Quando o verde deixa de ser apenas paisagem e vira projeto de cidade

Por Marcelo Rodrigues

Existe uma diferença profunda entre ter parques espalhados pela cidade e pensar a cidade como um grande parque integrado.

Não se trata apenas de aumentar números ou índices de área verde por habitante, mas de compreender que a natureza urbana pode ser o elemento estruturante das relações sociais, da mobilidade, do planejamento territorial e da qualidade de vida das pessoas.

Essa perspectiva, ainda pouco explorada nas cidades brasileiras, especialmente no Nordeste, representa uma mudança radical na forma como enxergamos e ocupamos os espaços urbanos.

O conceito de cidade-parque propõe justamente essa inversão de prioridades. Em vez de encarar praças e áreas verdes como sobras do planejamento urbano, como aqueles espaços que restaram depois que tudo já foi construído, essa abordagem coloca a natureza no centro das decisões.

Significa pensar cada esquina, cada calçada, cada trajeto entre a casa e o trabalho como oportunidades de conexão com elementos naturais. E mais do que isso, significa aproximar comunidades, conselhos gestores, órgãos públicos e todos os atores locais para que participem ativamente do cuidado e da gestão compartilhada desses territórios.

No contexto nordestino, essa necessidade se torna ainda mais urgente. Cidades que enfrentam altas temperaturas durante boa parte do ano precisam desesperadamente de estratégias de arborização e criação de microclimas mais amenos. A presença de árvores nas ruas, de praças sombreadas e de corredores verdes não é luxo paisagístico, é questão de saúde pública.

Estudos demonstram que áreas arborizadas reduzem a temperatura ambiente em até cinco graus, diminuem a poluição sonora e do ar, além de estimularem a convivência e as práticas esportivas ao ar livre.

Para uma região onde o sol intenso muitas vezes afasta as pessoas dos espaços públicos, repensar a cidade a partir do verde é repensar a própria possibilidade de viver a rua, a praça, o bairro.

Outro aspecto fundamental dessa proposta diz respeito à escala. Enquanto grandes parques urbanos cumprem papel importante como ar-condicionados verdes e áreas de lazer, o conceito de território-parque trabalha numa dimensão mais próxima do cotidiano das pessoas.

A ideia é que cada bairro, cada comunidade tenha seu próprio espaço de convivência verde, gerido de forma participativa. Isso estimula o pertencimento, fortalece vínculos comunitários e garante que mesmo quem mora longe dos grandes equipamentos públicos tenha acesso a áreas de qualidade.

É uma questão de justiça social e ambiental, garantindo que o direito à natureza urbana não seja privilégio de alguns bairros, mas realidade democrática para toda a cidade.

As experiências internacionais mostram que esse modelo funciona. Cidades que adotaram planejamento integrado entre espaços verdes e desenvolvimento urbano colheram resultados impressionantes em mobilidade, saúde mental, redução de enchentes e até valorização imobiliária equilibrada.

Não se trata de copiar modelos prontos, mas de adaptar princípios à realidade local, respeitando características climáticas, culturais e sociais de cada território.

No Nordeste, onde a relação com a natureza sempre foi intensa, seja pelo clima, pela proximidade com o sertão ou pelo litoral, incorporar essa dimensão natural ao desenho urbano seria reconectar a cidade com sua própria identidade.

Para que isso se concretize, é preciso vontade política, planejamento de longo prazo e participação popular efetiva. Não basta criar espaços verdes se eles não dialogam com as necessidades reais de quem vive ali. É preciso ouvir moradores, entender como se deslocam, onde trabalham, onde estudam, e criar redes verdes que façam sentido para esses percursos.

É preciso também investir em manutenção, em segurança, em programação cultural que anime esses espaços. Um parque abandonado não cumpre sua função, por mais bela que seja sua concepção inicial.

O desafio está posto. As cidades nordestinas podem escolher continuar crescendo de forma fragmentada, com ilhas de concreto e raros oásis verdes, ou podem abraçar uma visão mais integrada e sustentável.

Transformar cidades em cidades-parques não é sonho distante, é possibilidade concreta que depende de decisões que tomamos hoje sobre como queremos viver amanhã.

