Fios que sufocam cidades: A hora dos municípios do Nordeste dizerem basta

Por Marcelo Rodrigues

Caminhar pelas ruas dos municípios do Nordeste brasileiro revela uma paisagem que se tornou invisível: postes carregados de dezenas de cabos mortos, abandonados por empresas que os instalaram e nunca retornaram para removê-los. O fenômeno é tão comum que deixamos de reconhecê-lo como problema, naturalizando o caos aéreo que corta o céu urbano. Essa negligência merece ser nomeada corretamente: abandono de infraestrutura que compromete a segurança pública.

O mecanismo é simples e revoltante. Operadoras de telecomunicações instalam redes, realizam manutenções, trocam tecnologias e deixam para trás quilômetros de cabos inutilizados pendurados nos mesmos postes que sustentam a fiação ativa. Sem fiscalização rigorosa ou prazos para retirada, sem ônus real para quem descarta dessa forma, o material se acumula ano após ano, formando os populares “cachos” e “barrigas” que se arrastam pelas ruas. O que deveria ser temporário se transforma em passivo permanente, e a cidade paga a conta.

Os riscos são concretos. Cabos soltos podem tocar a fiação elétrica ativa, provocando curtos-circuitos, incêndios e choques que colocam pedestres, ciclistas e motoristas em perigo. Emaranhados que descem até a altura de veículos comprometem a mobilidade. Bombeiros relatam dificuldade de acesso durante ocorrências justamente pela quantidade de fios sobrepostos. Além disso, há o impacto sobre a paisagem urbana, o valor imobiliário das áreas afetadas e a autoestima de cidades que investem em requalificação enquanto o céu permanece rasgado por lixo eletrônico.

Iniciativas municipais recentes voltadas à retirada sistemática desse material merecem ser tratadas como política pública estruturante, não como ação pontual. Quando uma autarquia municipal mapeia completamente a rede de postes, quantifica toneladas de cabos mortos, organiza a fiação ativa e devolve ruas inteiras à ordem, está corrigindo uma falha de mercado que o setor de telecomunicações nunca teve incentivo para resolver. Não existe lucro imediato em desmontar cabos obsoletos, apenas custo. Onde há custo sem obrigação legal severa, a tendência do mercado é sempre a inércia.

Não é coincidência que essa mobilização ganhe força em capitais nordestinas. A região, historicamente cobrada por resolver deficits de infraestrutura, encontra agora um novo capítulo de sua agenda de modernização: o combate ao abandono aéreo. Ao retirar toneladas de fiação morta, gestões municipais mostram que planejamento urbano de qualidade depende, antes de tudo, de vontade política para confrontar interesses que preferem manter o problema invisível.

Contudo, ações isoladas não bastam para resolver um problema estrutural que se repete em praticamente toda a malha urbana nordestina. É preciso que essa postura deixe de ser exceção e passe a ser padrão exigido. Municípios que ainda não iniciaram levantamentos sistemáticos precisam entender que a inércia tem preço: em acidentes, processos judiciais, imagem institucional e, sobretudo, em vidas colocadas em risco. Regulação clara, prazos definidos para retirada de cabos, penalidades efetivas para operadoras e parcerias entre autarquias e concessionárias são caminhos já testados que produzem resultados mensuráveis.

Há também uma dimensão ambiental. Cabos abandonados acumulam-se como resíduo eletrônico com componentes que exigem descarte adequado. Cidades que dão destinação ambientalmente correta ao material recolhido fecham um ciclo que alcança a sustentabilidade urbana.

O que está em jogo não é apenas aparência, mas segurança pública, eficiência regulatória e respeito ao espaço coletivo. Cidades que convivem com quilômetros de fiação morta terceirizam para o acaso um risco que poderia ser eliminado com planejamento e fiscalização. As experiências recentes de municípios nordestinos provam que a solução é técnica e política. Falta replicá-la em escala, com a coragem de quem entende que uma cidade só é verdadeiramente moderna quando também cuida do que está pendurado sobre ela.

Marcelo Augusto Rodrigues, é jurista, observador urbano, sertanista, consultor ambiental, ex-Secretário de Meio Ambiente do Recife, e sócio proprietário do escritório de advocacia Marcelo Rodrigues Advogados.

