PF e Exército apuram irregularidades em clubes de tiro

Brasília (DF) 31/12/2024 – Customização de armas de fogo e treinamento em um clube de tiro.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Agentes da Polícia Federal e militares do Exército Brasileiro realizaram nesta quarta-feira (26) a Operação Polivalente, em clubes de tiro de Barra do Piraí, no sul fluminense. A ação busca reprimir os crimes de comércio ilegal de arma de fogo, falsidade ideológica e uso de documento falso para o processo de capacitação técnica para porte de armas.

Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, sendo dois nos clubes de tiros envolvidos nas irregularidades, nas cidades de Barra do Piraí e Valença, e o outro na residência do principal investigado, em Barra do Piraí. O alvo da ação é o administrador dos dois clubes de tiro, bem como da loja de venda de armamentos que funciona no interior do clube em Barra do Piraí.

As investigações constataram diversas irregularidades no clube de tiro durante fiscalização em um Teste de Capacitação Técnica para a Posse de Arma de Fogo por integrantes da Guarda Municipal de Resende, no interior do estado. Um instrutor de armamento e tiro foi flagrado aplicando testes com armas de fogo que não eram de sua propriedade. O profissional também informou que os candidatos seriam filiados ao clube de tiro, fato que foi negado pelos avaliados.

Com a finalidade de comprovar a filiação dos candidatos, o instrutor, que não teve o nome divulgado, apresentou documentos que mostravam o credenciamento dos candidatos antes da data dos testes, embora a documentação tenha sido emitida pelo administrador em data posterior.

Dados de agentes de segurança

Um inquérito policial foi instaurado para apurar as suspeitas de falsidade, além de outras irregularidades na gestão do clube de tiro. Foi levantada a possibilidade do emprego de dados de agentes de segurança pública sem vinculação aos estabelecimentos comerciais.

O principal alvo da operação é suspeito de utilizar nomes e dados dos agentes em benefício próprio, seja na compra de insumos ou na venda de armamentos, causando descontrole e falhas na venda de armas de fogo, acessórios e munições para residentes na região.

O administrador dos clubes de tiro, além de dono da loja de venda de armas de fogo e munições, também possuía autorização para exercer as funções de armeiro, guarda de armamento em manutenção e vigilante de uma empresa de segurança.

Os investigados poderão responder pelos crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e comércio ilegal de arma de fogo, cujas penas somadas podem chegar a 17 anos de prisão.

SUS vai substituir papanicolau por exame mais sensível ainda este ano

Saúde cria serviço de referência para tratar câncer de colo de útero e de mama

A partir deste ano, o teste citopatológico para a detecção do HPV, popularmente conhecido como papanicolau, deve ser gradualmente substituído, no Sistema Único de Saúde, pelo exame molecular de DNA-HPV. Com isso, o tempo de intervalo entre as coletas, quando não houver diagnóstico do vírus, passará a ser de cinco anos. Já a faixa-etária para o exame de rastreio, quando não houver sintomas ou suspeita de infecção, permanece a mesma: de 25 a 49 anos.

A mudança faz parte das novas diretrizes para o diagnóstico do câncer do colo do útero, apresentadas nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). O conjunto de orientações já foi aprovado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde e pela Comissão de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (Conitec). Resta apenas a avaliação final da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde para entrar em vigor.

O papilomavírus humano, ou HPV, é o causador de mais de 99% dos casos de câncer decolo do útero, que é o terceiro mais incidente entre as mulheres brasileiras, com cerca de 17 mil novos casos por ano. Com altas coberturas de vacinação e de exames de rastreio organizado, especialistas acreditam que a doença pode ser erradicada em cerca de 20 anos.

O teste molecular é recomendado como exame primário para detectar o HPV pela Organização Mundial da Saúde desde 2021, porque é mais eficaz para a redução de casos e óbitos, em decorrência da sua maior sensibilidade. Ele também permite identificar o subtipo do vírus, caso o resultado seja positivo, o que oferece uma grande vantagem, já que apenas algumas variantes têm risco de provocar lesões que podem evoluir para câncer.

O pesquisador da Divisão de Detecção Precoce do Inca Itamar Bento explica que essas vantagens permitem um espaçamento maior entre as coletas.

