Exportações brasileiras para os EUA caíram pela metade desde 2001

O Porto de Santos responde por quase 30% da balança comercial do país. Importação, exportação, balança comercial, porto, navio, container,  comércio exterior - Foto: Divulgação/Porto de Santos

Ao longo dos anos, os Estados Unidos perderam relevância na pauta de comércio do Brasil. De 2001 a 2024, a participação americana no total de exportações brasileiras regrediu de 24,4% para 12,2%, ou seja, caiu praticamente à metade.

Os números que mostram esse comportamento fazem parte do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (14).

Enquanto a participação americana nas nossas exportações caiu 51%, a da China, atualmente o principal parceiro comercial do Brasil, aumentou mais de oito vezes, indo de 3,3% para 28% no período de 2001 a 2024.

A União Europeia com menos 44% e a América do Sul, menos 31%, também perderam espaço para o gigante asiático no intervalo de 23 anos. Mesmo com esses dois grupos de países perdendo participação, ainda ficam na frente dos Estados Unidos.

Participação nas exportações brasileiras:

China: 28%
União Europeia: 14,3%
América do Sul: 12,2%
Estados Unidos: 12%

O Ibre FGV elaborou o ranking com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O Icomex faz análises sobre comércio exterior, como o comportamento da balança comercial, a diferença entre exportação e importação, e provê atenção especial nesta edição ao tarifaço prometido pelo presidente americano Donald Trump, que anunciou taxação de 50% de produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos a partir de 1º de agosto.

O levantamento aponta também a perda de relevância americana nas nossas importações. Em 2001, vinham dos Estados Unidos 22,7% do que o Brasil comprava de outros países. Em 2024, esse patamar foi reduzido a 15,5%. Essa diferença significa recuo de 32%.

No mesmo período, a participação chinesa saltou mais de dez vezes, indo de 2,3% para 24,2%. A União Europeia viu a participação nas nossas importações cair 31% e a América do Sul, recuar 45%.

Participação nas importações brasileiras:

China: 28%
União Europeia: 18%
Estados Unidos: 15,5%
América do Sul: 10,2%

Exportações diversificadas

O estudo aponta que as exportações para os americanos têm um perfil diversificado. Para efeito de comparação, quando se trata de China, apenas três produtos respondem por 96% do que o Brasil vende: petróleo, soja e minério de ferro.

Já no caso dos Estados Unidos, 10 produtos representam 57% das exportações brasileiras.

Participação dos principais produtos da pauta de exportação para os EUA:

Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus: 14%
Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço: 8,8%
Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes: 6,7%
Café torrado: 4,7%
Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas: 4,4%
Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos): 4,3%
Celulose: 4,1%
Demais produtos – Indústria de Transformação: 3,8%
Instalações e equipamentos de engenharia civil e construtores, e suas partes: 3,6%
Sucos de frutas ou de vegetais: 3%
O Ibre/FGV aponta também que conjuntos de produtos siderúrgicos, aeronaves, sucos vegetais e escavadeiras seriam os mais atingidos pela ação americana, pois dependem bastante da maior economia do mundo:

ferro fundido bruto e ferro spiegel: 86% das exportações vão para os EUA;
produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado: 72,5%;
veículos aéreos (helicópteros e aviões): 63%;
pás mecânicas e escavadeiras: 53%;
sumos de frutas: 34%
Busca por mercados
A pesquisadora associada do Ibre/FGV Lia Valls, consultora do Icomex, avalia que alguns produtos brasileiros, como carnes e sucos, podem prospectar nossos destinos.

“Essa parte das commodities [produtos primários comercializados em grandes quantidades] pode ser que consiga”, acredita.

No entanto, ela avalia que não é simples buscar novos países compradores de produtos que ficarão inviáveis para entrar nos Estados Unidos com o aumento de preço.
“O país não consegue, em um prazo curto, desviar as exportações. Tem alguns tipos de produtos, principalmente da indústria de manufatura, muitos deles que são fabricados pelas multinacionais americanas, em que talvez já não seja tão simples colocar em outros mercados. Além do que, tem uma concorrência muito grande com a própria China”, explica.

