Juíza determina prisão domiciliar para detidos na Hipócrates

Pedro Augusto

A maioria dos acusados presos na operação Hipócrates foi beneficiada esta semana com a substituição de seus regimes de prisão preventiva para domiciliar. Isso quer dizer na prática que, agora, eles não ficarão mais reclusos em unidades prisionais do Estado, mas sim, recolhidos em seus ambientes residenciais atendendo as exigências do poder Judiciário. Inclusive, uma delas, refere-se à utilização de tornozeleiras eletrônicas, determinação esta que se encontra especificada na sentença divulgada pela juíza substituta da 4ª Vara Criminal de Caruaru, Orleide Rosélia Nascimento.

A decisão, que tomou como a base a análise da denúncia feita pelo MP e pelas posteriores defesas dos advogados dos acusados, foi anunciada na tarde desta segunda-feira (21) e está disponível para análise no site do Tribunal de Justiça de Pernambuco sob o número de processo: 0016855-02.2015.8.17.0480. Passaram a ficar na condição de presos domiciliares: Almir Pereira da Silva; Claudomiro Martins da Silva, Jamesson Luiz da Silva, Luiz Emídio da Silva Filho, Maria Aparecida Gonçalves Pereira de Lima, Pablo Thiago Cavalcanti de Albuquerque, Severino Ramos Santos e Thiago Emanuel da Silva.

Todos foram presos na operação que foi deflagrada no dia 11 de novembro deste ano, em Caruaru. Na ocasião, as investigações da Polícia Civil, em conjunto com o Ministério Público de Pernambuco, apontaram que os acusados fariam parte supostamente de uma extensa organização criminosa, que estaria utilizando-se do desespero dos pacientes do Hospital Regional do Agreste, também em Caruaru, para cobrar por serviços garantidos pelo SUS (Serviço Único de Saúde).

Além de determinar a adoção do regime de prisão domiciliar para grande parte dos presos, a juíza substituta da 4ª Vara Criminal ainda absolveu da acusação de integrar à organização criminosa, os médicos Bartolomeu Bueno da Mota e Ricardo Cavalcanti Marinho. O primeiro teve o seu regime de prisão preventiva revogado enquanto o último apenas tinha se submetido ao sistema de condução coercitiva. Vale ressaltar que a sentença divulgada se referiu somente à acusação de organização criminosa.

Civil conclui primeiro inquérito da “Hipócrates”

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Pedro Augusto

Em coletiva realizada na manhã da última sexta-feira (27), na sede da Delegacia Regional de Caruaru, entre os bairros Boa Vista I e II, a Polícia Civil, juntamente com o Ministério Público, apresentou detalhes do primeiro inquérito concluído da “Hipócrates”. Desencadeada no dia 11 deste mês, nas cidades de Caruaru, Agrestina, São Caetano, Tacaimbó e Recife, a operação desarticulou uma extensa organização criminosa que vinha atuando principalmente nas dependências do Hospital Regional do Agreste. Composta por médicos, auxiliares de enfermagem, um chefe de enfermagem e uma comerciante, a quadrilha estaria utilizando-se do desespero dos pacientes da unidade para cobrar por serviços garantidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Ao todo, na Hipócrates, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva, três de condução coercitiva e 16 de busca e apreensão. Doze supostos integrantes acabaram sendo indiciados. As novidades desta última em relação à primeira coletiva – realizada no dia 12 deste mês – ficaram por conta da inclusão, como suspeito, do nome do médico Marcos Bezerra e do agora co-líder e não mais apenas integrante, o médico Pablo Thiago. Este último, segundo as investigações da polícia, comandava em conjunto com o chefe de enfermagem do HRA, Thiago Emanuel, o esquema de captação de pacientes.

“De propósito, a organização dificultava o atendimento de uma forma tal que os pacientes ficavam desesperados e acabavam cedendo à pressão dos auxiliares de enfermagem, que exerciam as funções de captadores. Iludidos com a conversa de que seriam ajudados por eles, as vítimas acabavam desembolsando quantias – entre R$ 4 mil e R$ 12 mil – para se submeterem a procedimentos cirúrgicos tanto no HRA como na rede privada”, relembrou o gerente operacional da Dinter 1, Erick Lessa. Ainda na coletiva, o policial deu detalhes sobre as supostas participações do Marcos e do Pablo Thiago.

“Colhemos provas robustas de que o Pablo Thiago coordenava, em conjunto com o Thiago Emanuel, os trabalhos de captação. Além disso, estaria realizando, desde o ano passado, procedimentos cirúrgicos sem a indicação de necessidade, bem como uso de material ortopédico além do prescrito. Quanto ao Marcos Bezerra, que atuava como chefe de ortopedia do HRA, também integrava à organização, mas não na função de líder”, acrescentou Lessa. Além de Marcos, que contra ele foi expedido o mandado de condução coercitiva, também permanecem em liberdade os suspeitos Ricardo Marinho (médico) e Maria da Paz da Silva (auxiliar de enfermagem).

“Não solicitamos as prisões preventivas dos mesmos, porque precisávamos de provas robustas, o que ainda não foi identificado. Mas, atualmente eles se encontram nas condições de indiciados com a aprovação do Ministério Público”, explicou Erick Lessa. Em paralelo aos supostos líderes, também já se encontram recolhidos em unidades prisionais do Estado, o médico Bartolomeu Bueno, a comerciante Maria Aparecida de Lima e os auxiliares de enfermagem Almir da Silva, Claudiomiro da Silva, Luiz Emídio da Silva, Jamesson Luiz da Silva e Severino Ramos dos Santos.

Conforme ressaltou o promotor do Ministério de Público de Pernambuco, Luiz Gustavo, o inquérito concluído refere-se apenas ao primeiro da operação “Hipócrates”. “Esse correspondeu somente ao crime de organização criminosa, mas na medida em que as investigações sobre os demais – tráfico de influência e prevaricação – forem concluídas, outros inquéritos serão constituídos e a polícia também apresentará denúncias junto ao MP”. Pelo crime de organização criminosa, os suspeitos poderão pegar de três a oito anos de reclusão.

Na “Hipócrates”, foram utilizados 100 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães. Em paralelo às prisões efetuadas, a operação ainda foi responsável pela apreensão de um revólver calibre 38, além de dez computadores e vários documentos. A reportagem do Blog do Wagner Gil tentou entrar em contato com os advogados dos presos, porém não obteve êxito.