Anvisa aprova novo fármaco com injeção semestral para prevenção do HIV

Brasília (DF), 23/09/2025 - A fita vermelha (ou laço vermelho) é o símbolo universal da conscientização, apoio e solidariedade às pessoas que vivem com HIV/AIDS. Foto: MS/Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (12) o uso do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para prevenção do HIV-1, como profilaxia pré-exposição (PrEP). O fármaco tem alta eficácia contra o vírus e, além da apresentação em compromido, para uso oral, está disponível como injeção subcutânea que só precisa ser administrada a cada seis meses, o que facilita a adesão.

A indicação é destinada a adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que estejam sob risco de contrair o vírus. Antes de iniciar o tratamento, é obrigatório realizar teste com resultado negativo para HIV-1.

Os estudos clínicos apresentados demonstraram 100% de eficácia do Sunlenca na redução da incidência de HIV-1 em mulheres cisgênero; além de 96% de eficácia em comparação com a incidência de HIV de base e 89% superior à PrEP oral diária.

O regime de injeções semestrais mostrou boa adesão e persistência, superando desafios comuns em esquemas diários, informou a Anvisa, por meio de sua assessoria de imprensa.

De acordo com a Anvisa, a Sunlenca é um antirretroviral inovador composto por lenacapavir, fármaco de primeira classe que atua inibindo múltiplos estágios da função do capsídeo do HIV-1.

Essa ação impede a replicação do vírus, tornando-o incapaz de sustentar a transcrição reversa, processo em necessário para que use as células do hospedeiro para se multiplicar.

A agência advertiu que, embora o registro tenha sido concedido, o medicamento depende ainda da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Já sua disponibilização no Sistema Único de Saúde (SUS) será avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e pelo Ministério da Saúde.

Prevenção

A profilaxia pré-exposição (PrEP) é uma estratégia essencial para prevenir a infecção pelo HIV. Ela envolve o uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm o vírus, mas estão sob risco de contrair a doença, reduzindo significativamente as chances de transmissão.

A PrEP faz parte da chamada “prevenção combinada”, que inclui outras medidas, como testagem regular para HIV, uso de preservativos, tratamento antirretroviral (TARV), profilaxia pós-exposição (PEP) e cuidados específicos para gestantes soropositivas, esclareceu a Agência.

O lenacapavir passou a ser recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho de 2025 como opção adicional para PrEP, classificando-o como a melhor alternativa após uma vacina, recurso que ainda não está disponível no caso da prevenção do HIV.

Rio registra a temperatura mais alta do ano

Rio de Janeiro (RJ), 26/12/2025 – Pessoas se protegem do sol no centro da cidade em dia de calor no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A cidade do Rio de Janeiro registrou a temperatura mais alta dos primeiros dias de janeiro, com os termômetros marcando 41,4ºC em Santa Cruz, na zona oeste, de acordo com o Sistema Alerta Rio.

Para a noite desta segunda-feira (12), a previsão é de céu claro a parcialmente nublado sem chuva. Os ventos estarão predominantemente moderados.

Entre esta terça-feira (13) e a próxima sexta-feira (16), o Sistema Alerta Rio informa que por conta da atuação de áreas de instabilidade, associadas ao calor, a previsão para a cidade é de céu parcialmente nublado a nublado, com pancadas de chuva isoladas na tarde e noite. Os ventos estarão moderados. Para esta terça-feira, a temperatura máxima ficará em torno dos 39ºC e nos dias seguintes até sexta-feira, a máxima ficará entre 36°C e 37ºC.

O Centro de Inteligência em Saúde do Estado do RJ informa que há previsão de excesso de calor em sete dos 92 municípios fluminenses que entraram em nível Laranja – Severo. A capital fluminense entrou na lista, e continua na terça-feira, com estimativa de nível Vermelho – Extremo em Guapimirim, na região metropolitana.

