
Passada a temporada junina — de maior aquecimento das vendas no comércio varejista local —, o mês de junho cobra oxigenação do caixa das empresas já que, apesar do lucro real do período, houve também grande investimento por parte dos comerciantes. Para driblar a “ressaca de vendas” do mês de julho, o setor aposta em estratégias para retirar o acúmulo de mercadorias das prateleiras e transformá-las em capital de giro rápido, através da queima de estoques, com as liquidações de inverno.
Estoque parado representa capital de giro congelado, como afirma o presidente da CDL Caruaru, Rossini Batista. “O início do segundo semestre traz datas importantes como o Dia dos Pais, em agosto, o que exige das lojas a abertura de espaço físico e financeiro para as novas coleções. Por isso, campanhas promocionais, combos de produtos e uso estratégico do varejo digital, por meio do Instagram e WhatsApp, funcionam como importantes aliados para movimentar o setor, neste período”, detalha.
Dados da Fecomércio-PE apontam o período junino como sendo o “segundo Natal” do varejo no estado. As estimativas indicaram uma movimentação financeira de mais de R$ 680 milhões no comércio pernambucano, no mês de junho, Caruaru despontando como principal destino turístico do período e atraindo mais de 31% das intenções de viagem no estado. Após o teto histórico impulsionado pelos vestuário, calçados e adereços juninos, o mês de julho apresenta, tradicionalmente, uma natural desaceleração, quando o consumidor dá uma pausa após os gastos juninos.
As liquidações de julho de fato funcionam, uma vez que o segmento de “tecidos, vestuário e calçados” costuma registrar reações de alta no volume de vendas com crescimentos na casa de 1,8% em relação ao mês anterior, como indicam dados históricos da PMC/IBGE Oportunidade Setorial (Onde focar a queima de estoque) – sobre o comportamento do varejo no mês de julho. Encontrando atrativos reais de preço, a exemplo das promoções de inverno, o consumidor segue disposto a comprar itens de vestimentas e calçados. Assim a estratégia de queima de estoque é um fator positivo para o tradicional ajuste sazonal.
A proprietária da Seletros – associada da CDL Caruaru –, Renata Siqueira, concorda que depois do período junino, o comércio entra em um período mais tranquilo. “Precisamos ser ainda mais criativos neste período. Então, semanalmente, temos investido em promoções e campanhas de marketing para manter o movimento. Apostamos sempre em ofertas diferenciadas, condições de pagamento facilitadas e uma divulgação mais forte nas redes sociais, a fim de trabalhar mais a marca no dia a dia do cliente. Mas, o que realmente faz muita diferença é oferecer um bom atendimento e mostrar ao cliente que sempre existe uma boa oportunidade para comprar, cliente bem atendido sempre volta!”, considera.
Em paralelo a este movimento, os comerciantes se preparam para o Dia dos Pais, como aponta ainda a CDL caruaru. Para se ter uma ideia, a data movimentou cerca de R$ 27 bilhões em vendas, no ano de 2025, segundo dados do IBEVAR (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo), em parceria com a FIA Business School. Já a Fecomércio-PE registrou cerca de R$ 183 milhões em vendas, também no ano passado.
