Inteligência artificial no serviço público: Entre o avanço tecnológico e a responsabilidade social

Por Marcelo Rodrigues

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa futurista para se tornar realidade concreta na administração pública brasileira. O debate já não gira em torno de quando essa tecnologia chegará aos municípios, mas de como será implementada para transformar a relação entre cidadãos e governo. A questão central transcende o fascínio tecnológico: trata-se de usar ferramentas digitais para simplificar processos, eliminar burocracias e garantir que serviços essenciais cheguem de forma mais rápida e eficiente a quem realmente precisa deles.

A partir de 2023, observou-se uma aceleração significativa na digitalização das prefeituras brasileiras. Três fatores convergiram para esse avanço: a expansão da infraestrutura de internet em território nacional, a consolidação de políticas voltadas para cidades inteligentes e o desenvolvimento de capacidades técnicas para processar grandes volumes de informações. Hoje, algoritmos inteligentes operam em setores vitais como saúde, mobilidade urbana, segurança pública, educação e zeladoria. O impacto é mensurável: filas diminuem, deslocamentos desnecessários são evitados e processos que demandavam dias ou semanas passam a ser resolvidos em minutos.
Chatbots que atendem milhares de solicitações simultaneamente, sistemas que identificam problemas urbanos por meio de fotografias enviadas pela população, triagem automática de demandas e modelos preditivos que antecipam crises já fazem parte do cotidiano administrativo de diversos municípios. Essa transformação não representa apenas modernização cosmética, mas uma mudança estrutural na forma como o poder público organiza suas operações e responde às necessidades da sociedade.

Na área da saúde, algoritmos analisam prontuários eletrônicos, históricos de consultas e padrões de atendimento para identificar pacientes em situação de risco, reduzir taxas de absenteísmo e otimizar o agendamento de procedimentos. Essa capacidade preditiva permite intervenções preventivas que salvam vidas e reduzem custos do sistema. Na educação, modelos de aprendizado de máquina conseguem detectar padrões que indicam probabilidade de evasão escolar, possibilitando ações direcionadas antes que o aluno abandone definitivamente os estudos. Experiências brasileiras demonstram índices de acerto superiores a noventa por cento nessas previsões, transformando dados em políticas públicas efetivas.

A mobilidade urbana também se beneficia dessa transformação tecnológica. Sistemas equipados com visão computacional analisam fluxos de trânsito em tempo real, identificam congestionamentos, detectam infrações e auxiliam equipes de segurança na identificação de situações críticas. Câmeras inteligentes não apenas registram imagens, mas interpretam cenários, reconhecem padrões e geram alertas automáticos que agilizam respostas das autoridades.

A gestão ambiental emerge como uma das áreas mais promissoras para aplicação de inteligência artificial nos municípios brasileiros. Algoritmos processam dados meteorológicos, topográficos e históricos de ocupação urbana para prever enchentes, deslizamentos e outros desastres naturais, permitindo evacuações preventivas e salvando vidas. Sistemas inteligentes monitoram a qualidade do ar em tempo real, identificam focos de poluição e auxiliam na fiscalização ambiental. Na coleta de resíduos, modelos preditivos otimizam rotas, reduzem consumo de combustível e aumentam a eficiência da reciclagem. Sensores combinados com aprendizado de máquina detectam desmatamento irregular, queimadas e despejo clandestino de lixo, acelerando a ação das autoridades ambientais. Essa capacidade de antecipação e resposta rápida transforma a relação entre cidades e meio ambiente, tornando a gestão municipal mais sustentável e responsável.

Entretanto, essa transformação digital impõe responsabilidades inéditas aos gestores públicos. A exclusão digital permanece como obstáculo estrutural que afeta milhões de brasileiros, especialmente em áreas periféricas e rurais. Para que a inteligência artificial funcione como instrumento democrático, é indispensável ampliar o acesso à conectividade, promover alfabetização digital e comunicar de maneira clara como dados pessoais serão coletados, armazenados e utilizados.

