Inadimplência abre o ano com alta, aponta SPC

O número de consumidores brasileiros com contas em atraso e registrados em cadastros de inadimplentes iniciou o ano de 2016 apresentando crescimento em todas as regiões pesquisadas pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). De acordo com o indicador, no último mês de janeiro, frente à igual período do ano passado, a alta mais expressiva foi na região Nordeste, onde foi verificado um aumento de 6,86% na quantidade de consumidores com dívidas em atraso. Em seguida aparecem a região Sul (4,77%), Centro-Oeste (4,59%) e Norte (3,71%). O estudo não considera os dados da região Sudeste, que estão suspensos devido à entrada em vigor da Lei Estadual 16.569/2015, que dificulta a negativação de inadimplentes no Estado de São Paulo.

Na comparação mensal, isto é, ante dezembro do ano passado, o crescimento do número de consumidores inadimplentes mostrou aceleração nas quatro regiões, influenciado por fatores sazonais: 0,93% na região Sul, 0,92% no Norte, 0,59% no Nordeste e 0,26% no Centro-Oeste.

Inadimplência continuará crescendo em 2016 preveem economistas
Levando em consideração somente o número de dívidas em atraso, com exceção da região Norte, cuja alta oscilou de 6,69% em janeiro de 2015 para 6,53% em janeiro de 2016, todas as demais regiões registraram aceleração na comparação de um ano com o outro. No Nordeste, a variação positiva passou de 4,45% em janeiro de 2015 para 8,43% em janeiro último, no Centro-Oeste, a alta foi de 4,66% para 6,69% e no Sul, houve um salto de 2,61% para 6,66% na quantidade de dívidas não pagas.

O prognóstico dos economistas do SPC Brasil é que apesar de os bancos e comerciantes estarem restringindo a concessão de crédito – fator que acaba limitando a capacidade de endividamento do consumidor – a inadimplência deve continuar crescendo nos próximos meses, em virtude da piora das condições macroeconômicas do país e do aumento da massa de desempregados.

“A aceleração da inflação tem feito com que o planejamento financeiro dos consumidores fique prejudicado, já que há perda constante do poder de compra. Além disso, a escalada nas taxas de juros encarece as parcelas das compras realizadas a prazo e dos financiamentos, dificultando assim o pagamento em dia dos compromissos financeiros”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Rodada de Negócios chega à 21ª edição

O principal evento do Polo de Confecções do Agreste está prestes a ser realizado em 2016. Entre os dias 24 e 26 deste mês, a Acic (Associação Comercial e Empresarial de Caruaru) estará promovendo a 21ª edição da Rodada de Negócios da Moda Pernambucana. Confirmada para acontecer no Polo Caruaru, às margens da BR-104, ao todo, nesta próxima edição, a Rodada reunirá cerca de 120 expositores oriundos de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama.

De acordo com a Acic, a expectativa é de que a geração de negócios cresça em torno dos 5% em relação à Rodada do mesmo período do ano passado, apesar do cenário econômico do país ainda ser desfavorável e de os números da indústria têxtil terem sido negativos em 2015. No evento serão expostas aproximadamente 3.200 peças de moda feminina, infantil/bebê, jeans, surfwear/streetwear, praia e íntima. Empresas da Paraíba e do Ceará de calçados e acessórios também já confirmaram presença, o que amplia o mix de produtos para os cerca de 500 compradores, visitantes e espontâneos que devem passar pelo local nos dias da Rodada.

Este ano, o evento se encontra com novidades. A principal delas é o projeto Blitz. “Ele foi iniciado na edição anterior. As empresas expositoras participam e são beneficiadas gratuitamente sob a coordenação do Sindivest-PE (Sindicato de Vestuário do Estado de Pernambuco) com apoio da Acic e do Sebrae. O foco é o setor de produção, visando a melhoria, conformidade, excelência de qualidade, aumento da produtividade dos produtos e, consequentemente, maior competitividade dos mesmos no mercado”, explicou Christianne Fiúsa, da J&B Consultores – empresa responsável pela produção do evento.

