão sujeitos ao mínimo existencial. Antes da decisão, os consignados estavam excluídos da restrição.

Julgamento
A Corte julgou a validade de decretos que regulamentaram a Lei do Superendividamento.

As normas definiram o conceito de mínimo existencial para proteger o consumidor e evitar a concessão de empréstimos que comprometam toda a renda mensal com o pagamento de dívidas.

Em 2022, um decreto do ex-presidente Jair Bolsonaro fixou o mínimo existencial em R$ 303, equivalente a 25% do salário mínimo vigente na época. Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva corrigiu o mínimo para R$ 600, valor que está em vigor.

Após a edição dos decretos, a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e a Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep) entraram com ações na Corte. As entidades questionaram o valor mínimo fixado nos decretos e alegaram que o valor é insuficiente para garantir condições básicas de dignidade.

Votos
O julgamento começou nesta quarta-feira (22), quando foi formada maioria de votos para determinar a atualização do mínimo existencial.

Na sessão de hoje, o último voto do julgamento foi proferido pelo ministro Nunes Marques.

O ministro entendeu que é imprescindível que haja uma proteção para evitar o endividamento das famílias.

“Entendo que a melhor solução, por ora, é manter o valor de R$ 600. Por isso, acompanho a proposta para determinar que o CNM realize anualmente estudos técnicos de impacto regulatório para subsidiar a eventual revisão desse valor”, afirmou.

Dólar volta a R$ 5, e bolsa cai com tensão no Oriente Médio

Dólar

O dólar voltou a fechar acima de R$ 5, e a bolsa de valores recuou nesta quinta-feira (23), em um dia marcado pela piora do cenário externo e aumento da aversão ao risco diante de novas incertezas sobre a guerra no Oriente Médio.

A moeda estadunidense encerrou o dia em alta de R$ 0,029 (+0,62%), cotada a R$ 5,003. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,78%, aos 191.378,43 pontos.

Dólar inverte movimento
Após operar em queda durante boa parte do dia, o dólar ganhou força à tarde, acompanhando o movimento global de busca por ativos mais seguros. A mudança de direção ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de autoridades iranianas, que colocaram em dúvida a sustentação de um possível cessar-fogo.

Trump afirmou que um acordo com o Irã só será fechado quando for “apropriado” para os interesses norte-americanos, enquanto o governo iraniano adotou um tom mais agressivo. Também surgiram relatos de ativação de defesas aéreas no Irã, elevando a tensão.

Com isso, o dólar à vista saiu da mínima de R$ 4,94, registrada no início da tarde, para atingir a máxima de R$ 5,018 por volta das 16h40 e diminuir a alta no fim do pregão. No mercado futuro, o contrato para maio avançou 0,74%.

No exterior, o índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de divisas também subiu, refletindo o mesmo movimento de cautela.

Dados do Banco Central mostraram ainda saída líquida de US$ 3,2 bilhões do país em abril até o dia 17, ampliando o fluxo negativo desde o início do conflito.

Bolsa acompanha exterior
O Ibovespa seguiu a tendência negativa dos mercados internacionais e fechou em queda, pressionado pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pela queda das bolsas em Nova York.

O índice chegou a oscilar entre 190.929 pontos na mínima e 193.346 pontos na máxima, com volume financeiro de R$ 24,9 bilhões.

O ambiente de maior risco foi intensificado após ações militares e estratégicas envolvendo o Estreito de Ormuz, região vital para o transporte global de petróleo. A apreensão de navios pelo Irã e ameaças militares dos Estados Unidos aumentaram a preocupação dos investidores.

Petróleo dispara
O petróleo teve forte alta, impulsionado pelo aumento das tensões e temores sobre o fornecimento global do combustível.

O barril do tipo Brent, usado nas negociações internacionais, fechou a US$ 105,07, com alta de 3,1%. O WTI avançou 3,11%, a US$ 95,85. Durante o dia, os preços chegaram a subir cerca de US$ 5 por barril.

O mercado reagiu a relatos de confrontos internos no Irã, ataques aéreos e à renúncia de um negociador-chave nas conversas indiretas com os EUA. Além disso, o controle mais rígido do Irã sobre o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, aumentou o temor de interrupções no abastecimento.

A combinação de incerteza geopolítica, restrições no transporte marítimo e declarações conflitantes de autoridades mantém os mercados sob forte volatilidade.

*Com informações da Reuters

Empresas aéreas terão linha de crédito para enfrentar alta de custos

Avião da LATAM Airlines, anteriormente TAM Linhas Aéreas, aterriza no Aeroporto de Congonhas.