Para enfrentar o calor extremo, a Secretaria de Saúde instalou pontos de hidratação externa nas 27 unidades de Pronto Atendimento (UPA) para a população vulnerável. O Samu 192 reforçou o atendimento com motolâncias e veículos de intervenção rápida em pontos estratégicos da capital fluminense. As unidades de saúde adotaram protocolos específicos de classificação de risco e oferecem sais de hidratação para idosos e crianças.

Mercado reduz para 4,05% expectativas da inflação para 2026

Economia, Moeda, Real,Dinheiro, Calculadora

O mercado financeiro reviu para baixo as expectativas de inflação para o ano de 2026. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Banco Central (BC), o ano fechará com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,05%.

Na semana passada, este índice, que serve de referência para a inflação oficial do país, estava em 4,06%. E há quatro semanas em 4,10%.

Para os anos subsequentes (2027 e 2028) as projeções são as mesmas há dez semanas, em 3,80% e 3,50%, respectivamente.

Meta de inflação

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), a inflação medida em dezembro teve alta de 0,33%, ante ao 0,18% registrado no mês anterior. Com isso, o IPCA de 2025 ficou em 4,26%, dentro da meta do governo.

Segundo o IBGE, com exceção do grupo habitação, que registrou queda de 0,33%, os demais grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em dezembro.

A maior variação (0,74%) e o maior impacto (0,15 p.p.) vieram dos transportes, seguido, em termos de impacto, por saúde e cuidados pessoais, com alta de 0,52% e 0,07 p.p.

PIB

Os demais índices do Boletim Focus divulgado hoje se mantiveram estáveis em relação às semanas anteriores.

No caso do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no Brasil), o mercado projeta que a economia do país crescerá 1,80% em 2026 – percentual que vem sendo projetado há cinco semanas consecutivas, e o mesmo projetado para 2027.

Para 2028, as expectativas são de que o PIB feche o ano com um crescimento de 2%.

Câmbio

Com relação ao câmbio, as projeções do mercado permanecem estáveis há 13 semanas consecutivos, com uma expectativa de que o dólar feche 2026 cotado a R$ 5,50 – o mesmo valor projetado para 2027.

Para 2028, as expectativas são de que a moeda estadunidense termine o ano cotada a R$ 5,52.

Selic

A taxa básica de juros (Selic) deverá ser reduzida dos atuais 15% para 12,25% até o final de 2026, segundo o mercado financeiro; e para 10,50% em 2027. Para o ano subsequente (2028), as expectativas são de que ela caia ainda mais, para 9,88%.

A Selic, atualmente, está em seu maior nível desde julho de 2006, quando registrou 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024.

A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho, sendo mantida nesse nível desde então.

Variações da Selic

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

BC concorda com inspeção sobre Banco Master, diz presidente do TCU

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília

O Banco Central (BC) concordou com a realização de uma inspeção do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o processo de liquidação extrajudicial do Banco Master, disse nesta segunda-feira (12) o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo. O ministro esteve reunido nesta tarde com o presidente do BC, Gabriel Galípolo e disse que a autoridade monetária garantiu acesso aos documentos que fundamentaram a decisão.

Segundo Vital do Rêgo, o encontro teve como principal objetivo esclarecer dúvidas sobre a competência do TCU para atuar no caso e alinhar procedimentos entre as duas instituições. De acordo com o ministro, ficou definido que a inspeção já está em curso e que os documentos do Banco Central utilizados no processo de liquidação estarão disponíveis para análise da Corte de Contas.

“Hoje saio do Banco Central profundamente feliz com o resultado da reunião. Fizemos uma reunião com objetivos claros, de dizimar qualquer tipo de dúvida sobre a nossa competência”, afirmou o presidente do TCU em entrevista coletiva após a reunião.

Segundo Vital do Rêgo, o Banco Central manifestou interesse em obter o “selo de qualidade” do TCU e a segurança jurídica decorrente da fiscalização. “Esse processo não é apenas administrativo, é também administrativo e criminal”, completou. O BC ainda não se manifestou sobre o encontro.