Ela ainda destacou qual deve ser o procedimento dos compradores que desejam visitar a Rodada de Negócios antes do início do evento. “Primeiro, eles têm que ser lojistas de confecção ou calçados. Em seguida, devem entrar em contato com a Acic ou com a J&B Consultores até a data do evento, através dos telefones (81) 3721-2725 e (81) 3231-1033 ou pelo e-mail jbconsultores@jbconsultores.com.br, e preencher um termo de adesão para ser analisado e cadastrado com antecedência.”

Há ainda um procedimento para durante a realização do evento. “Neste caso, os compradores precisam se dirigir ao credenciamento, apresentar uma cópia do cartão de CNPJ e, estando dentro dos critérios pré-estabelecidos, serão cadastrados como espontâneos. A partir daí, a credencial será emitida, dando acesso ao evento a fim de que possam realizar suas compras”, concluiu.

Em toda a sua história, a Rodada já contabiliza R$ 230 milhões em negócios concretizados. Número este que reflete o grau de excelência e de importância do evento para a economia de Pernambuco e do Nordeste.

ARTIGO — Inflação

Por Maurício Assuero

Os livros de economia definem inflação como a alta continuada dos preços e, em macroeconomia, estuda-se as relações entre a taxa de juros e a inflação. Por exemplo: se houver aumento na oferta de moeda, então a taxa de juros cai e os preços irão subir, porque, com taxa de juros baixa, as pessoas não terão interesse em comprar títulos e irão optar por consumo. Com isso, os preços tenderão a subir. É interessante observar que nossa taxa de juros está em 14,25% ao ano e tivemos uma inflação de 10,67% ao ano. Por que os preços aumentam? Vamos colocar duas situações.

Dá-se o nome de inflação de demanda aquela alta de preços decorrente do excesso de demanda. Ou seja, num determinado momento, a demanda pelos produtos cresceu muito e o produtor, vendo a oportunidade de ganhar dinheiro, não vai aumentar a oferta, vai aumentar o preço do produto. Aumentar oferta significa incorrer em custos adicionais como aquisição de novas máquinas, de matéria-prima, pagamento de hora extra, dentre outros, e tudo não traria resultados imediato. Uma nova máquina precisa ser instalada, o pessoal precisa de treinamento, ela não vai começar a operar com sua capacidade plena etc. Com isso, aumentar preços traz um retorno imediato.

Outra forma de inflação é a que chamamos de inflação de custos. Ela ocorre quando os custos de produção aumentam e como lucro é igual a receita menos custo total, aumento nos custos implica redução de lucros, exceto se o empresário conseguir aumentar sua receita. Vamos simplificar e imaginar que uma empresa vende um único produto. A receita dela seria o preço do produto pela quantidade vendida (se tiver mais de um produto, a receita é a soma das multiplicações entre preço e quantidade vendida de cada produto). Observe que aumentar a receita aumentando a quantidade vendida significa modificar o mercado, isto é, a empresa estaria abocanhando uma fatia maior do mercado e isso nem sempre é possível. Então a forma de compensar o aumento dos custos é aumentando preços. Imagine, por exemplo, empresas que usam matéria-prima importada com o preço do dólar a R$ 4. Tome como exemplo o pãozinho: 80% do trigo consumido no Brasil vem da Argentina. Então, o custo de produzir pão aumenta e, com isso, o preço. As pessoas de baixa renda acabam sendo penalizadas mais intensamente porque a variabilidade do seu consumo é infinitamente menor do que a variabilidade do consumo das classes mais favorecidas. Assim, o efeito da inflação é acabar com o poder de compra da moeda. Xô, satanás!

