MEC Livros empresta mais de 3 mil títulos por dia; veja os mais lidos

09/04/2026 - Browser e app da página do MEC LIVROS. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A plataforma MEC Livros alcançou a marca de 468 mil obras literárias acessadas gratuitamente desde o lançamento da ferramenta, em abril deste ano, o que resulta em uma média de 3,4 mil livros por dia.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), mais de 107 mil livros foram vistos integralmente, com pelo menos 90% do conteúdo lido.

Somado todo o tempo de leitura de todos os usuários na plataforma, foram registradas 269 mil horas, o equivalente a cerca de 30 anos de leitura ininterrupta.

A biblioteca digital do Brasil tem registrados 862 mil usuários em todo o país, dos quais 44% já pegaram ao menos uma obra emprestada.

A iniciativa do governo federal de emprestar os livros tem o objetivo de ampliar o acesso público e gratuito a obras literárias em formato digital, que podem ser acessadas gratuitamente por computadores, tablets e smartphones.

Os mais lidos

No total, 13 mil títulos diferentes já foram emprestados e, ao menos, folheados, entre os mais de 25 mil disponibilizados na plataforma.

Entre todos eles, o livro mais lido é ‘A Cabeça do Santo‘, da jornalista e escritora brasileira Socorro Acioli, com 27.479 empréstimos. A obra foi desenvolvida em uma oficina de Gabriel García Márquez, colombiano que venceu o Nobel da Literatura em 1982, e conta a história de um jovem que descobre possuir o dom de ouvir as preces de mulheres para Santo Antônio.

TOP5 de mais emprestados no MEC Livros:

A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli;
Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski;
Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski;
A Vegetariana, de Han Kang;
Sem Despedidas, de Han Kang.

Rio de Janeiro (RJ) 05/11/2024 - Trilha de Letras, da TV Brasil, recebe escritora Socorro Acioli
Frame TV Brasil
Trilha de Letras, da TV Brasil, recebe escritora Socorro Acioli Frame TV Brasil – Frame TV Brasil

Acervo

A plataforma MEC Livros disponibiliza livros nacionais e internacionais que contribuam para a aprendizagem e formação de estudantes, além de difundir o patrimônio literário, incentivar o hábito de leitura, modernizar o ensino e promover a integração de novas tecnologias na educação.

Na primeira página, está disponível uma lista de livros do catálogo, organizados por categorias como “Em Alta”, “Best-Sellers”, “Autores Clássicos Brasileiros”, “Sucessos internacionais”, “Mais buscados”, entre outras.

Como funciona

Para ter acesso às obras, basta acessar o site ou o aplicativo MEC Livros e fazer o login com a conta do Gov.br.

O usuário pode buscar um livro pelo título ou autor. Com base na pesquisa, a plataforma pode sugerir títulos semelhantes.

Ao clicar na capa do livro que deseja pegar emprestado, há a opção de ler antes o resumo sobre a obra no botão “Mais informações”.

Ao clicar nesse botão, o app abrirá uma nova página que contém o botão “Emprestar e Ler”, basta selecioná-lo e o livro estará à disposição para leitura.

O prazo de empréstimo é de 14 dias. No fim deste prazo, o usuário pode optar pela renovação do empréstimo pelo mesmo período ou pela devolução do título.

Os usuários que tiverem lido ao menos 10% da obra poderão devolvê-la antecipadamente e realizar um novo empréstimo. O mesmo vale para quem já tiver concluído 90% ou mais do conteúdo e desejar encerrar a leitura antes do prazo.

Somente após a devolução deste livro será possível tomar um novo livro emprestado. É permitido o empréstimo de até duas obras por mês por Cadastro de Pessoa Física (CPF).

Pai de Henry Borel pede anulação de julgamento de Monique Medeiros

Leniel Borel, pai de Henri fala antes da audiência de instrução no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

O pai do menino Henry Borel, Leniel Borel, entrou nesta segunda-feira (8) com recurso pedindo a anulação do julgamento que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe da criança.

No último dia 4 de junho, a juíza Elizabeth Louro, que presidiu o julgamento, concedeu o perdão judicial a Monique Medeiros. O júri havia decidido desclassificar a acusação de homicídio intencional para homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) e condená-la pelo crime de tortura por omissão.

Ao aplicar o perdão judicial, a juíza justificou que Monique já sofreu um castigo severo, o suficiente. A magistrada criticou a “reação desproporcional da sociedade, classificando-a como discriminatória e fruto de uma cultura que exige que a mulher seja uma mãe perfeita”. Monique foi sentenciada a 1 ano e 4 meses de detenção pelo crime de tortura e como já vinha cumprindo prisão preventiva, a pena foi considerada encerrada.

A defesa de Leniel Borel argumenta que “os jurados já haviam reconhecido a materialidade e a autoria atribuídas a Monique, bem como rejeitado a tese absolutória apresentada pela defesa”.

“Contudo, na sequência da votação, foram submetidos a novos quesitos cujas respostas se mostraram incompatíveis com as conclusões anteriormente alcançadas pelo próprio Conselho de Sentença, gerando contradição interna no veredicto e comprometendo a correta interpretação da vontade soberana dos jurados”, destaca o advogado Cristiano da Rocha Medina, que representa Leniel Borel.