Trump

O boletim da FGV lembra que o presidente americano já recuou algumas vezes sobre o tarifaço. O estudo mostra que no dia 2 de abril deste ano, que ficou conhecido como Liberation Day (Dia da Liberação), Trump ameaçou países parceiros com taxação.

À época, a tarifa brasileira seria de 10%. Foi desencadeada uma guerra tarifária contra a China, na qual as tarifas chegariam a 145%. Após promessas mútuas de retaliação, os dois países chegaram a um acordo, reduzindo a 30%.
Nos últimos meses, alguns países anunciaram acordos com os americanos, mas o Brasil foi surpreendido na semana passada com a taxa de 50%.

A FGV destaca que, diferentemente da ameaça de abril, quando o motivo para taxar itens brasileiros era puramente comercial, a intenção atual envolve questões políticas, incluindo processo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e decisão recente contra gigantes de tecnologia, as big techs.

“Foi a única [carta] que explicitou motivações políticas, o que limita a margem de negociação do governo brasileiro por tratar de questões que são da alçada exclusiva do Estado brasileiro”, diz trecho do estudo.

Apesar de a carta de Trump apontar déficit comercial – comprar mais do que vende – dos Estados Unidos no comércio com o Brasil, a FGV reforça o inverso, o Brasil não registra superávit com os Estados Unidos desde 2009.

“No primeiro semestre de 2025, a balança bilateral Brasil-Estados Unidos foi de menos US$ 1,7 bilhão”, ou seja, nós compramos deles mais do que eles compraram do Brasil.

O estudo avalia que há chance de o governo americano voltar atrás na taxação, seja pelo histórico de decisões de Trump, seja por pressão de empresas americanas também prejudicadas.

“No momento, é esperar que negociações sejam possíveis, que Trump siga o comportamento Trump Always Chickens Out (Taco), que em tradução livre significa Trump amarela ou volta atrás”, escreve o Ibre.

“Além disso, parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos são de empresas multinacionais estadunidenses, que poderão pressionar o governo Trump, da mesma forma que empresas nos Estados Unidos que utilizam os bens intermediários [serão transformados em produtos finais] do Brasil na sua produção”, completa.

Reações

O governo brasileiro tem buscado caminhos para reverter a taxação americana. Além de negociação, o Brasil sinaliza com a Lei da Reciprocidade Econômica, que encareceria as importações dos Estados Unidos.

Fora do governo, o próprio STF se manifestou, por meio de carta assinada pelo presidente da Corte, Luís Roberto Barroso. O magistrado afirma que não há perseguição política no país, e que Trump teve como fundamento uma “compreensão imprecisa dos fatos”.

Lula regulamenta a Lei de Reciprocidade Comercial

Brasília, (DF) 09/07/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante declaração conjunta à imprensa

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Comercial. A informação foi confirmada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, em declaração à imprensa após um evento no Palácio do Planalto.

O teor do decreto será publicado em edição regular do Diário Oficial da União (DOU).

A norma autoriza o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países que imponham barreiras unilaterais aos produtos do Brasil no mercado global. A medida poderá ser usada para responder à imposição da tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA), a partir do dia 1º de agosto, conforme anunciado na semana passada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Segundo Rui Costa, o decreto não menciona especificamente nenhum país e estabelece os mecanismos necessários para dar cumprimento à lei.

“A denominação ‘reciprocidade’ pode responder de um formato também rápido, se outro país fizer medidas semelhantes a essa que foi anunciada pelos Estados Unidos”, explicou.

Histórico

Aprovada em março pelo Congresso Nacional e sancionada em abril, a nova lei é justamente uma resposta à escalada da guerra comercial desencadeada por Donald Trump contra dezenas de países.