Especialistas apontam caminhos para empresas do Agreste vencerem a guerra de preços e protegerem suas margens de lucro

Em formato de imersão consultiva e prática, a Masterclass de Vendas HGS reúne time de grandes nomes do mercado para contribuir com o posicionamento de negócios locais

Competir no mercado diante de concorrentes que praticam preços excessivamente baixos ou que oferecem produtos de menor qualidade é um dos cenários mais complexos para empresários de serviços e varejo. No entanto, especialistas afirmam que baixar o preço para acompanhar a concorrência é um caminho perigoso que costuma corroer a saúde financeira do negócio. A verdadeira saída está na construção de um posicionamento de mercado forte e na clareza ao comunicar a proposta de valor ao cliente.

O tema será amplamente debatido na Masterclass de Vendas da HGS, programa imersivo que acontece em Caruaru ao longo de dois finais de semana de agosto, nas sextas e sábados, 21, 22, 28 e 29 de agosto. O treinamento foi estruturado com foco em aplicação imediata na realidade das empresas participantes, permitindo que os empresários, líderes e gestores construam suas estratégias durante o próprio evento.

Para garantir profundidade e diferentes visões de mercado, a HGS Academy escalou um time de especialistas, empresários e diretores renomados. A programação oficial contará com a condução de Arthur Bessone, Estavam Alves, Stéphannie Coutinho e Kassius Leandro, além de painéis de debate com convidados de destaque no cenário corporativo, como o CEO do Grupo A1, Alan César e o cofundador da Virthon Energia Solar, Thulio Assunção (Virtron). O encerramento será conduzido pelo especialista em vendas, Hildegard Assis.

“Vamos trabalhar a construção de argumentos comerciais robustos que reforcem o valor da oferta. O empresário do Agreste precisa fortalecer a maneira como se diferenciar pela qualidade e pela inteligência de mercado, e não pelo sacrifício de suas margens”, destaca a organização da imersão.

O evento oferece um ambiente propício para o networking de alto nível, troca de experiências reais entre empresários e uma visão ampliada sobre as novas tendências de consumo. Mais informações no telefone (81) 98190-9101.

Produção de veículos sobe 8,8% no primeiro semestre, diz Anfavea

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No primeiro semestre deste ano, a produção de veículos – que engloba automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões – cresceu 8,8% em relação ao mesmo período do ano passado, com 1,37 milhão de veículos produzidos. Este foi o melhor primeiro semestre desde 2019, divulgou nesta terça-feira (7) a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Segundo a Anfavea, o principal crescimento foi no segmento de automóveis, cujas vendas avançaram 23,7%, com 208 mil unidades a mais do que no primeiro semestre do ano passado. Já o segmento de veículos pesados, como caminhões e ônibus, seguem em recuperação mais lenta.

No semestre, as vendas de caminhões recuaram 10,5%, enquanto os ônibus registraram queda de 11,6%. E, embora no mês de junho ambos os segmentos tenham apresentado resultados melhores do que no ano passado, o desempenho ainda não foi suficiente para reverter a expectativa de mais um ano de retração.

Quanto aos emplacamentos, o crescimento foi de 18,5% no primeiro semestre do ano, com 1,42 milhão de veículos comercializados. Em junho foram 272,5 mil unidades comercializadas, alta de 28% frente a junho do ano passado.

Expectativa para o ano
Com o desempenho acima do esperado no primeiro semestre, principalmente nas vendas de veículos no mercado interno, a Anfavea decidiu revisar para cima a sua expectativa de crescimento para o ano.

Agora, a associação disse esperar que o Brasil feche o ano de 2026 ultrapassando a marca de 3 milhões de autoveículos emplacados, patamar que não é alcançado desde 2014. Se essa projeção se confirmar, diz a entidade, o crescimento será de 12,1% em relação a 2025, bem acima dos 2,7% previstos no início do ano.

Já a previsão do ano relacionada à produção passou de 3,7% para 5,8%, com expectativa de 2,8 milhões de autoveículos produzidos.

Exportações e importações
Apesar do cenário positivo, as exportações continuam sem apresentar sinal de recuperação no semestre, com queda de 21,2% em relação ao mesmo período do ano passado, somando 216,6 mil unidades exportadas. Considerando-se apenas o mês de junho, o recuo foi de 26,7% sobre junho do ano passado, com 36,7 mil unidades exportadas.