Marcelo Rodrigues, é advogado especialista em direito ambiental e urbanístico, consultor técnico em sustentabilidade da Prefeitura Municipal de Caruaru, ex-Secretário de Meio Ambiente do Recife.

Raquel Lyra assinará autorizações para obras estruturadoras para segurança e mobilidade de Caruru

Pedro Augusto/Blog Capital

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), inicia a segunda-feira (8), com uma agenda intensa entre o Recife e Caruaru. Logo às primeiras horas da manhã, a gestora participa da tradicional celebração em homenagem à Nossa Senhora da Conceição, no Morro da Conceição, um dos eventos religiosos mais significativos do estado, que reúne anualmente milhares de fiéis.

Após a celebração, Raquel segue para Caruaru, onde, às 9h, anunciará um pacote de investimentos estratégicos para o município e região. As ações integram o programa Juntos pela Segurança, que prevê o fortalecimento da estrutura operacional das forças de segurança no Agreste. Entre as iniciativas, estão a autorização para a construção de um novo Batalhão Integrado Especializado (Biesp) da Polícia Militar e de um Grupamento de Bombeiros (GB) na cidade.

Além das medidas voltadas à segurança, a governadora também assinará autorizações nas áreas de mobilidade urbana e desenvolvimento regional. Serão requalificadas a via de acesso ao abatedouro municipal e a estrada que liga à Vila Murici, consideradas fundamentais para o fluxo econômico e para a rotina das comunidades locais.

Raquel Lyra ainda dará aval para o processo licitatório das obras de restauração da estrada que leva ao Autódromo Ayrton Senna e anunciará a construção de um novo campus da Universidade de Pernambuco (UPE) em Caruaru, ampliando a oferta de ensino superior no município.

Ipem-PE reprova 48 balanças durante fiscalização no Aeroporto Internacional dos Guararapes e reforça ações de proteção ao consumidor

O Instituto de Pesos e Medidas de Pernambuco (Ipem-PE) realizou, nesta terça-feira (03/12), uma fiscalização em balanças utilizadas no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes – Gilberto Freyre. O objetivo da ação foi assegurar que todos os equipamentos de pesagem estejam funcionando corretamente, evitando cobranças indevidas e garantindo a proteção ao consumidor.

Durante o período de férias e festas de fim de ano aumenta o fluxo de passageiros e cresce também o número de bagagens despachadas. A fiscalização garante a confiabilidade no resultado da pesagem das bagagens dos usuários do transporte aéreo e a cobrança exata do excesso de peso e representa também uma segurança maior para as viagens, com o controle do peso das bagagens.

Ao todo, 87 balanças instaladas nas áreas de check-in das companhias aéreas e nos restaurantes do terminal foram verificadas, das quais 48 foram reprovadas. Entre as irregularidades constatadas estavam erros de medição acima do máximo permitido, segmentos de dígitos avariados nos indicadores e instalações inadequadas que impediam o passageiro de visualizar a pesagem de forma clara e simultânea – requisito fundamental para a transparência no atendimento.

“Nosso trabalho é assegurar que o consumidor não seja prejudicado, mas a participação do passageiro é essencial. Basta conferir se a balança está zerada e se o selo de verificação está dentro da validade de 2025 ou 2026. Esses cuidados garantem que o equipamento foi verificado pelo Ipem-PE e que apto a realizar pesagens corretas”, afirma Ary Morais, presidente do Ipem-PE.

A verificação é anual e obrigatória. Caso sejam encontradas irregularidades, as empresas autuadas pelas equipes de fiscalização do Ipem-PE têm dez dias para apresentar defesa à instituição, que define, então, as multas. De acordo com a lei federal 9.933/99, as multas podem variar entre R$ 100 e R$ 1,5 milhão.

O Instituto ressalta que consumidores que se sentirem prejudicados por pesagens irregulares podem acionar a ouvidoria do Ipem-PE pelo telefone 0800 081 1526 ou por meio do formulário disponível no site www.ipem.pe.gov.br. 