“O teste DNA-HPV tem um valor preditivo negativo muito forte, ou seja, se a pessoa tiver resultado negativo, a gente pode de fato confiar nesse resultado. E, conhecendo a história natural da doença, a evolução das lesões, é uma margem segura aguardar cinco anos para fazer um novo teste.”

Além disso, a implementação do novo teste deverá ser combinada com a realização de rastreio organizado, quando o sistema de saúde busca ativamente as pessoas, em vez de esperar que elas procurem as unidades de saúde. “É necessário que a população alvo seja identificada e convocada ativamente e individualmente. E é preciso garantir que ela terá acesso à confirmação diagnóstica e ao tratamento das lesões havendo essa necessidade”, complementa o pesquisador do Inca.

De acordo com dados do Sistema de Informação do Câncer, entre 2021 e 2023, apenas três estados tiveram cobertura de realização de papanicolau próxima de 50% do público-alvo. Todos os outros tiveram uma porcentagem abaixo desse patamar, e alguns não têm dados completos para análise. Além disso, há estados, como Acre, Maranhão e Mato Grosso, onde a maior parte dos resultados foi entregue após 30 dias, o que dificulta a realização de exames confirmatórios para que a paciente inicie o tratamento em até 60 dias, como determina a legislação.

Por isso, o rastreamento organizado também prevê uma linha de conduta organizada, como explica Itamar Bento: “A pessoa faz um teste de DNA-HPV, e, se não foi detectado, ela só vai repetir o exame após 5 anos. Se foi detectado um tipo oncogênico, como o 16 e o 18, que são responsáveis por 70% das lesões precursoras de câncer, ela vai ser encaminhada diretamente à colposcopia. Se a colposcopia identificar uma doença cervical, vai seguir para condutas específicas.”

As novas diretrizes também trazem outras duas inovações: a autocoleta do material para teste em populações de difícil acesso ou resistentes ao exame feito por profissional de saúde; e orientações para o atendimento de pessoas trangênero, não binárias e intersexuais.

Japão propõe ações para acelerar abertura comercial à carne brasileira

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o o Primeiro-Ministro do Japão, Shigeru Ishiba, durante a cerimônia de anúncio de plano de ação e menção aos atos previamente assinados, na sala Hagoromo-no-Ma, do Palácio Akasaka. Tóquio - Japão.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, propôs ações para acelerar a abertura do mercado japonês à carne bovina do Brasil. A demanda histórica dos produtores brasileiros foi um dos temas do encontro entre Ishiba e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em visita da Estado a Tóquio, capital japonesa.

O premiê sugeriu a formação de um grupo para o acompanhamento do setor e manifestou a disposição de enviar especialistas sanitários para coletar informações e avançar mais rapidamente para as próximas etapas de abertura do mercado. Um dos objetivos da viagem de Lula era, de fato, conseguir o compromisso político do Japão de enviar uma missão técnica para inspecionar as condições da produção de carne bovina do país.

O Japão importa cerca de 70% da carne bovina que consome, o que representa aproximadamente US$ 4 bilhões ao ano. Desse total, 80% são importados dos Estados Unidos e da Austrália, históricos aliados do país. No caso do Brasil, o processo de negociação para exportar a carne bovina ao Japão vem sendo conduzido há mais de 20 anos. O último protocolo já está sendo debatido há cinco anos.

Em maio de 2024, o Brasil se tornou livre de febre aftosa sem vacinação animal. O status abre caminho para que o Brasil possa exportar carne bovina para países como o Japão e a Coreia do Sul, por exemplo, que só compram de mercados livres da doença sem vacinação. Por outro lado, o fim da vacinação exigirá protocolos mais rígidos de controle sanitário por parte dos estados.

A homologação do novo status sanitário deve ocorreu em maio deste ano, durante a assembleia-geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

O ciclo de vacinação de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa no Brasil começou há mais de 50 anos e o último registro da doença ocorreu em 2006. Atualmente, no Brasil, somente os estados de Santa Catarina, do Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, de Rondônia e partes do Amazonas e de Mato Grosso têm o reconhecimento internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação pela OMSA.

A carne é o quarto principal item da pauta de exportações brasileira, atrás apenas da soja, do petróleo bruto e minério de ferro.

