Falta de comunicação do INSS provoca transtornos e revolta entre segurados

A suspensão dos atendimentos do INSS, nessa quarta-feira (28), revelou mais uma vez o descompasso entre a gestão do órgão e a realidade de milhões de brasileiros que dependem da Previdência Social. Sem aviso efetivo, aposentados, pensionistas e beneficiários enfrentaram portas fechadas, filas e prejuízos em todo o país.

Embora o INSS afirme que a paralisação, causada por uma atualização nos sistemas da Dataprev, estava programada desde janeiro, o panorama nas agências mostrou o contrário: segurados desinformados, deslocamentos inúteis e casos de extrema vulnerabilidade social. Pessoas doentes, mães com bebês e famílias que dependem do Benefício de Prestação Continuada (BPC) ficaram sem qualquer alternativa de atendimento.

A interrupção não se limitou às agências físicas. Aplicativo, site e Central 135 também foram suspensos, deixando a população completamente sem acesso aos serviços. A promessa de que avisos foram feitos por canais oficiais não se sustenta diante do caos registrado no primeiro dia da paralisação.

O próprio INSS admitiu falhas nos sistemas da Dataprev nos dias anteriores, o que comprometeu ainda mais a comunicação. Como resposta, a autarquia prometeu reagendamentos e um mutirão na próxima semana — medidas paliativas para quem já sofreu prejuízos financeiros e emocionais.

Prefeito Rodrigo Pinheiro visita obras de UBSs em execução nos bairros Cidade Alta e São José

O prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, visitou, na manhã dessa quarta-feira (28), as obras de construção de duas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos bairros Cidade Alta e São José. Juntas, as duas obras levarão assistência básica de saúde para, aproximadamente, 20 mil caruaruenses.

As visitas começaram pela UBS que está sendo erguida no bairro Cidade Alta, localidade que passará a contar com serviços essenciais mais próximos da rotina das pessoas da comunidade.

Na sequência, o prefeito Rodrigo Pinheiro esteve nas obras de construção da UBS do bairro São José. O espaço também ofertará serviços pioneiros de atendimento à população – em uma clara demonstração da preocupação da gestão municipal com o acesso da população às políticas de saúde.

A farmacêutica Ítala Josielly, de 31 anos, que mora a poucos metros do local onde funcionará a UBS da Cidade Alta, destaca a importância da implantação do equipamento. “A principal vantagem é a proximidade, que permite buscar atendimento para problemas de saúde leves (como febre, vômito, dor de cabeça, curativos e vacinas) de forma rápida, sem a necessidade de longos deslocamentos”, analisa.

Flávio Bolsonaro lidera sobre Lula em pesquisa sem registro no TSE

Uma pesquisa divulgada pela empresa mexicana Áltica Research aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno. O senador aparece com 48%, contra 47% do petista.

O levantamento foi divulgado nas redes sociais da empresa, mas não foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), exigência legal para pesquisas eleitorais em ano de eleições. O descumprimento pode gerar multa entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.

Segundo a Áltica, a pesquisa ouviu 1.200 eleitores, entre 23 e 25 de janeiro, por meio de painel online. A empresa afirma que o estudo foi feito de forma independente, mas não detalha clientes nem histórico de pesquisas eleitorais no Brasil.

O TSE ainda não se manifestou sobre o caso.

Governo reforça SUS com 760 profissionais em enfermagem obstetrícia

O Ministério da Saúde vai reforçar o Sistema Único de Saúde (SUS) com 760 profissionais que estão em formação no curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne. O curso foi iniciado em novembro de 2025 para profissionais com, pelo menos, um ano de experiência na atenção à saúde das mulheres no SUS.

A ação envolve investimentos de R$ 17 milhões e objetiva formar mais especialistas para fortalecer a atenção obstétrica e neonatal no SUS. O Brasil tem somente 13 mil profissionais desse tipo, o que reforça a necessidade de aumentar a oferta para reforçar a atenção obstétrica e neonatal no SUS.

A formação é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com 38 instituições e apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo).

De acordo com o ministério, no Brasil há apenas 13 mil enfermeiros obstétricos registrados no sistema do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Desse número, 46% (6.247) têm vínculo com algum estabelecimento de saúde registrado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o que confirma a insuficiência de profissionais para atender à demanda nacional.