Com investimento recorde, Pernambuco reforça rede de assistência social e amplia proteção às famílias

 

Investimentos do Governo de Pernambuco na assistência social mais que quadruplicam, garantindo a expansão da rede e a criação de novos programas

No Dia Nacional da Assistência Social, celebrado neste domingo (7), o Governo de Pernambuco destaca um salto histórico nos investimentos destinados ao setor. O orçamento estadual voltado à assistência social mais que quadruplicou, passando de R$ 25,4 milhões em 2022 para R$ 116,9 milhões em 2025. O incremento garante maior segurança financeira aos municípios e fortalece a rede de serviços socioassistenciais em todo o território pernambucano.

“Quando investimos na assistência social, investimos nas pessoas. Cada recurso destinado, cada serviço ampliado e cada política criada tem o objetivo de melhorar a vida de quem mais precisa e assegurar que ninguém fique para trás. Esse é o caminho para um Estado mais justo, mais humano e mais protegido”, enfatizou a governadora Raquel Lyra.

Com a ampliação dos aportes estaduais, Pernambuco assegura previsibilidade para o funcionamento de equipamentos como CRAS, CREAS, Centros Pop, pagamentos de Benefícios Eventuais, entre outros serviços do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), além de garantir a instalação e o custeio das cozinhas comunitárias do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). Em 2023, os repasses estaduais chegaram a R$ 44,7 milhões e, em 2024, alcançaram R$ 79,4 milhões, consolidando a trajetória de expansão dos investimentos no setor.

Para o secretário de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas, Carlos Braga, a data reforça o papel estratégico da política pública. “A assistência social de Pernambuco vive um momento muito especial, impulsionado pelo investimento que a governadora Raquel Lyra tem garantido ao SUAS e à segurança alimentar. Nunca na história do nosso Estado tivemos tanto compromisso e tanta ação concreta voltada para quem mais precisa. Somos uma gestão presente nos territórios, cuidando das pessoas e assegurando direitos”, afirmou.

Além do cofinanciamento aos municípios, o Estado implantou novas iniciativas estruturantes, com destaque para o programa Mães de Pernambuco. Criado em 2024, o benefício de R$ 300 mensais já alcançou mais de 135 mil mulheres e acumulou investimento superior a meio bilhão de reais, tornando-se o maior programa de transferência de renda do Norte e Nordeste.

Outra ação de destaque é a reestruturação das casas de acolhimento, concluída em 2025, que garantiu ambientes mais seguros e adequados para crianças, adolescentes e jovens sob responsabilidade do Estado. A gestão também implementou programas inéditos de acolhimento familiar, como o Família Acolhedora Pernambucana e os Cuidados em Família Extensa, ampliando as possibilidades de convivência familiar e comunitária.

A proteção de crianças e adolescentes também avança com o fortalecimento das ações do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), com atuação também dentro do projeto Praia Legal, que atua durante todo o ano no enfrentamento ao trabalho infantil ligado à cadeia produtiva do turismo litorâneo. Além disso, o Governo de Pernambuco investe na qualificação das equipes que atuam diretamente na ponta. A Escola de Formação dos Trabalhadores/as do SUAS de Pernambuco (ESFOSUAS/PE) ampliou sua presença territorial, capacitando profissionais estaduais e municipais para aprimorar o atendimento às famílias pernambucanas com recursos do Estado.

Decisões do STJ e STF livraram Flávio Bolsonaro do caso das rachadinhas

Nome do ex-presidente Jair Bolsonaro para ser candidato a presidente em 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu se livrar de uma acusação de desvios de dinheiro em seu gabinete graças a decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e do STF (Supremo Tribunal Federal).

Flávio foi acusado de “rachadinha” em 2020. A denúncia do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) o apontava como líder de uma organização criminosa que recolhia parte do salário de ex-funcionários públicos empregados em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, onde foi deputado estadual de 2003 a 2019. A denúncia acusava Flávio de organização criminosa, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e peculato (desvio de dinheiro público). As informações são do portal UOL.