A privacidade emerge como questão sensível e inadiável. Sistemas que manipulam informações sobre saúde, localização ou hábitos dos cidadãos exigem protocolos rigorosos de segurança e auditoria constante. Outro risco preocupante é o viés algorítmico: se os dados utilizados para treinar modelos de inteligência artificial refletem desigualdades históricas ou apresentam distorções, há perigo real de que essas ferramentas perpetuem ou ampliem injustiças sociais e raciais existentes.
A regulação brasileira sobre inteligência artificial ainda está em construção. Essa lacuna normativa gera incertezas sobre responsabilidades, custos de longo prazo e dependência de fornecedores privados de tecnologia. A participação de universidades, especialistas em ética, gestores públicos e organizações da sociedade civil é fundamental para elaborar políticas públicas equilibradas que maximizem benefícios e minimizem riscos.

O potencial transformador da inteligência artificial no serviço público brasileiro é inegável, mas seu sucesso depende menos dos algoritmos e mais da qualidade da governança aplicada. Prefeituras precisam investir em capacitação de servidores, garantir transparência nos processos decisórios e assumir compromissos éticos claros. O futuro das cidades brasileiras será determinado não pela sofisticação tecnológica dos sistemas implementados, mas pela seriedade com que gestores públicos conduzem essa transição, colocando sempre o interesse coletivo acima do deslumbramento com a inovação.​​​​​​​​​​​​​​​​

Marcelo Rodrigues, é advogado especialista em direito ambiental e urbanístico, consultor técnico em sustentabilidade da Prefeitura Municipal de Caruaru, ex-Secretário de Meio Ambiente do Recife.

Mirassol faz história com vaga direta para Copa Libertadores

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O Mirassol fez história nesta terça-feira (2) no Campeonato Brasileiro. Com a vitória de 2 a 0 sobre o Vasco em pleno estádio de São Januário, o Leão da Alta se tornou o primeiro estreante da Série A a garantir uma vaga na fase de grupos da Copa Libertadores.

Graças ao triunfo sobre o Cruzmaltino, o Mirassol chegou aos 66 pontos quando falta apenas mais uma rodada para o final da competição, e garantiu no mínimo a quarta posição, o que lhe confere uma vaga direta para a competição de clubes mais importante do continente.

Esta não é a primeira vez que um estreante da Série A do Brasileiro se classifica para uma competição internacional no ano da estreia na competição nacional (Grêmio Barueri, em 2009, e Cuiabá, em 2021, chegaram à Copa Sul-Americana). Porém, é a primeira vez que um estreante se garante na Libertadores.

Vitória sobre o Vasco

Atuando fora de casa, a equipe comandada por Rafael Guanaes apostou nas transições rápidas para agredir o Vasco de Fernando Diniz. Já o Cruzmaltino, que tinha a troca de passes como seu principal fundamento de jogo, encontrava dificuldades para abrir espaços na bem postada defesa do Leão.

Desta forma, o Mirassol só conseguiu assegurar a vitória na etapa final, quando passou a se sobrepor fisicamente a seu adversário. Aos 24 minutos, Renato Marques abriu o placar. E, já nos acréscimos, Carlos Eduardo driblou Léo Jardim antes de bater para o gol vazio e dar números finais ao marcador.

Soteldo decisivo

No duelo entre tricolores em Porto Alegre, o Fluminense contou com dois gols do venezuelano Soteldo para derrotar o Grêmio por 2 a 1, André descontou para a equipe da casa. Para a equipe das Laranjeiras o triunfo é de grande importância para ficar vivo na luta por uma vaga direta para a próxima edição da Libertadores.

“Muito coisa boa resultará desta parceria”, diz Trump sobre Lula

Kuala Lampur, 26/10/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou nesta terça-feira (2) sobre o telefonema que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para repórteres na Casa Branca, Trump disse que os dois falaram sobre sanções – uma aparente referência às sanções de sua administração ao Judiciário brasileiro por causa do processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Trump afirmou ainda que ele e Lula “tiveram uma ótima conversa”, acrescentando: “Falamos sobre comércio. Falamos sobre sanções, porque, como vocês sabem, eu os sancionei em relação a certas coisas que aconteceram.”

Em uma postagem nas redes sociais, Trump disse que estava ansioso para ver e conversar com Lula em breve, acrescentando que “muito coisa boa resultará desta parceria recém-formada!”, segundo informações da agência Reuters.