No caso do Brasil, a tarifa inicialmente imposta pelos EUA foi de 10% sobre todos os produtos exportados para o mercado norte-americano. A exceção nessa margem de tarifas são o aço e o alumínio, cuja sobretaxa imposta pelos norte-americanos está em 25%, afetando de forma significativa empresas brasileiras, que constituem os terceiros maiores exportadores desses metais para os norte-americanos.

A Lei da Reciprocidade Comercial estabelece critérios para respostas a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que “impactem negativamente a competitividade internacional brasileira”.

A norma valerá para países ou blocos que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.

No Artigo 3º do texto, por exemplo, fica autorizado o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.

Comitê de emergência

Para discutir como reagir às tarifas dos EUA, o governo também instalou um comitê de trabalho interministerial, com participação de setores empresariais da indústria e do agronegócio.

As primeiras reuniões do colegiado ocorrerão nesta terça-feira (15), sob liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Prefeitura de Caruaru inicia formação de 80 novos guardas municipais

A segurança pública de Caruaru ganha um reforço de peso. A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Segurança Municipal (SSM), realizou, nesta segunda-feira (14), a aula inaugural do curso de formação dos 80 novos guardas municipais aprovados no último concurso público. O montante se junta aos 110 guardas que já trabalham no município, representando um incremento de mais de 72% no efetivo. O evento foi realizado no auditório da Secretaria de Educação e contou com a presença de autoridades civis e militares, além dos futuros profissionais.

A solenidade marca o início oficial do processo de capacitação que prepara os novos profissionais para atuarem com eficiência na proteção do patrimônio público e na promoção da ordem e segurança em todo o município. Com disciplinas teóricas e práticas, o curso abordará temas como legislação, direitos humanos, atendimento ao público, defesa pessoal, uso progressivo da força, entre outros conteúdos essenciais para o exercício da função.

O reforço no efetivo é uma das ações estratégicas da gestão municipal para ampliar a presença da Guarda nas ruas e garantir mais tranquilidade à população.

“Este é um momento histórico para Caruaru. A formação desses novos guardas representa o fortalecimento de uma cidade que valoriza a segurança e cuida de quem cuida. Estamos investindo em pessoas comprometidas com o bem-estar da população, com uma Guarda mais preparada, humana e próxima das comunidades. Tenho muito orgulho de fazer parte dessa construção coletiva por uma Caruaru cada vez mais segura”, afirmou a vice-prefeita Dayse Silva.

A expectativa é que, ao final da formação, os novos guardas estejam plenamente preparados para integrar as operações da Guarda Municipal, que hoje já é referência no estado em ações de prevenção e cidadania.

Governo cria cadastro nacional de celulares roubados

O Ministério da Justiça e Segurança Pública instituiu nesta segunda-feira (14) o Cadastro Nacional de Celulares com Restrição (CNCR). A ferramenta reúne informações sobre aparelhos com registro de roubo, furto ou extravio e estará disponível tanto para os cidadãos quanto para as autoridades.

A medida busca apoiar a recuperação de aparelhos pelas forças de segurança e permitir que o consumidor consulte a situação de um celular antes de comprá-lo ou habilitá-lo.

Integração com sistemas já existentes

O novo cadastro unifica dados do Projeto Celular Seguro, do Cadastro de Estações Móveis Impedidas (CEMI) e da Base Nacional de Boletins de Ocorrência. A gestão da plataforma será feita pela Secretaria-Executiva do ministério.

A portaria determina que os dados devem ser usados exclusivamente para fins de segurança pública e estejam em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O CNCR não substitui o boletim de ocorrência nem garante segurança jurídica ao consumidor, servindo apenas como base consultiva.

Noite do pagode faz história no Festival de Inverno de Garanhuns

A noite do domingo (13) coroou o sucesso do primeiro final de semana do 33º Festival de Inverno de Garanhuns. Com público superior a 80 mil pessoas, Sorriso Maroto, Dilsinho, Amor Eterno e Sambar & Love incendiaram a Praça Mestre Dominguinhos. A plateia também vibrou com o anúncio de uma nova atração para a próxima edição do FIG: Belo, que estará pela primeira vez no Maior Festival Multicultural da América Latina.