Realizada na sede do BC, a reunião ocorreu após forte repercussão da decisão do ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo no TCU, que havia autorizado, de forma monocrática, uma inspeção técnica no Banco Central para apurar a atuação da autoridade monetária na liquidação do Banco Master. Após recurso apresentado pelo BC, Jhonatan suspendeu a medida, e o caso foi encaminhado ao plenário do Tribunal.

No recurso, o Banco Central argumentou que uma inspeção dessa natureza não poderia ser autorizada individualmente pelo relator e que a decisão deveria passar pelo colegiado do TCU. A autoridade monetária também sustentou que a iniciativa poderia ultrapassar os limites do controle externo ao incidir sobre decisões técnicas de supervisão bancária.

Medida cautelar

Com o entendimento firmado na reunião desta segunda-feira, Vital do Rêgo afirmou que está afastada a possibilidade de adoção de uma medida cautelar contra o Banco Central. “O Banco Central entendeu que o TCU é um colaborador”, disse. Segundo o ministro, o tribunal não pretende interferir na decisão de liquidação, mas analisar os documentos para verificar a regularidade do processo e conferir maior segurança jurídica.

“O ato de liquidação é um ato administrativo e regulatório. É um modelo técnico que o TCU está acostumado a analisar”, afirmou o ministro. Ele reforçou que não cabe à Corte desfazer a liquidação do Banco Master e que eventual questionamento sobre a decisão, nesse sentido, só poderia ocorrer no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).

Calendário

Vital do Rêgo informou ainda que será definido, nos próximos dias, um calendário de trabalho entre as áreas técnicas do TCU e do Banco Central. A expectativa é de que a inspeção seja concluída em menos de um mês. “O compromisso da Corte é terminar esse processo o mais breve possível”, declarou.

Além de Vital do Rêgo e Gabriel Galípolo, participaram da reunião o ministro Jhonatan de Jesus e diretores do Banco Central responsáveis pelas áreas de Fiscalização, Regulação, Cidadania e Supervisão de Conduta, além da Secretaria-Executiva da instituição.

Embargos

O caso chegou ao TCU a partir de uma representação do Ministério Público junto à Corte de Contas, que solicitou esclarecimentos sobre os critérios adotados pelo Banco Central para decretar a liquidação do Banco Master e se alternativas menos drásticas foram consideradas.

Em respostas anteriores, o BC informou que o conglomerado liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro enfrentava uma crise aguda de liquidez, sem recursos suficientes para honrar compromissos com correntistas e investidores, o que teria tornado a liquidação inevitável.

Agora, caberá ao plenário do TCU julgar os embargos apresentados pelo Banco Central na sessão prevista para a próxima quarta-feira (21), quando também deverá ser definido o alcance formal da inspeção e da fiscalização sobre a atuação da autoridade monetária no caso.

Trump anuncia tarifas de 25% a países que negociarem com Irã

Pessoas caminham por lojas em Teerã
 30/12/2025   Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) a imposição, com efeitos imediatos, de uma tarifa de 25% sobre “qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã”.

Segundo Trump, estes países terão uma tarifa imediata sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos.

“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações realizadas com os Estados Unidos da América”, anunciou Donald Trump em sua rede social.

“Esta ordem é definitiva e irrecorrível”, acrescentou.

Protestos

O anúncio de Trump surge no momento em que o regime de Teerã enfrenta uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos.

Neste domingo (11) e segunda-feira, Teerã registrou também atos pró-regime da República Islâmica e para criticar as manifestações violentas dos últimos dias.

Ontem, o presidente do Irã Masoud Pezeshkian afirmou que protestos pacíficos são tolerados no país, mas que os distúrbios recentes são provocados por “terroristas do estrangeiro”, para justificar uma invasão pelos EUA e por Israel.