Agenda

Lula chegou ao Japão na segunda-feira (24) e, na terça-feira (25) de manhã, participou da cerimônia de boas-vindas, com honras militares, no Palácio Imperial, na capital japonesa. Após reunião reservada com o casal imperial e almoço privado, o presidente se encontrou com empresários brasileiros ligados à Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) para debater a abertura do mercado japonês ao setor.

Lula participou ainda de jantar oferecido a ele e à primeira-dama Janja Lula da Silva pelo imperador do Japão, Naruhito, e a imperatriz Masako. Na ocasião, pediu o “firme engajamento” do Japão na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que será realizada em novembro, em Belém, no Pará.

Nesta quarta-feira (26), o presidente teve o dia mais cheio da visita ao Japão, que está 12 horas à frente do horário oficial de Brasília. A agenda começou com representantes de sindicatos japoneses. Em postagem nas redes sociais, Lula afirmou que o objetivo foi falar de questões trabalhistas e de como melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores no Brasil e no Japão.

O presidente também falou no Fórum Empresarial Brasil-Japão. Pelo lado brasileiro, estiveram presentes empresários dos setores de alimentos, agronegócio, aeroespacial, bebidas, energia, logística e siderurgia. No evento, Lula convocou os japoneses a investirem no Brasil e criticou o crescimento do negacionismo climático e do protecionismo comercial. Foi anunciado acordo da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) com a ANA, maior companhia aérea japonesa, para a compra de 20 jatos E-190.

Após outras reuniões bilaterais, Lula se encontrou com o primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, no Palácio Akasaka, para firmar os compromissos entre os dois países. Foram dez acordos de cooperação em áreas como comércio, indústria e meio ambiente, além de 80 instrumentos entre entidades subnacionais como empresas, bancos, universidades e institutos de pesquisas. Os dois países também anunciaram um plano de ação para revitalizar a Parceria Estratégica Global, um nível mais elevado nas relações diplomáticas estabelecidas desde 2014. Na sequência, foi oferecido um jantar a Lula e à comitiva.

A equipe brasileira em Tóquio é composta pelo presidente, a primeira-dama Janja, ministros, parlamentares, empresários e sindicalistas. A visita prossegue até quinta-feira (27), quando o presidente parte para Hanói, no Vietnã, para a segunda parte da viagem à Ásia.

Brasil e Japão fecham acordo para venda de 20 jatos da Embraer

Brasília (DF) 19.07.2024 - O jato E175 da Embraer que  será exportado para a American Airlines. Foto: Ricardo Beccari/Embraer

A Embraer e empresas japonesas do setor aéreo ampliaram parcerias durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva àquele país. Foi concretizada a venda de 20 jatos, negócio que renderá cerca de R$ 10 bilhões à companhia brasileira, e avançaram também tratativas para o uso de um combustível à base de etanol para aeronaves, o que poderá beneficiar o agronegócio brasileiro e, em especial, a indústria sucro-energética do país.

Progrediu também para a negociação para a construção do chamado “carro do futuro” – o eVTOL, uma aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL) desenvolvida pela Embraer em parceria com empresas estrangeiras.

Aeronaves

Na viagem que faz ao Japão, a comitiva brasileira anunciou, nesta quarta-feira (26), a compra, pela All Nippon Aiways (ANA), de 15 aeronaves E-190. A principal empresa aérea japonesa informou que pretende adquirir, ainda, outras cinco aeronaves – contratos que renderão, à Embraer, cerca de R$ 10 bilhões.

Ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho disse que a parceria com os japoneses servirá como uma espécie de chancela para que novas vendas sejam feitas a outros países, ampliando ainda mais o horizonte de negócios da Embraer.

“E com a venda dos aviões para os mercados internacionais, precisaremos preparar mão-de-obra brasileira, estruturando nosso grande plano de preparar nossos jovens para esse novo mercado de trabalho que se desenha no Brasil, que é o da aviação”, disse o ministro ao informar que, para tanto, o Brasil já desenvolve programas de qualificação e capacitação para esse mercado de trabalho.

“Isso vai gerar emprego e renda. Vai movimentar a economia”, acrescentou ao informar que todas empresas japonesas com quem conversou garantiram que colocarão a Embraer como prioridade para seus negócios.