Comerciário de Caruaru terá salário de R$ 957

Após acordo no Ministério do Trabalho, o Sindecc e o Sindloja chegaram ao novo valor do salário do comerciário de Caruaru. Constam do fechamento da negociação que, a partir de 1º de janeiro de 2016, os empregados que recebem remuneração superior ao piso terão um reajuste de 10%, aplicados sobre o salário de dezembro 2015, e que o piso para os empregados do comércio varejista passa para R$ 957.

Também a partir de 1º de janeiro de 2016, o valor mínimo da ajuda de custo para a jornada de trabalho nos domingos e feriados passa a ser de R$ 40 e o pagamento das diferenças salariais será feito até 30 de março de 2016.

 

FUTEBOL: Na lanterna, Central visita o América

Por Pedro Augusto

O Central permanece sem pontuar no hexagonal do título do Campeonato Pernambucano. Em seu último compromisso pela segunda fase, a equipe caruaruense foi derrotada pelo Sport por 2 a 1, na última quarta-feira (10), no estádio Luiz Lacerda, em Caruaru. Buscando a reabilitação, a Patativa encara o América, neste domingo (14), a partir das 16h, no Ademir Cunha, em Paulista, em confronto válido ainda pela primeira rodada do hexagonal. Pressionado em alcançar um bom resultado, haja vista que o Central encontra-se na lanterna da competição, o técnico Flávio Barros prometeu uma postura diferente diante do Periquito.

“Infelizmente perdemos os dois últimos jogos para equipes grandes da capital, mas possuímos qualidade para reagir. Diante do América, é jogar com mais inteligência e atenção para minimizarmos os nossos erros. É claro que respeitamos o adversário, afinal ele não chegou até aqui por acaso, porém nosso único pensamento é a vitória. Trabalhamos bastante o restante da semana e a expectativa é de um time ainda mais bem postado neste domingo”, avaliou Barros. Até o fechamento desta matéria, o técnico centralino contava com todo o elenco à disposição para a partida.

Titular absoluto, o meia Araújo reforçou as palavras de seu comandante. “Futebol é detalhe. O Central até que se comportou bem diante do Sport, mas acabou deixando os espaços necessários para que o adversário utilizasse os seus pontos fortes. Resultado: perdemos o jogo. Agora não podemos mais bobear. Se quisermos avançar ainda mais na competição, precisamos apresentar uma postura diferente contra o América. O comportamento tem que ser outro neste domingo.”

Outro destaque da Patativa nesta temporada, o atacante Candinho minimizou as derrotas contra Náutico e Sport. “Quem teve oportunidade de acompanhar os dois jogos pôde observar que o Central não jogou mal. Agora é levantar a cabeça, porque ainda restam oito jogos e ainda podemos alcançar a classificação para as semifinais”. Firme na lateral direita, apesar de ser volante de origem, Gustavo Henrique chamou a atenção para a importância do confronto deste domingo. “Haja vista que podemos nos recuperar na competição.”

FELINHO
A torcida alvinegra acordou com uma notícia triste na Quarta-feira de Cinzas (10). Morreu por volta das 3h, em Caruaru, o ex-goleiro do Central Felinho, de 45 anos. Com histórico marcante na Patativa, principalmente na década de 90, Felinho sofreu um infarto fulminante em sua residência localizada no bairro do Salgado. Contando com a presença de vários torcedores do Central, o sepultamento do ex-atleta ocorreu na manhã seguinte, no Cemitério Dom Bosco, no bairro Maurício de Nassau.

Em paralelo, o ex-atacante Leonardo, de 41 anos, que também escreveu o seu nome na história da Patativa, até o fechamento desta matéria permanecia internado em coma induzido no Hospital da Restauração, no Recife. Ele foi socorrido para a unidade hospitalar após ter sofrido várias crises convulsivas. A equipe médica que cuida do ex-jogador suspeita de neurocisticercose, doença decorrente da ingestão de carne de porco mal cozida.

