Dólar encosta em R$ 5,10 com tarifaço e tensão global

Dólar

Os mercados financeiros encerraram a quinta-feira (16) em clima de cautela. O dólar voltou a subir e fechou próximo de R$ 5,10, refletindo o fortalecimento da moeda estadunidense no exterior e os efeitos da confirmação de tarifas dos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras.

A bolsa brasileira acompanhou o movimento de aversão ao risco e recuou mais de 1%, enquanto o petróleo fechou em queda, apesar da escalada das tensões no Oriente Médio.

Principais números do mercado nesta quinta (16)
Dólar: R$ 5,098 (+0,40%);
Bolsa: 173.825,27 pontos (- 1,24%);
Petróleo tipo Brent US$ 84,23 (-0,85%);
Petróleo WTI: US$ 78,95 (-0,82%).
Dólar
A valorização do dólar foi impulsionada principalmente pelo cenário externo. O dólar comercial encerrou esta quinta-feira vendido a R$ 5,098, com alta de R$ 0,021 (+0,4%).

Na máxima do dia, por volta das 14h15, chegou a R$ 5,11, mas desacelerou nas horas finais de negociação. Apesar da alta desta quinta, a divisa cai 7,12% em 2026.

Dados da economia estadunidense mostraram um mercado de trabalho resiliente e consumo ainda aquecido, fortalecendo a expectativa de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos e favorecendo a moeda americana frente às divisas de países emergentes.

Os pedidos semanais de auxílio-desemprego somaram 208 mil, abaixo da expectativa de 217 mil. As vendas no varejo cresceram 0,2% em junho, conforme o esperado.

No mercado doméstico, investidores também repercutiram a confirmação da tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Apesar de a lista de exceções ter sido mais ampla que a prevista, a medida aumentou a cautela em relação aos efeitos sobre alguns segmentos da economia e sobre o fluxo cambial.

Bolsa
A bolsa brasileira acompanhou o movimento negativo observado em Wall Street e ampliou as perdas registradas na sessão anterior. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 173.825,27 pontos, com queda de 1,24%.

Com perda acumulada de 2,27% na semana, o Ibovespa sobe 7,88% no ano.

Além da piora do ambiente internacional, pesaram sobre o mercado as incertezas em torno dos impactos do tarifaço americano e da eventual resposta do governo brasileiro por meio da Lei da Reciprocidade.

As ações de maior peso do índice contribuíram para a queda do Ibovespa. Os papéis da Petrobras, os mais negociados na bolsa brasileira, recuaram acompanhando o petróleo. Ações de mineradoras também fecharam em baixa diante da desvalorização do minério de ferro.

Petróleo
Mesmo com o aumento das tensões no Oriente Médio, os preços internacionais do petróleo terminaram o dia em queda, após operarem com forte volatilidade.

Referência nas negociações internacionais, o petróleo do tipo Brent fechou o dia aos US$ 84,23, com recuo de 0,85%. O barril WTI, do Texas, encerrou aos US$ 78,95, com queda de 0,82%.

O mercado acompanhou novas ameaças dos houthis, no Iêmen, contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita e a possibilidade de interrupções nas rotas marítimas do Mar Vermelho e do Estreito de Ormuz, consideradas estratégicas para o transporte global do produto.

Apesar do recuo nesta sessão, investidores continuam monitorando o risco de novas interrupções na oferta mundial de petróleo, cenário que mantém um prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços da commodity.

Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA

Plantação de Café  na  Embrapa Cerrado

Itens de aviação civil, petróleo, carne bovina e café, que juntos responderam por um terço da pauta de exportações do Brasil para os Estados Unidos, no primeiro semestre deste ano, não estão sujeitos ao tarifaço imposto por aquele país aos produtos brasileiros.

Nesta quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos provenientes do Brasil. Também estão isentos da cobrança extra produtos como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja.

Por outro lado, alguns setores não conseguiram se livrar da taxação, como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.

As isenções foram estabelecidas pelos Estados Unidos para aqueles produtos brasileiros que não são produzidos internamente por lá em quantidade suficiente ou a preços razoáveis, evitando assim escassez de determinados produtos no mercado consumidor e perturbações na economia daquele país.

Tarifaço
As tarifas de 25% foram anunciadas nesta quarta-feira (15) e devem entrar em vigor no próximo dia 22, depois de uma investigação do USTR.