Combustível Sustentável de Aviação (SAF)

Avançaram também as negociações visando à adoção, pelo setor de aviação japonês, do Combustível Sustentável de Aviação (SAF), uma alternativa ao combustível aeronáutico de origem fóssil.

De acordo com o governo brasileiro, esse combustível pode ser obtido a partir de diversas fontes. Entre elas, o etanol produzido a partir da cana-de-açucar.

“O SAF é um combustível que é constituído de etanol. Portanto, é significativo para indústria do agronegócio brasileiro. Além disso, estamos trabalhando ao lado de todos os ministros do Japão, inclusive o primeiro-ministro, para que 10% do combustível aqui no Japão seja feito de etanol”, informou o ministro Silvio Costa Filho.

Esse combustível pode ser obtido também a partir de resíduos da agricultura, óleo de cozinha usado, gorduras e milho, entre outros, puros ou misturados, conforme especificações técnicas de segurança. Segundo o Planalto, o Brasil tem “ampla expertise no tema”.

“Além de a gente potencializar o combustível da aviação aérea aqui no Japão, estimularemos a indústria Sucroenergética do Brasil, que dialoga com a sustentabilidade, por meio desse combustível do futuro que o Brasil tem apresentado ao mundo”, acrescentou o ministro.

Avião vertical, o veículo do futuro

Também integrando a comitiva brasileira, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, disse que os japoneses estão também interessados no desenvolvimento da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL), um veículo 100% elétrico que é conhecido como “carro voador”.

“Nosso plano é o de que ele entre em operação até o final de 2027. É o veículo do futuro, de inovação disruptiva, ideal para países [e cidades] com trânsito intenso, como as do Japão, São Paulo, Los Angeles ou Nova York”, disse Gomes Neto ao explicar que motores elétricos são produzidos a partir de uma jointventure entre a Embraer e uma empresa japonesa.

Brasília (DF), 15/10/2024 - BNDES aprova R$ 500 milhões para Eve Air Mobility produzir o carro voador. Foto: Eve Air Mobility/Divulgação
Projeto de carro voador da Embraer. Eve Air Mobility/Divulgação

MP denuncia suspeitos de simular atentado contra ex-prefeito

Brasília (DF), 25/10/2023 - O prefeito José Aprígio da Silva, de Taboão da Serra (SP). Foto: Podemos/Divulgação

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou cinco pessoas envolvidas em atentado forjado, praticado contra o então prefeito e candidato à reeleição José Aprígio da Silva (Podemos), em Taboão da Serra (SP). Ele foi baleado às vésperas das eleições de 2024, na Rodovia Régis Bittencourt, ao voltar de compromisso de campanha.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, o plano tinha como objetivo alavancar a candidatura de José Aprígio à reeleição, com a simulação de um atentado para influenciar os eleitores. Caso a Justiça aceite a denúncia, os três executores responderão por quatro tentativas de homicídio com dolo eventual, incêndio e adulteração de sinal identificador de veículo. Dois intermediários podem ser processados pelas tentativas de homicídios, também com dolo eventual.

Denúncia

Em sua denúncia, o promotor Juliano Atoji afirma que, pouco antes do segundo turno das eleições municipais, os denunciados se reuniram a mando de pessoas ligadas ao grupo político do então prefeito e candidato à reeleição. “A ideia era simular uma tentativa de homicídio político com a finalidade de alavancar a candidatura. De acordo com as investigações, os acusados dividiriam o montante de R$ 500 mil pela prática do delito.”

No dia e local combinados, os executores usaram veículo com placas, chassi e motor adulterados para alcançar o carro ocupado pelo então prefeito e mais três pessoas, incluindo um secretário municipal. Os tiros foram disparados com um fuzil AK-47 adquirido dias antes por R$ 85 mil. O veículo era blindado, mas dois projéteis perfuraram o carro e atingiram o político no braço esquerdo e perto da clavícula esquerda. Na sequência, os homens fugiram do local e atearam fogo no automóvel utilizado.