Em contrapartida, em países cujo modelo de atenção é baseado na enfermagem obstétrica há uma densidade maior de profissionais, variando entre 25 e 68 por 1 mil nascidos vivos, enquanto no Brasil são cinco por 1 mil nascidos vivos, segundo dados da Abenfo de 2023.

O enfermeiro obstétrico é o profissional especializado que cuida da saúde da mulher durante a gravidez, o parto e o pós-parto, em partos naturais ou vaginais, tornando-os mais humanizados e garantindo à gestante mais confiança e tranquilidade. Ele faz exames, auxilia no parto, presta cuidados ao recém-nascido e colabora com os médicos para garantir um atendimento seguro.

Impacto
O conselheiro do Cofen Renné Costa avalia que o impacto da medida é positivo, “porque falta enfermeiro obstétrico no Brasil, principalmente quando a gente compara os números do país com o mundo”.

“Enquanto no Brasil tem em torno de um enfermeiro obstétrico para quatro médicos, no mundo são quatro enfermeiros obstétricos para um médico”, ressaltou.

Renné Costa disse à Agência Brasil que em países desenvolvidos, onde existe uma boa assistência obstétrica e neonatal, “sempre tem um número muito maior de enfermeiros obstétricos do que de médicos”.

Segundo ele, uma das principais características da enfermagem obstétrica é obedecer à fisiologia do parto. Ou seja, deixar que o corpo da mulher, sozinho, produza o parto, baixando o número de intervenções e, com isso, o número de iatrogenias, que são estados de doença, efeitos adversos ou alterações patológicas causadas ou resultantes de um tratamento de saúde.

“Esse é o principal benefício desse profissional [enfermeiro obstétrico] estar na rede, principalmente no SUS, já que o Brasil hoje está entre os primeiros países em número de partos operatórios [cesáreas], indo na contramão do que diz a ciência”, assegurou Costa, acrescentando que o parto operatório “multiplica em 70 o risco de morte dessa mulher”.

Questão cultural
O conselheiro do Cofen analisa o problema como uma questão cultural, porque o parto natural ainda é visto como um parto do SUS, “um parto de pobre”, daquele que não tem opção de escolha.

“O parto operatório é de quem tem plano de saúde, de quem pode pagar pela hora, é o parto que não dói. Essa é a cultura brasileira”, disse.

Ele chama a atenção que nas novelas brasileiras, o parto é um momento de sofrimento, de angústia, de muita dor, que parece fazer do parto natural o mais inseguro possível.

Para Renné Costa, não existe na cultura popular o trabalho de informar que a melhor via de parto é a fisiológica, é o parto natural. O enfermeiro obstétrico defende o parto com um mínimo de intervenção, a não violência obstétrica, que é evitar fazer procedimentos desnecessários, como uso da ocitocina indiscriminado, um hormônio que estimula contrações uterinas no parto, ou da manobra Kristeller, por exemplo, em que o útero da mulher é pressionado para tentar auxiliar a expulsão do bebê, o que pode provocar sérios danos para a mulher e para a criança, como rupturas de costelas e hemorragia. Essa manobra é contraindicada e considerada violência obstétrica pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O conselheiro do Cofen lembra que o corpo da mulher “é muito sábio” e serve para “amadurecer” a criança, para ela chegar no novo ambiente externo.

26/01/2026 – Formação de enfermeiros obstétricos tem impacto positivo, mas número precisa ser ampliado. Valéria, o marido, a bebê Maria Catarina e a enfermeira obstétrica Maria Luiza Bezerra. Foto: Valéria Monteiro/arquivo pessoal
Valéria com a bebê Maria Catarina (D), o marido (C) e a enfermeira obstétrica Maria Luiza Bezerra – Foto: Valéria Monteiro/arquivo pessoal
Ele ressalta ainda que muitas crianças sofrem com o parto abrupto, que não dá maturidade no sistema neurológico e pulmonar dos bebês, para que eles se preparem para o mundo externo, uma vez que se encontram em um mundo controlado até o nascimento.

No parto operatório, adverte, muitas vezes acontece uma coisa muito comum, que é o parto de uma criança prematura, que ainda não está pronta para nascer.