Segundo o recurso, o perdão judicial “impede a identificação inequívoca da real manifestação do Conselho de Sentença”. A defesa requer a anulação do julgamento e a realização de novo júri.

“O respeito à soberania dos veredictos pressupõe que a vontade dos jurados seja manifestada de forma clara, coerente e livre de contradições. Quando há dúvida objetiva sobre o alcance das respostas fornecidas pelo Conselho de Sentença, impõe-se a realização de novo julgamento para que a decisão reflita, de maneira inequívoca, a vontade dos jurados”, conclui.

De acordo com o promotor de Justiça, Fábio Vieira, que atuou no júri, o Ministério Público recorreu da decisão, “uma vez que, em uma primeira quesitação, Monique foi considerada responsável pela morte dolosa de Henry. Assim, entendemos que ela também deveria ter sido condenada pelo homicídio doloso”.

Defesa de Jairinho
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte de Henry Borel Medeiros, de 4 anos, ocorrida em 8 março de 2021.

A defesa de Jairinho também apresentou recurso nesta segunda-feira (8) contra a condenação. Os advogados alegam parcialidade da juíza Elizabeth Machado Louro. Segundo os advogados, a questão vem sendo levantada desde o início do processo e ganhou força após críticas feitas pelo Ministério Público e pela assistência de acusação em relação ao perdão judicial para Monique Medeiros.

A defesa sustenta que, “caso a Justiça reconheça vícios capazes de anular o julgamento de Monique Medeiros, o mesmo entendimento deve ser aplicado a Jairinho”.

Os advogados afirmam que um eventual novo júri deveria ocorrer sem as supostas nulidades apontadas ao longo da tramitação do processo.

Defesa de Monique
Os advogados que atuam na defesa de Monique ressaltaram que “o Tribunal do Júri constitui uma das mais importantes garantias constitucionais do Estado Democrático de Direito, sendo a soberania dos veredictos um princípio expressamente assegurado pela Constituição da República de 1988”.

Em nota, eles avaliam que o julgamento foi pautado pela análise das provas produzidas na instrução processual, dentro das regras que regem o procedimento do júri popular.

Ao longo de todo o processo, a defesa de Monique sustentou que “ela não praticou qualquer agressão contra seu filho e que seu maior erro foi não conseguir perceber, a tempo, a violência que ela e seu filho sofriam. A morte de Henry representa uma tragédia irreparável para todos os envolvidos neste caso”.

Copa do Mundo: exames de Neymar apontam ‘boa evolução’ , afirma CBF

Neymar em sessão de fisioterapia em 06/06/2026 - seleção brasileira - Copa do Mundo 2026
© Nelson Terme/CBF/Direitos Reservados
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nesta segunda-feira (8) uma nota oficial a respeito da recuperação do atacante Neymar, que se apresentou com uma lesão na panturrilha direita. Segundo o texto, o camisa 10 da seleção do Brasil passou por uma ressonância magnética que mostrou “boa evolução, dentro dos parâmetros esperados”. Não há, no entanto, nenhuma previsão sobre o retorno do jogador aos gramados. A nota se limita a dizer que Neymar “seguirá o processo de recuperação e de preparação física planejado pela comissão médica da Seleção Brasileira.”

A estreia do Brasil na Copa do Mundo acontecerá no próximo sábado (13), às 19h (horário de Brasília), diante da seleção de Marrocos, em Nova Jersey, local onde a equipe comandada por Carlo Ancelotti vem se preparando. No último sábado, o grupo viajou para Cleveland, onde derrotou o Egito por 2 a 1 em amistoso. Neymar, no entanto, não acompanhou o resto da delegação, mantendo a programação de recuperação.

À época da convocação da seleção para a Copa, no dia 18 de maio, a informação passada pelo Santos, clube de Neymar, era de que o atleta tinha um edema na panturrilha. No entanto, ao se apresentar para os treinos na Granja Comary, em Teresópolis, nove dias depois, o jogador passou por exames complementares que apontaram uma lesão de grau dois na região. No dia seguinte, o médico da seleção, Rodrigo Lasmar, afirmou que Neymar necessitaria de mais duas a três semanas para se recuperar. Segundo este cronograma, a primeira data possível para a volta do jogador seria a próxima quinta-feira, dia 11.

A Fifa permite mudanças na lista de convocados até 24 horas antes da estreia da equipe. No entanto, em entrevista coletiva, também em Teresópolis, no dia 30, Ancelotti confirmou que Neymar não será cortado.

Governadora Raquel Lyra comanda formatura e entrega 182 novos oficiais da PMPE para reforçar segurança pública de Pernambuco

Em mais um passo importante para o fortalecimento da segurança pública de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra comandou, nesta segunda-feira (8), a formatura de 182 novos oficiais da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE). A turma, composta de 142 homens e 40 mulheres, passa a reforçar os batalhões em toda a Região Metropolitana do Recife, a partir de 15 junho. A formatura do Curso de Formação de Oficiais (CFO), marcou um avanço no recompletamento do efetivo da corporação, garantindo a segurança da população pernambucana.