“Os denunciados assumiram o risco de ceifar a vida das quatro vítimas, uma vez que não só eram sabedores das armas de fogo a serem utilizadas na empreitada criminosa (de alto poder lesivo), como também do local da execução e da condição do veículo que abrigava as vítimas, cuja blindagem do tipo 3A foi transfixada”, diz a denúncia.

Na visão do promotor, as tentativas de homicídios foram qualificadas por recurso que dificultou a defesa das vítimas, emprego de armas de uso restrito e perigo comum.

Bolsonaro vira réu: saiba os próximos passos da ação no STF

Brasília (DF), 26/03/2025 - Ex-presidente Jair Bolsonaro durante declaração a imprensa após virar Réu no STF. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Com a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quarta-feira (26), o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete passaram a ser réus pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.

> Veja os próximos passos:

Abertura de ação penal

Com a aceitação da denúncia, Bolsonaro e mais sete acusados passam à condição de réus, ou seja, irão responder a uma ação penal na Corte Suprema pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Indicação de testemunhas e provas 

A fase seguinte é a instrução do processo, quando são colhidos depoimentos, é feita a análise de documentos e a realização de perícias apresentadas pelas partes. Os advogados poderão, por exemplo, indicar testemunhas e pedir a produção de novas provas para comprovar as teses de defesa. As testemunhas são ouvidas por um juiz auxiliar, integrante do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.

Julgamento

Com o fim da instrução, o processo vai a julgamento. No julgamento, os ministros da Primeira Turma do STF irão decidir se o ex-presidente e os demais réus serão condenados à prisão ou absolvidos.

Não há data definida para o julgamento, pois depende do andamento processual. A data é marcada pelo presidente da Primeira Turma do STF, Cristiano Zanin.

Além de Zanin, o colegiado é composto pelo relator da denúncia, Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Prisão

Conforme entendimento do próprio Supremo, o réu só pode ser preso após a decisão final do julgamento, depois do trânsito em julgado da ação penal. Isto é, quando não for mais possível apresentar nenhum recurso contra eventual condenação.

Até lá, os réus respondem ao processo em liberdade. Além disso, a prisão depende do tamanho da condenação.

A qualquer momento, contudo, é possível que o magistrado responsável pelo caso determine a prisão preventiva de algum réu, mas para isso é preciso que a medida seja justificada conforme critérios definidos pela legislação, como por exemplo o risco ao andamento do processo criminal.  É o caso do general Walter Braga Netto, único dos oito réus que se encontra preso em uma instalação militar. Ele foi acusado pela Polícia Federal de obstruir as investigações.

Governo de Pernambuco anuncia secretária de Esportes

A governadora em exercício Priscila Krause empossará nesta quinta-feira (27), a secretária de Esportes Ivete Lacerda. A solenidade será realizada no Palácio do Campo das Princesas, no Recife, a partir das 17h.

A pasta foi recriada pelo Governo Raquel Lyra para fortalecer a execução das políticas públicas e programas voltados ao esporte de alto rendimento. Pernambuco está investindo R$ 11 milhões em mais de mil concessões de bolsas esportivas para atletas e treinadores em diferentes modalidades por meio dos programas Bolsa Atleta, Bolsa Técnico e Time PE.

CURRÍCULO – Advogada especializada em Gestão Pública, Gerenciamento de Projetos e Neurociência aplicada ao Comportamento, Ivete ocupa atualmente o cargo de diretora de Operações e Negócios na Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (AGE). A nova secretária já teve passagens pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), e pelas pastas de Esportes e Turismo de Pernambuco.

Serviço

Quinta-feira, 27 de março de 2025

17h – Posse da secretária de Esportes Ivete Lacerda

Local: Palácio do Campo das Princesas – Praça da República, S/N – Santo Antônio, Recife

Moda Gastrô 2025: Inscrições estão abertas em Santa Cruz

A Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e em parceria com o SEBRAE, está iniciando os preparativos para mais uma edição do Moda Gastrô, evento para promover a culinária regional e fortalecer o segmento turístico da Capital da Moda.