“Tudo isso são prejuízos do parto operatório indiscriminado, como é feito no Brasil”, disse

O enfermeiro defende que é preciso que o país tenha a cultura de preparar as mulheres para que elas tenham um plano de parto. Significa, segundo ele, que ao começar a fazer o pré-natal, a mulher deve discutir com a equipe multidisciplinar como ela quer que esse parto aconteça.

“Se ela quer um parto operatório, um parto vaginal, em casa, em ambiente hospitalar, qual a equipe que ela quer, quais as pessoas que ela deseja estejam acompanhando-a.

No decorrer da história, segundo Renné Costa, o parto, que era um evento familiar, se tornou um evento hospitalar, onde a mulher é cerceada do direito de ver família, de ter autonomia sobre o próprio corpo.

Ganhos
Na avaliação do conselheiro federal, a rede SUS só tem a ganhar com a presença dos enfermeiros obstétricos. O próprio Renné Costa é fruto de especialização em enfermagem obstétrica. Em 2014, ele fez pós-graduação na área, ainda na Rede Cegonha, anterior à Rede Alyne.

“Essa especialização mudou minha vida profissional, não só como enfermeiro obstetra em que me formei, como mudou também a realidade de um município do interior de Alagoas onde eu trabalhava, o município de Viçosa. Eu me tornei capacitado para assistir essas mulheres”, recorda.

Antes da pós-graduação de Renné Costa, o Hospital Municipal de Viçosa, onde ele trabalhava, fazia em média entre 80 e 90 partos por ano. Depois de sua pós-graduação, a instituição passou a realizar de 500 a 600 partos por ano, “com total segurança”, no próprio município e perto da mulher.

Antes, as parturientes de Viçosa eram obrigadas a se deslocar para a capital, distante 120 quilômetros e, muitas vezes, em ambulâncias sem nenhum profissional acompanhando, com dores de parto, perambulavam de maternidade em maternidade, para ver qual aceitava fazer o seu parto. “Agora, essas mulheres passaram a parir no interior”, diz Renné.

Renné Costa comemora que a formação de novos 760 enfermeiros obstétricos pode ampliar os benefícios às mulheres, embora considere esse número ainda aquém das necessidades do país. “É um número muito insuficiente para o tamanho do Brasil”.

Ele defendeu a presença desse profissional não só na casa de parto, mas na atenção básica, como referência ainda quando a mulher está fazendo o pré-natal, desmistificando o que é o parto normal, o que acontece, que acompanhantes ela pode levar, o ambiente onde quer fazer o parto.

Como o enfermeiro obstétrico é muito mais aberto a essa fisiologia, ou à naturalidade do parto, Renné explica que ele permite que tenha mais acompanhantes, que a família esteja mais próxima, que a parturiente esteja mais perto de casa. “Tudo fica muito mais próximo dela e acredito que até diminui as desigualdades”.

Profissionais
A médica Margareth Portella, coordenadora materno infantil da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), confirmou em entrevista à Agência Brasil que a capital fluminense não tem problemas de recursos humanos especializados.

“Todas as maternidades estão bem contempladas com enfermagem obstétrica”.

Margareth avalia que esses profissionais são fundamentais para tocar os partos fisiológicos, sem intercorrências, que são gestações tranquilas, o que se chamava antigamente de baixo risco e hoje são chamadas de risco habitual.

“Para esse tipo de atendimento, as enfermeiras obstétricas são maravilhosas, são fundamentais para o serviço andar”, defende.

Margareth Portella avaliou que “os enfermeiros obstétricos são um recurso humano fundamental na assistência ao parto de risco habitual, de baixo risco, nas nossas maternidades”.

“Formar esse tipo de profissional é importantíssimo para estruturar uma rede que cubra todas as necessidades, desde o pré-natal, o parto, puerpério. E, obedecendo aos critérios de hierarquia nas maternidades de risco habitual, podem ficar mais enfermeiras fazendo assistência, sem prescindir da figura do médico porque, a qualquer momento, um parto pode se transformar em uma emergência”, salientou a coordenadora materno infantil da Secretaria.

Ela lembra que até os níveis de complexidade bem mais altos de atendimento à gestação de alto risco, com UTI neonatal, UTI materna, é necessário um outro nível de assistência.

