Especialistas criticam retórica de governadores sobre combate ao crime

Rio de Janeiro - Operação policial após ataques às bases das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, em Copacabana. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Conflitos não são administrados apenas com tiros de fuzil, mas também com discursos políticos. Em paralelo às operações policiais nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, governadores alinhados ao chefe da administração fluminense, Cláudio Castro, criaram o “Consórcio da Paz”, projeto de integração para combater o crime organizado no país.

O sociólogo Ignacio Cano, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), critica o termo. Para ele, trata-se de uma estratégia discursiva que inverte o significado real da operação que deixou 121 mortos.

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após ação policial da Operação Contenção. Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil
Corpos são enfileirados na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após ação policial da Operação Contenção, na última terça-feira (28). Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil

“Os governadores erraram no nome. Deveria se chamar Consórcio da Morte, porque é isso que eles estão propondo. Certamente não é a paz”, diz Cano. “Retoricamente, não vai pegar bem e, cada vez que usarem o termo, vão ser lembrados da quantidade de mortes que os seus governos produzem. A maioria dos governadores de direita estão promovendo a letalidade policial”.

Sete governadores integram o “Consórcio da Paz”. Além de Castro, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; Eduardo Riedel (Progressistas), do Mato Grosso do Sul; Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás; e Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal.

“Narcoterrorismo”

Sociólogos, cientistas políticos e especialistas em segurança pública ouvidos pela Agência Brasil analisaram o vocabulário adotado pelas autoridades nos últimos discursos. E apontaram para os usos políticos e simbólicos dos termos relacionados à operação mais letal já registrada no Brasil.

Entre as palavras recorrentes, está “narcoterrorismo”. Ele foi usado por Castro, Tarcísio e Zema para se referir às facções criminosas, principalmente as maiores que tem Rio de Janeiro e São Paulo como centros de poder.

“Isso é mais uma bobagem que atrapalha a polícia, a segurança pública, a sociedade e o próprio governo. Da mesma forma como usam ‘narcomilícia’ e outras categorias mais antigas como ‘Estado paralelo’. Isso, na verdade, oculta incompetências, incapacidades e oportunismos políticos”, diz Jacqueline Muniz, antropóloga e cientista política, professora do departamento de segurança pública da Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Quando você diz que está diante de um narcoterrorismo, você está dizendo que precisa de mais poder, mais dinheiro, mais orçamento e que não precisa dar satisfação do que vai fazer”, complementa.

Rio de Janeiro - Operação policial após ataques às bases das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, em Copacabana. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Operação policial após ataques às bases das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, no início do ano.  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Para Ignacio Cano, o termo é errado também do ponto de vista conceitual. “Terrorismo normalmente é associado a objetivos políticos. É o uso indiscriminado da violência contra civis para perseguir esses objetivos. Um narcoterrorista não teria nenhuma motivação política. O objetivo é o mesmo de todo criminoso, que é o lucro. O termo é uma contradição em si mesmo”, explica o sociólogo.

No Brasil, a Lei n° 13.260, de 2016, define que: “terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”.

Facções de tráfico de drogas são classificadas pela legislação brasileira como organizações criminosas. E é dessa forma que o governo federal, especialmente o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, tem se posicionado.

Um grupo de deputados está tentando mudar isso por meio do Projeto de Lei 724/25, que amplia o conceito de terrorismo para incluir o tráfico de drogas ilícitas. O projeto é de autoria do deputado Coronel Meira (PL-PE) e foi aprovado há algumas semanas na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados.

Ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), antes de ser votado pelo Plenário da Câmara. Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Pressão internacional

Esse entendimento tem recebido pressão internacional de políticos de direita. Os governos de Javier Milei, na Argentina, e Santiago Peña, no Paraguai, classificaram recentemente as organizações criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. Os Estados Unidos sugeriram que o Brasil fizesse o mesmo em visita da comitiva norte-americana ao país em maio deste ano.

Os especialistas em segurança pública entendem que a pressão de governadores no Brasil pelo uso de “narcoterrorista” é uma forma de alinhamento político com essas forças externas. Dessa forma, o debate é transferido do campo policial para o geopolítico. Para eles, o termo, se adotado no país, fragilizaria a democracia e aumentaria o risco de interferências internacionais.

