Apesar dos temporais, PRF registra redução nas mortes na Operação Dia do Trabalho em Pernambuco

Entre sexta-feira (30) e domingo (3), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensificou ações para coibir comportamentos arriscados e reduzir a violência no trânsito, durante a Operação Dia do Trabalho 2026, nas rodovias federais de Pernambuco. Neste ano, além das ações de fiscalização e de combate ao crime, a PRF desenvolveu atividades de monitoramento de pontos de alagamento, desobstrução de rodovias e auxílio a motoristas que tiveram problemas durante as fortes chuvas registradas no estado.

Em quatro dias de operação, foram registrados 41 sinistros nas rodovias federais, que deixaram 50 pessoas feridas e três mortas. A operação do ano anterior teve um dia a mais e foram atendidos 40 sinistros, com 41 feridos e seis mortes.

O sinistro com mais vítimas aconteceu na noite de quinta-feira (30), na BR 408, em Tracunhaém, na Mata Norte. Uma colisão transversal entre uma Kombi e um carro resultou em nove feridos na Kombi e em um ferido grave no carro. As vítimas foram encaminhadas para diversas unidades de saúde.

Durante a operação, a PRF fiscalizou 2.955 veículos e 3.792 pessoas, recolheu 135 veículos irregulares e emitiu 1.693 autuações. Entre as infrações, destacam-se 197 imagens de radar por excesso de velocidade, 171 autos por ultrapassagens indevidas, 68 pelo não uso do cinto de segurança, 66 por transitar no acostamento, 62 pela falta do capacete, 43 pelo desrespeito à Lei do Descanso e 29 pela ausência da cadeirinha.

No combate à embriaguez ao volante, foram realizados 2.411 testes com o bafômetro, que resultaram em 29 autuações e em três motoristas detidos sob efeito de álcool. Para evitar colisões graves, foram retirados 52 animais de grande porte das rodovias, além de serem prestados auxílios a 59 condutores que tiveram problemas com o veículo. Ainda foram realizadas ações educativas com 1.217 pessoas sobre cuidados para preservar vidas.

O Núcleo de Operações Aéreas, que atua em conjunto com o SAMU Metropolitano Recife, realizou um resgate aeromédico de uma vítima de uma colisão entre duas motocicletas. A paciente foi transferida de aeronave de Bom Jardim, no Agreste, para o Hospital da Restauração, no Recife.

As atividades de combate ao crime resultaram em quatro veículos e uma carga de cosméticos recuperados, duas armas de fogo apreendidas e 14 pessoas detidas por diversos crimes, como exploração sexual, receptação e crimes ambientais.

Semobi e Der realizam atendimentos emergenciais nas rodovias pernambucanas

O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) e do DER-PE, realizou uma ampla operação emergencial entre a sexta-feira (1º) e este domingo (3), em resposta às fortes chuvas que atingiram o Estado, com acumulados superiores a 180 mm em diversos municípios da Região Metropolitana do Recife e Mata Norte.

Diante do cenário crítico, marcado pela elevação de rios como Capibaribe, Ipojuca, Jaboatão e Tapacurá, além de alagamentos e deslizamentos, foram mobilizadas 15 equipes operacionais, que atuaram de forma contínua em mais de 30 rodovias estaduais, e na BR-232 entre Recife e Caruaru, que é de responsabilidade estadual, percorrendo mais de mil quilômetros ao longo dos três dias de operação.

Ao todo, foram registradas 35 ocorrências na malha rodoviária estadual, com destaque para 13 deslizamentos de material na pista, nove quedas de árvores e seis pontos de alagamento, além de registros de erosões, obstruções de drenagem e danos pontuais ao pavimento.

Entre os principais pontos de atuação, destacam-se intervenções na BR-232, com registro de deslizamentos de material, quedas de árvores, remoção de detritos e controle de tráfego; na PE-049, em Goiana, onde foram atendidos pontos de alagamento, com ações de drenagem emergencial e retirada de árvores; e na PE-027, que concentrou ocorrências de deslizamento de barreira e alagamentos, incluindo no Túnel Felipe Camarão, onde foram realizadas ações de bombeamento, interdição temporária e sinalização de risco para garantir a segurança dos usuários.

As ações emergenciais incluíram remoção de material de deslizamentos, desobstrução de drenagens e canais, atendimento a alagamentos com apoio de bombeamento, correções emergenciais em pontos com erosão, remoção de árvores e liberação de pistas, controle e orientação do tráfego em áreas críticas.