Margareth Portella avalia como de grande importância a decisão do Ministério da Saúde de investir na formação de enfermeiros obstétricos. “Só fico preocupada porque não basta ter conhecimento teórico. Parto é o tipo da coisa que tem variáveis que não se controla e, também, intercorrências imprevisíveis. Então, tem que haver todo um sistema de diagnóstico, de intervenção, que seja a tempo de não deixar um desfecho ruim acontecer”.

Ela garante que todos os profissionais que estiverem interessados nessa capacitação especializada terão acesso ao curso ministrado pela Rede Alyne, cuja fase de implantação no estado está sendo capitaneada pela Secretaria de Saúde estadual.

“Fomos nós que fizemos toda a parte de levantamento de dados, planejamento da estrutura da Rede Alyne no estado. O território foi dividido em regiões e, em cada uma delas, a SES conseguiu fazer o melhor atendimento às necessidades de cada área, com participação dos municípios para poder fazer um levantamento, montar uma planilha e entregar em tempo hábil ao ministério”.

Na Baixada Fluminense, Margareth informou que os enfermeiros obstétricos são muito presentes. Citou o caso do Hospital da Mãe de Mesquita, que é uma maternidade estadual, onde mais de 70% dos partos normais, vaginais, são conduzidos por enfermeiras com especialização em obstetrícia.

Dificuldades
No entanto, a realidade do estado do Rio de Janeiro mostra que algumas regiões mais distantes da capital, como a baixada litorânea, a região serrana e o sul Fluminense, já começam a apresentar dificuldades desse recurso humano.

“Não é nem de recurso humano porque, muitas vezes, os profissionais têm o diploma, têm a capacitação, mas não têm a experiência necessária para assumir plantões onde vão ter que trabalhar, na prática, fazendo assistência ao parto. Muitas vezes, eles têm a qualificação, mas falta a parte da prática, porque existem cursos que são feitos até à distância”, disse Margareth Portella.

Segundo a médica, esse tipo de curso “não dá vivência, não dá segurança para essas pessoas fazerem partos do início até o final”.

“É preciso um período de treinamento em serviço, para poderem resolver problemas que vierem a surgir”, avalia.

A SES-RJ informou que está tentando resolver o problema contratando, primeiramente, as enfermeiras obstétricas que são mais experientes e, quando não consegue, fazendo a capacitação na prática em serviços onde elas podem aplicar aquilo que se prepararam para fazer.

A rede municipal de saúde do Rio conta com 13 maternidades e uma Casa de Parto distribuídas por toda a cidade, e a enfermagem obstétrica está presente em todas essas unidades.

Experiência
A empresária Valéria Monteiro, 28 anos, é casada com Lucas Oliveira, e graças ao acompanhamento que recebeu da enfermeira obstétrica Maria Luiza Bezerra, todo o processo correu com tranquilidade e sua terceira filha, Maria Catarina, hoje com cinco meses, nasceu sem problemas, de parto normal. “Foi ótimo. A enfermeira me acompanhou antes do parto, no parto e no pós-parto. Foi o que me deu coragem e força e me fez acreditar que eu teria um parto normal”, disse Valéria à Agência Brasil.

A médica obstetra que atendia Valéria a encorajou a fazer um parto normal, sem cesárea. “E aí a gente quis arriscar”. Na reta final da gestação, a médica obstetra recomendou à empresária uma enfermeira obstétrica, que deu a ela todo embasamento científico para que tivesse um parto normal, fazendo o monitoramento do bebê na barriga e lhe deu as instruções para que conseguisse evoluir no trabalho de parto até o momento de chegada da bebê. “Ela foi a parte teórica. Eu deixei meu corpo agir, mas ela tinha todo o embasamento científico, a teoria, e eu pus em prática”. Maria Catarina tem cinco meses agora.

O temor que ela sentia de voltar a fazer parto vaginal, como foi com a primeira filha, Maria Luisa, é explicado porque a segunda filha, Maria Celina, veio ao mundo de cesárea, no mesmo Hospital Regional de Arapiraca, em Alagoas, onde nasceu Maria Catarina. Foi a primeira experiência de Valéria no SUS. A cesárea foi eletiva, isto é, agendada previamente, porque “a bebê era grande e evoluiu com complicações. Foi um parto um pouco traumático”, contou Valéria, que ficou internada com a bebê durante 20 dias. Maria Celina está, atualmente, com 2 anos e quatro meses. Mas tinha dez meses, quando a mãe engravidou novamente.