O USTR justificou suas taxas dizendo que certas práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Já o governo brasileiro repudiou as novas tarifas, disse que não reconhece a legitimidade da investigação do USTR e acrescentou que não há justificativa para essas medidas.

O Brasil informou ainda que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC [Organização Mundial do Comércio]”.

Setor cafeeiro isento
Entidades representativas do setor cafeeiro, entre elas, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), celebraram o fato do café brasileiro ter ficado de fora desta tarifação. Elas destacam o trabalho feito em defesa do setor desde do primeiro tarifaço, em 2025, e mais recentemente em 6 e 7 de julho, nas audiências públicas do USTR.

Em comunicado conjunto,elas manifestaram que o “trabalho conjunto com a National Coffee Association (NCA), tendo fundamental apoio dos importadores dos EUA, resultou em duas vitórias ao café brasileiro: i) a manutenção dos cafés previamente sugeridos na lista de exceção no âmbito da investigação da Seção 301 do USTR; e ii) a ampliação da lista, que incluiu o café solúvel não aromatizado entre os produtos isentos ao tarifaço”.

“Entendemos que essa decisão protege as exportações brasileiras de café – na ordem de US$ 2,0 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano aos EUA, maior consumidor e importador mundial – e reforça a força do Brasil como maior produtor e exportador global, estabelecido como parceiro insubstituível aos norte-americanos”, destacam ainda as entidades, na nota.

Abic, Abics e Cecafé ponderam, entretanto, o fato de existir ainda uma segunda “investigação do USTR na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, a qual pode trazer uma nova possibilidade de tarifas ao café brasileiro, da ordem de 12,5%”.

Diante disso, elas concluem que seguirão “em permanente trabalho de representação da sustentabilidade, da qualidade e da competitividade dos cafés do Brasil em todo o mundo, de maneira que os interesses de todos os atores da cadeia produtiva sejam defendidos e contemplados”.

 

Entenda a Lei de Reciprocidade, que o Brasil pode adotar contra os EUA

Brasília - 22.05.2023 - Foto da Fachada do Palácio do Planalto em Brasília. Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

A decisão do governo dos Estados Unidos, divulgada nesta quarta-feira (15), de impor tarifas de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil, trouxe uma reação imediata do governo brasileiro. Em resposta, o Palácio do Planalto afirmou que a Lei de Reciprocidade brasileira será acionada “imediatamente”.

A lei, sancionada em 11 de abril de 2025, foi motivada também por decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Já naquela ocasião, Trump escalou em uma guerra comercial contra diversos países, inclusive o Brasil, e anunciou sobretaxas de importação.

A Lei nº 15.122 estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte negativamente a competitividade econômica do Brasil.

Ou seja, se um país com o qual o Brasil tem relação comercial adota uma medida que o prejudique nessa relação, o governo pode adotar uma série de contramedidas. Dentre elas, impor tributos ou taxas, acabar com isenções ou redução de valores de tarifas de importação, ou restringir importações de bens ou serviços.

Essas contramedidas devem ser, na medida do possível, aplicadas na mesma proporção do prejuízo econômico causado por outro país ou bloco econômico ao Brasil.

Soberania
A Lei da Reciprocidade destaca que cabe a suspensão de concessões comerciais, entre outras medidas, a países ou blocos de países que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.

Assim, a lei se aplica a um país que ameace aplicar ou aplique medidas comerciais na tentativa de interferir em atos específicos ou práticas no Brasil.

A legislação também abre espaço ao diálogo e entendimento para que medidas retaliatórias não sejam tomadas obrigatoriamente. Em seu Artigo 4º, determina que a diplomacia entre em ação para reduzir ou anular a necessidade das contramedidas previstas.

Meio ambiente
A Lei de Reciprocidade também inclui países que tomem medidas unilaterais com base em requisitos ambientais mais onerosos do que os padrões de proteção ambiental adotados no país.

Nesse caso, o Brasil deve considerar, além das normas ambientais adotadas internamente, como o Código Florestal, de 2012, as metas estabelecidas na Política Nacional do Clima, de 2009, e os compromissos assumidos no Acordo de Paris, de 2015.

Se um país aplicar medidas comerciais unilaterais alegando descumprimento de normas ambientais não contempladas por esses institutos, e que sejam mais dispendiosas ao Brasil, está prevista a aplicação de contramedidas.

