“Taxa das blusinhas” preservou 135 mil empregos, estima CNI

01/06/2024 - Brasília, A chamada “taxa da businha”, cobrança de Imposto de Importação para compras de até US$ 50 (equivalente a cerca de R$ 260), deve ser votada pelo Senado na próxima semana, de acordo com o presidente da Casa, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O tributo ganhou esse apelido por impactar principalmente compras de itens de vestuário feminino por meio de varejistas internacionais. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Apesar de impopular, a cobrança de imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, conhecida como “taxa das blusinhas”, teve efeitos positivos para o país, revelou levantamento divulgado nesta quarta-feira (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo a entidade empresarial, a medida ajudou a conter importações, preservou mais de 100 mil empregos e movimentou a economia brasileira. Bilhões de reais em produtos estrangeiros deixaram de ser comprados, ao mesmo tempo em que o imposto reforçou o caixa da União, disse a confederação.

A CNI calculou os efeitos do Imposto de Importação, com base no valor médio das remessas em 2025, comparando o volume de importações projetado pela confederação para o ano passado e o valor que foi efetivamente registrado.

Principais números do levantamento
R$ 4,5 bilhões em importações evitadas;
135,8 mil empregos preservados no país;
R$ 19,7 bilhões que circularam na economia brasileira;
Queda de 10,9% no número de encomendas internacionais de 2024 a 2025;
Recuo de 23,4% no número de remessas no primeiro semestre de 2025 em relação ao primeiro semestre de 2024, antes da entrada em vigor;
Arrecadação de R$ 1,4 bilhão com o imposto em 2024, e de R$ 3,5 bilhões, em 2025.
De acordo com a CNI, a tributação reduziu a concorrência desleal dos produtos importados, principalmente da China, dando fôlego à indústria brasileira.

“O objetivo principal da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas proteger a economia. Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que nós possamos manter empregos e gerar renda”, afirmou em nota Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI.

“Ninguém aqui é contra as importações. Elas são bem-vindas, aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”, acrescentou.

Como funciona a taxa
A medida estabelece a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A regra entrou em vigor em agosto de 2024, dentro do programa Remessa Conforme, criado para regulamentar o comércio eletrônico internacional.

Na prática, o imposto é cobrado no momento da compra, o que facilita a fiscalização e reduz fraudes.

Efeito nas importações
Com a nova regra, o volume de encomendas caiu:

Em 2024, foram 179,1 milhões de remessas para o Brasil;
Em 2025, o número recuou para 159,6 milhões.
Sem a taxação, a projeção da indústria era de que o número chegaria a mais de 205 milhões de pacotes, o que mostra o impacto direto da medida na redução das compras no exterior.

Antes da mudança, produtos importados de baixo valor muitas vezes entravam no país sem pagar todos os tributos, enquanto itens nacionais eram taxados normalmente.

Segundo a CNI, isso gerava uma concorrência desigual. Com a nova regra, há maior equilíbrio entre produtos nacionais e estrangeiros.

Combate a fraudes
A CNI complementa que a “taxa das blusinhas” também inibiu práticas como subfaturamento, divisão de pedidos e uso indevido de isenções, que eram comuns antes da taxação.

Com o novo sistema, as plataformas internacionais precisam informar e recolher os impostos no ato da venda, o que aumenta o controle e reduz irregularidades.

Impacto econômico
Além de reduzir importações, a medida elevou a arrecadação federal com importações de pequeno valor, que passou de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025.

Para a indústria, informou a CNI, o principal efeito é a proteção da produção nacional, com manutenção de empregos e geração de renda no país.

Anvisa aprova Mounjaro para criança e adolescente com diabetes tipo 2

Young girl having finger prick test.No use: BBC, Pearson, Oxford University Press, Springer Nature, Dorling Kindersley, Cambridge University Press & Assessment, New Scientist, Bonnier Publications, John Wiley & Sons, The Lancet, BMJ. Criança teste de glicemia

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (22) o uso do medicamento Mounjaro para tratar diabetes tipo 2 em crianças a partir de 10 anos. Até então, a indicação era apenas para uso adulto.