A primeira filha, Maria Luísa, hoje com três anos e dez meses, nasceu de parto normal, com enfermeira obstétrica, no Hospital Chama, também em Arapiraca, onde reside a família. Valéria e o marido não pretendem ter mais filhos. “Três filhas já está ótimo”. Ela recomenda a todas as gestantes que tenham parto normal, acompanhadas por enfermeira obstétrica.

Rede Alyne
Lançada pelo governo federal, pelo Ministério da Saúde, no dia 12 de setembro de 2024, a Rede Alyne é um projeto de assistência materno-infantil que reestrutura a antiga Rede Cegonha, de 2011. O objetivo é reduzir a mortalidade materna em 25% e a mortalidade materna de mulheres negras em 50% até 2027.

A iniciativa homenageia a jovem negra Alyne Pimentel, que morreu aos 28 anos, gestante e vítima de negligência médica. O caso levou o Brasil a ser o primeiro país condenado por morte materna pelo Sistema Global de Direitos Humanos em todo o mundo. Com a homenagem prestada à Alyne Pimentel, o governo reafirma seu compromisso com o enfrentamento das desigualdades na saúde e da luta por direitos das mulheres no Brasil, além de melhores condições de cuidado para as gestantes, as puérperas e os bebês.

Durante o lançamento da Rede Alyne, na cidade de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, a então ministra da Saúde, Nísia Trindade, destacou que o objetivo central do projeto é “reduzir a mortalidade materno infantil, garantir atenção humanizada e de qualidade à gestante, à parturiente, à puérpera, ao recém-nascido”.

Presente à solenidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que a medida era para proteger a mulher e sua família. “É por isso que a gente está fazendo esse programa chamado Rede Alyne. É para que as mulheres quando ficarem grávidas sejam tratadas com decência, sejam tratadas com respeito, não falte médico para fazer o pré-natal, não falte médico ou médica para fazer o tratamento que for necessário fazer”, afirmou à época.

Saiba que sanções podem ser aplicadas a jovens que mataram cão Orelha

Apesar de maus tratos contra os animais ser considerado crime, com pena de prisão prevista, os quatro adolescentes envolvidos recentemente na tortura e morte de cães na Praia Brava, em Florianópolis, estão sujeitos a medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por serem menores de 18 anos. 

A Polícia Civil aponta que Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro, na Praia Brava. Ele foi encontrado ferido e agonizando por pessoas que estavam no local, levado a uma clínica veterinária e, no dia 5 de janeiro, submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. Também houve violência contra outro animal, chamado Caramelo, que escapou do assédio do grupo.

Segundo a advogada Viviane Cabral, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) São Paulo, o crime de maus-tratos é previsto no artigo 32 da lei dos crimes ambientais (Lei n° 9605/98) e prevê pena de reclusão de dois a cinco anos para crimes cometidos contra cães e gatos, em razão da recente alteração prevista pela Lei Sansão (14.064/2020).

“Neste caso, como os infratores são menores de idade serão aplicadas medidas socioeducativas em razão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), explicou Viviane à Agência Brasil.

Como menores de 18 anos são inimputáveis perante a lei, quando praticam uma conduta prevista como crime, cometem um ato infracional análogo ao crime.

“Os procedimentos especiais do ECA (Lei 8.069/90) são ritos processuais céleres e protetivos, aplicados à infância e juventude. Diferenciam-se por contar prazos em dias corridos, visando a proteção integral. A prioridade é absoluta. A tramitação é preferencial e rápida”, complementa a advogada.

Segundo a advogada, a lei de crimes ambientais prevê quatro formas de definir as ações contra os animais: maus-tratos, abuso, ferimento ou mutilação. Eles têm elevação da pena caso o animal morra, o que aconteceu com Orelha. A forma como o crime foi cometido também pode influenciar, assim como sua repetição.

