Sombra nativa, cidade viva: telhados verdes e caatinga urbana como resposta nordestina às ilhas de calor

Por Marcelo Rodrigues

Existe uma cidade no sul da China chamada Nanning que decidiu encarar o estacionamento de um jeito que nenhum urbanista brasileiro ainda teve coragem de propor em escala. Em vez de tratar as áreas de manobra e parada de veículos como superfícies mortas — aquele cinza permanente que reflete calor, acumula água e não oferece nada além de utilidade bruta —, a cidade transformou essas faixas em jardins vivos, com flores, arbustos e cobertura vegetal contínua entre as vagas. O resultado aparece nas imagens: um estacionamento que parece um parque.

A iniciativa não é cosmética. É uma resposta inteligente a um problema que as metrópoles quentes do mundo inteiro enfrentam e que o Nordeste brasileiro conhece de perto: a ilha de calor urbana. Superfícies impermeáveis de asfalto e concreto absorvem radiação solar durante o dia e a devolvem como calor noturno, elevando a temperatura das cidades em até seis graus acima das áreas rurais ao redor. Em qualquer município nordestino, seja no litoral ou no sertão, onde o verão já é rigoroso por natureza, esse efeito não é abstrato. É o que faz o ar-condicionado virar necessidade e não conforto.

O modelo de Nanning parte de um princípio que ainda parece estranho ao mercado imobiliário convencional: a área técnica pode trabalhar a favor do empreendimento. Jardins elevados sobre as faixas de estacionamento reduzem a temperatura do microclima local, melhoram a qualidade do ar, absorvem parte da água das chuvas e, de quebra, valorizam a percepção estética do conjunto. O que era custo de manutenção vira ativo. O que era problema vira solução.

Para o Nordeste, a lógica se traduz com facilidade. A vegetação nativa do bioma — bromélias, cactos ornamentais, palmas, ipês e espécies da caatinga adaptada — é exatamente aquela que suporta calor, demanda pouca irrigação e responde bem ao cultivo em canteiros elevados. Um estacionamento verde no semiárido não precisa importar tecnologia nem espécie exótica. Precisa de projeto, intenção e uma política municipal que deixe de tratar o paisagismo como despesa supérflua.

Há ainda a dimensão legal que nenhum gestor municipal pode ignorar. A Lei Federal n.º 14.489/2022, que instituiu a Política Nacional de Arborização Urbana, e as resoluções do Conama sobre permeabilidade do solo já oferecem base jurídica para que prefeituras exijam cobertura vegetal em projetos de estacionamento acima de determinado porte. Falta vontade política para transformar a norma em prática cotidiana.

O que a experiência asiática mostrou não é que aquele país tem mais dinheiro. É que a cidade decidiu ver o asfalto como oportunidade. No Nordeste, onde o sol bate forte, as chuvas chegam concentradas e o verde urbano ainda é tratado como exceção, essa decisão precisa ser tomada agora — antes que mais uma geração cresça achando normal estacionar em fornos de concreto.

Marcelo Rodrigues, professor, jurista, ambientalista, observador urbano, sertanista, consultor ambiental da @prefcaruaru , ex-secretário do Meio Ambiente do Recife.

Pré-candidato a deputado estadual, Anderson Luiz ganha força nas comunidades rurais de Caruaru

O pré-candidato a deputado estadual Anderson Luiz (PSD) vem intensificando sua presença nas comunidades rurais de Caruaru durante a programação do São João na Roça, realizada desde o mês de abril. Ao lado do prefeito Rodrigo Pinheiro (PSD), Anderson tem acompanhado de perto os eventos e circulado pelas localidades, mantendo contato direto com a população em um dos períodos mais tradicionais do calendário cultural do município.

Por onde passa, Anderson tem recebido demonstrações de apoio e carinho dos moradores e comerciantes da zona rural, fortalecendo sua articulação política e ampliando sua visibilidade junto às comunidades. A participação frequente nas festividades juninas também reforça a aproximação do pré-candidato com as pautas e demandas da população do campo. “É ouvindo as pessoas e estando presente nas comunidades que a gente constrói esse caminho”, destacou Anderson Luiz.

Flávio Bolsonaro diz acreditar na inocência de Ciro Nogueira ‘até que se prove o contrário’

Estadão

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que “acredita na inocência” do senador Ciro Nogueira (PP-PI) “até que se prove o contrário”. Ciro, ex-ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro, foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) por suposta participação no esquema de fraudes no Banco Master.