As importações, por sua vez, somaram 280,6 mil unidades, o que representou aumento de 22,8% no primeiro semestre. Em junho foram importadas 57 mil unidades, crescimento de 49,3% em relação a junho do ano passado.

Brasil vê avanço com EUA, mas mantém etanol fora da negociação

Terminal de Containers no Porto de Santos, lado Guarujá, São Paulo, Brasil! Uma vista aérea de Drone. Foto: Angelo F. Roesler/ Adobe Stock

Em meio às negociações para evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, o Brasil identificou uma abertura dos Estados Unidos para ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional, disse nesta terça-feira (7) o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Após uma nova rodada de reuniões técnicas com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o ministro avaliou que houve avanços em um tema considerado estratégico pelo governo.

“Nós tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito de cooperação integrada de combate ao crime transnacional. Há reconhecimento de que é possível avançar nesse ponto”, afirmou.

Segundo o ministro, a expectativa é realizar ainda nesta semana uma nova reunião técnica e um encontro político com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes do encerramento da consulta pública que antecede a decisão sobre as tarifas.

Apesar do avanço em alguns temas, Márcio Elias Rosa reforçou que o governo pretende manter as negociações restritas à questão tarifária.

“A principal orientação do presidente é que não sairemos da mesa e também não deixaremos que outros temas sejam discutidos”, disse.

Etanol excluído
O ministro também voltou a defender que o etanol permaneça fora das negociações comerciais entre os dois países.

Segundo Márcio Elias Rosa, discutir apenas a tarifa do biocombustível ignora a relação entre as cadeias produtivas de etanol e açúcar, além dos impactos para a indústria nacional.

“O governo vem defendendo que o etanol não seja tratado nessa discussão. É uma pena que outras pessoas pensem diferente para que o etanol americano possa entrar no mercado brasileiro com facilidade”, afirmou.

Ele destacou ainda que o setor é estratégico, principalmente para o Nordeste, e lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta fortes barreiras para entrar no mercado americano.

“Nosso açúcar tem sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Não dá para dissociar as duas cadeias”, disse.

Diante do prazo apertado para um entendimento, o ministro afirmou que o governo concentrará esforços nos pontos em que há possibilidade de avanço. “O prazo é curto. Temos que focar no que pode dar resultado positivo”, declarou.

Setor apoia
Durante a audiência pública promovida pelo USTR, representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, da União Nacional do Etanol de Milho e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil reforçaram a posição defendida pelo governo brasileiro.

As entidades argumentaram que a queda das importações de etanol americano não decorre apenas de tarifas, mas principalmente da expansão da produção nacional de etanol de milho, que reduziu a necessidade de compras externas.

Na avaliação do setor, Brasil e Estados Unidos, os dois maiores produtores mundiais de etanol, deveriam priorizar a expansão do mercado internacional de biocombustíveis, em vez de ampliar disputas comerciais bilaterais.

O que é a Seção 301
As negociações ocorrem paralelamente à investigação aberta pelo USTR com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O instrumento permite ao governo americano investigar práticas comerciais de outros países consideradas desleais ou prejudiciais às empresas dos EUA. Ao fim do processo, Washington pode aplicar medidas como sobretaxas sobre produtos importados ou outras restrições comerciais.

No caso brasileiro, a investigação questiona políticas relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, compras governamentais e outros temas. Antes da decisão final, o governo americano realiza uma consulta pública com empresas e entidades interessadas.

Anderson Luiz amplia articulações políticas no Agreste e reforça presença em eventos populares

O pré-candidato a deputado estadual Anderson Luiz (PSD) intensificou sua agenda política entre os dias 3 e 6 de julho, cumprindo compromissos em Caruaru, Garanhuns e Belo Jardim. Durante o roteiro, ele participou de encontros com lideranças políticas, marcou presença em eventos tradicionais e estreitou o contato com moradores de diferentes municípios do Agreste pernambucano.

Em Garanhuns, Anderson esteve ao lado do deputado estadual Izaías Régis, pré-candidato à Câmara Federal, em uma reunião voltada ao fortalecimento de parcerias para a região. Já em Belo Jardim, atendeu ao convite do deputado federal Mendonça Filho e participou da tradicional Festa das Marocas, um dos principais eventos culturais do município.