Medidas socioeducativas

Entre as medidas socioeducativas previstas no ECA estão:

Advertência, que é uma repreensão verbal do juiz;
Obrigação de reparar o dano, que consiste no ressarcimento, restituição ou compensação do prejuízo à vítima;
Prestação de Serviços à Comunidade, que são tarefas gratuitas em entidades públicas ou ONGs por até seis meses e por no máximo 8 horas semanais;
Liberdade Assistida, que é o acompanhamento por orientador por no mínimo seis meses, visando apoio familiar e escolar;
Semiliberdade, que é a privação parcial de liberdade, permitindo atividades externas (estudo/trabalho) e retorno noturno;
Internação, medida privativa de liberdade em entidade, por tempo indeterminado e reavaliada a cada seis meses, com prazo máximo de três anos. A internação é aplicada apenas em casos graves, envolvendo violência, reiteração de infrações ou descumprimento de outras medidas.

“A internação em instituto específico somente é prevista para as hipóteses em que o crime tenha sido cometido mediante grave ameaça ou violência contra pessoas. Nesse ponto, vale ressaltar que a lei precisa ser revista e prever a possibilidade de internação quando o crime for cometido também contra outros seres vivos que não humanos, principalmente com a brutalidade empregada nesse caso, como uma forma de acompanhar a evolução da lei e da conscientização da sociedade”, pondera Viviane.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, que acompanha as investigações, os encaminhamentos observam o que está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece procedimentos próprios para a apuração de atos infracionais e aplicação de medidas socioeducativas.

Política estadual

A comoção em torno do tema levou ainda à aprovação, na última quinta-feira (22), da Lei nº 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário. Segundo o governo catarinense, o texto garante que esses animais também precisam ser protegidos pela sociedade e poder público

A legislação proíbe a remoção, restrição de movimento ou transferência dos animais comunitários sem justificativa técnica e sem aviso aos cuidadores identificados, além de especificar detalhes em relação à prática de maus-tratos, abandono forçado e ações que coloquem em risco a integridade do animal.

Investigações

Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, familiares dos adolescentes foram interrogados e indiciados nesta terça-feira (27) pelo crime de coação no curso do processo. Eles teriam tentado coagir uma testemunha durante a investigação. Ontem, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos adolescentes e dos adultos envolvidos. Os menores ainda não foram ouvidos.

“É importante esclarecer que é vedada a divulgação de imagens, fotos e nomes dos adolescentes investigados e que a responsabilização se dá perante a autoridade judicial, que vai, de acordo com as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, impor uma sanção penal a eventuais autores dessa prática delitiva”, explicou o delegado-geral da PCSC, Ulisses Gabriel.

O inquérito na Delegacia de Proteção Animal da Capital foi concluído e remetido ao poder judiciário, após ouvir mais de 20 pessoas e analisar câmeras públicas e privadas da região, que esclareceram sobre as agressões e outros atos criminosos, como a coação, segundo a delegada  Mardjoli Valcareggi, que conduziu as investigações.

“Foi instaurado auto de apuração de ato infracional, por parte da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), após ter sido constatado no bojo da investigação a suspeita de envolvimento de adolescentes. Já o inquérito policial, instaurado para apurar a coação realizada por familiares dos adolescentes investigados a testemunhas, foi conduzido pela Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA)”, informou a polícia em nota.

Neoenergia inaugura novo ponto do Vale Luz no bairro da Madalena, no Recife

A Neoenergia Pernambuco acaba de inaugurar oficialmente o mais novo ponto de arrecadação do Projeto Vale Luz. A distribuidora instalou um contêiner na praça Solange Pinto Melo, ao lado do Mercado da Madalena, para recolher os materiais recicláveis entregues pelos clientes em troca de descontos na fatura de energia elétrica. O local funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h, e nos sábados, das 8h às 12h. Para participar, basta o cliente da distribuidora levar um documento com foto e uma conta de luz atualizada, sem débitos com a concessionária.

A escolha do novo ponto do Projeto Vale Luz se deve ao fato de o local possuir um grande fluxo de pedestres e de veículos, com possibilidade de estacionamento ao redor da praça, o que contribui consideravelmente para a participação de pessoas que não moram próximas ao local. Além disso, os bares e restaurantes do próprio Mercado devem ser fonte segura de resíduos em troca de desconto na conta de energia.

O Projeto Vale Luz, que faz parte do Programa de Eficiência Energética da Neoenergia, regulado pela Aneel, aceita uma série de recicláveis, como plásticos, catemba, papelão, vidro, ferro, óleo de cozinha, equipamentos eletroeletrônicos latas de alumínio e garrafas PET. Na entrega, todos os itens devem estar limpos e secos. O óleo deve estar frio. O valor do desconto será aplicado automaticamente na conta de energia indicada pelo participante.