As companhias aéreas ganharam uma nova ferramenta para lidar com o aumento recente de custos, especialmente com combustíveis. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira (23) uma nova linha de crédito para ajudar as empresas do setor.

A iniciativa permite que empresas de transporte aéreo doméstico peguem empréstimos para capital de giro, dinheiro para manter as operações do dia a dia, como pagamento de fornecedores, salários e despesas imediatas.

De onde vem o dinheiro
Os recursos virão do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), um fundo público voltado ao desenvolvimento do setor aéreo.

Na prática, o dinheiro será emprestado às empresas por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por bancos autorizados pela instituição.

Como vai funcionar
A linha de crédito tem regras específicas:

Prazo total: até 5 anos para pagamento;
Carência: até 1 ano sem pagar o valor principal;
Custo básico: 4% ao ano, mais taxas dos bancos.
Segundo o Ministério da Fazenda, esse modelo dá um fôlego financeiro às empresas, permitindo que enfrentem dificuldades no curto prazo antes de começar a quitar a dívida.

Governo não assume risco
Esses empréstimos não terão garantia do governo. Se a empresa não pagar, o prejuízo é do banco. As instituições financeiras serão responsáveis por analisar o risco antes de conceder o crédito.

Além disso, por se tratar de linha de uma operação financeira, não há impacto direto nas contas públicas.

Por que medida foi criada
O setor aéreo tem sido pressionado pelo aumento dos custos operacionais, principalmente com combustível, um dos principais gastos das companhias.

Com isso, as empresas enfrentam dificuldades de caixa no curto prazo.

A nova linha de crédito busca:

Evitar cancelamentos de voos;
Manter a oferta de transporte aéreo no país;
Reduzir a necessidade de repassar aumentos de custos para as passagens.
O que muda para o passageiro
A medida não reduz diretamente o preço das passagens, mas tenta evitar aumentos imediatos. Ao dar acesso a crédito mais barato, o governo espera que as empresas não precisem elevar preços rapidamente para cobrir os custos.

A nova regra entra em vigor imediatamente após a publicação. Presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, o CMN também é composto pelo presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

Governo quer converter receitas extras com petróleo em desonerações

Rio de Janeiro (RJ), 20/03/2026 - Preços dos combustíveis em posto Shell na Lapa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Governo Federal enviou nesta quinta-feira (23) ao Congresso o Projeto de Lei Complementar 114 de 2026, que cria um mecanismo para reduzir tributos sobre combustíveis caso haja aumento de arrecadação com receitas do petróleo. A proposta foi apresentada pelo líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta.

Pouco antes das 16h, o Ministério da Fazenda tinha anunciado que a medida envolveria novos cortes diretos de impostos. No entanto, o ministro Dario Durigan corrigiu a informação.

“Não estamos fazendo anúncio de redução tributária de nenhum tributo, e, sim, de um mecanismo discutido com o Congresso para minorar o impacto da guerra”, declarou o ministro, em referência aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços de combustíveis.

Proposta
A proposta prevê que receitas extraordinárias provenientes do petróleo, como royalties e venda de petróleo do pré-sal, sejam usadas para compensar reduções de impostos sobre combustíveis.

Poderiam ser abatidas as alíquotas do Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel.

A proposta inicial prevê duração do regime enquanto durar a guerra no Oriente Médio. Assim que for constatado aumento de receitas, o presidente da República poderá editar um decreto com desonerações de combustíveis.

As reduções de tributos valeriam por dois meses, com revisões após o fim do período.

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, isso permitirá a manutenção da neutralidade fiscal, sem impacto para as contas públicas.

“Se houver aumento extraordinário da receita, esse aumento servirá de compensação para redução de tributos aplicáveis a esses combustíveis”, afirmou Moretti.

De acordo com o ministro, a cada redução de R$ 0,10 nos tributos sobre a gasolina, por um período de dois meses, o impacto estimado é de R$ 800 milhões.

Articulação
A articulação política para a efetivação da medida envolve o Congresso Nacional. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o tema será discutido na próxima terça-feira com líderes da Câmara.

Segundo ele, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, demonstraram apoio à proposta.

Medidas recentes
Nos últimos meses, o governo tem adotado medidas para conter a alta dos combustíveis. Entre elas, a desoneração do PIS/Cofins sobre o diesel e a concessão de subsídios que chegaram a R$ 1,52 por litro para o diesel importado e a R$ 1,12 por litro para o nacional.