Rio de Janeiro (RJ), 23/03/2024 – O governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro durante coletiva de imprensa no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Governadores de direita se alinharam ao governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, na política adotada por ele de enfrentamento ao tráfico de drogas. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“Uma forma de os Estados Unidos intervirem de forma mais efetiva no nosso território é justamente apelar para o que os norte-americanos temem historicamente, principalmente depois do 11 de setembro, que é a questão do terrorismo”, diz Jonas Pacheco, coordenador de pesquisa da Rede de Observatórios da Segurança.

“É um discurso que trata de uma questão de dominação da América Latina. Os países que têm grupos classificados como terroristas claramente não são alinhados ideologicamente com o governo Trump”, complementa.

“O terrorismo é usado pelo presidente dos Estados Unidos para cometer execuções sumárias na costa da Venezuela e da Colômbia. Termo foi adotado pelos governos de El Salvador e Equador também. São tentativas de evadir qualquer limite legal. Leis terroristas alongam prazos de prisão provisória e diminuem garantias processuais. Mas, importante destacar, nenhuma lei antiterrorista autoriza execução sumária de pessoas”, diz Ignacio Cano.

“Guerra às drogas”

Outra categoria semântica muito comum entre as autoridades estaduais é o de “guerra”. As polícias militares estariam diante de conflitos semelhantes aos sofridos em outras realidades do Leste Europeu, África e Oriente Médio.

Os cientistas políticos e sociólogos são categoricamente contrários à terminologia, por uma série de consequências simbólicas e materiais que ela produz.

“Quando você pauta o debate na ideia de guerra, você valida ações que barbarizam todo um território. Quem é o inimigo nessa guerra? É o traficante que está na Faria Lima lavando o dinheiro? Não, é o traficante que está na favela. É o pobre e o preto que moram em territórios de extrema vulnerabilização e precarização”, diz Jonas Pacheco.

“Segurança pública é para gerar segurança, não é para matar. Uso da força deve respeitar as devidas normativas legais. Não é um fim em si mesmo. O fim é gerar segurança. O pacto social prevê que o Estado deve garantir a preservação da vida”, complementa.

“Sempre bom lembrar que, se a sociedade autoriza a polícia a agir sem controles e parâmetros legais, sem fiscalização do Ministério Público, todos nós estamos em risco. Se as pessoas acham que só os moradores do Alemão e da Penha vão sofrer as consequências, estão muito enganadas”, diz Ignacio Cano.

“O objetivo é trazer a guerra para dentro das cidades. E nada melhor do que uma guerra contra o crime. Mas não se trata de combater crime nenhum. Se trata de produzir repressão e espetáculo. Se queremos resolver, temos que mudar também essa linguagem”, analisa Jacqueline Muniz.

“Estamos falando de um projeto autoritário onde a insegurança se torna política pública. Quanto maior a insegurança, melhor para essas autoridades, porque nós somos fidelizados pelo medo. Diante da ameaça, todos nós podemos abrir mão das garantias individuais e coletivas em favor de quem possa nos proteger e, depois, nos tiranizar”, complementa.

Projeto de Lei Antifacção: conheça os principais pontos da proposta

Brasília (DF), 31/10/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do Projeto de Lei Antifacção, elaborado pelo Governo do Brasil, no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O projeto de Lei Antifacção, assinado pelo presidente Lula e que chegou ao Congresso Nacional, nesta sexta (31), em regime de urgência, traz novidades no combate ao crime organizado. A mensagem do Executivo foi publicada em edição extra, nesta noite, no Diário Oficial da União.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a proposta é uma prioridade do governo ao trazer mais força ao Estado para reprimir as organizações criminosas que exercem controle de territórios e atividades econômicas.

Ao assinar o projeto, Lula argumentou que é necessário endurecer no combate às facções criminosas.

“Nós vamos mostrar como é que se enfrentam essas facções, que vivem de explorar o povo mais humilde desse país”, disse.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, acrescentou que o projeto vai ao encontro da sociedade brasileira e do Parlamento. O projeto prevê que os crimes das facções criminosas passariam a ser hediondos.