Em nota, a Anvisa informou que as demais indicações do medicamento permanecem para uso adulto. “A única mudança foi a ampliação da população-alvo para tratamento de diabetes, que era apenas de uso adulto e agora passa a ser de uso pediátrico”.

O Mounjaro é um dos diversos medicamentos  da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

Manipulação

Na próxima semana, a diretoria colegiada da Anvisa discute uma proposta de instrução normativa sobre procedimentos e requisitos técnicos que tratarão da manipulação de canetas emagrecedoras.

A nova norma fará parte de um conjunto de estratégias que integram o plano de ação anunciado no último dia 6, composto por medidas regulatórias e de fiscalização relacionadas a esse tipo de medicamento.

Grupos de trabalho

Na semana passada, a agência publicou portarias que criam dois grupos de trabalho para dar suporte à atuação da autarquia no controle sanitário e garantir a segurança de pacientes que utilizam canetas emagrecedoras.

O primeiro grupo, formalizado pela Portaria 488/2026, será formado por representantes do Conselho Federal de Farmácia (CFF), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Odontologia (CFO).

Já a Portaria 489/2026 institui o segundo grupo, que vai acompanhar e avaliar a implementação de um plano de ação proposto pela Anvisa e subsidiar a tomada de decisão da diretoria colegiada a partir da proposição de medidas de aprimoramento.

Ibovespa cai e dólar fecha estável em dia de tensão externa

Dólar

Num dia marcado por cautela nos mercados diante das tensões no Oriente Médio, a bolsa caiu mais de 1,5%, enquanto o dólar ficou praticamente estável, abaixo de R$ 5. Investidores reagiram à realização de lucros (venda de ações para embolsar ganhos recentes) na bolsa brasileira e às incertezas geopolíticas, que também impulsionaram os preços do petróleo.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira recuou 1,65%, aos 192.888 pontos, no menor nível desde 8 de abril. O movimento reflete ajustes após altas recentes e uma reavaliação de riscos por parte dos investidores.

As ações de bancos e de mineradoras, com grande peso no índice, lideraram as perdas e pressionaram o desempenho geral. Por outro lado, ações ligadas ao setor de energia ajudaram a limitar as perdas, acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional. Ainda assim, o saldo do dia foi negativo.

Dados recentes também apontam uma redução na entrada de capital estrangeiro na bolsa, o que contribuiu para o enfraquecimento do índice.

Dólar estável
O dólar à vista encerrou o dia praticamente estável, com leve queda de 0,01%, cotado a R$ 4,974. A cotação está no menor nível desde 25 de março de 2024.

Apesar da estabilidade no fim do pregão, a moeda oscilou ao longo do dia, refletindo a cautela dos investidores diante das incertezas externas, especialmente relacionadas ao conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

No ano, o dólar acumula queda de 9,39% frente ao real, indicando um movimento de valorização da moeda brasileira em meio ao fluxo de capital e à diferença de juros entre o Brasil e o exterior.

Petróleo em alta
Os preços do petróleo subiram com força e voltaram a superar o patamar de US$ 100 por barril, impulsionados pelas tensões no Oriente Médio.

O barril do tipo Brent, referência para as negociações internacionais, avançou 3,5%, a US$ 101,91. O barril WTI, do Texas, subiu 3,66%, a US$ 92,96.

A alta foi motivada por incertezas sobre a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã, além de novos episódios na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

Mesmo com a prorrogação do cessar-fogo anunciada pelo presidente Donald Trump, o cenário permanece instável, sustentando a pressão sobre os preços do petróleo.

* com informações da Reuters

Polícia Federal retira credenciais de agente de imigração dos EUA

Brasília (DF), 09/07/2025  - Diretor-geral da PF,  Andrei Rodrigues,  durante audiência na Comissão de Segurança da Câmara. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, retirou as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília.