Em resposta aos protestos, que já se estendem a todo o país, as autoridades iranianas têm respondido com força letal perante a população. Segundo organizações não-governamentais, há registro de pelo menos 600 mortes.

Nos últimos dias, o presidente estadunidense tem repetido ameaças de intervenção no Irã. Donald Trump afirmou que tem opções “muito fortes”, incluindo a via militar, e adiantou ainda que está em contacto com líderes da oposição iranianos.

Quando as ruas ganham vida: O renascimento urbano pelas fachadas ativas

Imagine caminhar por uma rua onde cada edifício convida você a entrar, onde vitrines coloridas, cafés aconchegantes e pequenas lojas se sucedem ao longo da calçada, criando um espetáculo visual e sensorial que torna a simples caminhada um prazer. Esse é o princípio das fachadas ativas: espaços no térreo dos edifícios voltados ao passeio público, com acesso direto da rua, destinados a usos não residenciais como comércio, serviços, restaurantes e outras atividades que atraem naturalmente o fluxo de pedestres. Em oposição aos muros cegos, garagens fechadas e grades que transformam quarteirões inteiros em desertos urbanos, as fachadas ativas devolvem vida, movimento e segurança às calçadas.

A vitalidade de uma cidade não se mede apenas pelos seus monumentos ou pela grandiosidade de suas avenidas, mas principalmente pela pulsação de suas calçadas, pelo movimento constante de pessoas que transformam o espaço urbano em palco de encontros, trocas e experiências cotidianas. Nesse contexto, as fachadas ativas emergem como protagonistas silenciosas de uma revolução urbanística que promete devolver às ruas aquilo que décadas de planejamento equivocado lhes roubaram: a humanidade.

O conceito, embora pareça simples, esconde uma transformação profunda na forma como concebemos e ocupamos nossas cidades. Enquanto muros cegos e garagens dominaram o cenário urbano por décadas, criando ambientes hostis e inseguros em pleno centro das metrópoles, as fachadas ativas representam o antídoto contra essa desertificação social. Trata-se de reconhecer que a interface entre o edifício e a rua não é um detalhe arquitetônico, mas elemento estruturante da qualidade de vida urbana.

No Nordeste brasileiro, região onde a tradição de ocupação dos espaços públicos sempre foi marcante, com mercados populares, feiras livres e uma sociabilidade naturalmente expansiva, a implementação desse instrumento urbanístico ganha contornos particularmente interessantes. As capitais e cidades médias da região enfrentam o desafio de conciliar o crescimento acelerado com a preservação de uma cultura urbana que sempre valorizou a rua como extensão da casa, como território de convivência e não apenas de passagem.

Os planos diretores de diversas municipalidades nordestinas têm incorporado dispositivos que incentivam ou mesmo obrigam a adoção de fachadas ativas em determinadas zonas estratégicas. Essa previsão legal não representa apenas uma opção estética ou arquitetônica, mas uma escolha política sobre qual cidade queremos construir. Ao estabelecer parâmetros que regulam a interface entre edifícios e espaço público, o poder público assume seu papel de indutor de transformações que vão muito além da aparência física dos imóveis.

Os benefícios são múltiplos e se retroalimentam. A presença constante de pessoas nas calçadas, decorrente da oferta de comércio e serviços no nível da rua, naturalmente aumenta a sensação de segurança. Olhos voltados para a rua, como já nos ensinava a urbanista Jane Jacobs há mais de meio século, são os melhores guardiães da ordem urbana. Criminosos evitam locais com intensa circulação de pedestres, preferindo ruas desertas e muros altos que lhes garantam invisibilidade. Portanto, investir em fachadas ativas significa investir em segurança pública de forma inteligente e eficaz.

A economia local também se beneficia enormemente. Pequenos comerciantes encontram oportunidades de negócio em espaços que antes permaneciam inacessíveis ou subutilizados. A diversidade de estabelecimentos atrai diferentes públicos em diferentes horários, garantindo vitalidade ao longo de todo o dia. Restaurantes, padarias, academias, escritórios compartilhados, lojas de conveniência, todos contribuem para um ecossistema urbano resiliente e dinâmico.