Senador conseguiu se livrar da acusação sem ter sido julgado. Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça acolheu um recurso da defesa do senador e anulou as decisões da Justiça do Rio na investigação, por entender que elas não foram tomadas pelo juiz certo para julgar o caso. Para o STJ, a investigação deveria ter sido conduzida pelos desembargadores do TJ-RJ e não por um juiz de primeira instância, como ocorreu.

Em novembro do mesmo ano, o STF anulou os relatórios do Coaf que embasaram a acusação. Foram estes relatórios que expuseram a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão de Fabrício Queiroz entre 2016 e 2017. Queiroz é um PM aposentado que era chefe de gabinete de Flávio na Alerj. Flávio e Queiroz sempre negaram as acusações.

Decisão de Gilmar Mendes anulou os relatórios. Ministro considerou que compartilhamento de informações com o Ministério Público do Rio de Janeiro foi ilegal por não haver nenhuma investigação autorizada contra Flávio quando os relatórios foram enviados ao MP. Decisão foi chancelada pela Segunda Turma do STF.

Na prática, as duas decisões inviabilizaram a denúncia. O próprio Ministério Público chegou a pedir a anulação da denúncia ao TJ-RJ, uma vez que as decisões da investigação, conduzidas pelo juiz de primeiro grau Flávio Itabaiana, haviam sido anuladas.

Na sequência, os investigadores mudaram de posição e ainda tentaram recorrer para reabrir o caso, o que foi negado pelo STF em 2025. Ao analisar o pedido, o ministro Gilmar Mendes lembrou que o próprio Ministério Público recorreu depois do prazo adequado e, por isso, não seria possível reabri-lo. Na prática, o caso acabou encerrado e não há margem para o MP reaproveitar as provas da investigação.

Datafolha: 8% acham que Bolsonaro deveria apoiar Flávio, 22%, Michelle, e 20%, Tarcísio

A nova rodada do Datafolha divulgada ontem sobre a sucessão presidencial de 2026 expõe a fragmentação da direita e o desafio da família Bolsonaro para reorganizar seu espaço político após a inelegibilidade do ex-presidente. No levantamento, apenas 8% dos eleitores afirmam que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seria o nome ideal para receber a indicação do pai — proporção bem inferior à de Michelle Bolsonaro, citada por 22%, e à do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lembrado por 20% dos entrevistados. Os números foram colhidos antes do anúncio de Flávio, na sexta-feira (5), de que disputará a Presidência.

O quadro indica estabilidade em relação à pesquisa anterior. Em julho, Michelle tinha 23% das menções e agora aparece com 22%, diferença que está dentro da margem de erro. Tarcísio oscilou de 21% para 20%. Já Ratinho Jr. (PSD-PR) subiu de 10% para 12%, enquanto Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive no exterior, caiu de 11% para 9%. Flávio, por sua vez, variou de 9% para 8%. Também ficaram próximos dos índices anteriores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), com 6%, e Romeu Zema (Novo-MG), que recuou de 5% para 4%. As informações são do jornal O Globo.

O levantamento confirma que o selo de Bolsonaro perdeu força como ativo eleitoral. Segundo o Datafolha, 50% dos eleitores dizem que jamais votariam em um candidato indicado pelo ex-presidente. Outros 26% afirmam que certamente apoiariam um nome ungido por ele, e 21% consideram essa possibilidade. A rejeição majoritária ajuda a explicar a dificuldade em construir um consenso interno na direita, enquanto o campo da esquerda segue concentrado na figura do presidente Lula (PT).

A pesquisa espontânea também evidencia o peso residual de Bolsonaro no imaginário político: mesmo inelegível até 2060 por condenação a 27 anos e 3 meses no processo sobre tentativa de golpe, ele aparece com 7% das citações para a Presidência, atrás apenas de Lula, que lidera com 24%. Tarcísio (2%) e Ratinho Jr. (1%) completam o grupo mais lembrado.

Entre os eleitores identificados pelo instituto como núcleo duro do bolsonarismo — perfil majoritariamente masculino, branco, mais evangélico e de renda média a alta —, Michelle é ainda mais forte: 35% a apontam como sucessora natural, enquanto 30% preferem Tarcísio. Eduardo Bolsonaro tem 14%, e Flávio fica em apenas 9%, mesmo após sua movimentação pública para assumir a liderança do grupo político do pai.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.002 pessoas, em entrevistas presenciais, realizadas entre 2 e 4 de dezembro, em 147 municípios do país. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95% — o que significa que, se fossem repetidas diversas vezes, as estimativas tenderiam a se repetir em 95% das ocasiões dentro da variação prevista.

