Eleições 2026: quando a propaganda política entra de vez na era da Inteligência Artificial

Por Diana Câmara*

Blog do Magno

A forma de fazer campanha eleitoral mudou e mudou rápido. Se antes a disputa acontecia nas ruas, nos palanques e no horário eleitoral de rádio e televisão, hoje ela se trava, em grande parte, nas redes sociais, nos aplicativos de mensagem, como, por exemplo, o WhatsApp, e nos ambientes digitais. Com isso, surgiram novos desafios: quem paga por determinada mensagem? Como fazer constar na prestação de contas? O gasto da pré-campanha pode gerar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral? Até onde vai o uso legítimo da tecnologia? E como combater conteúdos enganosos, como as fake news e os deepfakes, que podem influenciar o voto?

Atenta a esse novo cenário, a Justiça Eleitoral brasileira vem atualizando a cada eleição as regras da comunicação política para acompanhar o uso intensivo das redes sociais e, mais recentemente, das ferramentas de Inteligência Artificial. O objetivo é claro: garantir transparência, proteger a liberdade de escolha do eleitor e reduzir o risco de manipulação do debate público.

E sabe o que mudou na prática? Nos últimos anos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a tratar a propaganda digital com mais rigor. Não se trata de censura, mas de adaptação das regras eleitorais a uma realidade em que conteúdos podem ser impulsionados, segmentados e reproduzidos em escala gigantesca, muitas vezes sem que o eleitor saiba quem está por trás daquela mensagem.

Hoje, já existem regras específicas sobre impulsionamento de conteúdo, que só pode ser feito por candidatos, partidos ou federações, sempre com recursos declarados; identificação clara de mensagens patrocinadas, para que o eleitor saiba quando está diante de propaganda paga; rastreabilidade do financiamento, permitindo identificar quem pagou e quanto foi investido em determinada peça de comunicação; responsabilização por conteúdos enganosos, especialmente aqueles que atentem contra a integridade do processo eleitoral. Essas medidas reforçam um princípio básico da democracia: o eleitor tem o direito de saber quem está tentando convencê-lo.

O avanço da Inteligência Artificial trouxe oportunidades, mas também riscos inéditos para o processo eleitoral. Ferramentas capazes de criar imagens, vídeos e vozes extremamente realistas — os chamados deepfakes — podem ser usadas para simular falas, gestos ou situações que nunca existiram.

Por isso, a Justiça Eleitoral passou a estabelecer limites claros. O uso de conteúdos manipulados digitalmente para enganar o eleitor é proibido. Além disso, quando a Inteligência Artificial for utilizada na produção de material de campanha, deve haver aviso explícito, informando que aquele conteúdo foi gerado ou alterado por tecnologia digital. A lógica é simples: a tecnologia pode ser usada para comunicar melhor, mas não para enganar.

Outro ponto central das normas eleitorais mais recentes é o enfrentamento à desinformação. Notícias falsas, conteúdos descontextualizados e ataques às instituições podem causar danos irreversíveis em períodos eleitorais, quando o tempo é curto e o impacto é imediato.

Nesse contexto, as regras reforçam mecanismos de remoção célere de conteúdos que violem a legislação, especialmente quando envolvem ataques ao sistema eleitoral ou à própria democracia, e as punições podem chegar a custar o mandato de eventual candidato envolvido. Ao mesmo tempo, busca-se preservar o debate político legítimo, o pluralismo de ideias e a liberdade de expressão. É um equilíbrio delicado, mas necessário.

Atualmente, o TSE está em fase final de elaboração das resoluções que vão reger as Eleições Gerais de 2026. A tendência é consolidar e aprimorar as regras já aplicadas recentemente, com foco em três pilares:

  1. Mais transparência na propaganda digital, inclusive sobre valores investidos em impulsionamento;
  2. Regras mais claras sobre o uso da Inteligência Artificial, evitando manipulações sofisticadas do eleitor;
  3. Medidas mais eficientes de enfrentamento à desinformação, sem abrir mão das garantias democráticas.