Lula

Mais cedo, a Presidência da República informou que Lula, durante telefonema com Trump, afirmou que deseja “avançar rápido” nas negociações para retirada da sobretaxa de 40% imposta pelo governo norte-americano, que ainda vigora sobre alguns produtos brasileiros, .

Lula e Trump também conversaram sobre cooperação para o combate ao crime organizado. Em comunicado, o Palácio do Planalto informou que a conversa entre os líderes foi “muito produtiva” e durou 40 minutos.

No dia 20 de novembro, a Casa Branca anunciou a retirada de 238 produtos da lista do tarifaço, entre eles, café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina.

De acordo com o governo, 22% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ainda permanecem sujeitas às sobretaxas. No início da imposição das tarifas, 36% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano estavam submetidas a alíquotas adicionais.

Na conversa com Trump, Lula indicou ter sido muito positiva a decisão do governo estadunidense, mas destacou que “ainda há outros produtos tarifados que precisam ser discutidos entre os dois países e que o Brasil deseja avançar rápido nessas negociações”.

Tarifaço

O tarifaço imposto ao Brasil faz parte da nova política da Casa Branca, inaugurada pelo presidente Donald Trump, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais na tentativa de reverter a relativa perda de competitividade da economia dos Estados Unidos para a China nas últimas décadas.

No dia 2 de abril, Trump impôs barreiras alfandegárias a países de acordo com o tamanho do déficit que os Estados Unidos têm com cada nação. Como os EUA têm superávit com o Brasil, na ocasião, foi imposta a taxa mais baixa, de 10%. Mas, em 14 de novembro, o país norte-americano também isentou determinados produtos agrícolas brasileiros dessas tarifas recíprocas.

Já em 6 de agosto, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40% contra o Brasil em retaliação a decisões que, segundo Trump, prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado.

As decisões dos EUA, de revogar parte das tarifas, foi influenciada pelo diálogo recente entre Trump e o presidente Lula, durante encontro na Malásia, em outubro, e outros contatos telefônicos que foram seguidos de negociações entre as equipes dos dois países.

Tratativas

O Brasil busca avançar nas tratativas para retirar novos produtos da lista de itens tarifados. Após algum alívio para o agronegócio, o governo avalia que os produtos industriais permanecem como foco de preocupação. Parte desses segmentos, especialmente bens de maior valor agregado ou fabricados sob encomenda, têm mais dificuldade para redirecionar exportações para outros mercados.

Temas não tarifários também seguem na pauta de discussão, incluindo áreas como terras raras, big techs, energia renovável e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata).

Bolsa supera os 161 mil pontos e volta a bater recorde

Bolsa de Valores B3 do Brasil em São Paulo

Num dia de euforia no mercado financeiro, a bolsa superou a marca de 161 mil pontos pela primeira vez e bateu mais um recorde de fechamento. O dólar caiu para o menor nível em duas semanas.

O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta terça-feira (2) aos 161.092 pontos, com alta de 1,56%. O indicador não apenas se recuperou da queda da segunda-feira (1º) como superou o recorde anterior, de 159 mil pontos alcançado na sexta-feira (28).

A bolsa brasileira sobe 1,27% na semana. Em 2025, o Ibovespa acumula ganhos de 33,93%.

O mercado de câmbio também teve um dia positivo. O dólar comercial fechou esta terça vendido a R$ 5,33, com recuo de R$ 0,028 (-0,52%). A cotação operou estável durante a manhã, mas caiu à tarde, até fechar na mínima do dia.

No menor nível desde 18 de novembro, a moeda estadunidense cai 13,75% em 2025.

Tanto fatores internos como externos influenciaram o mercado. No cenário internacional, as taxas dos títulos públicos estadunidenses caíram com o aumento das apostas de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos) cortará os juros na reunião da próxima semana. Isso fez o dólar cair em todo o planeta.

No cenário doméstico, a aprovação pelo Senado do projeto de lei que aumenta a taxação de fintechs e de bets (empresas de apostas esportivas) foi bem recebida pelos investidores. A medida ajudará o governo a fechar as contas em 2026.

Além disso, a alta de 0,1% na produção industrial em outubro ajudou a impulsionar a bolsa. Embora positivo, o número veio abaixo das expectativas, o que aumentou as chances de o Banco Central começar a cortar os juros em janeiro.