STF condena cinco ex-integrantes do comando da PM-DF por omissão nos atos antidemocráticos de 8/1

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou cinco dos sete ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) denunciados pelo Procuradoria-Geral da República (PGR) por omissão no exercício de suas funções, o que possibilitou a invasão e depredação dos prédios na Praça dos Três Poderes durante os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

O julgamento da Ação Penal (AP) 2417 foi realizado na sessão virtual encerrada na sexta-feira (5). O colegiado acompanhou o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes.

Foram condenados a 16 anos de prisão os coronéis Fábio Augusto Vieira, então comandante-geral da PMDF; Klépter Rosa Gonçalves, então subcomandante-geral da PMDF; Jorge Eduardo Naime Barreto, ex-chefe do Departamento de Operações; Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra; e Marcelo Casimiro Vasconcelos. Todos foram denunciados pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.

Por insuficiência de provas, o colegiado absolveu o major Flávio Silvestre de Alencar e o tenente Rafael Pereira Martins por falta de provas.

Crimes omissivos

Em seu voto, o relator, ministro Alexandre de Moraes, concluiu que a acusação narrou de forma clara as omissões dos réus, em razão de sua posição de garantidores da ordem pública.

Segundo o ministro, a atuação da PMDF nos eventos de 8 de janeiro de 2023 não pode ser compreendida como resultado de falhas pontuais ou imprevisões operacionais. A seu ver, os fatos evidenciam uma atuação omissiva, intencional e estruturada, com início antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2022 e que se prolongou até a invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes.

Plano insuficiente

Ainda na avaliação do ministro Alexandre de Moraes, o Plano de Ações Integradas 02/2023, elaborado pela PMDF, foi insuficiente, uma vez que designou praças em formação – recém-ingressos na corporação, com reduzido grau de formação e experiência – para atuar em campo.

O ministro verificou que a omissão operacional se manifestou de múltiplas formas: emprego de efetivo insuficiente, ausência de tropa especializada de contenção, não instalação de barreiras eficazes, utilização de policiais em formação e ausência dos próprios comandantes nas áreas críticas durante os ataques.

Estrutura reduzida e ineficaz

De acordo com o ministro, ficou comprovado que o comando da Polícia Militar aprovou uma estrutura reduzida e ineficaz de segurança. O conteúdo de mensagens analisadas demonstra que Klépter Gonçalves, apesar de admitir a possibilidade concreta de confronto físico, propôs um arranjo logístico com o emprego de praças em formação na linha de frente e tropas especializadas na retaguarda. Fábio Vieira, por sua vez, concordou e endossou a proposta.

Além disso, o coronel Fábio, presente no Congresso Nacional no momento dos atos antidemocráticos, demorou 90 minutos para mobilizar a Tropa de Choque após solicitação do diretor da Polícia Legislativa. Ficou comprovada ainda a adesão de ambos ao movimento de contestação ao resultado das eleições de 2022, por meio de comunicações privadas e compartilhamento de conteúdo digital com viés abertamente antidemocrático.

Conivência

No que diz respeito a Jorge Eduardo Naime Barreto e Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra, responsáveis pela execução de ações de policiamento ostensivo e pela elaboração e execução do Plano de Ação Integrada (PAI) da PMDF para o 8/1, o relator concluiu que as omissões dos coronéis não foram meramente administrativas ou negligentes, mas intencionais, com clara adesão ao resultado visado pelo movimento antidemocrático.

“O modelo de planejamento adotado não foi fruto de erro ou improviso, mas de uma opção consciente por restringir a atuação da PMDF, numa linha de conivência com os objetivos da turba extremista”, disse.