As equipes atuaram em rodovias estratégicas e pontos críticos da malha viária estadual, com intervenções que incluíram drenagem emergencial, interdições temporárias, sinalização de risco e suporte operacional para garantir a segurança dos usuários e a fluidez do tráfego.

“Desde o primeiro momento a governadora Raquel Lyra determinou que organizássemos as equipes para atendimento imediato das ocorrências na malha viária estadual. Também disponibilizamos maquinário para garantir atendimento às outras secretarias e órgãos, como no Canal do Fragoso. Nosso objetivo é ter uma resposta rápida e eficaz a qualquer intercorrência”, disse o secretário da Semobi, Pedro Neves.

“A atuação rápida e integrada das nossas equipes foi fundamental para garantir a segurança da população e manter a trafegabilidade nas rodovias estaduais, mesmo diante de um cenário de chuvas intensas.

“Seguiremos com as ações em campo pelo tempo que for necessário, com monitoramento contínuo e equipes mobilizadas para responder prontamente a qualquer ocorrência”, destacou o diretor-presidente do DER-PE, André Fonseca.

A atuação integrada e contínua garantiu resposta rápida às ocorrências, assegurando a manutenção da trafegabilidade e minimizando os impactos provocados pelo evento climático. O monitoramento segue permanente, com equipes mobilizadas em campo.

Serviço:

O DER-PE disponibiliza um canal direto para que a população registre ocorrências nas rodovias estaduais.
As informações podem ser enviadas por mensagem para o número: 📲 (81) 98494-0376.

PRF resgata dois tatus durante fiscalização na BR 232, em Serra Talhada

Dois tatus que eram transportados no porta-malas de um carro foram resgatados, no domingo (3), pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR 232, em Serra Talhada, no Sertão pernambucano. Os animais eram transportados dentro de bolsas de couro, no porta-malas de um carro.

Policiais realizavam uma fiscalização no km 410 da rodovia, quanto abordaram um carro ocupado por dois homens. Ao verificar o porta-malas do veículo, a equipe encontrou dois “tatus-galinha” em bolsas de couro, além de um cachorro que era transportado no mesmo compartimento e, de acordo com informações colhidas no local, seria utilizado para caçar.

O condutor do carro assumiu a propriedade dos animais e disse que os tatus eram provenientes de caça. Dentro do veículo, também foram encontrados diversos equipamentos utilizados para caçar os animais.

A equipe emitiu um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pelo crime ambiental e o motorista se comprometeu a comparecer em juízo. Os tatus foram encaminhados ao Instituto Serra Grande, que abriga animais silvestres, para serem acompanhados pelo
órgão ambiental.

Gestão Rodrigo Pinheiro bate recorde e Caruaru registra o melhor primeiro trimestre em geração de empregos dos últimos 14 anos

Caruaru registrou a criação de 706 novos empregos formais em março de 2026, segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Na soma total do primeiro trimestre, são 1.378 novos empregos, o que representa o melhor resultado do município no período dos últimos 14 anos.

Os setores que mais impulsionaram o resultado foram serviços, com 913 novos empregos, e construção, com 482 novas vagas. Dentro do setor de serviços, os principais destaques foram os segmentos de saúde, com 156 novos empregos; educação, com 86; e atividades administrativas, com 75.

Os dados reforçam o papel de Caruaru como principal polo econômico do interior de Pernambuco, especialmente, nas áreas de serviços, saúde, educação e construção civil, setores que seguem ampliando oportunidades e fortalecendo a geração de emprego e renda no município.

Inscrições para formação de professores de matemática vão até o dia 15

O Ministério da Educação (MEC), com o apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC), recebe até o dia 15 de maio inscrições para o curso de aperfeiçoamento Conhecimentos Profissionais para o Ensino de Matemática na Educação Básica.

A atividade é voltada a professores efetivos ou temporários do 5º ou 6º ano do ensino fundamental ou que exerçam a função de formadores pedagógicos.

Para participar, os professores devem pertencer a escolas devidamente registradas no MEC e vinculadas a entes que tenham aderido formalmente ao Compromisso Nacional Toda Matemática.

As inscrições podem ser feitas no formulário disponível no site do MEC.

São ofertadas 100 vagas para cada unidade da federação participante. Metade será destinada a professores do 5º ano do ensino fundamental e o restante aos do 6º ano.