As inscrições estão abertas até o dia 28 de março, sendo feitas de forma presencial na sede da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Serão 25 vagas disponíveis este ano e poderão se inscrever os proprietários de restaurantes da cidade junto da sua equipe, sem limite de integrantes.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico fica localizada na Rua Cabo Otávio Aragão, nº 594, Bairro Novo. O Edital completo do Moda Gastrô está disponível no Diário Oficial, no site da prefeitura (www.santacruzdocapibaribe.pe.gov.br)

Cursos e Oficinas

Após inscritos, os estabelecimentos passarão por uma série de cursos, oficinas, consultorias e mentorias ministradas por chefes do Instituto César Santos da Gastronomia Brasileira (ICSGB). No dia do evento, cada estabelecimento apresentará seu prato especial para o concurso culinário, utilizando os ensinamentos dos cursos e oficinas. O público junto a um júri técnico escolherá o vencedor.

ARTIGO — A verificação de fatos e as possibilidades de o Jornalismo melhorar a segurança da informação

Vera Lucia Rodrigues

O fim dos verificadores de informação da plataforma de mídia social Meta é um acontecimento preocupante para a imprensa e especialmente para as próprias mídias sociais. Uma das maiores razões é que nesse tipo de rede digital é o lugar onde as informações circulam em maior quantidade e com filtros insuficientes para assegurar uma comunicação absolutamente confiável.

Em comparação os meios jornalísticos sempre foram regidos por várias legislações, normas e critérios editoriais, seus códigos de ética profissional e a própria técnica, que tem um compromisso visceral com a verdade e apuração precisa dos fatos. Contudo, é conveniente advertir, que o jornalismo naturalmente não é propriamente perfeito ou infalível.

Na página oficial da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou que as plataformas da organização (Facebook, Instagram, Messenger, WhatsApp, Threads e outras) são construídas para serem lugares onde as pessoas possam se expressar livremente. Segundo ele, isso pode ser confuso, porque nas plataformas onde bilhões de pessoas podem ter voz, tudo que é bom, ruim e feio está em exposição. Mas tudo isso também é liberdade de expressão, no entender dele.

O megaempresário avisou que o encerramento do programa de verificação de fatos de terceiros está migrando para um modelo de ‘Notas da Comunidade’. Elas funcionam a partir do cadastro dos interessados, que podem fazer publicações de notas sobre algum conteúdo conflituoso para oferecer um novo contexto ou corrigir informações com potencial enganoso.

Basicamente essas notas adicionadas são avaliadas por outros participantes do programa de verificação da empresa. Se um número adequado de participantes, com diferentes perspectivas, aceitarem a utilidade da nota, ela se torna pública e aparece ao lado da publicação original.

O objetivo é realizar uma moderação consensual da comunidade e sem a intervenção direta da empresa na avaliação das notas ou mesmo manter ou retirar as postagens. A partir de agora, a Meta expôs que vai procurar fazer uma abordagem mais personalizada no conteúdo político para disponibilizar maior volume de informações aos interessados sobre o assunto em seus feeds de notícias.

Além disso, suspenderão restrições sobre alguns tópicos do conteúdo predominante para proporcionar mais liberdade de expressão e ao mesmo tempo focar no esforço em violações da lei e de maior gravidade.

O problema que pode ocorrer em breve é que caso a Meta não tenha um sistema robusto de verificação independente, é possível que informações falsas ou enganosas circulem mais rapidamente nas suas plataformas, dificultando o combate à desinformação. Outra questão delicada é que vários meios de comunicação e entidades de checagem de informações dependiam da colaboração com a Meta para financiar suas atividades. A interrupção dessas colaborações pode diminuir os recursos para a operação dessas organizações.

A decisão da Meta também pode ser entendida como uma espécie de renúncia de responsabilidade, o que poderia enfraquecer a confiança do público nas redes sociais como espaços seguros para informação. Neste primeiro momento é difícil ter certezas nesta situação ainda indefinida.

No contexto geral, a partir das mudanças da Meta sempre haverá o risco do incremento de fake news e da própria desinformação. Talvez, nunca a imprensa tradicional passou a ser tão indispensável para contrapor a circulação de notícias falsas, a disseminação de boatos (informações falsas disseminadas principalmente boca a boca ou propagação por burburinho/buzz marketing); rumores (informação corrente, não confirmada, que pode ou não ser verdadeira), propagandas ideológicas (cujo propósito é difundir ideologias e convicções de um determinado grupo sobre outro) ou ainda teorias da conspiração (ideia de incitar que um grupo perigoso está conspirando para um objetivo de grande ameaça às pessoas).