Confira os principais pontos do projeto que preveem aumento de pena:
Homicídios cometidos por ordem ou em benefício de facções criminosas poderão levar a penas de 12 a 30 anos.

As penas passam a ser mais duras, de 8 a 15 anos de prisão se a atuação da organização tiver como objetivo o controle de territórios ou atividades econômicas, mediante o uso de violência, coação ou ameaça.

Haverá ainda aumento de pena se houver conexão com outras organizações, comprovação de transnacionalidade da organização, domínio territorial ou prisional pela organização criminosa, e também nos casos de morte ou lesão corporal de agente de segurança pública.

Outra demanda do projeto de lei é que haja fortalecimento dos instrumentos e aperfeiçoamentos de investigação e sejam ampliadas ferramentas legais para a responsabilização de integrantes de facções.

Entre as propostas, o projeto inclui:
Prevê o uso de técnicas de investigação, com a possibilidade de infiltração de policiais e de colaboradores em facções.

Juiz poderá determinar que provedores de internet, telefonia e empresas de tecnologia viabilizem acesso a dados de geolocalização em casos de ameaça à vida ou integridade de pessoas.

Projeto autoriza que o Poder Executivo crie o Banco Nacional de Facções Criminosas.

Se facções estiverem infiltradas no Poder Público, estariam previstos os afastamentos de agente público, por decisão judicial, quando houver indícios de envolvimento com facção criminosa.

Réu condenado por facção ficará impedido de contratar com Poder Público ou receber incentivos fiscais pelo prazo de 14 anos.

Outra providência do projeto é tentar estrangular o poder econômico das facções das seguintes formas:

Facilitar a apreensão de bens em favor da União e a intervenção judicial em empresas utilizadas para crimes e o bloqueio de operações financeiras;

Suspensão de contratos com o poder público.

Para reduzir o poder operacional das facções, o projeto prevê ainda:

Monitoramento dos encontros de membros de facções criminosas no parlatório.

A administração de presídios poderá determinar a transferência de presos de facções criminosas entre estabelecimentos sem prévia autorização judicial nos casos de motim, rebelião ou outras situações de grave perturbação da ordem no estabelecimento prisional

O projeto que chegou ao Congresso prevê a cooperação policial internacional, a cargo da Polícia Federal, e inclui o setor privado na busca de provas e informações de interesse da investigação.

Outra ação é aprimorar os mecanismos legais de intervenção na administração de pessoas jurídicas utilizadas para a prática de crimes por organizações criminosas.
Também, nesta sexta, Lula defendeu tramitação rápida no Congresso. Ele ressalta que a proposta do Executivo garante instrumentos que blindam os órgãos públicos da atuação de membros desse tipo de organizações criminosas.

Moraes determina preservação integral de provas sobre megaoperação

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Moradores protestam contra execuçoes na comunidade da Vila da PenhaOperação Contenção.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, em decisão publicada neste domingo (2), a preservação “rigorosa e integral” dos elementos materiais relacionados à execução da Operação Contenção, que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Foi a incursão policial mais letal da história do estado, realizada na última terça-feira (28).

A decisão abrange perícias e cadeias de custódia. Alexandre de Moraes atendeu a um pedido formulado pela Defensoria Pública da União (DPU) e também assegurou o controle e averiguação dos elementos materiais por parte Ministério Público, facultado o acesso às informações também pela própria DPU no estado do Rio de Janeiro.

A nova medida se deu nos autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como a ADPF das Favelas e originada em ação protocolada em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).

O ministro destacou que a determinação segue o que foi fixado pelo Plenário do STF no julgamento do mérito da ação, segundo o qual devem ser preservados os vestígios de crimes e assegurada a independência técnica das perícias em investigações de crimes contra a vida. O governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, deverá ser intimado ainda neste domingo para garantir o cumprimento da decisão.

Em abril deste ano, STF definiu diversas medidas para combater a letalidade policial durante operações da Polícia Militar contra o crime organizado nas comunidades do Rio de Janeiro. Após a finalização do julgamento da ADPF nº 635, diversos órgãos, incluindo a Defensoria Pública de União e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ficaram responsáveis pelo monitoramento do cumprimento da decisão.