“Hoje entregamos, após 12 meses de formação, 182 novos oficiais para a Polícia Militar de Pernambuco. Eles se somam aos mais de 6.500 profissionais das forças de segurança já nomeados desde janeiro de 2023. Vivemos o melhor momento da nossa história na redução dos crimes violentos, das mortes e dos roubos, mas sabemos que ainda há muito a avançar. Por isso, estamos fazendo o maior investimento da história da segurança pública de Pernambuco, com mais de R$ 2 bilhões aplicados em equipamentos, estrutura e na formação de novos policiais, bombeiros e policiais civis”, ressaltou a governadora Raquel Lyra.

A cerimônia aconteceu no Quartel do Comando Geral (QCG), no bairro do Derby, no Recife. Agora aspirantes a oficial, eles deverão alcançar o posto de 2º tenente em seis meses, assumindo funções de comando e gestão em áreas operacionais e administrativas.

“Mais um dia de festa para a segurança pública em Pernambuco. É a recomposição do efetivo sendo feita de maneira sucessiva. São investimentos concretos e que estão se tornando realidade para o povo pernambucano. O efetivo que vem chegando só nos dá uma perspectiva de melhora na segurança pública em Pernambuco”, destacou Alessandro Carvalho, secretário de Defesa Social de Pernambuco.

Durante a solenidade, os novos oficiais receberam a espada, um símbolo da carreira, e devolveram o espadim, marcando o encerramento do ciclo formativo. O gesto reforça o compromisso com a disciplina militar, a hierarquia e a defesa da sociedade pernambucana.

O comandante-geral da PMPE, coronel Ivanildo Torres, destacou o impacto da formação. “Hoje é um momento importante, é um momento festivo e de continuação de entregas. Hoje, mais 182 novos policiais militares chegam para liderar nossa instituição. Essa formatura consolida a gestão e liderança da Polícia Militar de Pernambuco. Ao total, nós vamos ter uma entrega de 520 novos oficiais para os futuros 35 anos da corporação”, afirmou.

O primeiro colocado do CFO, o aspirante a oficial Gustavo Maciel, de 26 anos, natural de Arcoverde, no Sertão do Moxotó, destacou a emoção do momento. “Eu tenho a Polícia Militar no meu sangue e no meu coração desde os 16 anos. Para mim, é uma vitória o dia de hoje, uma conquista muito grande. Sou orgulhoso em poder servir à bicentenária Polícia Militar de Pernambuco”, disse.

A nomeação dos novos oficiais da Polícia Militar integra o Programa Juntos pela Segurança, que destina R$ 2,3 bilhões à segurança pública de Pernambuco. Além dos novos oficiais, uma terceira turma está prevista para ser formada até o fim deste ano, todas provenientes do concurso unificado de 2023, que prevê a inserção de mais de 7 mil novos servidores para as operativas da SDS até 2026.

Presente na solenidade, o deputado federal Túlio Gadêlha, ressaltou a importância da formatura para a segurança da população. “O Governo de Pernambuco cuida do povo. Com essa formatura de hoje, o povo do nosso Estado recebe profissionais qualificados e prontos para estar na rua, cuidando da nossa população”, frisou.

Estiveram presentes o deputado federal Mendonça Filho; os deputados estaduais Renato Antunes e Jarbas Filho; os secretários estaduais Roberto Asfora Filho (Turismo e Lazer), Ana Maraíza (Administração) e coronel Hercílio Mamede (Casa Militar). Também participaram o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, coronel Eduardo Araripe; o delegado-geral da Polícia Civil de Pernambuco, Felipe Monteiro; e o gerente-geral da Polícia Científica, Wagner Bezerra.

Ministério da Saúde suspende vacina contra a dengue do Butantan

O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a suspensão temporária da imunização contra a dengue no país com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A pasta informou que 42 pessoas apresentaram sintomas mais severos após a vacinação, sendo que três precisaram de internação e dois desses morreram.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que não é possível concluir que os eventos adversos foram causados pela vacina, mas representam um sinal de alerta e serão investigados por um comitê de especialistas.

“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”, disse em coletiva de imprensa.

“O Ministério da Saúde tem total confiança na capacidade institucional do Butantan”, destacou Padilha ao enfatizar a importância da vacinação para a redução e eliminação de doenças no país.

A suspensão vale apenas para a vacina produzinda pelo Butantan, e não inclui o imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório Takeda e aplicado no Sistema Único de Saúde.

Até o dia 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas em todo o país. O imunizante foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano. Na ocasião, o Ministério da Saúde adotou a estratégia de vacinação para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue.

Para isso, passou a vacinar a população em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo é composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, que é a indicação aprovada para o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em março, também foi promovida uma ação de vacinação na região de Araguaína (TO).

Em fevereiro, o SUS passou a vacinar contra a dengue os profissionais de saúde da atenção primária, com a previsão de imunizar 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente, de unidades básicas de saúde, por exemplo. Os casos graves registrados foram identificados nesse público-alvo.