Segundo ele, a iniciativa é um ato do governo brasileiro em reciprocidade à decisão do governo estadunidense de determinar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da PF, dos EUA.

“Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, afirmou Andrei durante entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews.

A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Federal para confirmar a informação e também para pedir detalhes sobre a substituição do delegado Marcelo Ivo pela delegada Tatiana Alves Torres.

Até a redação desta nota, não havia recebido retorno.

Entenda
Na última segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora a postagem não cite nomes, o texto indica que se trata de um delegado da Polícia Federal envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

Ramagem foi solto na última quarta-feira (15) após ficar dois dias preso na Flórida.

O ex-deputado foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista.

Na terça-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o caso durante viagem à Alemanha, e falou em em reciprocidade.

“Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula.

“Fizeram conosco, a gente vai fazer com eles”, diz Lula sobre EUA

Brasília (DF), 14/04/2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista ao Brasil247, Revista Fórum e DCM, no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta quarta-feira (22) a ação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília.

Segundo Lula, a medida corresponde ao princípio da reciprocidade.

“Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse Lula, em vídeo nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

A iniciativa brasileira ocorreu após o governo dos Estados Unidos determinar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da PF, do país. O delegado teria atuado na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou, em nota publicada na rede X, que a representante da embaixada norte-americana foi comunicada ontem (21) que o Brasil iria aplicar o princípio da reciprocidade “diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso”, como prevê acordo bilateral de cooperação na área policial.

“A medida tão pouco observa boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação”, diz a nota.

“O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança”, acrescenta, afirmando ainda sobre a adoção do mesmo tratamento ao agente norte-americano.

Entenda o caso
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou na última segunda-feira (20) que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do território dos Estados Unidos. Embora a postagem não cite nomes, o texto indica que se trata do delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

Ramagem foi solto na última quarta-feira (15) após ficar dois dias preso na Flórida. O ex-deputado Alexandre Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista.

Após a condenação, ele perdeu o mandato e fugiu do país para evitar o cumprimento da pena e passou a residir nos Estados Unidos.

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Em abril, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americano ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos.

Segundo a corporação, o ex-deputado foi detido na cidade de Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

Novos agentes
No vídeo nas redes sociais, Lula anunciou ainda a contratação de 1 mil novos agentes, que irão reforçar a atuação da PF nos portos, aeroportos e regiões de fronteira. De acordo com o presidente, a medida faz parte do compromisso do governo de combate ao crime organizado.

CCJ da Câmara aprova avanço de PECs que propõem redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade de duas propostas de emenda à Constituição (PECs) que reduzem a jornada de trabalho no país. Na prática, as PECs acabam com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1). Os textos serão agora analisados por uma comissão especial e depois pelo Plenário.

O relator, deputado Paulo Azi (União-BA), concluiu que as propostas respeitam os requisitos formais e não violam cláusulas pétreas da Constituição Federal.

A PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), propõe reduzir a jornada semanal gradualmente das atuais 44 para 36 horas. A transição se daria ao longo de dez anos. A proposta apensada (PEC 8/25), da deputada Erika Hilton (Psol-SP), prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

Jornada de trabalho é o limite de horas cumpridas pelo trabalhador em um período. Escala é a forma como os dias de serviço e repouso são distribuídos.

As duas propostas ganharam força com o movimento “Vida Além do Trabalho”, que busca o fim da escala 6×1 para melhorar a saúde mental e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Atualmente, a Constituição Federal estabelece apenas que a jornada normal do trabalhador não deve ser superior a oito horas diárias e 44 horas semanais.