O dólar intensificou a queda, e a bolsa ampliou a alta após a divulgação da conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Em entrevista coletiva na Casa Branca, Trump não deu detalhes do diálogo, mas elogiou Lula, dizendo que “gosta dele”, ajudando a reduzir as tensões entre Estados Unidos e Brasil.

Justiça atesta que Bolsonaro vai terminar de cumprir pena em 2052

Brasília (DF), 10/06/2025 - O ex presidente Jair Bolsonaro chegando para depoimento na 1 turma do STF.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes começa a ouvir os réus do núcleo 1 na ação da trama golpista, os interrogatórios ocorrerão presencialmente na sala de julgamentos da primeira turma da corte 
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro deve terminar de cumprir a condenação a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista em novembro de 2052. O cálculo foi feito pela Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal e encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme atestado de pena a cumprir, o término da pena do ex-presidente está previsto para o dia 4 de novembro de 2052. Pelo cálculos da VEP, Bolsonaro terá direito a passar para o semiaberto no dia 23 de abril de 2033 e de cumprir livramento condicional a partir do dia 13 de março de 2037.

A data de início da contagem é o dia 4 de agosto deste ano, data na qual Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar, período que poderá ser descontado da pena.

Os prazos para progressão de regime ainda poderão ser reduzidos em função de outros descontos previstos pela legislação, como leitura de livros e realização de cursos na prisão.

Atualmente, Bolsonaro cumpre pena em regime fechado na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.

Na semana passada, a defesa do ex-presidente apresentou novo recurso contra a condenação.

Os advogados protocolaram os chamados embargos infringentes para tentar derrubar a decisão do ministro Alexandre de Moraes que negou outro recurso da defesa, os embargos de declaração, e determinou a execução da condenação de Bolsonaro e mais seis réus do núcleo 1 da trama golpista.

Lula cita feminicídios e cobra luta de homens contra a violência

Ipojuca (PE), 02/12/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia alusiva à ampliação da capacidade operacional da Refinaria Abreu e Lima (RNEST). Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se nesta terça-feira (2) sobre os casos recentes de feminicídios que chocaram o país e cobrou dos próprios homens uma resposta para mudar a cultura de violência de gênero que predomina na sociedade. A declaração foi dada durante um evento em Ipojuca (PE), região metropolitana do Recife, que marcou o lançamento das obras de expansão da capacidade operacional da Refinaria Abreu e Lima (Rnest).

“Queria fazer um discurso para nós, homens. O que está acontecendo na cabeça desse animal, que é tido como a espécie animal mais inteligente do planeta Terra, para tanta violência? Eu acordei domingo [30] para tomar café e, no café, a Janja [primeira-dama] começou a chorar. De noite, vendo o Fantástico [da TV Globo], a Janja voltou a chorar. Ontem [segunda], ela voltou a chorar”, disse o presidente.

O presidente disse que a primeira-dama lhe pediu uma “luta mais dura” para enfrentar a violência de homens contra mulheres. Ele citou alguns dos episódios de violência mais trágicos registrados nos últimos dias.

“Essa semana teve um cara que pegou duas pistolas na mão e descarregou contra a mulher. Teve um outro que matou a mulher grávida com três filhos, tocou fogo na casa. Teve um outro que atropelou a mulher a arrastou ela [por] um quilômetro. Essa mulher vai sobreviver com as duas pernas amputadas. A pergunta que eu faço é a seguinte: o Código Penal brasileiro tem pena para fazer justiça a um animal irracional como esse?”, questionou.

Dois dos casos citados por Lula ocorreram na capital paulista. Em um deles, um homem fugiu após atirar por pelo menos seis vezes, e usando duas armas, contra sua ex-companheira em uma pastelaria em que ela trabalhava na zona Norte de São Paulo, na manhã desta segunda-feira (1º). Ele não aceitava o fim do relacionamento. O outro crime, também uma tentativa de feminicídio, foi praticado Douglas Alves da Silva, de 26 anos, que atropelou e arrastou Tainara Souza Santos, 31 anos, na manhã de sábado (29), também na zona norte da capital paulista. Ela teve as pernas amputadas após ter sido arrastada embaixo do veículo por cerca de um quilômetro, e segue internada em um hospital da cidade.