Para candidatos, partidos e equipes de campanha, o recado é direto: não basta comunicar bem, é preciso comunicar de forma lícita, ética e transparente. As eleições continuam sendo a grande festa da democracia, mas agora com um novo palco: o digital. Atualizar as regras não é frear a política, e sim assegurar que a disputa seja justa, equilibrada e baseada em escolhas conscientes.

Em 2026, mais do que nunca, o desafio será combinar inovação, liberdade e responsabilidade. E esse é um debate que interessa não apenas aos juristas, mas a todos que acreditam na força do voto e na integridade do processo democrático.

*Advogada especialista em Direito e Processo Eleitoral, mestranda em Direito, autora de livros, assessora jurídica de diversos municípios. Já foi Presidente do Instituto de Direito Eleitoral e Público de Pernambuco (IDEPPE), Presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/PE, Secretária-Geral da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Nacional, Presidente da Comissão de Relações Institucionais da OAB/PE, Conselheira Estadual da OAB/PE e candidata ao Quinto Constitucional da advocacia para o cargo de Desembargadora do Tribunal de Justiça de Pernambuco, tendo sido a mais votada da lista tríplice.

Lula conversa com Trump e pede mudanças em Conselho da Paz

Kuala Lampur, 26/10/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula conversou por telefone, na manhã desta segunda-feira (26), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na conversa, Lula sugeriu que Trump incluísse um assento para a Palestina no Conselho da Paz, colegiado idealizado, criado e presidido pelo estadunidense. Além disso, Lula sugeriu que o conselho se limitasse a discutir as questões relacionadas à Faixa de Gaza.

O teor da conversa entre os presidentes foi divulgado pelo Palácio do Planalto, em nota. Segundo o Planalto, o presidente brasileiro também reforçou a importância de uma reforma abrangente na Organização das Nações Unidas (ONU), ampliando o número de membros permanentes do Conselho de Segurança.

Lula foi um dos líderes convidados a ocupar um assento no conselho, mas ainda não respondeu ao convite. Na semana passada, em um evento em Salvador, ele chegou a criticar a proposta de criação do Conselho da Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono.

Venezuela

Na conversa, os dois presidentes também trataram de questões relacionadas à Venezuela. Lula reiterou o que já vem falando sobre o assunto: a importância de manter a paz no continente.

Além disso, Lula voltou a propor um fortalecimento na cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.

“Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano”, afirmou o Planalto.

Economia

Ainda de acordo com o Planalto, Lula e Trump também conversaram sobre o estreitamento da relação entre Brasil e EUA, e como isso se reflete positivamente na economia.

“O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo. Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros”.

Os dois se encontraram pessoalmente pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro. Foi um rápido encontro e cumprimento, mas o norte-americano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula.

Ambos se encontraram novamente em outubro, na 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia. Dessa vez, puderam sentar e conversar em uma reunião classificada como “muito positiva” pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira. No mês seguinte ao encontro, os Estados Unidos retiraram a sobretaxa de 40% sobre vários produtos brasileiros.

Visita aos EUA

Durante a conversa, que durou 50 minutos, ficou combinada uma visita de Lula aos Estados Unidos. Não foi definida uma data, mas a visita deve ocorrer após a viagem do presidente brasileiro à Índia e à Coreia do Sul, em fevereiro.

Governo prorroga até março prazo para pedido de ressarcimento do INSS

O governo federal decidiu prorrogar até 20 de março o prazo para que aposentados e pensionistas possam solicitar o ressarcimento de valores descontados indevidamente de seus benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o órgão, a decisão pretende garantir o amplo direito dos beneficiários que, desde a última segunda-feira (19), enfrentam instabilidades no Meu INSS.

O prazo original se encerraria em 14 de fevereiro. Em nota, o INSS informou que mantém contato diário com a Dataprev, estatal responsável pela tecnologia da informação da Previdência Social, cobrando explicações e providências.

A Dataprev comunicou ao INSS que fará uma manutenção que deixará os sistemas indisponíveis a partir desta terça-feira (27) até domingo, 1º de fevereiro.