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Tarcísio Motta criticou a exaustão causada pelo modelo atual

Apelo popular
Ao defender o fim da escala 6×1, o relator classificou as mudanças como uma resposta ao desejo da sociedade e destacou que a jornada atual penaliza severamente os trabalhadores de baixa renda, em especial mulheres e jovens, que precisam de tempo para os estudos e afazeres domésticos.

“Hoje, no Brasil, quem mais trabalha efetivamente é quem ganha menos”, disse Azi.

Debate
Durante o debate na CCJ, o deputado Reginaldo Lopes, autor da PEC 221/19, definiu a atual escala 6×1 como “escravidão moderna” que prejudica a saúde de 31,7 milhões de trabalhadores. Ele argumentou que a mudança na jornada aumentará a produtividade e a formalização do emprego, combatendo o estresse que afasta do trabalho 500 mil pessoas por ano e sobrecarrega a Previdência Social.

A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) considera a redução da jornada, se aprovada, uma vitória da mobilização popular. “Mais de 70% da população brasileira é favorável”, disse.

Já os deputados Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) e Tarcísio Motta (Psol-RJ) enfatizaram os efeitos da escala 6×1 na saúde e nas relações familiares. Motta criticou a exaustão causada pelo modelo, dizendo que o trabalho, que deveria dignificar, “está sendo um motivo de sofrimento”.

Também apoiaram sem ressalvas a proposta de redução da jornada de trabalho os deputados Helder Salomão (PT-ES), Alencar Santana (PT-SP), Rubens Pereira Júnior (PT-MA), Patrus Ananias (PT-MG), Erika Kokay (PT-DF), Túlio Gadêlha (PSD-PE) e Marina Silva (Rede-SP).

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Kim Kataguiri disse que a proposta é só propaganda política

Por sua vez, o deputado Lucas Redecker (PSD-RS), apesar do apoio, alertou para um possível “impacto econômico negativo”, com um aumento de 22% no custo de produção, que poderia, segundo ele, gerar aumento de preços e desemprego.

Redecker sugeriu medidas de compensação aos empregadores, como a desoneração da folha. “Não existe patrão sem empregado, nem empregado sem patrão”, disse.

O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) rebateu o argumento de aumento de preços. “A medida não vai aumentar preço de serviço nem preço de produtos porque 66% dos trabalhadores formalizados com carteira de trabalho assinada já atuam nessa condição de 5 por 2. São mais de 30 milhões de brasileiros”, disse.

Os deputados Kim Kataguiri (MISSÃO-SP), Fausto Pinato (PP-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) se manifestaram contra as PECs, argumentando que a medida é eleitoreira e não resolve o problema dos trabalhadores.

Kataguiri disse que a medida não beneficia os trabalhadores informais, “que são a maioria no Brasil”, e disse que a proposta serve apenas como propaganda política. Segundo ele, se houvesse real vontade política, o caminho seria um projeto de lei com urgência constitucional, focado no aumento da produtividade e no corte de impostos.  “O trabalhador vai enxergar que foi enganado, que foi objeto de um palanque político populista, demagogo e mentiroso”, disse.

Sóstenes afirmou que o PL deseja modernizar a legislação trabalhista, mas alertou que “uma mudança apressada” pode gerar desemprego e uma “quebradeira geral na economia”. Ele sugeriu que o debate deve ser feito com equilíbrio, buscando proteger tanto o interesse do trabalhador quanto a sustentabilidade dos setores econômicos.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Forró na Caixa leva “Baile de Rabeca” para Caruaru

Caruaru recebe, no próximo dia 9 de maio, o show do grupo recifense Forró na Caixa. A apresentação será na Casa de Chico Oliveira, no bairro Universitário, e promete transformar o espaço em um grande “Baile de Rabeca”, unindo tradição e contemporaneidade. Esta é a primeira vez que o grupo se apresenta no espaço, conhecido pela identidade de preservação da cultura regional. Os ingressos custam entre R$ 40 (meia entrada) e R$ 360 (mesa para quatro pessoas) e já estão disponíveis por meio do Sympla, no link:  https://www.sympla.com.br/evento/forro-na-caixa/3380098.