“O Ciro é um presidente de um partido importante, sofreu acusações graves, que ele, inclusive, já começou a explicar. Pelo menos, ele tem um relator no Supremo, o ministro André Mendonça, que não vai sacaneá-lo e vai dar oportunidade da defesa trabalhar, vai dar oportunidade do Ciro se explicar e provar que é inocente”, disse.

No pedido de operação contra Ciro, a PF diz que o senador recebeu “vantagens indevidas” em troca do auxílio a Vorcaro em projetos no Congresso. A PF cita “pagamentos mensais”, aquisição societária vinculada a Ciro Nogueira, pagamentos de viagens internacionais e “fruição”, pelo senador, de um imóvel do banqueiro. A defesa do parlamentar afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

Flávio também negou envolvimento do publicitário Marcello Lopes, coordenador de comunicação da sua campanha, com o Banco Master. Segundo a Folha de S.Paulo, Lopes consta como estrategista de um plano de ataques coordenados contra o Banco Central (BC) que teria sido contratado por Daniel Vorcaro, do Master. “Eu sou muito grato a ele e essa é uma mentira, ele não tem absolutamente nada a ver com esse caso. Hoje já está mais do que esclarecido”, afirmou.

Pessoas próximas à equipe descrevem Lopes como alguém da estrita confiança de Flávio e com influência nas decisões da pré-campanha. Ele tem viajado com o senador, inclusive na ida que fizeram a Israel em janeiro.

Valor repassado por Vorcaro a filme de Bolsonaro supera orçamento de ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘O Agente Secreto’

O montante transferido pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do longa-metragem “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, já ultrapassa o orçamento de dois dos maiores sucessos recentes do cinema brasileiro. As informações são do jornal O GLOBO.

Segundo a coluna da jornalista Malu Gaspar, Vorcaro repassou R$ 62 milhões entre fevereiro e maio de 2025, valor que supera os R$ 28 milhões gastos em “O Agente Secreto” e os R$ 45 milhões de “Ainda Estou Aqui”, filme premiado no Oscar. O caso foi revelado nesta quarta-feira pelo The Intercept Brasil e confirmado pelo GLOBO.

O acordo teria sido intermediado pelo publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, que confirmou ter apresentado o projeto ao banqueiro a pedido do deputado federal Mario Frias (PL-SP). De acordo com Miranda, o total originalmente previsto era de R$ 134 milhões (o equivalente a quase cinco vezes o custo de O Agente Secreto), mas os repasses foram interrompidos após a prisão de Vorcaro e os escândalos de fraude envolvendo o Banco Master.

No caso de Agente Secreto, longa estrelado por Wagner Moura, o valor total da produção foi dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. Segundo dados da Ancine, a fatia brasileira foi de R$ 13,5 milhões, divididos em R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), fundo ligado ao Ministério da Cultura e operacionalizado pelo BNDES, e a diferença vêm da iniciativa privada.

Além disso, a comercialização do filme custou R$ 4 milhões, sendo R$ 750 mil do FSA. Outros R$ 3 milhões para comercialização foram bancados por meio da Lei do Audiovisual, que permite a pessoas físicas e jurídicas destinarem parte do Imposto de Renda a obras audiovisuais, selecionadas pela Ancine, por meio de patrocínio.

A disparidade fica ainda mais evidente quando comparada a produções estrangeiras da última temporada do Oscar que custaram menos do que o valor repassado por Vorcaro. “Sonhos de Trem”, produção original da Netflix dirigida por Clint Bentley e estrelada por Joel Edgerton, Felicity Jones e William H. Macy, foi filmado por US$ 10 milhões. O norueguês “Valor Sentimental”, de Joachim Trier, concorreu diretamente com O Agente Secreto na disputa por melhor filme internacional com orçamento de US$ 7,8 milhões.

Para efeito de comparação, “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou o prêmio de melhor direção e melhor ator (Wagner Moura) no Festival de Cannes, além de indicações ao Oscar. “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, levou o Oscar de melhor filme internacional e o Globo de Ouro de melhor atriz para Fernanda Torres.