Segundo a Petrobras, os tributos federais representam cerca de R$ 0,68 do valor final ao consumidor, no cálculo que considera um preço médio de R$ 6,77 o litro.

Atualmente, o diesel e o biodiesel estão com PIS e Cofins zerado. A gasolina e o etanol, no entanto, continuam com a mesma tributação de antes do início da guerra.

Governadora Raquel Lyra e ministro George Santoro entregam duplicação da BR-104, obra aguardada há 10 anos pelo Polo de Confecções

A governadora Raquel Lyra entregou, nesta quinta-feira (23), ao lado do ministro dos Transportes, George Santoro, a obra de duplicação e restauração da BR-104, no Agreste Central. Depois de dez anos de espera, a população pode contar com mais segurança e fluidez no trecho que possui mais de 13 quilômetros e contempla o entroncamento com a PE-160 — no distrito de Pão de Açúcar, em Taquaritinga do Norte — e a Vila Canaã, em Caruaru, além de conectar outros municípios do Polo de Confecções, como Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. O investimento foi superior a R$ 134 milhões. Também nesta quinta (23), foram entregues as chaves da casa própria a 123 famílias moradoras do condomínio Quinta das Baraúnas (etapa 3), em Caruaru, em mais uma ação que prioriza a habitação social no Estado. A vice-governadora Priscila Krause também participou da entrega das chaves no evento.

“Muito aguardada pela população, inauguramos hoje a duplicação desta via tão importante que é a BR-104 no trecho entre Caruaru e Toritama. Essa era uma demanda histórica e estratégica para a mobilidade e o desenvolvimento econômico do Agreste. Além disso, entregamos aqui 123 chaves para que famílias possam realizar o sonho da casa própria. Isso é fruto de uma forte parceria entre o Governo do Estado e o governo federal. Em Pernambuco, mais de 22 mil pessoas já realizaram sua aquisição. E assim seguimos em busca de melhores condições para o nosso povo pernambucano”, declarou a governadora Raquel Lyra.

A intervenção na BR-104 incluiu a duplicação da via e a requalificação da infraestrutura, com serviços de pavimentação, drenagem e sinalização. As melhorias garantem mais segurança viária e melhores condições de tráfego.

O ministro dos Transportes, George Santoro, destacou a melhoria na trafegabilidade com esta entrega. “O povo pernambucano está em festa. Este projeto foi essencial para melhorar a vida das pessoas e dar condições para os empreendedores se desenvolverem em sua terra”, disse.

A expectativa é de que a obra fortaleça o escoamento da produção do Polo de Confecções, reduza custos logísticos e contribua para a integração regional, atendendo a uma antiga demanda da população e do setor produtivo. “A duplicação da BR-104 é uma obra bastante esperada, principalmente pelo Polo de Confecções do Agreste, o segundo maior polo do segmento no Brasil. Estamos falando de uma estrada que, além de garantir segurança viária, vai trazer desenvolvimento econômico diretamente para todo o interior”, afirmou o secretário da Semobi, Pedro Neves.

A entrega faz parte do programa PE na Estrada, iniciativa do Governo de Pernambuco que já restaurou mais de 1,5 mil quilômetros de rodovias em todo o Estado, com investimento superior a R$ 7 bilhões, ampliando a infraestrutura viária e garantindo mais segurança e mobilidade para a população.

Entusiasmado, o prefeito de Toritama, Sérgio Colin, agradeceu pela obra tirada do papel. “A BR-104 deixou de ser promessa e virou realidade. Foram anos de espera por uma obra que hoje muda a vida de quem passa por aqui todos os dias. Mais mobilidade, mais segurança e desenvolvimento para o nosso povo. O que estava parado agora está andando e fazendo Pernambuco avançar”, pontuou.

Também nesta quinta (23), a governadora Raquel Lyra entregou as chaves a 123 famílias que passam a morar no residencial Quinta das Baraúnas, em Caruaru. O empreendimento da construtora Hexagonal contou com incentivo do programa Morar Bem PE – Entrada Garantida, que disponibiliza até R$ 20 mil para quem ganha até dois salários mínimos.

O presidente da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), Paulo Lira, comentou sobre o desafio do programa Morar Bem. “No Governo do Estado, temos a missão de devolver o sonho da casa própria para aquelas pessoas que haviam desistido por não ter como pagar a entrada do imóvel”, afirmou.