Omissão na linha de frente

Em relação à atuação de Marcelo Casimiro, comandante de linha de frente operacional, o ministro ressaltou que ele tinha capacidade para adotar providências preventivas para evitar ou reduzir os resultados, como reforçar as linhas de contenção nas vias de acesso à Praça dos Três Poderes, impedir a descida dos manifestantes e acionar reforço de tropa de maneira tempestiva.

Penas e efeitos da condenação

Além da pena privativa de liberdade, os policiais militares foram condenados ao pagamento de 100 dias-multa (cada dia-multa no valor de um terço do salário-mínimo) e à perda do cargo público.

Eles também pagarão, de forma solidária, uma indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, juntamente com todos os condenados por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Absolvição

Em relação ao major Flávio Silvestre de Alencar e ao tenente Rafael Pereira Martins, o relator concluiu que não há provas suficientes para a condenação. Além disso, destacou que os dois não tinham autonomia estratégica e decisória que pudesse alterar o resultado dos fatos ocorridos, o que impede o reconhecimento de responsabilidade penal por omissão dolosa.

Soldado confessa feminicídio e incêndio de quartel em Brasília

Brasília (DF), 06/12/2025 - Maria de Lourdes Freire Matos tinha 25 anos de idade, ocupava a patente de Cabo e era musicista do Regimento.
Foto: Maria de Lourdes Freire Matos/Instagram

A morte da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos, na sexta-feira (5) à tarde, está sendo investigada como feminicídio, informou neste sábado (6) a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

Segundo a 2ª Delegacia Policial (DP), da Asa Norte, o soldado Kelvin Barros da Silva, 21 anos, confessou a autoria do crime e está preso no Batalhão da Polícia do Exército, em Brasília.

Em vídeo divulgado pela PCDF, o delegado Paulo Noritika, chefe da 2ª DP, explicou que o soldado contou que o assassinato ocorreu depois de uma discussão com a vítima. Nas palavras do autor confesso do crime, Maria de Lourdes teria exigido que o soldado terminasse o relacionamento com a namorada e a assumisse. Familiares da vítima, no entanto, negaram à imprensa local que os dois tivessem uma relação.

Segundo o delegado, o soldado não tinha antecedentes criminais.

“O autor está sob custódia no Serviço de Guarda do Exército e responderá por feminicídio, furto de arma, incêndio e fraude processual, podendo ser condenado a 54 anos de prisão”, acrescentou Noritika.

O corpo da militar foi encontrado na sexta (6), pouco depois das 16h, carbonizado e com um corte no pescoço pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), que apagou um incêndio no 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (RGC), no Setor Militar Urbano. Em nota, os bombeiros confirmaram que encontraram grande quantidade de combustível após extinguirem as chamas.

“No local, havia grande quantidade de material combustível. As edificações vizinhas foram resfriadas, evitando que o fogo se propagasse. O incêndio foi rapidamente controlado e, durante a fase de resfriamento dos materiais queimados, os socorristas encontraram um corpo carbonizado, do sexo feminino, ainda não identificado”, informou o CBMDF.

Pesar

Maria de Lourdes Freire Matos era saxofonista da banda do regimento. Em publicação nas redes sociais, o 1º RCG mostrou pesar pelo assassinato.

“O 1º Regimento de Cavalaria de Guardas manifesta profundo pesar pelo falecimento da cabo Maria de Lourdes Freire Matos, cuja trajetória na instituição foi marcada por dedicação, profissionalismo e um compromisso exemplar com o serviço prestado na fanfarra. Neste momento de dor, expressamos nossas mais sinceras condolências aos familiares, amigos e irmãos de farda”, destacou o comunicado.

Exclusão do Exército

O Exército informou que o soldado foi preso em flagrante imediatamente após a confissão. Segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM). O criminoso confesso deverá ser excluído da Força Militar.

A corporação informou estar prestando assistência à família. “O Exército Brasileiro presta total apoio à família e lamenta profundamente a perda da cabo Maria de Lourdes de Freire Matos e reitera a sua posição de não coadunar com atos criminosos e punir com rigor os responsáveis”, destacou.

Onda de feminicídios

O caso soma-se a uma onda de feminicídios recentes que abalaram o país. No último dia 28, duas funcionárias de um Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) no Rio de Janeiro foram mortas a tiros por um funcionário da mesma instituição de ensino, que se matou em seguida.