“Dark Horse” é dirigido por Cyrus Nowrasteh e tem Jim Caviezel, conhecido pelo papel de Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”, no papel de Jair Bolsonaro. O filme acompanha os bastidores da campanha presidencial de 2018, incluindo o atentado sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora, Minas Gerais. A estreia era prevista para setembro de 2026, antes da eleição para o Planalto.

Entenda o caso

A reportagem do Intercept reproduz mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário, além de registros de transferências financeiras. Entre os documentos divulgados está um áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro na véspera da primeira prisão do banqueiro, no dia 16 de novembro, cobrando repasses em atraso. Em nota, o senador confirmou os contatos, mas afirmou ter conhecido Vorcaro apenas em dezembro de 2024, após o encerramento do governo de seu pai, e classificou o aporte como financiamento privado.

A cobrança dos recursos feita por Flávio Bolsonaro ocorreu em 8 de setembro de 2025 no momento em que os envolvidos na produção tinham dificuldades para honrar compromissos da montagem.

“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o senador, em áudio enviado ao banqueiro.

Outro contato também foi feito dois meses depois, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, diz Flávio.

Segundo Miranda, o projeto chegou até ele por meio de Frias, que relatou dificuldades para captar recursos para a produção. O publicitário disse ter apresentado a proposta a Vorcaro, que teria concordado em entrar não como patrocinador, mas como investidor, com perspectiva de retorno financeiro após o lançamento.

O mesmo intermediário afirmou que a participação do banqueiro foi deliberadamente mantida fora do conhecimento público. Após a interrupção dos aportes, Frias teria captado novos investidores para concluir as filmagens, cujas identidades Miranda disse desconhecer.

Flávio, que agora admite pedido de dinheiro, disse há dois meses que nunca teve contato com Vorcaro

Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que agora admite ter pedido e recebido dinheiro de Daniel Vorcaro para a realização de um filme sobre seu pai, negou há dois meses ter qualquer contato com o ex-dono do Banco Master, quando a Folha revelou que seu número de telefone estava na agenda do ex-banqueiro.

A coluna Mônica Bergamo mostrou em 16 de março que documentos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) revelaram que os contatos de Flávio, do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), do ex-presidente Michel Temer e de artistas como o apresentador Luciano Huck constavam da agenda de Vorcaro. As informações são da Folha de S. Paulo.

Na ocasião, Flávio afirmou que nunca teve contato com o dono do Banco Master. “O número do meu telefone não é propriamente um segredo”, afirma ele, sugerindo que qualquer outra pessoa pode ter passado seu contato a Vorcaro, de acordo com a reportagem.

Nesta quarta (13), após o site Intercept Brasil revelar conversas de Flávio com Vorcaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o pré-candidato do PL admitiu em nota e vídeo que conheceu o então banqueiro em dezembro de 2024 e que pediu dinheiro para o longa-metragem.

“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, escreveu o senador, em nota.

O senador disse que conheceu Vorcaro quando o governo Bolsonaro já havia acabado e não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro.

“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse Flávio.

A Folha procurou a assessoria do senador às 18h50 desta quarta (13) para questioná-lo sobre a mudança de versão, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.

Vorcaro pagou R$ 61 milhões para financiar o filme, informação revelada pelo Intercept Brasil e confirmada pela Folha.

Conforme revelado pelo Intercept, Flávio afirmou em mensagem enviada em 8 de setembro do ano passado a Vorcaro: “Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”.

As mensagens foram enviadas cinco dias depois de o Banco Central vetar a compra do Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília). A liquidação só viria em novembro, junto com a primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro.

No dia 16 de novembro, segundo o Intercept, Flávio teria enviado outra mensagem para Vorcaro dizendo: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Raquel comemora boa relação com Lula: “Ele decidiu por Pernambuco”

Por Juliano Muta – Blog da Folha

A tendência de que o presidente Lula tenha dois palanques em Pernambuco nas próximas eleições, no que depender dos gestos da governadora Raquel Lyra (PSD), vai se confirmar. Em visita à Folha de Pernambuco, nesta quarta (13), ela teceu elogios ao bom relacionamento com o governo federal.

“Pela sua generosidade, pela sua largueza, porque quando muitos pensaram, disseram que ele ia optar por um partido político ou outro, ele decidiu por Pernambuco. E para que a gente pudesse fazer parcerias no nosso estado. E essas parcerias renderam frutos”, destacou Raquel, citando a entrega da obra completa do canal do Fragoso, prevista para dezembro deste ano.