Apesar da sua força e contribuição social tanto no entretenimento como na divulgação de informação, as mídias sociais infelizmente têm sido uma verdadeira usina de inverdades, bravatas, mentiras, lorotas e especialmente factoides (fato ou notícia forjada com o intuito de atrair a atenção da opinião pública).

A bem da verdade, tanto a Polícia como a Justiça têm grandes dificuldades para identificar fake news e punir seus criadores. Por outro lado, na imprensa tradicional qualquer texto tipificado como calúnia, difamação ou injúria pode ser facilmente identificado e ser objeto de processo judicial. Ele tem a chance ainda de ser alvo de enérgicas discussões éticas e críticas na própria categoria dos jornalistas.

Tanto os jornalistas como seus respectivos veículos, possivelmente, vão ter que empenhar mais esforços ainda para verificar informações antes da sua publicação. A carga de trabalho nas redações que já tem sido alta deve ficar mais pesada por causa da responsabilidade de informar bem a opinião pública, o que naturalmente exige esforço, dedicação e tempo de trabalho.

No enfrentamento das notícias falsas, um grupo de empresas jornalísticas no Brasil há alguns anos tem formado equipes próprias para fact-checking (verificação de fatos) ou contratado agências especializadas para esse fim. O estudo Jornalismo na era da pós-verdade: fact-checking como ferramenta de combate às fake News (2018), de Egle Müller Spinelli e Jéssica de Almeida Santos, concluiu que o trabalho sério de apuração de fatos e defesa da credibilidade é fundamental para que a própria audiência refute fake news e compartilhe as informações produzidas por veículos de credibilidade. No entanto, o trabalho lamentavelmente comprovou ainda que fatos objetivos têm sido menos influentes na opinião pública do que emoções e crenças pessoais.

Muitas vezes por falta de tempo, desinteresse ou comodismo as pessoas não verificam a veracidade do post lido e assimilam o conteúdo com uma verdade provisória que se torna uma falsa realidade permanente. Possivelmente o maior divulgador de fake news, hoje em dia, sejam os militantes e colaboradores de políticos que têm interesse em enaltecer seus correligionários e lideranças e difamar rivais ou adversários. Mas o plantio planificado de boatos não é um costume novo e já era uma prática muito empregada ao longo do tempo.

Diante dessa problemática bem complexa os meios de comunicação de massa e os jornalistas precisam se debruçar em soluções e encontrar inovações no espaço da verificação de fatos. Um bom caminho tem sido o das parcerias entre a mídia e ongs ou associação a projetos sociais de contenção de fake news. Há também o desenvolvimento de sistemas digitais colaborativos para verificação automatizada. Quanto mais houver interessados e instrumentos para debelar essa chaga, melhor para toda a sociedade.

Na perspectiva do próprio setor de social media, para fugir da tutela governamental seria muito cabível, que as bigtechs pensassem numa maneira grupal para estabelecer, por exemplo, um sistema geral de verificação de fatos por autorregulação como existe na área de publicidade em todo o mundo, assim como no Brasil onde há o Conar – Conselho Nacional Autorregulamentação Publicitária, que trata da ética na propaganda.

Algumas organizações independentes têm se esforçado na criação de projetos em educação midiática para crianças, jovens e adultos visando combater essa desinformação maldosa. No entanto, a divulgação desse relevante trabalho e sua utilização ainda é muito tímida, e precisa ser fortalecida e muito mais disseminada junto à opinião pública. O empresariado pode fazer sua parte tratando essas iniciativas como uma ação de marketing social, como alguns já fazem, por sinal.

No que se refere às fakes news possivelmente a maior preocupação seja exatamente aquelas de conteúdo político e seu respectivo discurso de ódio. No livro publicado pela Unesco, Jornalismo, Fake News & Desinformação – Manual para Educação e Treinamento em Jornalismo, de Cherilyn Ireton e Julie Posetti, há uma grande questão que atormenta as democracias em relação à social media. Conforme a obra alerta, “se líderes de mentalidade autoritária chegarem ao poder, eles encontrarão uma arma legal e poderosa, pronta para determinar o que é ‘falso’ e o que não é em relação a qualquer cobertura crítica de seu desempenho.”