Para os proprietários de imóveis, a valorização é inevitável. Edifícios bem localizados em ruas vibrantes, com calçadas largas e arborização adequada, naturalmente alcançam valores de mercado superiores. A receita proveniente do aluguel dos espaços comerciais representa fonte adicional de renda, tornando o empreendimento mais atrativo do ponto de vista econômico.

O desafio maior, contudo, reside na mudança de mentalidade. Durante décadas, projetamos cidades pensando prioritariamente nos automóveis, relegando pedestres a um papel secundário. Garagens ocuparam os térreos, estacionamentos dominaram quarteirões inteiros, e gradualmente perdemos a noção de que cidades existem para pessoas, não para veículos. Reverter essa lógica exige coragem política, planejamento consistente e fiscalização efetiva.

A legislação urbanística precisa ser clara quanto às exigências, estabelecendo percentuais mínimos de testada ativa, profundidade adequada dos estabelecimentos comerciais, proibição de fechamentos com grades e portões que intimidem os transeuntes. Ao mesmo tempo, é fundamental oferecer contrapartidas e incentivos para que empreendedores vejam nas fachadas ativas não uma imposição burocrática, mas uma oportunidade de negócio.

O Nordeste, com sua tradição de ocupação generosa dos espaços públicos, possui todas as condições culturais e climáticas para liderar essa transformação. Ruas que voltam a pulsar com vida não representam apenas ganho urbanístico, mas resgate da essência mais profunda do que significa viver em sociedade.

Marcelo Rodrigues, é advogado especialista em direito ambiental e urbanístico, consultor técnico em sustentabilidade da Prefeitura Municipal de Caruaru, ex-Secretário de Meio Ambiente do Recife.

 

O declínio do império americano

Por Maurício Rands

Trump vence com a força ao depor e sequestrar o presidente de um país soberano. No curto prazo, pelo menos. Mas perde a guerra do soft power. Ao reeditar o velho intervencionismo americano na America Latina, reativa os juízos negativos à política externa que invadia as repúblicas de bananas e apoiava tiranos e suas ditaduras. Basta lembrar o apoio a Pinochet no Chile, aos generais argentinos, uruguaios e brasileiros em suas ditaduras. Com armas, recursos e treinamento, inclusive em técnicas de tortura. Isso parecia superado. Agora retoma a arrogância imperialista e afunda a imagem dos EUA. E inaugura uma nova geopolítica mundial, de novo centrada na prevalência do mais forte, como bem retratada por EricHobbsbawum, em seu classico A Era dos Impérios. Mas essa hegemonia apenas pela força, sem um minimo de coesão política, pode indicar início de declínio.


Recente livro de Peter Heather e John Rapley (“Why Empires Fall”), professores de Cambridge e do Kings College de Londres, sugerem a presença de fortes sinais de declínio das potências ocidentais lideradas pelos EUA. Eles analisam a fundo as dinâmicas do declinio de dois imperios. A do imperio romano no quinto o seculo D.C e a dos impérios europeus da era moderna. A partir da dinâmica das relações entre os centros desses Impérios e suas periferias, eles identificam um padrão historicamente recorrente. Embora, isso não permita inferir que vá se repetir, alguns desses fenômenos podem estar indicando o início do declinio do império americano.