“O Estado de Pernambuco botou nessa obra agora R$ 400 milhões de reais nesses últimos 3 anos. Mas a obra estava travada no Governo Federal, travada no Tribunal de Contas, construímos mediação e as condições para que ela pudesse ser construída”, comemorou.

Entregas
“Fizemos parcerias na Minha Casa Minha Vida. A gente apresentou proposta para ser parceiro do Governo Federal. Apresentamos os melhores terrenos para construir casas e selecionamos as empresas para construir. A gente sai de uma postura passiva para uma postura ativa. Em três anos, a gente entregou 25.000 casas, seja entregando o valor da entrada para quem paga a parcela do imóvel através do Morar Bem Entrada Garantida”, detalhou Raquel.

“O maior déficit habitacional do Pernambuco é para quem ganha até dois salários mínimos, mas quem ganha até dois salários mínimos tem dinheiro para fazer poupança para poder pagar a entrada do financiamento de até R$ 20.000 na Caixa. Então, as pessoas que se inscrevem, eu nunca perguntei a elas em quem elas votaram na eleição passada ou na próxima. Então, dessa mesma forma, o Governo Federal tem nos tratado”, disse.

“E essa generosidade também é de um pernambucano que quer ver as obras acontecerem aqui. De obras que ficaram paradas no tempo, que no governo passado deixaram sair do caminho, que nem a Transnordestina, a gente retomou. A obra da Adutora do Agreste, que estava sem entregar água nas cidades, a gente retomou e estamos entregando. E quando às vezes atrasa o dinheiro do governo federal, eu boto o dinheiro na frente para o governo não parar e sou ressarcida pelo governo federal”, comentou a gestora.

“As obras de barragem estavam paradas no tempo, eu atualizei projeto, licitei e já comecei a entregar. Então, é o Governo Federal e o Governo de Pernambuco. O governo que me antecedeu brigou com três presidentes da República. E não era por bandeira ideológica, porque foi desde Dilma, passando por Temer e chegando até Bolsonaro. (…) Ou foi falta de decisão política de priorizar construir parceria. Porque a eleição se dá no tempo da eleição, cada um pode tomar seu rumo”, avaliou a governadora.“Parceria é necessária para se fazer num estado federativo e pobre como é o nosso de Pernambuco. Nós precisamos de investimento do governo federal. Precisamos para que a gente possa ir além das nossas próprias capacidades. Então, o presidente Lula, ele desde o primeiro momento disse disse que não faltaria Pernambuco. E que eu procurasse os ministros”, lembrou.

No jornal, a gestora foi recebida pelo presidente do Grupo EQM e fundador da Folha de Pernambuco, Eduardo de Queiroz Monteiro; pela vice-presidente do jornal, Mariana Costa; pelo diretor Executivo, Paulo Pugliesi; pelo diretor Operacional, José Américo; e pela editora-chefe da Folha, Leusa Santos.

O encontro também contou com a presença do assessor especial da presidência do Grupo EQM, Joni Ramos; da gerente administrativa da Folha, Ivone Palácio; da colunista de política Betânia Santana; o radialista Tarcísio Regueira (o Bocão), e demais jornalistas do jornal.

Raquel estava acompanhada do vice-presidente do PSD, André Teixeira; do secretário de Comunicação do Governo de Pernambuco, Rodolfo Costa Pinto, e a secretária executiva de Imprensa, Daniella Brito.

STF invalida regras de Pernambuco sobre licenciamento de antenas de telecomunicações

Torres de telecomunicaçõesFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucionais trechos de normas do

Estado de Pernambuco que exigiam licenciamento ambiental para a instalação e operação de Estações Rádio Base (ERBs) e outras infraestruturas de telecomunicações. A decisão foi tomada por unanimidade no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7840, relatada pelo ministro Flávio Dino, em sessão plenária virtual encerrada em 4/5.

A ação foi proposta pela Associação Nacional das Operadoras Celulares (Acel), que questionava a imposição de regras estaduais a um setor regulado por legislação federal.

O Plenário invalidou dispositivos da Lei estadual 14.249/2010, da Resolução Consema/PE 1/2018 e da Instrução Normativa CPRH 3/2023 que submetiam essas atividades a licenciamento ambiental estadual. Também interpretaram outros trechos dessas normas para deixar expresso que eles não se aplicam à instalação e à operação de serviços e infraestruturas de telecomunicações.