De acordo com o balanço mais recente do INSS, cerca de 4,2 milhões de beneficiários já foram ressarcidos, em valores que somam R$ 2,8 bilhões, de um total de R$ 6,2 milhões de contestações de cobranças. O governo estima, no entanto, que ainda existam 850 mil aposentados e pensionistas aptos a solicitar a devolução.

O esquema de descontos indevidos foi revelado pela Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou fraudes em Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados entre o INSS e entidades associativas. As investigações levaram ao afastamento de parte da cúpula do instituto em abril.

A prorrogação busca assegurar que todos os lesados pelo esquema possam recuperar os valores de forma simplificada e sem necessidade de ação judicial.

Como pedir a devolução

Os beneficiários podem abrir pedidos de ressarcimento pelos canais oficiais do INSS:

Aplicativo ou site Meu INSS, com login no Portal Gov.br;

Telefone 135, com atendimento gratuito de segunda a sábado, das 7h às 22h;

Agências dos Correios, que oferecem suporte gratuito em mais de 5 mil unidades.

Fachin diz que democracia atravessa tempos desafiadores

Brasília (DF) 09/12/2024  O ministro do STF,  Edson Fachin, relator do recurso que trata da relação entre motoristas e plataformas digitais de transporte, preside audiência pública para tratar do tema  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, disse nesta segunda-feira (26) que a democracia atravessa “tempos desafiadores” no Brasil e nas Américas.

A declaração do ministro foi feita durante a posse de Rodrigo Mudrovitsch, juiz brasileiro, na presidência da Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica.

Fachin citou as condenações dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e disse que os Três Poderes brasileiros enfrentaram “forças sombrias” que visaram um golpe de Estado.

“O Estado de Direito Democrático atravessa tempos desafiadores. Ainda este mês, rememoramos os três anos de um episódio que testou a força de nossas instituições democráticas e da justiça constitucional”, comentou.

O ministro também afirmou que a erosão democrática das instituições representa uma nova forma de tentativa de rompimento democrático.

“Nem sempre os movimentos autoritários que buscam suplantar a democracia se mostram em sua face mais estridente e explicitamente violenta. Hoje, assistimos a um movimento com nova roupagem, embora igualmente nefasto em seus efeitos. A erosão democrática, que corrói as instituições por dentro”, completou.

INSS não deixará de pagar aposentadoria a quem não tem nova identidade

Brasília (DF), 10/07/2025 - Tela do aplicativo Meu INSS. Foto: INSS/Divulgação

As redes sociais foram inundadas nesta segunda-feira (26) com notícias falsas de que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deixará de pagar aposentadoria a quem não tem a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN). Na verdade, nada muda para quem já recebe os benefícios atuais.

Em novembro, o INSS iniciou um processo que exige a biometria digital para os pedidos de novos benefícios, sem afetar os benefícios atuais. Na fase atual, a biometria é exigida apenas para os pedidos de futuras aposentadorias e pensões, com o INSS podendo usar os dados biométricos tanto da CIN, como da carteira de habilitação e do título de eleitor.

A partir de 1º maio, a biometria digital passará a ser obrigatória para os novos pedidos de salário-maternidade, benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) e pensão por morte. Também a partir dessa data, quem pedir qualquer benefício do INSS e não tiver biometria em nenhum desses documentos precisará emitir a CIN para dar andamento ao pedido. No entanto, as biometrias do título de eleitor e da carteira de motorista continuarão aceitas.

Somente a partir de 1º de janeiro de 2028, a CIN será o único documento exigido para pedidos e manutenção de benefícios do INSS. O órgão informará tudo aos segurados por meio do aplicativo e do site Meu INSS e também nos postos de atendimento.

Manutenção de benefícios

Segundo o governo federal, aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios em manutenção não precisarão tomar nenhuma providência imediata. A implementação para esse público será gradual e não haverá bloqueio automático de pagamentos.

Caso o INSS identifique a necessidade de atualização biométrica de algum beneficiário ativo, o cidadão será comunicado individualmente e com antecedência, sem impacto no recebimento dos valores.