FUTEBOL: Nordestão inicia neste fim de semana

Por Pedro Augusto

A 14ª edição da Copa do Nordeste será iniciada neste fim de semana com a realização de dez jogos. Compondo, respectivamente, os grupos A, C e D, Salgueiro, Santa Cruz e Sport são os representantes de Pernambuco na competição. Presente mais uma vez após ter sido vice-campeão do último Estadual, o Carcará vai estrear diante do Imperatriz, neste sábado (13), a partir das 19h15, no Frei Epifânio, no Maranhão. Pela mesma chave, o ABC recebe o Campinense, no mesmo dia e horário, no Frasqueirão.

Atual campeão pernambucano, o Santa vai encarar o Bahia, neste domingo (14), às 17h, no Arruda, no Recife, pela primeira rodada do grupo C. Ainda pela chave, o Juazeirense enfrenta o Confiança, às 19h30, no estádio Pedro Amorim Duarte, na Bahia. Em paralelo, pelo grupo D, o Sport visita o Botafogo-PB, a partir das 17h, no Almeidão, enquanto o Fortaleza recebe o River-PI, no mesmo dia e horário, no estádio Castelão, no Ceará.

Nesta edição, ao todo, serão 60 disputados confrontos na fase de grupos e mais 14 no mata-mata, valendo vaga na Sula-Americana. De acordo com o regulamento, os líderes das cinco chaves avançam às quartas de final, acompanhados dos três melhores segundos colocados. Depois, confrontos eliminatórios de ida e volta até o título. A primeira fase se estenderá deste sábado (14) até o dia 23 de março. A finalíssima está agendada para o dia 1º de maio.

PAUSA

Devido à realização das duas primeiras rodadas do Nordestão – marcadas para este fim de semana e para o decorrer da semana -, o Pernambucano 2016 só retornará ao foco da torcida no próximo dia 21, quando, na ocasião, o Salgueiro medirá forças com o Central, no Cornélio de Barros, e o Santa Cruz enfrentará o Sport, no Arruda. Na noite seguinte (22), o América receberá o Náutico, no Ademir Cunha.

Três acusados da Operação Hipócrates deixam a prisão

Por Pedro Augusto

Três acusados da Operação Hipócrates deixaram, na tarde de ontem (12), a Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru. Foram eles: o auxiliar de enfermagem Luiz Emídio da Silva Filho, bem como os médicos Pablo Thiago Cavalcanti Albuquerque e Bartolomeu Bueno Mota.

A favor deles, a 1ª Câmara Regional do Tribunal de Justiça de Pernambuco deferiu parcialmente, na manhã da quinta-feira (11), a solicitação de habeas corpus protocolada pelos seus advogados de defesa. Por meio da assessoria de imprensa do TJPE, o desembargador Waldemir Filho, que foi o responsável pela concessão do pedido, explicou que o termo parcialmente refere-se ao fato de os acusados terem de cumprir algumas medidas cautelares para permanecerem em liberdade.

São elas: comparecimento mensal em juízo para informar e justificar atividades; proibição de acesso ou frequência às dependências do Hospital Regional do Agreste; proibição de manter contato com as vítimas e demais testemunhas do processo originário; proibição de ausentar-se da Comarca com a entrega do passaporte no Juízo de primeiro grau e com a devida recomendação à Polícia Federal; recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga; suspensão do exercício de qualquer função pública, sobretudo ficando proibido de exercer a medicina no âmbito de todo o sistema público de saúde; por fim, monitoração eletrônica.

Apesar dos alvarás de soltura dos três acusados terem sido entregues pelo oficial de Justiça na noite da quinta, eles só deixaram as dependências da PJPS na manhã seguinte, haja vista que as tornozeleiras eletrônicas tiveram de ser trazidas da capital pernambucana. Presente no ato, a advogada de Pablo Thiago, Marcela Souto Maior, destrinchou os próximos passos de sua defesa. “O primeiro passo era a liberdade do Pablo e agora que alcançamos este objetivo concentraremos as nossas atenções para provarmos a sua inocência. Ele é um profissional de conduta ilibada e não há nenhuma prova que prejudique a sua carreira.”

