Presidente da Fecomércio-PE participa do lançamento da Agenda Institucional do Sistema Comércio 2025

Na última quarta-feira (26/03), o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Pernambuco, Bernardo Peixoto, participou da cerimônia de entrega da Agenda Institucional do Sistema Comércio 2025, realizada na sede da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília. A solenidade contou com dois painéis que reuniram parlamentares e executivos dos setores do comércio. O primeiro debate abordou as perspectivas da transformação digital no setor terciário e as políticas públicas capazes de impulsionar a modernização e a competitividade desse segmento.

Na abertura do evento, o presidente do Sistema CNC–Sesc–Senac, José Roberto Tadros, afirmou que “a CNC segue trabalhando com afinco para garantir um ambiente de negócios mais justo e competitivo”. Ele destacou temas prioritários da Agenda, como a simplificação tributária, a segurança jurídica, o combate à concorrência desleal, a modernização do setor público, o incentivo à inovação e à qualificação profissional.

Para Bernardo Peixoto, o material é de total importância para o Sistema Comércio. “A Agenda aponta debates sobre a transformação digital, área que merece destaque para nós enquanto Sistema Comércio. Além disso, os incentivos ao turismo também são debatidos no documento e nós temos uma área promissora no segmento em todo o estado”, explicou. Os deputados federais pernambucanos Iza Arruda, Mendonça Filho e Lula da Fonte estiveram presentes na solenidade.

Tecnologia para integração do comércio

O painel “Perspectivas da transformação digital no setor terciário” foi mediado por Guilherme Waltenberg, editor sênior do Poder360, e contou com a participação da ex-ministra da Agricultura e sócia-fundadora da BRZ Consulting, Kátia Abreu. Ela lembrou que os desafios não se limitam à tecnologia, destacando os gargalos logísticos que dificultam a integração dos modais. “O governo precisa da iniciativa privada para alavancar a infraestrutura. É necessário crédito com juros compatíveis para que empresários possam operar concessões obtidas em leilões e parcerias público-privadas”, disse. Kátia também ressaltou que 65% da carga no Brasil é transportada por caminhões e 95% dos passageiros utilizam rodovias.

O senador Efraim Filho (União-PB) fez um paralelo entre logística e comércio digital. “Há 10 anos, discutíamos o impacto do e-commerce no varejo. Hoje, o desafio é nos adaptar às novas logísticas integradas e tecnologias”, afirmou. Já o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator da lei das debêntures de infraestrutura, destacou a importância de investir na qualificação da mão de obra: “Temos uma abundância de empregos esperando por pessoas capacitadas”.

Turismo como motor de desenvolvimento regional

O segundo painel, “Vai Turismo, Rumo ao Futuro”, foi aberto pelo diretor da CNC que coordena o Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), Alexandre Sampaio, que ressaltou a importância da articulação entre governos, setor privado e entidades para impulsionar o turismo. “Esse esforço conjunto é imprescindível para que o turismo se torne uma verdadeira ferramenta de transformação social e de desenvolvimento econômico e regional”, afirmou.

O CEO da GKS, Cássio Garkains, apresentou o programa “Vai Turismo”, uma iniciativa da CNC que evoluiu de projeto para programa e hoje é considerado um movimento nacional. “Mobilizamos atores em todo o país, com propostas que influenciam a formulação de políticas públicas e impactam diretamente a dinâmica empresarial e social”, explicou.

A secretária-executiva do Ministério do Turismo, Ana Carla Lopes, destacou que o setor, antes marginalizado, hoje é estratégico para os governos. “O turismo deixou de ser o patinho feio. É cobiçado porque atua em diversas frentes: modais de transporte, gastronomia, eventos e muito mais. Não é bom apenas para quem visita, mas principalmente para quem vive no destino”, afirmou. Por sua vez, o governador do Amapá, Clécio Luís, chamou atenção para a baixa conectividade aérea da Amazônia. “Somos fim de linha, e isso encarece as passagens, limitando o acesso à região e travando nosso desenvolvimento”, alertou.

O deputado Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG), presidente da Comissão de Turismo da Câmara, demonstrou preocupação com o anúncio do fim do Perse pela Receita Federal. “Precisamos encontrar uma forma de manter esse programa. Ele é fundamental para o setor continuar se recuperando. O retorno é altíssimo: a cada dólar investido, temos uma resposta de mais de vinte dólares”, argumentou.

Encerrando o painel, a senadora professora Dorinha Seabra (União-TO), presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, reforçou a necessidade de políticas permanentes de incentivo ao turismo e à qualificação profissional. “Precisamos muito do Sistema S, das universidades e dos institutos federais para preparar melhor nossos profissionais e melhorar a oferta de serviços turísticos no país”, concluiu.

Pedro Augusto é jornalista e repórter do Jornal VANGUARDA.