Com 13 anos de trajetória, o Forró na Caixa é conhecido por sua fusão entre o forró pé-de-serra e uma pegada contemporânea, sem abrir mão da identidade da cultura popular. À frente do grupo estão Martins (voz e rabeca), Ju Valença (zabumba), Rodrigo Samico (baixo) e Rodrigo Felix (percussão), que conduzem o público a uma verdadeira celebração da música nordestina, com repertório dançante e atmosfera de festa de terreiro.

No palco, a rabeca ganha protagonismo ao lado das batidas marcadas da zabumba e das percussões, criando uma sonoridade que dialoga tanto com os bailes tradicionais da Zona da Mata de Pernambuco quanto com a cena atual da música brasileira. O resultado são shows marcados por energia cativante, coreografias espontâneas e forte interação com o público, convidado o tempo todo a dançar, cantar e “entrar na roda”.

O grupo já levou seu baile de rabeca para diversas cidades do Brasil e também para a Europa, onde se destacou pela originalidade, pela força cênica e pelo resgate contemporâneo de matrizes da cultura popular. Agora, chega a Caruaru para um encontro especial com o público de uma das cidades mais simbólicas do forró, reforçando laços entre tradição, inovação e pertencimento cultural. A apresentação é uma produção da LAS Produções.

Serviço

Forró na Caixa em Caruaru

Data: 09/05/2026

Horário: 19h

Local: Casa de Chico Oliveira, PE-095, bairro Universitário, Caruaru (PE).

Ingressos: entre R$ 40 meia entrada) e R$ 360 (mesa para 4 pessoas).

Vendas: plataforma Sympla – evento “Forró na Caixa”

(https://www.sympla.com.br/evento/forro-na-caixa/3380098)

Produção: LAS Produções

Câmara de Caruaru empossa suplente e registra mudanças na composição do Legislativo

A Câmara Municipal de Caruaru realizou, na manhã desta quarta-feira (22), a posse do suplente Wagner do Santa Rosa (PDT), que passa a integrar oficialmente o Legislativo municipal.

A mudança ocorre após o afastamento do vereador Fagner dos Animais (PDT), que deixa temporariamente a Casa para assumir a Secretaria de Sustentabilidade e Bem-Estar Animal do município.

Com a movimentação, Wagner do Santa Rosa assume a vaga no Parlamento. A alteração também repercute no Executivo e no próprio Legislativo: Renato Lyra retorna à Câmara após deixar a secretaria que ocupava, encerrando o período de atuação da vereadora Aline Nascimento (PP).

A reconfiguração impacta ainda a dinâmica da base governista. Renato Lyra passa a exercer a função de líder do governo na Casa, enquanto Wagner do Santa Rosa assume a vice-liderança, consolidando uma nova organização no Legislativo municipal.

A posse marca mais um ajuste institucional na composição da 19ª Legislatura da Câmara de Caruaru, mantendo a continuidade dos trabalhos legislativos e das representações políticas no município.

Governadora Raquel Lyra abre etapa do Clipe no Grande Recife e reforça importância do acesso a livros

A governadora Raquel Lyra comandou, nesta quarta-feira (22), a abertura da etapa metropolitana do Circuito Literário de Pernambuco (Clipe) 2026. A gestora foi recebida por estudantes e profissionais da rede estadual no Centro de Convenções, em Olinda, e visitou os estandes da feira. Com programação gratuita até o dia 28 de abril, o evento reúne editoras, atividades formativas e atrações culturais, consolidando-se como uma das principais iniciativas educacionais do Estado. A chefe do Executivo destacou a importância de garantir formação contínua aos profissionais e mais acesso à cultura aos alunos.