Pablo Thiago, Bartolomeu Bueno e Luiz Emídio tiveram seus pedidos de liberdade deferidos pela Justiça exatamente três meses depois de terem sido presos pela Hipócrates. Além deles, mais nove pessoas acabaram sendo indiciadas e a maioria delas, também presa. Desencadeada no dia 11 de novembro do ano passado, nas cidades de Caruaru, Agrestina, São Caetano, Tacaimbó e Recife, a operação desarticulou uma suposta organização criminosa que estaria atuando principalmente nas dependências do Hospital Regional do Agreste, em Caruaru. Composta por médicos, auxiliares de enfermagem, um chefe de enfermagem e uma comerciante, a quadrilha estaria utilizando-se do desespero dos pacientes da unidade para cobrar por serviços garantidos pelo SUS.

“De propósito, a organização dificultava o atendimento de uma forma tal que os pacientes ficavam desesperados e acabavam cedendo à pressão dos auxiliares de enfermagem, que exerciam as funções de captadores. Iludidos com a conversa de que seriam ajudados por eles, as vítimas acabavam desembolsando quantias – entre R$ 4 mil e R$ 12 mil – para se submeterem a procedimentos cirúrgicos, em sua maioria ortopédicos, tanto no HRA como na rede privada”, explicou, nos desdobramentos da operação, o diretor operacional da Dinter 1, delegado Erick Lessa. Até o fechamento desta edição, os demais presos pela Hipócrates permaneciam recolhidos na PJPS.

Lava Jato: motorista é dono de refinaria de petróleo, diz testemunha

Do Congresso em Foco

Em depoimento a investigadores da Operação Lava Jato, o economista Felipe Diniz declarou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que Ângelo Tadeu Lauria, comprador de uma refinaria defendida no passado pelo atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na verdade é motorista de um lobista – este, identificado nas investigações como o responsável pelo repasse de 1,3 milhão de francos suíços para um conta bancária do deputado na Suíça, em 2011.

A informação, publicada neste sábado pelo jornal Correio Braziliense, consta de inquérito em que Cunha figura como suspeito de ter recebido dinheiro de João Augusto Rezende Henriques, operador do esquema, em troca da compra de um poço de petróleo na África por parte da Petrobras. Nesta negociata, a estatal investiu US$ 66 milhões e não encontrou o minério.

Lauria e Henriques respondem a duas ações judiciais em São Paulo, como o jornal brasiliense mostrou em 6 de janeiro. O suposto motorista comprou do advogado Ricardo Magro, em fevereiro de 2014, a Refinaria de Manguinhos por meio da empresa Rodopetro – uma funcionária dessa empresa disse, segundo o Correio, que Lauria ainda trabalhava lá, em um galpão “dentro da refinaria mesmo”, uma vez que se tratava de uma empresa alocada na refinaria.

“Ontem [sexta, 12], pouco mais de um mês depois da reportagem, a funcionária afirmou que Lauria não trabalha na refinaria, mas não soube dizer onde ele atuava profissionalmente agora”, diz trecho da matéria assinada pelo repórter Eduardo Militão. “Cunha, Lauria, a refinaria e a defesa de Henriques não prestaram esclarecimentos ao Correio.”

Felipe Diniz – filho do ex-deputado Fernando Diniz (PMDB-MG), morto em julho de 2009 – declarou ter conhecido Lauria durante as visitas que disse ter feito à casa de Henriques no Rio de Janeiro, quando o motorista prestava serviços ao operador. A declaração foi feita em 20 de outubro passado, diante de procuradores da Lava Jato.

Senado perdoa faltas e livra senadores de desconto

Do Congresso em Foco

A Constituição estabelece, em seu artigo 55, que o parlamentar ausente a um terço das sessões ordinárias do Senado ou da Câmara perderá o mandato se não apresentar justificativa para as faltas. O senador ou deputado que desaparece do Congresso e não apresenta razões para isto tem os dias de salários cortados. Mas os senadores descobriram um jeito novo e simplório para driblar as punições: alegam apenas que estão em “atividade parlamentar” nos estados e ganham o abono da falta.