Exceções

Durante todo esse período haverá exceções para a exigência de biometria, baseada na capacidade de os estados emitirem a CIN e na dificuldade de acesso a serviços públicos por alguns grupos.

A exigência será dispensada, enquanto não houver alternativas oferecidas pelo poder público, para:

• pessoas com mais de 80 anos;

• pessoas com dificuldade de deslocamento por motivo de saúde, mediante comprovação;

• moradores de áreas de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas atendidas pelo PREVBarco;

• migrantes, refugiados e apátridas;

• residentes no exterior.

O INSS também mantém uma lista oficial de municípios considerados localidades de difícil acesso, com base no Índice de Acessibilidade 2018 do IBGE, que inclui regiões classificadas como remotas ou muito remotas. A relação pode ser consultada neste link.

Cronograma

Em novembro, a comprovação biométrica passou a ser obrigatória para novos pedidos de benefícios do INSS. A obrigação está prevista no Decreto 12.561/2025, que regulamenta a Lei 15.077. A exigência tem como objetivo reforçar o combate a fraudes, ampliar a segurança dos dados e garantir que os recursos cheguem a quem tem direito.

O INSS estabeleceu um cronograma escalonado para a adoção da biometria:

• Desde 21 de novembro de 2025: todo novo pedido de benefício exigirá cadastro biométrico. Serão aceitas biometrias da Carteira de Identidade Nacional (CIN), da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou do Título de Eleitor;

• A partir de 1º de maio de 2026: quem solicitar benefício e não tiver biometria em nenhum desses documentos precisará emitir a CIN para dar andamento ao pedido;

• A partir de 1º de janeiro de 2028: a CIN será o único documento com biometria aceito para requerimentos e manutenção de benefícios no INSS.

Recomendação

Apesar de a unificação estar prevista apenas para 2028, a orientação é que os cidadãos busquem, o quanto antes, os órgãos estaduais de identificação para emitir a Carteira de Identidade Nacional (CIN). A recomendação, informa o INSS, ajuda a evitar filas futuras e reforça a segurança dos dados pessoais e do benefício previdenciário.

Quem realmente é dono da calçada na sua porta?

Todos os dias, milhões de brasileiros caminham pelas calçadas de suas cidades sem perceber que estão pisando em um dos maiores paradoxos do planejamento urbano nacional.

Aquele pedaço de chão que parece tão obviamente público guarda uma confusão jurídica que atravessa gerações: afinal, a calçada pertence ao poder público (município) ou ao proprietário do imóvel adjacente? A resposta não é tão simples quanto deveria ser, e essa ambiguidade tem consequências graves para a mobilidade urbana nas cidades e metrópoles brasileiras.

O modelo brasileiro de gestão de calçadas é peculiar quando comparado às grandes cidades do mundo desenvolvido. Enquanto a via pública é gerida de forma única pelo poder público em países como Estados Unidos e na UE, aqui adotamos um sistema híbrido que divide responsabilidades de maneira nem sempre clara.

A calçada é, teoricamente, bem de uso comum do povo, mas a manutenção recai sobre os proprietários dos terrenos lindeiros. Essa divisão cria uma zona cinzenta onde ninguém assume completamente a responsabilidade pelo espaço.

Os defensores do atual modelo argumentam que a descentralização da manutenção permite maior agilidade e reduz os custos para os cofres públicos. De fato, em cidades como Porto Alegre, que estabeleceu padronizações de materiais para as calçadas, houve tentativas de criar alguma uniformidade sem comprometer totalmente o orçamento municipal. A ideia de transferir parte da gestão urbana para a iniciativa privada encontra respaldo em teorias de economia de custos e responsabilização local.

Quando cada proprietário cuida de sua calçada, em tese, o problema da manutenção se resolve de forma distribuída, sem sobrecarregar exclusivamente a máquina pública.
Porém, a realidade nas ruas brasileiras conta uma história diferente. Basta uma caminhada por qualquer bairro de nossas grandes cidades para constatar o fracasso deste modelo. As calçadas apresentam níveis completamente distintos de conservação, materiais variados que criam obstáculos para pessoas com mobilidade reduzida, e trechos simplesmente abandonados onde proprietários não cumprem suas obrigações.