Na agenda em Caruaru, o pré-candidato visitou diversas comunidades e participou de confraternizações em Itaúna, Lagoa do Paulista, Nina Liberato e Cachoeira Seca, além de prestigiar festas populares que integram o calendário cultural da cidade, como a Festa da Passarinha, o Maior Leite de Onça do Mundo, a Mesa Nordestina, o Maior Cabeça de Galo do Mundo e o Xerém com Galinha Gigante, acompanhado de vereadores e lideranças locais.

Durante os compromissos, Anderson Luiz destacou a importância de manter uma atuação próxima da população e de incentivar manifestações culturais que movimentam a economia regional. “Cada abraço, cada conversa e cada demonstração de confiança fortalecem nossa caminhada. Pernambuco precisa de representantes que estejam presentes nas comunidades, ouvindo as pessoas e trabalhando por soluções concretas para os desafios do nosso Estado”, afirmou.

Prefeitura de Caruaru apresenta projetos exitosos de agroecologia em missão internacional na França

A Prefeitura de Caruaru, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), participou de uma missão técnica internacional na região da Bretanha, na França, fortalecendo a cooperação entre os dois países em iniciativas voltadas à agricultura familiar, agroecologia e desenvolvimento rural sustentável.

Durante a agenda, a comitiva apresentou as ações de agroecologia desenvolvidas no município e um projeto para implantação de um Centro de Referência em Compostagem. A proposta prevê o reaproveitamento de resíduos orgânicos da Central de Abastecimento de Caruaru (Ceaca) e da Rede Municipal de Ensino para a produção de composto orgânico, que será utilizado como insumo na agricultura familiar.

O projeto foi apresentado também para captação de recursos internacionais. A expectativa é obter cerca de 100 mil euros para viabilizar a implantação da unidade de compostagem, que deverá funcionar em uma área da Ceaca. “Apresentamos a capacidade de gestão de Caruaru e um projeto inovador para transformar resíduos orgânicos em insumos para a agricultura familiar. A receptividade foi muito positiva e já há articulações para viabilizar essa cooperação”, destacou o secretário de Desenvolvimento Rural, Weslley Nascimento.

A missão também fortaleceu a inserção internacional de Caruaru. Além da parceria com a Rede Internacional Agroecologia e Alimentação, a comitiva foi convidada a integrar a rede e o Comitê de Agroecologia da Rede Bretanha Solidária (RBS), ampliando as possibilidades de cooperação e intercâmbio para o desenvolvimento sustentável do município.

Receita lança canal único de atendimento digital

A Receita Federal iniciou nesta segunda-feira (6) a operação do Receita Atende, novo canal único de atendimento digital criado para concentrar, em uma única plataforma, o relacionamento do órgão com cidadãos e empresas.

Nesta primeira fase, o sistema passa a substituir a maior parte dos serviços atualmente prestados pelo Fale Conosco, principalmente para esclarecimento de dúvidas e orientação sobre serviços administrados pela Receita.

Segundo o órgão, a mudança faz parte do processo de modernização do atendimento ao contribuinte e busca tornar os serviços mais integrados, seguros e eficientes.

Migração gradual
A implantação do Receita Atende ocorrerá de forma gradual. Inicialmente, apenas as demandas hoje direcionadas ao Fale Conosco serão migradas para a nova plataforma.

Em uma segunda etapa, a Receita Federal pretende incorporar ao sistema o atendimento realizado por e-mail e também os processos digitais, concentrando em um único ambiente virtual praticamente todas as interações entre os contribuintes e o Fisco.

O órgão quer reduzir a fragmentação dos canais de atendimento e facilitar o acompanhamento dos pedidos pelos usuários.

Mais integração
De acordo com a Receita Federal, o objetivo é oferecer uma experiência mais simples para cidadãos e empresas, reunindo em um único local os serviços de orientação e atendimento digital que hoje estão distribuídos em diferentes plataformas.

A centralização também deve permitir maior controle sobre o histórico das interações, além de contribuir para reduzir o tempo de resposta às demandas e reforçar a segurança das informações compartilhadas.

Impacto
A mudança afeta especialmente profissionais das áreas fiscal, contábil, tributária e de compliance (conformidade com leis e regulamentos), que utilizam frequentemente os canais da Receita para esclarecer dúvidas e tratar procedimentos administrativos.