Na capital paulista, uma mulher de 31 anos teve as pernas severamente mutiladas após ser atropelada e arrastada, por cerca de um quilômetro no último sábado (29), enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. Também em São Paulo, um homem atirou com duas armas, contra sua ex-companheira na pastelaria em que ela trabalhava na última segunda-feira (1º).

No Recife, um homem de 39 anos foi preso em flagrante também no sábado, suspeito de provocar um incêndio que matou sua esposa, grávida, e os quatro filhos do casal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a onda de feminicídios nesta semana. Em discurso em Pernambuco na última terça-feira (2), ele pediu o engajamento dos homens para mudar a cultura da violência de gênero que predomina na sociedade.

Mulheres vão às ruas em todo país para protestar contra o feminicídio

Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2023 - Ato denúncia em frente à Câmara Municipal, organizado pelo campanha Levante Feminista contra o Feminicídio, colocarão 210 cruzes nas escadarias do Palácio Pedro Ernesto, simbolizando cada uma das 111 mulheres assassinadas no estado em 2022 e as 99 mulheres assassinadas em 2023. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Mulheres de diversas cidades brasileiras irão às ruas neste domingo (7) para denunciar o aumento do número de casos de feminicídio e protestar contra todas as formas de violência que violam o direito das mulheres a viver com liberdade, respeito e segurança.

Mobilizadas por coletivos, movimentos sociais e organizações feministas, as manifestações têm o objetivo de romper o silêncio, exigir justiça e afirmar que a sociedade não aceitará mais a impunidade.

“Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas” é o lema das manifestantes.

Confira algumas das manifestações marcadas para este domingo

São Paulo (SP): 14h, vão do Masp
Curitiba (PR): 10h, Praça João Cândido (Largo da Ordem)
Campo Grande (MS): 13h (horário local), Av. Afonso Pena (em frente ao Aquário do Pantanal)
Manaus (AM): 17h, Largo São Sebastião
Rio de Janeiro (RJ): 12h, Posto 5 – Copacabana
Belo Horizonte (MG): 11h, Praça Raul Soares
Brasília (DF) e Entorno: 10h, Feira da Torre de TV
São Luís (MA): 9h, Praça da Igreja do Carmo (Feirinha)
Teresina (PI): 17h, Praça Pedro II
A mobilização nacional foi convocada após uma onda de feminicídios recentes que abalaram o país.

Na sexta-feira (5), foi encontrado, em Brasília, o corpo carbonizado da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos. O crime está sendo investigada como feminicídio, após o soldado Kelvin Barros da Silva, 21 anos, ter confessado a autoria do assassinato. Ele está preso no Batalhão da Polícia do Exército.

No final de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso por tentativa de feminicídio.

Na mesma semana, duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ), no Rio de Janeiro, foram mortas a tiros por um funcionário da instituição de ensino que se matou em seguida.

Cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras viveram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero.

Em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídios. Em média, cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em razão do gênero, em contextos de violência doméstica, familiar ou por menosprezo e discriminação relacionados à condição do sexo feminino.

Em 2025, Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios e quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180, segundo o Ministério das Mulheres.

Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo para que haja um grande movimento nacional contra a violência de gênero. Ele cobrou dos próprios homens uma resposta para mudar a cultura de violência de gênero que predomina na sociedade.

Mega-Sena: ninguém acerta as seis dezenas e prêmio vai a RS 20 milhões

Ninguém acertou as seis dezenas do Concurso 2.948 da Mega-sena, sorteadas nesse sábado (6) a noite em São Paulo. O prêmio para o próximo concurso, na terça-feira (9), fica acumulado em R# 2o milhões.

As dezenas sorteadas foram 06 – 24- 37- 52 – 53- 58.

Quarenta e dois apostadores acertaram a quina e vão receber, cada um, R$ R$ 42.694,24. Os 2.726 acertadores da quadra terão o prêmio individual de R$ R$ 1.084,28.

As apostas podem ser feitas até as 20h (horário de Brasília) do dia do concurso em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.