Levantamento exclusivo feito pela Revista Congresso em Foco revela que três de cada quatro senadores usaram esse tipo de explicação para suas ausências em 2015. Ao todo, 61 dos 82 parlamentares que passaram pela Casa e tiveram ao menos uma falta recorreram ao expediente. Das 1.072 ausências justificadas, 820 (76%) foram atribuídas a atividades parlamentares. Em tese, pode ser qualquer coisa que um congressista esteja fazendo, seja de interesse público ou relacionado ao seu mandato. Seja em Brasília, no seu estado ou até no exterior.

A Mesa Diretora do Senado abona as faltas mesmo quando a desculpa do congressista não especifica o local ou a agenda a ser tratada. É possível anular a ausência e evitar o corte no salário apenas com uma declaração do parlamentar. A Secretaria-Geral da Mesa explica que o senador sequer precisa apresentar comprovante sobre o tipo de atividade de que participou. O congressista só é obrigado a apresentar relatório de suas atividades fora do Legislativo quando a missão política implicar custo.

O número de ausências justificadas quase dobrou do primeiro ano da legislatura passada para esta. Em 2011, 669 faltas foram abonadas, ou seja, autorizadas pela Mesa Diretora ou pelo Plenário. Além das atividades parlamentares genéricas, os senadores podem usar como justificativa a participação em discussões ou eventos em que representam o Senado, as chamadas missões oficiais, e licenças médicas.

Nesses casos, não há desconto nos vencimentos, diferentemente do terceiro motivo admitido pela Casa: o afastamento para tratar de assuntos particulares. Em 2015, dois senadores atingiram o limite constitucional de faltas que implica a perda de mandato: Magno Malta (PR-ES) e Zezé Perrella. Mas, com as justificativas genéricas, eles não correm risco de perder o mandato.

Um terço fora

Campeão de ausências em 2015, Magno não compareceu a 49 das 127 sessões com previsão de votação. Apresentou 34 requerimentos alegando que ficou longe de Brasília em “atividades parlamentares” sem dizer quais. Outras duas faltas o senador atribuiu a problemas de saúde. Em todos os casos teve o ponto preservado. Com isso, apenas três faltas do senador capixaba ficaram sem explicação. A assessoria do parlamentar garante que ele não cometeu nenhuma irregularidade e que se ausentou do plenário para defender suas bandeiras políticas em audiências públicas e sessões importantes do Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo.

Quem mais utilizou o recurso da atividade parlamentar foi Zezé Perrella (PDT-MG). Ele faltou a 48 sessões deliberativas em 2015, mais de um terço do total de reuniões. Em quase todas as vezes, deu a desculpa genérica e teve as faltas abonadas, com exceção de dois dias em que ele alegou “motivos particulares”. Perrella fez duas viagens internacionais oficiais representando o Senado: uma visita técnica a uma empresa nos Estados Unidos, pela Comissão de Ciência e Tecnologia, e outra a Roma, também oficial, para conhecer o Parlamento italiano.

A assessoria de Perrella afirma que as ausências por atividade parlamentar não tiveram intenção de burlar o sistema de controle de presenças, e que todas se deram em razão do mandato. O pedetista também informou que precisava visitar as cidades onde foi votado para manter fiéis os eleitores. Ele só detalhou duas justificativas. Uma para visitar o local do desastre ambiental provocado pela lama da barragem de rejeitos da empresa Samarco, que atingiu distritos da cidade de Mariana (MG), e sua viagem para visitar o Congresso italiano. O senador assumiu o mandato em 2011, como suplente do ex-presidente Itamar Franco, morto naquele ano.