Setores atingidos por tarifaço dos EUA terão novo plano de socorro

Brasília (DF), 14/07/2026 - Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, fala durante declaração à imprensa a respeito do recente anúncio do USTR de imposição de tarifas contra produtos brasileiros, na sala de coletivas do Palácio Itamaraty. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) que retomará o programa de apoio aos setores empresariais atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA). Ontem, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou uma tarifa adicional de 25% em parte dos produtos brasileiros alegando supostas práticas “desleais” no comércio por parte do Brasil.

O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação. As novas tarifas passam a valer a partir do dia 22 de julho.

“O governo, a partir de agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores por essa injusta, indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta”, afirmou o ministro Márcio Elias Rosa, titular da pasta Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), durante coletiva de imprensa, em Brasília, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outros ministros, incluindo Dario Durigan, da Fazenda.

Segundo Rosa, os exportadores mais atingidos desta vez são os setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis e mobiliários, produtos cerâmicos, calçados e  açúcar. Eles deverão contar com linha de crédito para capital de giro, investimentos e com apoio para escoamento de produtos a outros clientes e países.

Estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, apontam um total de 2,4 mil empresas nacionais diretamente atingidas pelo tarifaço, que respondem, juntas por cerca de 18% das exportações brasileiras com destino aos EUA, o que corresponde a transações estimadas de US$ 7,4 bilhões, na comparação com números de 2024.

Prejuízo

No ano passado, esses mesmos setores já haviam reduzido para US$ 5,5 bilhões o volume total de exportações aos norte-americanos. Mais da metade da pauta de exportações do Brasil aos EUA, como carnes, café, óleos e itens de aviação, foi poupada da taxação por decisão norte-americana desta vez.

A participação dos EUA nas exportações brasileiras, que era de 12,1%, até o ano passado, caiu para 9,4% em 2026, e o governo continuará a fomentar uma política de diversificação de mercados para esses produtos, afirmou Márcio Elias Rosa.

Brasília (DF), 14/07/2026 - Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, fala durante declaração à imprensa a respeito do recente anúncio do USTR de imposição de tarifas contra produtos brasileiros, na sala de coletivas do Palácio Itamaraty. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Geraldo Alckmin disse que o governo estuda formas de aplicar a Lei de Reciprocidade – Valter Campanato/Agência Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin, ex-ministro do MDIC e um dos negociadores brasileiros com os EUA, afirmou que, a partir de agora, o governo vai estudar formas de aplicar a Lei da Reciprocidade.

Aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional, a norma estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte negativamente a competitividade econômica do Brasil.

“Nós temos uma lei, a lei da reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la”, disse Alckmin, que chamou o novo tarifaço de “injusto” e “descabido”.

Interferência externa

O ministro da Fazenda classificou a decisão dos EUA com uma interferência externa indevida.

“É inadmissível, do ponto de vista do governo, ter essa interferência externa, seja ela política, econômica, seja ela uma forma qualquer para afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros”, disse Dario Durigan.

Segundo o ministro, todas as alegações dos EUA são falsas e não se sustentam em dados concretos.

De acordo com Durigan, o tarifaço não afetará a estabilidade macroeconômica do país e as medidas de socorro que serão tomadas pelo governo deverão ser linhas de crédito em montantes inferiores aos do ano passado, já que a lista de exceções ao tarifaço está maior desta vez.

Pix

Entre os pontos questionados pelos norte-americanos, nas diversas rodadas de negociação desde o ano passado, está o Pix, o sistema brasileiro de transferências e pagamentos eletrônicos, criado pelo Banco Central (BC).

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi enfático ao dizer que o Pix não se sustenta como motivo para o tarifaço, e que empresas norte-americanas de cartão de crédito, que estão entre as principais do mercado, não foram diretamente afetadas.

“Seria mais ou menos como tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, prejudicou a receita de quem tem caminhão pipa. Por mais estapafúrdio que possa parecer esse argumento, nem ele se comprovou verdade. Analisando o que aconteceu efetivamente, a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%. Quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos”.

A investigação iniciada há um ano pelo USTR concluiu que certas práticas brasileiras são descabidas e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Entre as medidas citadas pelo governo norte-americano estão “práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.

Em outras das alegações por parte do governo dos EUA contra o Brasil, estariam o aumento do desmatamento e o comércio ilegal de madeira.