O Ministério da Saúde destaca que a decisão de descontinuar a estratégia de vacinação não invalida a eficácia do imunizante. E as pessoas que foram vacinadas ainda usufruem do benefício que a vacina oferece, que é a proteção contra a dengue.

A recomendação do sistema de farmacovigilância dá mais tempo para que sejam realizados estudos adicionais para encontrar eventuais fatores de risco.

Serão investigados o histórico clínico das pessoas, as doenças preexistentes, os fatores de risco individuais, as causas alternativas, possíveis desvios de qualidade e erros de imunização.

Casos graves
A vigilância é permanente e parte da rotina do PNI, com fluxo de investigação posterior. Os casos graves foram analisados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que recomendou a suspensão da vacinação com o imunizante do Butantã.

Das pouco mais de 500 mil doses aplicadas em todo o país, 3.703 pessoas tiveram sintomas parecidos com os da dengue – 0,7% do total de vacinados.

Desses, 42 apresentaram sintomas de alarme, que são: dor abdominal, vômito persistente ou sangramento – 0,008% dos vacinados – eventos raros, porém inesperados, já que não foram relatados durante a fase de estudos da vacina.

Três pessoas apresentaram sintomas graves e foram hospitalizadas:

Uma mulher, 39 anos, apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após receber a vacina, evoluindo para sintomas de dengue grave, com choque e necessidade de UTI; recebeu alta.
Uma mulher, 48 anos, desenvolveu sintomas de dengue grave, com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após a vacinação; evoluiu para óbito.
Um homem, 58 anos, iniciou quadro febril cinco dias após a vacinação, evoluindo rapidamente para sintomas de dengue graves, com choque refratário; evoluiu para óbito.
Observação
Segundo o ministro Alexandre Padilha, a população que recebeu a vacina do Instituto Butantan nos últimos 21 dias terá um acompanhamento especial para identificar algum sinal ou qualquer outra reação adversa.

A orientação do Ministério da Saúde é procurar uma unidade de saúde em caso de intensificação dos seguintes sintomas: febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.

Reavaliação da estratégia
Em nota, o Instituto Butantan informou que a vacinação contra a dengue será temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.

“O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS”, disse a instituição.

Segundo o Instituto, a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população, o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.

*Texto ampliado às 18h08 para acréscimo de informações

Maior Cuscuz do Mundo atrai milhares de pessoas por mais um ano

Foi realizada, nesse domingo (7), no Alto do Moura, a comemoração de uma das comidas gigantes mais importantes do São João de Caruaru: o Maior Cuscuz do Mundo. Em sua 33ª edição, o evento reuniu milhares de pessoas.

Patrícia Silva faz parte da organização do evento há oito anos e destacou o orgulho em desenvolver esse trabalho. “Queria deixar registrado meu orgulho, como empresa e como equipe, de fazer parte do Maior Cuscuz do Mundo. Não existe São João de Caruaru sem o cuscuz. Não é apenas uma comida que as pessoas vêm e comem, ele se tornou uma tradição cultural de Caruaru. Tanto que estamos levando cuscuz para outros estados. As pessoas estão começando a valorizar ainda mais a nossa cultura”, contou.

O cuscuz, que impressiona por sua estrutura gigante, alimenta tranquilamente a multidão com seus 800 kg de flocos de milho e 200 kg de acompanhamentos. O público vibrou com o momento mais esperado da tarde, quando a cuscuzeira foi destampada após a chegada do Trio Asas da América, que arrastou uma multidão na caminhada do forró.

Ainda no trio, o idealizador José Augusto, Patrimônio Vivo de Caruaru, fez um emocionante discurso sobre a importância do cuscuz para a cultura local, sendo bastante aplaudido pelo público presente.

A grandiosidade do cuscuz não atrai apenas caruaruenses e turistas. Comerciantes de outras cidades também aproveitam a oportunidade para aumentar a renda, como é o caso de José Paulo. “Eu sou de Recife e venho há cinco anos aproveitar a festa e vender minhas balas. Na primeira vez, foram amigos que me convidaram e, depois, vi a possibilidade de comercializar meus produtos. É o que venho fazendo nos últimos anos. Consigo me divertir e ganhar dinheiro ao mesmo tempo”, destacou.

Mas não são apenas turistas e comerciantes que prestigiam o evento. Os próprios caruaruenses também fazem questão de participar da festa. Segundo Lucivânia Ramos, o Maior Cuscuz do Mundo é uma das celebrações mais aguardadas do período junino. “Particularmente, a festa de hoje é a que eu mais gosto. Já venho por cinco anos consecutivos e, por ser durante o dia, a gente curte bem mais e ainda consegue ir para o pátio à noite”, finalizou.

Parque Natural Municipal Professor João Vasconcelos Sobrinho celebra 43 anos como patrimônio ambiental de Caruaru

Nesse domingo (7), o Parque Natural Municipal Professor João Vasconcelos Sobrinho, conhecido como Serra dos Cavalos, celebra 43 anos de existência. Administrado pela Secretaria de Sustentabilidade e Bem-Estar Animal (SSB), o espaço é um dos principais patrimônios ambientais de Caruaru e desempenha papel fundamental na conservação dos recursos naturais da região.