Na última semana, a discussão sobre a ADPF das Favelas voltou à tona com a deflagração da Operação Contenção, em uma tentativa de frear o avanço territorial da facção Comando Vermelho na cidade. Na ocasião, o governador Claudio Castro voltou a criticar a decisão do Supremo e chamou a ADPF de “maldita”.

Moraes marcou para a próxima segunda-feira (3) uma reunião com o governador do Rio de Janeiro e outras autoridades, para tratar da Operação Contenção. Durante o encontro, o governador deve apresentar os 18 esclarecimentos solicitados pelo ministro sobre a operação.

Audiência pública

O ministro Alexandre de Moraes ainda designou audiência conjunta para a próxima quarta-feira (5), às 10h, na sala da Primeira Turma do STF, com a participação de diversos órgãos e entidades, como o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; Instituto Anjos da Liberdade; Associação Direitos Humanos em Rede – Conectas Direitos Humanos; Associação Redes de Desenvolvimento da Maré – Redes da Maré; Educação e Cidadania de Afrodescendentes Carentes – Educafro; Justiça Global; Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência; Coletivo Fala Akari; Coletivo Papo Reto; Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial; Movimento Negro Unificado (MNU); Centro pela Justiça e o Direito Internacional – CEJIL; Laboratório de Direitos Humanos da UFRJ; entre outros.

Em outro ponto da decisão deste domingo, o ministro indeferiu pedidos de diversas entidades para participar como amicus curiae e os requerimentos de participação nas audiências a serem realizadas no dia 3 de novembro de 2025.

Lula visita aldeia indígena e promete energia para 4,3 mil famílias

Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (PA), 02/11/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à Aldeia Vista Alegre do Capixauã. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou neste domingo (2) a Aldeia Vista Alegre de Capixauã, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, na Região de Santarém, no Pará. Em conversa com lideranças locais, ele disse ter ficado surpreso com a falta de energia elétrica na comunidade e prometeu que resolverá o problema.

“Uma coisa que eu estranhei. Eu pensei que tinha energia, porque eu estou vendo uma luz acesa aqui, e eu vi que todo mundo se queixou de energia”, disse o presidente.

“Hoje a energia é a coisa mais fácil para a gente fazer, porque a gente pode fazer placa solar, a gente pode preservar o ambiente, pode trazer energia para vocês, e eu prometo para vocês que vocês vão ter energia aqui na comunidade de vocês”, reforçou.

Recepção

Lula foi recebido na aldeia pela cacique Irenilce Kumaruara, que anunciou uma demanda de rede elétrica para 4.338 famílias, uma população total de mais de 13 mil indígenas.

Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (PA), 02/11/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à Aldeia Vista Alegre do Capixauã. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula prometeu energia elétrica para aldeias indígenas – Foto: Ricardo Stuckert/PR

Inseridas na Resex Tapajós-Arapiuns, as aldeias indígenas da região ainda dependem de avanço no processo de demarcação, o que deve ocorrer no ano que vem, no caso das comunidades de Vista Alegre e Escrivão, segundo garantiu a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joência Wapichana.

“A Funai tem esse desafio. Por isso que é importante fazer esse acompanhamento porque são muitas demandas e muitos pedidos. A gente está com essa programação de [fazer] essas duas demarcações físicas no primeiro semestre do ano que vem”, destacou.   Desde o início do terceiro governo Lula, foram demarcadas 16 novas terras indígenas no país. Segundo o Palácio do Planalto, o governo superou o compromisso firmado no período de transição que previa 14 áreas homologadas.

Além da presidente da Funai, acompanharam Lula na agenda deste domingo as ministras Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) e a primeira-dama Janja da Silva.

Universidade indígena

Ainda na aldeia Vista Alegre, Lula anunciou a criação da Universidade Indígena, no próximo dia 17 de novembro, em evento que deverá ocorrer em Brasília.