Os dois dados foram classificados de falsos e sem fundamento técnico pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Ele lembrou, por exemplo, que a redução do desmatamento na Amazônia foi de 50% nos últimos três anos.

Governo de Pernambuco abre edital que visa equipar Instituições de Longa Permanência para de Idosos (ILPIs) e anuncia treiamento virtual para orientar inscrições

A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência de Pernambuco (SJDH) publicou o Edital de Chamamento Público nº 004/2026 para selecionar Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPIs) que receberão kits de equipagem. Para orientar os gestores das instituições interessadas sobre o processo de inscrição e os requisitos técnicos, será realizado um treinamento virtual no dia 23 de julho. Para participar do treinamento é necessário se inscrever no formulário: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeEVGIcCBQFD8_RQFr6LXpT7rZ1mv2E96uaxPfjvR4IXM6m_Q/viewform

O projeto é financiado com recursos do Fundo Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa (FEDIPE). As organizações interessadas, constituídas como Organizações da Sociedade Civil (OSCs) sem fins lucrativos e atuantes no estado, podem se inscrever de 6 de julho a 4 de agosto de 2026. As Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPIs), popularmente conhecidas como lares de idosos, abrigos ou asilos, são estabelecimentos governamentais ou não governamentais, destinados ao acolhimento residencial coletivo de pessoas com 60 anos ou mais. Elas atendem idosos com diferentes graus de dependência, que não dispõem de condições de permanência com o grupo familiar ou que vivenciam situações de vulnerabilidade social.

*Treinamento Online e Inscrições*
O treinamento online do dia 23 de julho, acontecerá às 14h e visa detalhar o passo a passo da inscrição, os documentos obrigatórios e os critérios de classificação, diminuindo as chances de inabilitação das entidades por falhas documentais.

A secretária de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência, Joanna Figueirêdo, destaca a finalidade da capacitação, “Este chamamento público consolida a aplicação de recursos do Fundo Estadual em ações práticas para a população idosa institucionalizada. O treinamento virtual é uma ferramenta para que os gestores compreendam todas as exigências do edital e possam concorrer de forma plena para estruturar suas unidades”, destaca.

Itens dos Kits de Equipagem
Cada kit padronizado contém os seguintes bens móveis para o fortalecimento da estrutura das ILPIs:
03 cadeiras de banho e 03 cadeiras de rodas;
01 máquina de lavar roupas e 01 freezer;
04 ventiladores;
50 kits de roupa de cama (compostos por lençol, fronha e travesseiro);
01 tensiômetro e 01 glicosímetro;
02 notebooks.

O secretário executivo de Promoção da Equidade Social, Sergio Vieira, explica os critérios que balizam o processo de seleção das entidades, “O edital prioriza critérios de pontuação objetivos para garantir que os materiais cheguem de forma justa a quem mais necessita. Avaliaremos fatores como o tempo de funcionamento regular da entidade, a situação da licença sanitária, a capacidade total de acolhimento e a articulação da instituição com a rede municipal e os conselhos de direitos da pessoa idosa. É um processo de seleção técnica e transparente voltado à equidade social”, pontua.

 

Presidente do sindicato dos guardas civis denuncia precariedade das condições de trabalho da Guarda Municipal do Recife

O presidente do SindGuardas Recife (Sindicato dos Guardas Civis Municipais do Recife), Alexandre Sena, utilizou as redes sociais para denunciar as condições de trabalho enfrentadas pelos profissionais da Guarda Municipal durante a gestão do ex-prefeito João Campos (PSB).

As críticas tem como foco o posto da Guarda Municipal localizado no Parque da Tamarineira e a recém-inaugurada base da Inspetoria da Guarda Municipal do Recife. Segundo Sena, as imagens divulgadas evidenciam uma realidade preocupante.

No caso do posto da Tamarineira, os problemas são estruturais. O local apresenta infiltrações e vazamentos no teto, paredes com mofo, banheiros em condições inadequadas de uso, além de outras deficiências que, segundo o sindicato, comprometem a segurança, a saúde e a dignidade dos servidores.

Já em relação à base da Inspetoria, Alexandre Sena classificou a obra como uma “inauguração eleitoreira”. De acordo com o presidente do sindicato, a unidade sequer dispõe de banheiro. Quando precisam utilizar um sanitário, os guardas são obrigados a deixar o posto de trabalho e pedir autorização a moradores ou comerciantes da vizinhança para fazer suas necessidades fisiológicas.