As residências possuem 49,38 m² de área construída, com dois quartos, sala, banheiro com suíte reversível, sistema de esgotamento sanitário e abastecimento de água fornecidos pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), suprimento de energia elétrica licenciado pela Neoenergia, pavimentação em piso intertravado e sistemas de drenagem superficial e subsuperficial.

O programa tem sido responsável por aquecer o mercado imobiliário do Estado, gerando mais empregos diretos e indiretos, sobretudo na construção civil, movimentando mais de R$ 2 bilhões por ano. O residencial Quinta das Baraúnas (etapa 3) conta com 464 unidades habitacionais, sendo 123 delas financiadas com subsídio do programa Morar Bem PE.

Prestigiando as agendas, o senador Fernando Dueire discursou sobre a parceria do Governo do Estado com o governo federal. “A casa é a base da nossa vida. É através dela que a gente se sente seguro e se desenvolve. Que alegria termos um governo com esse programa e que faz parceria com o governo federal para entregar melhor habitação ao nosso povo”, enfatizou.

Já o deputado federal Túlio Gadelha falou da complementaridade do Morar Bem com o Minha Casa, Minha Vida. “O Minha Casa Minha Vida do governo federal e o Morar Bem Pernambuco são programas que se complementam. São políticas públicas como esta que facilitam a vida de quem mais precisa”, ressaltou. O deputado estadual Abimael ressaltou o trabalho do Governo. “Finalmente temos uma gestão que destrava obras importantes, como a entrega dessa estrada e cuida da população”, completou.

Durante a entrega das unidades habitacionais, o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, destacou a importância do momento para as famílias beneficiadas. “Além de chaves, estão sendo entregues mais dignidade e segurança ao ter um lar pra chamar de seu”, afirmou.

Estiveram presentes nas agendas o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça; os deputados estaduais Joaquim Lira e Edson Vieira; os prefeitos Rael Ferreira (Vertente), Eder Waltter (Vicência), Gena Lins (Taquaritinga do Norte), Fátima Borba (Cortês), Júnior de Beto (Palmares), Severino Silvestre (Passira), Beto do Sargento (Belém de Maria), Dió Filho (Riacho das Almas) e Joselito Gomes (Gravatá); os ex-prefeitos Miguel Coelho (Petrolina) e Edilson Tavares (Toritama); além de outras lideranças da região.

Santa Cruz do Capibaribe amplia acesso à saúde com teleatendimento em cinco especialidades

A Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe, por meio da Secretaria de Saúde, deu início a uma nova frente de atenção à saúde da população: o teleatendimento em cinco especialidades médicas. O serviço representa um avanço significativo no acesso a cuidados especializados para moradores de localidades mais distantes do centro.

As consultas por teleconsulta passam a contemplar as áreas de pré-natal de alto risco, psiquiatria, ginecologia de alto risco, oncopediatria e estomatologia. O atendimento é realizado com o paciente acompanhado por um profissional de saúde da própria unidade básica, garantindo suporte presencial durante toda a consulta.

Numa primeira fase, o serviço atende às unidades básicas de saúde de Poço Fundo, Santa Filomena, Malhada do Meio e Santo Agostinho. O agendamento é feito diretamente pelas equipes de cada unidade, de acordo com a necessidade clínica identificada pelos profissionais de saúde.

A iniciativa integra a estratégia municipal de digitalização dos serviços de saúde, aproximando especialistas de pacientes que, de outra forma, precisariam se deslocar para acessar esse tipo de atendimento.

VEJA como se vacinar no Dia D da Campanha de Influenza Municipal em Caruaru

A Prefeitura de Caruaru, por meio da Secretaria de Saúde, realiza no próximo sábado (25) o Dia D da Campanha de Vacinação contra a Influenza 2026. A ação tem como objetivo ampliar a cobertura vacinal e reforçar a proteção da população, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

A mobilização acontecerá em diversos pontos da cidade, com horários estendidos para facilitar o acesso da população aos locais de vacinação.

Podem se vacinar: crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, idosos, trabalhadores da saúde, puérperas, professores, profissionais das forças de segurança e salvamento, integrantes das forças armadas, trabalhadores portuários, pessoas com deficiência permanente, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, adolescentes em medidas socioeducativas (de 12 a 21 anos), pessoas privadas de liberdade, profissionais do sistema prisional, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições especiais, população em situação de rua, povos indígenas, quilombolas e trabalhadores dos Correios.

Para se vacinar, é necessário apresentar cartão do SUS ou CPF, além do cartão de vacinação. Informações sobre locais e horários: https://www.instagram.com/p/DXen35HE7b6/?igsh=MTBwNTNqMmNhNGNsZg==