O curso soma 180 horas de carga horária, estruturado pelo Instituto UFC Virtual (IUVI) e pelo Centro de Excelência em Políticas Educacionais (CEnPE) na modalidade a distância. A grade mescla encontros obrigatórios por vídeo com atividades no ambiente virtual.

Também estão programados até dois encontros presenciais em locais a serem definidos pela coordenação do curso. Nesse caso, o MEC, em parceria com a UFC, cobrirá os gastos dos participantes. A ida dependerá somente da autorização dos dirigentes municipais ou secretários estaduais.

Receberão o certificado os participantes que cumprirem frequência mínima de 75% nas nas tarefas síncronas, ou seja, atividades feitas com os colegas, ao mesmo tempo.

As informações sobre o processo seletivo e o curso estão disponíveis no edital, na página da UFC.

INSS altera regras para novos pedidos de benefícios previdenciários

Nova norma impede novos requerimentos durante análise de processos ou prazos de recurso; medida visa desafogar sistema que acumula 2,7 milhões de solicitações

A implementação da Instrução Normativa nº 203 pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) muda a forma como os pedidos de benefícios são feitos e analisados. A nova regra impede a abertura de novos requerimentos para o mesmo benefício enquanto houver um processo em análise ou dentro do prazo de recurso, encerrando a prática de reapresentações sucessivas no sistema. Na prática, o cidadão que identificar um erro após dar entrada no pedido não poderá iniciar outro para corrigi-lo e terá de aguardar a conclusão do processo em andamento.

A medida atinge diretamente benefícios como aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que exigem a apresentação de diversos documentos para comprovação do direito. O advogado previdenciário Wellington Fonseca observa que essa nova lógica desloca toda a carga de responsabilidade para o momento inicial da solicitação. Segundo ele, “o sistema deixa de absorver a correção sucessiva de erros e passa a exigir maior precisão já no primeiro pedido, o que altera sensivelmente a dinâmica de acesso ao benefício”. Na visão do especialista, o impacto de falhas iniciais torna-se muito mais severo, especialmente para segurados com menor familiaridade com as ferramentas digitais.

Para o INSS, a restrição é uma resposta ao volume de protocolos duplicados, que hoje representam uma parcela significativa da demanda. Dados do próprio instituto indicam que 41,41% dos pedidos são reapresentados pelo mesmo requerente entre um e 30 dias após a conclusão do primeiro processo, enquanto 22,47% voltam a ser protocolados entre 91 e 180 dias. Em algumas categorias, como o salário-maternidade urbano, a reincidência no mesmo dia chega a 8,45%. Segundo o órgão, esse movimento gera retrabalho e sobrecarrega a análise de novas solicitações. Wellington Fonseca explica que essa repetição frequentemente está associada a dificuldades práticas. “É comum que o cidadão identifique falhas depois de protocolar o pedido, seja por falta de documento, inconsistência de dados ou até pela escolha inadequada do tipo de benefício”.

Ao restringir a possibilidade de refazer pedidos, o INSS reorganiza seu fluxo interno com o objetivo de acelerar à fila, que atualmente acumula 2,7 milhões de protocolos. Contudo, essa centralização em um único processo por vez redefine a margem de erro permitida ao segurado. “Há um ganho operacional evidente, mas também uma transferência de responsabilidade. O acesso ao direito passa a depender ainda mais da qualidade do pedido inicial”, avalia Wellington Fonseca.

O cenário exige agora que a conferência documental seja absoluta antes do envio, sob o risco de o segurado ficar retido em um trâmite administrativo prolongado sem possibilidade de retificação imediata.

Guarda Municipal de Caruaru cumpre mandado de prisão durante patrulhamento no Centro

A Guarda Municipal de Caruaru cumpriu um mandado de prisão na noite do último sábado (2), durante ação de rotina na Avenida Rio Branco, área central da cidade.

A equipe da Patrulha Rural realizava ponto base nas proximidades do Grande Hotel, por volta das 22h30, quando identificou uma motocicleta suspeita. Após consulta da placa nos sistemas de segurança, foi constatado que o proprietário possuía um mandado de prisão em aberto pelo crime de roubo expedido em janeiro deste ano.

Os agentes realizaram a abordagem e confirmaram a identidade do suspeito, que não apresentou resistência.

O homem foi conduzido à delegacia de plantão, onde ficou à disposição da Justiça para as medidas legais cabíveis. A ocorrência foi registrada pela equipe da Patrulha Rural da GM, que atua no reforço da segurança tanto na zona urbana quanto na área rural do município.