Neste mesmo exemplar o gerente de produto e de engajamento cívico do Facebook, Samidh Chakrabarti, complementou: “Se há uma verdade fundamental sobre o impacto da mídia social na democracia, é que ela amplifica a intenção humana – boas ou ruins. Na melhor das hipóteses, nos permite expressar-nos e agir. Na pior das hipóteses, permite que as pessoas divulguem informações falsas e corroam a democracia”.

Presidente Lula e ministro Silvio Costa Filho anunciam venda de 20 aviões da Embraer para o Japão com investimentos de cerca de R$ 10 bilhões

Os laços comerciais entre Brasil e Japão foram ampliados nesta quarta-feira (26) com a assinatura do acordo que vai garantir até 20 aeronaves da Embraer para a companhia aérea All Nippon Airways com investimentos de cerca de R$ 10 bilhões. Em cerimônia realizada em Tóquio, capital do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, e representantes da fabricante de aviões do Brasil ratificaram o acordo para expansão da frota comercial de aeronaves da empresa japonesa.

A alta demanda de passageiros aliada à confiabilidade da indústria aeronáutica brasileira e o plano estratégico de renovação da frota aérea levaram os japoneses a investirem cerca de R$ 9,2 bilhões na compra de 15 jatos comerciais de modelo E190-E2. O contrato também prevê a opção de compra de outras cinco aeronaves do mesmo modelo. Os primeiros aviões serão entregues a partir de 2028.

O presidente Lula, durante discurso aos empresários, ainda brincou ao dizer que as vendas poderiam ser ainda mais extensas. “A Embraer tornou-se a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e tem mercado importante aqui no Japão. Posso dizer ao primeiro-ministro Ishiba que são de muita qualidade os aviões da Embraer. Quem compra 20 pode comprar um pouco mais e quem sabe todas as empresas japonesas podem voar de avião da Embraer”, disse.

O ministro Silvio Costa Filho falou sobre a importância desta parceria para o crescimento comercial entre os países. Ele também ressaltou o protagonismo do Brasil na indústria aeronáutica mundial. “Eu não tenho dúvidas que a All Nippon Airways está adquirindo uma das aeronaves mais modernas e seguras do mundo. E digo isso com base na experiência aeronáutica que a Embraer possui, com 9 mil aeronaves entregues em diversos países e com mais de 150 milhões de passageiros transportados por ano”, apontou.

Terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e a primeira em jatos comerciais de médio porte, a Embraer possui uma frota de 48 jatos comerciais E-Jets E1 em operação no Japão, sendo 32 da Japan Airlines (J-Air), e 16 da Fuji Dream Airlines (FDA). Os E-jets da Embraer lideram o segmento de aeronaves com até 150 assentos no mercado japonês, conectando a aviação em mais de 30 cidades no país.

Eficiência operacional a serviço da sustentabilidade

O E190-E2 é a aeronave mais silenciosa e eficiente em termos de combustível do mercado mundial. Esse tipo de modelo oferece a melhor eficiência ambiental, desempenho operacional e conforto para os passageiros. O avião apresenta aerodinâmica aprimorada, design de asa de última geração e novas tecnologias que proporcionam uma diminuição de 25% nas emissões de carbono e no uso de combustível, em comparação com os modelos da geração anterior.

Com 36 metros de comprimento e 11 metros de altura, o modelo E190-E2 pode atingir velocidade 870 quilômetros por hora. O avião possui capacidade para transportar 114 passageiros, além de contar com autonomia de voo de cerca de 6 horas. O primeiro modelo dessa categoria foi entregue em 2018.

Boa relação comercial

Em 2025, a relação diplomática entre os dois países completou 130 anos, com acordos mútuos e constantes diálogos para expansão das parcerias comerciais. O Brasil é o maior parceiro comercial do Japão na América Latina. O país asiático foi um dos principais parceiros comerciais do Brasil em 2024, com um fluxo de comércio bilateral de 11 bilhões de dólares. O mercado japonês foi o 11° destino das exportações brasileiras, com 5,5 bilhões de dólares exportados, e o 10° na origem das importações, com 5,4 bilhões de dólares importados do Japão.