“Pelo terceiro ano consecutivo estamos com o Clipe abraçando o Estado inteiro. Nós descentralizamos uma feira de livros que não é só isso, mas também promove debates, seminários. Beneficiamos mais de 44 mil profissionais da educação com o bônus para compra de livros e materiais que vão ajudar na formação e também permitir que eles mergulhem na leitura. Para nós, é um prazer garantir a formação contínua dos nossos profissionais, a ampliação da nossa rede pública, a infraestrutura e também o acesso a mais cultura”, afirmou a governadora Raquel Lyra.

A etapa do Grande Recife marca a terceira fase do circuito, que já passou por Serra Talhada e Petrolina, no Sertão, e seguirá para Caruaru, no Agreste, no mês de maio. O Clipe 2026 está alinhado ao tema do ano letivo “Educação para a Cidadania Digital e Midiática: Formando Cidadãs e Cidadãos Críticos e Responsáveis” e propõe uma abordagem interdisciplinar voltada ao uso consciente das tecnologias, ao combate à desinformação e à formação crítica dos estudantes.

De acordo com o secretário de Educação, Gilson Monteiro, a proposta é promover uma educação que use a tecnologia como aliada na formação dos estudantes. “Hoje os padrões de tecnologia, de telas, são importantes para aproximar a gente, mas não pode nos distanciar daquilo que é o objeto maior, ainda mais dentro da educação, que é a leitura. É a condição de que cada leitura, cada processo que a gente faz, possa trazer uma percepção diferente para a sociedade, de começar a interpretar, a entender os processos”, explicou o titular da pasta.

A etapa metropolitana reunirá mais de 20.700 profissionais da educação, entre professores, analistas e assistentes administrativos, vinculados às Gerências Regionais de Educação (GREs) da Região Metropolitana e das Zonas da Mata Norte e Mata Centro. Todos os professores são contemplados com o Bônus-Livro de R$ 1.090,14, enquanto analistas e assistentes administrativos recebem R$ 545,07 para adquirir livros diretamente nos estandes.

Aluna da EREM Eurico Queiroz, de Bezerros, no Agreste Central, Ana Letícia Costa recebeu o prêmio “Aluno Escritor” e comemorou a conquista. “Fico muito feliz por esse momento tão especial, é um reconhecimento muito importante para mim. Acho o Clipe muito interessante, temos as feiras e, por outro lado, apresentações culturais, palestras, é algo muito construtivo”, disse a jovem de 17 anos.

Presente no evento, o deputado federal Mendonça Filho afirmou que iniciativas como o Clipe mostram o compromisso da gestão com a educação. “Essa é a grande obra transformadora que o Governo do Estado vem trazendo. Qualquer área que se analise, da segurança até a educação, percebemos que Pernambuco vive um tempo de mudança”, disse o parlamentar.

Nesta edição, o evento conta com uma estrutura composta por 51 estandes e um acervo com obras de mais de 600 editoras. A programação acontece diariamente até a próxima terça-feira (28), das 9h às 21h, com palestras, oficinas, rodas de conversa e apresentações culturais.

Acompanharam o evento os ex-prefeitos de Petrolina, Miguel Coelho, e de Itapissuma, Zé de Irmã Teca; o vice-prefeito de Olinda, Chiquinho; os presidentes dos órgãos estaduais João Baltar Freire (Companhia Editora de Pernambuco) e Eduardo Loyo (Empresa de Turismo de Pernambuco), e outras lideranças políticas.

Ao lado do Brasil, Senegal persegue protagonismo no Sul Global

 Dacar - 21/04/2026 - Fórum Internacional de Dacar. Foto- Divulgação
© Divulgação

Com uma população de quase 4 milhões de pessoas na região metropolitana, a capital do Senegal, Dacar, é o ponto do continente africano mais próximo das Américas – apenas 2,9 mil quilômetros separam Dacar e o Brasil. A cidade é sede do 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, evento de dois dias que terminou nesta terça-feira (21).