Bolsonaro segue internado com quadro estável após cirurgia

O ex-presidente Jair Bolsonaro segue internado com quadro estável após passar por uma cirurgia no ombro, no Hospital DF Star, em Brasília (DF). Em boletim médico divulgado neste domingo (03), o hospital informou que Bolsonaro “mantém boa evolução clínica e com bom controle da dor.”

Ainda de acordo com o boletim, o ex-presidente “segue internado em apartamento para analgesia, medidas de prevenção de trombose e para reabilitação”. A nota é assinada por cinco profissionais do hospital: o cirurgião de ombro Alexandre Firmino Paniago, o cirurgião geral Claudio Birolini, o cardiologista Leandro Echenique, o cardiologia Brasil Caiado e o diretor-geral Alisson Borges.

A cirurgia feita em Bolsonaro foi um reparo artroscópico do manguito rotador, para reparar lesões comprovadas por exames e por relatório fisioterápico. O procedimento foi autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, após manifestação favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Bolsonaro, que tem 71 anos, cumpre prisão domiciliar humanitária desde o dia 24 de março, por decisão de Moraes após uma internação por pneumonia bacteriana. O ex-presidente foi condenado pela Primeira Turma do STF em setembro de 2025, a 27 anos e 3 meses de prisão por seu papel de liderança na trama golpista.

Canetas emagrecedoras podem reforçar “economia moral da magreza”

Brasília (DF), 26/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Canetas emagrecedoras. Mounjaro. Tirzepatida. Foto: Receita Federal/Divulgação

A popularização dos medicamentos subcutâneos para o tratamento da obesidade, mais conhecidos como canetas emagrecedoras, tem sido acompanhada de intensos debates. Apesar de produzirem efeitos expressivos e de terem conquistado o endosso de diversas sociedades médicas, esses remédios também têm sido usados sem acompanhamento profissional, ou por pessoas que não apresentam obesidade.

Para a professora das faculdades de Saúde Pública e de Medicina Universidade de São Paulo (USP), Fernanda Scagluiza, o apelo das canetas nasce da “economia moral da magreza”.

Ela foi uma das entrevistadas do episódio O boom das canetas emagrecedoras, exibido pelo programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, na última segunda-feira (27).

Confira a entrevista para o Caminhos da Reportagem

Caminhos da Reportagem: O que é a economia moral da magreza? Como ela se reflete em violência contra as pessoas gordas?

Fernanda Scagluiza: A economia moral significa que se atribuem significados diferentes a determinados corpos. Então, um corpo magro, um corpo sarado é visto como virtuoso, de uma pessoa que se esforçou para chegar até lá, que tem um grande controle e, com essas ferramentas, ela conseguiu aquele corpo.

Enquanto que, socialmente, um corpo gordo é visto como o de alguém preguiçoso, relaxado, que não tem força de vontade, não tem disciplina e outros estereótipos também muito perigosos, como falta de competência, falta de higiene, que não têm nada a ver com a realidade das pessoas.

E aí é como se as pessoas, quando entram no jogo social, tivessem uma quantidade de fichas diferentes no bolso. A pessoa que tem um corpo sarado, um corpo magro, está com muitas fichas. Então, ela tem relações sociais melhores no trabalho, na educação, nas relações amorosas. As coisas ocorrem com privilégios, enquanto, para as pessoas gordas, é o contrário. Sempre que você tem privilégio de um lado, você tem perda de direitos e opressão do outro.

Caminhos da Reportagem: De onde vêm esses padrões?

Fernanda Scagluiza: Padrões de beleza geralmente existem desde muito tempo, e vão mudando conforme o período histórico. Mas o que eu acho mais interessante a gente pensar é que sempre que existir um padrão, a gente vai ter algo que é impeditivo à diversidade.

Se você olhar um lugar cheio de gente, você vai ver muita gente diversa. Então, se eu colocar um padrão, ou de extrema magreza, como está voltando agora, ou de uma magreza “saudável”, ou super musculoso, isso sempre vai deixar muita gente de fora.

E o objetivo é esse, deixar gente de fora para alimentar uma indústria que vai tentar vender soluções para isso.

Caminhos da Reportagem: Podemos dizer que, hoje, nunca se é magro o suficiente?

Fernanda Scagluiza: Eu acredito que sim. Eu costumo dizer que toda gordura será castigada. É claro que as pessoas que têm um peso mais alto, que têm um corpo de fato maior, estão dentro de um sistema de violência, uma estrutura que a gente chama de gordofobia.