Competência da União

Ao votar, o relator destacou que a Constituição atribui à União a competência exclusiva para legislar sobre telecomunicações. Ainda que tenham competência concorrente em matéria ambiental, estados e municípios não podem criar exigências que afetem a prestação desses serviços. “As limitações para a instalação de infraestruturas de telecomunicações estão dispostas em normas federais, e regras locais ingressam no domínio normativo reservado à União”, afirmou.

Dino ressaltou que esse entendimento já foi consolidado pelo STF no Tema 1.235 da repercussão geral e está previsto na Lei Geral das Antenas (Lei 13.116/2015), que disciplina o licenciamento, a instalação e o compartilhamento de infraestrutura no país. Para ele, ao submeter ERBs e redes de transmissão a condicionantes próprias, as normas pernambucanas invadiram a competência legislativa privativa da União.

Governo cria subsídio de até R$ 0,89 para segurar preço da gasolina

Brasília (DF), 13/05/2026 - Secretário-Executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, durante coletiva para anunciar novas ações de enfrentamento aos efeitos da guerra sobre o setor de combustíveis no Brasil. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (13) uma nova medida para tentar conter a alta dos combustíveis no país. A principal ação será a criação de uma subvenção, espécie de subsídio pago pela União, para reduzir o impacto do aumento da gasolina e do diesel sobre consumidores e empresas.

A medida será implementada por meio de uma medida provisória (MP) a ser editada presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o governo, a ajuda poderá chegar a até R$ 0,8925 por litro de gasolina e R$ 0,3515 por litro de diesel. No entanto, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, anunciou que, no caso da gasolina, o governo pretende subsidiar de R$ 0,40 a R$ 0,45 por litro no momento.

No caso do diesel, a subvenção de R$ 0,3515 entrará em vigor em junho, quando acabará a redução a zero dos tributos federais.

 

Como funciona

Brasília (DF), 13/05/2026 - O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, fala durante coletiva para anunciar novas ações de enfrentamento aos efeitos da guerra sobre o setor de combustíveis no Brasil. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Bruno Moretti anuncia que no caso da gasolina o governo pretende subsidiar R$ 0,40 por litro .- Valter Campanato/Agência Brasil

Na prática, o governo vai devolver às refinarias e aos importadores parte dos tributos federais cobrados sobre os combustíveis, como Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

O pagamento será feito por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), diretamente às empresas produtoras e importadoras.

A ideia é impedir que toda a alta internacional do petróleo seja repassada aos postos e, consequentemente, aos consumidores.

O ministro Moretti comparou a medida a um sistema de “cashback” tributário.

“Quando a empresa paga esse valor de tributo, a gente devolve esse tributo como uma subvenção. Essa devolução é uma espécie de cashback capaz de absorver eventuais choques de preço dos combustíveis”, afirmou.

Alta do petróleo

O governo atribui a pressão sobre os preços à disparada da cotação internacional do petróleo, agravada pela guerra no Oriente Médio.

Antes do conflito, o barril do tipo Brent era negociado abaixo de US$ 70. Agora, a cotação já supera os US$ 100 no mercado internacional.

A preocupação aumentou após a Petrobras indicar que poderá reajustar o preço da gasolina nos próximos dias.

A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que o aumento “vai acontecer já já”.

Impacto fiscal

De acordo com o Ministério da Fazenda, cada R$ 0,10 de subsídio na gasolina terá custo mensal estimado em R$ 272 milhões para os cofres públicos.

No diesel, o gasto será de aproximadamente R$ 492 milhões por mês para cada R$ 0,10 de subvenção.

Com o subsídio estimado em R$ 0,40 para a gasolina, explicou Moretti, o custo para o governo federal ficará em R$ 1,2 bilhão por mês. No caso do diesel, a nova subvenção custará R$ 1,7 bilhão mensais. Depois de dois meses, o governo avaliará a necessidade de prorrogação da medida.

Mesmo assim, o governo afirma que a medida terá neutralidade fiscal, sem impacto sobre os cofres federais.

O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, disse que o aumento das receitas obtidas com royalties, dividendos e participações do setor petrolífero compensará os gastos.

“É impossível neutralizar 100%, mas é possível atuar de forma rápida e mitigar os efeitos da guerra para a população”, declarou Ceron.