As denúncias reacendem o debate sobre as condições oferecidas aos profissionais responsáveis pela segurança patrimonial e pelo apoio às ações de segurança pública no município.

Caravana da Juventude amplia acesso a serviços públicos e oportunidades no Vassoural, em Caruaru

Documentos emitidos, inscrições em cursos profissionalizantes e novos caminhos para o mercado de trabalho. A Caravana da Juventude reuniu serviços gratuitos e oportunidades para moradores do Vassoural e de bairros vizinhos nesta quarta-feira (15), aproximando o atendimento da população, especialmente da juventude, e facilitando o acesso a políticas públicas. Ao todo, foram emitidas 230 Carteiras de Identidade Nacional (CIN).

Entre os beneficiados, Gabriel da Silva comemorou as oportunidades conquistadas. “Eu acho esse projeto muito bom para mim e para todos aqui também. Consegui fazer inscrição para um curso e agora estou prestes a entrar no Jovem Aprendiz.”, contou. Para Laressa Agnes, a iniciativa representou praticidade no dia a dia ao conseguir emitir a CIN dos filhos. “Foi tudo muito rápido e, como tenho duas crianças pequenas, isso facilitou muito”, destacou.

A Caravana da Juventude é promovida pela Prefeitura de Caruaru, por meio da Secretaria Executiva da Juventude, vinculada à Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome, em parceria com o Governo de Pernambuco e outras instituições. A iniciativa leva serviços nas áreas de cidadania, saúde, assistência social e qualificação profissional para diferentes localidades do município.

Exposição “Cozinha Sertaneja – Comer para Resistir” revela a inteligência alimentar e cultural do Sertão pernambucano

Muito além de um conjunto de receitas ou ingredientes, a cozinha sertaneja constitui um sofisticado sistema de conhecimentos construído ao longo de séculos para responder a uma pergunta fundamental: como permanecer? É a partir dessa perspectiva que a exposição “Cozinha Sertaneja – Comer para Resistir” será inaugurada nesta quinta-feira, 16 de julho, às 18h, no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda.

Realizada como uma ação do Circuito Fenearte, programação que acontece paralelamente à feira, a mostra permanecerá aberta à visitação até 23 de agosto, reunindo objetos, utensílios, instalações cenográficas, fotografias e textos curatoriais que apresentam a culinária sertaneja como um patrimônio cultural construído pela convivência entre natureza, técnica, memória e religiosidade.

A exposição parte da compreensão de que cozinhar, no Semiárido, sempre significou muito mais do que preparar alimentos. Diante da irregularidade das chuvas, das longas distâncias e da escassez de recursos, povos indígenas, africanos, sertanejos e colonizadores desenvolveram técnicas capazes de conservar, transportar e transformar os alimentos, criando um repertório de conhecimentos que atravessa gerações.

Organizada em diferentes núcleos temáticos, a mostra percorre temas como a mandioca — o “pão da terra” que sustenta o Brasil desde antes da colonização —, a criação de animais, a importância do porco e da banha na conservação dos alimentos, a cozinha como espaço de convivência familiar e de transmissão de saberes e a religiosidade popular, representada pelos oratórios domésticos e pela devoção a São José, santo associado às chuvas e à boa colheita no Sertão.

Além dos núcleos expositivos, a mostra apresenta um extrato do ensaio fotográfico “Vaqueiros de Gibão” (2025), resultado de mais de uma década de pesquisa do fotógrafo e antropólogo Pablo Pinheiro no Seridó, entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Construídas a partir da convivência e da escuta dos homens e mulheres que mantêm viva a tradição da vaqueirama sertaneja, as imagens revelam o profundo vínculo entre o vaqueiro, a caatinga e os saberes transmitidos entre gerações. Mais do que documentar um ofício, o ensaio reafirma o vaqueiro de gibão como protagonista de uma cultura viva e como expressão da memória, da identidade e do patrimônio cultural do Sertão nordestino.

Mais do que apresentar objetos do cotidiano, a exposição procura revelar as tecnologias da sobrevivência desenvolvidas no Semiárido, demonstrando como utensílios, ingredientes e modos de fazer constituem um patrimônio material e imaterial profundamente ligado à identidade pernambucana.