Já no Recife, um homem de 39 anos foi preso em flagrante, também no sábado, suspeito de provocar um incêndio que matou sua esposa, grávida, e os quatro filhos do casal.

“Cada um de nós, homens, precisamos ser o professor do outro. Cada um de nós temos que educar nossos filhos, cada um de nós temos que educar nossos companheiros. Se você não está bem com sua companheira, por favor, seja grande, não bata nela, se separe dela. Se ela não gosta de você, ela não é obrigada a ficar com você, deixa ela cuidar da vida dela. Não aprisione essa pessoa, não seja malvado, não seja ignorante. Porque, pensando bem, não existe pena para punir um cara desse, porque até a morte é suave. É preciso que haja um movimento nacional dos homens, contra os animais que batem, que judiam, que maltratam as mulheres”, prosseguiu Lula.

Feminicídio é o homicídio de uma mulher cometido em razão do seu gênero, caracterizado por violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação contra a condição feminina. É considerado a expressão máxima da violência de gênero e ocorre frequentemente como desfecho de um histórico de agressões, podendo ser motivado por ódio, inferiorização ou sentimento de posse sobre a vítima. No Brasil, é considerado um crime hediondo e, quando tipificado como qualificador do homicídio, a pena é de reclusão de 12 a 30 anos.

Desde janeiro, 207 mulheres foram mortas somente no estado de São Paulo, vítimas de feminicídio. Em outubro, foram 22 vítimas desse tipo de crime e outras 5.838 mulheres que sofreram lesão corporal dolosa.

Conscientização masculina

Ainda em seu discurso, o presidente citou o fato de ter sido criado pela mãe, junto com outros cinco irmãos, e educado a jamais agir com violência em relação às mulheres. Lula pediu lição de caráter, dignidade e respeito por parte dos homens, e reforçou o apelo por campanha masculina coletiva de enfrentamento da violência de gênero.

“A partir de agora, eu estou num movimento dos homens que vão começar a conscientizar esse país de que homem não nasceu para bater em mulher, para estuprar criança ou fazer violência. Levante a mão quem está comigo nessa luta. Nós vamos fazer uma campanha forte”, enfatizou.

Refinaria

Considerada a refinaria mais moderna da Petrobras, a Rnest receberá investimentos de cerca de R$ 12 bilhões para a conclusão do Trem 2 e outras atividades de manutenção do Trem 1, o que deve adicionar 130 mil barris por dia de capacidade de processamento da planta. A estimativa é de que a refinaria alcance, ao fim do projeto, em 2029, 260 mil barris diários. De acordo com a estatal, deverá atender 17% da demanda nacional de diesel, mas também produzirá gasolina, GLP e nafta.

Planalto rejeita texto na Câmara que mantém escala 6×1

Lojas reabertas no Shopping Light após início da fase de transição do Plano São Paulo para combate à covid-19, que permite o funcionamento das lojas de shopping centers das 11h às 19h.

Ministros do governo federal anunciaram na tarde desta terça-feira (2) uma posição contrária ao parecer do deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE) sobre a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem o fim da escala de trabalho 6×1.

O texto do parlamentar deve ser votado nesta quarta-feira (3), na Câmara dos Deputados, em uma subcomissão que analisa o tema. Em seguida, se aprovada, a matéria será levada à discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

“O governo quer aqui reafirmar aos parlamentares que a nossa posição é de fim da escala 6 por 1. Nós entendemos que tem que ter qualidade de vida na vida dos trabalhadores”, afirmou a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

“Não adianta só reduzir a jornada, é necessário também que os trabalhadores tenham um tempo para resolver os seus problemas, tempo de lazer, tempo de cuidar da sua família”, acrescentou a ministra, em declaração à imprensa.

Gleisi estava acompanhada do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da primeira proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o tema na Câmara (PEC 221/2019), e da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), autora do projeto de lei 67/2025, que também propõe a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas.