A Prefeitura de Caruaru, reforça o compromisso com a conservação da área, a proteção da biodiversidade e o fortalecimento das políticas públicas voltadas à sustentabilidade, garantindo que Serra dos Cavalos continue sendo uma referência ambiental para Pernambuco e para o Brasil.

Com uma importante área de reserva ambiental, o parque abriga remanescentes da Mata Atlântica, diversas espécies da fauna e da flora nativas, além de nascentes que contribuem para o equilíbrio ecológico e para a segurança hídrica do município. Ao longo de mais de quatro décadas, o Parque consolidou-se como um símbolo da preservação ambiental e da conscientização sobre a importância do desenvolvimento sustentável.

“Celebrar os 43 anos de Serra dos Cavalos é reafirmar o compromisso de Caruaru com a preservação ambiental. Este patrimônio natural protege nossa biodiversidade, nossas nascentes e contribui para a qualidade de vida da população, sendo um legado que deve ser cuidado e valorizado por todas as gerações”, destacou o secretário, Fagner dos Animais.

Governadora Raquel Lyra entrega novos 40 ônibus e avança na renovação da frota do transporte na Região Metropolitana do Recife

A governadora Raquel Lyra entregou, nesta segunda-feira (8), 40 novos ônibus que passam a reforçar a frota do Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana do Recife (STPP/RMR). Garantindo segurança e conforto, os veículos possuem ar-condicionado, plataforma elevatória para pessoas com deficiência e espaço reservado para usuários de cadeira de rodas. Os novos equipamentos foram adquiridos através do novo PAC do governo federal. Anualmente, o Governo de Pernambuco investe cerca de R$ 500 milhões no transporte coletivo da RMR, garantindo um amplo programa de renovação, modernização e melhoria da qualidade do transporte público.

“Temos trabalhado para melhorar o transporte público de passageiros na Região Metropolitana do Recife. Desde 2023, já entregamos 420 novos ônibus com ar-condicionado, estamos trabalhando nas melhorias dos corredores de ônibus Norte-Sul e Leste-Oeste, em reformas de terminais, dentre outras ações, como as melhorias das vias metropolitanas. Tudo isso, para que todos os usuários do sistema, possam ir e voltar para casa com tranquilidade e segurança”, destacou a governadora Raquel Lyra.

Os veículos serão operados pela empresa Mobibrasil e atenderão as cidades de Recife, São Lourenço da Mata, Camaragibe e Olinda. Os veículos seguem um padrão de controle de emissões, contribuindo para a redução dos impactos ambientais, além de oferecer maior eficiência operacional. Com a nova remessa, o Governo do Estado alcança a marca de 80 ônibus novos incorporados ao sistema em 2026, reforçando o compromisso da gestão estadual com a modernização da frota e a melhoria da mobilidade urbana.

“Temos enfrentado o desafio de transformar a mobilidade urbana na RMR. Hoje, com a entrega desses novos ônibus, chegando à marca de 80 unidades destinadas em 2026, o Governo de Pernambuco busca ampliar e renovar nossas frotas em cidades estratégicas da RMR”, destacou o secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Pedro Neves.

O presidente do Grande Recife Consórcio de Transportes, Matheus Freitas, falou sobre as ações da gestão estadual na mobilidade urbana. “Também temos dado prioridade tanto para a requalificação dos corredores de BRT quanto das estações e dos terminais integrados. O Grande Recife tem feito sua parte, garantindo uma boa experiência ao cidadão que usa o transporte público todos os dias”, enfatizou.

A motorista Elaine Cristina, que exerce a profissão há 17 anos, destacou o impacto que os novos ônibus vão trazer no dia a dia. “Como profissional, a gente quer trabalhar com conforto e levar esse conforto para o usuário. Os carros novos garantem isso. Nós, motoristas, temos muito que agradecer”, pontuou a profissional.

Estiveram presentes na solenidade o deputado federal Eduardo da Fonte; os deputados estaduais João Paulo, Romero Sales Filho, Izaías Régis, Pastor Cleiton Collins e Henrique Queiroz Filho; os prefeitos Fátima Borba (Cortês) e Henrique Queiroz (Buenos Aires); os vereadores do Recife Alef Collins, Davi Muniz e Agora é Rubem.

A calçada é nossa, mas o poste de luz foi feito para o carro

Por Marcelo Rodrigues

Sabe aquele trecho da calçada que some do nada? Você caminha de boa e, de repente, o passeio vira rampa de garagem, ilha de cimento ou simplesmente nada. Acabou. Quem segue a pé que se vire, que desça para a rua e dispute espaço com toneladas de metal a cinquenta por hora. É assim, todos os dias, em praticamente qualquer cidade brasileira que se diga desenvolvida. A calçada não é tratada como infraestrutura essencial; é uma benesse mal administrada, um espaço a reboque do projeto viário, quando deveria ser a espinha dorsal da mobilidade.