Esse sistema vai fazer de tudo para que essa pessoa fique de fora da sociedade, para que se enraize dentro dela a humilhação, a opressão e a falta de dignidade.

Então, essa pessoa certamente é a mais prejudicada. Mas mesmo as pessoas que não são gordas sofrem a pressão estética pela magreza. E isso pode ser mais ou menos intenso dependendo do lugar, do gênero, da classe social. De maneira geral, mulheres são mais atingidas, mas as pesquisas não são refinadas o suficiente, por exemplo, para gente entender diferenças entre mulheres cis, trans e travestis.

Mas hoje o que a gente está vendo é que qualquer gordurinha é um problema e é um motivo para você adquirir uma solução, que agora se vende como uma magreza farmacológica.

Caminhos da Reportagem: Você acha que a gente estava começando a se desvencilhar da cultura da magreza extrema e que isso agora voltou forte com as canetas emagrecedoras?

Fernanda Scagluiza: Eu acho que sim. Mas eu acho que a gente não pode ser ingênuo. Acho que, a partir dos anos 2010, a gente começou a ter alguma mudança, com o movimento de positividade corporal, tentando passar a ideia de que a diversidade era importante. Mas por que eu falo que a gente não pode ser ingênuo? Esses espaços, na moda, por exemplo, foram conquistados muito a contragosto, e eles cederam uma cota para mulheres com um corpo um pouco maior, mas elas ainda tinham um formato de ampulheta, sem uma dobra de barriga, nada disso.

Agora, eu tenho uma impressão de que eles estão muito felizes, porque podem se livrar disso e voltar ao padrão da magreza extrema. Eu li outro dia uma reportagem dizendo que modelos de passarela, que normalmente já são supermagras, o que eles chamam de tamanho zero,  chegam para os desfiles de moda e as roupas têm que ser ajustadas, porque até as roupas tamanho zero estão muito largas nelas.

Isso é um cenário muito perigoso, especialmente para crianças e adolescentes, que são muito influenciáveis. Mas eu não acho que a gente estava no paraíso antes.

Caminhos da Reportagem: De que forma essa febre das canetas emagrecedoras tem afetado as conquistas das mulheres?

Fernanda Scagluiza: A gente está vivendo uma época temerosa como mulheres. Eu nunca senti tanto medo, e eu sou uma mulher privilegiada.

A gente vive num país que é campeão em feminicídio, a gente é atravessada não só pelo machismo, mas pelo cis-hétero patriarcado o tempo todo. E tem um movimento muito conservador na política e na sociedade, com essas coisas de redpill e de tradwife, que seriam as esposas tradicionais.

E o que nós, mulheres, estamos fazendo? Nos preocupando com o tamanho das nossas barrigas, que a roupa que a gente queria usar não serve. Sempre se diz que fazer dieta é o maior sedativo político para as mulheres. E esse cenário todo de busca pela magreza extrema, com as canetas, é muito conveniente para esse movimento agressivo, violento, retrógrado. A gente fica voltada para isso e não para a luta que a gente precisa ter.

Caminhos da Reportagem: Você tem dito que estamos vivendo a medicalização do corpo saudável por padrões estéticos. Poderia falar sobre isso? Quais os efeitos na saúde mental dessa medicalização?

Fernanda Scagluiza: Medicalização é o seguinte: é quando uma coisa que é da esfera social passa a se tornar algo médico. Então, a alimentação é um fenômeno sociocultural desde sempre. A nutrição é uma ciência que existe há pouquíssimo tempo, mas as pessoas sempre comeram e sempre desenvolveram rituais em torno da comida.

E a gente passou a viver um tempo em que a comida deixou de ser isso e passou a ser remédio. Você vê as pessoas falando, por exemplo, “vou comer proteína”. Não, gente! Ninguém come proteína. Proteína é um nutriente. Você come um alimento que vai ter proteína ali dentro. Mas as pessoas estão enxergando dessa forma. Como se comida não existisse. E quando a gente entra na onda das canetas emagrecedoras, isso aumenta ainda mais.

Em um estudo que a gente está submetendo para uma revista, a gente encontrou o seguinte: as mulheres que já tinham usado as canetas, elas usavam o termo “vacina contra fome”.

Então, a caneta fazia com que a fome se tornasse uma coisa opcional. Imagina, a fome, que está no nosso processo evolutivo desde sempre. Quais são os comportamentos que a gente vê a partir disso? Algumas pessoas passam a pensar assim: “eu não vou comer, mas eu preciso bater a meta de proteína, eu preciso beber água e eu preciso comer fibra, porque senão meu intestino não vai funcionar”. E isso é totalmente medicalizado.