“Nós fomos surpreendidos pelo relatório da subcomissão. Então, vamos seguir defendendo essa posição do fim da escala de trabalho 6×1, sem redução do salário, no Parlamento, na sociedade, nas ruas, e dialogar com o conjunto dos parlamentares. É uma pauta aprovada por mais de 70% da população brasileira em todas as pesquisas”, disse o ministro Guilherme Boulos

Proposta do vereador Jorge Quintino buscar ensinar alunos a reconhecer sinais de abuso e violência dentro das escolas

Projeto defende educação preventiva como estratégia de enfrentamento à violência

O vereador Jorge Quintino apresentou um projeto solicitando ao prefeito Rodrigo Pinheiro (PSD) para que haja a criação de uma *Diretriz Municipal para Ensinar Estudantes a Reconhecer e Denunciar Violências contra Crianças e Adolescentes*, em todas as escolas da rede municipal.

A proposta prevê a adoção de práticas pedagógicas e sistemáticas para capacitar crianças e adolescentes a identificar sinais de violência, compreender riscos e saber como denunciar de forma segura estes casos.

Paralelamente, o parlamentar também encaminhou indicação à governadora Raquel Lyra para que o Governo do Estado institua a *Diretriz Estadual de Formação Crítica para Reconhecimento e Enfrentamento das Violências contra Crianças e Adolescentes* nas escolas da rede pública estadual, além de recomendar que colégios particulares adotem orientações semelhantes.

Para Jorge Quintino, a aprovação das medidas é urgente: _“Ensinar nossas crianças a reconhecer e denunciar a violência é proteger vidas, romper o silêncio e transformar a escola em um verdadeiro escudo de cidadania e dignidade”,_ afirmou o vereador.

O projeto segue para discussão na Câmara Municipal.

Barragem de Panelas está à altura da grandiosidade de Pernambuco

Os números sobre a Barra de Panelas II, entregue ontem, pela governadora Raquel Lyra (PSD), ao lado do presidente Lula (PT) são grandiosos. Com 318,5 metros de extensão e 52 metros de altura, a barragem tem capacidade de armazenamento de 16,9 milhões de metros cúbicos de água e contou com investimento de R$104,3 milhões, numa parceria dos governos estadual e federal.

Maior do que esses números, no entanto, é a simbologia da entrega: Panelas deixa de ser uma promessa e sai do papel pelas mãos da primeira governadora da história de Pernambuco.

Panelas estava com obras paralisadas desde 2014, deixando a população da Mata Sul vulnerável às inundações da Bacia do Rio Una e à repetição de tragédias que marcaram diversas famílias. No entanto, a união de forças da governadora Raquel Lyra junto ao governo federal, com investimento e capacidade de articulação, mudaram o cenário. A incerteza e o medo saem da rotina dos moradores da Mata Sul e passa a valer a esperança em dias melhores. Panelas II é, de fato, grandiosa. E sua conclusão, esperada por tantos anos, está à altura da grandiosidade do Estado.

“Água deve ser sinônimo de benção”, destacou a governadora Raquel Lyra ao lado do presidente Lula na inauguração da Barragem Panelas II, após mais de 10 anos de espera

Após mais de 10 anos de espera, a população da Zona da Mata Sul viu a governadora Raquel Lyra e o presidente Lula inaugurarem a Barragem Panelas II, no município de Cupira, no Agreste, nesta terça-feira (2). A obra para contenção de enchentes teve seus serviços iniciados em 2012, paralisados em 2014 e, após articulação da chefe do Executivo estadual, o empreendimento foi entregue com recursos do governo federal através do Novo Pac e execução do Governo do Estado. Durante o evento, os gestores também assinaram a autorização para o início de obras da Barragem Igarapeba, em São Benedito do Sul, que também faz parte do sistema de controle de cheias da Mata Sul.

“A entrega da Barragem Panelas II representa mais segurança e dignidade para o povo pernambucano. Enquanto a água não for sinônimo de bênção e sim de medo, nós não iremos descansar. Hoje, ao lado do presidente Lula, entregamos uma obra que protege vidas e reforça o abastecimento no Agreste e na Mata Sul, e seguimos avançando com a Barragem Igarapeba. Obrigada pela parceria e por acreditar, presidente”, ressaltou a governadora Raquel Lyra.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu a necessidade de iniciativas no Nordeste. “As pessoas nunca levaram em conta cuidar do Nordeste brasileiro. O Nordeste era conhecido como a região com mais desnutrição, mais desemprego e menos universidades. Aqui em Pernambuco, o Novo PAC tem um investimento de R$ 45,9 bilhões. Temos muitas obras em execução e teremos muitas mais. São investimentos em diversas áreas, garantindo dignidade para o povo pernambucano e para todo o Brasil”, frisou o presidente.