A fiscalização municipal, quando existe, é insuficiente para garantir padrões mínimos de qualidade e acessibilidade.
O problema se agrava quando consideramos que a calçada não é apenas um espaço de circulação, mas o limite entre o público e o privado. É ali que se instalam paradas de ônibus, postes de iluminação, lixeiras, placas de sinalização e toda a infraestrutura que torna uma cidade funcional. Confiar essa gestão a milhares de proprietários individuais, cada um com suas prioridades e recursos, inevitavelmente resulta em fragmentação e desigualdade urbana.

Experiências internacionais demonstram que a gestão unificada das calçadas pelo poder público traz benefícios significativos. Nova York, apesar de suas características comportamentais, conseguiu implementar regras simples em toda a cidade justamente porque desenvolveu uma malha viária ortogonal desde sua origem.

A padronização facilita não apenas a manutenção, mas também a implementação de políticas de acessibilidade universal, algo ainda distante da realidade brasileira.
A estatização completa da gestão das calçadas representaria uma mudança radical no planejamento urbano brasileiro. Significaria assumir que o espaço de circulação de pedestres é tão importante quanto as vias para veículos, merecendo o mesmo nível de atenção e investimento público.

Implicaria custos iniciais significativos, certamente, mas também garantiria uniformidade, acessibilidade e manutenção contínua.
A questão que permanece é se nossas cidades estão preparadas para dar esse passo.

O modelo atual, com toda sua ineficiência, persiste porque representa uma solução financeiramente conveniente para administrações públicas cronicamente subfinanciadas. Mudar esse paradigma exigiria não apenas vontade política, mas também uma reformulação profunda de como entendemos a responsabilidade do Estado sobre o espaço urbano.

Enquanto essa discussão não avança, continuaremos tropeçando nas contradições de um sistema que não sabe se a calçada é pública ou privada, mas que certamente falha com quem mais precisa dela: o pedestre.

Marcelo Rodrigues, é advogado especialista em direito ambiental e urbanístico, consultor técnico em sustentabilidade da Prefeitura Municipal de Caruaru, ex-Secretário de Meio Ambiente do Recife.

Rua Deputado Souto Filho e Avenida Oswaldo Cruz ganham melhorias para um trânsito com mais fluidez e segurança viária

A Autarquia de Mobilidade de Caruaru (AMC) informa que a Rua Deputado Souto Filho e a Avenida Oswaldo Cruz, no bairro Maurício de Nassau, ganharam melhorias para dar mais fluidez e segurança viária ao trânsito.

As vias citadas foram contempladas sinalização horizontal e vertical requalificadas e nova área de embarque/desembarque escolar. Além disso, na Avenida Oswaldo Cruz, foi implementada uma faixa elevada para travessia de pedestres, equipamento que promove mais acessibilidade e segurança para os pedestres que transitam no local.

Estas intervenções viárias foram incluídas na série de ações da AMC voltadas para um trânsito mais seguro e eficaz para condutores, pedestres e ciclistas.

Itamaracá volta a ser cartão postal de Pernambuco

 

Com investimentos em infraestrutura, turismo e políticas sociais, Ilha de Itamaracá vive novo momento, impulsiona a economia local e se consolida como destino estratégico do Litoral Norte de Pernambuco

Prestes a receber o Festival Pernambuco Meu País no próximo dia 30, a Ilha de Itamaracá retoma seu posto como um dos principais destinos do Litoral de Pernambuco, impulsionando a economia local e ampliando a circulação de visitantes de diversas regiões do Estado e do país. Praias movimentadas e alta ocupação de casas de veraneio têm refletido diretamente no comércio, com bares, restaurantes e quiosques registrando crescimento nas vendas. Para transformar esse movimento sazonal em desenvolvimento duradouro, o Governo de Pernambuco está realizando investimentos estratégicos em áreas como mobilidade, saneamento, segurança, cultura e educação.