Além de Magno Malta e Perrella, também estão na lista dos mais faltosos de 2015 os senadores José Maranhão (PMDB-PB) e Gladson Cameli (PP-AC). Maranhão alegou que 25 das suas 41 faltas ocorreram porque estava doente com febre chikungunya. Em outras 14 oportunidades, o senador atribuiu suas ausências a atividades parlamentares na sua Paraíba. Cameli conseguiu abonar todas as 36 faltas. Ele informou que viajou ao Vietnã, à África do Sul e à França, onde participou da COP-21, a cúpula mundial do clima em Paris.

Sem justificativa

O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) é o campeão de ausências sem justificativas em 2015. Nos dois primeiros meses do ano passado, o parlamentar tirou licença para tratar da saúde. No lugar dele, assumiu o suplente Fernando Ribeiro (PMDB-PA). Entre abril e dezembro, Jader apresentou 11 justificativas para ficar longe de Brasília. Em nove delas alegou motivos particulares. Em outras duas, atividades parlamentares. O senador não apresentou qualquer justificativa para 14 faltas e teve os dias cortados. Jader não quis comentar o assunto.

Outro que registrou número alto de faltas injustificadas no levantamento da revista foi o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). Ele faltou a 11 sessões ao longo de 2015. Apenas uma delas foi atribuída a atividade parlamentar. As outras dez faltas não foram abonadas porque não houve apresentação de justificativa. A assessoria afirma que duas dessas ausências ocorreram por motivos pessoais. Nas outras oito, segundo o gabinete de Alcolumbre, o senador não registrou presença porque foi visitar o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, e o então ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Os gabinetes das duas autoridades ficam a 300 metros do Congresso.

 

Corte provisório no Orçamento chega a R$ 7,7 bilhões no Poder Executivo

Da Agência Brasil

Apesar de o governo ter adiado o contingenciamento definitivo do Orçamento para março, o decreto que introduziu a programação financeira para o primeiro trimestre estabeleceu um corte provisório de R$ 7,7 bilhões nas despesas discricionárias (não obrigatórias) dos ministérios e dos demais órgãos do Poder Executivo. O número foi obtido pela Agência Brasil com base nos valores divulgados pelo Ministério do Planejamento.

Para os três primeiros meses do ano, o governo limitou os gastos discricionários do Poder Executivo a R$ 15,407 bilhões, o que equivale a 3/18 do estimado para 2016. Caso não houvesse corte, a despesa de janeiro a março totalizaria a 3/12: R$ 23,110 bilhões. Nas emendas parlamentares individuais impositivas, houve um corte provisório de R$ 753 milhões, o que aumenta o total contingenciado para R$ 8,4 bilhões.

Se somadas as despesas obrigatórias e não obrigatórias, o limite para empenho pelos ministérios até março será de R$ 146,6 bilhões, 85% desse total (R$ 124,5 bilhões) são gastos não contingenciáveis, como despesas com saúde e educação.

O decreto fixou ainda as metas quadrimestrais de superávit primário – economia para pagar os juros da dívida pública – para o Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social). Da meta total de R$ 24 bilhões estabelecida para o ano inteiro, o governo deverá economizar R$ 8,87 bilhões até o fim de abril e R$ 13,883 bilhões até o fim de agosto.

Esses valores, no entanto, funcionam como uma recomendação porque o governo pode economizar menos em um quadrimestre, desde que aumente o esforço fiscal em outro. Para a Previdência Social, o decreto estima déficit de R$ 129,8 bilhões. O valor é o mesmo aprovado no Orçamento Geral da União.

O novo decreto com o limite de gastos foi publicado ontem (12) à noite em edição extraordinária do Diário Oficial da União. O teto de 3/18 valerá até março.Esta é a segunda vez no ano que o governo estabelece os limites para empenho de valores pelos órgãos, fundos e entidades do Poder Executivo, que só poderão empenhar despesas até o limite especificado.

A limitação ficará valendo até que a presidenta Dilma Rousseff e a equipe econômica estabeleçam o valor do contingenciamento que será aplicado nas contas do governo em 2016.