A Barragem Panelas II é fundamental para a contenção das cheias que historicamente atingem cidades como Belém de Maria, Catende, Palmares, Água Preta e Barreiros – municípios seriamente impactados nas grandes enchentes de 2000, 2010 e 2017. Além disso, o empreendimento reforçará o abastecimento de água de Panelas, Cupira e Lagoa dos Gatos, beneficiando cerca de 184 mil pessoas. Para isso, o projeto está sendo revisado e um edital de licitação será lançado. A iniciativa inclui ainda ações ambientais, como o plantio de 83 mil mudas nativas em 120 hectares e o monitoramento da fauna local.

O morador de Belém de Maria Marcelo José da Silva, 42 anos, celebrou a entrega, após ver sua família perder os pertences com as enchentes. “Na época das enchentes, foi muita tragédia. Minha irmã perdeu as coisas dela e eu também. Para conquistar de novo foi muito trabalho. Graças a Deus, com essa barragem pronta, vai ajudar muito”, contou.

A obra é feita em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). “Aqui, onde existiam ruínas agora tem segurança e um futuro que o povo da Mata Sul veja a chuva como benção e não mais como um motivo de desespero”, disse o ministro do MIDR, Waldez Góes. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, explicou sobre a parceria. “A maioria das obras do PAC são de execução dos prefeitos e dos governadores, que, quando dão prioridade e colocam uma equipe técnica capaz, fazem as obras andarem. Eu quero parabenizar os funcionários da Secretaria de Recursos Hídricos, que se dedicaram para que essa barragem pudesse ser entregue hoje”, pontuou.

Com investimento de R$ 103,2 milhões, Panelas Il tem capacidade de acumulação de 16,9 milhões de mª de água, altura de 52 metros e extensão de 318,5 metros. A barragem é a segunda infraestrutura a ser entregue do Sistema de Controle de Enchentes da Mata Sul – conjunto formado pelas barragens Panelas II, Gatos, Igarapeba, Barra de Guabiraba e Serro Azul.

Para o secretário e Recursos Hídricos e Saneamento de Pernambuco, Almir Cirilo, as barragens vão garantir segurança hídrica para o povo pernambucano. “Estamos concluindo obras que ficaram abandonadas por anos e retomando outras que são essenciais para proteger vidas”, disse o titular da pasta. Presente na cerimônia, o prefeito de Cupira, Eduardo da Fonseca Lira, ressaltou a importância das obras para a região. “Não tem projeto maior do que transformar as vidas das pessoas. Hoje, essa obra traz esperança ao povo pernambucano”, disse.

*IGARAPEBA* – Iniciada em 2013 e paralisada em 2015, a Barragem Igarapeba terá sua segunda etapa concluída com investimento de R$ 236,7 milhões. Com capacidade de acumulação de 46,6 milhões de m° de água, 58 metros de altura e 355,7 metros de extensão, o equipamento protegerá de inundações diretamente os municípios de São Benedito do Sul, Jaqueira, Maraial e Catende, além de contribuir para a segurança de Palmares, Água Preta e Barreiros. A obra beneficiará 186 mil habitantes, reforçará o abastecimento local e possibilitará usos múltiplos para atividades agrícolas. Também estão previstos o plantio de 124 mil mudas e monitoramento ambiental em área de 209 hectares.

*OUTRAS BARRAGENS* – Com a conclusão de Panelas II, a retomada agora da Barragem Igarapeba, o andamento da Barragem Gatos, que teve obras retomadas em fevereiro deste ano, e, posteriormente, a retomada das obras da Barragem Barra de Guabiraba (atualmente, em fase de conclusão da atualização de seu projeto) – somadas à já entregue Barragem de Serro Azul – o Governo de Pernambuco completa a implantação integral do Sistema de Controle de Enchentes das Bacias dos Rios Una e Sirinhaém, beneficiando uma das regiões mais vulneráveis a eventos climáticos extremos no Estado, que é a Mata Sul.