A recomendação é que empresas e escritórios de contabilidade passem a utilizar o Receita Atende desde o início da migração, acompanhando a incorporação gradual dos demais serviços ao novo ambiente digital.

Segundo o Fisco, o Receita Atende deverá se tornar, ao fim da implementação, o principal canal de relacionamento eletrônico entre os contribuintes e o órgão.

EUA fazem audiências públicas sobre práticas comerciais do Brasil

O Brasil está no centro de duas audiências públicas que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, do nome original inglês) promove nesta semana para investigar supostas práticas comerciais desleais ou prejudiciais aos interesses comerciais estadunidenses.

A primeira, que trata da proposta estadunidense de sobretaxar em 25% uma série de produtos exportados pelo Brasil, começou ontem (6) e está prevista para terminar hoje (7). Estão em análise “atos, políticas e práticas brasileiras” em seis diferentes aspectos: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (Pix); tarifas preferenciais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.

A segunda audiência pública, a partir de hoje, engloba 60 nações, instantaneamente, incluindo o Brasil, e apura supostas falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão e na proibição à exportação de bens produzidos com trabalho forçado. Neste caso, a expectativa é de que as argumentações se estendam por três dias, terminando na quinta-feira (9).

Consultas formais
As audiências, em Washington (EUA), fazem parte do processo de consultas formais a representantes de setores produtivos e governos de países investigados e, ainda, representantes de empresas estadunidenses supostamente afetadas pelas práticas comerciais em análise.

As investigações são propostas com base na chamada Seção 301, da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974, que permite ao governo norte-americano investigar práticas comerciais de países que considere desleais ou prejudiciais aos interesses estadunidenses. A primeira foi instaurada em julho de 2025. A segunda, em março de 2026.

Dezenas de entidades e empresas brasileiras e estadunidenses se inscreveram para participar dos dois dias de audiência pública agendada para tratar exclusivamente das práticas brasileiras. Entre elas, estão a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); o Conselho Brasileiro de Exportadores de Café (Cecafé); a Confederação Nacional da Indústria (CNI); União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Embraer. O senador Flávio Bolsonaro, que também se inscreveu, será ouvido ainda hoje.

Estratégia
A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) e o Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais (Sindifer) se inscreveram para participar das audiências públicas que tratam da acusação de que dezenas de países são favorecidos comercialmente por trabalho forçado e degradante em importantes setores econômicos, barateando seus custos de produção.

Em nota, a entidade antecipa sua estratégia e busca demonstrar que a sobretaxa na importação de rochas naturais brasileiras terá efeitos negativos para as empresas estadunidenses e para toda a economia dos Estados Unidos.

De acordo com a associação, o posicionamento conta com o respaldo de importantes organizações estadunidenses, como o Natural Stone Institute (NSI), principal entidade da cadeia produtiva de rochas naturais no país.

Segundo a Centrorochas, os Estados Unidos são o principal mercado internacional para rochas naturais exportadas pelo Brasil. Só no ano passado, as vendas brasileiras ao país totalizaram US$ 795 milhões, movimentando cerca de 587 mil toneladas de materiais destinados principalmente à fabricação de bancadas de cozinha e banheiro, revestimentos e outras aplicações residenciais e comerciais de alto padrão.

Para o vice-presidente da associação, Fábio Cruz, a aplicação de novas tarifas prejudicaria a competitividade das próprias empresas estadunidenses que utilizam a matéria-prima brasileira.

“As rochas naturais brasileiras não representam uma ameaça à produção doméstica americana. Pelo contrário, complementam uma cadeia produtiva que gera empregos, investimentos e renda em diversos estados dos Estados Unidos..”

No início do mês passado, o Estado brasileiro contestou os argumentos favoráveis à sobretaxa dos produtos brasileiros e as conclusões preliminares do USTR sobre o tema. Em documento enviado ao escritório, o Itamaraty argumentou que as práticas comerciais brasileiras não prejudicam os EUA ou as empresas norte-americanas, e pediu que o governo estadunidense se abstenha de impor medidas unilaterais em virtude das investigações em curso.

“O USTR não estabelece o nexo legal exigido entre um ato, política ou prática concreta do Brasil e um ônus ou restrição identificável ao comércio dos EUA”, disse o governo brasileiro.