Pela primeira vez em Garanhuns, a banda recifense Sambar & Love foi responsável por abrir a noite, que já contava com praça cheia. Em seguida, Amor Eterno realizou uma apresentação vibrante, comprovando o sucesso do grupo garanhuense no pagode.

O grupo Sorriso Maroto eletrizou a multidão que ansiava pela primeira apresentação em praça pública na cidade. Com um repertório de grandes sucessos, a banda entregou tudo que se propôs, como comentou o vocalista Bruno: “Um dos nossos maiores prazeres é encontrar o público apaixonado pela nossa música. Por isso, prometemos entregar tudo aqui: muito amor, muita alegria, pra galera viajar no tempo e também cantar as novas canções”.

Encerrando a noite de domingo e o primeiro final de semana do 33º FIG, Dilsinho também se apresentou pela primeira vez no palco da Praça Mestre Dominguinhos. Sucessos como “Péssimo Negócio”, “Refém” e “Diferentão” comprovaram o sucesso do artista, que é um dos expoentes da nova geração do pagode.

A 33ª edição do FIG segue até o dia 27 de julho, com 20 polos culturais e diversas linguagens artísticas. Na segunda semana de atrações, grandes nomes da música brasileira, como Bruno e Marrone, Alceu Valença, Ana Carolina, Oswaldo Montenegro e Jorge Aragão se apresentam no Polo Mestre Dominguinhos.

Caruaru Shopping promove, a partir do dia 14, o Espaço do Artesanato

O Caruaru Shopping sediará, a partir do dia 14 de julho, mais um evento, o Espaço do Artesanato. A feira acontecerá no corredor do supermercado e funcionará conforme o horário do centro de compras e convivência.

De acordo com o gerente de Marketing do Caruaru Shopping, Walace Carvalho, o Espaço do Artesanato é um destino imperdível para quem busca produtos únicos e feitos com amor.

Lá, o visitante irá encontrar artigos em crochê, bolsas exclusivas, laços de cabelo, bem como produtos religiosos, a exemplo de esculturas, terços e chaveiros.

Uma variedade de doces caseiros, velas aromáticas, óleos essenciais, entre outros produtos, também estarão à disposição do público.

O Caruaru Shopping fica localizado na Avenida Adjar da Silva Casé, 800, Bairro Indianópolis.

Veículo tomado de assalto é recuperado poucos minutos depois pela PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou, na manhã desta segunda-feira (14), a prisão de um homem e a recuperação de um veículo roubado poucos minutos antes.

As equipes do Nucleo de Operações Especiais (NOE) da PRF estavam realizando policiamento ostensivo nas imediações do KM 78 da BR-101, quando por volta das 07h30, foram alertadas por usuários da via sobre um veículo Argo de cor cinza que teria acabado de ser roubado no bairro de Três Carneiros.

Ao se aproximar do veículo para averiguação, o condutor empreendeu fuga em alta velocidade, desrespeitando as ordens de parada e realizando diversas manobras perigosas, como arrancadas e frenagens bruscas, colocando em risco a segurança dos demais usuários da rodovia. Nas imediações do KM 80 (proximo a entrada da Muribeca), o veículo fez um retorno sobre o canteiro central e continuou a fuga por mais alguns metros até colidir na traseira de um caminhão baú não identificado.

Nesse momento, o condutor tentou fugir a pé, misturando-se às pessoas que andavam no local, para despistar os policiai, mas foi rapidamente identificado e detido pelos policiais da PRF.

Durante a abordagem, o suspeito confessou ter acabado de roubar o veículo momentos antes, e indicou que a arma utilizada estaria sob o banco do passageiro. A equipe policial realizou a busca veicular e encontrou um revólver calibre .38 com seis munições, que estava engatilhado e pronto para uso.

O veículo, um FIAT ARGO de cor cinza, ainda não possuía registro de roubo no sistema, em função do pouco tempo decorrido desde o crime.

Após a constatação dos fatos, o autor foi encaminhado à Polícia Civil de Pernambuco (PC/PE) para as providências cabíveis.

