A duas semanas dos Jogos, PF prende grupo acusado de preparar ato terrorista na Olimpíada

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (21) um grupo de dez pessoas suspeitas de preparar atos de terrorismo durante os Jogos Olímpicos do Rio, que começam daqui a duas semanas. As prisões foram feitas pela Operação Hashtag, que apura a participação de brasileiros em células internacionais de organizações terroristas como o Estado Islâmico. Em coletiva de imprensa, o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, afirmou que o grupo se comunicava por aplicativos de troca de mensagens.

“Eles passaram de simples comentários sobre Estado Islâmico e terrorismo para atos preparatórios”, disse o ministro na entrevista coletiva. Alexandre Moraes evitou detalhar o perfil dos investigados para, segundo ele, não atrapalhar as investigações. As prisões temporárias, que foram determinadas pela 14ª Vara Federal em Curitiba, ocorreram em dez estados e estão baseadas na recente Lei Antiterrorismo. Outras duas pessoas, de acordo com o ministro, são monitoradas. Os nomes não foram revelados.

De acordo com a Polícia Federal , integrantes do Estado Islâmico pediram para que o grupo treinasse luta e manuseio de armas, que seriam compradas no Paraguai. A compra, segundo o ministro, não se concretizou. Alexandre Moraes afirmou que os presos não mantinham contato interpessoal, comunicavam-se apenas por redes sociais e troca de mensagens, e faziam juramento ao Estado Islâmico.

“Fizeram batismo pela internet com o Estado Islâmico. Foi o único contato”, declarou o ministro.

“A ação do grupo foi progredindo. Era uma célula amadora, sem nenhum preparo. Nós rastreamos que eles iriam comprar armas clandestinas no Paraguai, uma AK-47. Tudo isso mostra um ato preparatório, não há informação de que tenham conseguido algo. É uma célula desorganizada. A informação estava circulando entre eles. Eles pretendiam comprar as armas, isso é um ato preparatório que deve ser combatido. Várias mensagens mostram essas pessoas comemorando atentados em Orlando (EUA), em Nice (França), comemorando e comentando atentado que ocorreu na França. Eles também postavam as execuções que foram feitas pelo Estado Islâmico”, afirmou.

De acordo com o ministro, as mensagens interceptadas indicam que o Brasil só entrou no radar dos terroristas por causa da realização dos Jogos Olímpicos no Rio. “Houve novas trocas de mensagens, que reafirmaram que o Brasil não fazia parte da coalizão contra Estado Islâmico. Mas por conta da proximidade da Olimpíada, como ia receber vários estrangeiros, o país passaria estar dentro do alvo dessas pessoas. Foi necessária a pronta atuação com cumprimento de prisões”, declarou.

Sem bomba

Em nenhum momento, segundo as investigações, houve menção a ataque com bomba. “Eles citam como atirar com AK-47. Eles não aprofundam a questão de execução, mas obviamente seria tiro [um possível atentado]. Em nenhum momento, até pelo o que foi apurado, eles falam em bomba. A questão é com armas”, afirmou Alexandre Moraes.

O ministro disse que a resposta será dura caso sejam descobertas novas tentativas de atos terroristas no país. Segundo ele, não há motivo para alarde: “A probabilidade é mínima de um ataque terrorista no Brasil”. O presidente interino, Michel Temer, se reuniu no Palácio do Planalto com os ministros da Justiça, Alexandre de Moraes; do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen; e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra; para acompanhar a operação antiterrorista, com cooperação de diversas agências internacionais de inteligência.

Natural do Rio de Janeiro, é jornalista formado pela Favip. Desde 1990 é repórter do Jornal VANGUARDA, onde atua na editoria de política. Já foi correspondente do Jornal do Commercio, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo e Portal Terra.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *