Governadora Raquel Lyra anuncia repasse de R$ 1,2 milhão em Benefício Eventual Emergencial para os 27 municípios em situação de emergência

Durante agenda em Brasília, nesta terça-feira (5), a governadora Raquel Lyra anunciou o repasse de R$ 1,2 milhão do Benefício Eventual Emergencial para 27 municípios pernambucanos em situação de emergência, conforme o Decreto Estadual nº 60.542, de 2 de maio de 2026. O decreto estadual também foi reconhecido pelo governo federal. Os recursos já foram creditados nas contas das prefeituras nesta terça-feira, assegurando agilidade na resposta às demandas emergenciais. Com os valores, os municípios poderão adquirir cestas básicas, kits de natalidade e de mortalidade, além de conceder auxílio aluguel e distribuir kits de higiene, garantindo assistência direta às populações em situação de vulnerabilidade social.

“Esse recurso já está na conta das prefeituras para ajudar quem mais precisa, com cestas básicas, auxílio aluguel, kits de higiene e apoio às famílias. É ação imediata e cuidado com as pessoas, garantindo dignidade a quem teve sua vida impactada pelas chuvas. Estamos fazendo o que precisa ser feito, porque nenhum pernambucano pode ficar para trás”, enfatizou a governadora Raquel Lyra.

Os recursos foram distribuídos para os municípios de Abreu e Lima, Aliança, Araçoiaba, Buenos Aires, Camaragibe, Goiana, Glória do Goitá, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Itambé, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Limoeiro, Moreno, Nazaré da Mata, Olinda, Passira, Paudalho, Paulista, Pombos, Recife, São Lourenço da Mata, São Vicente Ferrer, Timbaúba, Vicência e Vitória de Santo Antão. Os repasses seguiram critérios pactuados na política estadual de cofinanciamento da assistência social.

A secretária da SAS, Andreza Pacheco, destaca que o foco é garantir uma resposta rápida às famílias que mais precisam. “Estamos falando de apoio imediato, de segurança e de dignidade para quem teve sua vida afetada pelas chuvas. Nossa prioridade é agir com rapidez e eficiência, para que cada recurso chegue ao destino certo e se transforme em cuidado, proteção e esperança”, afirmou a titular da pasta.

Os repasses foram feitos do Fundo Estadual de Assistência Social (FEAS) para os Fundos Municipais de Assistência Social (FMAS) das localidades atingidas, fortalecendo a rede de proteção e garantindo resposta rápida às populações em maior vulnerabilidade.

Programa Ponte Tech, da Adepe com o Porto Digital, já conectou 164 empresas pernambucanas a mercado nacionais

O programa Ponte Tech, iniciativa do Governo de Pernambuco por meio da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), em parceria com o Porto Digital, segue em uma fase de consolidação em 2026, funcionando como elo entre o ecossistema pernambucano de inovação e grandes mercados consumidores do país.

Com foco na expansão de negócios e na geração de oportunidades comerciais, o programa já ativou 164 empresas pernambucanas — sendo 74,39% startups e 25,6% corporações — em ações que incluem participação em feiras, rodadas de negócios e agendas com potenciais clientes.

A iniciativa surgiu como um desdobramento das estratégias de fomento econômico conduzidas pela Adepe, ampliando o alcance de programas como a Arena de Negócios, uma das principais ativações do festival REC’n’Play.
A proposta do programa é ir além da atração de grandes investimentos estruturantes, tradicionalmente liderada pela agência, e avançar também na oferta de soluções tecnológicas de rápida implementação para empresas de diferentes setores.

Nesse contexto, o Ponte Tech atua como uma curadoria qualificada de soluções desenvolvidas em Pernambuco, conectando demandas reais do mercado — especialmente da região Sudeste — a empresas locais com capacidade de entrega já consolidada.

“O Porto Digital já é referência nacional como ecossistema e nossas startups têm alto nível de inovação e qualidade em suas entregas. Com a expertise da Adepe em captação de investimentos, o Ponte Tech vem acelerar a materialização da nossa autoridade técnica em novos negócios e novas parcerias”, diz Fellipe Sabat, superintendente de Negócios e Produtos do Porto Digital.

Para 2026, o planejamento prevê a participação em pelo menos seis feiras estratégicas em todo o país, além de outras agendas institucionais lideradas pela Adepe. O movimento inclui a preparação das empresas participantes, com treinamentos e orientações voltadas à atuação em mercados mais competitivos.

“É por meio do Ponte Tech que conseguimos criar oportunidades concretas para as startups pernambucanas, conectando a inovação local a grandes vitrines nacionais. O programa amplia o alcance dessas empresas, fortalece a inserção do nosso ecossistema em mercados estratégicos e reafirma a vocação de Pernambuco como um polo de inovação, capaz de integrar tradição e tecnologia para gerar desenvolvimento econômico e social”, destaca Roberta Andrade, diretora-presidente interina da Adepe.
Empresas participantes já relatam avanços em contatos comerciais a partir das agendas realizadas, especialmente em eventos setoriais de grande porte, indicando o potencial do programa como ferramenta de inserção nacional.
A MV, especializada em tecnologia para saúde, teve participação na HealthCare Innovation Show viabilizada pelo programa. “A presença em eventos como esse é estratégica porque conecta executivos que lideram projetos de alto impacto na saúde, atuando nos principais players do mercado. Esse tipo de conexão fortalece pontes e contribui para que a evolução tecnológica no setor aconteça de forma mais integrada, sinérgica e estruturada”, diz Ramon Maia, diretor de negócios da MV.

“Iniciativas como o Ponte Tech precisam ser intensificadas, pois elas de fato abrem portas e promovem o entrelaçamento entre as empresas do Porto Digital e o mercado consumidor, especialmente no segmento B2B. Para nós, a experiência foi excelente: o evento permitiu uma aceleração do processo de confiança naquelas negociações que já tínhamos em andamento, consolidando nossas conexões de mercado”, diz Maristone Gomes, fundador e CEO da Salvus, que impulsiona transformação digital no setor da saúde.

Empresas interessadas em participar do programa podem se inscrever por meio do site do Ponte Tech, preenchendo formulário. Mais informações no email potentech@portodigital.org.

Caruaru e demais municípios têm abastecimentos de água interrompidos; VEJA quais são

A Compesa informa que identificou, durante a madrugada de hoje (5), uma anormalidade nas pressões da Adutora do Agreste, no trecho próximo ao município de Belo Jardim.

Para evitar o estouramento da Adurora, foi adotada uma medida de segurança com progressiva redução de vazão até a parada total da adutora.

Devido à ocorrência, o abastecimento de água foi suspenso nos municípios de Pesqueira, Sanharó, Belo Jardim, São Caetano e Caruaru, além dos distritos de Serra dos Ventos (Belo Jardim), Barra de Farias e Fazenda Nova (Brejo da Madre de Deus).

Equipes da Compesa já foram mobilizadas para a realização de inspeções em campo e identificação da causa da ocorrência.

A previsão para normalização do abastecimento será informada após a conclusão do diagnóstico técnico.

Governadora Raquel Lyra apresenta ao ministro Waldez Góes demandas do Estado para diminuir os impactos das chuvas

A governadora Raquel Lyra se reuniu, nesta segunda-feira (4), no Palácio do Campo das Princesas, com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, para debaterem a continuidade das ações emergenciais após as chuvas intensas. A gestora reforçou o encaminhamento ao governo federal da solicitação de recursos para execução de medidas urgentes para mitigar os impactos das chuvas dos últimos dias no Estado, através do Novo PAC. Com valor total estimado em R$ 6,3 bilhões, as medidas abrangem recuperação de escolas, construção de barragens para contenção de cheias, política habitacional para famílias afetadas e obras estruturais para redução de riscos, como contenção de encostas e macrodrenagem. Antes da reunião, os gestores sobrevoaram áreas afetadas pelas chuvas. Ainda nesta segunda, o governo federal reconheceu o decreto de situação de emergência publicado pelo governo estadual.

“A partir do início das fortes chuvas era o momento da gente salvar a população, assegurando estruturas, cuidando das pessoas, com abrigamentos e garantia de mantimentos e ajuda humanitária. Desde o primeiro momento, a equipe do ministro Waldez está à disposição do Governo de Pernambuco e dos municípios do nosso Estado. Agora, é o momento de reconstruir e refazer estruturas que eventualmente tenham sido perdidas. Avançamos na parceria com o governo federal para que a gente consiga mais recursos para investimento em obras que garantam às nossas cidades a possibilidade de serem mais resilientes”, destacou a governadora Raquel Lyra, ao lado da vice-governadora Priscila Krause.

Entre as medidas, a chefe do Executivo estadual reforçou a solicitação de inclusão no Novo PAC de obras das barragens de Engenho Maranhão, São Bento do Una, Engenho Pereira e Barra de Guabiraba, com valor estimado em R$ 750 milhões. As barragens são importantes para garantir a contenção de cheias, além de fortalecer a produção de água tratada para diversos municípios pernambucanos, beneficiando diretamente 1,3 milhão de pernambucanos.

O ministro Waldez Góes destacou a união dos governos federal e estadual para apoio à população afetada. “No sobrevoo que fizemos na região e durante a reunião, entendemos a gravidade da situação e reconhecemos todas as providências que o Governo de Pernambuco já vem adotando em atenção aos municípios impactados. Além disso, tratamos também de diminuir o risco de vida das pessoas afetadas pelas chuvas, isso se faz com investimentos em prevenção. Estamos aqui para reafirmar a presença do governo federal a pedido do presidente Lula e reconhecer todo o esforço e coordenação da governadora Raquel Lyra e sua equipe, altamente eficiente, presente e com muita rapidez nas ações. Prestamos nossa solidariedade às famílias atingidas e nos unimos para dar assistência aos municípios impactados e diminuir os futuros riscos com ações em parceria com o Governo do Estado”, afirmou o gestor.

O Governo do Estado destacou que a inclusão das intervenções no Novo PAC garante a rápida execução de obras estratégicas e assegura a retomada da normalidade de forma mais rápida.

Acompanharam a reunião o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, o deputado federal Túlio Gadêlha, e os secretários estaduais Fabrício Marques (Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional), João Salles (Assessoria Especial à Governadora e Relações Internacionais), Túlio Vilaça (Casa Civil), Almir Cirilo (Recursos Hídricos e Saneamento), Rodrigo Ribeiro (Desenvolvimento Urbano e Habitação), Simone Nunes (Projetos Estratégicos) e o secretário executivo de Proteção e Defesa Social, Clóvis Ramalho. Ainda estiveram presentes o deputado federal pela Paraíba Damião Feliciano e a diretora do Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Lígia Feliciano.

O asfalto que nos afoga: quando uma vaga de carro vale mais do que a cidade que habitamos

Por Marcelo Rodrigues

Há uma contradição silenciosa embutida na paisagem de qualquer grande cidade brasileira. Nas ruas, fileiras intermináveis de vagas de estacionamento ocupam o solo público como se fossem um direito adquirido, enquanto bairros inteiros se alagam a cada chuva moderada, o calor urbano castiga moradores sem arborização e a impermeabilização crescente do solo transforma as calçadas em superfícies de escoamento acelerado para água que não tem para onde ir. A solução para boa parte desse problema cabe literalmente no espaço de um automóvel parado. Chama-se vaga verde.

A ideia é simples: converter vagas de estacionamento em pequenos canteiros vegetados, jardins de chuva ou áreas permeáveis, devolvendo ao solo urbano sua capacidade natural de absorver água e regular temperatura. No Brasil, São Paulo deu passos concretos nessa direção — a Câmara Municipal aprovou recentemente um programa que autoriza moradores a solicitar a implantação de vagas verdes em suas quadras, com plantio de vegetação nativa prioritariamente arbórea, inspirado em Paris, que planeja substituir 60 mil vagas de estacionamento por áreas verdes até 2030. São Paulo já instalou 37 dessas intervenções com jardins de chuva desde 2021, filtrando poluentes e melhorando a infiltração pluvial em trechos que antes alagavam com regularidade.

A eficácia dessas intervenções não é opinião — é dado científico. Pesquisa publicada em 2025 na revista Frontiers in Public Health demonstrou que espaços verdes urbanos fragmentados e discontinuos — como os que existem na maioria das cidades brasileiras — reduzem drasticamente a capacidade do tecido urbano de interceptar a chuva, promover infiltração no subsolo e amortecer o pico das cheias. O estudo aponta que as falhas no planejamento das áreas verdes são estruturais: projetadas para embelezar, não para funcionar como infraestrutura hídrica, essas áreas perdem boa parte de seu potencial de serviço ecossistêmico. A inversão desse paradigma — tratar o verde como engenharia e não como decoração — é precisamente o que as vagas verdes propõem.

Do ponto de vista climático, o impacto é igualmente mensurável. Uma revisão sistemática publicada pelo National Institutes of Health (NIH) analisou 202 estudos sobre resfriamento urbano produzido por infraestrutura verde e azul, abrangendo 51 tipos distintos de intervenção. Os dados revelam que jardins de chuva, árvores de calçada e canteiros vegetados são capazes de reduzir a temperatura do ar entre 3°C e 5°C nas imediações. Isso não é irrelevante: cidades que concentram asfalto, concreto e pouca vegetação produzem ilhas de calor que elevam a mortalidade, aumentam o consumo de energia para resfriamento e comprometem a saúde respiratória dos moradores mais vulneráveis — geralmente os que vivem em bairros periféricos, com menos áreas verdes e mais superfícies impermeáveis.

A relação entre impermeabilização e enchentes urbanas é hoje um dos temas mais robustamente documentados da hidrologia contemporânea. Estudo publicado no periódico Science of the Total Environment mostrou que a infraestrutura verde urbana — da qual as vagas verdes são uma expressão de escala micro — reduz tanto o volume total quanto o pico do escoamento superficial durante eventos de chuva intensa, aliviando o sistema de drenagem e diminuindo os danos econômicos e sociais das inundações. A cada metro quadrado de solo que deixa de ser impermeável, há ganho mensurável na capacidade de retenção hídrica do entorno.

O que impressiona, porém, é a escala do que se desperdiça. Em Recife, São Paulo, Fortaleza, Belém — cidades que convivem anualmente com enchentes devastadoras — há centenas de milhares de vagas de estacionamento nas vias públicas. Cada uma delas representa uma área que poderia infiltrar água, reduzir temperatura e oferecer sombra. O Programa Cidades+Verdes do Ministério do Meio Ambiente brasileiro já reconheceu essa lacuna e passou a mapear áreas verdes urbanas, mirando melhoria de qualidade de vida para os 85% de brasileiros que vivem em cidades. As vagas verdes são, nesse contexto, a intervenção mais acessível: não exigem desapropriação, não dependem de grandes obras e podem ser implementadas bloco a bloco, com participação direta da comunidade.

Há também uma dimensão de justiça nesse debate que costuma ficar fora do alcance dos holofotes. Pesquisa do WRI Brasil demonstrou que moradores de baixa renda tendem a viver em bairros com menos áreas verdes, mais expostos à poluição do ar e ao calor urbano. São, também, os que mais sofrem com as enchentes, pois habitam fundos de vale e encostas que a especulação imobiliária deixou de lado. Criar vagas verdes nesses bairros é uma política de reparação ambiental — um ato de reconhecimento de que o espaço público não deve servir apenas ao automóvel, mas à vida que pulsa ao redor dele.

Transformar vagas de estacionamento em canteiros vivos não é utopia paisagística. É engenharia climática ao alcance das prefeituras, financeiramente viável, comprovada cientificamente e capaz de atuar sobre dois dos problemas mais urgentes das cidades brasileiras: o calor que sufoca e a água que não encontra chão. A pergunta que resta é de escolha política — e de onde cada gestor municipal decide colocar o valor do metro quadrado público: no carro parado ou na cidade viva.

Marcelo Augusto Rodrigues, é jurista, observador urbano, sertanista, consultor ambiental, ex-Secretário de Meio Ambiente do Recife, e sócio proprietário do escritório de advocacia Marcelo Rodrigues Advogados.

5×2: para melhorar a qualidade do trabalho

Por Maurício Rands*

O mercado de trabalho brasileiro é dantesco. São 14 milhões de brasileiros trabalhando na escala 6×1. Segundo o DataSenado, 24% dos trabalhadores nas cidades grandes perdem ao menos 3 horas diárias nos deslocamentos. São onze horas por dia longe de casa e sem tempo para si. Desses, 1,4 milhão são trabalhadores domésticos, sujeitos a relações patriarcais. Dos trabalhadores CLT, 74% ainda cumprem jornada de 44 horas semanais.

As jornadas mais extensas estão concentradas entre trabalhadores de menor renda, menor escolaridade, negros e pardos. Por isso, o Datafolha apurou que 71% dos brasileiros aprovam o fim da jornada de 6×1. Sentem ser justo que as pessoas possam dispor de dois dias semanais consecutivos para os afazeres próprios. O que já é realidade para 50,3 milhões de trabalhadores em setores que não quebraram por isso.

A jornada semanal de 5×2 é sinônimo de melhor qualidade de vida e melhor disposição durante o trabalho. Com tempo para descanso e para desconectar do trabalho, as pessoas podem ser mais criativas e produtivas. Tendem a cometer menos erros e a adoecer menos. Isso reduz custos ocultos decorrentes do absenteísmo e da rotatividade. Um trabalhador mais motivado, com mais energia e engajamento, produz mais e melhor. As empresas, a seu turno, com jornadas menores dos seus empregados, tendem a se concentrar no melhor planejamento do trabalho, o que resulta em ganhos de produtividade. Eventuais aumentos das despesas com empregados poderiam ser absorvidos por ganhos de produtividade e avanços tecnológicos.

Propondo o fim da jornada de 6×1 tramitam no Congresso Nacional a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que foram apensadas. Além dessas PECs, tramita o PL 1838/2026, encaminhado pelo presidente Lula propondo a redução da jornada de 44 para 40h semanais com dois dias consecutivos de descanso, sem redução salarial. Como o governo requereu a tramitação em regime de urgência constitucional, a partir do 45º dia a pauta da Câmara ficará trancada caso o plenário não vote o PL. Espera-se que uma dessas proposições seja votada até junho. Embora uma emenda constitucional seja mais idônea para estabilizar o tema, um projeto de lei exige quórum menor de aprovação, de 257 votos na Câmara e 42 votos no Senado.

Os que se opõem à redução da jornada argumentam que haverá aumento de custos e riscos sobretudo para as micro e pequenas empresas. Estudos citados por entidades como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) sugerem que o custo da mão de obra poderia subir entre 12,7% e 17,57%. Já alguns estudos do Ministério do Trabalho apontam impacto de apenas 4,7% sobre a massa geral de rendimentos. O Ipea, por sua vez, estima aumento médio de custo de 7,84%, mas de menos de 1% para os maiores empregadores.  A principal crítica econômica é que o aumento dos custos de pessoal das empresas seria inevitavelmente repassado ao consumidor final. E o aumento dos preços teria impacto nos níveis de emprego.

Os defensores da medida contestam esses argumentos citando estudos da FGV em empresas que, após reduzir a jornada, aumentaram a receita. No mundo, casos como o da Microsoft no Japão, com aumento de 40% na produtividade, são frequentemente citados. Alguns defendem uma transição gradual e negociada em setores específicos, como saúde e comércio, que funcionam 24 horas, através de acordos coletivos com os sindicatos. Parece razoável supor que os receios de efeitos adversos e as próprias visões apocalípticas estão superestimados.

Com planejamento adequado e ganhos de produtividade, a jornada 5×2 traria benefícios econômicos e sociais de longo prazo. Foi o que ocorreu em países como França, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Chile e Equador, todos com jornadas semanais de 40 horas ou menos. Para os trabalhadores trata-se de resgatar o direito ao próprio tempo, à própria vida. Quando se argumenta que o assunto não deveria ser discutido em período eleitoral, o trabalhador simplesmente entende que estão querendo adiar o seu direito à vida própria até depois que o voto deixe de valer. E todos percebem que os admiradores de sociedades como as europeias são os mesmos que não admitem que as conquistas e instituições desses países tenham aplicação entre nós.