Ele será autuado pelos crimes de roubo e de dirigir veículo automotor em via pública sem habilitação, gerando perigo de dano.

25ª Fenearte atrai multidões no primeiro fim de semana da edição

Os corredores estiveram lotados neste primeiro fim de semana da *25ª Fenearte* – Feira Nacional de Negócios do Artesanato, reafirmando o tema da edição: _A Feira das Feiras._ Durante o sábado (12) e o domingo (13), uma multidão compareceu ao Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda, e se dividiu em ruas repletas de arte popular do Brasil e do mundo. Desde a abertura, o evento vem batendo o recorde de bilheteria das cinco últimas edições.

Antes mesmo da abertura dos portões, às 10h — como ocorre aos sábados e domingos —, o público já aguardava para entrar no pavilhão a fim de prestigiar as atrações da feira e garantir as compras do ano. A programação, que incluiu não só o artesanato, mas também desfiles de moda, aulas de gastronomia, shows, oficinas e exposições, atraiu um público variado, de todas as idades e de diversos locais, tanto de Pernambuco quanto de outros estados do país.

O professor Rafael Andrade, do Recife, visita a Fenearte todos os anos e detalhou que, apesar da grande quantidade de público no local, as ruas espaçosas tornaram a experiência agradável. “Eu sabia que haveria muita gente no fim de semana, mas vir à feira já virou tradição para mim. Realmente estava lotado, mas a organização da Fenearte está de parabéns, pois não ficou apertado nem tumultuado. Os espaços entre as fileiras de estandes são amplos, e isso me deixou bem confortável. Gostei tanto que pretendo voltar no último dia para aproveitar as promoções.”

*Vendas em alta*

A ceramista Naide Jucá, de Tracunhaém, participa da Fenearte há 20 anos e revelou que esta edição excedeu as suas expectativas. “Nos primeiros cinco dias de feira, a gente superou o lucro [bruto] dos 12 dias do ano passado”, conta a artesã. Em 2024, o montante arrecadado, após deduções, foi de R$ 20 mil. Com isso, a artesã agora espera alcançar entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. “A procura pelo nosso trabalho está sendo imensa. Quem entra aqui, não sai sem nada.”

A Confeitaria Manuê, do chef Ywri Rafael, esgotou a produção de aproximadamente 177 kg de bolo, no último sábado (12). “A gente pensou que essa produção conseguiria atender toda a extensão da feira. Eu vendi aqui o que não vendi na minha vida inteira. Superou todas as minhas expectativas. A gente tá virando noite para produzir porque o movimento está impressionante”, comemora. A perspectiva do confeiteiro era alcançar até R$ 50 mil de lucro com a feira — meta atingida no último domingo.

O sucesso das vendas de bilhetes em todos os dias da primeira semana de feira é um aceno positivo à expectativa de renovar ou superar os recordes do último ano, quando foram alcançados R$ 108 milhões de impacto econômico, circulação de cerca de 320 mil pessoas pela feira e aprovação do público de 98,6%. Dados consolidados da edição 2025 serão divulgados pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), realizadora da Fenearte, ao fim da edição.

*FENEARTE 25 ANOS – “A FEIRA DAS FEIRAS”*

Política pública que já marcou a história do artesanato brasileiro e que continua vibrante e aguardada por mestres, artesãos e toda a gente que reverencia a cultura popular, a *Fenearte — Feira Nacional de Negócios do Artesanato* chega à 25ª edição envolta por uma atmosfera de festa. Neste ano, a Maior Feira de Artesanato da América Latina fará uma celebração à própria memória, com o tema *“A Feira das Feiras”*. Será de 09 a 20 de julho, no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda.

Ao mesmo tempo em que valoriza a própria história, a *25ª Fenearte* fará a sua comemoração evocando as feiras livres de todo o Estado. Foram nelas onde primeiro os artesãos puderam mostrar as suas artes e delas sobreviverem, como os mestres do barro em Caruaru, os loiceiros e os seus utilitários; os artesãos da cestaria em palha, do vestuário em couro e dos brinquedos de madeira e de pano; as rendeiras que resistem na Feira da Renascença de Pesqueira.