Mas o que, afinal, transforma uma calçada em boa para quem anda? Largura é o básico, e não estou falando de faixa larga de aeroporto. Basta que duas pessoas consigam se cruzar sem encostar o ombro uma na outra, sem ter que dar meia-volta por causa de um poste engolindo o espaço. O piso precisa ser plano, contínuo, sem aquelas armadilhas que quebram tornozelos e atiram cadeirantes para a pista sem cerimônia. Arborização faz falta, porque sombra não é frescura quando o sol bate a quarenta graus e o asfalto solta vapor quente no rosto. E obstáculos? Postes no meio do caminho, placas espetadas como se o pedestre fosse invisível, lixeiras, mesas de bar, tapumes, placas de obra e, claro, carros estacionados em cima do passeio público como se estivessem em seu quintal privativo. A calçada vira depósito, garagem improvisada, extensão do comércio, palco de reforma. O pedestre vira intruso na própria cidade, obrigado a fazer slalom entre barreiras que ninguém autorizou, mas todo mundo aceita de bom grado porque, afinal, “quem anda a pé não gera trânsito”, como se mobilidade fosse sinônimo exclusivo de rodovia e asfalto.

Agora, uma pergunta que deveria incomodar muito mais gente: por que os postes de iluminação pública jogam quase toda a luz para a via dos carros? Sério. Pare e observe na próxima esquina. A laranjada amarelada do vapor de sódio — ou o branco frio do LED moderno — banha generosamente o asfalto onde já circulam veículos equipados com farol alto, farol baixo, farol de neblina, lanterna traseira de LED e, às vezes, até xenon ilegal. O carro é uma ópera de luzes próprias, um show de iluminação particular que custou caro ao dono. O pedestre, não. O pedestre tem o que? A esperança de não torcer o pé no buraco que o poste não iluminou, e a sorte de não cruzar com alguém de más intenções no escuro, parado sob a única sombra do poste que deveria protegê-lo.

Iluminar a rua e deixar a calçada na penumbra é um erro técnico grotesco — ou uma escolha política descarada — que revela quem manda de verdade no projeto urbano. A rua é o espaço sagrado do automóvel; a calçada, uma sobra mal iluminada onde você caminha por conta e risco. Na escuridão, quem anda fica vulnerável a assaltos, a buracos, a desníveis, a postes que aparecem do nada como inimigos silenciosos esperando a canela descuidada. E o pior: pagamos por isso com nossos impostos, mês após mês. A conta de iluminação pública sai do bolso de todos, inclusive do cidadão que não tem carro, para dar mais segurança visual a quem já tem quatro pneus, airbag, câmera de ré e um volante. É quase um subsídio invertido: quem menos precisa de luz pública é quem mais a recebe de bandeja, enquanto quem depende dela fica no escuro, tropeçando e rezando.

Uma calçada decente deveria ser prioridade absoluta de qualquer gestor público que se preze. Ela é o primeiro e o último trecho de toda viagem urbana: você sai de casa a pé, pega o ônibus, o metrô, talvez um aplicativo, mas sempre volta a pisar no chão da cidade. Se esse chão é quebrado, estreito, escuro e hostil, a cidade inteira se revela hostil. Não existe cidade inteligente, cidade sustentável ou cidade humana sem calçada de qualidade. Não existe urbanismo de verdade onde o pedestre é tratado como coadjuvante inconveniente que atrapalha o fluxo dos veículos e merece apenas o que sobra do orçamento e da atenção dos planejadores.

O mínimo que se poderia exigir é inverter os holofotes — literalmente. Deixe o carro com seus faróis modernos, seus sensores de luz e seu farol de xenon. O pedestre precisa enxergar onde pisa, precisa sentir que o espaço é dele, que a cidade o acolhe e não o expulsa para a beirada como um mendigo envergonhado. E, enquanto isso não acontece, a gente segue desviando de poste, pulando poça, descendo para a rua ao relento e torcendo para chegar inteiro em casa. Porque, no final das contas, a calçada até é nossa. Só que o dono da cidade ainda pensa que ela é dele, e a luz que pagamos com tanto sacrifício confirma isso todas as noites, espetacularmente, sobre o capô dos carros.

Sabe aquele trecho da calçada que some do nada? Você caminha de boa e, de repente, o passeio vira rampa de garagem, ilha de cimento ou simplesmente nada. Acabou. Quem segue a pé que se vire, que desça para a rua e dispute espaço com toneladas de metal a cinquenta por hora. É assim, todos os dias, em praticamente qualquer cidade brasileira que se diga desenvolvida. A calçada não é tratada como infraestrutura essencial; é uma benesse mal administrada, um espaço a reboque do projeto viário, quando deveria ser a espinha dorsal da mobilidade.

Mas o que, afinal, transforma uma calçada em boa para quem anda? Largura é o básico, e não estou falando de faixa larga de aeroporto. Basta que duas pessoas consigam se cruzar sem encostar o ombro uma na outra, sem ter que dar meia-volta por causa de um poste engolindo o espaço. O piso precisa ser plano, contínuo, sem aquelas armadilhas que quebram tornozelos e atiram cadeirantes para a pista sem cerimônia. Arborização faz falta, porque sombra não é frescura quando o sol bate a quarenta graus e o asfalto solta vapor quente no rosto. E obstáculos? Postes no meio do caminho, placas espetadas como se o pedestre fosse invisível, lixeiras, mesas de bar, tapumes, placas de obra e, claro, carros estacionados em cima do passeio público como se estivessem em seu quintal privativo. A calçada vira depósito, garagem improvisada, extensão do comércio, palco de reforma. O pedestre vira intruso na própria cidade, obrigado a fazer slalom entre barreiras que ninguém autorizou, mas todo mundo aceita de bom grado porque, afinal, “quem anda a pé não gera trânsito”, como se mobilidade fosse sinônimo exclusivo de rodovia e asfalto.