SUCESSO

O Projeto Vale Luz encerrou 2025 com resultados históricos: foram R$ 830 mil em descontos na fatura de energia, um crescimento de 44% em relação a 2024, quando os abatimentos somaram R$ 575 mil. Esse valor foi possível graças ao recolhimento de 1.144 toneladas de materiais recicláveis, 15% acima do volume registrado no ano anterior, beneficiando aproximadamente 4 mil participantes.

Atualmente, o Vale Luz está presente em cerca de 30 comunidades do Recife e Região Metropolitana, além de realizar o recolhimento em mais de 100 condomínios com caminhões próprios, 6 centros de compras com máquinas de autoatendimento e 15 pontos fixos. Todos os endereços e a programação mensal podem ser consultados no site: https://www.neoenergia.com/eficiencia-energetica/vale-luz.

Como participar

Para participar do projeto basta reunir os resíduos recicláveis e entregá-los em algum dos pontos de coleta. Para o cadastro inicial, é necessário apresentar uma conta de energia paga e um documento com foto. O cliente não pode possuir débitos com a distribuidora. O desconto é concedido na mesma hora e aplicado na próxima fatura de energia.

Empresas interessadas também podem aderir ao projeto por meio do formulário disponível no site da Neoenergia.

Junto ao prefeito Rodrigo Pinheiro, Dayse Silva comemora a entrega de mais uma Unidade Básica de Saúde em Caruaru

O prefeito Rodrigo Pinheiro e a vice-prefeita Dayse Silva, inauguraram nesta terça-feira (27) a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Nina Liberato. Um sonho antigo da população da localidade, que agora passa a contar com atendimento médico mais próximo de casa, sem a necessidade de deslocamento para outros bairros.

Durante a inauguração, a vice-prefeita Dayse Silva destacou a importância da unidade para o território. “Essa UBS representa cuidado, presença do poder público e respeito com a população do Nina Liberato. Aqui será a porta de entrada preferencial do SUS, garantindo um atendimento contínuo, preventivo e humanizado próximo da realidade das famílias”, afirmou.

“Todos os dias passo aqui em frente a UBS e choro de felicidade pelo grande presente que o prefeito Rodrigo Pinheiro e a vice-prefeita Dayse Silva deram ao bairro Nina Liberato. Obrigado por nos enxergar, nos ouvir e nos atender”, relatou emocionada a moradora do bairro Thâmara Vanessa.

A UBS Nina Liberato passa a atuar de forma comunitária e longitudinal, promovendo o cuidado integral da população e fortalecendo a rede municipal de saúde. A construção da unidade foi viabilizada por meio de recursos destinados pelo deputado federal Bispo Ossesio Silva, em parceria com o vereador Silvio Nascimento, reforçando o trabalho conjunto em benefício da saúde pública e do desenvolvimento do bairro.

Prefeitura de Agrestina promove primeiro encontro de 2026 dos mobilizadores do UNICEF e do NUCA

A Prefeitura de Agrestina, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos da Cidadania, realizou o primeiro encontro de 2026 com os mobilizadores do UNICEF e do Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (NUCA). A iniciativa teve como foco o Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental, e o debate sobre as mudanças climáticas e seus impactos na vida da população, especialmente de crianças e adolescentes.

O encontro contou com a participação de um psicólogo e de uma bióloga, que contribuíram com reflexões importantes sobre a relação entre bem-estar emocional, cuidado coletivo e responsabilidade ambiental. Durante a atividade, os adolescentes puderam dialogar, compartilhar experiências e ampliar a compreensão sobre como o cuidado com a mente e com o meio ambiente caminham juntos na construção de um futuro mais saudável e sustentável.

A secretária de Desenvolvimento Social e Direitos da Cidadania e articuladora do Selo UNICEF, Gisisllayne França, destacou a importância da escuta e do acolhimento como base das políticas públicas voltadas para a juventude. “O futuro começa com escuta e cuidado. Quando a gente oferece espaços de diálogo, fortalece o emocional dos nossos adolescentes e amplia a consciência sobre temas tão urgentes como as mudanças climáticas, estamos formando cidadãos mais preparados, conscientes e comprometidos com o coletivo”, afirmou.