No documento, o Itamaraty ressalta que as conclusões preliminares do escritório comercial saltam da “discordância em relação às escolhas soberanas do Brasil para conclusões de que tais escolhas são irrazoáveis e de afirmações generalizadas de desvantagem comercial para a conclusão de que o comércio dos EUA está sendo onerado ou restringido”.

“Isso é insuficiente para justificar uma ação nos termos da Seção 301”, acrescenta o documento, alegando que a legislação estadunidense não autoriza o USTR a impor medidas comerciais “apenas por discordar das escolhas políticas de outro país soberano.”

Morre, aos 95 anos, o dramaturgo Benedito Ruy Barbosa

Morreu na manhã desta terça-feira (7), vítima de insuficiência renal crônica, o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa. Ele estava internado no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo.

“O Hcor informa que o autor Benedito Ruy Barbosa, de 95 anos, faleceu nesta manhã devido a complicações de insuficiência renal crônica (IRC). A instituição se solidariza com os familiares e amigos neste momento de pesar”, diz nota oficial.

O dramaturgo passava por problemas de saúde recentes e ficou internado durante vários dias em janeiro deste ano no mesmo Hcor.

Clássicos
Benedito foi um dos maiores novelistas da TV brasileira. Ao longo de sua trajetória criou clássicos como Pantanal, Renascer, Sinhá Moça, Cabocla, entre outros.

Ele nasceu no dia 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, no interior de São Paulo.

Já adulto, se mudou para a capital paulista onde trabalhou como comerciante e também em banco. Em 1954 foi contrato pelo jornal O Estado de São Paulo, onde atuou como revisor. Passou por outros jornais como Última Hora e Gazeta Esportiva.

Escreveu seu primeiro romance, Fogo Frio, lançado em 1959. O livro foi a porta de entrada para as novelas televisivas.

Seu primeiro folhetim foi Somos Todos Irmãos, de 1966, exibido pela extinta TV Tupi. Passou ainda pela TV Excelsior e Record até chegar à Globo.

Em 1971, lançou pela emissora carioca Meu Pedacinho de Chão. Foi a primeira novela das seis. Na sequência, teve outros sucessos como O Feijão e o Sonho (1976) e Cabocla (1979).

Em 1981, na Bandeirantes, escreveu Os Imigrantes, outro universo bem conhecido por Benedito, assim como a vida interiorana do país.

Em 1990, pela extinta Rede Manchete, lançou a clássica Pantanal, novela que se passava nessa região do Brasil e que mostrava belas paisagens. A trama fez grande sucesso, o que incomodou a Globo em termos de audiência.

Barbosa retornou ao canal carioca após o êxito com Pantanal e não saiu mais. Emplacou vários sucessos na emissora, como O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999), Esperança (2002) e escreveu até remakes de suas próprias obras do passado como Cabocla (2004) e Sinhá Moça (2006).

Sua última obra original na Globo foi Velho Chico, em 2016, novela bem fora dos padrões tradicionais e que chegou até a sofrer certa rejeição por parte do público.

Benedito foi o escritor de Sítio do Picapau Amarelo, série exibida pela Globo a partir de 1977. Ele também escreveu roteiros para o cinema em filmes como O Dia que o Santo Pecou (1975), Mágoa de Boiadeiro (1979), O Filho Adotivo (1984), entre outros.

Secretaria da Mulher de Caruaru participa da Operação Mulher Segura 2026 com ações de cidadania e enfrentamento à violência

Caruaru recebe, nesta terça-feira (7), a Operação Mulher Segura 2026 – 2ª Edição, mobilização nacional voltada ao enfrentamento da violência contra as mulheres. A iniciativa contará com ações de cidadania, orientação à população e capacitação dos profissionais que atuam na rede de proteção, reforçando o compromisso com a prevenção da violência e a garantia de direitos.

Ao longo da manhã, serão realizadas ações como mutirão para emissão da Carteira de Identidade Nacional (RG), na Escola Municipal Professor Kermógenes Dias de Araújo, no bairro Vassoural, blitz educativa com orientações sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres, no Marco Zero de Caruaru, e uma formação destinada aos profissionais da rede de atendimento, no SESC Caruaru.

As atividades têm como objetivo ampliar o acesso aos serviços públicos, fortalecer a atuação integrada entre as instituições e aproximar a população dos canais de acolhimento e proteção.

A Operação Mulher Segura é promovida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em parceria com a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), contando, em Caruaru, com o apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria da Mulher.