“É um compromisso do nosso governo com o Litoral Norte, que sempre teve um grande potencial de crescimento turístico e de turismo sustentável, mas um destino só é bom para quem visita se for bom para quem mora. Em Itamaracá, estamos investindo em estradas, saneamento, segurança, cultura e políticas públicas para garantir que o desenvolvimento chegue de forma estruturada, gere oportunidades, fortaleça a economia local e melhore a qualidade de vida da população, ao mesmo tempo em que valoriza a identidade e as belezas da ilha”, ressalta a governadora Raquel Lyra.

As melhorias já são perceptíveis desde o acesso à ilha. A restauração da PE-001, no trecho entre o Forte Orange e a rotatória da PE-035, foi concluída com investimento de R$ 18,8 milhões, beneficiando mais de 24 mil pessoas. Já a PE-035, principal corredor de entrada de Itamaracá, ultrapassou 91% de execução em um trecho de 9,6 quilômetros, com aporte de R$ 31,7 milhões, impactando positivamente cerca de 50 mil usuários. As intervenções integram o PE na Estrada, considerado o maior programa de recuperação viária da história do Estado, que já restaurou mais de 1.500 quilômetros de rodovias.

Outro destaque é a implantação da Ponte Porto Brasilis, integrada ao circuito histórico da Trilha dos Holandeses, com um investimento da gestão estadual de R$ 1,3 milhão. A ilha também recebeu a ampliação da iluminação pública em LED, com 930 pontos instalados em 2025 e outros 400 previstos para 2026, incluindo áreas do circuito turístico.

Quem mora em Itamaracá já percebe o impacto dos serviços no cotidiano. “Quando eu era criança, era muito bom. Aí a pista começou a ficar esburacada, a água começou a faltar nas torneiras. Agora ajeitaram a estrada, os turistas estão vindo, são muitos carros. Hoje estamos vendendo mais. Melhorou muito”, relata a comerciante Zuleide Tavares, de 64 anos, moradora da ilha desde a infância.

“Itamaracá vive hoje um novo momento do turismo, impulsionado pelos investimentos garantidos pela governadora Raquel Lyra. Receber entre 250 mil e 270 mil visitantes neste início de verão confirmou que o nosso município vem se reafirmando como um dos principais destinos do Litoral Norte de Pernambuco. Esse resultado é fruto de planejamento, investimentos em programação cultural, organização dos espaços públicos e cuidado com a cidade”, comemora o prefeito Paulo Galvão.

O Governo do Estado também avança em investimentos no abastecimento de água e no saneamento básico. A Compesa aplica atualmente R$ 1,16 milhão na modernização do sistema de abastecimento e elabora projeto para a perfuração de dois poços profundos, com investimento superior a R$ 8 milhões. Na área de esgotamento sanitário, estão previstos R$ 5,5 milhões para a ampliação da infraestrutura do município.

A Prefeitura de Itamaracá confirma que o destino vem sendo cada vez mais escolhido para estadias prolongadas, lazer em família e como segunda residência temporária. Segundo dados da gestão municipal, a maior parte dos visitantes é de Pernambuco, especialmente da Região Metropolitana do Recife, além de turistas de outros estados do Nordeste e da Região Sul, reforçando o alcance nacional da ilha e estimulando setores como hospedagem, transporte, alimentação e entretenimento.

“As ações que foram realizadas pelo Governo de Pernambuco abrangem investimentos em infraestrutura, como a melhoria das estradas do Litoral Norte, além da retirada do presídio de Itamaracá, medidas que atrai mais turistas para a região. O Festival Pernambuco Meu País movimenta a economia e beneficia tanto o turista quanto os moradores de Itamaracá e dos municípios vizinhos, que podem participar de um evento multicultural com artistas nacionais e locais”, destaca o secretário estadual de Turismo e Lazer, Kaio Maniçoba.