O encontro reúne chefes de Estado e representantes de 38 países – sendo 18 dos 54 africanos – além de integrantes de dez organismos internacionais, como Organização das Nações Unidas (ONU) e União Europeia (EU). O Brasil está representado pela embaixadora no Senegal, Daniella Xavier.

 Dacar - 21/04/2026 - Fórum Internacional de Dacar. Foto- Divulgação
Dacar – 21/04/2026 – Abertura do 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África. Foto: Divulgação

Na cerimônia de abertura, o presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, classificou Dacar como uma capital do diálogo estratégico africano e internacional.

“Um espaço de reflexão e troca sobre caminhos para desenvolver soluções endógenas [internas] para os desafios de segurança do continente”, discursou.

Além de diagnosticar desafios, debater temas e propor soluções para o continente, o evento é uma forma de reforçar o protagonismo do Senegal na região. O país se destaca por ser considerado um dos mais estáveis da África.

Mais que a liderança regional, o país de quase 19 milhões de habitantes busca estender a influência internacional em parceria com outras regiões do mundo, notadamente o chamado Sul Global, do qual o Brasil também busca ser expoente, conforme avaliam profundos conhecedores das relações internacionais entrevistados pela Agência Brasil.

Histórico de paz e estabilidade

O diplomata Leonardo Santos Simão, chefe do Escritório da ONU para a África Ocidental e Sahel, destaca que o Senegal tem uma história de desenvolvimento da paz e estabilidade, sem nunca ter sofrido um golpe de Estado.

O moçambicano lembra que a África enfrenta momentos “conturbados” por causa de conflitos internos, regionais, terrorismo e crime organizado.

A região do Sahel, faixa continental de costa a costa que marca a transição entre o deserto do Saara e as savanas ao Sul, é apontada como epicentro do terrorismo internacional, sofrendo ameaças de grupos jihadistas (extremistas islâmicos), como Al-Qaeda e Estado Islâmico.

 Dacar - 21/04/2026 - Fórum Internacional de Dacar.  Leonardo Santos Simão - Representante Especial do Secretário-Geral junto do Escritório das Nações Unidas para a África Ocidental e do Sahel - CRÉDITO Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
Dacar – 21/04/2026 – Chefe do Escritório da ONU para a África Ocidental e Sahel, Leonardo Santos Simão. Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil

A edição 2026 do Índice de Terrorismo Global aponta que a região responde por mais da metade de todas as mortes por terrorismo no mundo em 2025, concentradas em três países: Mali, Burkina Faso e Niger.

As demais nações da região são Senegal, Gâmbia, Mauritânia, Guiné, Chade, Camarões e Nigéria.

“Senegal, através deste diálogo regular, oferece justamente esse espaço de troca de ideias, de troca de opiniões sobre como enfrentar, na prática, esses desafios do nosso tempo”, disse o diplomata, destacando que o fórum recebe representantes de países de fora da África.

Sul Global

O representante da ONU enfatizou que o Senegal faz parte de uma aglutinação internacional defendida pelo Brasil, o Sul Global – grupo de nações em desenvolvimento que compartilham problemas sociais.

Simão assinala que o Sul Global serve como instância para uma espécie de diálogo interno do Sul, de modo a identificar quais são os desafios comuns; e também na interlocução entre o Sul Global e o Norte Global (países ricos).

“Este Sul está cada vez mais unido”, disse. “Senegal é parte desse esforço também. Está no mesmo diapasão que o Brasil e outros países do Sul no trazer desta voz do Sul Global para que sejam encontradas soluções para os problemas da pobreza e da exclusão”, sustentou.

Leonardo Simão aponta ainda que a soberania dos países africanos “é um imperativo cada vez maior”.

Para ele, os países do Norte têm que entender que “as relações do passado já não são aceitas, precisam ser revistas”.

Entre as delegações estrangeiras no Fórum Internacional de Dacar estão integrantes de governos europeus que possuem passado de política colonial, como Alemanha, Espanha, Portugal e a França – que colonizou Senegal até 1960.