Realizada pelo Governo do Estado por meio da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco — Adepe, a *25ª Fenearte* já está com ingressos à venda pelos sites da Fenearte e Adepe e em pontos físicos.

*25ª Fenearte — Feira Nacional de Negócios do Artesanato*

*Quando:* 09 a 20 de julho de 2025

*Onde:* Pernambuco Centro de Convenções (Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n – Salgadinho, Olinda)

*Horários:*

Segunda a sexta-feira — 14h às 22h

Sábado e domingo — 10h às 22h

*Ingressos:*

Segunda a quinta-feira — R$ 12 (entrada inteira) e R$ 6 (meia-entrada)

Sexta-feira a domingo — R$ 16 (entrada inteira) e R$ 8 (meia-entrada)

À venda pelos sites www.fenearte.pe.gov.br, www.adepe.pe.gov.br e www.evenyx.com/25a-fenearte, além de pontos de venda nos shoppings *Boa Vista* (quiosque Ticket Folia); *Plaza* (loja Crabolando); *RioMar* (quiosque Ingresso Prime) e *Tacaruna* (lojas Club da Miçanga). Além das unidades da *Casa do Pará* (Boa Viagem, Casa Forte, Caxangá, Espinheiro, Imbiribeira, Olinda, Piedade, Pina, Porto de Galinhas e também em João Pessoa) e da *Trois Barbearia* (Boa Viagem, Parnamirim, shoppings Recife e RioMar, além de Caruaru).

Acic e Facep abrem inscrições para evento sobre a Reforma Tributária

A seis meses do início da transição da Reforma Tributária, as dúvidas sobre o processo ainda geram insegurança para empresas de todos os portes e setores. Pensando nisso, a Associação Comercial e Empresarial de Caruaru (Acic) e a Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Pernambuco (Facep), com patrocínio da Torres e Tenório Assessoria Contábil e em parceria com a Faculdade Nova Roma, promovem, no dia 17 de julho, das 18h às 21h, no auditório da Acic, o talk Reforma Tributária em Movimento: o que muda na prática?. As inscrições devem ser realizadas pelo link: https://bit.ly/talkreformatributaria25.

O investimento é de R$ 20 para associados à Acic ou a outras associações comerciais e de R$ 35 para não associados. Participam como convidados técnicos a doutora em Direito, advogada e professora Rosa Freitas; o contador, advogado e especialista em tributos André Tenório; e a especialista em Direito Tributário e Planejamento Empresarial Simone Martins. A mediação será da advogada, mestre em Direitos Humanos e professora universitária Milwia Anjos. “É fundamental entender que vamos passar por transformações de grande impacto. É um tema complexo, com muitos detalhes que somente especialistas podem nos ajudar a compreender. Por isso, esse evento é indispensável”, afirma Cláuston Pacas, presidente da Acic.

O palestrante André Tenório ressalta a importância de se preparar com antecedência. “A Reforma Tributária ainda gera muitas dúvidas entre os empresários. Muitos não entenderam a dimensão das mudanças, mas elas já estão em curso desde a alteração da Constituição em 2023. Como contador, tenho recebido uma crescente demanda de clientes preocupados com os impactos práticos. A reforma muda profundamente a forma de administrar os negócios, afetando desde a precificação até a relação com fornecedores. É essencial se informar e se preparar desde já”.

*Serviço*

*Evento:* Reforma Tributária em Movimento: o que muda na prática?

*Data:* 17 de julho

*Horário:* A partir das 18h

*Local:* Acic – Rua Armando da Fonte, nº 15, Maurício de Nassau, Caruaru

*Investimento:* R$ 20 (associados) | R$ 35 (não associados)

*Inscrições:* https://bit.ly/talkreformatributaria25.