“Nós já temos uma ministra indígena, a Funai indígena, o chefe da saúde indígena e falta uma universidade indígena. Vai ter a sede lá em Brasília, já tem até prédio, tanto pode ter o curso principal lá, mas todos os estados vão fazer extensão com a universidade para as meninadas fazer o curso próximo onde more e não precisar ir para Brasília”, especificou o presidente.

A visita a comunidades indígenas faz parte da agenda prévia antes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontecerá no período de 10 a 21 de novembro, em Belém, no Pará. No sábado (1º), na capital paraense, o presidente participou da inauguração da ampliação do aeroporto internacional e do Porto de Outeiro, duas das principais obras de preparação logística para o evento da ONU.

Lula: COP30 fará o mundo olhar de uma forma diferente para a Amazônia

Floresta Nacional do Tapajós (PA), 02/11/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante roda de conversa com moradores das comunidades ribeirinhas da Floresta Nacional do Tapajós. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou neste domingo (2) com moradores da comunidade do Jamaraquá, que reúne cerca mais de mil famílias de extrativistas e ribeirinhos, na Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, que fica no Oeste do Pará. A visita faz parte de uma série de agendas prévias à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontecerá no período de 10 a 21 de novembro, em Belém, no Pará.

Antes disso, nos próximos dias 6 e 7 de novembro, Lula vai presidir a Cúpula do Clima, que reunirá dezenas de chefes de Estado na capital paraense. Por isso, ao longo da próxima semana, o presidente permanecerá no estado. Aos ribeirinhos, ele discursou valorizando a oportunidade que a cúpula oferece de dar visibilidade à Amazônia e fazer o mundo ter um olhar diferente, que vai além da preservação da natureza.

“Essa COP30 é um momento único na história do Brasil, porque é um momento em que a gente está obrigando o mundo a olhar a Amazônia com os olhos que deve olhar para a Amazônia. Não é só pedir para a gente manter a floresta em pé”, disse.

“É preciso pedir para que a gente mantenha a floresta em pé e para ela ficar em pé, nós temos que dar sustentação econômica, educacional, de saúde para as pessoas que tomam conta dessa floresta em pé, porque essas pessoas não ganharam o que comer, as pessoas não vão tomar conta de nada”, acrescentou.

Próxima a Alter do Chão, a comunidade do Jamaraquá também é reconhecida pelo turismo de base comunitária, com trilhas por dentro da floresta e dos igarapés, e ainda pela fabricação de biojóias.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, também participou da visita. Segundo ela, o estilo de vida das famílias da região protege a floresta. “Aqui é exemplo de bioeconomia, aqui é exemplo de sociobiodiversidade, aqui é exemplo de como mantém a floresta em pé e ela gera condições de vida e dignidade para as pessoas”, disse.

“Aqui tem os extrativistas, aqui tem os artesãos e as artesãs, aqui tem os seringueiros e seringueiras, aqui são muitas as atividades que eles vão combinando ao longo do ano”, completou.

Segundo ela, os ribeirinhos sabem respeitar o clico da floresta, mantém a mata de pé por gerações, o que da dignidade às famílias. Segundo a ministra, a Flona do Tapajós reúne 1,2 mil famílias distribuídas em uma área de mais de 500 mil hectares preservados.

Recife Mariners é tricampeão do Nordeste após vitória sobre o Fortaleza Tritões

O Recife Mariners é o grande campeão da Conferência Nordeste da Superliga de Futebol Americano 2025. Em uma partida eletrizante neste domingo (2), no Estádio do Arruda, o Time da Cidade venceu o Fortaleza Tritões por 17 a 14, conquistando o tricampeonato regional e reafirmando sua hegemonia no Nordeste.

Com o resultado, os Azuis garantem também a vaga nos playoffs nacionais da Superliga, onde seguem em busca de mais um título brasileiro. A conquista consolida o projeto como uma das maiores forças do futebol americano do país. Para o head coach dos Azuis, Lucas David, o resultado é fruto de um trabalho coletivo e de uma trajetória construída com disciplina e paixão.

“Esse tricampeonato representa tudo o que o Mariners vem construindo ao longo dos anos: união e entrega pelo que fazemos. Foi um jogo difícil, digno de final, e a equipe mostrou mais uma vez que está preparada para vôos ainda maiores”, destacou o treinador.