*Advogado formado pela FDR da UFPE, professor de Direito Constitucional da Unicap, PhD pela Universidade Oxford

TSE lança mascote Pilili e celebra 30 anos da urna eletrônica

Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE - 30 anos da Urna Eletrônica - 04.05.2026

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) celebrou, nesta segunda-feira (4), os 30 anos da urna eletrônica, símbolo da modernização do processo democrático no Brasil, com o lançamento da mascote Pilili, nome em alusão ao som emitido pela urna no momento da confirmação do voto.

Criada para aproximar a Justiça Eleitoral da população, especialmente do público jovem, Pilili passa a representar, de forma lúdica e acessível, a importância do voto e da participação cidadã.

Na abertura do evento, a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, ressaltou a segurança, a confiabilidade, a agilidade e a auditabilidade do equipamento. “O Brasil pensou uma forma, portanto, algo que foi feito por nós, para nós, para as nossas necessidades, que é a urna eletrônica. O voto é computado, não tem a mão de outra pessoa, não tem a visão de outra pessoa. É você, exclusivamente, com a sua escolha, com quem você acha que lhe representa”, ressaltou.

Além disso, a presidente do TSE fez uma convocação informal aos diversos estudantes presentes no evento — jovens entre 15 e 17 anos. “Quem completar 16 anos até o dia 4 de outubro, ou seja, de hoje a 150 dias exatamente, se tiver solicitado o título a partir dos 15 anos, poderá votar, poderá exercer esse direito e, com isso, ser verdadeiro ou verdadeira cidadão ou cidadã, que diz quem ocupará os cargos de direção no país”, destacou.

Marco da tecnologia nacional e pilar da democracia brasileira, a urna eletrônica completa 30 anos neste mês. O primeiro pleito que contou com o equipamento foi a Eleição Municipal de 1996. De lá para cá, o Brasil se tornou referência mundial em processo eleitoral informatizado.

Governadora Raquel Lyra apresenta ao ministro Waldez Góes demandas do Estado para diminuir os impactos das chuvas

A governadora Raquel Lyra se reuniu, nesta segunda-feira (4), no Palácio do Campo das Princesas, com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, para debaterem a continuidade das ações emergenciais após as chuvas intensas. A gestora reforçou o encaminhamento ao governo federal da solicitação de recursos para execução de medidas urgentes para mitigar os impactos das chuvas dos últimos dias no Estado, através do Novo PAC.

Com valor total estimado em R$ 6,3 bilhões, as medidas abrangem recuperação de escolas, construção de barragens para contenção de cheias, política habitacional para famílias afetadas e obras estruturais para redução de riscos, como contenção de encostas e macrodrenagem. Antes da reunião, os gestores sobrevoaram áreas afetadas pelas chuvas. Ainda nesta segunda, o governo federal reconheceu o decreto de situação de emergência publicado pelo governo estadual.

“A partir do início das fortes chuvas era o momento da gente salvar a população, assegurando estruturas, cuidando das pessoas, com abrigamentos e garantia de mantimentos e ajuda humanitária. Desde o primeiro momento, a equipe do ministro Waldez está à disposição do Governo de Pernambuco e dos municípios do nosso Estado. Agora, é o momento de reconstruir e refazer estruturas que eventualmente tenham sido perdidas. Avançamos na parceria com o governo federal para que a gente consiga mais recursos para investimento em obras que garantam às nossas cidades a possibilidade de serem mais resilientes”, destacou a governadora Raquel Lyra, ao lado da vice-governadora Priscila Krause.

Entre as medidas, a chefe do Executivo estadual reforçou a solicitação de inclusão no Novo PAC de obras das barragens de Engenho Maranhão, São Bento do Una, Engenho Pereira e Barra de Guabiraba, com valor estimado em R$ 750 milhões. As barragens são importantes para garantir a contenção de cheias, além de fortalecer a produção de água tratada para diversos municípios pernambucanos, beneficiando diretamente 1,3 milhão de pernambucanos.