Diesel e gasolina

Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a nova subvenção começará pela gasolina porque o combustível ainda não havia recebido nenhum tipo de compensação tributária desde o início da crise internacional.

Brasília (DF), 13/05/2026 - Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante coletiva para anunciar novas ações de enfrentamento aos efeitos da guerra sobre o setor de combustíveis no Brasil. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Alexandre Silveira diz que subenção começa pela gasolina porque é o combustível que ainda não recebeu compensação- Valter Campanato/Agência Brasil

No caso do diesel, o governo já havia adotado medidas anteriores, como a suspensão de tributos federais e outros programas de compensação.

Prazo da medida

O subsídio terá validade inicial de dois meses, com possibilidade de prorrogação caso a crise internacional continue pressionando os preços.

Segundo o governo, as empresas que receberem o benefício terão de cumprir regras para garantir que a redução seja repassada ao consumidor final.

O desconto também deverá aparecer nas notas fiscais.

Medidas anteriores

Desde março, o governo vem anunciando uma série de ações para tentar reduzir os impactos da alta do petróleo.

Entre as medidas já adotadas estão:

  • zerar PIS/Cofins sobre diesel e biodiesel;
  • subsidiar diesel nacional e importado;
  • criar ajuda para o gás de cozinha;
  • zerar tributos sobre querosene de aviação;
  • liberar crédito para companhias aéreas;
  • ampliar fiscalização sobre preços abusivos nos postos.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP), em conjunto com Procons e órgãos de segurança, intensificou a fiscalização em distribuidoras e postos de combustíveis em todo o país.

Projeto no Congresso

Paralelamente, o governo também enviou ao Congresso um projeto para permitir que receitas extras obtidas com petróleo sejam usadas para reduzir tributos sobre combustíveis.

A proposta prevê a possibilidade de diminuir impostos sobre gasolina, diesel, etanol e biodiesel em momentos de alta internacional do petróleo.

Enquanto o texto ainda aguarda votação, o governo decidiu recorrer à medida provisória para evitar um aumento imediato nos preços nas bombas

Flávio Bolsonaro admite cobrança a Vorcaro, mas nega crime

Brasília (DF), 11/09/2025 - O senador Flávio Bolsonaro, fala com jornalistas em frente do condomínio onde seu pai, ex presidente Jair Bolsonaro cumpri prisão domiciliar.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, admitiu ter mantido contato por quase um ano com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, período durante o qual articulou um apoio de R$ 134 milhões para a realização de um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O caso foi revelado nesta quarta-feira (13) em uma reportagem do portal The Intercept Brasil.

Em nota, Flávio Bolsonaro confirmou o pedido de recurso e a relação com Vorcaro, mas destacou tratar-se de uma questão privada.

“É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, disse o parlamentar na manifestação, horas após a publicação da matéria.

Ainda na nota, Flávio Bolsonaro nega ter combinado qualquer vantagem indevida no trato com o banqueiro.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ”, completou.

Após a nota, um vídeo de Flávio repetindo os mesmos argumentos também está sendo divulgado nas redes sociais. Nessa gravação, ele diz que Vorcaro parou de honrar com as parcelas pendentes do patrocínio e informa que havia um contrato assinado a respeito desses repasses prometidos.

Áudio revelado
Ao revelar o envolvimento entre Flávio e Vorcaro, a reportagem do Intercept divulgou um áudio do próprio senador que menciona a importância do filme sobre o pai e a necessidade do envio dos recursos para pagar “parcelas para trás”.

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, disse o senador na mensagem trocada com o banqueiro.

A reportagem revela também, com base em outras mensagens de WhatsApp vazadas, bem como em documentos e comprovantes bancários, que parte do valor teria sido pago entre fevereiro e maio de 2025.

Prisão
As últimas conversas entre ambos, reveladas pela reportagem, datam do início de novembro do ano passado, um período crítico para o Banco Master e Vorcaro. Pouco mais de uma semana depois dessa troca de mensagens, o Banco Central decretou a liquidação do Master e a Polícia Federal (PF) prendeu o banqueiro em um dos desdobramentos da operação sobre fruades financeiras.

Atualmente, ele está preso na Superintendência da PF em Brasília e negocia um possível acordo de delação premiada.