Via de acesso ao Autódromo de Caruaru terá pavimentação de R$ 2,1 milhões

O processo licitatório para a pavimentação asfáltica da via que dá acesso ao Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Caruaru, teve seu contrato homologado na segunda-feira (26). A concorrência pública foi conduzida pela Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), e a empresa J Benevides da Silva Eireli apresentou a proposta vencedora, no valor de R$ 2.131.810,00.

A intervenção faz parte do projeto de recuperação e modernização do autódromo, iniciativa coordenada pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), em articulação com a Prefeitura de Caruaru. A obra de acesso é considerada essencial para garantir melhores condições de circulação e logística ao equipamento.

A expectativa do poder público é que, após a requalificação, o espaço volte a integrar o circuito de grandes competições esportivas e eventos de entretenimento, ampliando a visibilidade de Caruaru e gerando reflexos positivos na economia regional, com aumento do fluxo de visitantes e fortalecimento de diversos setores produtivos.

Segundo o secretário de Projetos Estratégicos de Caruaru (SEPE), Pedro Augusto Cavalcanti, a próxima etapa será a formalização do contrato, o que permitirá a emissão da ordem de serviço e o início das obras. Ele destacou que o investimento reforça a estratégia de utilizar equipamentos estruturadores como vetores de desenvolvimento econômico e urbano.

“Esta obra permitirá mais conforto para todos os visitantes do Autódromo, impulsionando ainda mais o desenvolvimento econômico da nossa cidade. Já requalificamos o muro e já encaminhamos os projetos voltados para a estrutura também do espaço, a exemplos da água e da iluminação”, acrescentou Pedro Augusto, em entrevista à Preftv.

Governo rebate denúncia de espionagem e descarta irregularidade em ação policial

A denúncia de que a Polícia Civil de Pernambuco teria espionado o secretário de Articulação do Recife, Gustavo Monteiro, provocou reação imediata do Governo do Estado. Após a exibição de reportagem no Domingo Espetacular, da TV Record, no domingo (25), a Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) negou qualquer prática ilegal e afirmou que a atuação da corporação se limitou a uma verificação preliminar a partir de denúncia anônima, posteriormente arquivada.

Segundo a SDS, a denúncia recebida apontava para a suspeita de pagamento irregular ligado a um contrato público, com possível encontro envolvendo um veículo oficial da Prefeitura do Recife em um centro comercial da capital. Diante da ausência de elementos que justificassem a abertura formal de inquérito, foi instituído um grupo de trabalho para checar a procedência das informações, procedimento classificado como padrão na área de Inteligência policial.

As diligências teriam ocorrido entre agosto e outubro de 2025 e não identificaram qualquer indício de crime. Ao fim do período, o procedimento foi encerrado sem desdobramentos. De acordo com o governo estadual, participaram da apuração dez policiais, entre delegados e agentes, e não houve confirmação de encontros, repasses financeiros ou condutas ilícitas relacionadas ao veículo citado na denúncia.

A Secretaria de Defesa Social sustenta que a apuração não caracterizou espionagem, nem teve como objetivo monitorar autoridades públicas. O governo afirma que checagens preliminares são utilizadas justamente para evitar a instauração indevida de inquéritos, especialmente quando a origem da informação é anônima.

Além de rebater a acusação, a SDS anunciou a abertura de um inquérito policial para investigar o vazamento de informações internas do grupo de trabalho. A suspeita é de que dados sigilosos tenham sido repassados à imprensa de forma irregular.

Entre as linhas de apuração, está a atuação de um policial que integrava o grupo e que foi afastado da área de Inteligência após ser flagrado, em novembro, em encontro com o então presidente da Câmara de Vereadores de Ipojuca, Flávio do Cartório (PSD). O parlamentar foi preso em investigação sobre desvio de recursos públicos. A presença do policial na reunião levantou suspeitas e pode explicar o acesso às informações que vieram a público.

O Estado informou que esse agente foi retirado da função, ouvido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e colocado à disposição do setor de recursos humanos. Com a instauração do novo inquérito, a SDS pretende apurar se houve quebra de sigilo funcional e responsabilizar eventuais envolvidos.