Soft power

O professor moçambicano Carlos Lucas Mamboza, especialista em Estudos Estratégicos, Segurança e Defesa, considera que a realização do fórum é um “instrumento claro” de soft power.

No jargão do mundo diplomático, soft power é a habilidade de influenciar relações internacionais por meio de atração e persuasão, em vez de coerção e uso de força militar.

“Procura projetar a imagem de um Estado estável, com capacidade institucional, capacidade de mediação dos conflitos na zona do Sahel, mas também na África como um todo”, explica diretamente de Maputo, capital de Moçambique.

O tema do fórum deste ano é “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”.

Para Mamboza, também professor de África na Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF), a escolha do assunto evidencia um grande dilema que os Estados africanos têm sofrido.

“É a necessidade de equilibrar uma estabilidade interna, os processos de integração regional e a preservação da soberania em um cenário internacional marcado por uma intensa competição entre as grandes potências, nomeadamente China, a Rússia e os Estados Unidos”.

O professor ressalta que o encontro apresenta agenda mais ampla, trazendo questões relacionadas a mudanças climáticas, pandemias, criminalidade transnacional, cibersegurança e assuntos tecnológicos.

“Indica um esforço do continente em se posicionar de forma autônoma na definição de suas próprias prioridades estratégicas”, completa.

América do Sul

Carlos Lucas Mamboza destaca que Senegal também apresenta uma fase diplomática ligada à América do Sul e ao Brasil. O país é um dos integrantes da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), aliança com mais de 20 países, a maioria africanos, voltada para a manutenção da parte Sul do Oceano Atlântico livre de guerras e de disputas geopolíticas.

Há menos de duas semanas, o Brasil assumiu a liderança do grupo, em um evento no Rio de Janeiro.

“Senegal emerge como um elo importante entre a África Ocidental e o espaço estratégico do Atlântico Sul, conectando-se diretamente com os interesses do Brasil”.

Nas palavras do professor, é uma cooperação Sul-Sul. Ao comentar interesses conjuntos dos dois países, Mamboza citou a defesa de reformas na governança global. Um exemplo é no Conselho de Segurança (CS) da ONU, pleito antigo do Brasil e de africanos.

Atualmente, apenas cinco países têm presença permanente no conselho e poder de veto (Rússia, Estados Unidos, China, Reiuno Unido e França), nenhum deles da América do Sul ou da África.

Entre as funções do CS estão a imposição de sanções internacionais e permitir intervenção militar.

Estados Unidos

O protagonismo buscado por Senegal foi reconhecido pela delegação dos Estados Unidos que seguiu para Dacar, conforme o subsecretário adjunto do Departamento de Estado (equivalente ao Ministério das Relações Exteriores), Richard Michaels.

“A liderança do Senegal em questões de segurança regional demonstra o impacto transformador que os países africanos podem alcançar quando traçam seu próprio caminho rumo ao sucesso”, afirmou.

“Saudamos uma nova fase de liderança africana, com atores nacionais e regionais à frente do enfrentamento dos desafios do continente — sejam eles econômicos, de segurança ou políticos”, completa o diplomata dos Estados Unidos.

Richard Michaels afirmou ainda que os Estados Unidos estão “redefinindo de forma essencial” a relação com parceiros africanos, “agora baseada em comércio mutuamente benéfico, em vez de ajuda e dependência”.

Minerais críticos

O representante do governo americano deixou claro que o país tem interesse em participar da cadeia de exploração dos chamados minerais críticos, recursos essenciais para tecnologias modernas, defesa e transição energética.

“África é o epicentro da corrida global por minerais críticos”, definiu.

“Estamos trabalhando com parceiros africanos para construir cadeias de suprimentos seguras, transparentes e comercialmente viáveis, que garantam que os países africanos capturem mais valor de seus próprios recursos”, concluiu.

* O repórter viajou a convite do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Estrangeiro.