Heather e Rapley criticam uma linha de explicação para o colapso dos impérios que remonta ao classico de Edward Gibbon, “Decline and Fall of the Roman Empire”. Para esses intérpretes o colapso dos imperios explica-se por fatores internos: longo declínio econômico, cultural e institucional, entre eles. Essa erosão gradual é vista como acelerada por invasões externas. Os “bárbaros” das confederações germânicas arrrematando o colapso do imperio romano. Os imigrantes que “invadem” a Europa e os EUA nos dias que correm. Daí seguiria a receita de que o antídoto seria o controle das fronteiras. Como também sugerem autores como Nail Fergunson (Why the Nations Fail). A tese oposta, de Heather e Rapley, sustenta que os fatores mais relevantes não são escolhas e eventos no âmbito interno. Mas, sim, as transformações que os centros imperiais desencadeiam em suas periferias. O desenvolvimento econômico das periferias, causado pelas necessidades do centro, deflagra processos políticos que findam por desafiar a própria dominação imperial que iniciou o ciclo. A emergência de paîses como China, Índia, Coreia e outros, até então periféricos, decorre dessa logica. Como eles advertem: nao é possivel fazer o Ocidente “great again” no sentido de resfirmaçäo de um domínio global incontrastável. O processo de reajuste das potências ocidentais pode refazer uma nova ordem global a partir dos melhores tradições da civilização ocidental. Mas pode também reproduzir as piores.


Como parecem estar fazendo lideranças como Donald Trump e outras da ultradireita populista ocidental, hoje tâo fortes. Mas que, do alto da sua ignorância sobre a história dos impérios, podem estar acelerando o declínio ocidental. Quando à ignorância se acrescentam a visāo imediatista e supremacista do líder mais forte do Ocidente, não fica difícil perceber que essa receita não tem como dar certo.


O episódio da invasão da Venezuela e do sequestro do seu presidente foi festejado pela direita ocidental, com a honrosa exceção da francesa Le Pen. Mesmo os críticos da ditadura de Maduro, entre os quais me incluo, não podemos aceitar a invasão de um país soberano e o desrespeito ao direito internacional. Muito menos pela cobiça do petróleo desse país, algo que foi exposto com clareza por Trump. Esse autocrata americano pelo menos é sincero. Não bastasse a própria ascensão da China e as dinâmicas econômicas e políticas mundiais atuais, a maior potência ocidental parece empenhada em acelerar o seu declínio. Xi Ji Ping observa e agradece, como concluiu o editorial da The Economist, em sua edição do Natal.

Investidores brasileiros têm perfil mais arrojado, revela pesquisa

Os brasileiros estão investindo cada vez mais, com o volume investido por pessoas físicas no país apresentando um crescimento de 12,6% no final de 2024 em relação ao fechamento do ano anterior. Os dados, divulgados em relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), revelam ainda que o total aplicado pelos brasileiros já alcança a marca de R$ 7,3 trilhões.

A expectativa do mercado financeiro é de que esses números continuem crescendo em 2026, com mais pessoas sendo atraídas ao mercado de capitais — mas para quem pretende começar a investir, é essencial ter um conhecimento não apenas do mercado e das opções de investimento disponíveis, mas do próprio perfil de investidor.

“O primeiro passo para quem vai investir é fazer o teste de perfil de investidor. Esse teste mede sua tolerância ao risco, seu prazo de investimento e seus objetivos financeiros”, explica Carlos Lopes, especialista em Renda Fixa da SIR Investimentos.

Segundo Lopes, existem três perfis principais de investidor: conservador, moderado ou arrojado. “Se você prefere estabilidade e dorme tranquilo com ganhos menores, é conservador. Se aceita algumas variações em busca de retornos melhores, é moderado. Já se tolera oscilações maiores, pensando no longo prazo, é arrojado”, explica.

De acordo com pesquisa realizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Governo Federal, a maior parte dos investidores brasileiros se encaixa nos perfis arrojado (52%) e moderado (36%), com apenas 9% se enquadrando no perfil conservador. Isso não significa, entretanto, que o investidor brasileiro abriu mão da segurança na hora de investir seu dinheiro.