Outro padrão que a gente encontrou é de algumas pessoas restringindo a alimentação o máximo possível. Por exemplo, se elas tinham um efeito colateral de náusea, ou vômito, elas meio que usavam esse efeito colateral para não comer. E aí eu lembro de uma frase em particular: “Foi esse o jeito que eu achei de fechar a boca num nível radical para conseguir emagrecer”.

Isso é perigosíssimo para a saúde das pessoas e é perigosíssimo para a nossa vida em sociedade. Como ficam todos esses rituais? Como fica o aspecto simbólico da alimentação?

A alimentação saudável é um direito humano, só isso já devia ser suficiente. A alimentação saudável está relacionada com o jeito que a gente pensa, que a gente vive a vida, com a vitalidade do nosso corpo e com a proteção contra uma série de doenças. Então, muitas coisas podem acabar se perdendo nesse processo.

Governo lança campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6×1

Rio de Janeiro, 01/05/2026 – Ato do 1º de maio no Rio de Janeiro na praia de Copacabana pede fim da escala 6x1, regulamentação dos trabalhadores de aplicativo, combate ao feminicídio e defesa da soberania. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O governo federal lançou neste domingo (3) uma campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6×1 sem redução de salário. O objetivo da proposta é “garantir mais tempo para a vida além do trabalho, tempo com a família, para o lazer, para a cultura e para o descanso”.

Pelo menos 37 milhões de trabalhadores podem ser beneficiados com a redução.

“Para fins de comparação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil/mês beneficiou cerca de 10 milhões de pessoas. A garantia do descanso ainda tem potencial impacto positivo sobre a economia, estando alinhada com uma visão moderna de desenvolvimento, que combina produtividade, bem-estar e inclusão social “, esclareceu a Secretaria de Comunicação Social (Secom).

A proposta do governo estabelece um novo limite de jornada em 40 horas semanais e mantém as oito horas diárias de trabalho (inclusive para trabalhadores em escalas especiais). Com isso, os trabalhadores terão assegurados dois dias de repouso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos sábados e domingos.

O modelo de cinco dias de trabalho para dois dias de descanso poderá ser definido em negociação coletiva, respeitando as peculiaridades de cada atividade.

Campanha
Com o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.”, a campanha pelo fim da escala 6×1 será veiculada em canais de mídia digital, televisão, rádio, jornais, cinema e na imprensa internacional.

“A proposta é conscientizar empregados e empregadores que reduzir a escala é defender o convívio do trabalhador com sua família, é defender a família brasileira, é valorizar o trabalho, mas, também, a vida além do trabalho” apontou a Secom.

O governo defende que a mudança dialoga com transformações recentes na economia, como o avanço tecnológico e os ganhos de produtividade. “Jornadas mais equilibradas tendem a reduzir afastamentos, melhorar o desempenho e diminuir a rotatividade”, diz a Secom.

No dia 14 de abril, o governo federal encaminhou ao Congresso um projeto de lei alterando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A proposta, que tramita com urgência constitucional, reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial.

Na prática, o texto coloca fim à escala 6×1.A iniciativa tramita em conjunto com outras propostas no Congresso Nacional, que criou uma comissão especial para analisar uma proposta de Emenda à Constituição sobre o tema.

O colegiado foi instalado na quarta-feira (29). A comissão vai analisar a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 que trata do mesmo tema. O colegiado tem como presidente o deputado Alencar Santana (PT-SP). A relatoria caberá ao deputado Leo Prates (Republicanos-BA).

Comissão
Composta por 38 membros titulares e de igual número de suplentes, a comissão terá o prazo de até 40 sessões para proferir seu parecer. A partir de amanhã, tem início o prazo para a apresentação das emendas, que é de 10 sessões.

Santana afirmou que o tempo para a análise da proposta é apertado e que o colegiado deverá realizar, inicialmente duas reuniões semanais, às terças e quartas-feiras para debater a matéria.

O colegiado analisará duas propostas de redução na jornada de trabalho. A primeira, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais. A transição se daria ao longo de dez anos.

A outra proposta apensada (PEC 8/25), da deputada Erika Hilton (Psol-SP), prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

Na prática, as PECs acabam com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1). Se aprovados na comissão especial irão depois para votação no plenário.