O presidente dos Marinheiros, Roberto Lemos, também celebrou o título e o apoio da torcida.

“Nossa torcida fez a diferença do início ao fim. Esse título é deles também, de quem acredita, que vibra com a gente. Agora é seguir focados, porque ainda temos mais pela frente nos playoffs nacionais”, afirmou.

O próximo desafio do Recife Mariners será contra o Rondonópolis Hawks, jogo que será em casa. Em breve, a equipe pernambucana divulgará detalhes da partida, como data e local.

Sobre o Mariners

Fundado em 2005, o Recife Mariners é referência no futebol americano do Nordeste e conta com o apoio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte de Pernambuco. O projeto tem patrocínio da Copergás. Em dezembro de 2024, a equipe conquistou o título nacional ao vencer o Galo Futebol Americano, do Atlético Mineiro, na Arena de Pernambuco.

“Se preparem, Eduardo da Fonte é o homem que cuidará da saúde do nosso povo em Brasília”, diz Cleiton Collins

“Pretendo reunir nossa bancada de deputados, para que juntos possamos fazer uma convocação, para que ele seja o senador da Saúde de Pernambuco. Se preparem, Eduardo da Fonte é o homem que cuidará da saúde do nosso povo em Brasília”. A fala é do deputado estadual Pastor Cleiton Collins, do PP, que concedeu entrevista ao programa ‘Cidade em Foco’, da Rede Pernambuco de Rádios e ao Blog do Alberes Xavier.

Segundo o deputado estadual, Da Fonte sempre teve a ‘saúde pública’ como uma de suas pautas prioritárias. Ele frisou que através da sua atuação na Câmara Federal, vários hospitais do estado estão sendo dotados de modernos equipamentos, que têm contribuído com a melhoria da qualidade de vida de milhares de pacientes pernambucanos.

“Precisamos ainda convencê-lo de sua candidatura ao Senado, mas é nítido que ele já aprece bem nas pesquisas de opinião pública. Isso faz parte de uma construção natural, pois a população já enxerga e reconhece o seu trabalho. Vamos agora sentar e fazer essa convocação, para que ele seja candidato a senador representando a nossa federação”, falou Cleiton Collins.

Compesa faz ajustes no abastecimento de quatro cidades devido nível crítico de Jucazinho

A ausência de chuvas no Agreste pernambucano tem agravado a situação da Barragem de Jucazinho, localizada em Surubim, um dos principais mananciais responsáveis pelo abastecimento da região. O reservatório, que tem capacidade para 204 milhões de metros cúbicos, está operando com apenas 1,47% do seu volume total.

Diante da redução contínua do volume de água e da previsão climática desfavorável, com expectativa de chuvas abaixo da média nos próximos meses, segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), a Compesa precisará promover ajustes no calendário de abastecimento das cidades de Passira, Cumaru, Riacho das Almas e Bezerros, atendidas pelo Tramo Sul do Sistema Integrado Jucazinho. As ações operacionais estão em curso para a implantação dos novos calendários nessas cidades a partir da próxima terça-feira (4).

A medida inclui a redução da vazão de exploração da barragem de 400 para 250 litros por segundo, ação considerada essencial para preservar o volume remanescente e garantir a continuidade do fornecimento até a conclusão das obras estruturantes em andamento. A situação tem mobilizado a presidência da Compesa, que já recebeu os prefeitos das quatro cidades para debater o tema. O diálogo busca apresentar as medidas emergenciais e discutir os ajustes necessários nos calendários de abastecimento, em função da severa estiagem e do nível crítico do reservatório.

“O diálogo com os gestores tem sido pautado pela transparência diante da situação de Jucazinho. As mudanças no esquema de distribuição são medidas necessárias para preservar o volume remanescente da barragem e assegurar que o sistema continue operando até a conclusão das obras estruturantes que vão reforçar o abastecimento da região. A Compesa tem seguido as diretrizes do Governo do Estado e mantido um bom ritmo na execução dessas intervenções”, destacou o presidente da Compesa, Douglas Nóbrega.