Para o curador Bruno Albertim, a cozinha sertaneja revela uma inteligência cultural construída ao longo de séculos. “Mais do que um repertório de receitas, o cozinhar sertanejo constitui um sofisticado sistema de tecnologias populares. Cada objeto, cada ingrediente e cada modo de preparo respondem a uma pergunta fundamental: como permanecer?”, afirma.

O curador Lúcio Omena destaca que a exposição amplia a compreensão da culinária para além dos alimentos. “Mais do que mostrar alimentos, a exposição dialoga sobre as tecnologias da sobrevivência, os objetos do cotidiano, os materiais da cozinha e os modos de viver que fizeram do sertão um dos mais ricos territórios culinários do Brasil.”

Ao longo do percurso expositivo, o visitante encontra desde casas de farinha, pilões, peneiras e gamelas até instalações cenográficas e ambientes que recriam a cozinha sertaneja como espaço de memória, encontro e afeto. A proposta é mostrar que, no Sertão, alimento, cultura material e religiosidade formam um mesmo universo de permanência. Como sintetiza o conceito da mostra, “no Sertão, cozinhar nunca foi apenas preparar a comida. Foi sempre temperar o permanecer.”

Fotografias de Xirumba
Outro destaque da exposição é o núcleo dedicado ao fotógrafo Xirumba, um dos grandes nomes da fotografia brasileira, que celebra 50 anos de trajetória profissional. O público poderá conhecer dezenas de imagens produzidas entre 1983 e 2008, resultado de mais de duas décadas de viagens pelo Sertão brasileiro.

As fotografias revelam paisagens, personagens e modos de vida que atravessam um vasto território, da Bahia ao Maranhão, compondo um retrato sensível da diversidade sertaneja. “Tudo no Sertão me impressiona: as pessoas, a luz, que é única. Tem uma luminosidade que nunca vi em nenhum outro lugar do mundo”, afirma o fotógrafo.

Com seu olhar atento e profundamente humanista, Xirumba registra a força da paisagem, a dignidade de seu povo e a beleza cotidiana do Semiárido, transformando a fotografia em um poderoso documento da memória e da identidade do Sertão.

*SERVIÇO*
*Cozinha Sertaneja – Comer para resistir*
Local: Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa – Olinda (PE)
Abertura: 16 de julho de 2026 (quinta-feira), às 18h
Período de visitação: de 16 de julho a 23 de agosto de 2026, de terça a domingo, das 9h às 17h
Entrada gratuita

*Ficha técnica*
Curadoria: Bruno Albertim e Lúcio Omena
Expografia e Cenografia: Isac Filho e Peu Carneiro
Direção de Arte: Bidu Alves
Fotografias: Bidu Alves e Lúcio Omena
Coordenação de Produção: Cíntia Couto
Assistente de Produção: Julia Moura
Montagem: Equipe Fenearte e Equipe CenoCarva
Design Gráfico e Identidade Visual: André Santana.

Homenagem aos Seleiros

O tema “Seleiros de Pernambuco: Ofício que Transforma” evidencia o trabalho de artesãs e artesãos que fazem do couro uma matéria-prima capaz de preservar tradições e impulsionar a economia criativa. A edição reverencia mestres como Zé Venceslau, referência do Ciclo do Couro de Exu; Irineu do Mestre, da Fazenda Cacimbinha, em Salgueiro, criador dos “bonéus” (mistura de boné com chapéu) usados por João Gomes; Fafá Belém, pioneira na utilização do couro de tilápia em Petrolândia; além dos seleiros de Cachoeirinha e dos designers e estilistas que consolidam o couro como elemento marcante da moda autoral pernambucana.

A acessibilidade permanece como uma das prioridades do evento. Pessoas com deficiência visual, pessoas neurodivergentes e pessoas surdas ou ensurdecidas contarão com visitas guiadas com acessibilidade comunicacional.

Para facilitar o acesso do público, a feira contará novamente com traslados gratuitos saindo dos shoppings Recife, RioMar, Plaza, Tacaruna e Patteo. Nesta edição, o desembarque no Centro de Convenções será realizado em um novo terminal de passageiros, oferecendo ainda mais conforto e acessibilidade aos visitantes.