O filme estaria sendo realizado por uma produtora no exterior, com atores e equipes estrangeiros, e tem previsão de ser lançado ainda este ano. Segundo a matéria, o apoio envolveu transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro a um fundo dos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

Deputados pedem investigação sobre relação entre Vorcaro e Flávio

Brasília (DF), 16/09//2025  -  Senador, Flávio Bolsonaro durante entrevista. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Deputados federais do PT, PSOL e PCdoB anunciaram nesta quarta-feira (13) que vão apresentar uma denúncia à Polícia Federal (PF), bem como um requerimento à Receita Federal e um pedido de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), para investigar a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

O pedido se baseia em uma reportagem do site The Intercept Brasil que revelou que o senador Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Vorcaro um aporte milionário para financiar um filme sobre a família Bolsonaro. Vorcaro está preso suspeito de liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras.

Trocas de mensagens e documentos obtidos pelo veículo mostram Flávio cobrando Vorcaro pelos pagamentos. O valor mencionado na negociação seria de, aproximadamente, R$ 134 milhões, segundo o Intercept. O apoio do banqueiro viabilizaria a realização do filme, que estava sendo realizado no exterior, com atores e equipe estrangeiros.

 

Em um dos áudios, Flávio menciona a importância do filme e a necessidade do envio dos recursos para pagar “parcelas para trás”.

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, diz o senador, em áudio.

A matéria revela, com base em áudios e mensagens de WhatsApp vazadas, bem como em documentos e comprovantes bancários, que parte do valor teria sido pago entre fevereiro e maio de 2025. O suposto apoio envolve transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro a um fundo dos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

Investigação

Brasília – DF – 13/05/2026 – O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, durante entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara.  Lula Marques/Agência Brasil
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, durante entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara. Lula Marques/Agência Brasil.

O líder do PT na Câmara, deputado federal Pedro Uczai (SC), apontou uma possível ilegalidade na transferência.

“Esse recurso encaminhado lá nos EUA para o fundo que tem relação com o advogado de Eduardo Bolsonaro, passou pela Receita, teve cobrança tributária, foi declarado, é ilegal?”, questionou.

De acordo com Uczai, um requerimento com essas indagações será encaminhado à Receita Federal. Os parlamentares também anunciaram que vão apresentar uma denúncia à Polícia Federal (PF), para que abra o inquérito e investigue possíveis crimes no envolvimento entre Vorcaro e Flávio.

“Ninguém doa o valor de R$ 134 milhões se não tiver relação pessoal, política e até afetiva”, disse o deputado.

Nas mensagens reveladas pela reportagem, o senador trata o banqueiro como “irmão” e chega a proferir frases como: “Estou e estarei contigo sempre”. As conversas vazadas, segundo o Intercpet, teriam ocorrido dias antes da primeira prisão de Vorcaro e da liquidação do Banco Master por decisão do Banco Central.

“Lavagem de dinheiro, corrupção passiva, tráfico de influência e financiamento ilegal. Há indícios fortes desses quatro crimes, que precisam ser investigados, na relação entre o senador Flávio Vorcaro e o banqueiro Daniel Bolsonaro. Porque agora os nomes começam a se misturar”, acusou o líder da federação PSOL/Rede na Câmara, deputado federal Tarcísio Motta (RJ).

Já a atual líder da bancada do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), apontou que o suposto valor de R$ 134 milhões é muito acima do que custaria um filme, o que abre questionamentos sobre a real finalidade do recurso. De forma irônica, ela comparou o orçamento de Dark Horse, o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com o de obras brasileiras premiados recentemente, como Ainda Estou Aqui e Agente Secreto.

“O Ainda Estou Aqui não passou de R$ 50 milhões. O Agente Secreto foi R$ 28 milhões de orçamento. Qual é a biografia que tem o senhor Jair Bolsonaro para ter um filme de R$ 134 milhões? É importante que a gente também apure para onde de fato, foi esse dinheiro. Para o bolso de quem foi, nós precisamos saber”, afirmou.

Outro lado

Em nota, Flávio Bolsonaro confirmou o pedido de dinheiro para financiar o filme e a relação com Vorcaro, mas destacou tratar-se de uma relação privada.

“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou.

Flávio disse que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024,”quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”

“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, disse o parlamentar na manifestação.

Ainda na nota, Flávio Bolsonaro nega ter combinado qualquer vantagem indevida no trato com o banqueiro.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro”, completou.