Novos calendários

Com o novo ajuste operacional, os calendários de abastecimento das cidades atendidas pelo Tramo Sul do Sistema Jucazinho sofrerão as seguintes alterações: em Passira, o ciclo passará de 8 dias com água e 15 sem para 8 dias com água e 22 sem. Em Cumaru, o intervalo aumentará de 7 x 15 para 7 x 23. Já em Riacho das Almas, o fornecimento, que hoje ocorre no regime de 7 dias com água e 23 sem, passará a ser de 5 dias com água e 25 sem. No município de Bezerros, o calendário também será ampliado: de 10 x 20 para 5 x 25. As informações vão constar no calendário de abastecimento disponibilizado no site (www.compesa.com.br) e aplicativo.

Ações em curso

As obras estruturantes estão em fase adiantada para o retorno da regularidade do abastecimento nas cidades hoje afetadas pela ausência de chuvas em Jucazinho. Passira, Cumaru e Riacho das Almas serão beneficiadas com a inversão da Adutora de Jucazinho via ETA Salgado, cujos testes estão previstos ainda para este ano, permitindo que, a partir de início de 2026, o regime atual de abastecimento seja retomado. Já Bezerros será beneficiada com a Adutora do Agreste, que está com mais de 90% de avanço físico e entra em testes a partir deste mês de novembro, e a Adutora de Serro Azul, que está 100% concluída e os testes estão em fase final de realização. As iniciativas permitirão o restabelecimento do abastecimento diário no município.

Governadora Raquel Lyra realiza entrega de kits viagem para estudantes do Programa Ganhe o Mundo

A governadora Raquel Lyra entrega, na tarde desta segunda-feira (3), às 15h, os kits viagem aos estudantes aprovados no Programa Ganhe o Mundo (PGM) que embarcarão para o Canadá entre novembro e janeiro de 2026. A solenidade será realizada na Concha Acústica da Universidade Federal de Pernambuco. Ao todo, serão contemplados 700 estudantes da rede estadual de ensino, com a participação de, ao menos, um aluno de cada município pernambucano.

*AGENDA DA GOVERNADORA RAQUEL LYRA | Segunda-feira, 3 de novembro de 2025*

*8h30* – Abertura do mês Nacional do Júri

Local: Fórum Rodolfo Aureliano – Av. Des. Guerra Barreto, s/n – Ilha Joana Bezerra

*15h -* Entrega de kits viagem para alunos do Programa Ganhe o Mundo

Local: Concha Acústica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Cidade Universitária, Recife.

*16h* – Posse dos novos desembargadores do Ministério Público de Pernambuco (MPPE)

Local: Rua do Hospício, 875, Boa Vista, Recife

Ex-secretária de Educação Natércia Vieira Miranda é recebida com homenagem em visita a Panelas após 52 anos

Cinco décadas após ter assumido o comando da Educação em Panelas, no Agreste pernambucano, a professora Natércia Vieira Miranda voltou ao município para uma visita marcada por emoção e reconhecimento. Primeira secretária de Educação de Panelas, Natércia exerceu o cargo entre os anos de 1969 e 1973, durante a gestão do então prefeito Demócrito de Barros Miranda.

A visita ocorreu recentemente na sede da Secretaria Municipal de Educação, onde Natércia foi recebida pelo atual prefeito Ruben Barbosa (PSB) e pela equipe da pasta. Durante o encontro, ela conheceu a galeria dos ex-secretários de Educação, espaço que resgata a trajetória de todos que contribuíram para o desenvolvimento educacional do município.

Emocionada, Natércia agradeceu pela lembrança e destacou a importância da educação como base para o crescimento de uma cidade. “Ver meu nome e minha história lembrados depois de tantos anos é uma alegria que não se mede. Panelas sempre esteve no meu coração, e poder voltar aqui e sentir esse carinho é algo inesquecível”, afirmou.

Panelas, conhecida por sua forte tradição cultural e política, consolidou-se ao longo dos anos como um importante polo do Agreste pernambucano. A família Miranda teve papel fundamental na formação política e administrativa do município, contribuindo de forma decisiva para o seu desenvolvimento social, educacional e econômico.