Entre os dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro, a ilha recebe o Festival Pernambuco Meu País – Verão, realizado pelo Governo do Estado, que reúne ritmos tradicionais e populares e conta com a presença de artistas como Lia de Itamaracá, Gaby Amarantos, Raphaela Santos, Thiaguinho, Araketu, É o Tchan e Xanddy Harmonia. A comerciante Silvana Andrade, de 45 anos, torce para que os investimentos sigam e o turismo cresça. “Itamaracá melhorou cerca de 80% com essa estrada feita, e a tendência é melhorar muito mais. Quero que o turismo continue crescendo, tanto no verão quanto no inverno”, conta.

Entre outros destaques, estão a construção do Centro Educacional Unificado da Cultura, com investimento de R$ 2,2 milhões; e a desativação da Penitenciária Barreto Campelo, em 2025, atendendo a uma antiga reivindicação da população da ilha. Como parte da reorganização territorial e da melhoria da qualidade de vida, o Estado também investiu no reforço da segurança, com patrulhamento intensificado, presença permanente nas áreas turísticas e aumento do efetivo do 26º Batalhão da Polícia Militar, que atende à área, em 55%, com a incorporação de novos oficiais.

Pernambuco também mantém investimentos contínuos em políticas sociais que beneficiam, principalmente, quem mora em Itamaracá. Estão em andamento obras da primeira creche do município, aquisição de cinco ônibus escolares e melhorias em unidades de ensino. Na área da assistência social, o município conta com uma cozinha comunitária em funcionamento e outra em fase de instalação; com programas de transferência de renda, como o Mães Pernambuco, que atende atualmente 327 mulheres no município, dentro de um total estadual superior a 135 mil beneficiárias, com investimentos que ultrapassam R$ 597,5 milhões; além de políticas específicas para as mulheres, com incentivo ao empreendedorismo, capacitação e atendimento especializado.

Itamaracá é um exemplo de que, com planejamento e ações integradas, o crescimento do turismo no município acontece de forma estruturada, promovendo desenvolvimento sustentável, geração de renda e melhoria da qualidade de vida para moradores e visitantes, reafirmando a ilha como referência no Litoral Norte pernambucano.

Discurso de Nikolas ignora feridos por raio, pede CPIs e ‘Nordeste livre’

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) discursou no encerramento do ato na praça do Cruzeiro, em Brasília, na tarde deste domingo, e não mencionou os feridos por um raio que atingiu o local antes de sua fala.

Deputado disse que o presidente do Senado é omisso e pediu abertura de CPMIs. Dirigindo-se a Davi Alcolumbre (União-AP), Nikolas Ferreira cobrou a instalação de uma CPMI do INSS e uma do Banco Master. O discurso marcou o fim de uma caminhada de uma semana que começou em Minas Gerais na última segunda-feira. As informações são do portal UOL.

“Nós estamos aqui também como um grito de quem nao aguenta mais, pra poder saber e punir quem teve ações criminosas ou o que aconteceu pra uma esposa de um ministro do STF ter um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master”, disse o deputado.

“Sabe o que é engraçado? Que o brasileiro paga altas contas e aí o governo Lula, juntamente com vários outros magistrados, utilizam dos seus recursos pra poder desviar da sua finalidade, enquanto o povo sofre, você vê pessoas como o filho do Lula tendo mesadinha e enchendo o bolso de dinheiro”, continuou.

“O Nordeste vai ser livre e vai acordar”, disse. A manifestação foi convocada com o mote “Acorda, Brasil”. Em diversos momentos, o parlamentar fez menções e instruiu os manifestantes de que eles tinham como missão “acordar outras pessoas”. Ele também se dirigiu aos professores, pedindo para que também “acordassem”.

“Eu sei que chega na eleição, tem muita gente que guarda um sentimento contra o Norte, contra o Nordeste, mas posso falar uma coisa pra vocês, se o PT chegou lá e manipulou essas pessoas, é porque nós não conseguimos chegar nelas para levar a verdade. O Nordeste vai ser livre e vai acordar.”