Aumento de mortes súbitas em jovens acende alerta entre especialistas

Nos últimos anos, um fenômeno tem preocupado médicos, educadores físicos e familiares: o aumento no número de casos de morte súbita entre jovens, especialmente aqueles envolvidos em atividades esportivas. Embora ainda seja considerado um evento raro — com incidência estimada entre 1 e 3 casos para cada 100 mil atletas jovens por ano — o impacto é devastador, não apenas pelas perdas humanas, mas também pela imprevisibilidade desses episódios.

A morte súbita, por definição, é aquela que ocorre de forma inesperada, geralmente por causas cardíacas, em indivíduos aparentemente saudáveis. De acordo com a literatura médica e com a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (SBAFS), as principais causas envolvem doenças cardíacas silenciosas, como a cardiomiopatia hipertrófica — responsável por cerca de 36% dos casos — e anomalias nas artérias coronárias, além de arritmias hereditárias e outras condições congênitas muitas vezes não diagnosticadas.

Um dado que chama atenção é o perfil predominante das vítimas: jovens do sexo masculino, fisicamente ativos, praticantes de esportes de alta intensidade como futebol, corrida, basquete ou natação. Muitos não apresentam qualquer sintoma até o momento da parada cardíaca. Estudos apontam que cerca de 90% dos casos ocorrem em indivíduos considerados saudáveis por familiares, treinadores e até por exames de rotina pouco aprofundados.

Para o professor de Educação Física da Wyden e mestre em Hebiatria (especialidade voltada para o cuidado dos adolescentes), Murilo Gominho, o problema precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo do desenvolvimento juvenil. “A adolescência é uma fase extremamente importante na vida das pessoas porque comportamentos adquiridos nessa fase da vida comumente são levados para a vida toda. Por isso, é extremamente importante introduzir um estilo de vida saudável — e a prática de atividade física está inserida dentro deste contexto”, afirma.

Dados recentes reforçam essa visão: segundo a American Academy of Pediatrics, adolescentes sedentários apresentam uma incidência de até 6,2 casos de mal súbito por 100 mil pessoas ao ano. Já entre os adolescentes considerados ativos, esse número cai para 1 ou 2 casos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ou seja, a própria atividade física, quando bem orientada, é um fator de proteção.

“Então, a prática de atividade física ou exercício físico nesta fase da vida auxilia na prevenção da morbimortalidade e de diversos outros agravos que podem estar associados a causas de mal súbito”, destaca Gominho. Ele também ressalta a importância de acompanhamento especializado: “Para uma maior segurança durante o treino, esse adolescente deve ser acompanhado por profissionais devidamente habilitados — e, se possível, especializados nesse grupo. Esses profissionais irão avaliar a condição de saúde do adolescente e respeitar as fases maturacionais. Caso venha a ser necessário, poderão solicitar a declaração médica”, ressalta Murilo.

Diante desse cenário, a SBAFS reforça a importância de protocolos mais rigorosos de avaliação cardiovascular, sobretudo antes do início de atividades físicas intensas. A triagem recomendada inclui uma anamnese detalhada, histórico familiar de doenças cardíacas, exame físico e, fundamentalmente, a realização de eletrocardiograma (ECG) em repouso. Em casos suspeitos, exames complementares como ecocardiograma, teste de esforço e, eventualmente, ressonância magnética ou estudo genético podem ser decisivos para o diagnóstico precoce.

Medidas simples podem salvar vidas. Uma das mais eficazes é a presença de desfibriladores externos automáticos (DEA) em escolas, academias, clubes e eventos esportivos, além do treinamento de equipes para atuação rápida em situações de emergência. Estudos mostram que a sobrevida em casos de parada cardíaca pode ultrapassar 70% quando a desfibrilação é aplicada nos primeiros três minutos.

Apesar do medo que o tema possa gerar, especialistas ressaltam que a prática de atividades físicas continua sendo essencial para a saúde dos jovens. O objetivo não é afastá-los do esporte, mas garantir que ele seja praticado com segurança. Com triagem adequada, protocolos de emergência e orientação profissional qualificada, é possível minimizar os riscos e preservar vidas.