Agora, uma pergunta que deveria incomodar muito mais gente: por que os postes de iluminação pública jogam quase toda a luz para a via dos carros? Sério. Pare e observe na próxima esquina. A laranjada amarelada do vapor de sódio — ou o branco frio do LED moderno — banha generosamente o asfalto onde já circulam veículos equipados com farol alto, farol baixo, farol de neblina, lanterna traseira de LED e, às vezes, até xenon ilegal. O carro é uma ópera de luzes próprias, um show de iluminação particular que custou caro ao dono. O pedestre, não. O pedestre tem o que? A esperança de não torcer o pé no buraco que o poste não iluminou, e a sorte de não cruzar com alguém de más intenções no escuro, parado sob a única sombra do poste que deveria protegê-lo.

Iluminar a rua e deixar a calçada na penumbra é um erro técnico grotesco — ou uma escolha política descarada — que revela quem manda de verdade no projeto urbano. A rua é o espaço sagrado do automóvel; a calçada, uma sobra mal iluminada onde você caminha por conta e risco. Na escuridão, quem anda fica vulnerável a assaltos, a buracos, a desníveis, a postes que aparecem do nada como inimigos silenciosos esperando a canela descuidada. E o pior: pagamos por isso com nossos impostos, mês após mês. A conta de iluminação pública sai do bolso de todos, inclusive do cidadão que não tem carro, para dar mais segurança visual a quem já tem quatro pneus, airbag, câmera de ré e um volante. É quase um subsídio invertido: quem menos precisa de luz pública é quem mais a recebe de bandeja, enquanto quem depende dela fica no escuro, tropeçando e rezando.

Uma calçada decente deveria ser prioridade absoluta de qualquer gestor público que se preze. Ela é o primeiro e o último trecho de toda viagem urbana: você sai de casa a pé, pega o ônibus, o metrô, talvez um aplicativo, mas sempre volta a pisar no chão da cidade. Se esse chão é quebrado, estreito, escuro e hostil, a cidade inteira se revela hostil. Não existe cidade inteligente, cidade sustentável ou cidade humana sem calçada de qualidade. Não existe urbanismo de verdade onde o pedestre é tratado como coadjuvante inconveniente que atrapalha o fluxo dos veículos e merece apenas o que sobra do orçamento e da atenção dos planejadores.

O mínimo que se poderia exigir é inverter os holofotes — literalmente. Deixe o carro com seus faróis modernos, seus sensores de luz e seu farol de xenon. O pedestre precisa enxergar onde pisa, precisa sentir que o espaço é dele, que a cidade o acolhe e não o expulsa para a beirada como um mendigo envergonhado. E, enquanto isso não acontece, a gente segue desviando de poste, pulando poça, descendo para a rua ao relento e torcendo para chegar inteiro em casa. Porque, no final das contas, a calçada até é nossa. Só que o dono da cidade ainda pensa que ela é dele, e a luz que pagamos com tanto sacrifício confirma isso todas as noites, espetacularmente, sobre o capô dos carros.

Sabe aquele trecho da calçada que some do nada? Você caminha de boa e, de repente, o passeio vira rampa de garagem, ilha de cimento ou simplesmente nada. Acabou. Quem segue a pé que se vire, que desça para a rua e dispute espaço com toneladas de metal a cinquenta por hora. É assim, todos os dias, em praticamente qualquer cidade brasileira que se diga desenvolvida. A calçada não é tratada como infraestrutura essencial; é uma benesse mal administrada, um espaço a reboque do projeto viário, quando deveria ser a espinha dorsal da mobilidade.

Mas o que, afinal, transforma uma calçada em boa para quem anda? Largura é o básico, e não estou falando de faixa larga de aeroporto. Basta que duas pessoas consigam se cruzar sem encostar o ombro uma na outra, sem ter que dar meia-volta por causa de um poste engolindo o espaço. O piso precisa ser plano, contínuo, sem aquelas armadilhas que quebram tornozelos e atiram cadeirantes para a pista sem cerimônia. Arborização faz falta, porque sombra não é frescura quando o sol bate a quarenta graus e o asfalto solta vapor quente no rosto. E obstáculos? Postes no meio do caminho, placas espetadas como se o pedestre fosse invisível, lixeiras, mesas de bar, tapumes, placas de obra e, claro, carros estacionados em cima do passeio público como se estivessem em seu quintal privativo. A calçada vira depósito, garagem improvisada, extensão do comércio, palco de reforma. O pedestre vira intruso na própria cidade, obrigado a fazer slalom entre barreiras que ninguém autorizou, mas todo mundo aceita de bom grado porque, afinal, “quem anda a pé não gera trânsito”, como se mobilidade fosse sinônimo exclusivo de rodovia e asfalto.