“Segurança e conservadorismo se relacionam, mas não são a mesma coisa”, pondera Carlos Lopes. “Ser conservador significa ter menos tolerância ao risco, ou seja, preferir investimentos mais estáveis e previsíveis, mesmo que rendam menos. Já segurança diz respeito à proteção do patrimônio — que é algo que todos os investidores, inclusive os mais arrojados, também buscam”, complementa.

Supercopa Rei: CBF define horário de final entre Fla e Corinthians

11/01/2026 - CBF define horário de final entre Fla e Corinthians. Foto: Marcos Júnior/CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou, neste domingo (11), o horário da edição 2026 da Supercopa Rei, que opõe os vencedores do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil da temporada anterior. O jogo entre Flamengo e Corinthians está marcado para às 16h (horário de Brasília) do próximo dia 1º de fevereiro, na Arena BRB Mané Garrincha, em Brasília. O dia e o local da competição já tinham sido anunciados pela entidade no último dia 31 de dezembro.

Ambos os clubes tiveram o gostinho de levantar a Supercopa em anos anteriores. Campeão da Copa do Brasil em 2025, o Corinthians conquistou a segunda edição do torneio, em 1991, derrotando o próprio Flamengo por 1 a 0, no Morumbi, em São Paulo. Aquela foi a última vez que o confronto ocorreu até 2020, quando o duelo foi retomado pela CBF.

O Rubro-Negro, por sua vez, tornou-se soberano na Supercopa desde a retomada do torneio, vencendo as edições de 2020 (contra o Athletico-PR), 2021 (Palmeiras) e 2025 (Botafogo). A equipe do Rio de Janeiro também esteve presente nas decisões de 2022 e 2023, quando foi superado por Atlético-MG e Verdão, respectivamente.

Primeira fase chega ao fim e 16 jogos abrem mata-mata da Copinha

Quatro jogos encerraram a fase de grupos da Copa São Paulo de Futebol Júnior neste domingo (11). Já classificados ao mata-mata, Fluminense e Palmeiras mantiveram os 100% de aproveitamento, enquanto Água Santa e Monte Roraima garantiram as últimas duas vagas à etapa seguinte da maior competição sub-20 do país.

A próxima fase da Copinha começa nesta segunda-feira (12), com 16 jogos. O encontro entre Cruzeiro e Meia Noite, no Estádio Galileu de Andrade Lopes, em Patrocínio Paulista (SP), abre o mata-mata às 11h (horário de Brasília). Maior vencedor do torneio, com 11 títulos, e atual vice-campeão, o Corinthians enfrenta o Guarani no Estádio Zezinho Magalhães, em Jaú (SP), a partir das 21h20.

Confira, abaixo, os horários e locais dos demais jogos desta segunda:

14h45 – Botafogo-SP x Vasco – Mário Lima Santos, em Brodowski (SP)

15h – Bahia x Atlético-PI – Teixeirão, em São José do Rio Preto (SP)

15h15 – Grêmio x Atlético-BA – Evandro de Paula, em Santa Fé do Sul (SP)

17h30 – Santos x Cuiabá – Luisão, em São Carlos (SP)

18h – América-MG x Inter de Limeira – Palma Travassos, em Ribeirão Preto (SP)

18h30 – Goiás x Mirassol – Manoel Francisco Ferreira, em Bálsamo (SP)

18h45 – Athletico-PR x Ceará – Adhemarzão, em Araçatuba (SP)

19h – Ferroviária x Real Brasília – Arena da Fonte Luminosa, em Araraquara (SP)

19h – Guanabara City x Tuna Luso – José Vessi, em Cravinhos (SP)

19h – Chapecoense x Votuporanguense – Arena Plínio Marin, em Votuporanga (SP)

19h – Grêmio Prudente x Osasco Sporting – Prudentão, em Presidente Prudente (SP)

20h – Athletic-MG x XV de Jaú – Tonicão, em Assis (SP)

20h30 – Ponte Preta x Francana – Lanchão, em Franca (SP)

21h – Sport x América-RN – Manoel Francisco Ferreira, em Bálsamo (SP)