*26ª Fenearte — Feira Nacional de Negócios do Artesanato*
*Quando:* 08 a 19 de julho de 2026
*Onde:* Pernambuco Centro de Convenções (Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n – Salgadinho, Olinda)
*Horários:*
Segunda a sexta-feira — 14h às 22h
Sábado e domingo — 10h às 22h
*Ingressos:*
Segunda a quinta-feira — R$ 12 (entrada inteira) e R$ 6 (meia-entrada)
Sexta-feira a domingo — R$ 16 (entrada inteira) e R$ 8 (meia-entrada)

À venda pelo site *www.evenyx.com/26a-fenearte* e nas unidades das *lojas do Artesanato de Pernambuco* no Edifício Palazzo Itália (Bairro do Recife) e nos shoppings Recife e Tacaruna.

 

Aves ameaçadas de extinção são entregues voluntariamente à CPRH

Quatro exemplares do pássaro da espécie pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa) foram entregues voluntariamente, nesta quarta-feira (15) à Unidade Integrada de Gestão Ambiental (UIGA) de Garanhuns, braço da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), no Agreste de Pernambuco.

Transportadas para a sede da Agência, no Recife, as aves passarão por análise clínica no Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetras) Tangara, unidade da CPRH que leva o nome do pintor-verdadeiro, para avaliação clínica.

A depender do estado em que se encontram, passarão por tratamento ou serão de imediato devolvidas à natureza.

O pintor-verdadeiro é endêmico da Mata Atlântica e conhecido pela beleza de sua plumagem, que apresenta até sete cores distribuídas pelo corpo. Mas, justamente por sua beleza, a ave atrai o interesse dos traficantes de animais silvestres.

De acordo com a lista vermelha de animais ameaçados de extinção, elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza-IUCN o pintor-verdadeiro encontra-se em vias A criação ilegal da ave é um dos fatores que levou a essa realidade. “Além do tráfico e do comércio ilegal de aves silvestres, a perda do habitat devido ao desmatamento e às queimadas são fatores que contribuem para que o pintor-verdadeiro quase tenha sido extinto da natureza, pois são aves que dependem das florestas preservadas.

Que a atitude da entrega voluntária sirva de incentivo, para que outras pessoas façam o mesmo, com qualquer que seja o animal silvestre.

O lugar deles é na natureza”, comentou o biólogo da Unidade de Gestão de Fauna, Eduardo Vasconcelos.

O pintor-verdadeiro desempenha importante papel no ambiente natural, com a dispersão de frutos e sementes, contribuindo para a regeneração da vegetação.

A entrega voluntária de animais silvestres, pode ser realizada tanto no prédio do anexo da CPRH na Rua Professor Edgar Altino, 145, Poço da Panela, como no Cetras Tangará, que fica na Estrada da Mumbeca, km 8 , na PE-16, bairro da Guabiraba, Zona Norte do Recife.

Na CPRH, a entrega voluntária pode ser realizada de segunda-feira à sexta-feira, de 8h às 12h e das 13h às 17h. Já no Cetras Tangara o expediente para a entrega dos animais é ampliado: a equipe local recebe os animais, de segunda a sexta feira, das 8h às 17h, sábados, domingos e feriados, das 8h às 16h e telefone: (81) 3182-9022.

Prefeitura de Caruaru ultrapassa mil serviços de manutenção de vias no primeiro semestre de 2026

O total de 1.146 intervenções em calçamento, asfalto e saneamento já foram realizadas em Caruaru no primeiro semestre de 2026. Somente em junho, as equipes da Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) executaram 241 serviços em 40 localidades, reforçando o trabalho contínuo de conservação da infraestrutura urbana.

As ações incluem recuperação de pavimentação, substituição de tubulações e recomposição de trechos danificados. Além de melhorar a segurança e a mobilidade de motoristas e pedestres, os reparos evitam o agravamento dos problemas na infraestrutura, reduzindo a necessidade de obras mais complexas e de maior custo.

Uma das equipes está na Rua Safira, no bairro Centenário, onde está sendo realizada a substituição de 4 metros da tubulação, seguida da recomposição do calçamento. Moradora da rua há 39 anos, Maria de Fátima acompanha os serviços com expectativa. “O buraco começou com uma rachadura. Foi chovendo, os carros foram passando e aumentando. Graças a Deus a Prefeitura chegou e está consertando. Agora vai ficar ótimo”, comemorou.

A população também pode solicitar serviços de manutenção pelo aplicativo Minha Caruaru, na categoria Manutenção de Vias. As solicitações são encaminhadas às equipes da Siurb, que programam as intervenções conforme a necessidade de cada localidade.