Agora, uma pergunta que deveria incomodar muito mais gente: por que os postes de iluminação pública jogam quase toda a luz para a via dos carros? Sério. Pare e observe na próxima esquina. A laranjada amarelada do vapor de sódio — ou o branco frio do LED moderno — banha generosamente o asfalto onde já circulam veículos equipados com farol alto, farol baixo, farol de neblina, lanterna traseira de LED e, às vezes, até xenon ilegal. O carro é uma ópera de luzes próprias, um show de iluminação particular que custou caro ao dono. O pedestre, não. O pedestre tem o que? A esperança de não torcer o pé no buraco que o poste não iluminou, e a sorte de não cruzar com alguém de más intenções no escuro, parado sob a única sombra do poste que deveria protegê-lo.

Iluminar a rua e deixar a calçada na penumbra é um erro técnico grotesco — ou uma escolha política descarada — que revela quem manda de verdade no projeto urbano. A rua é o espaço sagrado do automóvel; a calçada, uma sobra mal iluminada onde você caminha por conta e risco. Na escuridão, quem anda fica vulnerável a assaltos, a buracos, a desníveis, a postes que aparecem do nada como inimigos silenciosos esperando a canela descuidada. E o pior: pagamos por isso com nossos impostos, mês após mês. A conta de iluminação pública sai do bolso de todos, inclusive do cidadão que não tem carro, para dar mais segurança visual a quem já tem quatro pneus, airbag, câmera de ré e um volante. É quase um subsídio invertido: quem menos precisa de luz pública é quem mais a recebe de bandeja, enquanto quem depende dela fica no escuro, tropeçando e rezando.

Uma calçada decente deveria ser prioridade absoluta de qualquer gestor público que se preze. Ela é o primeiro e o último trecho de toda viagem urbana: você sai de casa a pé, pega o ônibus, o metrô, talvez um aplicativo, mas sempre volta a pisar no chão da cidade. Se esse chão é quebrado, estreito, escuro e hostil, a cidade inteira se revela hostil. Não existe cidade inteligente, cidade sustentável ou cidade humana sem calçada de qualidade. Não existe urbanismo de verdade onde o pedestre é tratado como coadjuvante inconveniente que atrapalha o fluxo dos veículos e merece apenas o que sobra do orçamento e da atenção dos planejadores.

O mínimo que se poderia exigir é inverter os holofotes — literalmente. Deixe o carro com seus faróis modernos, seus sensores de luz e seu farol de xenon. O pedestre precisa enxergar onde pisa, precisa sentir que o espaço é dele, que a cidade o acolhe e não o expulsa para a beirada como um mendigo envergonhado. E, enquanto isso não acontece, a gente segue desviando de poste, pulando poça, descendo para a rua ao relento e torcendo para chegar inteiro em casa. Porque, no final das contas, a calçada até é nossa. Só que o dono da cidade ainda pensa que ela é dele, e a luz que pagamos com tanto sacrifício confirma isso todas as noites, espetacularmente, sobre o capô dos carros.

Marcelo Augusto Rodrigues, é jurista, observador urbano, sertanista, consultor ambiental, ex-Secretário de Meio Ambiente do Recife, e sócio proprietário do escritório de advocacia Marcelo Rodrigues Advogados.

Governadora Raquel Lyra entrega novos 40 ônibus e avança na renovação da frota do transporte na Região Metropolitana do Recife

Os veículos serão distribuídos para os municípios do Recife, São Lourenço da Mata, Camaragibe e Olinda

A governadora Raquel Lyra entregou, nesta segunda-feira (8), 40 novos ônibus que passam a reforçar a frota do Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana do Recife (STPP/RMR). Garantindo segurança e conforto, os veículos possuem ar-condicionado, plataforma elevatória para pessoas com deficiência e espaço reservado para usuários de cadeira de rodas. Os novos equipamentos foram adquiridos através do novo PAC do governo federal. Anualmente, o Governo de Pernambuco investe cerca de R$ 500 milhões no transporte coletivo da RMR, garantindo um amplo programa de renovação, modernização e melhoria da qualidade do transporte público.

“Temos trabalhado para melhorar o transporte público de passageiros na Região Metropolitana do Recife. Desde 2023, já entregamos 420 novos ônibus com ar-condicionado, estamos trabalhando nas melhorias dos corredores de ônibus Norte-Sul e Leste-Oeste, em reformas de terminais, dentre outras ações, como as melhorias das vias metropolitanas. Tudo isso, para que todos os usuários do sistema, possam ir e voltar para casa com tranquilidade e segurança”, destacou a governadora Raquel Lyra.

Os veículos serão operados pela empresa Mobibrasil e atenderão as cidades de Recife, São Lourenço da Mata, Camaragibe e Olinda. Os veículos seguem um padrão de controle de emissões, contribuindo para a redução dos impactos ambientais, além de oferecer maior eficiência operacional. Com a nova remessa, o Governo do Estado alcança a marca de 80 ônibus novos incorporados ao sistema em 2026, reforçando o compromisso da gestão estadual com a modernização da frota e a melhoria da mobilidade urbana.