Antes do discurso, a queda de um raio causou pânico e deixou dezenas de feridos, não mencionados pelo deputado no discurso. Antes da chegada de Nikolas à praça do Cruzeiro, um raio deixou feridos sob chuva intensa. Bombeiros montaram tendas e encaminharam vítimas a hospitais.

Houve cuidados para o evento parecer grande. Deputados e lideranças convocaram apoiadores e ônibus levaram caravanas de pessoas vestidas de verde e amarelo carregando símbolos religiosos e bandeiras de Israel e dos Estados Unidos.

Ato que marcou fim da caminhada repetiu os comícios de Bolsonaro na campanha de 2022. Grades metálicas formaram um corredor até o carro de som, com militantes dos dois lados, criando a impressão de uma chegada apoteótica. O evento foi organizado pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

Pré-candidato a presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não compareceu. Ele está em viagem internacional para encontrar lideranças da direita de outros países. Mas o rosto do pré-candidato já aparece em bandeiras. Ele aparece de mãos dadas com Bolsonaro junto ao slogan “Deus, pátria, família”.

O nome do senador também apareceu nas músicas. Uma versão atualizada de um jingle que critica o PT incluiu o nome de Flávio. O público reagiu gritando quando escutou. A menção ocorre em um momento que Flávio é questionado. Nomes importantes da direita sinalizam que preferem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concorrendo ao Planalto.

A mobilização de Nikolas serviu de palanque à família Bolsonaro. Todos os filhos do ex-presidente aproveitaram para aparecer nas redes sociais do deputado, que tem 24 milhões de seguidores quando somados X, Tiktok e Instagram.

Flávio fez ligações de Israel. Ele foi chamado de “presidente” pelos participantes da caminhada. Carlos Bolsonaro se juntou à caminhada mais de uma vez. Ele enfrenta dificuldades em cacifar sua candidatura ao Senado em Santa Catarina por ser do Rio de Janeiro. Até Eduardo Bolsonaro, que tem diferenças com Nikolas, apareceu. O ex-deputado ligou dos Estados Unidos e parabenizou a iniciativa numa ligação protocolar.

Michelle apareceu no evento final. Ao longo da semana, a ex-primeira dama postou vídeo e obteve engajamento nas redes sociais.

Caifás: o rosto do poder e da condenação na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém

Na monumental encenação da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Pernambuco, um personagem carrega o peso das decisões que mudaram a história da humanidade: Caifás. Símbolo do poder religioso, da intriga e da sentença que levou Jesus à cruz, ele surge em cena com força, autoridade e intensidade dramática.

Há 24 anos, o ator Ricardo Mourão dá vida a esse antagonista icônico, construindo uma interpretação marcada por presença cênica, voz imponente e uma densidade emocional que atravessa gerações de espectadores. Seu Caifás não é apenas um vilão — é a personificação do conflito entre fé, política e poder, um homem dilacerado pela própria ambição e pelo medo de perder o controle.

No maior teatro ao ar livre do mundo, cercado por muralhas monumentais, Caifás caminha entre tochas, soldados e sacerdotes, conduzindo o julgamento que culmina na condenação de Jesus. Cada gesto, cada olhar e cada palavra ecoam no silêncio atento da plateia, que acompanha, emocionada, o desenrolar de uma das histórias mais impactantes da humanidade.

Sob a direção artística de Lúcio Lombardi, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém transforma o público em testemunha viva dos últimos passos de Jesus, em um espetáculo grandioso, que une fé, arte, tecnologia e emoção em uma experiência inesquecível.
Mais do que teatro, é um acontecimento que marca vidas. Um espetáculo inesquecível!

SERVIÇO:
Local: Cidade Teatro de Nova Jerusalém-Fazenda Nova
Brejo da Madre de Deus – Pernambuco

Temporada: de 28 de março a 4 de abril
Abertura dos portões às 16h
Início dos espetáculos às 18h

Ingressos: à venda no site www.novajerusalem.com.br
(parcelamento em até 12x no cartão, com juros da operadora)

100 ANOS DE PLÍNIO PACHECO

📷 Kiki Tavares e Fábio Jordão