O ministro Waldez Góes destacou a união dos governos federal e estadual para apoio à população afetada. “No sobrevoo que fizemos na região e durante a reunião, entendemos a gravidade da situação e reconhecemos todas as providências que o Governo de Pernambuco já vem adotando em atenção aos municípios impactados. Além disso, tratamos também de diminuir o risco de vida das pessoas afetadas pelas chuvas, isso se faz com investimentos em prevenção. Estamos aqui para reafirmar a presença do governo federal a pedido do presidente Lula e reconhecer todo o esforço e coordenação da governadora Raquel Lyra e sua equipe, altamente eficiente, presente e com muita rapidez nas ações. Prestamos nossa solidariedade às famílias atingidas e nos unimos para dar assistência aos municípios impactados e diminuir os futuros riscos com ações em parceria com o Governo do Estado”, afirmou o gestor.

O Governo do Estado destacou que a inclusão das intervenções no Novo PAC garante a rápida execução de obras estratégicas e assegura a retomada da normalidade de forma mais rápida.

Ceaca participa de reunião em Brasília sobre lei que beneficia movimentadores de carga nas Ceasas

A Central de Abastecimento de Caruaru (Ceaca) esteve representada, na última quinta-feira (30), em Brasília, durante reunião com o Ministério do Trabalho e Emprego que reuniu presidentes de centrais de abastecimento de diversas regiões do país.

O encontro discutiu os impactos da Lei nº 12.023 no funcionamento das Ceasas, especialmente no trabalho dos movimentadores de carga.

A presidente da Ceaca e também da Abracen (Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento), Renata Senna, destacou a mobilização nacional em torno do tema. “A Lei nº 12.023 mobiliza as Centrais de Abastecimento de todo o país na necessidade de uma interpretação que reconheça a realidade operacional das centrais, especialmente no trabalho exercido pelos movimentadores de carga”, afirmou.

A articulação busca garantir segurança jurídica e assegurar a continuidade eficiente do abastecimento alimentar, reforçando o papel estratégico das Ceasas na logística, na economia e na segurança alimentar do país.

Butantan vai produzir vacina nacional contra chikungunya

Vacina contra chikungunya do Butantan começa a ser distribuída. Foto: Butantã/Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (4), o Instituto Butantan a fabricar a vacina contra a chikungunya, batizada de Butantan-Chik.

Com isso, o imunizante poderá ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). É indicado para população de 18 a 59 anos de idade exposta ao vírus. A partir da autorização, o Instituto Butantan também passa a ser oficializado como local de fabricação.

A vacina foi aprovada pela agência reguladora em abril de 2025, porém os locais de produção registrados eram as fábricas da farmacêutica franco-austríaca Valneva. Agora, a vacina será produzida (formulada e envasada) no Brasil com a mesma qualidade, segurança e eficácia, segundo o governo do Estado de São Paulo.

“Mais um marco importante para o Instituto Butantan e para a saúde da população. Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”, afirmou o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.

Pelo menos 4 mil voluntários, entre 18 e 65 anos, receberam o imunizante nos Estados Unidos e foram avaliados. De acordo com os resultados publicados na revista de saúde The Lancet, em 2023, 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes.

O imunizante foi bem tolerado e demonstrou um bom perfil de segurança, com eventos adversos leves e moderados, sendo os mais relatados dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre.

Em fevereiro de 2026, o imunizante começou a ser aplicado no SUS em municípios que registram grande incidência da doença, a partir de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde. Além do Brasil, a vacina da chikungunya foi aprovada no Canadá, na Europa e no Reino Unido.

O que é chikungunya?
O vírus da chikungunya é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue e Zika.

A doença pode causar febre de início súbito (acima de 38,5°C) e dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e punhos. Outros sintomas comuns são dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 2025, foram registrados 500 mil casos de chikungunya no mundo.

No Brasil, foram notificados mais de 127 mil casos, com 125 óbitos, de acordo com o Ministério da Saúde.

A doença causa dor crônica nas articulações, que pode durar de meses a anos e afetar gravemente a qualidade de vida.